NO BATENTE. Horrcm? poruimeí ziíén RECADOS AOS TRABALHADORES. NOTlcleiz POPuif*f?e5t 23/V/Ô9. MOT/CIRí PoMflter vihley 2 - RESENHA SINDICALISMO

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2 2 - RESENHA SINDICALISMO NO BATENTE MAURÍCIO 1RAOUNBERC OPOSIÇÃO SINDICAL METALÚRGICA DE SP PRESENTE NO CONGRESSO DOS METALÚRGICOS A operação Sindical apreendeu uma Proposta.de Tese para o 7 " Congresso dos Trabalhadores Metalúrgicos realizado em S.Paulo. Constata a GSM que nestes últimos 3 anos 10 milhões de trabalhadores ficaram desempregados. Conseqüência de ama política econômica ditada pelos it)tetfsses do capitalismo internacional representado pelo PMI e seus sócios nacionais. No bojo da crise mundial do capitalismo, patrões e governo tentam reorganizar-se para voltar a terem lucros altíssimos, ü que pedem ao trabalhador? Pedem que tenha paciência, aperte o cinto náo faça reivindicação, paralisação Para isso conta com o apoio dos peiegos que dominam 90% do sindicalismo nacional. Apontam o caminho de um governo pretensamente democrático escolhido através de um Colégio Eleitoral. Um dos candidatos e presidente o sr. Tancredo Neves l já foi muito claro a respeito do problema social no itíis.: No Brasil nso houve abertura social, houve aberura política. Porém essa chamada abertura política é altamente questionável, pois a questão social continua sendo caso de policia resolvida na marra contra o trabalhador, que o digam os trabalhadores da EMBRAER que tiveram a fabrica ocupada por forças da Aelonáutica e obrigados a tocar a produção na marra! A Proposta de Tese da OSM aponta as greves heróicas dos bóias frias, por um mínimo de condições de vida, e luta contra o decreto nas fábricas. Aponta a necessidade de preparar um plano contra o arrocho c o desemprego.,., Apoia também a decisão da CUT (Central Ümca dos Trabalhadores) de preparar a greve geíal. Essa deci-, são foi /inoiada por delegados sindicatos. A Proposta propoè que a campanha salarial dos metalúrgicos seja uma campanha de massa. Para isso acontecer é necessário das prioridade às reivindica- NOTlcleiz POPuif*f?e5t 23/V/Ô9 çoès mais importantes para a categoria'e para a classe operária.. Daí a proposta de aumento real de 20% além do INPC. Isso significa nso-desconto da antecipação, conseguida no 2.'semestre para as fábricas que ja receberam;, para as que nso hão deram ainda, darem 20% de aumento real acima do INPC: Reajuste Trimestral, estabilidade no emprego a partir do 1. dia detrabalhopara o iniciante epara quem já trabalha estabilidade até o próximo dissídio. Quarenta horas semanais sem desconto, trabalhar menos para todos trabalharem e viver melhor. Mobilização para a campanha salarial: marcar as datas das assembléias no Congresso; Assembléias Regionais com poder deliberativo, para discussão da pauta e indicações de oradores' um orador por secáo (ao todo 13) escolhido na assembléia regional ou setorial, para evitar confusões que acabam em briga, um orador da Comissão de Salário: Assembléia Gerais de massa em amplos locais de fácil acesso aos domingos pela manhã (por exemplo, Pacaembu); Comissão de redação dos Boletins da Campanha eleita democraticamente; um Encontro dos metalúrgicos do Estado, para a luta pelas 40 h semanais. Unificação das categorias em campanha salarial. Sindicalizar em massa com pagamento após um mês, sem burocracia. Espaço para as Comissões de Fábrica com sala no Sindicato e página especial no "O METALÚRGICO". Garantir l ano de direitos sindicais aos metalúrgicos desempregados. Criação deum Fundo de Greve. Assumir a preparação da greve geral e convocar Congresso. até março de 85 para discutir a filiação à CUT (Central Única dos Trabalhadores)... Maurício Traguinbcrg é professor da Unicamp e da Fundação Gelulld Vargas. Horrcm? poruimeí ziíén RECADOS AOS TRABALHADORES METALÚRGICOS: WALDEMAR ROSSI A diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos está dividida, em, pelo menos, quatro correntes, cada uma defendendo os interesses de seus grupos políticos. E a categoria que se dane... Foi o que vimos no 7. congresso dos metalúrgicos realizado no último dia 15, por exemplo No 7 Congresso, uma parte da diretoria formada pelos defensores dos grupos ligados aos jornais "Voz da Unidade", "Tribuna Operária", e do falecido 'Hora do Povo', defenderam a proposta de apoiar a candidatura de Tancredo Neves, apoiando a ida ao Colégio Eleitoral Dutra parte, ligada ao Jornal "A Esquerda' defendeu o repudio ao Colégio Eleitoral, mas deixou "no ar" a questão do apoio ao Tancredo. A Oposiçáo se manifestou contra o Colégio t; contra o apoio ao Tan credo, já que o povo vem se manifestando contra Ob conchavos com a burguesia que é exploradora dos Irab^inndores Na votação, a maioria esmagadora se manitfktou contra o Colégio Eleitoral e contra qualquer apoio ao Tancredo O grupo dos pelégos tradicionais ficou em "cima do inuio", enbora o Joaquim já tenha ido, com outros direleres sindicais - em nove do CONCLAT levar seu a-nic ao Tuncredo, mesmo que seja via indiretas. Depois da votaçáodo7.' > Congresso dos Metalúrgicos de S.Paulo, a diretoria náo tem autoridade para se manifestar a favor de qualquer candidato. Sua missão. neste campo, é defender as diretas e nada mais. Oqtra questão que ficou clara: os metalúgicos repudiam as jogadas de interesses politicos-partidárias dentro do Sindicato e exigem a defesa dos interesses, exclusivamente dos trabalhadores, sem conchavos com a burguesia \\.iiili'iiur liii>h i' im-mlim IIJ np.i.>n,;.ici im-iiilurnum il>' xm l'aulti VP MOT/CIRí PoMflter vihley RECADOS AOS METALÚRGICOS WALDEMAflTROSSI,0 que é e para que serve uma Coipis^ãó de Fábrica? Porque a Opbsiçaoaem uma proposta'diferente'da diretoria do Sindicato? São dyas perguntas que estão na cabeça de muitos companheiros. De acordo 7 com as" experiências da 'Oposição, a Comissão de Fábric^ é ou deve ser o resultado de um processo de luupe de organização de tqdos QS 'trabalhadores dentro da empresa. A" Comissão de Fábrica deve ser eleita com os votos de TODOS OS TRABALHADO- RES da empresa desde qüe nãò sejam chefes. Essa Comissão deve representar os' interesses do' conjunto dos trabalhadores, sindicalizados ou, não. A Comissão de Fábrica organiza os trabalhadores em cada seção, reúne,com eles, ouve suas sugestões e reivindicações, convoca reuniões com o conjunto dos operários e decidem, o que fazer junto à empresa. Discutem e decidem, também, como encaminhar as lutas ; como se preparar para garantira conquista das reivindicações e ia for o caio - como decretar e deflagrar uma greve.; Em constantes reuniões por. setores.e em assembléias da. fábrica, revê os passosqué estão sendo dados junto à empresa'..recidem juntos d que deve ser aceitoe'a hora deparáromòvimento! Essa forma democrática faz avançar as lutas, a organização e as conquistas dos trabalhadores. :..,...,., E 'assirií, que fazem;as Comissões de Fábrica da Ford-Ipirangà e a ASAMA, por exemplo; Nessas fábricas os trabalhadores já adquiriram consciência de suas forças e páo-têm medo de lutar. Não pçecisam fazer o jogo de nenhum grupo político, JFazem o jpgo de seus'interesses. Se algum membro.daícomissão de Fábrica "pisar na bola 1 ' a turma pega no ;>é. Enquanto na proposta ; da diretoria são os diretores que fazem pelos trabalhadores, na proposta da Oposição são os próprios trabalhadores que defendem seus direitos, com o apoio:do.sindicato. T Waid»miirho»»i"*mímhfo d» o^içào meulúrgica 1 * iío Hauio I

3 SINDICALISMO RECADOS AOS 1 TRABAIíHADORE$ METALÚRGICOS: WALDEMAR ROS i, Jâ falei aqui que a diretoria do Sindicato está contra as Comissões de Fabrica. A diretoria está defendendo Comissão Sindical que é muito diferente. Vamoa ver quais as diferenyas e as conseqüências para o trabalhador. No caso da Comissão Sindical, quem dirige a Comissão é à diretoria e não os trabalhadores; quem negocia as reivindicações com a empresa também é o diretor do sindicato e não os representantes dos trabalhadores A diretoria sempre inclui nos estatutos da Comissão que o Sindicato "avoca" para si as negociações com a empresa. Quer dizer, ela se julga a única representante dos trabalhadores com direitos para negociar. Ela nega, esse direito aos trabalhadores indicados como representantes para defender seus interesses junto a empresa. Isto significa marginalizar os trabalhadore, impedir RESENHA HOTícm pommí ziívlw que eles se capacitem para enfrentar os patrões. Com isso a diretoria manipula os trabalhadores e paba fazendo média com os patrões em prejuízo das reivindicações dos operários. Nas últimas greves, houve caso onde os diretores aceitaram a imposição da empresa de dispensar os representantes dos trabalhadores (Pirelli, por exemplo). ' Na Comissão de Fábrica se dá o contrário. Quem negocia com a empresa são os membors da Comissão assessorados pelo Sindicato. Neste oaso, os membors da Comissão ouvem o conjunto dos trabalhadoras,,elaboram as reivindicações e vão para as negociações. Sempre submetem as propostas as discussões e à aprovação do coletivo dos trabalhadores. Com isso, se torna mais difícil manipular, os representantes dos trabalhadores se capacitam para enfrentar os patrões e aumenta o nível de organização dentro da fábrica e ficamos mais fortes.será que a diretoria do Sindicato quer isto? Waldenur Roui é membro d» opoclçiu meulürgic» de Slo Paulo ja Prepara-se a organização de uma CGT por M. A. Coalho filho da Sio Paulo Está em curto uma nova movimentação na área trabalhista que.poderá culminar na formação de uma outra central - sindical. A Iniciativa parte da Confederaçâo Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), cujo Conselho de Representantes, ao reunir se no último mês de junho, decidiu convocar para o fim de outubro a data exata ainda será marcada um Encontro Nacional de Confederações e Federações de Trabalhadores. A pauta para esse encontro está praticamente pronta e, segundo o atual presidente ^a CNTI, José Calixto Ramos, cefca de 120 federações e S das 8 confederações deverão participar. O objetivo inicial da reunião, segundo Ramos, "é realizar uma ampla discussão sobre os principais problemas que afetam os trabalhadores e aprovar um plano de ação que, inclusi ve, deverá posldonar-se sobre questões políticas". "Eu acho que o debate amplo sobre os problemas que afetam a classe traba lhadora não pode ser dirigi- do como um corredor polonês, onde as cartas já estejam marcadas. Eu, decididamente, sou contra paralelismos no movimento sindical, pois dçfendo, como solução, a unicidadedo movimento e não o pluralismo." Essas afirmações foram feitas quinta-feira pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Joaquim dos Santos AndraílS-,. AVpossíbWtfaie- da' òcor-, rèncla de um novo "racha" no /Tjoyiraçnto. sindical, apesarde j á convocação da CNTI ser dirigida á todas as confederações e federações, foi em parte.confirmada'pelo'presidente da Federação, dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo (FMESP), Argeu Egldio dos Santos. Segundo ele, "existe também a decisão, de se marchar por conta própria". Argeu sustenta sua afirmação lembrando que, apesar de existirem no País cerca de 8 mil sindicatos, apenas 2-mil se encontram filiados ás duas centrais ora existentes 800 na CUT e na Conclat. A primeira dissidência á iniciativa da CNTI partiu. da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agri- cultura (Contag). que, segundo José Calixto, "não participará, pois seu presidente disse estar com a agenda cheia nesse período". Q presidente da FMESP, Argeu Egldio, porém, disse a esse jornal que a recusa do presidente da Contag se deu "era virtude da não inclusão na pauta do encontro da questão da reforma agrária'!. O presidente da Contag, entretanto, não foi encontrado na quinta-feira para confirmar a informaçõo. Solidárias- á decisão da Contag, duas outras confederações a Conticop e a CONTTI4SA - também já confirmaram que não Irão ao encontro. A tão polêmica pauta, que mesmo antes da reunião vem causando dissensões, abordará os seguintes itens: dívida externa;.política salarial; política de emprego; inflação; previdência social; e modelo político- "Não me espanta nada a atitude do José Francisco", arrematou Joaquim dos Santos Andrade, ao comentar a pauta, "pois, além da reforma' questões vitais para a classe trabalhadora não foram incluídas, como a reforma da estrutura sindical e a mudança da nossa legislação.'! Está também dentro dos planos dos organizadores do encontro um debate, ou palestras separadas, c.om os dois candidatos á sucessão presidencial. "Com eles dois, ou ^om outros, se por acaso vierem a existir na época", explicou opre-i sidente da CNTI, José' Calixto, "pois seride muita serventia aos trabalhadores que participarão do encontro.". # MBRCRNTIL Contag fica de fora por Morgorath Mlyazokl d* Brotllla O pr«ild*nt«do ConUdaroçflo Nacional doi Trabalhadar«i na Agricultura (Conlog), Joié Francltco da Silva, afirmou ontam, am Brotllla, qua nflo participará do Encontro Nacional dai ConfadaraçOai Fadaraçfiai, am outubro próximo, porqua o órgflo "aitá com uma programação multo grande, d* tatambro a dazambro, com camponhoi lolarlali mm lr»i aiiadoi Rio Gronda do Norta, Parnambuco a Porolbo olim da congrattoi adoduali". Joié Francltco dlua qua nflo Iam nanhuma po^lcflo contrário para nflo participar do ancontro. No antonto, noo quar. compromatar-ta am opolor o qua vlar a iar dacldldo nala. At dadtsai tomada» paiol portlclpontai tarflo da suai raiponiabllldodai, afirmou. Entra 01 Itans do pauto a sar discutido, o quaitflo tolorlol é dai moli Importontai.

