4 Implementação do modelo viscoelástico



Documentos relacionados
4.10 Solução das Equações de Estado através da Transformada de Laplace Considere a equação de estado (4.92)

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

Análise Dimensional Notas de Aula

Somatórias e produtórias

Leis de Conservação. Exemplo: Cubo de gelo de lado 2cm, volume V g. =8cm3, densidade ρ g. = 0,917 g/cm3. Massa do. ρ g = m g. m=ρ.

Análise de Circuitos Elétricos III

Provas Comentadas OBF/2011

Universidade Federal do Rio de Janeiro. Princípios de Instrumentação Biomédica. Módulo 4

As fases na resolução de um problema real podem, de modo geral, ser colocadas na seguinte ordem:

Modelos de Iluminação

INSTRUMENTAÇÃO E CONTROLE DE PROCESSOS TRANSFORMADAS DE LAPLACE

Modelos Variáveis de Estado

Ponto, reta e plano no espaço tridimensional, cont.

PÓLOS NA REPRESENTAÇÃO DO ESPAÇO DOS ESTADOS

Disciplina : Termodinâmica. Aula 5 ANÁLISE DA MASSA E ENERGIA APLICADAS A VOLUMES DE CONTROLE

4. Curvas planas. T = κn, N = κt, B = 0.

Rotação de um corpo rígido e as equações de Euler

Caracterização temporal de circuitos: análise de transientes e regime permanente. Condições iniciais e finais e resolução de exercícios.

Definição. A expressão M(x,y) dx + N(x,y)dy é chamada de diferencial exata se existe uma função f(x,y) tal que f x (x,y)=m(x,y) e f y (x,y)=n(x,y).

Ondas Eletromagnéticas. E=0, 1 B=0, 2 E= B t, 3 E

CAPACITORES. Vestibular1 A melhor ajuda ao vestibulando na Internet Acesse Agora!

Modelo Matemático e Controle de um Robô Móvel Modelo do motor que aciona cada roda do robô

Errata. Livro: Transmissão Digital - Princípios e Aplicações Edição:1ª Código: 4391 Autores: Dayan Adionel Guimarães & Rausley Adriano Amaral de Souza

² Servomecanismo: Sistema de controle realimentado para controle automático de posição, velocidade ou aceleração. Muito empregado na indústria.

computador-cálculo numérico perfeita. As fases na resolução de um problema real podem, de modo geral, ser colocadas na seguinte ordem:

Álgebra Linear I Solução da 5ª Lista de Exercícios

CIRCUITOS ELÉTRICOS II

MODELAGEM E SIMULAÇÃO DINÂMICA DE ROTORES FLEXÍVEIS PELO MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS. Luiz Fellipe Nogueirão e Flávio Yukio Watanabe

Controlo Em Espaço de Estados. Exame

4 Análise experimental

6. Geometria, Primitivas e Transformações 3D

6 Construção de Cenários

UENF - COORDENAÇÃO ACADÊMICA - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

Controle de Conversores Estáticos Retroação de estados: Projeto por alocação de pólos. Prof. Cassiano Rech

CONVERSORES E CONTROLADORES DE FASE. Circuitos de retificação monofásicos

2 Estudo dos Acoplamentos

O Problema do Troco Principio da Casa dos Pombos. > Princípios de Contagem e Enumeração Computacional 0/48

CAP. I ERROS EM CÁLCULO NUMÉRICO

1.5 O oscilador harmónico unidimensional

EEE 335 Eletromagnetismo II

Aula 3 OS TRANSITÒRIOS DAS REDES ELÉTRICAS

Resolução de sistemas lineares

2 Modelo para o Sistema de Controle de Estoque (Q, R)

Eduardo Bezerra. Editora Campus/Elsevier

CÁLCULO DE ZEROS DE FUNÇÕES REAIS

A abordagem do assunto será feita inicialmente explorando uma curva bastante conhecida: a circunferência. Escolheremos como y

Transformada z. ADL 25 Cap 13. A Transformada z Inversa

Lista de Exercícios 4: Soluções Sequências e Indução Matemática

PROBLEMAS DE OTIMIZAÇÃO

SISTEMAS COM AMORTECIMENTO NÃO-PROPORCIONAL NO DOMÍNIO DA FREQÜÊNCIA

REPRESENTAÇÃO FASORIAL DE SINAIS SENOIDAIS

2 - Modelos em Controlo por Computador

Capítulo 04. Geradores Elétricos. 1. Definição. 2. Força Eletromotriz (fem) de um Gerador. 3. Resistência interna do gerador

Estudo Comparativo de Cálculo de Lajes Analogia de grelha x Tabela de Czerny

Vibrações Mecânicas. Vibração Livre Sistemas com 1 GL. Ramiro Brito Willmersdorf ramiro@willmersdorf.net

