UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO COPPEAD DE ADMINISTRAÇÃO FELIPE SALZER E SILVA MOBILE PAYMENT: DESAFIOS E PERSPECTIVAS

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO COPPEAD DE ADMINISTRAÇÃO FELIPE SALZER E SILVA MOBILE PAYMENT: DESAFIOS E PERSPECTIVAS RIO DE JANEIRO 2009

2 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO COPPEAD DE ADMINISTRAÇÃO FELIPE SALZER E SILVA MOBILE PAYMENT: DESAFIOS E PERSPECTIVAS Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação do Instituto Coppead de Administração, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito para a obtenção do título de Mestre em Administração de Empresas. Área de Concentração: Organizações, Estratégia e Sistemas de Informação. Orientador: Professor Dr. Antônio Roberto Ramos Nogueira. RIO DE JANEIRO 2009

3 3 Felipe Salzer e Silva MOBILE PAYMENT: DESAFIOS E PERSPECTIVAS Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação do Instituto Coppead de Administração, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito para a obtenção do título de Mestre em Administração de Empresas. Área de Concentração: Organizações, Estratégia e Sistemas de Informação. Orientador: Professor Dr. Antônio Roberto Ramos Nogueira. Banca Examinadora: Prof. Dr. Antônio Roberto Ramos Nogueira Instituto Coppead / UFRJ Prof. Dr. José Afonso Mazzon FEA / USP Prof. Dr. Nicolau Reinhard FEA / USP

4 4 Dedico este trabalho aos meus queridos pais, Elizabeth e Augusto, pelo exemplo que são como pessoas e por nunca terem medido esforços para me proporcionar todas as condições necessárias para meu desenvolvimento pessoal, acadêmico e profissional.

5 5 Agradecimentos A elaboração e conclusão do presente trabalho representam um momento muito importante em minha vida, principalmente, pelos desafios e dificuldades enfrentados ao longo desta jornada. Tenho certeza de que nada disso teria sido possível sem a colaboração de pessoas muito especiais, que em todos os momentos, fáceis ou difíceis, estiverem sempre ao meu lado, sempre dispostas a estender uma mão amiga, sem esperar nada em troca por isso. Assim, gostaria de agradecer à minha família: minha mãe Elizabeth, meu pai Augusto, meu irmão Fernando e meus sobrinhos Gabriela e Pedro, por representarem tudo que de mais importante tenho na vida! À Carol, o amor da minha vida, companheira inseparável, uma pessoa tão especial que espero poder viver o resto de minha vida ao seu lado! À minha querida família Kabbes por terem me adotado com tanto amor e carinho e pela visão de mundo que eles me proporcionaram 1. Aos meus verdadeiros amigos. São muitos! Mas não poderia deixar de mencionar algumas pessoas que realmente fizeram e ainda fazem muita diferença em minha vida. À Galera do Piriá: Edu, Mateus, Marcão, Renatim, Cristiano, Vandir, Fred, Moa, Piruca, Pedrim, Julim, Tiaguim, Carioca, Rodrigão e muitos outros que fazem essa família crescer cada dia mais. Aos professores, colegas e amigos do curso de Administração de Empresas, da Campe Consultoria Jr., do Departamento de Administração e do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (CRITT). A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) foi onde tudo isso começou! 1 Aan mij lieve familie Kabbes bedankt voor mij aangenomen met zoveel liefde en genegenheid en voor het wereldbeld dat ik heb door hun gekregen.