4 RESENHA ilndlcalismo úmen MERCQHT/L 44hlê^ CUT rejeita formação de nova CGT; Conclat vê com desconfiança por M. A, Coalho.Filho. de São Paulo A possível (ormação de uma outra central sindical, que surgiria após o "1? Encontro de Confederações e Federações de Trabalhadores" a ser realizado no final de outubro, foi rejeitada ontem pelo diretor de Relações Internacionais da Central Única de Trabalhadores (CUT), JacobBlttar. "Para mim isso já demonstra o desespero de causa desses dirigentes sindicais que estão a serviço dos patrões e do regime, da velha escola de Ari Campista, e que agora estão sentindo a perda real de sua influência na classe trabalhadora", afirmou senrhésitar o dirigente sin- dical. A convocação do encontro, feita através da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI;, também foi vista com uma certa "desconfiança", pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santos, Arnaldo Gonçalves. Para ele um dos dirigentes principais da Conclat, a tentativa visa "formalizar ã divisão entre os trabalhadores e combater a luta que está sendo travada no sentido de se obter a sua união". O lider sindical da baixada santlsta entende que até o processo escolhido para patrocinar a iniciativa foi errado. "POR CIMA" "Trata-se de um proces-, so desencadeado por cima e não por baixo, com raízes no movimento sindical, com o objetivo de ser respaldado pelas bases", argumentou Arnaldo. Pretendendo mostrar a característica "elitista" da proposição que nasceu do Conselho de Representantes da CNTI, Arnaldo Gonçalves chegou a fazer u<r. desafio; "Se eles estão querondo democratizar, por Que não começam pela própria CNTI, que.nunca apoia rocvimentos reivlndicatórlos.ie seus próprios sindicatos?" Ele entende que uma central sindical deve ser criada tomando como base as próprias entidades de base, como os sindicatos discutindo com elas e não apenas cora as federações e confederações. CUT A CUT, por sua vez, informou ontem quais foram as principais deliberações que sua executiva nacional tomou, após uma reunião nesse fim de semana eip São Paulo. Para o próximo dia 10, a CUT decidiu fazer uma "Marcha a Brasília" de lideranças sindicais c populares com o objetivo de pressionar o Congresso Nacional em prol das.dlretas-já. No dia 27 de setembro será lançada em todos os estados uma campanha nacional para manter as reivindicações! básicas da CUT, que sáo: redução da jornada de trabalho para quarenta horas, reajustes trimestrais, saláriodesemprego e reforma agrária. _ Termina a greve na Cosipa; sindicato 7' esta., dividido! T* 7 FOLHA DE S.PAULO ^' M CECÍLIA PIRES Do nouo equipa de reportagem Com a Cosipa funcionando normalmente pela manha, uma assembléia de pouco mais de l.wk) funcionários decidiu, às 9 horas de ontem, suspender a greve, deflagrada no início da noite anterior. A direção da empresa afirma que não houve paralisação, mas diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de Santos e Cubatão garantem que pararam a coqueria, a aciaria, os altos fornos, a fundição e a sinterização. A derrota da greve teve explicações diferentes. Para a Cosipa, "foi uma greve de cúpula", na explicação do superintendente de Recursos Humanos, Márcio Nascimento Magalhães. Além disso, Magalhães acha que a proposta apresentada pela empresa não foi devidamente explicada aos funcionários, chegou à assembléia poucos minutos antes da deflagração da greve: 30% de antecipação em setembro e outubro, descontados em novembro e dezembro, além de antecipações de 20% em fevereiro/março e abril, com descontos em junho, julho e agosto. Os diretores sindicais alegam que a contraproposta da empresa a reivindicação era por reajuste trimestral não passava de um "empréstimo". Acusam, ainda, a direção da Cosipa de ter solicitado um forte esquema de policiamento, composto de batalhões de choque e da cavalaria. Nem os sindicalistas, no entanto, deixaram de admitir que a divisão da própria diretoria da entidade provocou também a divisão da categoria, desorientada diante da acusação, feita em assembléia poucos dias antes da ocupação da fábrica, no início da semana, de que o presidente, Arnaldo Gonçalves, teria desviado dinheiro do sindicato. A denúncia tomou corpo na época da deflagração da greve de fevereiro. Há um documento, do Conselho Fiscal, apontando as irregularidades. Arnaldo teria retirado dinheiro, aos poucos. O "furo" foi coberto, mas o presidente do sindicato teria devolva do a quantia sem os juros devidos. O montante a ser devolvido, segundo alguns diretores, chegaria a Cr$ 19 milhões. Antes da deflagração da greve de fevereiro, os diretores haviam decidido não romper a unidade da diretoria, expondo o proble-. ma. Nos últimos dias de agosto, uma reunião de diretoria pediu o afastamento de Arnaldo. Segundo Gilfredo Ribeiro Borges, um dos diretores, 14 votos foram contra o afastamento e nove a favor. "Nós não estamos coniventes com isso", declarou Gilfredo. "Eu tenho um nome a zelar, tenho dignidade". Arnaldo se recusou a comentar o problema durante a greve. Só ontem resolveu falar; "Só respondo na Justiça". Garante que vai processar os diretores e exigir que comprovem as acusações. Inclusive o documento, resultado de uma auditoria do Conselho Fiscal. A divisão reflete ainda, segundo reconheceram alguns diretores, a divergência entre simpatizantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro] na própria diretoria. A Unidade Sindical da Baixada Santista, que representa uma dessas posições, composta por 25 sindicatos e oito associações de trabalhadores, reuniu-se no último domingo, aprovando uma moção de solidariedade a Arnaldo Gonçalves. Para alguns diretores, a deflagração da greve, com a categoria desmobilizada e dividida, foi uma tentativa de Arnaldo, já desgastado na greve de fevereiro, de recuperarse, diante das acusações de desvio de verbas. Sua imagem, contudo, sai desgastada com o fracasso da greve. Uma reunião no TRT, no final da tarde, deixou em aberto a possibilidade de retomada de negociações,' na medida em que a assembléia.que suspendeu a greve voltou a decidir contra a proposta da empresa. O pedido de julgamento da greve, feito pelo Procurador Regional do Trabalho, foi suspenso, diante do término do movimento. Caso as partes ainda cheguem a um acordo, o processo de dissídio instaurado será arquivado. 9

5 SINDICALISMO RESENHA Trinta mil canavieiros paralisam em Pernambuco LUIZ RICARDO LEITÃO K»pórt«r do SUCUííOI do R«cift Trinta mil trabalhadores rurais, em seis municípios da zona canavieira de Pernambuco, entraram em greve d partir da zero hora de ontem, após uma frustrada tentativa de negociação direta com os usineiros, destiladores de álcool e plantadores de cana. Por três horas, em meio a uma tumultuada reunião mediada pelo delegado regional do Ministério do Trabalho, Alexandre Kruse, trabalhadores e patrões não chegaram sequer a um acordo em relação a definição da pauta das discussões. Caracterizado o impasse, o delegado do M.T. encerrou a reunião, instruiu sua procuradoria a ingressar com o pedido de dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trablaho, enquanto os lideres dos canavieiros imediatamente iniciavam o planejamento da greve Ontem o governador Koberto Ma galhães, afirmou que a greve "é legal e ò governo manterá a mesma postura de ocasiões passadas, ou ^eja, assegurará o direito dos trabalhadores à paralisação e o patrimônio das empresas onde trabalham os 'grevistas". Magalhães se ofereceu, "dentro das possibilidades, servir <.omo árbitro entre as partes e facilitar o diálogo, para que possamos tranqüilizar o setor canavieiro, onde repousa boa parte da economia pernambucana''. A partir da próxima segunda-feira a perspectiva é que a greve se estenda para toda a lavoura canavieira, abrangendo 44 municípios e cerca de 200 mil trabalhadores çtç rais. Ê o quinto ano consecutivo que os canavieiros entram em greve geral, exatamente no início da safra de cana em Pernambuco Estado que depende em 85% do açúcar e do álcool nas suas exportações. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), José Francisco da Silva, participante das negociações, disse que "os canavieiros, como nos anos anteriores, vencerão no Tribunal Regional e terão garantidas as prerrogativas oferecidas pela Lei de Greve: seu exercício, garantias de que os grevistas não serão substituídos e que, se isso ocorrer, seu direito de fazer piquetes para impedir". FOLHA DE S.PAULO zo/g/ey I)as 45 reivindicações dos canavieiros as duas mais importantes são piso salarial de Cr$ 204 mil mensais e a manutenção da "tabela de tarefas" fixada em 1979 e confirmada pelo Tribunal Superior do Trabalho que determina a remuneração para cada tipo de corte de cana e tempo gastos nas tarefas diárias. A "tabela A" é a maior garantia que tem os trabalhadores e sua discussão sempre bloqueia as negociações anualmente, os patrões tentam derrubá-la ou corrigi-la abaixo do índice inflacionáno. Ontem a policia militar de Pernambuco e a Secretaria de Segurança Pública deslocaram' para a zona canavieira cerca de 500 homens, para reforçar o policiamento nas cidades da região e prevenir choques nos piquetes. No ano passado, um trabalhador foi assassinado no segundo dia de greve por vigias de usineiros, fora dezenas de casos de feridos. Este ano, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) já registra a morte, de 5 camponeses e líderes rurais, em função de conflitos com latifundiários, especialmente no chamado "Pais do Açúcar". %. ECONOMIA PROPOSTA: UM SEGURO-DESEMPREGO. É a principal sugestão do 5: Simpósio Internacional Brasil-Europa, realizado em Angra dos Reis. Foi um funcionário do próprio Ministério do Trabalho o subsecretário de Emprego. Jorge Jatobá quem fez a proposta, durante o 5" Simpósio Internacional Brasil-Europa- criar no Brasil um seguro-desemprego em moldes semelhantes aos que existem em alguns países europeus. A proposta agitou os debates praticamente em todos os quatro dias do simpósio encerrado ontem em Angra dos Reis. ' Na verdade, nâo foi apenas o funcionário do ministério quem fez essa proposta. Vários outros participantes do simpósio, que reuniu economistas e sindicalistas de vários países para discutir justamente formas de combate ao desemprego, também defenderam a idéia do seguro, que na Europa é um dos principais instrumentos de defesa do trabalhador. Como disse o economista Walter Barelll, diretor do Dleese, a taxa de desemprego da Espanha, por exemplo, é semelhante à do Brasil (18%). "Só que aqui nao há nenhuma proteçáo ao desempregado." Recursos Segundo a proposta de Jorge Jatobá, o seguro-desemprego deveria atingir, prioritariamente, os trabalhadores dispensados pela redução da atividade econômica gerada pela política de estabilização, isto ê, esse Instrumento -deve restringir sua aplicação â com-, ponente conjuntural de desemprego aberto" Jatobá sugeriu que os recursos para o pagamento do seguro-desemprego poderiam vir de fontes como o Fundo de Assistência ao Desempregado (FAD) - que fica com dois terços de 20% da contribuição sindical ou recursos do Finsocial e das multas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço {FGTS) Para o Ministério do Trabalho, o Serviço Nacional de Emprego (Slne) poderia ser transformado no principal agente administrativo na execução do seguro-desemprego. O técnico do Ministério do Trabalho advertiu, porém, para o custo deste beneficio. Baseado em pesquisas oficiais, ele citou como sendo de 2,4-milhões o número de desempregados urbanos no Pais, que continuam a procurar trabalho. O pagamento de um salário mínimo a cada um destes trabalhadores implicaria um custo de Cr$ 232,8 bilhões. Anualmente, esta soma elevarla-se a Cr$ trilhões, 14 vezes menos do que o País perdeu com o desemprego em 1983, segundo dados do ministério divulgados, durante o simpósio, pelo senador Carlos Chiarelli (PDS-RS). A proposta de Jatobá prevê, porém, que o valor do beneficio seja correspondente à renda média do indivíduo dispensado. Na Europa A presença de diversos sindicalistas europeus contribuiu para uma visáo ampla das formas de seguro-desemprego utilizadas em diversos países, e serviu também para a verificação de alguns pontos comuns em relação a reivindicações dos trabalhadores brasileiros. O principal deles é a redução da jornada semanal de trabalho como forma de aumentar o número de empregos. A diferença, segundo os especialistas presentes, está nos níveis de organização e poder de barganha existentes no Brasil e, por exemplo, Alemanha. Lá, os trabalhado-, res conseguiram, após uma longa campanha, reduzir de 40 para 38,5 o número médio de horas semanais (o objetivo era conseguir redução para 35 horas). No Brasil, agora é que alguns sindicatos despertam para a luta da jornada de 40 horas semanais. A recuperação da economia como forma de criação de novos empregos foi destacada pela unanimidade dos brasileiros em Angra dos Reis. Alguns alemães, porém, demonstravam um certo ceticismo em relação a esta fórmula. Por uma razão simples: lá, o crescimento vem quase sempre acompanhado da introdução de novas tecnologias, que reduzem a quantidade de empregos. Apesar disso, as inovações tecnológicas nâo foram condenadas na maior parte das intervenções. Quase todos destacam sua importância no aprimoramento da qualidade dos bens produzidos. O economista Cláudio Salm, da Secretaria de Educação de São Paulo, chegou a afirmar que, para os trabalhadores^ a questão principal nâo era barrar a introdução de novos equipamentos, mas sim constituir uma força política tal que possa evitar as conseqüências deste fenômeno na diminuição no nível de emprego. A maioria dos participantes do encontro concordou que, devido à centralização existente nó Pais, era pequeno o espaço dos governos estaduais na aplicação de fórmulas contra o desemprego. Miguel Bodea, do InsUtuto Latino-Americanode Desenvolvi- O

