Criação de recursos de aprendizagem, distribuidos num LMP

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3 RESUMO Com o acesso generalizado das escolas às novas tecnologias de informação, nomeadamente à Internet de banda larga, torna-se pertinente adequar as práticas pedagógicas a essas tecnologias. Esta dissertação vai focar, principalmente, os recursos de aprendizagem electrónicos a serem construídos, numa perspectiva construtivista do conhecimento pela resolução de problemas, de forma a tirarem o melhor partido da utilização das tecnologias na prática pedagógica. Para tal, serão analisados vários modelos de planeamento e desenvolvimento de cursos e serão comparadas taxionomias de especificação de objectivos da instrução formas de estruturar conteúdos, tendo em conta modelos de motivação do aluno, princípios de instrução, actividades de aprendizagem e sistemas de avaliação. Será também descrito o protótipo elaborado, disponibilizado e avaliado, aos alunos do 9º ano da Escola Secundária da Cidadela, na disciplina de TIC Tecnologias da Informação e Comunicação, bem como o LMP (Learning Management Plataform) utilizado. Finalmente serão analisados os resultados obtidos da avaliação de todo este processo, tirando as conclusões possíveis. PALAVRAS CHAVE Recursos de aprendizagem, LMP, Construtivismo, TIC, Internet, Objectos de aprendizagem, SCORM, E-learning III

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5 ABSTRACT The generalized access of schools to the new information technologies, namely to wide band Internet, has made even more important to adapt pedagogies practices to technologies. This dissertation will focus mainly on the electronic learning resources that can be built from problems resolution so as to optimise the use of technology on the pedagogical practice. This approach is based on a constructivism perspective of knowledge. In order to do so, several planning and development models of training courses will be analysed. Taxonomy specification of educational objectives will be compared, as well as ways of structuring contends regarding students motivational models, instruction principles, learning activities and evaluation systems. Moreover it is described the prototype produced implemented and evaluated on the Cidadela secondary school to the 9th grade students of the information and communication technologies (TIC) discipline. The learning management platform used is also presented. Finally, the results achieved on the process evaluation will be analysed and all possible conclusions taken. KEYWORDS Learning resources, LMP, Constructivism, TIC, Internet, Learning Object, SCORM, E-learning. V

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7 AGRADECIMENTO Para o meu orientador, Prof. Doutor Carlos Costa, pela disponibilidade permanente, pela orientação e acompanhamento realizado. Para a minha irmã Patrícia Gonçalves, os meus amigos Manuela Cabanas e João Paulo Costa, pelo interesse, companheirismo e colaboração constante ao longo deste trabalho. Para os meus alunos que tão gentilmente aceitaram participar neste trabalho e que, sem eles, não teria sido possível ser realizado. Para o meu marido e família por todo o apoio que me prestaram. VII

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9 INDICE RESUMO III PALAVRAS CHAVE III ABSTRACT V KEYWORDS V AGRADECIMENTO VII LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS XI 1. INTRODUÇÃO Enquadramento Objectivos Problemas Motivação e Importância do Trabalho Resumo da Metodologia Utilizada Estrutura da Dissertação 9 2.RECURSOS DE APRENDIZAGEM DISPONIBILIZADOS NA INTERNET Enquadramento Teoria da Aprendizagem Construtivista Modelos de Planeamento e Desenvolvimento de Instrução Análise Desenho Desenvolvimento Implementação Avaliação Estrutura Modular de Um Curso Estruturação de Conteúdos Taxionomias de Objectivos Educacionais Aprendizagem pela Resolução de Problemas 29 IX

