Aspectos importantes da realização de Feiras de Ciências na Educação Básica.

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1 Aspectos importantes da realização de Feiras de Ciências na Educação Básica. Identificação: Carolina Luvizoto Avila Machado, bióloga, coordenadora de projetos na Abramundo Educação em Ciências. Murilo Borduqui, biólogo, tutor educacional na Abramundo Educação em Ciências Monica Peixoto, química, tutora educacional na Abramundo Educação em Ciências Modalidade: Comunicação científica. Resumo: Considerando que as ciências naturais são uma porta de entrada a novos mundos, convidando estudantes e professores a desenvolver a curiosidade, a pensar por si mesmos e olhar o mundo com novos olhos, é importante que o estudante aprenda a pensar cientificamente. As Feiras de Ciências mostram-se como uma importante ferramenta de auxílio ao pensamento científico. Este trabalho, de cunho bibliográfico, visa levantar informações sobre a importância da realização de Feiras e Mostras para o aprendizado de Ciências. A Feira de Ciências, além de possibilitar a construção de conhecimentos conceituais, também possibilita diversas outras aprendizagens. Porém, é importante ter clareza dos objetivos de cada pesquisa. As Feiras de Ciências mudaram nos últimos anos. Os estudantes não mais reproduzem apenas, informações de um livro sobre uma maquete de hidrelétrica, por exemplo, mas passam a utilizar o método científico para compreender o funcionamento desta hidrelétrica. Para mostrar aos estudantes que a Ciência o ajuda a entender o mundo, os projetos e as Feiras de Ciências funcionam como um gancho entre o conhecimento científico e o cotidiano. O estudante que vivencia uma metodologia de investigação torna-se mais criativo, indagador, com vontade de aprender mais. Palavras Chaves: Feira de Ciências, educação básica, divulgação científica, aprendizado por investigação. Corpo do texto: As ciências naturais são uma porta de entrada a novos mundos, convidando estudantes e professores a desenvolver a curiosidade, a pensar por si mesmos e olhar o mundo com novos olhos. A educação em Ciências sempre esteve vinculada ao desenvolvimento científico de um país, de uma determinada região, e ao desenvolvimento científico mundial. Países com tradição científica, como Alemanha, Inglaterra e França,

2 desde o séc. XVIII estabelecem políticas públicas para o ensino de Ciências. Já no Brasil, não há essa tradição. A educação em Ciências no Brasil, só chegou à escola básica em função das necessidades geradas pela industrialização. A crescente utilização de tecnologia nos meios de produção impõe uma formação básica em Ciências. Porém, o papel da escola ainda é pautado na transmissão dos conhecimentos de forma mecânica, não levando em consideração que o estudante pode ser construtor de seu próprio conhecimento. Muito frequentemente, o ensino de Ciências no Brasil ainda se baseia na transmissão do saber científico. Desta forma, o estudante, muitas vezes, recebe as informações prontas e nem sempre essas informações fazem sentido em seu cotidiano. Um ensino investigativo que estimule o estudante a pensar cientificamente, pode nos ajudar, em um futuro próximo, a construir uma sociedade participativa, com ferramentas necessárias para gerar idéias próprias e decidir nosso próprio rumo. Se os estudantes não aprenderem a pensar cientificamente, corremos o risco de formar uma sociedade que, em seu conjunto, não possui pensamento científico. O filósofo Marcelino Cereijido (1997) resume isto argumentando que no Terceiro Mundo não temos ciência, porque nossas sociedades aceitam as verdades, sem questionar, sem perguntar jamais sobre as evidencias que há detrás delas. O processo de aprendizagem instaura-se a partir do desejo do ser humano de estabelecer trocas, de partilhar o mundo. As Feiras de Ciências mostram-se como um importante momento de troca de conhecimento entre estudantes, professores, equipe gestora da escola, familiares, visitantes e funcionários da escola. Portanto, um importante momento de aprendizagem. As Feiras/mostras de Ciências são conhecidas como atividades pedagógicas e culturais com elevado potencial motivador do ensino e da prática científica no ambiente escolar. Há registros internacionais de que a primeira Feira de Ciências data do início do século XX. Porém, somente a partir da II Guerra Mundial é que elas começaram a ser disseminadas. No Brasil, as primeiras Feiras de Ciências começaram a ser realizadas na década de 60. As Feiras são oportunidades dos estudantes demonstrarem, das mais variadas formas, seus conhecimentos científicos, sua criatividade, trocar informações com a comunidade, discutir conhecimento, etc. O objetivo das Feiras de Ciências na educação básica, não é trazer avanços significativos para a área (responsabilidade da ciência acadêmica e não escolar), mas sim, despertar o gosto dos estudantes pelas Ciências, além de promover a divulgação da cultura científica na comunidade escolar. Este trabalho, de cunho bibliográfico, visa levantar informações sobre a importância da realização de Feiras e mostras para o aprendizado de Ciências. É importante que os trabalhos não sejam desenvolvidos exclusivamente para a apresentação na Feira de Ciências, mas que haja uma intencionalidade didática na ação e que, a Feira de Ciências seja um momento de apresentação do trabalho e troca de conhecimento. Vemos, por vezes, escolas e professores organizarem uma Feira de Ciências em poucas semanas e fica uma dúvida? De que forma foi desenvolvido um projeto de modo que os estudantes pensassem sobre um determinado problema ou questão do cotidiano, para que pudesse fazer sentido a eles e a quem visita a Feira?