6 RESENHA mento Econômico e Social (lides), propôs que os governos e-taduais dêem "demo. ;- trações de criatividade, aplicando inclusive políticas não convencionais que envolvam diversas formas de participação comunitária e atuando, também, no setor informal da economia". Ressalvou, porém, que um tratamento emergenclal ao desempregado por parte dos governos estaduais deve também assumir um caráter asslstencial, "diante dos setores populacionais atingidos pela miséria e pelo desespero". Multinacionais O fortalecimento do sindicalismo brasileiro é uma das esperanças de trabalhadores alemães para o aumento de seu mercado de trabalho. Isso porque, com a diminuição do desnível nos salários pagos no Brasil e na Alemanha que seria causado pelo aumento na pressão sindical. as multinacionais sediadas naquele país poderão, a longo prazo, decidir aplicar lá mesmo os capitais que, Inicialmente, seriam trazidos para cá. O raciocínio é do sociólogo e cientista social alemão Claus Offe, que participou do Simpósio Ijiternaclonal Brasil-Europa. Outro economista alemão presente ao simpósio, Olaf Sund, insistiu na existência de um "sentimento concreto de solidarieda de" dos trabalhadores alemães para com seus colegas que trabalham em filiais de multinacionais. Mas Claus Offe acha que o operariado de seu país se divide em relação a esse problema. "Uma parte acredita que os investimentos no Exterior podem, caso sejam rentáveis, aumentar a estabilidade dos trabalhadores alemães em seus empregos. Outros temem que esses investimentos tornem as Indústrias no Exterior mais competitivas do que as alemãs, capazes, portanto, de gerar mais desetnprfcü >-rr nnsto p^ís " Í-OIIIA Dt S.PAULO Seguro desemprego JORGE JATOBÁ E>p«ciui paro a "Folha" O Seguro-desemprego tem sido objeto de muita discussão recente entre técnicos, políticos, trabalhadores e empresários. De um lado, constata-se que a legislação social brasileira praticamente deixa a descoberto a força de trabalho em período de crise econômica como a que estamos atravessando. De outro, a discussão sobre a necessidade de propiciar avanços na legislação de proteção ao trabalho e ao trabalhador desempregado, na qual destacase o seguro-desemprego, defronta-se com uma série de questionamentos que precisam ser esclarecidos e. superados. O presente texto pretende discutir a questão do seguro-desemprego e avaliar a sua adequação e viabilidade ao caso brasileiro. Inicialmente, o seguro-desemprego opera como um mecanismo anti-cícíico dado que na fase de prosperidade a captação de recursos, através de impostos, funciona como um vazamento de renda e portanto atenua a pressão sobre a demanda agregada. Na fase descendente do ciclo, os gastos com seguro-desemprego funcionam como transferência de renda para as famílias, amortecendo o impacto sobre a demanda agregada e, por conseguinte, suavizando o ciclo recessivo. Essa transferência de ren- (ia, por sua vez, ao propiciar um aumento da demanda por bens e serviços de parte das famílias gera um certo numero de empregos na economia, sobretudo naqueles setores vinculados à produção de bens-salário. Por outro lado, um argumento ético a favor do seguro-desemprego é o de que não se deve expor a força de trabalho cruamente às crises econômicas. Os trabalhadores devem ser poupados, pois não são responsáveis pelas crises de acumulação do capitalismo e, ademais, constituem o elo mais frágil da relação Capital-Traba- Iho. Ao se discutir a viabilidade, do seguro-desemprego para o Brasil, convém ter em mente que os nossos mercados de trabalho são caracterizados por uma heterogeneidade estrutural que abriga diversas formas de inserção dos indivíduos nesses mercados. Por conta de diferenciações na base técnica, a demanda por trabalho é estruturalmente segmentada e comporta um grande número de pessoas em setores localizados fora das atividdes econômicas onde o vínculo na relação capital-traialho é bem estabelecido por assalariamento e contrato de trabalho. Nesses setores periféricos à moderna economia urbana, abriga-se um contingente considerável da força de trabalho brasileira (cerca de 13 milhões de pessoas em 1983) que não estando empregada no sentido estrito do termo, desenvolve, todavia, atividades de produção de bens e de prestação de serviços que são importantes como estratégia de sobrevivência. Nesse contexto onde o desemprego aberto não é a única nem a mais importante forma de sub-utilização da força de trabalho, um seguro-desemprego amplo teria dificuldades de ser implementado não apenas pela formidável demanda de recursos mas sobretudo pela difícil administração do programa onde distinguir não só entre desempregados de várias origens, mas também entre estes últimos e os ocupados em setores não-organizados do mercado, seria uma tarefa quase impossível. Para se ter uma idéia do volume de recursos que seria necessário, façamos um exercício conservador com os dados de desemprego aberto entendido como procura ativa de trabalho gerados pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) da FIG- BE. Os dados da PME para o mês de maio indicam que comente nas seis áreas metropolitanas do País onde a pesquisa é realizada, havia cerca de 1,24 milhão de pessoas procurando trabalho. Se a cada desempregado, coubesse um salário mínimo, a despesa mensal seria de Cr$ 120,3 bilhões. Por outro lado, a SES/MTb estimou com base na PNAD que o total de desempregados Urbanos, inclusive em outras áreas urbanas, foi de 2,4 milhões em Mesmo que não se inclua os desempregados ocultos pessoas desempregadas que desistiram de procurar trabalho os gastos, nas mesmas hipóteses, ascenderiam mensalmente a Cr$ 232,8 bilhões, valor nada desprezível. Ora se o custo de atender a todos os desempregados mesmo no conceito estrito do termo e, portanto, sem contemplar os desempregados ocultos e as pessoas que se encontram nos setores não-organizados do mercado é demasiado elevado, então ca be procurar outras alterna tivas. Convém recordar que o seguro-desemprego deve proteger prioritaria- ECQNOMA mente os trabalhadoires dispensados pela redução da atividade econômica gerada pela política de estabilização, isto é, esse instrumento deve restringir a sua aplicação à componente conjuntural do desemprego aberto. Por conseguinte, devem eslar fora do alcance do instrumento as pessoas atingidas pelo desemprego friccional e estrutural bem como todas as outras pessoas engajadas em atividades de oaua produtividade e renda situadas fora do setor moderno da economia onde predominam o assalariamento e o contrato de trabalho. Porém, como isolar o desemprego conjuntural do restante e colocá-lo sob a égide do seguro-desemprego? Qual o instrumento adequado para executar tal política e que recursos devem ser mobilizados para viabilizá-lo?. ' Entre os intrumentos disponíveis o FGTS não comporta as características desejáveis: (1), sendo um estoque, não assegura um fluxo regular de renda; (2) é limitado em valor, sobretudo se o trabalhador tem dificuldades em encontrar um novo emprego; e (3) uma vez exaurido, não ha forma de renová-lo senão obtendo um novo emprego por um período relativamente longo. O outro instrumento disponível é o "Fundo de Assitência ao Desempregado" (FAD) que tem notáveis deficiências mas que se melhorado substancialmente pode transformar-se em dispositivo adequado ao programa. O FAD desde as suas origens.foi drasticamente reduzido na sua base de recursos e nos seus critérios de aplicação. Atualmente o FAD só pode ser utilizado para amparar trabalhadores que após 120 dias consecutivos dt trabalho tenham sido dispensados em conseqüência de fechamento total ou parcial da empresa. Ademais, o auxilio restringe-se, nesses casos, a 80% do salário mínimo e não pode estender se por mais de seis meses. A sugestão é portanto que se transforme o atual auxílio-desemprego em um seguro-desemprego aplicável somente aos casos de dispensa por justa causa onde recai a totalidade do desemprego conjuntural. Por outro lado, sugere-se aumentar o valor do auxilio, que deve manter uma correspondência com a renda média do indivíduo dispensado, nos últimos seis meses, bem como estender o período em que o trabalhador é beneficiário do programa. ' Ademais, deve-se dedicar, todos os recursos do FAD (2/3 dos 20% da contribuição sindical) ao programa, bem como ampliar a sua base de recursos com outras fontes (niulta do FGTS, recursos do Finsocial, valor equivalente ao que no FGTS é similar aoauxílio-desemprego, etc.) O SINE poderia cadastrar os trabalhadores desempregados devido as circunstâncias da conjuntura econômica e ser o principal agente administrativo na execução do programa. Desta forma, seria resgatada uma parte da divida social que o País tem com a sua força de trabalho, exposta às vicissitudes da crise econômica e sem uma legislação social que lhe propicie alguma proteção^' JOaOI latot* é prouhof do univsr.idod» Fxiírol d» Pernambuco íunciond/io do Ministaao do Trabalho.

7 ECONOMIA Brasil, maior de armas do HAMBURGO O desenvolvimento de peaqulsaa nas universidades e nos Institutos tecnológicos das Forças Armadas permitiu ao Brasil, nos úlumos 20 anos, capacltar-se nominalmente para produzir um veiculo DLndado a cada 18 horas, um avl&o a cada 20 horas c cerca de mil armas ligeiras e medianas a cada semax.a, segundo estimativas de revistas especializadas da Europa, citadas num levantamento sobre a indústria armamentlsu na América Latina produzido pelo Jornalista W«lt«r Krohn», da agência OPA. Essa Investigação jornalística concluiu que o Braail é o primeiro produtor e exportador regional de armamentos, além ae maior exportador de todo o Terce-ro Mundo, de acordo com o Instituto de Investigação Internacional pela Paz de Estocolmo (Blprl). O segundo posto nesse ranking 6 ocupado pela Argentina, cuja indústria bélica é considerada pequena mas igualmente sólida, embora controlada principalmente pelas Forças Armadas, ao contrário do Brasil, onde a participação privada é maior. O material divulgado ontem pela OPA cita ainda que o Brasil, em matéria de Indústria militar, mostra grande aproxlmaç&o com os Estados unidos confirmada em fevereiro, com a subscrição do Memorando de Entendimento entre os dois países, enquanto a Argentina se orienta especialmente através da Europa Ocidental, com destaque para a Alemanha. Acrescenta que o Brasil vende aviões de combate, patrulha e de instrução, carros blindados, tanques ligeiros, caminhões militares, mísseis, barcos (especialmente de patrulha), peças de artilharia, modernas e sofisticadas metralhadoras, bombas de vários üpos e munições, além de uma gama de armas curtas e apetrechos para a tropa. Os mais de 30 países compradores proporcionariam este ano cerca de US$ 2 bilhões, que poderio chegar a US$ 3 bilhões em 1985 Como seus produtos sâo baratos e de boa qualidade, o Terceiro Mun- exportador 3 ç Mundo do converteu-se no melhor cliente do Brasil, dal o fato de esse item ocupar o terceiro lugar entre os produtos de exportação brasileiros, depois de minerais e cereais, de acordo com as estimativas para Os maiores clientes da indústria bélica brasileira são o Iraque e a Líbia. Em guerra há quatro anos com o Irá, o interesse dos iraquianos concentra-se em carros blindados e foguetes ar-terra, Investindo para tanto cerca de US$ 300 milhões anuais em armas brasileiras, segundo dados extra-oficiais. A revista alemá-ocldental Ttcnologia Militar lembrou, a propósito, que o Iraque exporta ao Brasil mais de 200 mil barris diários de petróleo quase metade das necessidades do país latino. A LBlla, por sua vez, comprou 800 veículos blindados, ente eles os tipos Çiie*vtl e Urutu, que teria utilizado com êxito na guerra do Chade. ; O Informe da DPA assinala que a Engesa está entre as mais Importantes Indústrias brasileiras de armamento, competindo no mercaao Internacional com três tipos de blindado de combate (Cc«v«l, Urotu Jar.ne»), três Üpos de caminhões militares multo cotados e desenvolve, em fase final, um ambicioso projeto um tanque pesado de ST toneladas. O G»ner«l Ofórlo. Seus produtos têm aceltaçfio em 30 países, entre os quais figuram Bolívia, Paraguai, Uruguai, Chile e Colômbia. Também a Bemardlni produz veículos militares, tendo desenvolvido o carro ligeiro X-l A2 (20 toneladas) e em maio apresentou ao Exército brasileiro o tanque médio MB-3 Tamoyo (30 t), que gradualmente substituirá os norte-americanos M- 41, em serviço no País. A DPA informa ainda que o consórcio Avibrás Aeroespacial fabrica o sofisticado sistema de lançamento múltiplo de foguetes, Aitro» II, cujo custo em sua versào completa é de US$ 10 milhões. Recorda os êxitos da Embraer com o turbo-héllce EMB-312 Tucano que já tem despertado o interesse de numerosos países, além de seu acordo com a Aermacchi INFLAÇÃO O que custava Cr$ passa a custar Ox% 1 milhão Ao tmal do governo Figueiredo, os preços terão aumentado em média %, na hipótese mais otimista. Afinal OESTÀDODES.PAüuO RESENHA t a Aeritii/Aa para a produção do subsõnlco AMX e os três modelos de avl&o de Instrução Xingu, Xavanta e Braaflla, desenvolvidos no País. Do setor naval : mllitar, são destacados os dois projetos desenvolvidos atualmente no Arsenal da Marinha. a construção de 12 corvetas equipadas com mísseis Exocat e pelo menos dois submarinos convencionais KL , equipados para torpedos pesados. Produzidos em conjunto com a Alemanha Ocidental, esses submarinos podem ser o primeiro pas^o para desenvolver um subrnari no nuclear, acrescentea a DPA. Novamente reproduzindo dados da Tacnologla Militar, *nforma que o Brasil conta com quatro Indústrias aeronáuticas, uma de helicópteros e aproximadamente 400 fábricas de equipamentos para aviões. A Indústria naval dispõe de uns 20 estaleiros e 400 Indústrias de apoio. No setor de veículos, o parque Industrial brasileiro conta com cerca de mil fábricas diferentes e na área de comunicações estão 150 outras. OS OUTROS LATINOS A DPA Informa que o Chile ocupa o terceiro lugar entre os produtores de armamentos latlno-america nos, mas explica que sua indústria bélica é relativamente recente, cujo crescimento se baseou em suas próprias necessidades de reequipamento multar, depois que os Estados Unidos suspenderam a ajuda nesse setor por causa da violação dos Direitos Humanos pelo regime Pinochet. Colômbia, Equador, Guatemala, México, Paraguai, Peru, República Dominicana e Venezuela são países que, embora não exportem, dispõem de industria militar, pequena e ca rente de Importância Internacional, mas apta a suprir as necessidades específicas de suas respectivas Forças Armadas. As fontes utilizadas para estt levantamento foram o arquivo da DPA, seus correspondentes e revistas européias especializadas. Por Pedro Cafardo O governo João Figueiredo vai terminar, cm março do ano que vem, com um melancólico recorde: mais de % de inflação. Isso mesmo. Nos seis anos de governo, os preços médios na economia brasileira lerão subido %, marca nunca antes alcançada em qualquer outro período governamental. Por maior que tenha sido o impacto dos chamados choques externos aumentos do preço do petróleo e das taxas de juros, será difícil justificar essa espantosa alta de preços. Em março de 1979, por exemplo, 1 litro de leite custa- O

