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1 DIAGNÓSTICO DA REDE DE PROTEÇÃO À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE RIO BRANCO-ACRE Projeto Circulando pela Rede MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO ACRE 3ª Promotoria de Justiça Criminal de Rio Branco-Acre Especializada no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher Julho de 22 i

2 ESTADO DO ACRE MINISTÉRIO PÚBLICO 3ª PROMOTORIA DE JUSTIÇA CRIMINAL DE RIO BRANCO-ACRE ESPECIALIZADA NO COMBATE À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER DIAGNÓSTICO DA REDE DE PROTEÇÃO À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE RIO BRANCO- ACRE RELATÓRIO FINAL ª Versão Julho de 22 ii

3 Procuradora-Geral de Justiça Patrícia de Amorim Rêgo Procuradora-Geral Adjunta para Assuntos Jurídicos, Administrativos e Institucionais Kátia Rejane de Araújo Rodrigues Corregedor-Geral Ubirajara Braga de Albuquerque Subcorregedor-Geral Álvaro Luís Araújo Pereira Membros do Conselho Superior Patrícia de Amorim Rêgo Ubirajara Braga de Albuquerque Edmar Azevedo Monteiro Filho Kátia Rejane de Araújo Rodrigues Gilcely Evangelista de Araújo Souza Colégio de Procuradores Patrícia de Amorim Rêgo Kátia Rejane de Araújo Rodrigues Ubirajara Braga de Albuquerque Giselle Mubarac Detoni Vanda Denir Milani Nogueira Williams João Silva Edmar Azevedo Monteiro Filho Cosmo Lima de Souza Oswaldo D Albuquerque Lima Neto Flávio Augusto Siqueira de Oliveira Sammy Barbosa Lopes Carlos Roberto da Silva Maia Gilcely Evangelista de Araújo Souza Álvaro Luiz Araújo Pereira iii

4 Coordenação da Pesquisa Promotora de Justiça Marcela Cristina Ozório Equipe Técnica Luciana de Carvalho Rocha Gadelha Antonia Francisca de Oliveira Ângela Maria Fernandes Fontes Michele Mauri Ruth Lucimar Gomes Pesquisadores Servidores Agenaira Francielly Mariano Catherine Lamar de Azevedo Juliane Guedes Corrêa Karoliny Rosas de Oliveira Nair Braga Nathan Moreira Vidal Raphael Augusto de Lima Torres Colaboração Adelaide Maria Araújo Vieira Risoleide Martins de Oliveira Maria Helena Pedroza de Carvalho Pesquisadores - Alunos de Psicologia da UNINORTE Elizângela Santana Rodrigues Gislay Cirino Fernandes Hanna Izabel Ferreira Marçal Irene Smangoszevski Jaqueline Frota Pinheiro Larissa Moreira Santana Luzia Litiane Matos Lima Silene da Silva Lima Talita Carvalho Pinheiro Tamires da Costa Honório Colaboração Econ. Msc. Orlando Sabino da Costa Filho iv

5 AGRADECIMENTOS O desenvolvimento dessa pesquisa contou com a colaboração da União Educacional do Norte UNINORTE, através do Curso de Psicologia, por meio da Professora Kariny Costa Gonçalves que considerou como parte de sua disciplina a atividade prática dos alunos como pesquisadores. O número de questionários aplicados só foi possível graças à dedicação dos alunos voluntários, que o fizeram com motivação e profissionalismo. Aos servidores do Ministério Público que foram designados e cedidos pelos seus chefes imediatos a participar como pesquisadores. Ao Professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Acre MS Orlando Sabino que colaborou com a definição da metodologia da pesquisa e revisou os instrumentos de coleta de dados. A Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres, por meio da técnica Amanda Schoenmaker, que revisou os questionários e fez sugestões qualificadas quanto ao conteúdo e a forma de apresentação. A todos os gestores da Rede REVIVA que participaram da validação dos instrumentos da pesquisa e colaboraram com a indicação dos profissionais a serem pesquisados nas suas instituições. As mulheres que gentilmente responderam as perguntas após serem vitimadas e estarem emocionalmente frágeis. v