Carga dos alimentadores

Efeito do comportamento reológico do concreto

Método de Eliminação de Gauss. Eduardo Camponogara

5 Transformadas de Laplace

Modelagem de Sistemas Dinâmicos. Eduardo Camponogara

UNIDADE III Energia: Conservação e transformação. Aula 10.2 Conteúdo:

[a11 a12 a1n 4. SISTEMAS LINEARES 4.1. CONCEITO. Um sistema de equações lineares é um conjunto de equações do tipo

Modelagem no Domínio do Tempo. Carlos Alexandre Mello. Carlos Alexandre Mello 1

Capítulo 2 - Problemas de Valores Fronteira para Equações Diferenciais Ordinárias

Circuitos Elétricos III

Circuitos Elétricos Análise de Potência em CA

11/07/2012. Professor Leonardo Gonsioroski FUNDAÇÃO EDSON QUEIROZ UNIVERSIDADE DE FORTALEZA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA.

Soluções integrais. Há cinco degraus para se alcançar a sabedoria: calar, ouvir, lembrar, agir, estudar. Anônimo. Soluções do Capítulo 1

Métodos de Física Teórica II Prof. Henrique Boschi IF - UFRJ. 1º. semestre de 2010 Aula 2 Ref. Butkov, cap. 8, seção 8.2

IBM1018 Física Básica II FFCLRP USP Prof. Antônio Roque Aula 3

Vestibular UFRGS Resolução da Prova de Física

GERAÇÃO DE VIAGENS. 1.Introdução

LEI DE OHM. Professor João Luiz Cesarino Ferreira. Conceitos fundamentais

¹CPTL/UFMS, Três Lagoas, MS,Brasil, ²CPTL/UFMS, Três Lagoas, MS, Brasil.

Equação do 1º Grau. Maurício Bezerra Bandeira Junior

Vestibular 2ª Fase Resolução das Questões Discursivas

MAT1154 ANÁLISE QUALITATIVA DE PONTOS DE EQUILÍBRIO DE SISTEMAS NÃO-LINEARES

ENERGIA POTENCIAL E CONSERVAÇÃO DE ENERGIA Física Geral I ( ) - Capítulo 04

Faculdade de Engenharia Optimização. Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu

1. Método Simplex. Faculdade de Engenharia Eng. Celso Daniel Engenharia de Produção. Pesquisa Operacional II Profa. Dra. Lílian Kátia de Oliveira

Representação de Modelos Dinâmicos em Espaço de Estados Graus de Liberdade para Controle

Física II Ondas, Fluidos e Termodinâmica USP Prof. Antônio Roque Aula 15

Critérios de Resistência

Figura Vista frontal dos vórtices da Figura Vedovoto et al. (2006).

1 Propagação de Onda Livre ao Longo de um Guia de Ondas Estreito.

Resposta Transitória de Circuitos com Elementos Armazenadores de Energia

Análise e Processamento de Bio-Sinais. Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica. Sinais e Sistemas. Licenciatura em Engenharia Física

UFSM CT DELC. e Mecânicos. ELC 1021 Estudo de Casos em Engenharia Elétrica

Introdução teórica aula 6: Capacitores

TRANSFORMADORES ADRIELLE C. SANTANA

Estudaremos métodos numéricos para resolução de sistemas lineares com n equações e n incógnitas. Estes podem ser:

por séries de potências

INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO

= 312

Introdução ao Método de Galerkin Estocástico


MATEMÁTICA. Aula 1 Revisão. Prof. Anderson

(b) (1,0 ponto) Reciprocamente, mostre que, se um número x R possui representação infinita em toda base β, então x é irracional.

Linhas de Transmissão

Processos em Engenharia: Modelagem Matemática de Sistemas Fluídicos

Transcrição:

4 Implementação do modelo viscoelástico O algoritmo de integração para o modelo Maxwell generalizado apresentado por Simo e Hughes (1998) é aplicado nas análises de elementos finitos de vigas e tubos. Este algoritmo de segunda ordem é incondicionalmente estável. 4.1. Modelo Maxwell generalizado O modelo Maxwell generalizado ou modelo de relaxação generalizado da igura 4.1 foi apresentado no capítulo 2. As equações constitutivas deste modelo são: = + = 4.1 lim = 0 igura 4.1 Modelo Maxwell generalizado. É interessante para o desenvolvimento do algoritmo de integração usar uma formulação alternativa para as equações acima. Substituindo as deformações α i nos amortecedores por variáveis internas q i, que podem ser vistas como pseudo esforços nos amortecedores, tem-se:

Implementação do modelo viscoelástico 70 = Definindo, as variáveis adimensionais: 4.2 " = " = 4.3 " + " = 1 e a energia de deformação instantânea como: $ = 1 2 4.4 As equações constitutivas do material podem ser escritas na seguinte forma: = $ & + = " $ & 4.5 lim = 0 Esta formulação simplifica a aplicação do algoritmo em problemas com deformações finitas e pode ser usada com qualquer função de energia convexa. 4.2. Modelos Tridimensionais Na modelagem de materiais viscoelásticos assume-se, em geral, que somente as deformações desviadoras apresentam um comportamento viscoelástico, enquanto as deformações volumétricas permanecem elásticas. Assim a energia de deformação instantânea pode ser escrita da seguinte forma: $ = $ ( +$ ) 4.6 onde $ ( e $ ) são as componentes volumétrica e desviadora, respectivamente. Para definir a energia desviadora instantânea os parâmetros do modelo Maxwell generalizado para um grau de liberdade podem ser substituídos conforme mostra a igura 4.2.

Implementação do modelo viscoelástico 71 igura 4.2 Modelo Maxwell generalizado aplicado às deformações desviadoras. Logo: $ = 1 2 tr -. /0 tr -. /+dev -. / 4 dev -. / 4.7 onde. é o tensor de deformações de Green-Lagrange, B é o módulo volumétrico e G 0 é o módulo de cisalhamento inicial: 4 = 4 +4 A parte desviadora do tensor de deformações é igual a: dev -. / =. 1 3 -. 8/8 4.8 4.9 Definindo o tensor: : = $ = $ ( + $ ) = 0 tr -./ 8+24 dev -. &. &. &. / 4.10 As equações constitutivas podem ser escritas em correspondência com o modelo para um grau de liberdade do parágrafo anterior: : = : + = " $ ) &. lim = 0 onde : é o tensor de esforços de Piola-Kirchhoff II e 4.11

Implementação do modelo viscoelástico 72 = < 4 " = 4 4 A solução de eq. (4.11) 2 é igual a: = " > exp A B C / E $ ) &. C Substituindo este resultado na eq.(4.11) 1 : : = $ ( +> GB C &. CH $ ) I C &. ou : = 0 tr -. com / 8+> GB C GB = " +" exp B/ CH $ ) I C &. 4.12 4.13 4.14 4.15 4.16 4.3. Algoritmo de integração No desenvolvimento do algoritmo de integração, Simo e Hughes (1998), definem-se as seguintes variáveis internas: hk B = > exph B C I C: ) C L M 4.17 onde : ) é a parte desviadora do tensor : : : ) = $ ) = 24 dev. 4.18 &. A seguir é obtida a fórmula recorrente para as variáveis internas que utiliza somente os dados da última solução incremental, sem necessidade da história completa ao longo do tempo. A variável interna no tempo t+ t pode ser escrita como: hk B=> L M exp H B+ΔB C I C: ) C 4.19

Implementação do modelo viscoelástico 73 A integral pode ser decomposta em dois intervalos de tempo: hk B=> expq ΔB RexpH B C I C: ) C L M +> exp H B+ΔB C I C: ) C S 4.20 Assim: hk B=expQ ΔB R hk B +> exp H B+ΔB C I C: S ) C 4.21 O segundo termo da equação acima é integrado pela regra do ponto médio: > exp H B+ΔB C I C: S ) C exph B+ΔB C I C: ) U V W X = expq ΔB 2 R CZ: = expq ΔB 2 R- : ) [ X X ) : \ ] ΔB ) / X ΔB 4.22 onde a parte desviadora do tensor : no tempo t é igual a: : ) = 24 dev. Logo: hk B=expQ ΔB R hk B+expQ ΔB R- : 2 ) : ) / 4.23 4.24 Usando este resultado e as eq. (4.14) à (4.18), obtém-se o tensor de esforços de Piola-Kirchhoff II no tempo t+ t: : = 0 tr-./ 8+24 " dev-. /+" hk B 4.25 A função de energia utilizada na eq. (4.7) corresponde ao material de Saint-Venant (Wriggers, 2010), assim sendo, esta equação constitutiva é adequada para modelagem de grandes deslocamentos, grandes rotações, mas pequenas deformações.