8 8 - RESENHA ECONOMIA va Cr$ 5,20. O mesmo leite custa hoje CrJ 430, exatos 8.269% a mais. Aumentos semelhames sofreram os demais alimentos básicos e os principais produtos e serviços oferecidos à população. O que se convencionou chamar de inflação no Brasil é o índice Geral de Preços 1GP apurado pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Ele reflete a variação média dos preços no atacado, na construção civil e no varejo do Rio de Janeiro. De março de 1979 até agosto último, o 1GP aumentou 8.500%, ou seja, cerca de 7% em média ao mês nos primeiros 65 meses do governo Figueiredo. Nesse mesmo período, o maior salário mínimo subiu 3.313%. Perdeu, portanto, mais da metade de seu valor. Se o aumento médio de 7% se repetir nos últimos sete meses do governo, chegaremos a março de 1985 com % de inflação. Isso significa que, em média, o que custava Cri em março de 1979 custará Cr$ 1 milhão em março de Mesmo essa hipótese é otimista. Em agosto, a inflação foi de 10,6% e as perspectivas para setembro são igualmente preocupantes. Desde o dia 28 os preços dos combustíveis foram reajustados em 26% e isso terá impacto desfavorável em setembro. A alta dos derivados de petróleo afeta os custos em toda a economia e, mais do que isso, tem poder incomum para alimentar expectativas de uma nova rodada inflacionária. As safras agrícolas, se abundantes, poderiam produzir efeitos favoráveis sobre os preços. Mas isso também não está previsto. Em poucas palavras, o ritmo da inflação parece continuar mais vigoroso do que nunca. O que fazer? Nos últimos 200 dias, poucas esperanças.. Embora tenham quase 200 dias de governo, as autoridades se mostram imobilizadas. Arrefeceram o controle de preços e suas declarações encontram pouca credibilidade. Esse imobilismo pôs de prontidão os economistas do País. Da esquerda ou da direita, estruturalistas ou monetaristas, eles bombardeiam o governo com sugestões variadas para combater a inflação. Desindexação. Esta é a palavra mais pronunciada no atual debate. Seus defensores mais ilustres são os ex-ministros Octávio Gouvêa de Bulhões e Mário Henrique Simonsen. Desindexar, em resumo, seria extinguir a correção monetária e todos os demais reajustes automáticos. Assim, a cadernete de poupança passaria a render apenas juros, os salários não seriam mais elevados automaticamente com base no INPC e, principalmente, o governo seria desobrigado de pagar correção monetária aos detentores de títulos públicos. "Com inflação a 200% não dá para manter o gradualismo", sustenta Mário Simonsen. Ele propõe, "num dia D", a desindexação geral e o congelamento de.preços e salários. Como Simonsen, Bu- lhões imagina que a extinção abrupta da correção monetária cortaria a expectativa inflacionária e "acabaria de vez" com a inflação. "Não acabaria", rebate o jovem economista José Júlio Senna, professor da FGV-Rio, embora declarando respeito "ao mestre Bulhões". A extinção da correção só acabaria com a inflação, segundo Senna, se ela fosse a principal causa da inflação. Para ele, a principal causa da inflação é a própria expectativa de inflação. Esta, continuaria mesmo sem a correção, porque decorre do descrédito do governo. Finda a correção formal, seria implantada imediatamente a indexação informal em todo o mercado financeiro. Exemplo: se os bancos deixassem de pagar correção a quem aplica em Certificados de Depósitos Bancários, imediatamente os emprestadores forçariam a elevação das taxas de juros para compensar a perda da correção. Com isso concórclitm ixonomisias do variadas tendências. Senna, um adcpio das teorias monetarisias, icm apoio, cm sua tese, de economistas como Luiz Gon zaga Belluzzo c Luciano Couiinho, mentores do PMDB. Por razões como essa, a desindexaçãü plena ou parcial dificilmente virá na atual governo. Nem mesmo no início do próximo. Se o eleito for Tancredo Neves, não há qualquer risco de decisões intempestivas. Ele já disse que a desindexação é assunto sério e precisa ser discutido com a participação de toda a sociedade. Congelamento. Exorcizado o fantasma da desindexação, surgem outros. A palavra congelamento ficou muitos anos fora do vocabulário corrente do economês. Mas o insucesso das políticas de combate gradual à inflação dos últimos seis anos e a espantosa elevação de preços acabaram estimulando propostas heterodoxas. Heterodoxo é o termo utilizado pelo professor da PUC do Rio de Janeiro, Francisco Lafaieie Lopes, ao propor o congelamento de preços e salários como única saída para quebrar a expectativa de inflação. Até agora, os últimos governos procuraram conter a inflação de forma ortodoxa: corte de crédito e contenção de emissão de dinheiro. Com essa prática, pela teoria monetária, os preços tenderiam a aumentar menos devido à escassez de dinheiro. Assim, não seria necessário controlar os preços. Na prática, porém, isso não aconteceu. A inflação disparou apesar do controle da emissão de moeda. No ano passado, por exemplo, a emissão monetária cres- 'ceu 92%, enquanto a inflação avançava 211%. Pela proposta de Lopes, seria tudo feito ao contrário do que se fez. A emissão de moeda seria menos contida e os preços seriam controlados pelo congelamento. Os preços administrados pelo governo, os preços dos bumvos públicos e os preços industriais seriam congelados por seis meses. Numa segunda fase, de 18 meses, os preços continuariam controlados para que não subissem mais do qucj 1,5% ao mês. Também os salários ficariam congela dos durante os seis meses, permitindo-se apenas aumentos de 0,5% ao mês, a titulo de reposição do salário real. No mês em que o congelamento fosse iniciado, algumas categorias teriam um abono s;t larial, para compensar em parte a ero são do seu poder de compra. Termina do o congelamento, começaria a funcionar a livre negociação de salários. "É tão radical quanto a proposta do Bulhões", diz Luciano Coutinho. Para o professor da Unicamp, um congelamento desse tipo "só poderia ser adotado com apoio do Exército, da Marinha e da Aeronáutica". Mesmo um governo com credibilidade não teria poder de coerção para aplicá-lo, na opinião de Coutinho. Controle de Preços. Se o congelamento é considerado utópico ate mesmo pela ala esquerda dos economistas, o mesmo não ocorre com o controle de preços. Com Tancredo Neves no governo, provavelmente haverá maior rigor no tom role de preços industriais e aic de preços no varejo. Economistas que apoiam Tancredo estão convencidos de que o governo desleixou perigosamente no controle de preços. Acham que a economia é muito oligopolizada e não pode prescindir do controle de preços. Em muitos setores, como na indústria de automóveis, por exemplo, um pequeno número de empresas responde por toda a produção. Elas se organizam em oligopólios e aumentam os preços em bloco, sem qualquer concorrência entre si. Credibilidade. Qualquer que seja a fórmula de combate à inflação, seu sucesso depende de credibilidade do governo._por essa razão, sustenta o empresário Dilson Fúnaroj"ex-secretário do Planejamento de São Paulo, não se pode esperar qualquer resultado favorável ate março do ano que vem. Funaro costuma contar uma passagem do governo João Goulart, quando Santhiago Dantas foi nomeado ministro da Fazenda. Ele não tinha qualquer instrumento monetário para combater a inflação. Tinha só a própria credibilidade. Chamou os empresários e depois foi à televisão anunciar seu plano de austeridade, pedir ao povo para não comprar. "Em poucos meses, a inflação desabou", conta Funaro.

9 ECONOMIA RESENHA - 9 A anatomia do Grupo Itaú VS3L. Ahütória do Itaú, segundo maior grupo financeiiu privado dosais, começa com a fusão, em novembro de 1964, entre o Banco Federal de Crédito (de Olavo Setúbal) e o Banco Iiaú. Depois seguiramse varias incorpor^ões, 30 ao todo, das quais as mais importantes foram: do Banco Aliança, do Português do Busil e do Uniáo Comercial. Mas, ao contrário do BRADESCO, a historia do Itau registra também importantes fusocs, com os Bancos Sul-Americano do Brasil c da América. Todo este complexo processo de incorporações e fusões, ocorrido entre 1964 e 1974 noradamente concentrado entre 1969 e 1974, época da reestruturação bancária promovida pelo governo (ver Voz n? 216) que facilitava as incorporações e fusões como forma de concentração do capital, só foi completado eifi Naquele ano, o Itaú exibia uma afinada direção profissional, uma moderna e eficiente estrutura de apoio, uma equipe de funcionários atuando segundo conceitos e padrões uniformes e uma rede de agências que cobria todas as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. Uma estrutura onde mal sé notavam resquícios das incorporações e fusões, o que demonsua uma enorme capacidade de articulação e moiiugcm" tanto de OÍavo Setúbal (presidente) como de José Carlos Morais Abreu (diretor-geral). Novas metas Consolidada esta estrutura, começa em 1980 um novo ciclo para o Itaú, ciclo ainda não encerrado. Agora as metas incluem a.expansào.do. Banco.no.exterior e a conquista de fatias crescentes no mercado financeiro interno, com um projeto que prevê a integração da maioria das agências pela informática, oferecendo, assim, um atendimento automatizado. A inauguração das agências do Itaú em Nova Iorque e em Buenos Aires (em 1980) e a abertura do escritório de representação em Londres balizam este processo de progressão no exterior. "Ingressar no sistema bancário internacional è um estágio necessário para fazer do Itaú uma instituição do porte dos grandes bancos dos países mais desenvolvidos. No entanto imorais Abreu:esclarece este processo não é autônomo, c está intimamente ligado à capacidade do Brasil resolver seus graves problemas econômicos". Morais Abreu afirma que "enfrentar problemas como este e encontrar soluções que atendam aos interesses dos diversos segmentos da.sociedade, exige a participação dos empresários no processo de decisões econômicas (grifo nosso)". Por outro lado, impossibilitado de creseçr pelo aumento do número de agencias, uma vez que o Banco Central não concede novas cartas patentes, sem poder criar nqvçsçrr^dutp^^lsj^s normas oficiais delimilam todas ás lihhas operacionais, a saíàa do Itaú, para ganhar espaço no mercado interno, foi aprimorar a qualidade dos serviços prestados - agilizá-los pelo processo tecnológico, via informatização:-neste sentido e com esta óticasurgiu a ITAÚTEC A vantagem do banco nessa corrida foi ter saído na frente na fabricação de equipamentos para automatizar seu atendimento. Na atual estrutura do Itaú, Setúbal responde pela concepção das estruturas, pelos projetos de longo prazo estratéticos, enquanto que Morais Abreu realiza o equacionamento jurídico dos projetos e responde pela sua execução. O organograma do grupo demonstra a articulação do capitaj industrial com o capital bancário, e por outro íado, uma semelhança não casual com o organograma do BRADESCO já que a'associação com o capital internacional é mais visível no Banco de Investimentos. ^ Jurandy Fonseca provocou seu afastamento ÍOLIIA DE S.PAULO lonsh POLÍTICA MEMELIA MOREIRA Hauafli do Sucursal de BfQ&ilio O atastamenlo de Jurandy Fonseca foi provocado por ele mesmo. A não assinatura do decreto de regulamentação sobre as mineradoras foi apenas um pretexto. Cansado de dirigir a Funai, Fonseca já dava demonstrações de desinteresse pelo órgão há mais de um mês. Ele conhecia o decreto de mineração, sabia ser uma questão nevrálgica e não havia nenhuma pressa em mexer no assunto. Fonseca poderia chegar ao fim do Governo se quisesse sen) levantar o problema da mineração Preferiu polemizai e, desta [ortna, sair da Funai de lorma honrosa como aconteceu, Mano Andreazza também teria assimilado o problema caso fosse colocado de lorma discreta ou "adequada como lembrou o ministro. Mas a questão toí colocada em forma de desdtio com uma frase bombástica (' Não quero passar à história como genocida de grupos indígenas.") A palavra "genocídio" é estigmatizada pelo Governo desde os tempos do presidente Mediei e foi tomada como ofensa. A partir dai, òs ingredientes da demissão estavam preparados. Ao lado disso, o ex-presidente da Funai se isolava cada dia mais de seus principais assessores, que começavam a buscar uma "solução doméstica" para o caso do afastamento. A solução doméstica veio com a indicação de Nelson Marabuto que, em três meses, conquistou a confiança dos sertanistas. Na busca dessa solução, o próprio Jurandy ajudou. Ele realmente estava cansado do cargo e não queria se desgastar politicamente. Apostando na vitória de Maluf, seu candidato, Jurandy deixa uma porta aberta para voltar ao órgão, caso seu candidato vença no Colégio Eleitoral. A nomeação de Marabuto também traz conotações políticas. Andreazza não desconhece o nível de relacionamento entre o novo presidente da Funai e o candidato do PDS. Não foi provocação, mas foi uma forma de mostrar que tem poderes para escolher seus auxiiíares. #

10 .10 - RESENHA notória da cíe] TARSO DE CASTRO Anicuhsloda "folho" * Podem tomar nota de uma coisa: a história da mudança da presidência da Funai está muito, mas muito mai contada mesmo Sai Juranciy Marcos da Fonseca e entra Nelson Marabuto. não é mesmo? Mas é uma coisa tão simples, apenas burocrática? Ora, talvez vocês não se lembrem, mas justamente o sr. Maçabuto esteve envolvido até a cabeça na prisão do Esquivei em São Paíüo. Este é apenas um dado. Vejamos outros: vocês sabiam, por exemplo, que na semana passada o jornal "O Globo", num raro editorial assinado pelo doutor Hoberto Marinho, defendia a total invasão da área indígena pelas companhias mineradores internacionais? Pois defendeu com tanta ênfase tal teoria o nosso doutor Roberto que o ato simplesmente leve a oportunidade de conferir-lhe. entre os indigenistas e pessoas decentes, o carinhoso apelido de r Gèneral Custer Barroco'. E Custer con\a se sabe. tinha uma frase mssão está mal contada bastante interessante que nortearia toda a sua existência, até o derradeiro momento: 'O único índio bom é o índio morto". * Pois bem: raras vezes na história do muijdo se terá assistido ao extermínio de toda uma raça como o que se viu acontecer no Brasil. Volta e meia se fala em alterações das condições políticas aplicadas contra esses nossos avós vitimas da violência civilizada e acabamos por sentir no ar imensas declarações de amor ao índio. Num momento seguinte as coisas se alteram e mais uma vez o primeiro habitante desta terra é tratado como se nada lhe fosse devido Vai daí a exoneração de Jurandy Marcos da Fonseca que. segundo o ministro Mário Andreazza. teria sido afastado por "comportamento inadequado". Ora, é melhor deixar a brincadeira de lado, ministro: Jurandy (oi afastado pelo simples ia to de que. há 10 dias. deixou berrí claro, tanto para Andreazza como para escalões superiores, que sua consciência não lhe permiti- FOLHA DES.PAULO zohm POLÍTICA ria fazer o jogo que permitisse a invasão da área indígena de uma maneira brutal. * Terá sido precipitação do expresidente uma tomada de posição deste tipo? Ê evidente que não mesmo porque os ocupantes de tal cargo acabam por sensibilizar com a realidade objetiva do estrangulamento do. índio.' No mais. QS dados atuais mostram o horror que tal invasão significaria. Vejam vocês que a maior parle das tribos não conta com mais de 300 sobreviventes. No outro lado da história, qualquer pessoa que saiba o mínimo a respeito do assunto emende que uma companhia de mineração jamais envolve menos de 40o pessoas atuantes e bem armadas Isto não representa uma bela vantagem? No mais, é preciso não esquecer que nada menos de pedidos de invasão da área: indígena estão em andamento neste momento. Não são dados bastante claros a respeito do que isto significará? Se alguém ainda não advinhou, trata-se de um massacre exterminador.' A Uma fraude em discussão FERNÃO LARA MESQUITA AfínOÍ Não se trata mais de discutir se há ou não há marxismo na Teologia da Libenação. É o próprio Leonardo Boff quem o diz, em artigo publicado em 6 de abril de 1980, /io JB: "O que propomos não é teologia deturo do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da teologia". Também não cabe/n dúvidas quanto à incompaübilidaíie entre a missão de uma instituição que tem o espírito como alvo e como matéria-prima, e uma ideologia, um método de análise que se proclama materialista e ateu. Finalmente, não está em pauta o direito de indivíduos de escolher livremente a sua ideologia preferida. O que está em discussão, ao meu ver, é uma írauúe flagrante: a de tentar passar adiante as teorias de um estudioso da História um reles mortal, como todos nós desonesiameme acrescentadas de todo o peso e de toda a autoridade daqueles que, para milhões de latino-americanos, falam em nome do, nada mais nada menos, próprio Deus. Nós todos sabemos disso; dom Paulo Evaristo Arns sabe disso, o cardeal Lorscheider sabe disso, frei Leonardo Boff sabe disso. Quanto ao papa e à instituição que se chama Igreja Católica (a verdadeira, a de Roma), sua posição não podia ficar mais clara do que ficou com a publicação do documento em que aponta a existência de "nações inteiras (entre as quais aquela em que nasceu e viveu o próprio papa) mantidas em condições de escravidão indignas do homem" e que são "a vergonha do nosso tempo", como o resultado da aplicação das mesmas doutrinas que a "Teologia da Libertação" chama de "libertadoras". Mas acontece que todos estes senhores também sabem o quanto é valioso para a sua causa que eles continuem propagando a sua fé de dentro da Igreja, mesmo sabendo que a sua fé não é a mesma da Igreja, antes pelo contrário. E é por isto que se tem gasto todo o papel e tinta que se tem gasto numa discussão que, na verdade, não existe. Esta é uma antiga e conhecidíssima tática a que os marxistas dão o nome de JlQlllw desinformação. Tentarei extrair alguns fatos e declarações paralelos àqueles que se procura mostrar como centrais, do noticiário sobre esta acareação ou seja Ia como se queira chamá-la em nome da qual a Congregação para a Doutrina da Fé reuniu em Roma nosso "teólogo" Boff e os membros "padres" da ditadura sandimsta, entre outros. São detalhes ricos de sugestões. De modo geral, nota-se que não existe grande preocupação por parle dos adeptos da "Teologia da Libertação" em se defender das acusações que lhes são feitas. Toda a preocupação é no sentido de não desafiar frontalmente a orientação de Roma para não arriscar um rompimento que resultaria para eíes na perda de um poderoso escudo de proteção frente às "estruturas pecaminosas" (o capitalismo) que eles pretendem derrubar não só com a ameaça do "inferno" mas também com o recurso à violência armada, e de um poderosíssimo instrumento de difusão de sua "causa". Frei Boff. por exemplo, que dias antes assinou um documento escrito em São Paulo e publicado em Paris, fazendo, logo na aber- ^ tura, "um chamamento urgente (aospartidários da dita teologia' ) para fazer frente às últimas novidades da ofens.va fgnfo meu) do Vaticano" (pelo que, fica claro como, exatamente, ele considera o Vaticano), transformou-se, ao chegar a Roma, num poço de humildade: "Se a Santa Sé me proibir de escrever e fazer declarações oficiais, aceitarei sua decisão, mas continuarei a executar meu trabalho pastoral como sacerdote ' (grifo meu), disse ele ao Christian Science Monitor. Quer dizer: tudo bem, não produzirei mais teorias por enquanto, mas continuarei a divulgar as que já tenho, em nome de Deus. Sua declaração deu o tom das de todos os seus companheiros, que seria impossível citar aqui. Logo ali ao lado, outros "teólogos da libertação", desta vez