10 INDICE DE TABELAS Tabela 1- Modalidades de ligação à Internet , população portuguesa (Continente), em %, adaptado de UMIC (2004) 3 Tabela 2- Número e distribuição percentual de alunos, docentes, estabelecimentos de ensino (do pré-escolar ao secundário), computadores e computadores com ligação à Internet, segundo o tipo dos estabelecimentos de ensino (dados do DAPP, ano lectivo de 2002/2003, valores provisórios), adaptado de Paiva (2003) 6 Tabela 3- Ensino tradicional v.s. ensino recorrendo às TIC em Cartaxeiro (2004) 15 Tabela 4- Vantagens e desvantagens do ensino baseado na Internet em Alves (2000) 16 Tabela 5- Teorias da Aprendizagem Behavioristas, Cognitivistas e Construtivistas, adaptado de Capitão e Lima (2003). 17 Tabela 6- Autores Construtivistas. 17 Tabela 7- Utilizando as fases do Modelo Genérico da Análise de Sistemas, comparação dos Modelos de Kemp, Morrisom e Ross, ADDIE, R2D2 e de Smith e Ragan, de planeamento e desenvolvimento da instrução, adaptado de Capitão e Lima (2003). 22 Tabela 8- Fase de Análise do modelo de planeamento e desenvolvimento da instrução 23 Tabela 9- Fase de Desenho do modelo de planeamento e desenvolvimento de instrução 24 Figura 2- Utilização de uma fase de prototípagem num ISD, adaptado de Inofor (2003) 25 Tabela 10- Fase de Desenvolvimento do modelo de planeamento e desenvolvimento de instrução 25 Tabela 11- Fase de Implementação do modelo de planeamento e desenvolvimento de instrução 26 Tabela 12- Fase de Avaliação do modelo de planeamento e desenvolvimento de instrução 27 Tabela 13- Estruturação de conteúdos e autores 28 T Tabela 14- Taxionomias dos objectivos da instrução para o domínio cognitivo adaptado de Reigeluth e Moore (1999) 28 Tabela 15- Taxinomia de Reigeluthn e Moore (1999): Identificação e classificação dos objectivos educacionais 29 X

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12 INDICE DE FIGURAS igura 1- Mapa conceptual sobre a Teoria de Aprendizagem Construtivista adaptado de Wilhelmsen et al. (1999) 20 Figura 2- Utilização de uma fase de prototípagem num ISD, adaptado de Inofor (2003) 24 Figura 3- Estrutura comum de um curso 26 XII

13 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ADL ou ADLNet (Advanced Distributed Learning Initiative) Iniciativa de Aprendizagem Distribuída Avançada ID (Instructional Design) Desenho da Instrução ISDD (Instructional Systems Design and Development) Modelos Planeamento e Desenvolvimento de Instrução LCMS (Learning Content Management System) Sistema de Gestão de Aprendizagem LMP (Learning Management Plataform) Plataforma de Gestão de Aprendizagem LMS (Learning Management System) Sistema de Gestão da Aprendizagem LO (Learning Object) Objecto de Aprendizagem PC (Personal Computer) Computador Pessoal SCORM (Sharable Content Object Reference Model) Modelo de Referência dos Objectos de Conteúdo Partilhável TIC Tecnologias de Informação e Comunicação XIII

14 1. INTRODUÇÃO 1

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16 OS QUATRO PILARES DA NOVA APRENDIZAGEM (UNESCO): Aprender a ser Aprender a conhecer Aprender a fazer Aprender a viver juntos 1. INTRODUÇÃO 1.1. Enquadramento A convergência das tecnologias de telecomunicações, informática e audiovisual atingiu finalmente o patamar de desenvolvimento que pode sustentar, de modo eficaz, aplicações de impacte nos sistemas de educação. As redes de banda larga, os potentes microprocessadores e a vasta capacidade de armazenagem óptica em disco levam a crer que existe um enorme potencial para o ensino -aprendizagem. O surgimento da Internet e dos serviços associados (em Portugal a sua utilização tem aumentado de ano para ano, conforme se comprova pela Tabela 1), conduziu a uma mudança paradigmática na sociedade e na educação. As forças que impulsionam a mudança para o novo paradigma podem ser identificadas na sociedade actual, segundo Hämäläinen et al. (1996), como: A convergência das tecnologias digitais; A conectividade global pela Internet; A infra-estrutura de transacções electrónicas; A frequente alteração dos conteúdos; A instrução profissional específica; A instrução contínua ao longo da vida; A globalização da educação; As universidades virtuais; Os centros de recursos digitais; O aumento nos custos da educação POSSUEM LIGAÇÃO À INTERNET BANDA ESTREITA Linha analógica Linha RDIS Telemóvel (serviço WAP) BANDA LARGA Serviço de transmissão por cabo ADSL Placa Wireless Telemóvel (serviço UMTS) NS/NR NÃO POSSUEM LIGAÇÃO À INTERNET Tabela 1- Modalidades de ligação à Internet , população portuguesa (Continente), em %, adaptado de UMIC (2004) 3