3 De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais: O projeto é uma estratégia de trabalho em equipe que favorece a articulação entre os diferentes conteúdos da área de Ciências Naturais e desses com os de outras áreas do conhecimento, na solução de um dado problema. Conceitos, procedimentos e valores apreendidos durante o desenvolvimento dos estudos das diferentes áreas podem ser aplicados e conectados, ao mesmo tempo em que novos conceitos, procedimentos e valores se desenvolvem (BRASIL, 2001, p. 126). Além do conhecimento conceitual construído ao longo do projeto feito para a Feira de Ciências, ela também atua: 1) como mobilizadora da produção: a perspectiva de apresentar um trabalho gera no grupo uma vontade de fazer melhor, compromisso com a qualidade; 2) como meio de transmissão de conhecimento: a função deste conhecimento é social. Tem um interlocutor real e um potencial de repercussão entre as pessoas. 3) como espaço de trocas e ampliação de aprendizagens: os estudantes têm a oportunidade de ouvir comentários e questões sobre o que produziram, além de visitar outros trabalhos e ter contato com outros objetos de conhecimento. 4) como geradora de protagonismo: os estudantes assumem um papel de formadores de opinião, orientando o público em relação a questões sociais e/ou ambientais, contribuindo para a formação de atitudes nos jovens; 5) como estímulo ao trabalho cooperativo: é necessário dividir tarefas entre os membros da equipe, planejar, controlar ações. O trabalho em equipe favorece a aceitação das diferenças culturais, sociais, econômicas, etc., além de possibilitar a trocar de informações; 6) como impulsionadora da competência comunicativa: oralidade, organização escrita do trabalho (se houver), necessidade de argumentação; 7) como estímulo ao desenvolvimento do método científico: os estudantes pensam sobre suas hipóteses, elaboram atividades que comprovam ou refutam essas hipóteses, comparam seus resultados com resultados obtidos anteriormente (bibliografia); 8) como desencadeador do gosto pela pesquisa: desenvolver os projetos faz com que os estudantes percebam que são capazes de explicar fenômenos antes apenas conhecidos e que a pesquisa é responsável por isso. Para haver mais aprendizado, é importante envolver os estudantes, despertando o gosto pela ciência. Isso é fácil, afinal, os seres humanos são seres curiosos por natureza. Para isso, não é necessário ter um laboratório sofisticado na escola, materiais simples e boas perguntas podem estimular a curiosidade os estudantes. Se houver possibilidade, levar os estudantes à visitas fora da escola, em um zoológico ou a um museu de física também pode ajudar a despertar este gosto pela ciência. De um modo geral aprendizado de Ciências não se torna relevante após o período escolar, não tendo muita permanência depois que o estudante sai da educação básica. Por isso, os projetos para as Feiras de Ciências devem fazer sentido para os estudantes e para a comunidade. É comum ouvirmos jovens adultos dizerem que não se lembram do que aprenderam na escola, sobre física e