11 POLÍTICA. depuísprjá "libertados" onde, nai ralmente. todos os outros geólogos ou seguidores da teologia aprovada por Roma estão sendo perseguidos tendo agora, literalmente, em mãos, o nada desprezível poder temporal, já falavam num tom diferente: "Se o Vaticano insistir em sua posição (de proibir que padres assumam cargos em governos) escolherei uma redução temporária ao Estado leigo", dizia o "padre"ernesto Cardenal, ministro, como seu irmão, também "padre", do governo da Nicarágua, à revista (sandinista, é claro) El Tayacan, de Manágua. (Os sandinistas, como se sabe, não são tão tolerantes quanto o Vaticano à difusão de idéias diferentes das aprovadas pelo regime, em seu território...) Em resumo, a tática dos partidários da "teologia da libertação" consite no seguinte: "reiníerpretar" as orientações de Roma, sempre que possível; submeter-se a elas quando for inevitável; resistir somente quando a posição visada Já estiver conquistada. Exatamente do mesmo modo como agem os estudos marxistas em condições de conquistar países, com relação aos tratados internacionais... Por outro lado, a Já depauperada Igreja Católica não está em condições de arriscar perder a América Latina. Assim, Roma precisa da "Igreja da Libertação" do mesmo modo que a "Igreja da Libertação" precisa de Roma, pelo que, acredito, teremos de contar com as duas ainda por um bom tempo... Axé para a libertação FERNANDO GABEIRA Aqui nesse canto, discute-se assunto de muita gravidade em apenas 108 linhas de 37 batidas. O impulso inicial é o de dizer, simplesmente, que estou com a Teologia da Libertação e não abro. Tantas múmias de um só lado, hostilizando padres que fizeram uma opção pelos oprimidos. Já dariam o lastro emocional para nosso apoio. A Teologia da Libertação talvez penca utk pouco mais do que uma solidariedade ocasional. O problema que os padres colocam é, na realidade, a principal interrogação para um intelectual do Terceiro Mundo: o que fazer diante da miséria e da injustiça? Quando fui ao Nordeste e me inteirei da estória do Padre Cícero, obser\>ei, num dos meus artigos, que a existência de um milagre em Juazeiro, no fim do século passado, mexeu muno com a Igreja. Até então Nossa Senhora só aparecera na Europa, e Deus mesmo, apesar da decantada onipresença, era um fenômeno verificável apenas nos países colonizadores. Agora, os padres latinos são acusados de originalidade por terem incorporado ao seu pensamento o conceito de luta de classes, o que a maioria dos pensadores do século XX tiveram de fazer, de uma ou de outra maneira. No fundo, a originalidade de que são acusados consiste em integrar no seu instrumental de análise a genial constatação de um outro europeu: Karl Marx. Se o Vaticano faz todo esse auê em torno da luta de classes, é razoável esperar que o papa fique uma arara quando nossos padres, além da luta de classes (que é fundamental, etc.) aceitarem a existência de outros centros dinâmicos: a luta das mulheres, as batalhas raciais e étnicas, a questão ecológica. No caso do sexo, então, o papa pisou na bola, ao afirmar na Suíça que deveria ser feito, unicamente, com a perspecinv de reprodução. Aié onde estou mjormado. um único caiuluo ilustre teve a ousadia de criticar esta declaração do papa, aqui no Brasil: o psicanalista e poeta Hélio Pelegnno. Mesmo sem encontrar alguns temas modernos na Teologia RESENHA - 11 da Libertação, é preciso confessar que a obra de frei Leonardo Boff e seus companheiros não pode ser reduzida apenas a um novo compromisso com os pobres. No livro. Igreja, Carisma e Poder. Boff, às vezes upoiando-se também no trabalho de seu irmão Clodovis. fala com inteligência e em dição de vários pontos, no mínimo delicados: a importância do sincretismo, a questão democrática na própria Igreja Católica, as diferentes práucus teológicas. Talvez seja esse quadro, muito mais rico do que apenas a indispensável indignação com a injustiçu social, que tenha preocupado Ro/na. De repente, com 40% dos 784 milhões de católicos do mundo (proporção que tende a crescer), a América Latina acaba de concluir o processo de substituição de importações no campo da Teologia. Acho que o papa e o cardeal Ratzinger ainda não viram nada. Vivendo numa região do mundo com problemas muito cs pecíficos, somos condenados à originalidade. Quando os pa dres da Teologia da Libertação terminarem suas explicações em Roma, terão pela frente importantes interlocutores, no seu entender. São as centenas de seitas religiosas que, da Amazônia à Baixada Fluminense, enchem o Brasil de esperança num mundo mais Justo. O encontro da religião popular com seus intelectuais orgânicos pode resultar numa coisa completamente' nova. Esses milhares de fiéis entre outras vantagens não lêem o Osservatore Romano nem temem a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé. Tudo isso dependerá também da capacidade de se encontrar uma linguagem realmente próxima do povo, que rompa com os católicos também pelo inleleclualismo de seu discurso. Se um amplo encontro religioso acontecer no Brasil talvez se esboce a resposta para uma pergunta que atravessa toda a nossa história e tem a ver com a transformação do poder no Brasil. Pode ser que o simples impulso material não baste para lançar um povo na aventura da liberdade e que talvez o mundo seja mesmo um pouco mais complexo que os materialistas tenham pensado. Marx não dizia que a religião é o ópio do povo? O episódio teológico está provando que é preciso revisar a clássica idéia marxista da religião. Quanto ao ópio, quando o cardeal Ratzinger começar a implicar com as seitas do Acre, que utilizam lindamente a maconha e a auasca, teremos a oportunidade de fazer uma nova revisão do assunto.

12 12 - RESENHA POLÍTICA Esjurço meriluno, meu pouco promissor. Esta avaliação da luta pelas diretas-já, feita há poucos dias por Tancredo Neves não merece qualquer reparo em sua segunda parte. Quem acompanhou o pequeno drama do senhor Moacyr Dalla, presidente do Senado, tentando decidir se colocava ou não em votação a Emenda Theodoro Mendes, certamente percebeu que o es/orço é pouco promissor, para não dizer inútil. O núcleo do problema é de uma clareza meridiana: se a grande mobilização nacional de abril não foi suficiente para vencer as resistências militares e do malufismo. e se o acordo não foi possível nem mesmo através de uma emenda enviada ao Congresso, com pompa e circunstância^ pelo próprio presidente da República, serão melhores as chances agora? Do ponto de vista puramente aritmético, as chances são melhores, não há dúvida. A cisão do PDS e a formação da h rente Liberal são fatos consumados e ao que tudo indica irreversíveis. Mas há outras coisas em Jogo, além da simples contagem de possíveis votos a favor das diretas. A quatro meses da escolha entre Tancredo Neves e Paulo Maluf pelo Colégio Eleitoral, há inúmeras hipóteses e especulações que simplesmente refletem a instabilidade do processo sucessório indireto. A proposta de introdução do sistema parlamentarista, por exemplo, só é compreensível admitindo-se algum tipo de impasse entre o Governo e a oposição. Hu também a crença generalizada de que a candidatura Maluf não conseguirá decolar e que o Governo forçará sua renúncia. Nesie clima, surge a hipótese de que o próprio Governo poderia vir a patrocinar o retorno às eleições diretas, com outro candidato. O dilema dos que querem prosseguir agora a luta pelas diretas e, portanto, que sua proposta começa a produzir efeitos ambíguos, nivelando-se com essas especulações ou mesmo confundindo-se com posições puramente oportunistas. Tomern-se como exemplo os sinais de fumaça enviados pelo deputado Flávio Marcílio, candidato à vice-presidência na chapa do PDS, de que talvez se converta agora à tese das diretas. O deputado evidentemente receia ser lançado ao mar pelo senhor Paulo Maluf. Sua manobra é, pois, apenas uma tradição preventiva, urna ameaça de contra-ataque. Há também o estranho caso do governador de Santa 'Catarina.'senhor'Lsperídíão A min, queinsiste nas diretas-já, mas não descarta com suficiente ênfase a hipótese de vir a apoiar o senhor Maluf. E há, finalmente, o caso do PT e de outros setores da esquerda. BOLIVAfí LAMOUNIER- Bom, o caso do PT é mais complexo. Não se pode negar a sinceridade de Lula e dos adeptos do partido na campanha pelas diretas. Tampouco tenho a menor dúvida de que os deputados do PT acabarão comparecendo ao Colégio Eleitoral se houver a hipótese de uma disputa entre Tancredo e Maluf. Não assumirão o risco de elegerem, por omissão, o exgovernador de São Paulo. A dificuldade surge éjustamente na hipótese inversa, isto é, se continuar evidente o esvaziamen to da candidatura Malufe a vitória antecipada e por larga margem de Tancredo Neves. Nesta hipótese é válida a especulação de que o PT se beneficiará da vitória oposicionista, mesmo que. não a ajude. Por isto mesmo é que. sofrerá forte ^tentação para não ajudar, para diferenciar-se ainda mais do PMDB, e para capitalizar uma posição mais intransigente contra o Colégio Eleitoral com vistas às eleições de Não estou dizendo que esta é, no momento, a posição do PT, e sim que ela poderá ser vista desta maneira, e inclusive acusada de oportunista, se o partido inconscientemente levar água ao moinho dos que se empenham em desestabilizar a candidatura Tancredo Neves. A questão-chave, portanto, é a instabilidade do processo sucessório indireto, nos termos em que se acha configurado. Bem fez o pesidente Figueiredo em reafirmar seu compromisso com a legalidade, no discurso de Cuiabá. Afinal de contas, o Colégio Eleitoral é uma criação do regime que representa. É, no entanto, um mecanismo frágil, dada a preferência do País pelas eleições diretas, e ainda mais frágil à medida em que se vai tornando gritante a inviabilidade da candidatura Paulo Maluf. Neste clima de alta incerteza, não será fácil resistir à tentação de chegar às eleições diretas através de truques regimentais e manobras de última hora. A velocidade dos acontecimentos e a importância momentânea das personalidades po-' de ofuscar a questão mais básica, que afinal de contas é a da transição para a democracia, que supõe a alternância de partido no poder. A quem ainda interessa lutar pelas diretas-já Afinal A abenura brasileira, com suas incertezas, vacilações e, sobretudo, com seu gradualismo excessivo, desgastou quase todas as lideranças. Corremos, aliás, o risco de desgastar até mesmo o protocolo, as normas de simples cortesia que devem reger o convívio entre autoridades, como se viu em Brasília na comemoração do Sete de Setembro. A hora parece pois imprópria para improvisações de qualquer tipo. Ou chegamos a um acordo sério e solene, no qual o próprio presidente da República empenhe o que lhe resta de autoridade, ou será melhor marchar para a disputa nos termos em que ela está colocada: no Colégio Eleitoral. Maluf contra ' Tancredo Neves. ^

