FACULDADE DE PITÁGORAS RESENHA - ANTÍGONA

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1 FACULDADE DE PITÁGORAS RESENHA - ANTÍGONA TEIXEIRA DE FREITAS 2011

2 FACULDADE DE PITÁGORAS Naguimar Moura M. Martins Núbia S. de Brito RESENHA - ANTÍGONA TEIXEIRA DE FREITAS 2011

3 Naguimar Moura M. Martins Núbia S. de Brito RESENHA - ANTÍGONA Trabalho apresentado à disciplina Direito Civil - Sucessões, 9º período, do Curso de Direito, da Faculdade Pitágoras, como requisito para avaliação. Orientador: Prof. Msc. Rosinete Cavalcante da Costa. TEIXEIRA DE FREITAS 2011

4 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO RESENHA CONCLUSÃO REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 10

5 1 - INTRODUÇÃO A resenha apresenta uma peça teatral, Antígona, de Sófocles, um tragediógrafo grego que viveu no século V antes de Cristo. Na peça, o autor desenvolve uma montagem com diversas idéias, que ao longo do texto vão se completando e formando uma estrutura coerente. O mito Antígona aborda temas que transcendem a temporalidade da época de sua criação e continua a ser usado como meio de reflexão e ensino acerca das questões humanas mesmo após anos de sua criação. As tragédias gregas serviram, não apenas como um entretenimento, mais sim como um estímulo para discussões jurídicas, políticas, filosóficas e existenciais da sociedade grega e da humanidade. Antígona é personagem central da peça teatral, é filha de Édipo e Jocasta, fruto de uma relação incestuosa provocada por uma maldição. Seu destino é defender o direito de um irmão morto em guerra e ser condenada por isso.

6 2 - RESENHA A peça teatral Antígona fora apresentada em Atenas, segundo os historiadores, no ano 441 a.c., encerrando o sexteto que Sófocloes dedicou à tragédia de Édipo rei de Tebas. Sófocles nasceu por volta de 496 a.c., em Colono nas mediações de Atenas, viveu durante o século V antes de Cristo, entre 496 e 406 a.c. e, foi um dos maiores tragediógrafos da Grécia. A idéia central do texto de Sófocles é a maldição de Édipo, que perde o trono e deixa o poder de Tebas nas mãos de Creonte. A maldição fora lançada sobre Édipo por casar sem saber com Jocasta, sua mãe além de ter matado seu pai Laios (esse é o enredo da peça teatral Édipo o Rei). Para tentar se redimir, Édipo abandona o trono e arranca os próprios olhos, passando a vagar cego pelo mundo. Apesar da autopunição, Édipo não conseguiu evitar que sua maldição chegasse a seus quatro filhos: Ismênia, Antígona, Etéocles e Polinice. A peça segue um caminho que leva ao conflito entre as leis divinas e as leis humanas. Na peça teatral, a personagem Antígona e seu tio Creonte o rei de Tebas - são o centro dessa discussão, cada um com o seu ponto de vista e seus valores assumindo posições rígidas que desencadearão todos os acontecimentos da trama. Antígona é a protagonista da peça teatral, é filha de Édipo e Jocasta, e surge de uma relação incestuosa provocada por uma maldição que dizia que o seu pai Édipo mataria o seu avô, o rei Laios, e casaria com sua própria mãe Jocasta, seu destino é defender o direito de um irmão morto em guerra e ser condenada por isso. É sobrinha de Creonte, irmão de Jocasta. Por ser fruto de uma relação incestuosa, Antígona acreditava que carregava consigo uma maldição, mas apesar disso jamais se voltou contra o seu pai, sendo uma filha fiel e cuidadosa até o seu leito de morte.