17 Muitos críticos consideram que os benefícios das novas tecnologias educativas são poucos e não justificam os investimentos necessários. Cada vez mais o professor necessita de se adaptar à nova economia do conhecimento, mais competitiva e dinâmica, capaz de um crescimento económico duradouro, acompanhado de uma melhoria quantitativa e qualitativa do emprego e de uma maior coesão social. Estas mudanças são orientadas e incentivadas pelo Ministério da Educação (2003). Para a prossecução desse desígnio, projectou-se o desenvolvimento de políticas coerentes e com definições de objectivos concretos no contexto da União Europeia, nomeadamente o aumento da qualidade e eficácia dos sistemas educativos e a garantia do acesso de todos à educação e à instrução, com ligação efectiva às novas tecnologias, tirando partido do seu elevado potencial como meio de aprendizagem, inclusive para aqueles que têm menores oportunidades de acesso a espaços formais de aprendizagem e de apoio escolar (M.E. 2003). Nessa perspectiva, e assumindo como decisiva a opção estratégica de potenciar a articulação progressiva entre as políticas de educação e instrução, o governo propõe recentrar as políticas educativas na resposta objectiva às necessidades de cada aluno, a fim de melhorar a sua educação e instrução, prosseguindo metas ambiciosas aferidas internacionalmente, combatendo as assimetrias sociais e regionais, que tanto se têm acentuado nos últimos anos (M.E. 2003). Com base no acima exposto, pressupõe-se mudanças radicais na forma de aprender e ensinar, onde a tecnologia terá um papel fundamental como apoio aos modelos pedagógicos. Os estudos realizados na principal linha de investigação em tecnologia educacional concentram-se essencialmente na descoberta de modos mais racionais de fazer chegar a informação pertinente aos estudantes (Gantt, 1998). Mas, aparentemente, o problema não reside no facto dos alunos não terem acesso aos materiais ou deles não conseguirem aprender com os mesmos. O problema está simplesmente no facto de que os estudantes não se empenham o suficiente com as matérias (Strommen, 1995), especialmente quando se trata de domínios científicos com um nível elevado de pensamento abstracto (exemplo: matemática e física). Em suma, são necessários artefactos cognitivos que permitam solucionar o problema. Mais atenção deve ser dada à relação entre aspectos motivacionais e aspectos cognitivos (Almeida, 2001). Professores, como por exemplo Di Pado (2001), referem que actualmente os profissionais não têm tempo para estudar como gostariam. Estão sempre ocupados. Sabem que precisam de voltar à escola, mas não conseguem. Precisavam que a escola fosse até eles. Conclui-se deste modo que existe a necessidade de desenvolver sistemas educacionais que satisfaçam as necessidades destes profissionais. Assim se contextualiza a construção e utilização de recursos de aprendizagem electrónicos na prática do ensino aprendizagem nas escolas, a sua distribuição e gestão por uma plataforma de gestão de conteúdos e o modelo pedagógico que tem necessariamente de acompanhar esta prática. 4

18 1.2. Objectivos O objectivo geral desta dissertação de mestrado é identificar as boas práticas de elaboração de recursos de aprendizagem electrónicos, segundo uma perspectiva construtivista, para serem disponibilizados aos alunos pela Internet, utilizando um Learning Management Plataform (LMP). São objectivos específicos: Propor uma lista de boas práticas para o desenvolvimento de recursos de aprendizagem a serem distribuídos por um LMP; Validar as boas práticas pela concepção de um protótipo; Validar o protótipo pela sua utilização e avaliação numa situação prática identificada; Identificar a mais valia obtida pelos alunos, nomeadamente no seu comportamento motivacional e atitudinal Problemas Tentando integrar a componente tecnológica no ensino actual, nomeadamente sistemas de informação, de forma a obter resultados melhores nos nossos alunos, esta dissertação baseia-se na construção de recursos de aprendizagem electrónicos a serem disponibilizados pela Internet. O objectivo geral é identificar as boas práticas para elaborar estes recursos, permitindo aos alunos obterem uma mais valia em relação à sua aprendizagem. Assim sendo, pretende-se obter uma lista de boas práticas para o desenvolvimento destes recursos que terão de ser validados. Para conseguir essa validação serão utilizadas as boas práticas identificadas através da elaboração e aplicação de um protótipo num grupo de alunos, fazendo depois a avaliação do processo. Surge assim o primeiro problema de investigação: P1 Será que a utilização de recursos de aprendizagem, disponibilizados pela Internet aos alunos, construídos utilizando as boas práticas identificadas nesta dissertação, se traduz numa mais valia na sua aprendizagem? Se sim, é generalizada a todos os alunos? Outro objectivo específico desta dissertação é tentar melhorar a componente motivacional e atitudinal dos alunos na sua aprendizagem. Esta componente é muito importante para a identificação das boas práticas e para a avaliação do protótipo, sendo assim o segundo problema de investigação: P2 Será que a utilização das boas práticas identificadas nesta dissertação consegue alunos empenhados, motivados e interessados? Para terminar seria interessante verificar se esta componente atitudinal introduzida na educação destes alunos ficaria para o seu futuro e não apenas na sua passagem pela escola. Surge então o último problema de investigação desta dissertação: P3 As novas atitudes dos alunos, promovidas pela utilização das boas práticas identificadas nesta dissertação, ficarão para o seu futuro, tornando-se cidadãos informados, em constante aprendizagem ao longo da sua vida profissional e pessoal? 5

