PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO PNE ( ): ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

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1 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO PNE ( ): ALGUMAS CONSIDERAÇÕES JOÃO ZANARDINI - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ UNIOESTE- CAMPUS DE CASCAVEL

2 A RELEVÂNCIA POLÍTICA DO PNE; Constituição Federal de 1988; Lei de Diretrizes e Bases de 1996 LDB 9394/96; Plano Nacional de Educação; Respaldado na LDB, fixa os objetivos, os meios e as condições de planejamento por meio dos quais o poder público coordena os esforços da nação no campo educativo. O PNE resulta, portanto, mais importante do que a própria LDB. (SAVIANI, 2007, p. 160)

3 TAREFA POLÍTICA EDUCACIONAL: Aprovação do novo PNE com vigência de 2011 a 2021; Situação: O PNE PL 8035/10 (20/12/2010) aguarda parecer na Comissão Especial da Câmara dos Deputados; Apresentação do relatório foi adiada em 22/11/11 para mais 5 sessões da casa; CONSTITUIÇÃO DO PNE EM TRÂMITE: 14 páginas; 20 objetivos; 170 estratégias; Já sofreu a sugestão de propostas de emendas;

4 CONSIDERAÇÃO HISTÓRICA: Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. (MARX, s/d, p. 203) Final da década de PNE proposta da sociedade brasileira - 10Fev98, apresentado à Câmara dos Deputados como Projeto de Lei o Plano Nacional de Educação: proposta da sociedade brasileira, aprovado no II CONED; PNE do governo janeiro de em 12Fev98, o governo enviou sua proposta de PNE ao Congresso; O SEGUNDO FOI TRATADO COMO PRIORIDADE DE EXPEDIENTE E VIROU LEI: Lei n.º COM VIGÊNCIA DE 2001 A 2011.

5 O QUE DITAVA O PNE ( ) e O QUE SE MATERIALIZOU 295 Metas; 100 páginas; - principais: - Destinação de 7% do PIB nacional para a educação; - A erradicação do analfabetismo; - Combate à evasão escolar; - Ampliação do acesso ao Ensino Superior;

6 -INEQUÍVOCA CONSTATAÇÃO DE FRACASSO - 2/3 DAS METAS NÃO FORAM CUMPRIDAS: Taxa de analfabetismo continua alta 9,7% em 2010 contra 13,6% em 2000 No Uruguai, na Argentina e no Chile as taxas variam de 2% a 4%; - - -A evasão escolar aumentou entre 2006 a 2008 o índice passou de 10% para 13,2%, a meta era reduzir 5% ao ano; -Apesar de relativos avanços, o número de jovens no Ensino Superior segue baixo, 14,4% em 2009, a meta era chegar a 30% dos jovens. -Alguns exemplos: -Na Argentina 40%, no Chile 20,6%, Venezuela 26% e Bolívia 20,6% ; -A meta do PNE era ofertar 40% das vagas do Ensino Superior na rede pública. Em 2002 o índice era de 29% e em 2010 é de 25%. -Desigualdade de acesso ao Ensino Superior: -5,6% dos jovens que tem rendimentos mensais per capita de ½ a 1 salário cursam o Ensino Superior; -Para os jovens da faixa de 5 salários mínimos ou mais, 55,6% cursam o Ensino Superior;

7 QUANTO AO INVESTIMENTO:

8 O NOVO PNE: O que deveria ser o investimento anual desde 2001 é a meta para % do PIB nacional contingenciado em 10 anos; Disposição contrária ao estipulado na CONAE Investimento imediato de 10% do PIB em educação; O objetivo de incluir 30% dos jovens de 18 a 24 anos no Ensino Superior em 2010 virou 33% para 2020; A erradicação do analfabetismo e o atendimento das crianças de 0 a 3 anos na Educação Infantil também ficaram para 2020; Não há citação no projeto sobre a garantia de oferta de 40% das vagas no Ensino Superior em Instituições públicas;

9 A CONTINUIDADE DO USO DO QUE DEVERIA SER PALIATIVO : Expansão do FIES para educação profissional e para a pósgraduação. Texto do PNE : Meta 12. Estratégia 12.6 Expandir o financiamento estudantil por meio do Fundo de Financiamento ao estudante do Ensino Superior - FIES, de que trata a Lei nº , de 12 de julho de 2001, por meio da constituição de fundo garantidor do financiamento de forma a dispensar progressivamente a exigência de fiador. Meta 11. Estratégia 11.6 Expandir a oferta de financiamento estudantil à educação profissional técnica de nível médio oferecidas em instituições privadas de educação superior. Meta 14. Estratégia 14.3 Expandir o financiamento estudantil por meio do Fundo de Financiamento ao estudante do Ensino Superior - FIES, de que trata a Lei nº , de 12 de julho de 2001, à pós-graduação stricto sensu, especialmente ao mestrado profissional.