7 Após a morte de Édipo em Colono, ela retorna a Tebas com sua irmã Ismênia, onde seus irmãos Etéocles e Polinice, disputavam a sucessão do pai ao trono. Com o intuito de resolver esse conflito, os irmãos (Etéocles e Polinice), concordaram em se revezar a cada ano no trono, entretanto após o primeiro ano de reinado Etéocles não quis ceder o trono a Polinice que ficou com muita raiva e foi em bora para a cidade de Argos, inimiga de Tebas, onde conseguiu o apoio do rei fato que o fez voltar para Tebas a fim de obrigar Etéocles a lhe entregar o trono. Os sete chefes da cidade de Tebas, que foram incumbidos de sua defesa lutaram contra o exército de Argos e Etéocles e Polinice mataram um ao outro. Com isso, Creonte assumiu o poder e proibiu o sepultamento de Polinice por ter lutado contra Tebas e, em um ato de tirania determinou a morte para quem o desobedecesse e providenciou um honroso funeral para Etéocles que fora morto defendendo a cidade atacada por seu irmão. Ao ver a situação de Polinice, morto e sem direito a sepultura, Antígona desobedece à lei, enfrenta os soldados que vigiavam o corpo de seu irmão e oferece àquele as cerimônias fúnebres, isso porque no paganismo grego o espírito só descansaria após o sepultamento. Antígona infringe o decreto de Creonte por entender que há uma lei divina, universal e, portanto maior que o poder de um rei, isso porque existe uma lei mais antiga, natural o que chamamos de Direito natural, que diz respeito a um mínimo de dignidade que um ser humano merece, independente de culpa. Nesse contexto, Antígona representa a lei divina (OIKOS), e Creonte a lei humana (PÓLIS), e ambos, no final da trama foram castigados por serem radicais em suas posições, não admitindo um acordo ou discussão. Creonte representa o poder estabelecido e toma atitudes para manter tal poder, de forma que, para ele, os fins justificam os meios, ao punir Antígona. É um déspota típico que não consegue retratar-se a tempo de corrigir um erro e evitar uma tragédia que o prejudicou severamente.

8 Os deuses condenaram Antígona por ter assumido uma postura divina, querendo agir com uma deusa, comportamento que além de provocar duas mortes, também condenaram Creonte com a perda da mulher e do filho pela sua precipitação em punir Antígona. Com isso, ambos aprenderam a duras penas que é necessário procurar um meio termo quando há um conflito. Naquela época o poder divino era muito presente na mente das pessoas, de forma que os deuses gregos possuíam características humanas, mas detinham uma força divina para impor respeito aos mortais. As leis divinas podiam entrar em choque com as leis humanas, e isso podia causar um caos nos valores da época. Antígona teve com punição a própria morte, por se julgar acima das leis do Estado, colocando-se na condição de deus ao julgar Creonte e foi responsável por duas mortes: Hêmon e Eurídice. A atitude de Antígona teve como antecedente a luta pelo Estado, a disputa de dois irmãos pelo poder e, em compensação o lado político de Creonte foi motivado pela tragédia familiar que fez Jocasta se matar e Édipo abdicar, permitindo assim que ele chegasse ao poder. O crime de incesto foi desde o passado algo considerado sujo e imoral. Ainda hoje o incesto é intolerável em nossa sociedade, e algumas religiões acreditam que doenças derivadas da consangüinidade seja um castigo de Deus. Para a época, toda a tragédia desenrolada através da história serviu como um castigo para o crime. O aspecto jurídico vislumbrado no texto remete ao Direito de Sucessões, motivo pelo qual os irmãos Etéocles e Polinice brigavam pelo trono. Por um longo período o direito sucessório cabia apenas ao primogênito de sexo masculino, o que ocorria na época do texto. Entretanto, o novo Código Civil brasileiro, elenca quem são aqueles que podem suceder, atribuindo direito de suceder, via de regra, aos descendentes, e em falta desses aos ascendentes. Na legislação da época do texto, Antígona não possuía direito ao trono por dois motivos, por ser mulher e por ser fruto de uma relação incestuosa. Entretanto o atual Código Civil não faz qualquer distinção entre o sexo do herdeiro ou sobre a sua legitimação.

9 3 - CONCLUSÃO Talvez, o intuito do autor da peça pretenda mostrar que o melhor caminho para se fazer justiça é mesclar as leis humana e as leis divina, buscando dessa forma uma harmonização entre os desejos das partes envolvidas. O choque entre os pontos de vista de Antígona e Creonte leva a uma reflexão sobre a relatividade das coisas em geral e principalmente daquilo que é moral, justo e consequentemente legal. A vida trágica dos personagens de Sófocles não é fruto isolado do acaso, serve também para alertar os leitores para uma profunda reflexão sobre a moralidade, além de informar, o que na atualidade correspondia à mídia que temos hoje. O mito apresentado pelo autor denota a fraqueza da vida humana perante aos deuses, e questiona o seguimento das leis divinas ou o seu confrontamento, o que possibilita a discussão de várias questões que permeiam a humanidade.

10 4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SOFÓCLES, (c. 496 a.c. 406 a.c.) Tradução: J. B. Melo e Souza. Versão para ebook: ebooksbrasil.com. Antígona. Disponível em: < Acessado em: 20 de abril de 2011.

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