6 Sumário LISTA DE TABELAS... VII APRESENTAÇÃO INTRODUÇÃO METODOLOGIA RESULTADOS Informações Gerais dos Profissionais Informações Gerais das Vítimas CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES... 9 ANEXOS... 2 vi

7 LISTA DE TABELAS 3. INFORMAÇÕES GERAIS DOS PROFISSIONAIS Característica do profissional segundo sexo e grupos de idade em valores absolutos e relativos da Rede e por Órgão Característica do profissional segundo a escolaridade em valores absolutos e relativos da Rede e por Órgão Características do profissional segundo religião e estado civil valores absolutos em relativos da Rede e por Órgão Características do profissional segundo o seu vínculo empregatício e o tempo de atuação no órgão em valores absolutos e relativos da Rede e por Órgão Outra atividade remunerada fora o seu órgão de origem Carga horária de trabalho e faixa de salário do profissional em valores absolutos e relativos da Rede e por Órgão 3 3. MOTIVAÇÃO DOS SERVIDORES Motivação dos profissionais em valores absolutos e relativos por órgão da Rede 3 3. QUALIFICAÇÃO DOS PROFISSIONAIS Qualificação dos profissionais da Rede, por órgão Grupo de anos em que o profissional realizou a sua última capacitação sobre o tema Violência Doméstica e Familiar contra a mulher, em valores absolutos e relativos da Rede e por Órgão CONHECIMENTO DA LEI MARIA DA PENHA Avaliação do profissional sobre o seu conhecimento da Lei Maria da Penha, tipos de violência e medidas protetivas ATUAÇÃO PROFISSIONAL Percepção do profissional sobre sua capacitação voltada para administrar um diálogo e orientar uma mulher vítima de violência doméstica e familiar ATUAÇÃO PROFISSIONAL Conhecimento do profissional sobre o documento "Enfrentamento à violência contra a mulher orientação para profissionais e voluntários (as) de autoria de Bárbara Soares. Pacto de vii

8 enfrentamento à Violência contra a mulher da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres e necessidade em aprender mais sobre o tema Conhecimento do profissional sobre a Rede, quais são os serviços e onde estão localizados os serviços de atendimento à mulher vítima de violência doméstica e familiar ATUAÇÃO PROFISSIONAL Conhecimento do profissional sobre os procedimentos a serem adotados em cada caso de violência contra a mulher CONHECIMENTO DA REDE Órgãos da Rede de atendimento à mulher vítima de violência doméstica e familiar que o profissional conhece Esclarecimento feito pelo profissional a mulher vítima de violência a respeito da rede de atendimento e seus serviços às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar CONHECIMENTO DA VÍTIMA SOBRE A LEI MARIA DA PENHA NA PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS Percepção dos profissionais sobre o conhecimento das mulheres que procuram atendimento nos seus Órgãos sobre a Lei Maria da Penha e suas medidas protetivas Explicação do profissional sobre as medidas protetivas e uso dessas medidas pelas mulheres vítimas de violência doméstica e familiar que são atendidas INSTRUMENTOS DE GESTÃO Existência de documento orientativo a seus profissionais sobre a forma adequada de atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar INSTRUMENTOS DE GESTÃO Existência no órgão de instrumento de controle a avaliação do atendimento e instrumento de registro e cadastro de atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar Locais mais frequentes que os profissionais encaminham as mulheres vítimas de violência doméstica e familiar ARTICULAÇÃO DA REDE Acompanhamento pelo profissional das mulheres vítimas de violência doméstica e familiar que foram encaminhadas a outros órgãos 6 3. CONDIÇÕES DE TRABALHO Condições das instalações físicas dos órgãos da Rede 63 viii

