Guimarães Rosa O maior escritor brasileiro da segunda metade do século 20

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1 Guimarães Rosa O maior escritor brasileiro da segunda metade do século 20

2 Características Gerais Cenário: o Sertão brasileiro. Recorrência ao grego e latim. Processo fonético na criação escrita. Fala regionalista com arcaísmos. Questionamento de Deus e Diabo; significado da vida e da morte; o destino. Visão profunda do ser humano e suas experiências. O problema atinge o homem em qualquer lugar. Neologismos. Lista tríplice: Guimarães Rosa, Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto, os melhores romancistas da terceira geração modernista brasileira.

3 Biografia Joãozito, como era chamado pela família, nasceu em 27 de junho de 1908, em Cordisburgo, cidadezinha mineira próxima a Curvelo e Sete Lagoas, área de fazenda e engorda de gado. Viveu lá durante dez anos. João era filho de Floduardo Pinto Rosa e de Francisca Guimarães Rosa. Grande renovador da prosa de ficção, João Guimarães Rosa marcou profundamente a literatura brasileira. Aos seis anos, Guimarães Rosa leu o primeiro livro, em francês, Les femmes qui aimment. Aos dez anos, vai para Belo Horizonte, morar com o avô. Está no ginasial, e freqüenta a mesma escola que Carlos Drummond, o futuro amigo. "Ficamos sem saber o que era João e se João existiu de se pegar" Carlos Drummond de Andrade

4 Formou-se em Medicina na cidade de Belo Horizonte. Após clinicar algum tempo nos confins do Estado mineiro, onde aprendeu os segredos e as falas do sertão que marcariam sua obra, entrou para a carreira diplomática. Fez longas viagens pelo interior de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Bahia, anotando os maneirismos de fala de jagunços, vaqueiros, prostitutas e beatas colhidos em conversas. Assim revolucionou a prosa brasileira e foi aclamado pelo público e pelos críticos ao escrever seu primeiro livro de contos: Sagarana. Faleceu no Rio de Janeiro, três dias depois de tomar posse na Academia Brasileira de Letras. Posse esta que sempre adiara, temendo a emoção de vestir o fardão da Academia.

5 Estilo Realismo mágico, regionalismo, liberdades e invenções linguísticas. Embora de caráter regionalista, a obra de Guimarães Rosa supera o regionalismo tradicional, que ora idealizava o sertanejo, ora se comprazia com aspectos meramente pitorescos, com o realismo documental ou com a transcrição da linguagem popular e coloquial. Essa superação deve-se à riqueza de sua linguagem e ao caráter universal das questões morais e metafísicas presentes em sua obra. um estilo absolutamente novo na ficção brasileira, Guimarães Rosa estiliza o linguajar sertanejo, recria e inventa palavras, mescla arcaísmos com vocábulos eruditos, populares e modernos, combina de maneira original as palavras, prefixos e sufixos, constrói uma sintaxe peculiar e explora as possibilidades sonoras da linguagem, através de aliterações Criando, onomatopéias, hiatos, ecos, homofonias etc.

6 No cerne dessa linguagem nova, na qual prosa e poesia confundem-se, estão as indagações universais do homem: o sentido da vida e da morte, a existência ou não de Deus e do diabo, o significado do amor, do ódio, da ambição etc. Possui um extraordinário poder de fabulação. Suas narrativas, repletas de incidentes, casos fantásticos e imaginários, contém às vezes mais de uma história dentro da história.

7 Suas principais obras são: Principais Obras 1936: Magma - Poemas. Não chegou a publicá-la. 1946: Sagarana - Contos e novelas regionalistas. 1947: Com o Vaqueiro Mariano. 1956: Corpo de Baile - Novelas. Depois devido ao seu tamanho foi dividido em 3 obras: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá no Pinhém e Noites do Sertão. 1956: Grande Sertão: Veredas - Romance. 1962: Primeiras Estórias - Contos. 1967: Tutaméia: Terceiras Estórias - Contos. 1969: Estas Estórias - Contos. Obra póstuma. 1970: Ave, Palavra - Diversos. Obra póstuma.

