Oficina de Turismo de Base Comunitária. Ivan Bursztyn e Eloise Botelho

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1 Oficina de Turismo de Base Comunitária Ivan Bursztyn e Eloise Botelho

2 As origens do turismo Os deslocamentos humanos constituem uma característica da humanidade. Grécia antiga: religião, esporte ou conhecimento; Romanos: banhos termais, lazer e gestão do Império; Idade Média: peregrinações e motivos comerciais; Grandes Navegações: conhecimento e dominação dos povos; Grand tours: viagens longas com objetivos educativos. Século XIX: Revolução Industrial e avanços tecnológicos contribuíram para a facilitação das viagens: surgimento do turismo organizado. A partir de 1945: aviação civil possibilitou a expansão da criação de novos destinos turísticos e organização do conjunto de serviços.

3 O turismo hoje Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT/ONU): Atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadias em lugares distintos do seu entorno habitual, por um período de tempo consecutivo inferior a um ano, com a finalidade de lazer, por negócios e outros motivos, não relacionados com o exercício de uma atividade remunerada no lugar visitado (DIAS, 2005). Enfoque econômico: produção e consumo de serviços; Enfoque sociocultural: interações sociais e experiências culturais. Núcleo Emissor Fluxo turístico Núcleo Receptor

4 O turismo envolve... Transportes Eventos Entretenimento e Cultura Alimentação Hospedagem Agenciamento e operação Guiamento

5 As origens do turismo O conceito de turismo como prática social e cultural se estabelece no momento em que o turismo é responsável pela construção de relações entre turistas e residentes. Visto, então, não apenas como um fenômeno econômico, mas também como um fenômeno social. O turismo tem sido responsável por mudanças sociais e culturais nos destinos. Turistas, destinos e moradores das regiões receptoras de turistas influenciam e são influenciados.

6 A tal da sazonalidade Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego. Arco Ocupacional de Turismo e Hospitalidade. ProJovem

7 Alguns impactos do turismo O discurso oficial destaca o grande potencial positivo da atividade turística: Geração de emprego, trabalho e renda Valorização do patrimônio histórico-cultural e natural, material e imaterial Criação de infraestrutura básica e turística Qualificação da mão de obra O discurso oficial mascara os efeitos indesejados da atividade: Ciclo de vida do produto turístico Baixo aproveitamento da mão de obra local Aumento do custo de vida Capacidade de carga esgotada! Especulação imobiliária Exploração sexual de crianças e adolescentes Falta de planejamento público e privado Impactos ambientais irreversíveis

8 poucos meses de obras, a destruição do quadro natural foi avassaladora: destruíram-se as paisagens naturais com a pavimentação de estradas, desmontes de morros, aterragem de mangues e construções de pontes. (Seabra 2001: 43 44) Fonte: Imagem extraída do GoogleEarth.

9 Fonte: https://www.hotelurbano.com/hoteis/natal/serhs-natal-grand-hotel-241

10 Foto: Cezar Loureiro - O Globo disponível em:

11 Fonte:

12 Fonte: https://www.facebook.com/riosurrealrio/?fref=ts

13 Ano XIV - especial BNTM Folder - Mar, prazer e tranqüilidade; Pousada do Sol - Ilhéus Anúncio de Salvador/Bahia

14 Fonte: https://www.flickr.com/photos/paracon/ ; 3.

15 Para pensar... O sistema capitalista se apropria da natureza e da cultura para produzir o turismo. As atividades em torno do turismo geram emprego, mas geralmente explora a força de trabalho dos locais com funções de baixa qualificação. Para que os serviços turísticos tenham qualidade, é preciso investimentos que normalmente são feitos por empresários externos à localidade. De forma geral, as atividades tradicionais são abandonadas para dar lugar à prestação de serviços turísticos. As infraestruturas que são construídas em função do turismo são prioridades dos empresários e não das necessidades locais. Há maior valorização das terras, mas aumenta o custo de vida; Com o maior número de pessoas no local, há aumento do consumo de água e luz, e maior geração de resíduos. Em geral, o turista tem ideias pré-concebidas dos costumes, das pessoas e dos lugares que visitam.

16 O mercado esta mudando Turismo na fase industrial Turismo na fase Pós industrial (Turismo de massa)??? recusa das pessoas em aceitar serem tratadas como parte de uma massa indiferenciada (URRY, 2001) Algumas características desse novo turismo : Experiência de primeira mão Autenticidade Encontros interculturais

17 Ascensão do Turismo Responsável Consumo crítico Não é segmento de mercado Duas vertentes: Responsabilidade Social Empresarial da indústria do turismo Engajamento dos turistas em ações sociais e ambientais

18 É possível mudar esta realidade? Como? Entende-se que é necessário resistir e enfrentar o modelo de turismo que prima para a privatização do patrimônio local. As comunidades tem o direito de dizer não ao turismo e, ao mesmo tempo, tem o direito de criar formas de turismo que possam distribuir os benefícios de forma mais igualitária. O turismo de base comunitária (TBC) é uma das alternativas que tem sido encontradas em diversas iniciativas no mundo e no Brasil.

19 Mas o que é Turismo de Base Comunitária? Em síntese, podemos dizer que Não há apenas uma definição Existem tantas definições quanto iniciativas que promovem o TBC Cada localidade é única devido a sua história, contexto, personagens etc No entanto, no Brasil podemos identificar alguns elementos comuns entre as iniciativas: compromisso com o sítio simbólico e o desenvolvimento situado os movimentos sociais e o protagonismo dos atores locais a hospitalidade comunitária os benefícios econômicos na perspectiva solidária a questão ambiental a revalorização cultural as políticas públicas as redes sociais

20 Pousada Aldeia dos Lagos (Silves, AM TBC e Conservação Ambienta

21 Prainha do Canto Verde, Ceará TBC e fortalecimento da identidade cultural

22 Trilhas Interpretativas, Chapada Diamantina (Lençois/BA)

23 Restaurante Comunitário, Quilombo do Campinho (Paraty/RJ) Design for social innovation Exemplos de casos

24 Fundação Casa Grande, (Nova Olinda/CE) Planejamento Participativo

25 Em outras palavras O TBC é formado por serviços autogestionados (cooperativas e associações). É considerado uma forma de diversificar a economia local, e não substitui as atividades tradicionais, como a pesca e a produção agrícola familiar. A população local tem papel fundamental: é protagonista no desenvolvimento que desejam. É um turismo que contribui para a manutenção da propriedade e dos recursos naturais locais. Pode se tornar uma forma de resistência frente aos megaprojetos turísticos e especulação imobiliária. É um turismo que colabora para a melhor distribuição dos benefícios e igualdade de oportunidades.

26 / ilhagrande Realização Parceria Financiamento

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