9 3..24 Disponibilidade de equipamentos de trabalho, por órgão Disponibilidade colaboradores por órgão FINANCIAMENTO DO ÓRGÃO Financiamento dos serviços do Órgão INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO Participação do Profissional na elaboração do Planejamento do Órgão PROGRAMA DE QUALIFICAÇÃO PARA SERVIDORES Existência de Programa de Capacitação de Profissionais no Órgão CLIMA ORGANIZACIONAL Relação pessoal da equipe no setor de trabalho do órgão da Rede 7 3. INTEGRAÇÃO DA REDE Integração dos serviços de atendimento do Órgão Integração dos serviços de atendimento do Órgão com os demais Órgãos da Rede QUALIDADE DO ATENDIMENTO Qualidade do atendimento às mulheres vítimas no setor de trabalho na percepção do profissional Informações Gerais das Vítimas INFORMAÇÕES GERAIS Informantes segundo grupo de idade, cor/raça, estado civil e religião, valores absolutos e relativos em Rio Branco por Regional Informantes segundo a escolaridade, valores absolutos e relativos por Regional Informantes segundo grupo ocupação, vínculo empregatício, faixa de renda familiar, beneficiária de programas de transferência de renda ou outros benefícios, em valores absolutos e relativos em Rio Branco por Regional Informantes segundo existência de filhos, quantidade de filhos, faixa de idade dos filhos e quantidade de filhos do atual companheiro em valores absolutos e relativos em Rio Branco por Regional. 84 ix

10 3.2.5 Informantes segundo consumo e frequência de substância psicoativa, em valores absolutos e relativos em Rio Branco por Regional VÍNCULO ENTRE VÍTIMA E O AUTOR DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER Informantes segundo grau de proximidade com o autor de violência, tempo de relacionamento e sexo do autor de violência em valores absolutos e relativos em Rio Branco por Regional Informante segundo a dependência financeira da vítima com o autor da violência em valores absolutos e relativos, por Regional e Rio Branco CARACTERIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA SOFRIDA E VITIMIZAÇÃO Informantes segundo o tipo e gravidade da violência sofrida, em valores absolutos e relativos em Rio Branco por Regional Informantes segundo o local de ocorrência, em valores absolutos e relativos em Rio Branco por Regional Informantes segundo quantidade de vezes que foi vítima de violência e tempo em que sofreu a primeira violência em dias/anos e em relação ao tempo de relacionamento com o autor da violência em valores absolutos e relativos Em Rio Branco por Regional CARACTERIZAÇÃO DO AUTOR DA VIOLÊNCIA E SITUAÇÃO DA DENÚNCIA Informantes segundo o estado em que se encontrava o autor e sua condição de sanidade mental, em valores absolutos e relativos em Rio Branco por Regional Informantes segundo a quantidade de denúncias e procedimentos adotados em relação ao autor referente a última violência praticada, em valores absolutos e relativos em Rio Branco por Regional Informantes segundo a situação do autor em relação à prática de outras violências, em valores absolutos e relativos em Rio Branco por Regional Informantes segundo medo de ser assassinada pelo autor que praticou a violência por Regional Informantes segundo a procura de ajuda para solucionar a situação de violência doméstica e familiar em valores absolutos e relativos, por Regional e Rio Branco Informantes segundo o estímulo à vítima a não realização da denúncia/desistência ou retirada da denúncia por profissionais dos órgãos da Rede no momento em que houve a procura por ajuda CONHECIMENTO DA LEI MARIA DA PENHA 8 x

11 3.2.7 Informantes segundo o conhecimento sobre a Lei Maria da Penha valores absolutos e relativos por Regional e Rio Branco CONHECIMENTO DA REDE DE ATENÇÃO À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR Informantes segundo a forma com que souberam dos serviços de atendimento à mulher vítima de violência Informantes segundo a busca pelos serviços e encaminhamento de instituição e profissional à mulher vítima de violência doméstica e familiar 3.2 QUALIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELOS ÓRGÃOS DA REDE DE ATENDIMENTO À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR Informantes segundo os profissionais da Rede que atenderam a vítima, o interesse e o preparo desses profissionais para a realização do atendimento em valores absolutos e relativos por Regional e Rio Branco Informantes segundo a solução do problema relacionado a ocorrência atual e Instituições que a vítima recorreu mais de uma vez para solucionar o mesmo problema Informantes segundo a qualidade do atendimento nas instituições da Rede Informantes segundo a satisfação do atendimento realizado pelos profissionais da rede que prestaram o atendimento Sugestões para melhorar na rede de atendimento à mulher vítima de violência na percepção das mulheres vítimas. 7 xi