8 Grande Sertão Veredas "A beleza aqui é como se a gente a bebesse, em copo, taça, longos, preciosos goles servida por Deus. É de pensar que também há um direito à beleza, que dar beleza a quem tem fome de beleza é também um dever cristão." Quando a gente dorme, vira de tudo: vira pedras, vira flor. O que sinto, e esforço em dizer ao senhor, repondo minhas lembranças, não consigo; por tanto é que refiro tudo nestas fantasias. Dormi nos ventos. Quando acordei, não cri: tudo o que é bonito é absurdo - Deus estável. Ouro e prata que Diadorim aparecia ali, a uns dois passos de mim, me vigiava. Sério, quieto, feito ele mesmo, só igual a ele mesmo nesta vida.

9 Estrutura narrativa: I - TEMPO Psicológico. A narrativa é irregular ( enredo não linear), sendo acrescidos vários casos pequenos. II - FOCO NARRATIVO Primeira pessoa - narrador-personagem - utilizando-se do discurso direto e indireto livre. III - ESPAÇO A trama ocorre no sertão mineiro (norte), sul da Bahia e Goiás. No entanto, por se tratar de uma narrativa densa, repleta de reflexões e divagações, ganha um caráter universal - "o sertão é o mundo".

10 IV PERSONAGENS PRICIPAL: Riobaldo : personagem-narrador que conta sua estória a um doutor que nunca aparece. Riobaldo sente dificuldades em narrar, seja por sua precariedade em organizar os fatos, seja por sua dificuldade em entendê-los. Relata sua infância, a breve carreira de professor (de Zé Bebelo ), até sua entrada no cangaço (de jagunço Tatarana a chefe Urutu-Branco), estabelecendo-se às margens do São Francisco como um pacato fazendeiro. SECUNDÁRIOS: Diadorim Zé Bebelo Joca Ramiro Medeiro Vaz Hermógenes e Ricardão Só Candelário Quelemém de Góis

11 AS TRÊS FACES AMOROSAS DE RIOBALDO: Nhorinhá : prostituta, representa o amor físico. O seu caráter profano e sensual atrai Riobaldo, mas somente no aspecto carnal. Otacília: contrária a Nhorinhá, Riobaldo destina a ela o seu amor verdadeiro (sentimental). Diadorim : representa o amor impossível, proibido. Ao mesmo tempo em que se mostra bastante sensível com uma bela paisagem, é capaz de matar a sangue frio. É ela que causa grande conflito em Riobaldo, sendo objeto de desejo e repulsa (por conta de sua pseudo identidade). O falar mineiro associado a arcaísmos, brasileirismos e neologismos faz com que o autor de Sagarana extrapole os limites geográficos de Minas. A linguagem ultrapassa os limites "prosaicos" para ganhar dimensão poético-filosófica (principalmente ao relatar os sentimentos para com Diadorim ou a tirar conclusões sobre o ocorrido através de seus aforismos). AFORISMOS Significado: Sentença moral breve e conceituosa; sentença máxima; princípio básico ou indiscutível da ciência ou da arte.

12 Curiosidades: Guimarães Rosa declarou que esse romance é sua "autobiografia irracional". O nome do herói, Riobaldo, na pronúncia de boa parte dos habitantes sertanejos, é "Riobardo", ou seja, "Rio-bardo" - "Rosa-eu-poeta". Homem e mundo, realidade e devaneio, mundano e divino, são aspectos de um mesmo conflito, exaustivamente contemplado pela literatura universal (os modelos são a Ilíada de Homero, a Divina Comédia de Dante, o Dom Quixote de Cervantes e o Fausto de Goethe) e que na obra de Guimarães Rosa figura sob o paradoxismo sertão-grande sertão. Grande Sertão: Veredas torna-se um sucesso comercial, além de receber três prêmios nacionais: o Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro; o Carmen Dolores Barbosa, de São Paulo; e o Paula Brito, do Rio de Janeiro. A publicação faz com que Guimarães Rosa seja considerado uma figura singular no panorama da literatura moderna, tornando-se um "caso" nacional.

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