6 6 Aos amigos da Macroplan, onde os relacionamentos superaram a barreira profissional e uma verdadeira família foi formada. Ao Claudio Porto por ser o grande idealizar e realizador desta empresa incrível. Ao Aluisio pelos valiosos momentos de reflexão e inspiração. Ao Silveira por compartilhar de forma tão generosa seus conhecimentos. Aos meus tutores Alexandre, Gláucio, Léo e Renato Naegele pelas orientações, sempre coerentes e úteis. Aos meus companheiros de estrada Paulo, Daniel, Sandro e Cassol, por terem se tornado meus irmãos, permitindo que me sentisse sempre em casa, mesmo a quilômetros de distância. Aos amigos juizforanos que moram no Rio e que tornaram minha ambientação ainda mais fácil e divertida, em especial ao Thiagão, companheiro da República do Pão de Queijo, onde passamos momentos inesquecíveis na companhia de grandes amigos como Eduardo, Edim, Stefanio e muitos e muitos outros. Aos colegas do Coppead. Ao meu orientador Roberto Nogueira pela atenção e pelo apoio oferecidos. Aos demais professores pelos ensinamentos compartilhados. Aos funcionários pelo carinho com que sempre fomos tratados. Aos amigos de turma pelas alegrias proporcionadas! Às pessoas que contribuíram para a elaboração da presente dissertação. Ao Caio pela ajuda com o trabalho de revisão de literatura. Ao Marconi Laia pela orientação para utilização do NVivo. Finalmente, gostaria de agradecer a todas as pessoas que contribuíram para a realização do trabalho de coleta de campo, oferecendo dicas, sugestões e indicações. Em especial, quero agradecer aos varejistas de Juiz de Fora que disponibilizaram conhecimentos valiosos, forjados no desafio diário de gerir seus negócios em busca do sucesso, possibilitando, assim, enriquecer o referencial teórico pesquisado com a experiência oferecida pela prática.

7 7 Resumo O presente estudo procurou compreender o fenômeno de introdução da tecnologia de pagamentos móveis no Brasil, concentrando-se na identificação de fatores que influenciam sua adoção e utilização por parte do comércio varejista. Para isso, foram utilizados modelos consagrados de adoção de inovações, com o objetivo de embasar o levantamento empírico realizado. Como resultado, foi identificado que questões relacionadas a custo, conveniência e situação de uso podem contribuir para a adoção e utilização de meios de pagamento móveis, enquanto aspectos relacionados à segurança e confiabilidade, velocidade e visibilidade podem inibir a difusão deste tipo de inovação.

8 8 Abstract This study sought to understand the phenomenon of the introduction of mobile-payment technology in Brazil, focusing on identifying factors that influence their adoption and use by traders. For this, we used established models of adoption of innovations, with the aim of basing the empirical study conducted. As a result, it was reported that issues related to cost, convenience and use situation may contribute to the adoption and usage of mobile payment methods, while aspects related to safety and reliability, speed and visibility may inhibit the spread of this type of innovation.

9 9 Sumário 1 O PROBLEMA Introdução Objetivos do Estudo Delimitação do Estudo relevância do Estudo REFERENCIAL TEÓRICO Histórico de Desenvolvimento dos Meios de Pagamento Sistema de Pagamento de Varejo Instrumentos tradicionais de Pagamento de varejo Moeda Manual Cheque Cartões de Débito Cartões de Crédito Débito Direto Transferência de Crédito Situação Atual do Sistema de Pagamentos de Varejo no Brasil Desenvolvimento dos Sistemas de Pagamento de Varejo Inovação em Sistemas de Pagamento de Varejo Demanda por Novos Serviços Oferta de Novos Serviços Aspectos Legais e Regulatórios Meios de pagamento como mercados de dois lados Sistemas de Pagamento de Loop Fechado e Aberto Competição em Mercados de Dois Lados Mobilidade Características da Tecnologia Móvel O Setor de Telefonia Móvel no Brasil A Indústria de Meios de Pagamento móveis Atores Envolvidos Modalidades de Pagamento Móveis Pagamentos Móveis no Brasil Pagamentos Móveis no Mundo...59

10 Adoção de Novas Tecnologias Teoria da Difusão de Inovações Modelo de Aceitação de Tecnologias Teoria do Comportamento Planejado Modelo Teórico Proposto para o Estudo METODO DE PESQUISA Questões a serem Respondidas Tipo de Pesquisa Seleção dos Casos Estudados Seleção e Perfil dos Sujeitos Entrevistados Modelo de Coleta de Dados A Estrutura da Entrevista Modelo de Análise dos Dados Qualitativos ORGANIZAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS Organização dos Dados Codificação dos dados em nós livres Redução dos Nós livres em nós de árvore Análise dos Dados Características da Inovação Norma subjetiva Controle comportamental percebido Características individuais Intenção Comportamental Comportamento de uso CONCLUSÕES Considerações Preliminares Insumos Produzidos pela Análise dos Dados O que muda: quais as principais mudanças introduzidas pelo desenvolvimento das soluções de pagamentos móveis? Porque muda: quais as principais motivações para a adoção de meios de pagamento móveis?...149