13 POLíTICA RESENHA - 13 Saída para a crise, diretas-já FOLHA DE S.PAULO iünlw TEODOHÜ MENDES AaiÍJ me parco; ni.n» miuacàlico rin nttósa íutura pauagem IMíIIICO do que privar-se o puro de ncolher de moiío direto o seu presidente " IJusirlino Kubisulu-k. S<-i,.idu hv dcral. 3/9/1961) Com visáo predestinaúva o expiesidente Juscelino, entãü senador pelo Estado de Goiás, parecia querer alertar a todos para a melancólica paisagem política que adviria de qualquer processo de escolha do mandatário máximo da Nagáo que negasse a participação popular através do voto direto e secreto. Os últimos vinte anos confirmaram essa antevisão. No intuito de oferecer à Pátria o nosso modesto trabalho parlamentar, animamo-nos a apresentar à deliberação do Congresso Nacional uma proposta de emenda constitucional que restituísse, ao povo, o sagrado direito de ser o arquiteto de seu próprio destino. Preocupava-nos, contudo, que o supremo magistrado da Nação viesse a ascender á Presidência da República sem o apoio da maioria absoluta dos eleitores que comparecessem às urnas. Constituindo-se o posso espectro partidário de cinco partidos poliucos e na hipótese de cada um deles lançar um candidato, correríamos o risco de, dada a divisão de votos entre todos, termos um presidente eleito por pouco mais ou menos trinta por cento dos votos. Assumiria o poder tendo contra si a vontade de cerca de setenta por cento dos cidadãos brasileiros. Inspirados no modelo francês fizemos iiicluir na nossa proposta a exigência de maioria absoluta de volos para que o candidato fosse considerado eleito. Não conseguida essa maioria de volos por nenhum dos candidatos, nova eleição se realizaria trinta dias após. Desse segundo turno de votação participariam apenas os dois mais votados no primeiro escrutínio, sendo considerado eleito o que obtivesse a maior votação. Da pauta da sessão do dia 25 de abril em que se discutiu e votou a emenda Danle de Oliveira, a nossa proposta se constituiu em item dois a estabelecer eleições diretas O presidente do Senado, Moacir Dalla, como presidente do Congresso Nacional, não poderá, jamais, eliminar, simplesmente um item da pauta que houvera sido elaborada. A prova disso está na certidão que obtivemos, logo após o 25 de abril, que esclarece, de maneira irretorquível, que nossa emenda só não foi votada naquele dia por haver-se esgotado o tempo regimental da sessão. E diz mais; que voltaria à ordem do dia a juízo da presidência do Congresso. A essa altura dos acontecimentos o presidente Figueiredo ameaçava retirar a sua emenda, o que, de falo, acabou acontecendo. O quadro político evoluía celeremente. A dissidência nos quadros governamentais aumentava o número de diretistas. No dia 30 de junho solicitávamos ao senador Dalla, através de requerimento subscrito por mais de uma centena de parlamentares, que fosse designada a data de 8 de agosto para a discussão e votação de nossa emenda. A presidência ao Congresso protelava a decisão. Para alguns aguardava-se a decisão do governador luncredo Neves sobre sua renúncia ao governo de Minas. Concretizada esta, o senador Dalla passou a levantar empecilhos regimentais improcedentes que acabaram sendo, por unanimidade, repelidos pela Comissão de Justiça do Senado Federal, que acolheu brilhante parecer do senador Hélio Queirós. O parecer foi conclusivo: não só a emenda pode, como deve ser votada, à vista do fato de que ficara truncada a sessão do dia 25 de abril. A Nação passou a exigir a votação de nossa emenda. O senador Dalla permanecia indeciso. As lideranças oposicionistas, inclusive o candidato Tancredo Neves reiteraram apelo no sentido de que fosse ouvida a voz da Nação. Passamos, a partir daí, a assistir à encenação de uma peça de baixíssima categoria que tinha como principa protagonista o simpático e cordial presidente do Congresso, senador Moacir Dalla. O auge da peça que seria cômica não fosse a alta dose de tragédia que continha, foi aquela pantomima do papelucho que entrava e saia do bolso do paletó do sr, Dalla, que fez rir milhões de telespectadores orasileiros. E, por fim, a decisão histórica"; emenda para o fim da fila. De repente, as luzes se apagaram, o artista deixou o picadeiro, retirou-se a lona; mas a latéia um.' vaiou o artista e a peca não esacreditou da arte. Como dizia Juscelirio, "a democracia é fruto de longa paciência e não há resultados a recolher imediatamente". A atitude do presidente Dalla. a par de se constituir em medida extremamente autoritária, afronta os dispositivos regimentais e constitucionais que regem a matéria. A decisão que fez com que nossa proposta de emenda constitucional retornasse ao fim da fila das que aguardam a ordem do dia é absolutamente incompatível com a própria índole da tramitação legislativa. Eis porque três ações judiciais estão sendo propostas, visando a compelir o presidente do Congresso a colocar em votação nossa emenda. Uma dessas ações tem como autora a deputada Bete Niendes; outra, o deputado Flávio Bierrenbach, e outra os deputados Dante de Oliveira, Artur Virgílio, Márcio Santilli e João Hermman Neto. As possibilidades de uma manifestação favorável da Justiça são muitq grandes Temos fundadas razões para crer no sucesso dos remédios jurídicos procurados por esses ilustres parlamentares. JK) Afora isso. há que se salienlaícífue nossa emenda diretas já não está morta. Pode ser usada a qualquer instante corno grande saída para a nossa crise política. E por mais paradoxal que pareça a irreversibilidade do favoritismo ao dr. Tancredo Neves no Colégio Eleitoral mais aproximará as diretas-já da realidade sucessória a ser constatada num futuro bem próximo, mais próximo do que muitos imaginam. TiOOORO MiNDIS é dapuiodo Içdarol (PMDB-SP) (o. v»r*odor prmímiloám Sorocobo (SP). Cronograma conspiratório Vésperas de 25 de agosto: o Ministério do Exército cancela o convite feito ao vice-presidente para as comemorações do Dia do Soldado; 25 de agosto: o general Válter Pires, em violenta ordem do dia, acusa os políticos que se afastaram da candidatura Maluf; 4 de setembro: o brigadeiro Délio Jardim de Matos, na presença de João Figueiredo, lé discurso, por esse anteriormente aprovado, no qual renova e agrava as acusações de Válter Pires; 7 de setembro: Figueiredo e seus ministros militares desacatam, de público, Aureliano Chaves a quem mantiveram isolado no palanque das autoridades, dutanle a parada da Independência, em Brasília; IO de setembro: tendose entrevistado, no Ministério do Exército, com Válter Pires, Moacir Dalla impede a votarão da emenda Dante de Oliveira: 12 de setembro: soo a orientação de Delfim.Veio, o Conselho Monetário altera, de novo e FOLHA UE S.PAULO profundamente, a política monetária e liscal, aumentando o desassossçgo dos setores produtivos, 13 de setembro: em Porto Velho, os oradores da cerimônia inauguratória da BR-364, fartamse no uso de expressões violentas contra as correntes oposicionistas e a dissidência do PDS; destacam-se, nos destemperos, Paulo Salim Maluf e o governador Júlio Campos, excedidos apenas pelo próprio João Figueiredo, no trecho improvisado de sua fala; 17 de setembro: os ministros militares, reunidos com o general-presidente, que aprazara ida a São Paulo para exames médicos de coluna, declaram-se avessos a qualquer nova transmissão do governo a Aureliano Chaves e, dizendo-se inquietos com as manifestações populares, em Goiânia, sugerem a decretação de estado de emergência; 17 de setembro: o apagado senador Moacir Dalla, divulga nota sobre entrevista com

14 14 - RESENHA POLÍTICA Figueiredo, durante a qual esse lhe J/,.///urd que a eleição de uancredo Seves 'ensejaia a deflagração de um processo de revanchismo jamais visto na história de nosso país, pois o cano.dho da Aliança Democrática não terá pulso nem cpndições de refrear a explosão revanchista dos grupos comprometidos com as esquvrü.í* o de iaeologia alienígena que o acompunnam e exercem influência no seu comporiamento de candidato'' 18 de setembro: o general Válter Pires t-ncamitma aos coiv.indos do Exército sua opinim favorável ao uso das chamadas "salvaguardas constituciona is ". Embora incompleta a lista acima e suficientemente esclarecedora e constitui o cronograma de un a conspiração grupai usando a arrastar, mais uma vez, as Forcas ikrmadas a um caminho de aventuras idêntico ao que as levou a sustentarem o Estado Aovo vurguism s ' Itiiros vinte anos de ai'oritzrismo. uue conduziram à maior degenerescéncia estatal de toda a era republicana, cristalizada, agora, na indicação oficial, para a Presidência, do homem que simboliza, nacionalmente, a malversação dos bens públicos, a concussão administrativa e o ativismo corruptor. Nada há de original nessa desatinada pressão dos desesperados que é preciso conter, pois a alternativa seria um processo de polarização incompatível com qualquer desfecho pacifico. De mal suportável, para os palacianos. Paulo Salim Maluf passou a mal necessário, até chegar, como agora, à posição de orientador estratégico e ideológico do governo, do qual certos ministros o consideram herdeiro e protetor indispensável. Por isso, fazem-se tantas notas egastam-se outras tantas mais. Newton Rodrigues A ordem do dia é malufar. Mas.., O enfraquecimento de Maluf leva os chefes militares ao desespero. Figueiredo ó pressionado e dá um susto na oposição José Carlos Bardawll Quando o presidente Joào Figueiredo se apressa a fazer declarações públicas contra os pretensos radicalismos da Aliança uposicionista que apoia a candidatura Tancredo Neves, fica muito clara a constatação de que o seu governo, nestes últimos dias, sofre a influência crescente dos chefes militares, Mais ainda: a cúpula da caserna está, certamente, muito excitada e inconformada diante da perspectiva de entregar o poder a um adversário político, o astuto moderado de oposição, Tancredo Neves. Para eles, isso eqüivale a admitir a pura c simples implosão do regime, embora, em determinados setores da pi ópna corporação militar, o nome dt Tancredo encontre algumas áreas de sustentação. De todo modo, os cheies consideram inaceitável essa hipótese. Declaradamente, por temerem o "revandmmo" que se instalaria no poder, a partir da ascensão de um Tancredo auxiliado por vasta gama de apoios que inclui, também, algumas áreas da esquerda clandestina. Pouco importa se essa alegação é usada apenas como pretexto. O certo é que ela produz fatos políticos. Particularmente, no Palácio do Planalto, onde o presidente, doente e titubeante, cada vez mais se agarra ao apoio dos "irmãos de farda" para chegar ao fim do seu governo. Tudo isso ficou demonstrado já na manhã da segunda-feira, 17. Nesse dia, Figueiredo chegou ao Palácio arrastando a perna direita e mostrando no rosto os efeitos de duas noites maldormidas. "Ele está com dores lancinantes, é a coluna", explicavam os seus auxiliares. Nem seria necessário: a cada um dos ministros que recebia naquela manha. Figueiredo confessava seu problema físico - e desculpava-se por não poder levantar-se, ou se movimentar, como desejaria - somente sentado não sentia as terríveis dores nas costas e nas pernas. Colocava-se ali um problema político dos mais delicados: e se Figueiredo tivesse de se ausentar do Palácio, para ser operado, ou, simplesmente para descansar por algum tempo, como tudo parecia indicar? Os palacianos discutiam a questão, quando ela, repenunamente, se tomou ainda mais complicada: os chefes militares desejavam uma audiência urgente com o presidente, para um debate dos últimos acontecimentos da sucessão, Há dúvidas se a cúpula miljtar já estava inteirada da pretensão de Figueiredo viajar a São Paulo, no dia seguinte, para fazer exames. Mas o assunto, certamente, constou da conversa que acabou acontecendo às 16h00, e se prolongou por pouco mais de uma hora. or toda parte, em Brasília, e especialmente nos gabinetes parlamentares, está muito viva, ainda, a lembrança do veto do Exército à posse do vice Pedro Aleixo, em Por isso, logo correram boatos sobre a iminência de um novo golpe, para impedir a chegada de Aureliano ao poder. Havia, até, quem figurasse a reação de Aureliano, um notório obsünado: ele não aceitaria o veto, iria ao Planalto em companhia do. ex-presidente Geisel, e ai... Os tempos, felizmente, são bem SENHOR imiw diversos daqueles de e os cheies militares sabem disso. Em reuniões internas, segundo fontes confiáveis, eles haviam decidido influir para que, de fato, Aureliano não assumisse o poder. Como? Simplesmente desejavam que Figueiredo não passasse o poder, ainda que fosse operado. Não aconteceu assim até nos Estados Unidos, recentemente, quando o presidente Reagan continuou presidente, mesmo convalescente de uma delicada operação provocada por ferimento a bala? Era o que argumentavam alguns graduados senhores. Concluíam: Figueiredo despacharia do hospital e tudo estaria resolvido. Mesmo porque sua recuperação, segundo se previa, stria rápida, não passando de uns de/ dias. E também porque a Constituição não exige o impedimento do piwkkntc, senão cm ^>"s espetum - crime de icsponsabilidade e perua das ; faculdades mentais. Mas, se a recuperação de Figueiredo demorasse, os chefes militares engoliriam a pílula Aureliano, como deixaram claro, em suas declarações posteriores, os ministros da Marinha, Alliedo Karam, e da Aeronáutica, Délio Jardim de Mattos. Este não foi, porém, o assunto fundamental da conversa a portas fechadas com Figueiredo, naquela tarde de segunda-feira. O que discutiram preferencialmente foi mesmo a sucessão e a campanha dos dois candidatos ao Colégio Eleitoral. Os ministros estavam inconformados com dois dados da rea-

15 POLÍTICA RESENHA - 15 lidade. Primeiro, com o sucesso do comício inicial da candidatura Tancredo Neves, em Goiânia. Segundo, com a deterioração da candidatura oliciai de Paulo Salim Maluf. Em Goiânia - alegaram os chclrs lindados - o comício loi marcado pelo ladicalismo, pela presença dos partidos clandestinos com suas bandeiras vermelhas, e pelas acusações violentas contra Maluf, chamado de "ladrão" e "coirupto" por vários oradores, entre os-quais o seu desaicto principal do momento, Antônio Carlos Magalhães. Isso, disseram Pires e seus colegas a Figueiredo, não deve ser admitido de nenhuma lonna. Foi então decidido o pionundamento que Figueiredo faria, contra os pretensos radicalis-. mos, por cadeia nacional. A discussão de lòrmulas mágicas, cap.ues de ressuscitar a combalida candidatura Maluf, também foi um tema dominante da conversa de Figueiredo com seus irmãos de larda. Eles chegaram à conclusão de que o governo precisa apoiar Maluí de uma forma mais eletiva. Tanto que o ainda combalido Figueiredo loi levado a uma'cadeia nacional de tevê, na noite de quarta, 19, para realinnar a lengalenga dos cheiês militares, desliando seu rancor contra os dissidentes e reclamando dos supostos "radicalismos" da oposição. Com esse pretexto, o governo é quem radicaliza.novas demissões são. esperadas para as próximas horas, além da que, já se coniirmou no inicio da semana, no 1AA - onde o coronel Conlúcio Pamplona terminou cedendo às pressões do novo ministro malulista da Indústria e Coméivio, Murilo Badaró, e apresentou pedido de exoneração, para ser substituído por um político nordestino indicado por usineiros nordestinos. Maluf espera que esse lance tenha sido apenas o começo da tempestade que arrostaria dos seus cargos todos os 200 ocupantes de posições governistas indicados, em outros tempos, pelos hoje dissidentes do PDS. Além disso, espera que a nova atitude do governo se traduza, - também, numa pressão maior sobre os governadores que continuam namorando a candida- tura Tancredo Neves. É curioso observar que esse lado da história absolutamente não preocupa o próprio Tancredo Neves. Ele está ciente de que as pressões sobre seus correligionários serão imensilicadas e também sabe cjue a caça às bruxas pode ganhar novas proporções daqui por diante., Mas considera esse lance ineficienif para o seu objetivo essencial, que seria o de ajudar a candidatura Maluf. Em conversas reservadas, Tancredo lembra que os perseguidos terão até mais motivos para apoiálo, depois das demissões. Quanto aos governadores, ele observa que uma ação contra eles nunca será tão eliciente assim, na medida em que aprofunda as próprias dissensões internas do Palácio do Planalto. Haverá na máquina do governo quem esteja disposto a pressionai um governador dissidente, mas também existirão os que o apoia- rão, apesar de tudo. De passagem por Brasília, na terça, 18, o governador pernambucano Roberto Magalhães deu um exemplo prático dessa situação ao informar que, ainda recentemente, recebeu do ministro Mário Andreazza verbas para o município de Olinda - um reduto oposicionista. Magalhães lembrou que essa é uma prova de "maturioade política", pois o povo não pode pagar as contas da desastrada candidatura Maluf. Tancredo Neves preocupa-se muito mais - e isso parece claro - com o envolvimento dos mlitares na sucessão, refletido no pronunciamento do presidente e nas acusações de revanchismo. Preventivamente, ele deu entrevista na terça, 18, tão logo sentiu os maus humores da caserna, reafirmando sua condição de nào-revanchista e negando qualquer acordo com a esquerda. A Ulisses quer compreensão da ^^ ^ s Rm0 esquerda; comunistas reagem ilfqlsh Ao comentar a fala do presidente Figueiredo, o presidente do PMDB, Ulisses Guimarães, afirmou ontem "confiar na compreensão" das organizações de esquerda que apoiam a candidatura Tancredo Neves, no sentido de evitarem atitudes "que venham a servir de pretexto" paia a quebra da normalidade do processo sucessório. Pouco antes, o deputado Haroldo Lima (PMDB-BA), vinculado ao PC do B (Partido Comunista do Brasil), demonstrou a disposição dessa organização de continuar comparecendo aos comícios com suas bandeiras e faixas, em proporção até maior, em certas cidades, que a exibida no comício de Goiânia.. O deputado Roberto Freire (PMDB-PE), ligado ao PC (Partido Comunista Brasileiro), também declarou que "os comunistas não vão se omitir dos próximos atos da campanha". Ulisses afirmou ainda que a Alian- ça Democrática não abrirá mão dos comícios pró-tancredo. "Não temos culpa se o PDS não pode realizar comícios e, quando por alguma circunstância reúne gente, o partido do governo é vaiado. Também não temos culpa pelo fato de o governo não haver escolhido melhor candidato." "Se o presidente Figueiredo faz declarações de que fora da democracia não há salvação, é preciso que as palavras correspondam aos fatos. Democracia pressupõe o direito de reunião que, entre outras manifestações, inclui os comícios. Não posso admitir que o Presidente, ao final do seu mandato, queira regredir à pior fase da repressão, quando, como anticandidato ã Presidência (1974), cheguei a participar de comícios com a presença de milhares de pessoas. Indagado se pretendia reunir a Executiva peemedebista para examinar o discurso do presidente da Republica e adotar providências. Ulisses disse considerar desnecessário qualquer reunião nesse sentido, observando: "Temos experiência de conduzir campanhas. Ja realizamos dezenas no País e isso nunca resultou em nenhuma radicalização, mas, ao contrário, em festas democráticas ' Haroldo Lima declarou que "a participação das organizações de esquerda nos comícios de Tancredo "constitui apenas um pretexto destinado a ressuscitar a indústria do anticomunismo", acreditando que 'ò PC do B não mudará sua orientação em conseqüência da fala presidencial. "" "Mais do que ninguém os órgãos de informação sabem que não representamos ameaça. Não temos força para tanto. Não podemos passar recibo de que somos ameaça à ordem públidâ'. Acho que em Goiânia as manifesta-' çôes foram até contidas e que ém outros Estados opde temos maior presença poderemos ter participação