Implementação do modelo viscoelástico 74 4.4. Matriz constitutiva A matriz constitutiva incremental consistente com o algoritmo de integração de esforços é obtida através da derivada do tensor de esforços : com relação ao tensor de deformações: ^ = :. Uma vez que: _dev-./`=qa 1. 3 8 8R 4.26 4.27 onde a é o tensor unitário de quarta ordem. A derivada das variáveis internas é igual a: hk B. = 24 expq ΔB RQa 1 8 8R 4.28 2 3 Assim, da eq. (4.25) tem-se: ^ = 08 8 +24 G Qa 1 3 8 8R G = " +" exp ΔB/2 4.29 4.5. Elemento de viga de Timoshenko Aplica-se o algoritmo de integração de Simo e Hughes (1998) aos elementos de viga de Timoshenko. Duas alternativas para a aplicação da viscoelasticidade na viga são analisadas. A primeira considera o comportamento viscoelástico nas deformações desviadoras e a segunda nas deformações cisalhantes. Em ambos os casos considera-se somente o caso do modelo sólido padrão, ou seja, o modelo de relaxação generalizado com um elemento Maxwell. 4.5.1. Viscoelasticidade aplicada na deformação desviadora Na viga que leva em conta a deformação cisalhante, viga de Timoshenko, o tensor de deformações é igual a:

Implementação do modelo viscoelástico 75 " gd h 0 2 l f d = f0 i d h 0 k f" e 0 i d 2 h j kk 4.30 Este tensor pode ser dividido nos tensores de deformações volumétricas e desviadoras: d = d ( +d ) Assim, tem-se: d = 1 2id h 3 1 0 0 m0 1 0n 0 0 1 3 " g 2d h 0 l f 21+i k f 0 d h 0 k f 3 " 0 d k e21+i h j + 1+i 3 4.31 4.32 igual a: A energia de deformação instantânea que corresponde a estes tensores é $ ( = 01 2iX X d 2 h $ ) = 44 1+i X d X 6 h + 4 2 "X 4.33 Considerando os campos de deformação utilizados na formulação do elemento finito, tem-se: $ ( = 01 2iX o X Q p X 2 q R $ ) = 44 1+i X o X Q p X 6 q R + 4 X 2 Qo q pr 4.34 Substituindo as equações anteriores na eq. (4.14), aplicando o principio dos trabalhos virtuais e a interpolação do campo de deformações do elemento finito, encontra-se: = K ( U+> -" +" u VW /V v / CwK )U -V W / x C ou simplificando: 4.35

Implementação do modelo viscoelástico 76 onde = K ( U+" K ) U+ " K ) > u VW /V v CwU -V W / x C 4.36 K ( = 01 2i X y> B L { B { det } K ) = 44 1+i X y 3 > B L { B { det } = 01 2iX K ~ +4 > -B H { / ƒ -B H { /det } = 44 1+i X K 3 ~ + 4 4 K X Para obter o algoritmo de integração, definem-se as variáveis internas: 4.37 hk B = K ) > S ƒ M u SVW V v CwU -V W / x C 4.38 Após seguir o mesmo procedimento utilizado no elemento tridimensional no desenvolvimento do algoritmo, tem-se: hk B = u O V v hk B+u O XV v K ) - U U/ 4.39 Logo: = K ( U +" K ) U +" hk B 4.40 Portanto, a equação de momentum pode ser escrita da seguinte forma U ++ U ˆ U = R 4.41 A resposta no tempo ( time history ) é obtida usando o método de integração de Newmark β e o algoritmo de integração de esforços descrito acima. Para o cálculo da carga crítica considera-se a seguinte equação: U ++ U ˆ U = 0 4.42 substituindo o vetor de forças internas pela forma integral da eq. (4.36) tem-se: U +K ( U+" K ) U + " K ) > u VW /V v CwU -V W / x C + U ˆ U =0 4.43 Aplicando a transformada de Laplace na equação acima se obtém a equação característica:

Implementação do modelo viscoelástico 77 Q X M+K ( +" K ) + " +1 K ) + ˆ R Ž = 0 4.44 sendo: Ž = LU 4.45 onde L. denota a transformada de Laplace. A equação característica também pode ser obtida substituindo a solução: U = u 4.46 na eq. (4.43) em lugar de aplicar a transformada de Laplace. Quando um autovalor complexo s tem uma parte real positiva, a solução da equação (4.46) implica oscilações com amplitudes exponencialmente crescentes, portanto na instabilidade dinâmica do sistema. A carga crítica dinâmica é a menor carga aplicada que causa este tipo de instabilidade. 4.5.2. Viscoelasticidade aplicada na deformação cisalhante Quando o efeito da viscoelasticidade é aplicado somente à parcela de deformação cisalhante, a energia de deformação instantânea é igual a: $ = 1 2 ~ d h X + 1 2 4 " X 4.47 Aplicando os mesmos conceitos da seção anterior obtêm-se as seguintes equações do algoritmo de integração de esforços. hk B = u O V v hk B+u O XV v K ) - U U/ 4.48 e onde = K ( U +" K ) U +" hk B 4.49 K ( = K K ) = 4 4 K X 4.50