11 Como muda: quais as principais oportunidades e desafios relacionados à introdução dos meios de pagamentos móveis? Oportunidades Desafios Verificação das conclusões a partir da confrontação dos pressupostos teóricos com as evidências empíricas CONSIDERAÇÕES FINAIS Contribuições para os Pesquisadores em Relação à Teoria Contribuições para os Pesquisadores em Relação ao Método Contribuições para os Profissionais da Área Limitações da Pesquisa Recomendações para Pesquisas Futuras REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Anexo A Roteiro de entrevista Anexo B Tabela completa dos nós livres criados Anexo C Tabela completa com o agrupamento dos nós livres em nós de árvore171 Anexo D Proposta de escalas para pesquisa quantitativa

12 12 1 O PROBLEMA 1.1 INTRODUÇÃO A indústria de meios de pagamento contempla os processos por meio dos quais fundos são transferidos de um agente pagador para um agente recebedor, diretamente ou via algum intermediário (Dahlberg e Oorni, 2007). Ao longo do tempo, diversos instrumentos foram desenvolvidos para facilitar a realização de transações financeiras entre as partes envolvidas. Nos últimos anos, o desenvolvimento de novas tecnologias tem ampliado a oferta de soluções para a realização de transações entre as partes envolvidas (BIS, 1999). Tais inovações propiciam o aparecimento de novos entrantes e podem alterar a configuração da rede de valor da indústria. As mudanças em curso também criam oportunidade para a introdução de meios de pagamentos móveis, mas também geram incertezas sobre seu impacto nos modelos de negócios tradicionais. Dentro deste contexto, surgem alguns questionamentos: O que muda: Quais as principais mudanças introduzidas pelo desenvolvimento das soluções de pagamentos móveis? Porque muda: Quais as principais motivações para a adoção de meios de pagamento móveis? Como muda: Quais as principais oportunidades e desafios relacionados à introdução dos meios de pagamento móveis?

13 13 Um melhor entendimento sobre estas questões podem oferecer indicações sobre possíveis desdobramentos futuros e suas implicações para os atores envolvidos. 1.2 OBJETIVOS DO ESTUDO O presente estudo tem como objetivo aprofundar o entendimento sobre os fatores que podem contribuir para o sucesso da introdução de novos instrumentos de pagamento baseados em tecnologia móvel. Dentro deste contexto, os requisitos necessários para a utilização de novos meios de pagamento serão avaliados junto a pontos de venda, uma vez que a opinião dos varejistas sobre o tema é importante para compreender os fatores que determinam a oferta de diferentes alternativas de pagamento. 1.3 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO Conforme será visto mais adiante, a indústria de meios de pagamento pode ser analisada a partir da perspectiva sugerida pela teoria de mercado de dois lados (Rochet e Tirole; 2004), uma vez que o objetivo de um sistema de pagamento é facilitar transações econômicas entre dois grupos distintos: consumidores e pontos de venda. Contudo, o número e a diversidade de publicações que abordam o desenvolvimento dos sistemas de pagamento móveis sob a ótica dos varejistas é significativamente menor do que o número de estudos que investigam o tema sob o ponto de vista dos consumidores (Dahlberg et al.; 2007). Desta forma, buscando suprir essa deficiência, o presente irá se concentrar no levantamento e análise da percepção dos lojistas em relação aos fatores que promovem ou inibem a difusão das tecnologias de pagamento móveis.

14 RELEVÂNCIA DO ESTUDO Os avanços tecnológicos testemunhados nos últimos anos possibilitaram o desenvolvimento de novos meios de pagamento, apresentando novas oportunidades e desafios, tanto para os atuais atores desta indústria, quanto para os novos entrantes que começam a surgir. Além disso, o desenvolvimento de alternativas de pagamento mais eficientes do que o papel-moeda também contribuiu para a redução do custo do dinheiro para a sociedade (Banco Central; 2005), maximizando a eficiência econômica e possibilitando o aumento do bem-estar da sociedade. Por estes e outros motivos a elaboração de estudos sobre o desenvolvimento da indústria de pagamentos se mostra oportuna e relevante (Mantel; 2000). Após esta breve introdução será apresentada, a seguir, a revisão de literatura realizada sobre o tema, de forma a identificar os conhecimentos existentes sobre o fenômeno a ser estudado.