16 16 - RESENHA POLÍTICA mais acentuaria nos comícios." * "" O deputajlo Roberto Freire preto»' rtu minimim a referência do Presidente ás bandeiras vermelhas dizeru' do que "isso náo tem 9 menier importância. Democracia se faz còrrt 1 plunpartidarísmo' E acrescentthi 1 : ''Os comunistas apoiam Tancred* Neves porque é uma candidatftfèl democrática. Por isso, náo vão»*» omitir nos próximos atos da campainha O povo brasileiro sabe 'que qualquer restrição aos comunista» seria uma ante-sala para a restri^&b atodososcidadác?"., i<^> O ex-presidente do PMDB de P-»- nambuco, Jarbas Vasconcelos, afifj mou que p pronunciamento presidem ciai "veio fora de tempo porquéfbí feita muito mais para refqrçat«i».ministro Délio Jardim de Mafósl (Aeronáutica) no seu discurso'w Bahia,do que para reagirão comle» de Goiânia". '^z-a 1 >nnu L«io no pôgino M^ulnt* moi» notkio* Mbf^^M rtoçitt 00 dltcurto do pnildont* FigutUfw quorto-foiro. I "V í A tensão no PMDB FOLHA DE S PAULO t4 q SH e o consenso dos generais HERMANO ALVES.. Kopòrttf do Socurwl d» 8ía»ilia Mi asta semana, o presidente João BajUsía Figueiredo exercia "de jure": o eomand(hem<hefe das Forças Armatià». Quando atendeu aos três ministros militares é foi á televisão dirigir advertências a Tancredo Neves èí & as oposições, renunciou "de, faoto^' a. essa posição, transformando.^, num delegado do Alto Comaõdfl, cçmo foram alguns dos seus aniegessores -^ em particular Artur. da k Çgsta e Silva e ISiqílio Garrastazu' Mádiêi. Esta é a impressão que prevalece num PMDB em clima de tensão, que galgou os píncaros com o comício de Goiânia a só não desceu aos abismos depois do pronunciamento do chefe de^estado, porque Tancredo Neves e Ulifèçs Guimarães (com a paciência de quem já viu tais coisas acontecerei&jjnles da eleição de Juscelino Kityiiffchek em mantêm o àrúmo nas fileiras. Alsvns dos políticos do PMDB e da Frente Liberal mais tarimbados assinmíkm que o general Castelo BrancojBtou O tempo todo, durante o seu governo, para que não o reduzissem ao-pgpel de "primus inter pares" de uma? Junta Militar. Seu governo cacâãterizou-se pela indisciplina dos coçgpéis dos Inquéritos Policiais Militares e pelos impulsos dominadores dogsseral Costa e Silva Efefe último, sem compreender as lições, que ele mesmo dera a Castelo, passou a agir como um delegado do autodenominado Poder Revoluciona' rio, o que significou ficar na virtual dependência dos radicais e "duras" das Forças Armadas em geral e do Exército em particular. A mesma coisa sucedeu com Média (o primeiro chefe de Estado brasileiro a ser escolhido por um Colégio Eleitoral formado por oficiais generais), que sempre procurou comportar-se como "one of the boys", encobrindo tudo que a rapaziada fazia. Foi Ernesto Geisel quem acabou com a festa ao perder a cabeça no duplo episódio das mortes de Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho. Ele mesmo demitiu por telex o general Eduardo D'AvUa Melo do 2" Exército, para a surpresa doe seus auxiliares mais imediatos, inclusive do chefe do SNI, João Batista Figueiredo. Esperavam os políticos que o general Figueiredo ao sucedê-lo fosse capaz de segurar a* rédeas com firmeza. Enquanto o general Gçlberi do Couto e Silva (que tinha um programa sucessório específico e um cronograma para a devolução da maior parte do poder aos civis) foi uma espécie de mentor e preceptor, Figueiredo imitou Geisel Mal Golberi voltou as costas, depois dos atentados contra a Ordem dos Advogados, o Riocentro e bancas de jornais, Figueiredo passou a inspirar-se em Mediei sem, reconheça-se, a paixão repressora que este último parecia ter. A tão celebrada e ameaçadora frase de Figueiredo, segundo a qual largaria tudo e mandava chamar o Váner (o general Válter Pires, ministro do Exército), já reconhecia, implicitamente, que o seu possível sucessor não era o civil Aureliano Chaves mas um general muito pior do que ele, membro daquilo que o marechal Odílio Denys chamava de "consenso dos generais" e que alguns erroneamente traduziam por conselho. Em pouco tempo, os ministros militares, o Alto Comando e a. Comunidade de Informações reconquistaram o terreno perdido para Geisel. As apreensões do PMDB são de dupla natureza. Em primeiro lugar, elas se apoiam nunu serie de fatos 'ocorridos neste 'trimestre militar' que termina a 27 de novembro fou íaivez a 13 de dezembro, aniversário do Ato Institucional n" 5), envolvendo o desconvite a Aureliano, os pronunciamentos agressivos e outros atos registrados com precisão pelo analista Newton Rodrigues em seu artigo "Cronograma conspiratório" ("Folha", 20 de Setembro, página 2). Em segundo lugar, com fundamento nas informações da revista "Veja " sobre um grupo militar terrorista, na explicação pouco convicente do Ministério do Exército, no precedente do Riocentro e, sobretudo, nas declarações do candidato Tancredo Neves e nas informações adicionais que ele diz possuir, o PMDB prepara-se para uma escalada de provocações, mando a impedir a vitória das oposições no Colégio Eleitoral a 15 de janeiro. Tais apreensões segundo políticos até da área do candidato Paulo Maluf justificam-se na medida em que, no pronunciamento de Figueiredo pela televisão, há dois pesos e duas medidas. A linguagem usada no comido de Goiás, da Aliança Democrática, não foi mais dura do que aquela que o PDS utilizou em anterior comício de Ma to Grosso. A alegada corrupção de íris Rezende por trazer gente de caminhão Ji sua Capital é insignificante diante do Relatório Saraiva e dos inquéritos sobre a Capemi, a Coroa-Brastel etc. E a primeira autoridade a ser desrespeitada nesta fase sucessória foi o vice Aureliano Chaves duas vezes, no episódio do desconvite e no "gelo" que lhe aplicaram no palanque de 7 de Setembro. Temem os oposicionistas que o presidente Figueiredo, enfermo, mal- -informado, isolado do resto do mundo e cercado por um grupo conspiratório, já tenha dado (mesmo sem intenção) o sinal verde para os.militantes da violência dessa direita terrorista a que se refere Tancredo e que, na realidade, sempre viveu e floresceu à sombra da comunidade de informações. Quanto ás bandeiras vermelhas com foices e martelos, que o MR-8 e o PCB costumam empunhar em comícios, podem desaparecer por ordem de Tancredo, que nada mudará. Se o que o "bunker" procura é um pretexto logo saberá encontrar outro. Afinal, Figueiredo, ex-chefe do SNI, sabe que entre PCB, PC do B. e MR-8. as esquerdas ditas revolucionárias neste Pais de 125 milhões de habitantes não reúnem 50 mil pessoas, entre militantes e simpatizantes. O problema é que o consenso dos generais de Brasília decidiu. Figueiredo acatou e agiu em conseqüênciai)

17 POLíTICA RESENHA - 17 Documento atribuído a militares é falso, confirma Átila FOLHA DE S.PAULO ÍUQlêl Da Sucursal de Brasília O porta-voz do Palácio do Planalto, Carlos Atila, confirmou ontem conforme denunciou a Folha" que o documento contendo sugestões de apoio à candidatura do deputado Paulo Maluf e atribuído aos quatro ministros militares "é falso: nenhum ministro militar entregou documento dessa natureza ao Presidente. Se aquilo foi estruturado para dar a impressão de papel oficial foi um trabalho mal feito", acentuou enfaticamente Atila. Disse ainda que "o documento i contém análise superficial e certas características que fazem com que ele náo pareça nem militar nem oficial. O nome do ministro Delfim está grafado errado; o Gabinete Militar é chamado de Casa Militar que é uma terminologia que não se usa há mais de 20 anos; várias vezes me menciona como porta-voz, que é algo que só a imprensa usa ninguém do governo me chama de porta-voz. O documento soa falso". Atila acrescentou que "em nenhum momento eu ouvi menção dentro do governo de que tivesse sido produzido qualquer documento. O ministro Délio Jardim de Matos, pelo que vi na televisão, disse que não tinha entregue nenhum documento para o Presidente. Eles tiveram uma reunião com o Presidente (segunda-feira) e me autorizaram a dizer publicamente que a reunião tinha sido para avaliar a situação política do País e é uma coisa perfeitamente natural que eles se reúnam com o Presidente para isso. Se eles tivessem entregue um documento para o Presidente, por que eles o negariam? Os próprios Oito anos depois, o ministro Delfim Netto e seus colaboradores da embaixada brasileira em Paris estão novamente no banco dos réus por causa do controvertido "Relatório Saraiva". A diferença é que, desta vez, não há mais qualquer réstia de mistério sobre o assunto. O coronel Raimundo Saraiva Martins, enfim, deu um completo depoimento sobre suas acusações aos ministros já disseram que não o fizeram". Indagado se a divulgação do documento teria algum "interesse oculto" por parte do seu autor. Atila respondeu: "Isso eu náo sei. Teria que se verificar a origem do documento, o que seria fator importante para poder avaliar o objetivo que ele tem". E depois de negar que o governo teme a iniciativa de qualquer investigação nesse sentido, concluiu: "Se alguma informação nesse sentido chegar ao conhecimento de qualquer órgão oficial, aí é diferente. Mas nós não estamos atrás disso não, porque não foi atribuída maior importância ao fato". BandeiruH "Não chegamos ao ponto de saudar as pessoas porque se propõem a Karam nega autoria do texto divulgado Do Sucursal de Brasília O ministro da Marinha, Alfredo Karam, respondeu ontem de forma irritada à pergunta sobre o documento supostamente elaborado pelos ministros militares estabelecendo o apoio ao candidato Paulo Maluf: "Não elaborei nenhum documento, não encaminhei ao presidente Figueiredo nenhum documento, e não posso me responsabilizar por um papel divulgado pelos jornais'. Karam fez a declaração após reunir-se durante uma hora com o chanceler Saraiva Guerreiro para E o Saraiva falou Em depoimento à CPI do Congresso, o ex-adido militar da embaixada brasileira em Paris, ao tempo de Delfim Netto, revela o conteúdo do "Relatório Saraiva" e incrimina o ministro e seus colaboradores por corrupção membros da CPI do Congresso que investigou, até a semana passada, a dívida externa brasileira. Falou, confidencialmente, numa reunião que acreditava sigilosa. Os parlamentares, porém, decidiram dar conhecimento público do depoimento, dada a sua importância para o esclarecimento dos fatos. Mais ainda: decidiram, também, estudar, com a máxima urgência. tratar de "assunto sigiloso", provavelmente a compra de armas fabricadas por Israel. O titular da Marinha foi enfático ao repudiar o documento, mas recusouse a comentar o momento político: "Não falo sobre política interna pois não sou 'expert' em política interna". O texto apócrifo classificado como "confidencial" foi distribuído por parlamentares malufistas no Congresso Nacional como sendo o documento que os ministros militares entregaram ao presidente Figueiredo, segunda-feira, para servir de base ao apoio oficial à candidatura Maluf. No rápido contato com os jornalistas, no palácio do Itamarati, o ministro disse também que ainda não decidiu sobre a sua visita oficial á Líbia, a convite do coronel Muamar Gadafí, e que somente viajará se o presidente Figueiredo autorizar. cumprir a lei." Esta foi a resposta do porta-voz ao ser informado da intenção do candidato da Aliança Democrática, Tancredo Neves, de proibir nos futuros comícios a presença de bandeiras de partidos clandestinos. E ironizou: "Retirar como? Então é ele que está colocando as bandeiras vermelhas?" Segundo Atila, o importante é assimilar que a postura do governo "está claramente definida no seu pronunciamento de ontem. Ele, em sua fala, deseja que o comportamento dos dois lados seja de forma equilibrada. O Presidente deseja que tanto oposição quanto situação devem chegar ao Colégio Eleitoral livres de pressão". A SENHOR yq/9m uma torma de responsabilizar, criminalmente. Delfim Netto e' sua equipe de colaboradores em Paris. Em principio, pensam formar um processo e enviá-lo ao exame do Senado, que, consütucionalmente, poderia levar o assunto adiante. O certo é que não pretpndem dçfjxar as coisas como até aqui estiveram - abafadas no armário dos assuntos incômodos para o gqyemo.