10 PROPOSIÇÃO DESMEDIDA: Texto do PNE : Meta 12. Estratégia 12.3 Elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais nas universidades públicas para 90% (noventa por cento), ofertar um terço das vagas em cursos noturnos e elevar a relação de estudantes por professor para 18 (dezoito), mediante estratégias de aproveitamento de créditos e inovações acadêmicas que valorizem a aquisição de competências de nível superior. Não trata-se de um número muito alto? no Brasil essa média é hoje 60%. Nos Estados Unidos, essa taxa é de 66%, na Suécia 48%; o único país do mundo cuja taxa de diplomação é aproximadamente 90% é o Japão, que tem condições culturais e econômicas bastante distintas das nossas. Questão: Essa meta facilitaria o caminho para políticas de aprovação automática e incentivaria a implementação de cursos de menor duração?

11 MESTRADO E DOUTORADO À DISTÂNCIA: Texto do PNE : Meta 14. Estratégia 14.4 Expandir a oferta de cursos de pós-graduação stricto sensu utilizando metodologias, recursos e tecnologias de educação à distância, inclusive por meio do Sistema Universidade Aberta do Brasil- UAB. -Falsa idéia de que a educação à distância é mais barata do que a presencial; -Relativização do investimento necessário para sua implementação; -Desconsideração da falta de debates em torno da sua viabilidade enquanto política de Estado para a educação; - A comparação neste aspecto entre o novo PNE e o antigo revela as diferenças entre ambos, no PNE , o tema do ensino à distância era tratado no marco do uso de tecnologias para a aprendizagem ressalvadas explicitamente que as mesmas não deveriam substituir a relação aluno professor: A televisão, o vídeo, o rádio e o computador constituem importantes instrumentos pedagógicos auxiliares, não devendo substituir, no entanto, as relações de comunicação e interação direta entre educador e educando.

12 O NOVO ENEM COMO VESTIBULAR NACIONAL: Texto do PNE : Meta 3. Estratégia 3.3 Utilizar exame nacional do ensino médio como critério de acesso à educação superior, fundamentado em matriz de referência do conteúdo curricular do ensino médio e em técnicas estatísticas e psicométricas que permitam a comparabilidade dos resultados do exame. -Escamoteia a real necessidade do vestibular; -Não problematiza a dificuldade de acesso ao Ensino Superior; -O tema carece de maior discussão: - Em que medida não pulveriza a concorrência dado seu caráter relativamente regional ;

13 PARA REFLETIRMOS: * Investir desde já 10% do PIB na educação implicaria em um aumento dos gastos do governo na área em torno de 140 bilhões de reais; O Tribunal de Contas da União acaba de informar que só no ano de 2010 o governo repassou aos grupos empresariais 144 bilhões de reais na forma de isenções e incentivos fiscais; Mais de 40 bilhões estão prometidos para as obras da Copa e Olimpíadas; O Orçamento da União de 2011 prevê 950 bilhões de reais para pagamento de juros e amortização das dívidas externa e interna (apenas entre 1º de janeiro e 17 de junho deste ano já foram gastos pelo governo 364 bilhões de reais para este fim). Fonte: TCU _ Tribunal de Contas da União

14 PRIORIDADES DE GASTOS DA UNIÃO:

15

16 CONCLUSÃO: -Para se quebrar o círculo vicioso histórico de termos uma educação fraca, a questão de ordem é PRIORIDADE SOCIAL e POLÍTICA Nº1 da agenda INVESTIMENTO, elevando a educação como nacional. -ABANDONAR a racionalidade financeira -ADOTAR a racionalidade social, isto é, o uso adequado dos recursos para realizar o valor social da educação.

17 REFERÊNCIAS: ANDES,. InformANDES informativo nº 1. Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior ANDES/SN. Brasília, julho de InformANDES informativo nº 3. Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior ANDES/SN. Brasília, outubro de ANPED. Por um Plano Nacional de Educação ( ) como política de Estado. Rio de Janeiro. Armazém das Letras Gráfica e Editora Ltda BOLLMANN, M. da G. N. Revendo o Plano Nacional de Educação: proposta da sociedade brasileira. Educação e Sociedade, Campinas. V.31 n.112 p julset MARX, K. O 18 Brumário de Luiz Bonaparte. In.: Karl Marx e Friedrich Engels Obras escolhidas. Editora Alfa e Omega. São Paulo. s/d. SARAIVA, C. Novo PNE: uma sistematização da contra reforma do ensino superior. CSP-Conlutas Central Sindical e Popular. Disponível em: cspconlutas.org.br/2011/08/texto-formacao-setorial-educacao-novo-pne-uma-sistematizacao-da-con. Acesso em novembro de 2011 SAVIANI, D. Da nova LDB ao FUNDEB: por uma outra política educacional. Campinas, Autores Associados, 2007.

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