12 APRESENTAÇÃO O Ministério Público do Acre, por meio da 3ª Promotoria de Justiça Criminal de Rio Branco Especializada no combate à Violência Doméstica e Familiar contra a mulher tomou a iniciativa de verificar o funcionamento dos órgãos que compõem a rede de atendimento à mulher vítima de violência doméstica e familiar, em função de inúmeras reclamações relacionadas à ineficácia, mau atendimento e muitas vezes revitimização dessas mulheres. A Rede de Cuidados no Enfrentamento à Violência contra a Mulher de Rio Branco REVIVA começa a se formar no ano de 22 e em 29 define o seu fluxo de atendimento para as mulheres, sob a orientação da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres: atuação articulada entre instituições/serviços governamentais, não governamentais e comunidade, visando à ampliação e a melhoria da qualidade do atendimento; à identificação e encaminhamento adequado das mulheres em situação de violência; e o desenvolvimento de estratégias efetivas de prevenção. A constituição da rede de atendimento busca dar conta da complexidade da violência contra as mulheres e do caráter multidimensional do problema, que perpassa nas áreas, tais como: saúde, educação, segurança pública, justiça, assistência social, cultura, entre outras. Esta pesquisa é dedicada a identificar os nós críticos na articulação dos órgãos públicos executores das políticas públicas de atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar a partir da perspectiva dos profissionais e das vítimas, bem como o grau de satisfação das mulheres que procuram os serviços públicos nos órgãos que formam a Rede. As análises dos dados servirão como arcabouço pragmático para aperfeiçoar a eficácia e a eficiência dos investimentos públicos diante dos serviços direcionados a estes fins, sob dois aspectos. O primeiro diz respeito à estruturação dos órgãos da Rede REVIVA e o segundo como forma da sociedade civil entender o que de fato se configura como de interesse comum entre os órgãos da Rede e quais os fatores mais requisitados ao Estado. Política Nacional de Enfrentamento à Violência Contra Mulheres. 2

13 . INTRODUÇÃO A violência contra as mulheres é um fenômeno que atinge indiscriminadamente pessoas de todas as classes sociais, cor, idade e etnia. Pela ausência de dados e informações que atestem essa afirmativa, historicamente é discutida sob a ótica da discriminação, da desigualdade na posição social e de poder entre homens e mulheres. A sutileza e a barbárie com que são praticados os crimes contra a mulher caminham juntas. O conceito de violência adotado no âmbito das políticas públicas para as mulheres foi construído na Convenção de Belém do Pará no ano de 994. Classifica como qualquer ação ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como no privado. Em 22 a Secretaria de Estado de Assistência Social, Secretaria Extraordinária de Políticas para as Mulheres e Ministério Público, em parceria com Centro de Direitos Humanos e Educação Popular - CDDHEP iniciam a formação da Rede de Cuidados no Enfrentamento à Violência contra a Mulher de Rio Branco REVIVA. Em 24 foi assinado um termo de compromisso entre esses órgãos. No ano de 29, a Rede define o fluxo de atendimento e compõe o Comitê Gestor da Rede, coordenado pela Assessoria da Mulher, do Gabinete do Governador. Nesse mesmo ano, o Governo do Estado assina Decreto nº 4.48 de 2 de maio de 29, instituindo O Pacto de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, cria a Câmara Técnica de Gestão Estadual e formaliza a Rede. Embora os órgãos da Rede de Atendimento às mulheres em situação de violência estejam estruturados no município de Rio Branco, a articulação entre os serviços prestados ainda não funcionam enquanto fluxo contínuo; os atendimentos são fragmentados, fazendo com que as mulheres percorram o mesmo circulo várias vezes sem uma resposta efetiva ao seu problema. A pesquisa tem como objetivo identificar os nós críticos da rede, os problemas relacionados à efetivação dos serviços e conhecer o nível de satisfação das mulheres atendidas pelos órgãos que compõem a Rede. Os entrevistados foram servidores dos órgãos públicos que fazem parte da Rede, que responderam a quatro séries de perguntas. A primeira série diz respeito ao seu perfil profissional, seu local de atuação, tipo de vínculo de trabalho, tempo de serviço, valor de remuneração e carga horária de trabalho semanal. A segunda série trata da sua capacitação para atuar no atendimento às mulheres vítimas de violência, onde o profissional respondeu se conhece os principais instrumentos de defesa da mulher vítima de violência e se o mesmo se sente capacitado para atuar na área. A terceira série de perguntas está relacionada ao atendimento prestado à mulher vítima e quais os procedimentos adotados. Por fim, o profissional discorre sobre a caracterização da 3