18 18 - RESENHA POLÍTICA Na opinião do deputado Almcai Furtado (PMDB-Paranà), fmfsi ciente da CPI, há pelo menoí "prova indiciaria" para justificar o f)rocesso contra Delfim e seu auxiiar de confiança, Vilar de Queiroz - os principais envolvidos no libelo de Saraiva. O julgamento - acrescenta - caberá, porém, ao Senado, até paia que não seja eie, Alencar, acusado de parcialistno no caso, dada a sua condição de ex-cassado pelo regime que tanto amou Delfim Netto ao longo desses uldmos 15 a- nos. Em todo caso, ainda que o processo, afinal, não caminhe, como costuma acontecer com as denúncias de corrupção apresentadas neste pais do carnaval, o trabalho dos investigadores da CPI terá, ao menos, o mérito de haver levantado a ponta do véu que cobria esse episódio escabroso da nossa história recente. wabe-se, agora, em que consistíu exatamente esse "Relatório Saraiva". Foi, na verdade, uma comunicação confidencial, transmitida em código para o Estado-Maior do Exército, no Brasil, pelo coronel Saraiva, a época adido militar da embaixada de Delfim em Paris. Isso aconteceu, segundo o coronel, poi volta do final de março de 1976, ou no inicio de abril do mesmo ano. No fim de abril, Saraiva ainda transmidu novos dados de esclarecimento de sua denúncia. Mas nunca obteve uma resposta formal ou estrita. Apenas dados orais de colegas da cúpula do Exército, pelos quais ficou sabendo que os seus comunicados acabaram indo parar na mesa do então ministro do Exército, Sílvio Frota. Até o depoimento prestado por Saraiva na quinta-feira, 6, não se sabia qual fora a participação exata, neste episódio, da senhora Marisa Tupinambá, então amante do hoje senador Roberto Campos. Agora, já se sabe, pelo depoimento do coronel, que ela, uma das secretárias da embaixada, apenas intermediou o encontro entre os diplomatas Guy Vasconcellos e Fernando Fontoura com o banqueiro francês Jacques de Broissia, que andava muito irritado com Delfim Netto e seu grupo, no final do ano de Broissia queria fazer acusações a Delfim, mas não pretendia apresentá-las à "arraia miúda" da embaixada. Exigiu de Vasconcellos e Fontoura a presença de "um adido militar", para apresentar seu libelo. Correram os três, os diplomatas e dona Marisa, até Saraiva, solicitando-lhe a marcação de um encontro com Broissia. Saraiva relutou três meses em marcar essa conversa, mas acabou aceitando a idéia. E ai se encerrou a panjapação de Marisa Tupinambá nessa nistória. O encontro com Broissia, acontecido em meados de abril de 1976, segundo lembra o coronel, foi a origem do "Relatório Saraiva". Pois o adido considerou tão importantes as revelações do banqueiro francês que passou por cima da hierarquia da embaixada e transmitiu as informações, codificadas, a Brasília. Em termos de carreira militar, foi sua ruína. Nunca passou de coronel, não chegando sequer a generalde-brigada, embora fosse homem da área de informações, com serviços prestados ao SNI. E, a partir dai foi visto sempre - como confessou aos parlamentares - como "um homem-problema", dentro c fora do Exército. Mesmo na sua atividade na empresa privada não conseguiu decolar - opinou -, devido ao seu envolvimento no caso. Apesar disso, recusou-se sempre a esclarecê-lo anteriormente, por fidelidade à corporação militar a que pertence. Só agora resolveu dar o depoimento porque, no próprio Exército, ouviu conselhos de que se devia defender das acusações que,, por sua vez, lhe tinham sido dirigidas, na CPI, pelo amigo dileto de Delfim, Vilar de Queiroz. Eis alguns trechos de seu longo depoimento: "Eu depositei a importância de seis milhões de dólares, em uma conta azul de um banco suíço, para o grupo do embaixador." "E quem deu essa importância para ser depositada?", eu perguntei. "Os fornecedores dos equipamentos para a hidrelétrica de Água Vermelha (...)" "Esses seis milhões de dólares, o que representavam do financiamento?" "Seis por cento." "Onde estão as provas desse ou desses depósitos?' "Estão no cofre do presidente do banco. Poderei mostrá-las se o presidente do banco autorizar (...) "Quem são os beneficiários desses depósitos em conta azul?" "É o grupo do embaixador." "A pessoa principal nessas exigências é o sr. vilar de Queiroz (...)" "Então, o embaixador está resguardado?" "Nâo, o embaixador está envolvido." "Como?" "Ele pede a presença de um funcionário do banco, às vezes, até do represen- tante do BCCF no Brasil; o embaixador manda que o emissário do banco procure determinada pessoa. Uma vez, essa pessoa estava em Londres. O emissário encontra-se com a pessoa indicada pelo embaixador. E o assunto era a liberação da comissão." No dia seguinte, lá no hotel onde estava a comitiva instalada, o ministro Shigeaki Ueki me aborda e diz: "Cel. Saraiva!" Eu não o conhecia, nunca tinha falado com ele, mas ele, com bastante amabilidade, disse: "Cel. Saraiva, o que o senhor relatou coincide com o que eu venho desconfiando." Eu não perguntei do que ele vinha desconfiando, nem ele disse. Mas só disse que coincidia. Disse mais: "O senhor fique certo de que nenhuma carta de intenções, nenhum documento será assinado na visita do presidente. Eu vou mandar um emissário aqui para assinar esse documento, mas ele utilizará a embaixada apenas como ponto de apoio do território nacional." Eu disse: "Mas esse emissário já não é dessa mesma turma, ministro?" Ele disse: "Não, não é. O meu emissário vai ser o presidente da Eletrobrás, o Antônio Carlos Magalhães." E, realmente, tempos depois, esse emissário chegou a Paris para assinar um documento de que não tomei conhecimento (...)" "E aí eu dizia que esses assessores afastaram os diplomatas, eles como que tomaram o lugar dos diplomatas. Os diplomatas desempenhavam as funções administrativas é eles faziam as negociações. E além de trabalharem de uma maneira, acredito, não normal. Porque eles não eram listados na embaixada, mas trabalhavam na embaixada. E tinham na rue des Champs um escritório montado não sei como. Eu nunca fui lá. Sabia só onde ficava, mas nunca fui ao escritório deles. Lá, eles tinham um escritório montado. Eles diziam que estavam ali pela amizade do emoaixador e não ganhavam nada do Brasil, não eram remunerados e trabalhavam sem remuneração, mas moravam muito bem lá em Paris e todos eles tinham um Mercedes parucular como transporte." 9

19 POLÍTICA RESEINHA liberal-entreguismo FOLHA DE S.PAULO /Ufl/íV O projeto de lei sobre informática, ora em tramitação no Congresso, coloca em evidência a controvérsia entre os defensores do liberalismo çconômico e do protecionismo embutido na reserva de mercado. E cada um ctos lados [combate ardorosamente as teses dos adversárias, dando a impressão que o dilema existe lealmente. No entanto, ele é falso, d Ainda esta semana, o ministro Murilo Badaró apareceu na televisão explicando o drama de possa indústria açucareira. O preço internacional anda em tomo dos quatro centavos de dólar por libra-peso, enquanto nossos custos de produção, aviltados pela miséria dos trabalhadores, chegam a dez centa vos por libra. Ou seja, as receitas de exportação mal cobrem um terço do que gastamos para produzir. ;';' Se estamos assim, pagando salários de fome, como andarão os produtores europeus? Eles vão ptuito bem, obrigado, embora seus custos de produção sejam pelo menos duas vezes maiores do que os nossos. Ê que os respectivos governos impedem o livre acesso de nosso açúcar ao inercado deles, para evitar a quebra da indústria local. Compram a produção interna, pagando um preço compensador, juntam com o açúcar importado, fazem um preço médio e distribuem para os consumidores. Com isto garantem, ao mesmo tempo, os interesses do capital doméstico, do nível de emprego e dos usuários.» A todo momento estamos vendo, na imprensa, a criação de sobretaxas pelo governo dos Estados Unidos sobre as importações proceden- tes do Brasil. Nosso aço está chegando lá a um preço inferior ao praticado pela siderurgia americana? Não tem problema: eles instituem um imposto para equalizar os preços de maneira a garantir que suas usinas continuem operando e seus trabalhadores não percam os empregos. 0 caso se repete com os calçados e todos os itens que ameacem as empresas locais com uma competição ruinosa. Tanto os governos europeus como os dos Estados Unidos estão absolutamente certos Eles existem para defender os interesses de suas nações, não os nossos. E por isso não perdem tempo em discussões a respeito de liberalismo econômico e protecionismo Se vislumbram qualquer possibilidade de prejuízo para os produtores internos, tomam imediatamente suas providências, sem ligar para GATT FMI e todas essas siglas de fancaria criadas para facilitara exploração dos trouxas. Isto é protecionismo, sim, e todos os países do mundo sao protecionistas. Só nas colônias existem defensores do liberalismo econômico que é o outro nome para a entrega dos mercados nacionaisà concorrência externa. O projeto governamental sobre informática é altamente protecionista, e as modificações que estão sendo introduzidas no Legislativo mantêm esse caráter. Mas já é hora de não ter vergonha ae defender nossos próprios interesses. Ruy Lopes PETRftTO JOÃO AMAZONAS DO BRAS/t Ruptura jadical com o sistema O lirasú iinemla de um iwvu regimi. de um novo governo, de (VHleúdo denfocrálico e popular, aplo: u realna' a* Iraiiijonnaíjei prcmmlti </ue te Jnem ttecniárias nu had." Militante pulütco há iü anoi.joào Amazonas luta alualmenle pela legaliíaçáa do PC au B A crise dos anos 80 é a maior, da historia do Pais. Não se compara à de , que afetou princioaimente o setor agrário. Embora apresente elementos conjunturais, sua, natureza é fundamentalmente estruturai. Venfica-se dentro de uma estrutura econômica atrasada e dependente, que lhe dá características próprias. Ela se manifesta subordinada aos interesses estrangeiros. O tipo de produção desenvolvido no Pais não está voltado para o progresso nacional. Predomina na economia o capitai alienígena a tal ponto que, sem o apoio desse capital, a máquina produtiva emperra. A situação agrava-se ainda mais com o endividamente externo, que, hoje, consome a maior parte dos valores produzidos pelo trabalho do nosso povo. A saidu da crise é problema complexo. Nos países capitalistas altamente desenvclviúcs, a solução se dá através do requerimento das empresas, com a anlicação de técnicas novas, ou seja, com a renovação (modernização) do capitai fixo. Na atualidade, poucos países conseguem fazer ess= moderniação, devido ao seu alto custo, o que determina, ao finai da,s contas, o reforço de sistema monopolista, concentrado em poucas mãos. No Brasil, onde a crise não é apenas cíclica.conjuntural, mas essencialmente estruturai, a saída exige um conjunto de medidas de profundidade, tendo em vista a mudança no caráter do desenvolvimento. É preciso passar de um desenvolvimento dependente para o desenvolvimento independente, estreitamente ligado aos interesses da Nação. Tais medidas teriam de ser: l?) a suspensão indefinida do

20 20 - RESENHA POLÍTICA pagameniü das dívidas externas e dos respeciivos juros; 2?) o redimensionamenio da economia brasileira apoiado num projelo nacional; 3?) a adoção de rigorosas providências contra a espoliação do Pais pelo capital estrangeiro; 4?) a reforma agrária; 5') melhor distribuição da renda, com o fortalecimento do mercado interno; e b") o rnipulsionamento do processo produtivo relacionado com as neces- sidades intrínsecas do crescimento seguro da economia brasileira. Paralelamente, impõem-sc medidas na esfera financeira e social tendentes a permitir, no curso da adaptação da economia, a expansão da produção e-a correção dos abusos e injustiças atuais que favorecem a corrupção e os exploradores privilegiados. Sc não se adotam tais medidas de fundo, a tendência será a continuidade da crise sob a forma da estagnação prolongada, com oscilações para mais ou para menos no nível de produção, assim como com o aumento da dependência do Brasil ao capital financeiro internacional. Falo em solução no âmbito da sociedade capitalista. Porque as crises só desaparecerão em definitivo com a superação da contradição fundamental do capitalismo - o caráter sócia! da produção e a forma privada da apropriação do que foi produzido. É óbvio que a superação da crise em que nos encontramos passa mevitavelmente pela saída política. O Regime Militar, que domina W 20 anos, é responsável cm grande parte pelo atual estado de coisas. Sua orientação econômico-sociaj abriu caminho para o crescente domínio imperialista no Brasil, propiciou o aparecimento dos múltiplos fenômenos negativos que se verificaram num amplo espectro da vida nacional. É impossível corrigir as deformações econômicas e financeiras sem abolir o sistema autoritário, sem destroçar a oligarquia que se estabeleceu tendo por base o poder político. O primeiro passo para vencer as dificuldades atuais é a ruptura radical com esse sistema. O Brasil necessita de um novo regime e de um novo governo, de conteúdo democrático e popular. Fala-se muito em saida de transição, que seria um compromisso entre o regime atual e as forças que se propõem buscar um cammno democrático. A transição, no caso, seria um governo de compromisso, Não resolveria os problemas que estão angustiado a sociedade brasileira c manteria sob outras formas a situação presente, u impasse prosseguiria. Pensados que se faz necessário um rápido período ^pós a ruptura com o sistema cm vigor que propiciaria um clima de efetiva liberdade, a liquidação de todas as leis arbitrárias, o amplo debate dos grandes problemas nacionais. Com a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte se procuraria formaliíar um regime moderno, de tssencia democrática, mas de conteúdo antumpenalista. anlilatifundiàrio, progressista Os comunistas orientados por uma doutrina revolucionaria desempenham um papel de primeiro plano no processo de libertação nacional e social brasileira. Embora se tenha chegado a uma grande confusão no movimento comunista a partir do 20 Congresso do PCUS, o marxismo-leninismo continua sendo a grande arma da luta pelo socialismo cientifico Não se pôde pensar em termos de repetir experiências mais avançadas o caminho para a construção de uma nova sociedade no Brasil. GIOCONDQD^S RETRPTO Dfl B(?(V9L N? 9 É preciso um governo forte "Não apoiado pelai baionelai. mas pela sociedade brasileira." Giocondo Liderou à oposição dos ángenles comuruslai a seu secreláno-geral, L.C Prestes, a quen subsuimu I. bíia pela Itgahuxcào du PCB A crise do Pais é muito profunda. Há setores da oposição que ao examinar essa crise se colocam como se houvesse uma cnse de dominação de classe, da dominação burguesa. Do ponto de vista da conceituaçào que nós temos não existe uma crise política em que os que dominam não podem continuar dominando e os dominados nao aceitem mais a dominação. Isso não há. No entanto há uma crise econômica e social séria, que se reflete, a meu ver, num dos aspectos mais sérios, que vai levar a mudanças - é a crise do regime.

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