4 química ou ainda, dizerem que aprenderam sobre movimento retilíneo e uniforme e sobre reações químicas, mas não se lembrarem de nada sobre o assunto. É impossível aprender tudo sobre e de Ciências, portanto, deve-se optar entre um ensino superficial e meramente informativo e a escolha de conteúdos significativos trabalhados de forma investigativa que, além de proporcionarem conhecimentos científicos variados, contribuem para a formação de atitudes, para a busca de informações e para a formação da cidadania. Considerando que o ensino por investigação mostra-se mais eficiente e que a aprendizagem torne-se mais significativa, a opção por um trabalho meramente informativo não é viável para que os estudantes possam compreender o mundo em que vivem. Deve-se ter clareza dos objetivos de pesquisa e da expectativa de aprendizagem, de acordo com a faixa etária dos estudantes. Mesmo os estudantes escolhendo o tema do projeto, os projetos devem condizer com a faixa etária de cada grupo. Algumas vezes, em séries do ensino fundamental I, é necessário mediar mais de perto a escolha do tema ou, definir o tema a ser pesquisado. Formular hipóteses, observar em campo o problema, definir estratégias para solucionar o problema, aplicar das estratégias, analisar os resultados, levantar novas hipóteses (caso aconteça), buscar bibliografia sobre o assunto e concluir, são as etapas importantes do método científico que devem ser trabalhadas. É importante que os estudantes apresentem seus conhecimentos prévios e, durante a pesquisa e a interação com os outros, reformulem seus conhecimentos. Interpretar a realidade de forma diferente, após reformular seus conhecimentos agrega significado ao conteúdo estudado. Além disso, e tão importante quanto as etapas do método científico, os estudantes devem valorizar o registro das descobertas. Não é possível pensarmos em ciência, sem pensar em registro. Sabemos das descobertas científicas de muitos séculos atrás, pois isso foi registrado de alguma forma. É importante colocar no papel cada etapa, cada descoberta, por meio de desenho, de texto, de tabelas e gráficos, por exemplo. As Feiras de Ciências mudaram nos últimos anos. Os estudantes não mais reproduzem, apenas, informações de um livro, sobre uma maquete de hidrelétrica, por exemplo, mas passam a utilizar o método científico para compreender o funcionamento desta hidrelétrica, representada, no dia da Feira de Ciências, por uma maquete. A partir do momento que o estudante aprende, e que essa aprendizagem é significativa, ele é capaz de explicar diversas situações, contribuindo assim, para o aprendizado de outros estudantes e da comunidade escolar. Os trabalhos dos estudantes podem ser de diferentes tipos, por exemplo, trabalhos de montagem como uma maquete com a rede elétrica de uma cidade, ou um vulcão. Além disso, podem ser trabalhos informativos, por exemplo, sobre DSTs ou tabagismo, ainda, trabalhos investigativos, onde os estudantes elegem um tema, definem o que querem saber sobre este tema e pesquisam. Cabe ao professor ser agente transformador, para isso, o professor deve passar de uma posição tradicionalmente informativa, para uma posição de professor questionador, com perguntas socialmente relevantes, servindo de mediador de uma situação. O estudante torna-se o pesquisar e o professor o mediador do aprendizado.

5 Para mostrar aos estudantes que a Ciência o ajuda a entender o mundo, os projetos e as Feiras de Ciências funcionam como um gancho entre o conhecimento científico e o cotidiano. O estudante que vivencia uma metodologia de investigação, por exemplo, através de um projeto de pesquisa para uma Feira de Ciências, de torna-se mais criativo, indagador e com vontade de aprender mais. Referências Bibliográficas ARNONI, M. E. B. e KOIKE, L. T. e BORGES, M. A. Hora da ciência: um estudo sobre atividades experimentais no ensino do saber científico. acessado em 11/03/2013 BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências Naturais, Brasília: MEC/SEF, CARVALHO, A. M. P; GIL-PÉREZ, D. Formação de Professores de Ciências: tendências e inovações. São Paulo: Ed. Cortez, DORNFELD, C. B.; MALTONI, K. L. A Feira de Ciências como auxílio para a formação inicial de professores de Ciências e Biologia, Revista Eletrônica de Educação, v. 5, n. 2, Nov FURMAN, M.; PODESTÁ, M. E. Las aventuras de ensenar Ciências Naturales, 1 ed. Aique Educacion HARTMANN, Â. M. e ZIMMERMANN, Erika. (2009). Feira de Ciências: a interdisciplinaridade e a contextualização em produções de estudantes de ensino médio. VII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências Florianópolis. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de Metodologia Científica. 6ª ed. São Paulo. Atlas PAVÃO, A. C.; FREITAS, D. (org.), Quanta Ciência há no Ensino de Ciências, Edufscar, São Carlos, Programa Nacional de Apoio às Feiras de Ciências da Educação Básica Fenaceb/ Ministério da Educação Básica Brasília: Ministério da Educação, Secretaria da Educação Básica, p. PIAGET, J. O nascimento da Inteligência na criança. 3. ed. Rio de Janeiro, Zahar, 1987.

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