14 instituição que atua, onde responderam questões relacionadas à integração da rede, trabalho em equipe, condições de trabalho e financiamento dos serviços. Do lado da vítima, que foram entrevistadas após serem atendidas na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher DEAM, na Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e na Casa Abrigo Mãe da Mata, as respostas foram estruturadas em cinco séries. A primeira série tratou da identificação da vítima, onde informaram sua idade, opção religiosa, estado civil, escolaridade, ocupação profissional, faixa de renda familiar e quantidade de filhos. A segunda série de respostas foi relacionada à caracterização da violência sofrida, destacando o perfil do autor, local da violência, tempo de vitimização, procedimentos em relação ao autor e tipo e frequência de violência sofrida. A terceira série de respostas foi sobre a busca pelo serviço e amparo do Estado. As mulheres expressaram nessa série a qualidade do atendimento e satisfação pelos serviços. Na quarta série da pesquisa as vítimas informaram sobre o interesse dos profissionais em resolverem o problema e expressaram sobre o preparo do profissional no ato do atendimento. Por fim, as mulheres informaram sobre o seu conhecimento em relação aos seus direitos expressados na Lei Maria da Penha. A identificação do tamanho da amostra dos profissionais foi feita com base em informações prestadas pelos gestores dos órgãos da Rede sobre a quantidade de servidores nos setores de atendimento à mulher vítima de violência. Para o grupo de profissionais foram excluídos os estagiários, excetuando a Defensoria Pública, onde o atendimento às vítimas é realizado preferencialmente por estagiários. Quanto às vítimas, a pesquisa foi realizada no período de 8 de junho a 8 de julho, no horário das 8: horas às 8: horas durante a semana e em alguns horários dos finais de semana na DEAM, nos dias e horários de audiência na Vara da Violência Doméstica e com % das mulheres que estavam em regime de proteção temporária na Casa Abrigo Mãe da Mata. ÓRGÃOS DA REDE PROFISSIONAIS QUE ATENDEM DIRETAMENTE A VÍTIMA ABS % AMOSTRA (erro de 5%) Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher 28 5% 26 Centro Integrado de Operações de Segurança Pública CIOSP % 44 Instituto Médico Legal IML 6 % 6 Maternidade Barbara Heliodora 2 4% 2 Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco - HUERB 2% Casa Rosa Mulher 4 % 4 Casa Abrigo Mãe da Mata 3 2% 3 Centro de Referência Especializado em Assistência Social - CREAS 3 % 3 Centro de Referência da Assistência Social - CRAS 28 5% 26 4