19 1.4. Motivação e Importância do Trabalho A resposta à pressão social sobre a escola (a sociedade contemporânea imputa à escola o insucesso sócio/económico do cidadão) permite estruturar planos fundamentais favoráveis ao desenvolvimento da inovação educativa, provocando profundas mudanças nos seus principais agentes, nomeadamente no estudante, no professor e na cultura da escola (Andrade, 2003). Os novos papéis do professor podem ser descritos como (Carneiro, 2003): Orientador da aprendizagem; Empreendedor de ambientes de aprendizagem; Aprendiz na sala de aula; Tutor (discussões on-line, mobilizador, treinador e árbitro, andaimes); Colaborador de alunos; Investigador; Formador ao longo da vida; Membro de uma equipa de professores. Como resposta a esta necessidade de mudança, a actual proposta de Lei de Bases da Educação introduz o aumento da escolaridade obrigatória para os doze anos, com início a partir do ano lectivo (Governo, 2003), bem como a introdução de uma disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no 9º e no 10º ano (Justino, 2002). A propagação cada vez mais generalizada do acesso à Internet, nomeadamente de banda larga, pelas Escolas Portuguesas (Tabela 2), bem como os actuais objectivos estipulados pelo Ministério da Educação (Governo, 2003; Justino, 2002) e as directrizes emanadas da Comunidade Europeia (CCE, 2003), fizeram surgir necessidades de resolução tecnológica cada vez mais pertinentes. Em resposta a estas necessidades, começa-se a entrar numa nova fase de evolução em que Sistemas de Informação, desenvolvidos pelas principais Software Houses, permitem responder de alguma forma a estas solicitações. Os recursos de aprendizagem convencionais, como os manuais e cadernos de exercícios produzidos por editoras conhecidas, compêndios elaborados pelos professores da disciplina, fichas de trabalho, fotocópias sobre determinados assuntos e outros demais, normalmente em suporte papel, começam a ser considerados obsoletos pelos alunos que os consideram monótonos e enfadonhos. Tipo de ensino Público Privado Total Valor % Valor % Alunos , ,9 Docentes , ,2 Escolas , ,4 Computadores , ,0 Comp. c. ligação à Internet , ,1 Tabela 2- Número e distribuição percentual de alunos, docentes, estabelecimentos de ensino (do pré-escolar ao secundário), computadores e computadores com ligação à Internet, segundo o tipo dos estabelecimentos de ensino (dados 6