15 15 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 HISTÓRICO DE DESENVOLVIMENTO DOS MEIOS DE PAGAMENTO O desenvolvimento dos meios de pagamento se confunde com a própria evolução dos sistemas econômicos ao longo do tempo. Segundo Rossetti (1993), os primeiros registros relatam o desenvolvimento de um sistema primitivo conhecido como escambo. Este sistema era baseado na troca dos excedentes das atividades econômicas por outros produtos e serviços. Entretanto, apresentava o inconveniente de depender da existência de necessidades inversamente coincidentes entre os envolvidos. Para superar tais dificuldades as sociedades economicamente organizadas passaram a recorrer aos meios de pagamento baseados em instrumentos monetários. Pinho e Vasconcelos (2002) sugerem que o advento deste sistema permitiria vender os excedentes de produção por uma determinada quantidade de moeda que seria utilizada, posteriormente, para a compra de outros produtos e serviços. Os primeiros sistemas de pagamento monetários surgiram com o emprego das chamadas mercadorias-moeda, utilizadas para viabilizar trocas indiretas. Com o passar do tempo, os metais se destacaram como os principais instrumentos monetários em virtude de suas qualidades econômicas e físicas, dando origem a um sistema que ficou conhecido como metalismo (Rossetti, 1993).

16 16 As dificuldades geradas pela necessidade de pesagem e avaliação dos metais a cada operação de pagamento foram superadas a partir do processo de cunhagem, dando origem à moeda simbólica. De acordo com Pinho e Vasconcelos (2002), as moedas cunhadas passaram a ter seu valor oficialmente marcados, facilitando as operações de troca, aumentando a confiança dos que recebiam e generalizando sua aceitação. Com a disseminação do uso da moeda, surgiram as primeiras casas de custódia que se responsabilizam pela guarda de moedas e, em contrapartida, emitiam certificados de depósitos. Com o tempo, segundo Pinho e Vasconcelos (2002), os próprios certificados de depósitos passaram a ser negociados como substitutos das moedas físicas. Segundo Rossetti (1993), as casas de custódia transformaram-se em casas bancárias, ao compreenderem que, dentro de certos limites, poderiam emitir notas bancárias a partir de uma simples operação de crédito e não em decorrência de um depósito em espécies metálicas. Assim, surgiram as primeiras formas de papelmoeda ou moeda fiduciária, que introduziram uma importante mudança nas instituições monetárias ao eliminarem a necessidade de lastro metálico, provocando a desmaterialização dos meios de pagamento. Apesar dos benefícios relacionados à utilização do papel-moeda, os riscos inerentes à sua utilização conduziram os poderes públicos a regulamentar o poder de emissão de notas bancárias. A atribuição das atividades emissoras aos Bancos Centrais e a reformulação das funções e da sistemática operacional do sistema bancário, aumentaram a confiança dos agentes econômicos (Rossetti; 1993).

17 17 As novas regras estabelecidas para o funcionando do sistema bancário passam a permitir também a realização de transações escriturais, que não envolvem a movimentação de dinheiro em espécie, sendo viabilizadas por operações contábeis, de débito e crédito, entre contas. Apesar de representar um avanço na forma de realizar as operações de pagamento, o primeiro instrumento escritural, o cheque, ainda era baseado em papel. Contudo, os avanços tecnológicos experimentados nas últimas décadas, permitiram o surgimento de instrumentos eletrônicos como os cartões de débito e crédito. Segundo Rossetti (1993), em virtude de sua maior segurança e facilidade de uso, a utilização de instrumentos escriturais se expandiu rapidamente, consolidando sua importância no desenvolvimento dos meios de pagamento. 2.2 SISTEMA DE PAGAMENTO DE VAREJO O sistema de pagamentos de varejo, também conhecido como sistemas de pagamento de baixos valores, pode ser definido como o conjunto de regras, instituições, mercados, instrumentos e contratos, que torna possível as transferências de baixo valor entre os agentes econômicos (Banco Central; 2003). De acordo com o Banco Central (2005), o conceito de pagamento de varejo está relacionado, principalmente, ao valor da transação e, em geral, envolve as seguintes características:

18 18 a) Grandes quantidades de transações, geralmente de valores individuais baixos e relacionados a compras de bens e serviços; b) Diversidade de instrumentos de pagamento, comparativamente com os de grande valor; e c) Uso intensivo de sistemas de propriedade do setor privado, sobretudo nas etapas de transação e de compensação. A forma e os meios utilizados para realizar pagamentos, sobretudo os de varejo, têm sofrido alterações significativas em todo o mundo. De acordo com o Banco Central (2003), o principal fator que impulsionou essas mudanças foi o rápido desenvolvimento da tecnologia da informação aplicada aos sistemas de pagamento. Seguindo esta mesma linha, o BIS (2006) sugere que os sistemas de pagamento de todo o mundo estão convergindo para um modelo de crescente utilização dos instrumentos eletrônicos de pagamento em substituição aos instrumentos de papel. As razões fundamentais dessa tendência são a maior eficiência e segurança que os instrumentos de pagamento eletrônicos apresentam se comparados aos em papel (Banco Central; 2003). 2.3 INSTRUMENTOS TRADICIONAIS DE PAGAMENTO DE VAREJO Os pagamentos de varejo são caracterizados por elevados volumes de transações e baixos valores médios movimentados (BIS, 1999). Segundo o FFIEC (2004), os usuários costumam utilizar meios de pagamento de varejo nas seguintes situações:

19 19 Compra de produtos e serviços: Pagamentos realizados à vista para a aquisição de produtos e serviços. Incluem pagamentos realizados por meio de vendedores (varejo tradicional), máquinas (vending machines) ou remotamente (internet ou telefone). Pagamento de contas: Pagamentos realizados por serviços e produtos adquiridos previamente. Podem ser pontuais, quitados em uma única parcela, ou recorrentes, realizado em uma determinada periodicidade, de forma contínua ou temporária. Pagamentos de pessoa para pessoa (P2P): Pagamentos realizados de um consumidor para outro. A maior parte destes pagamentos é realizada por meio de dinheiro em espécie ou em cheques, sendo que algumas transações também podem ser realizadas de forma eletrônica. Saques ou adiantamentos: Utilização de instrumentos de pagamentos de varejo para a obtenção de dinheiro em espécie. Normalmente, este tipo de transação é realizado em agências bancárias ou caixas automáticos. Na realização de pagamentos de varejo são utilizados diferentes tipos de instrumentos. Os mais comuns são moeda manual, cheques, cartão de débito, cartão de crédito, débito direto e transferência de crédito. A seguir serão detalhadas as principais características destes instrumentos.

20 Moeda Manual Os pagamentos realizados em moeda manual consideram transações realizadas em papel-moeda ou em moeda metálica. Em geral, este tipo de instrumento é utilizado em pagamentos de baixo valor, relacionados com as pequenas compras do dia-a-dia (Banco Central, 2008). Segundo o Banco Central (2005), a utilização de moeda manual apresenta benefícios exclusivos associados ao seu curso forçado, ao anonimato do pagador, a ausência de risco de crédito e a sua liquidação imediata, sem a interferência de intermediários Cheque O cheque é uma ordem de débito, em papel. Pode ser recebido diretamente na agência em que o emitente mantém conta ou depositado em outra agência, para ser compensado e creditado na conta de seu beneficiário. Em algumas situações, o cheque também pode ser entregue ao beneficiário para ser sacado em data futura, situação na qual ele funciona como instrumento de crédito. De acordo com o Banco Central (2005), por ser um instrumento utilizado há muito tempo, o cheque possui uma base legal e regulamentar bem desenvolvida o que representa uma vantagem na sua utilização e aceitação. Contudo, a utilização de cheque pode representar riscos ao seu recebedor caso o emitente não tenha fundos suficientes para cobrir o valor informado, se o cheque for fraudado ou, de alguma outra forma, inválido.