15 Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos 2 % 2 Defensoria Pública do Estado 6 % 6 Vara da Violência Doméstica 2% Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres 2 % 2 Ministério Público do Estado do Acre 6 % 6 UPAs 2% Polícia Militar % 96 TOTAL 586 % 385 Foram realizadas 38 entrevistas com os profissionais. Contudo, em órgãos de fundamental importância para atendimento pleno das mulheres houve recusa de servidores, com destaque para a Maternidade Bárbara Heliodora e a Polícia Militar. Alguns profissionais não foram encontrados e outros informaram que não prestavam atendimento a mulheres vítimas de violência. Destacamos que no decorrer da pesquisa, as UPAS foram incluídas, por serem as unidades de primeiro atendimento da Rede de Atenção Básica de Saúde. No caso da Polícia Militar, os questionários foram respondidos pelos policiais, com o acompanhamento de seus respectivos Comandantes em horários de troca de plantão. No processo de análise dos resultados dos profissionais ter-se-á atenção quanto aos desvios que porventura a Policia Militar possa ocasionar em função da elevada quantidade de profissionais pesquisados. Faz-se necessário mencionar que a Polícia Militar é o órgão que dispõe do maior número de profissionais que atendem diretamente a mulher em situação de violência doméstica e familiar. Nos 5 (cinco) Batalhões Regionais da PM estão lotados 77 policiais, inclusive exercendo funções administrativas. A presente pesquisa considerou somente os profissionais que estão atuando no atendimento de ocorrências, preferencialmente aqueles (as) que realizam visitas solidárias às vítimas de crimes violentos contra a vida e reincidentes de violência doméstica e familiar, sobretudo aquelas que estão sob medidas protetivas. 2. METODOLOGIA Técnica Amostral A técnica amostral utilizada para os profissionais foi à amostra estratificada. Foram entrevistados somente profissionais que atendem diretamente à vítima seja no primeiro atendimento ou recepção, na realização do serviço finalístico do órgão, voltado para o atendimento à mulher vítima de violência doméstica e familiar ou encaminhamento da vítima a outro órgão da Rede. 2. Recusas e Desvio dos questionários aplicados aos Profissionais em relação ao tamanho da amostra 5

16 ÓRGÃOS DA REDE AMOSTRA (erro de 5%) REALIZADO DESVIO Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher Centro Integrado de Operações de Segurança Pública CIOSP Instituto Médico Legal IML 6 6 Maternidade Barbara Heliodora Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco - HUERB Casa Rosa Mulher Casa Abrigo Mãe da Mata Centro de Referência Especializado em Assistência Social - CREAS 3 3 Centro de Referência da Assistência Social - CRAS Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos 2 3 Defensoria Pública do Estado 6 6 Vara da Violência Doméstica Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres 2 - Ministério Público do Estado do Acre 6 6 UPAS Polícia Militar TOTAL No caso das vítimas adotou-se a técnica amostral intencional não probabilística, escolhidas intencionalmente as mulheres a serem entrevistadas. A amostra corresponde àquelas mulheres que foram vítimas de violência doméstica e familiar no período de 8 de junho a 8 de julho de 22, que registraram boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher DEAM; as que foram ouvidas em audiência na Vara da Violência Doméstica e aquelas que estavam em proteção temporária na Casa Abrigo Mãe da Mata. Excetuando mulheres que não estavam dispostas a responder as perguntas, todas foram entrevistadas. No total foram entrevistadas 23 vítimas na DEAM, 48 mulheres na Vara da Violência Doméstica e 5 mulheres da Casa Abrigo Mãe da Mata, totalizando 76 mulheres vítimas de violência doméstica e familiar no período. O Horário das entrevistas na DEAM foi das 8h às 8h durante os dias da semana, de forma que os horários de maior frequência de registro, que foi a partir das 8h às 24h ficou descoberto. Nos finais de semana não foi possível fazer a cobertura total dos 4 finais de semana. Foram registradas 27 ocorrências de violência doméstica e familiar contra a mulher na DEAM no período da pesquisa, totalizando 46% (23 vítimas) das mulheres entrevistadas na DEAM. Destaque-se que na Regional II, 34% das mulheres residem na área rural, sendo 2 vítimas do Belo Jardim I e II e 2 do Assentamento Benfica. Cabe destacar que a DEAM não é uma unidade que atende exclusivamente os 6