20 do DAPP, ano lectivo de 2002/2003, valores provisórios), adaptado de Paiva (2003) Nos últimos anos surgiram recursos de aprendizagem electrónicos, disponibilizados pelas editoras em suporte CD-Rom, Disquete, por portais na Internet (Escola Virtual da Porto Editora, por exemplo) ou até mesmo elaborados por alguns professores mais familiarizados com as tecnologias de informação, muito melhor aceites pelos alunos. Como qualquer inovação tecnológica educacional também esta tem que ser introduzida com o devido cuidado, de forma a conseguir produzir resultados positivos. A tecnologia, só por si, não passa de uma ferramenta a ser utilizada pelos pedagogos positivamente (quando utilizada de uma forma correcta) ou como mais um recurso (se utilizada de uma forma ligeira), sem a preocupação de lhe tirar a totalidade da sua potencialidade (Papper, 1996). Não se pode cair no erro de continuar a utilizar os modelos educativos do ensino tradicional, adicionando somente as TIC s ao processo educativo, sem se reflectir que estas devem, sobretudo, promover interacção e partilha dentro de uma comunidade. O segredo reside não só na tecnologia, já que esta pode falhar, mas sim na pedagogia adoptada, aliada ao que de melhor as tecnologias nos podem oferecer. Um dos grandes perigos que se corre com o uso das novas tecnologias no ensino é cair no erro de propagar modelos didácticos da idade da pedra com a ajuda da tecnologia da idade do espaço (Higgins, 1988). A investigação neste sentido tem conduzido a variadas e complementares metodologias, em particular nos planos da definição de objectos de ensino e de aprendizagem, de estrutura de conteúdo e do desenvolvimento de cursos. Assim, com este trabalho pretende-se utilizar um LMP para fazer a gestão e distribuição dos recursos educativos aos alunos, mantendo-os on-line 24 horas por dia. Os recursos serão construídos, distribuídos e utilizados pelos alunos. Depois será avaliado o desempenho destes perante a nova forma de leccionar. Como resultado deste estudo ficará um incentivo real, devidamente documentado, para que outros professores o possam seguir em situações devidamente identificadas Resumo da Metodologia Utilizada Com base na fundamentação teórica, obtida através da revisão da literatura, a fase de exploração desta dissertação engloba a análise do campo de aplicação, a definição dos objectivos a atingir e a determinação dos problemas de investigação. Da fundamentação obtém-se uma lista de boas práticas para elaboração de cursos e recursos de aprendizagem electrónicos. A revisão da literatura é uma constante ao longo de todo o trabalho. Engloba uma pesquisa muito vasta, nacional e internacional, a organizações científicas, a universidades, a autores consagrados, a entidades oficiais e a particulares. Desta pesquisa são utilizados artigos científicos, livros, dados estatísticos, relatórios de actividades de empresas, entre outros. Os temas pesquisados vão da pedagogia (nomeadamente a teoria da aprendizagem construtivista, os modelos de planeamento e desenvolvimento da instrução, a estrutura modular de um curso, a taxionomia de objectos educacionais, 7

21 a aprendizagem pela resolução de problemas, o modelo de motivação do aluno, as actividades de aprendizagem, o sistema de avaliação dos alunos, etc.) à tecnologia (nomeadamente os objectos de aprendizagem e as suas normalizações, a distribuição e a gestão de recursos de aprendizagem num LMP, a escolha do LMP, etc.). Na fase de trabalho empírico vão ser utilizadas as boas práticas, identificadas na fundamentação teórica, para desenvolver um curso e os recursos electrónicos necessários para a sua implementação. Para tal, começa-se por identificar os alunos que vão ser sujeitos ao curso. Em seguida são criadas duas ferramentas que permitem elaborar o plano de curso e o plano de lição-a-lição, onde fica registada toda a planificação necessária para o desenvolvimento e implementação do cursos e dos recursos de aprendizagem. Procede-se então à escolha da plataforma, onde os recursos de aprendizagem vão ficar alojados e onde os alunos podem interagir com eles, permanentemente, através da Internet. Depois de escolher a plataforma, procede-se então à construção dos recursos, tendo em conta toda a fundamentação teórica. Constroem-se ainda duas ferramentas de avaliação: um questionário aos alunos e uma grelha de observação. Depois do desenvolvimento do curso e dos seus recursos de aprendizagem já só falta implementálos. Para tal aloja-se os recursos de aprendizagem na plataforma de aprendizagem e distribui-se pelos alunos. Estes alunos vão interagir com os recursos 1h30m por semana, com o apoio do seu professor presencialmente. No entanto, podem também interagir sempre que o desejarem fora deste período, sem o apoio presencial do professor. Para tal basta recorrer à aplicação Messenger para comunicar sincronamente ou por para comunicar assincronamente, com o professor ou colegas, para esclarecimento de dúvidas. Durante as aulas presenciais o professor utiliza a ferramenta de avaliação grelha de observação para registar a evolução dos alunos. No fim do curso os alunos utilizam a outra ferramenta de avaliação, o questionário, para avaliarem a instrução a que foram submetidos. Ao mesmo tempo que estes alunos estão a ser submetidos a esta instrução, um outro grupo de alunos, com características muito semelhantes, está a ser submetida a um outro tipo de instrução, que tem os mesmos conteúdos programáticos e professores. O que distingue esta instrução é o facto destes alunos receberem os recursos de aprendizagem em suporte papel, não recorrendo à plataforma de aprendizagem. O trabalho empírico desta dissertação termina então com a análise dos dados obtidos nestas duas amostras de alunos. Comparam-se as avaliações sumativas das duas amostras, analisam-se as respostas obtidas no questionário aplicado e retiram-se as conclusões possíveis, respondendo aos problemas de investigação determinados na fase de exploração. Recorre-se ainda à revisão da literatura para obter as conclusões finais desta dissertação. Os detalhes desta Metodologia serão descritos mais à frente nesta dissertação 1. 1 Capítulo 3, Metodologia e Descrição do Trabalho Empírico Realizado. 8