21 Cartões de Débito Os cartões de débito podem ser utilizados em caixas automáticos ou em pontos de venda que contam com máquinas apropriadas para a realização de transferências eletrônicas de fundos a partir do ponto de venda. Segundo o Banco Central (2008), o débito na conta do titular do cartão é normalmente feito no momento do pagamento, reduzindo o risco de inadimplência. Por sua vez, o crédito na conta do estabelecimento comercial é feito em determinado prazo, conforme o contrato estabelecido com a administradora do cartão. O cartão de débito é sempre emitido pela instituição financeira onde o usuário mantém sua conta e pode ser utilizado nos pontos de venda associados ao prestador de serviços de pagamento. A rede do prestador de serviço de pagamento, conhecido como adquirente, interliga, por meio de terminais de acesso, o ponto de venda ao banco emissor Cartões de Crédito O cartão de crédito é um instrumento de pagamento eletrônico de varejo que permite ao seu portador efetuar pagamentos de bens e serviços em pontos de vendas credenciados, além de permitir saques nos caixas automáticos da rede conveniada. Para tal, o portador dispõe de um limite de crédito para cobrir despesas de compras e saques em espécie até determinado valor.

22 22 O limite de crédito fica disponível para o portador do cartão por, geralmente, um mês. Ao final deste período, é emitida uma fatura onde estão demonstradas as despesas efetuadas. O usuário pode efetuar o pagamento de todas as despesas incorridas, sem a incidência de juros, ou optar pela quitação de um montante maior ou igual ao valor mínimo informado, financiando o restante até o vencimento da próxima fatura (Banco Central, 2005). Em geral, o cartão de crédito é adquirido junto a um banco que, por meio de parceria com as administradoras de cartões de crédito, realiza a sua venda, efetua a entrega ao portador, gerencia o crédito e faz a cobrança das faturas Débito Direto O débito automático em conta, ou débito direto, é normalmente utilizado para pagamentos recorrentes, isto é, pagamentos que observam certa periodicidade, tais como os referentes aos serviços de água, luz e telefone. Trata-se de um instrumento com o qual o cliente autoriza seu banco e a empresa contratante do serviço de débito direto a realizar débitos automáticos e periódicos em sua conta de depósitos. Esse instrumento é amplamente utilizado em diversos países, sobretudo devido à sua alta eficiência no que diz respeito à comodidade para os clientes e ao baixo custo para o sistema bancário (Banco Central, 2003).

23 Transferência de Crédito No Brasil, segundo dados do Banco Central (2005), a utilização das transferências de crédito como meios de pagamento incluem as Transferências Eletrônicas Disponíveis (TEDs), os Documentos de Crédito (DOCs) e os bloquetos de cobrança. O DOC e a TED são normalmente utilizados nas transferências de fundos entre titulares de contas de depósito nas instituições financeiras. A utilização do Bloqueto de Cobrança pressupõe a existência de uma relação comercial entre os clientes envolvidos na transação. O pagamento por transferência de crédito pode ser realizado nos caixas das agências bancárias, em máquinas de atendimento automático ou pela Internet. 2.4 SITUAÇÃO ATUAL DO SISTEMA DE PAGAMENTOS DE VAREJO NO BRASIL A utilização dos meios de pagamento de varejo no Brasil é acompanhada pelo Banco Central, a partir de dados coletados junto às instituições financeiras e aos prestadores de serviços de pagamentos. A análise destes dados sobre pagamentos não em espécie pode revelar importantes características do mercado de pagamentos brasileiros. Em relação ao total de transações realizadas, houve um aumento de 53% nos últimos 5 anos. Neste mesmo período, apenas o cheque apresentou redução em sua utilização, na ordem de 37%. O instrumento que apresentou a maior taxa de crescimento foi o cartão de débito, com um aumento de 277%.