17 8/jun 9/jun 2/jun 2/jun 22/jun 23/jun 24/jun 25/jun 26/jun 27/jun 28/jun 29/jun 3/jun /jul 2/jul 3/jul 4/jul 5/jul 6/jul 7/jul 8/jul 9/jul /jul /jul 2/jul 3/jul 4/jul 5/jul 6/jul 7/jul 8/jul QUANTIDADE casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, mas todas as naturezas de ocorrências, sendo esta uma porta de entrada da policia judiciária. Regionais Número de Mulheres Pesquisadas na DEAM Regional I 4 Regional II 4 Regional III 5 Regional IV 29 Regional V 32 Outras Localidades 2 QUESTIONÁRIOS APLICADOS E QUANTIDADE DE OCORRÊNCIAS POR DIA DE 8/6 A 8/ DATA OCORRÊNCIAS QUESTIONÁRIOS APLICADOS Margem de erro A técnica de amostragem estratificada (para profissionais) consistiu em dimensionar o tamanho da amostra, de modo a garantir um nível de confiança de 95%, com margem de erro por cada órgão de 5%. Órgãos Pesquisados Centros de Referência Casa Rosa Mulher: é um espaço de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento Jurídico. A casa Rosa Mulher desenvolve ainda cursos profissionalizantes. 7

18 Casa Abrigo Mãe da Mata: é um local seguro que oferece moradia protegida transitória e atendimento integral às mulheres em situação de risco eminente em razão da violência doméstica. Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher DEAM: unidade especializada de Polícia Civil. Tem caráter preventivo e repressivo. Defensoria Pública: tem a finalidade de dar assistência jurídica, orientar e encaminhar as mulheres em situação de violência. Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher: são órgãos de justiça Ordinária com competência cível e criminal. Central de Atendimento à Mulher CIOSP 9: é um serviço do Governo Federal que auxilia e orienta as mulheres em situação de violência, através de discagem telefônica direta. Centros de Referência da Assistência Social CRAS: em Rio Branco são 7 unidades, sendo um em cada regional urbana do município. Fazem parte do Programa de Atenção Integral à Família e desenvolvem serviços básicos continuados e ações de caráter preventivo para famílias em situação de vulnerabilidade social (proteção básica). Centro de Referência Especializado de Assistência Social CREAS: localizado no centro da cidade de Rio Branco, a instituição oferece serviços de proteção social especial de média complexidade, especializados e continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos como violência física e psicológica. Os serviços ofertados no CREAS devem ser desenvolvidos de modo articulado com a rede de serviços da assistência social, órgãos de defesa de direitos e das demais políticas públicas. Centro de Reabilitação do Agressor: será implantado na Secretaria de Estado de Direitos Humanos, por meio do Projeto Ser Homem. Será um espaço de atendimento e acompanhamento de homens autores de violência contra a mulher, que deverão ser encaminhados dos Juizados Especiais de Violência Doméstica e Familiar e demais juizados e varas. Polícia Militar: é responsável pelo registro de qualquer ocorrência de violência e por ações de prevenção e repressão à violência. Geralmente é o policial militar que realiza o primeiro atendimento, na maioria das vezes na residência da vítima em situação de flagrante. Instituto Médico Legal: atende as mulheres que sofrem violência física, seja ela sexual ou não. Coleta de provas que serão necessárias ao processo judicial e condenação do agressor. 8