22 1.6. Estrutura da Dissertação No capítulo 1, Introdução, contextualiza-se o tema, estabelecem-se os objectivos da dissertação, elaboram-se as hipóteses de investigação, justifica-se a importância da dissertação, resume-se a metodologia utilizada e descreve-se a sua estrutura. No capítulo 2, Recursos de Aprendizagem Disponibilizados na Internet, descreve-se a fundamentação teórica de todo o trabalho. Começa-se por caracterizar a teoria construtivista da aprendizagem e analisar os mais conhecidos modelos de planeamento e desenvolvimento de cursos, descrevendo as suas fases. Depois estipula-se os cuidados a ter com a estruturação dos conteúdos, nomeadamente, a aplicação dos modelos de aprendizagem pela resolução de problemas CLE, OLE e CAIT, a definição dos objectivos institucionais de um curso, os princípios elementares de instrução de Merrill, o modelo de motivação de alunos ARCS, as actividades de aprendizagem possíveis de utilizar e o sistema de avaliação dos alunos. Ainda neste capítulo, identifica-se a estrutura modular de um curso, bem como o modelo de avaliação da instrução de Kirkpatrick. Descreve-se a norma SCORM a utilizar nos objectos de aprendizagem que constituem os recursos de aprendizagem electrónicos. Define-se ainda o conceito de LCMS e LMS, referindo exemplos e utilizações possíveis, bem como fornecedores e clientes. Contextualiza-se também as ferramentas de autor e o software auxiliar para a elaboração de recursos de aprendizagem. Conclui-se com uma descrição da lista de boas práticas para elaboração de cursos e recursos de aprendizagem electrónicos. No capítulo 3, Metodologia e Descrição do Trabalho Empírico Realizado, descreve-se as etapas metodologias seguidas para o desenvolvimento desta dissertação, bem como o trabalho empírico realizado em cada uma delas, nomeadamente na caracterização das amostras de alunos, na construção dos recursos de aprendizagem (tendo em conta a fundamentação teórica do capítulo 2), na construção das ferramentas de planificação e de avaliação, na implementação e na gestão dos recursos de aprendizagem com o LMS. No capítulo 4, Resultados, descreve-se a análise feita aos dados obtidos da avaliação ao protótipo, nomeadamente aqueles que foram obtidos através do questionário aplicado aos alunos no fim da sua aprendizagem e através da comparação da classificação sumativa final dos alunos que utilizaram v.s. os alunos que não utilizaram o protótipo, chegando-se aos resultados. Por último, no capítulo 5, Conclusões e Sugestões Para Futuros Trabalhos, descrevem-se as conclusões possíveis de todo este trabalho e dá-se sugestões para futuros trabalhos