24 24 Tabela 1 Quantidade de transações realizadas (milhões) Instrumentos de Pagamento % a 2007 TACC a 2007 Cheque % -8,8% Cartão de débito % 30,4% Cartão de crédito % 17,4% Débito direto % 14,3% Transf. crédito interbancária % 12,2% Total % 8,9% Nota 1: Cheques com liquidação interbancária. Nota 2: = % = Variação percentual Nota 3: TACC = Taxa anual de crescimento composto (da sigla em inglês CAGR = Compound annual growth rate). Fonte: Banco Central do Brasil (2007) O forte crescimento apresentado pelos cartões de crédito e débito o status de instrumentos mais utilizados no Brasil em Tal percepção pode ser confirmada pela quantidade de transações per capta, conforme apresentado na tabela 2. Tabela 2 Quantidade de transações realizadas por habitante Instrumentos de Pagamento % a 2007 TACC a 2007 Cheque % -10,0% Cartão de débito % 28,8% Cartão de crédito % 16,0% Débito direto % 12,8% Transf. crédito interbancária % 10,8% Total % 7,8% Nota 1: Cheques com liquidação interbancária. Nota 2: = % = Variação percentual Nota 3: TACC = Taxa anual de crescimento composto (da sigla em inglês CAGR = Compound annual growth rate). Fonte: Banco Central do Brasil (2007) O gráfico 1 apresenta a participação relativa de cada instrumento de pagamento e confirma a perda de representatividade do cheque que respondia por 45,9% do total de transações em 2002, enquanto que, em 2007, esse percentual ficou abaixo de 19%. Já a participação dos cartões de débito e crédito subiu de 28,8% em 2002 para mais de 50% em 2007.

25 25 A representatividade dos pagamentos eletrônicos, que incluem as transações realizadas por meio de cartões de débito e crédito, débitos diretos e transferências de crédito interbancárias, cresceu de 54,1% para 81,1% nos últimos 5 anos. Gráfico 1 Quantidade de transações realizadas (%) 46% 28% 19% 9% 22% 19% 9% 11% 17% 20% Cheque Cartão de débito Cartão de crédito Débito direto Transf. crédito interbancária Fonte: Banco Central do Brasil (2007) A análise dos valores transacionados revela a importância dos instrumentos de pagamento não em espécie, responsáveis pela movimentação de R$ 6,2 trilhões em 2007, representando um aumento de 44% nos últimos 5 anos. Considerando o volume de recursos movimentados, os instrumentos mais importantes passam a ser a transferência de crédito interbancária e o cheque. Tabela 3 Volume de recursos movimentados (R$ bilhões) Instrumentos de Pagamento % a 2007 TACC a 2007 Cheque % -8,3% Cartão de débito % 32,9% Cartão de crédito % 22,9% Débito direto % 18,5% Transf. crédito interbancária % 13,2% Total % 7,5% Nota 1: Cheques com liquidação interbancária. Nota 2: = % = Variação percentual Nota 3: TACC = Taxa anual de crescimento composto (da sigla em inglês CAGR = Compound annual growth rate). Fonte: Banco Central do Brasil (2007)

26 26 De acordo com os dados apresentados no gráfico 2, pode-se perceber também um movimento de substituição do cheque pela transferência de crédito interbancária ao longo do período analisado. Este comportamento reforça a importância dos instrumentos eletrônicos no mercado de pagamentos brasileiro. Gráfico 2 Volume de recursos movimentados (%) 76% 59% 37% 17% 0% 1% 2% 3% 2% 3% Cheque Cartão de débito Cartão de crédito Débito direto Transf. crédito interbancária Fonte: Banco Central do Brasil (2007) A diferença na participação relativa entre os dados referentes as quantidade de transações realizadas e ao volume de recursos movimentados pode ser explicada pela análise dos valores médios transacionados por cada instrumento, conforme apresentado na tabela 4. Tabela 4 Valores médios movimentados (R$) Instrumentos de Pagamento % a 2007 TACC a 2007 Cheque % 0,5% Cartão de débito % 2,3% Cartão de crédito % 4,7% Débito direto % 3,8% Transf. crédito interbancária % 0,8% Total % 1,0% Nota 1: Cheques com liquidação interbancária. Nota 2: = % = Variação percentual Nota 3: TACC = Taxa anual de crescimento composto (da sigla em inglês CAGR = Compound annual growth rate). Fonte: Banco Central do Brasil (2007)

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