19 Serviços de Saúde em casos de violência sexual - Maternidade Barbara Heliodora: responsável pelo acolhimento, prevenção e tratamento de agravos resultantes de violência sexual. Presta serviços de assistência médica, enfermagem, psicológica e social, inclusive a interrupção de gravidez prevista em Lei em caso de estupro. Serviço de Saúde em caso de violência física Serviço de Urgência e Emergência Pronto Socorro HUERB e Unidade de Pronto Atendimento 24 horas - UPA Tucumã e UPA Segundo Distrito: responsáveis pelo atendimento médico e ambulatorial às mulheres vítimas de qualquer violência física. É obrigatório o preenchimento da ficha de notificação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação para os casos de violência doméstica, sexual e/ou outras violências, do Ministério da Saúde. Secretaria de Estado de Política para as Mulheres responsável pela articulação e execução de políticas para as mulheres. Acesso ao Entrevistado As entrevistas foram realizadas com pessoas físicas no seu local de trabalho para o caso dos profissionais. Já as vítimas foram entrevistadas na saída do atendimento na DEAM e Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e as mulheres em situação de proteção provisória, as entrevistas foram realizadas na Casa Abrigo Mãe da Mata. Instrumentos de Coleta As informações foram colhidas a partir de dados primários, por meio de dois questionários, sendo um para profissionais, composto por 66 questões e uma para vítimas, composto por 72 questões. As perguntas em relação a vitimização das mulheres foram referentes à última ocorrência, a que as motivou a registrar o fato. Tratamento dos Dados Coletados Coletados os dados, foi dado um tratamento de tabulação na ferramenta Google Doc, on line, para a construção do banco de dados. Essa ferramenta permite a importação de dados e a formação em tabelas Access e Excel para a saída de resultados, que balizam o presente relatório. 9

20 3. RESULTADOS 3. Informações Gerais dos Profissionais Foram entrevistados 382 profissionais que atuam na Rede de Atendimento à mulher vítima de violência doméstica e família. Desse total dos profissionais, 7,2% está na área da segurança pública, o que é possível supor que esse tema, no jargão policial, é caso de polícia. A Polícia Militar responde expressivamente por 5,5% do total dos profissionais; o Centro de Operações Integradas de Segurança Pública CIOSP, responsável pela gestão das chamadas e encaminhamento de emergência policial 9, possuem,52% dos profissionais da Rede, entre policiais civis, militares e bombeiros militares; já a DEAM possui em seus quadros 8,64% dos profissionais da Rede. Quanto às políticas de assistência social promovidas no âmbito da Rede pelos CREAS, CRAS e Casa Abrigo Mãe da Mata, a participação dos profissionais correspondeu a,78%, sendo o CRAS com 7,85% do total dos profissionais proporcionalmente em seus quadros; a Casa Abrigo Mãe da Mata com 3,4% proporcionalmente dos profissionais da Rede e o CREAS, com a menor participação na Rede, respondendo por,79% dos profissionais entrevistados. Já a área de justiça, formada pela Defensoria Pública do Estado, Ministério Público do Estado do Acre e Vara da Violência Doméstica possuem 5,76% proporcionalmente dos profissionais da Rede que atendem diretamente a mulher vítima de violência doméstica e familiar, nas funções de recepção, atendimento específico na sua área de atuação e/ou encaminhamento a outros órgãos da Rede. A Vara de Violência Doméstica possui proporcionalmente o maior quadro entre os órgãos dessa área, com profissionais, respondendo por 2,62% dos profissionais da Rede. Já na Defensoria Pública e a Promotoria Especializada de Violência Doméstica do Ministério Público do Ministério Público foram entrevistados igualmente 6 (,57%) profissionais, sendo que esse total corresponde, no caso da Promotoria MP ao total de seus servidores. Já na área da saúde foram entrevistados 36 profissionais, considerados insuficiente tendo em vista o universo deles nos quatro órgãos de atendimento à mulher HUERB, Maternidade, UPAs Tucumã e Segundo Distrito e IML. Particularmente nessa área as profissionais do MP que circularam pela rede fazendo o levantamento quantitativo e qualitativos dos profissionais para a definição do tamanho da amostra tiveram dificuldade em identifica-los, por dois motivos: () os profissionais não se identificaram como sujeitos integrantes da Rede, por isso rejeitaram ser entrevistados; (2) a rede de atendimento de saúde não possui um protocolo ou rotinas que permitam identificar os caminhos que a paciente deve percorrer, nem tampouco conhecem os protocolos obrigatórios do Ministério da Saúde- SINAN, como é o caso do preenchimento da ficha de notificação/investigação individual de violência doméstica, sexual e/ou outras violências, por essa razão não foi possível identificar pontualmente os profissionais. Nesse caso específico, com o auxílio do setor de Vigilância Epidemiológica do HUERB e da Maternidade, que faz busca ativa dos pacientes e conhece os profissionais com 2

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