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24 2. RECURSOS DE APRENDIZAGEM DISPONIBILIZADOS NA INTERNET 11

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26 Penso que há mercado mundial para apenas uns cinco computadores Thomas Watson, Presidente da IBM, em Um computador em cada secretária Bill Gates anos RECURSOS DE APRENDIZAGEM DISPONIBILIZADOS NA INTERNET Neste capítulo será feita a revisão da literatura referente às boas práticas na construção de recursos de aprendizagem, que possam ser distribuídos aos alunos pela Internet e disponibilizados 24 horas por dia. Começa-se por contextualizar recurso de aprendizagem, tendo em conta: O que é um recurso de aprendizagem? Qual a tecnologia envolvida para criar um recurso de aprendizagem electrónico, que possa ser disponibilizado aos alunos pela Internet, 24 horas por dia? Qual o meio em que o recurso de aprendizagem vai ser distribuído? Como resposta a que necessidades? Qual o tipo de ensino aprendizagem necessário para a utilização deste tipo de recursos de aprendizagem? De seguida passa-se para a Teoria de Aprendizagem Construtivista na qual se enquadra o tipo de ensino aprendizagem que este trabalho descreve. Depois de uma introdução às teorias Behavioristas e Cognitivistas, vão ser analisadas as várias vertentes da teoria construtivista, nomeadamente o construtivismo cognitivo e o construtivismo social, identificando os seus princípios e características. São salientadas as suas potencialidades e limitações. É ainda apresentado um mapa conceptual, onde esta teoria é sintetizada. Depois de saber qual a teoria de aprendizagem a utilizar na construção de recursos de aprendizagem a serem distribuídos na Internet, procede-se à análise dos modelos de planeamento e desenvolvimento de instrução, nomeadamente os modelos construtivistas de planeamento e desenvolvimento de instrução que comportam o conceito de educação apoiada pelo computador. São comparados quatro modelos, tendo em conta as suas fases de desenvolvimento e tarefas desempenhadas em cada uma delas. São ainda descritas detalhadamente cada uma destas fases e tarefas. Em seguida, identifica-se a equipa necessária de pessoas para desenvolver este tipo de recursos, bem como as suas funções. Esta informação fica registada no documento de planificação do curso. Refere-se ainda qual a estrutura que um curso, que comporte estes recursos de aprendizagem, deve ter. Depois descreve-se a forma como os conteúdos devem ser estruturados, tendo em conta os objectivos educacionais do curso, modelos de concepção de conteúdos pela resolução de problemas, os princípios elementares de instrução de Merrill, o modelo de motivação do aluno ARCS, as activi- 13

27 dades de aprendizagem a serem integradas nos recursos, bem como o sistema de avaliação a utilizar. Dá-se ainda uma atenção especial à normalização dos objectos de aprendizagem que integram os recursos, segundo as normas SCORM, e descreve-se o modelo de avaliação de instrução de Kirkpatrick a ser utilizado neste tipo de ensino aprendizagem, nomeadamente os seus níveis e vantagens. Ainda neste capítulo, define-se o conceito de LCMS, LMS e ferramenta de autor, dando exemplos de utilização e mencionando fornecedores e clientes destas aplicações. Descreve-se o que é um LMP, as suas vantagens e desvantagens especificamente para o LMP Class Server. São identificados e descritos vários casos práticos de utilização do LMP Class Server, analisando os resultados obtidos. Faz-se ainda referência à avaliação feita à utilização deste LMP em Portugal. Por último, faz-se uma síntese de todo o capítulo, apresentando uma lista de boas práticas que se deve seguir para a elaboração de cursos e de recursos de aprendizagem a serem distribuídos por um LMP via Internet Enquadramento Um recurso de aprendizagem não é mais do que um elemento de estudo disponibilizado ao aluno para este atingir determinado grau de conhecimento. Quando disponibilizado pela Internet, temos a tecnologia envolvida. Esta poderá ser encarada como extensão e apoio à aula presencial ou mesmo como substituto. Normalmente funcionam em modo misto, isto é, servem de apoio às aulas, mas permitem também aos alunos estudar à distância. As maiores vantagens do uso das TIC na educação podem ser descritas como (Bates, 1999): A possibilidade de se ter acesso a materiais didácticos de qualidade independentemente do espaço e do tempo; O acesso à informação que, no passado recente, era exclusivamente detida pelo professor e que passa a estar disponível em rede; Os materiais multimédia, bem concebidos, podem ser mais eficazes na aprendizagem, do que os métodos tradicionalmente usados em sala de aula; As novas tecnologias digitais permitem desenvolver competências de aprendizagem de alto nível, nomeadamente, resolução de problemas, tomada de decisões e pensamento crítico; A interacção com professores, tutores e especialistas pode ser estruturada e gerida on-line de modo a proporcionar grande flexibilidade e conveniência, tanto para os docentes como para os discentes; A comunicação mediada por computador pode facilitar a aprendizagem em grupo, o acesso a professores, a tutores e a especialistas dispersos por várias instituições, e a implementação de cursos internacionais e multiculturais. O ensino recorrendo às TIC vai distanciar-se significativamente do ensino tradicional. O foco do processo de ensino aprendizagem passa do professor para o aluno, podendo este escolher o caminho e o meio mais indicado para a sua aprendizagem. O trabalho desempenhado pelo aluno é muito 14

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