O MERCADO DE CAFÉ 1. INTRODUÇÃO O presente boletim tem o objetivo de apresentar a situação atual do mercado, por meio dos dados disponibilizados pelo USDA, CONAB e MAPA. Apresenta-se, posteriormente, a análise conjuntural do café, através do comportamento dos preços (indicador ESALQ e principais praças) e da análise da participação das cooperativas na cadeia produtiva do café. Tais análises são importantes devido a relevante importância na balança comercial e à inserção do Brasil no comércio mundial, pois é o maior produtor e exportador de café. 2. PANORAMA MUNDIAL A análise do panorama mundial engloba o estudo da produção de café, as exportações, importações, estoques, inicial e final, e o consumo de café, no mundo e nos principais países envolvidos. 2.1 Produção Global A produção mundial de café está concentrada em países como o Brasil, Vietnã, Colômbia e Indonésia, sendo o Brasil o maior produtor e exportador mundial. A Tabela 1 visualiza a produção mundial de café nos países citados, de acordo com o último relatório do USDA. Historicamente, os países concorrentes do Brasil no mercado internacional apresentam economias fragilizadas e dependentes das receitas cambiais obtidas com o café. Dessa forma, as políticas de contenção na produção que buscaram melhorias nos níveis de preços, lideradas pelo Brasil, apresentaram fracassos, pois, países como
o Vietnã adotam a estratégia de desvalorizar a própria moeda para a manutenção das receitas cambiais com a cultura. Tabela 1. Principais países produtores de café, em mil sacas beneficiadas Países Selecionados 2002/03 2003/04 2004/05 2005/06 2006/07 Jun 2007/08 Brasil 53.600,00 33.200,00 43.600,00 36.100,00 46.700,00 36.200,00 Vietnã 11.167,00 15.000,00 14.500,00 13.500,00 18.600,00 17.670,00 Colômbia 11.712,00 11.053,00 11.532,00 11.953,00 12.200,00 12.400,00 Indonésia 6.140,00 6.000,00 6.600,00 6.750,00 6.675,00 6.850,00 Índia 4.588,00 4.508,00 4.672,00 4.617,00 5.005,00 4.750,00 Etiópia 3.693,00 3.874,00 5.000,00 4.500,00 5.500,00 4.750,00 Outros 35.618,00 35.492,00 35.190,00 34.154,00 36.637,00 36.241,00 Total Global 126.518,00 109.127,00 121.094,00 111.574,00 131.317,00 118.861,00 Fonte: USDA (2007) O Brasil é o maior produtor mundial com um total esperado de 36,2 milhões de sacas beneficiadas na safra 2007/08, de acordo com o levantamento de junho. O país apresentou uma alternância na produção, o que é explicada pela bi-anualidade da cultura. Dessa forma, a safra 2007/08 configura-se como ano de baixa produção para a cultura. O Vietnã, segundo maior produtor, possui uma produção de 17,67 milhões de sacas beneficiadas, seguido pela Colômbia, terceiro maior produtor mundial e uma produção total de 12,40 milhões de sacas. A produção global esperada é de 118,86 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 10,48% em relação à safra anterior. 2.2 Análise das Exportações Em relação aos exportadores de café, o Brasil visualiza preponderância em relação aos demais países produtores (Tabela 2).
Tabela 2. Exportação de café no mundo, em mil sacas beneficiadas Países Selecionados 2002/03 2003/04 2004/05 2005/06 2006/07 Jun 2007/08 Brasil 40.100,00 18.800,00 28.100,00 20.185,00 29.835,00 18.820,00 Vietnã 10.667,00 14.467,00 13.882,00 12.813,00 17.742,00 16.801,00 Colômbia 10.452,00 9.798,00 10.332,00 10.733,00 10.960,00 11.130,00 Indonésia 4.660,00 4.300,00 4.680,00 4.750,00 4.345,00 4.430,00 Índia 3.417,00 3.318,00 3.422,00 3.282,00 3.668,00 3.413,00 Guatemala 3.382,00 3.247,00 3.447,00 3.285,00 3.355,00 3.410,00 Outros 26.711,00 26.991,00 27.171,00 25.477,00 28.503,00 27.021,00 Total Global 99.389,00 80.921,00 91.034,00 80.525,00 98.408,00 85.025,00 Fonte: USDA (2007) A avaliação das exportações mundiais de café reflete a bi-anualidade da cultura, alternando os anos de alta produção com os anos de baixa. Dessa forma, as exportações totais serão 13,60% inferiores em relação a safra 2006/07, atingindo um total de 85,03 milhões de sacas, sendo o Brasil responsável por 22,13% (18,82 milhões de sacas beneficiadas). O Vietnã é o segundo maior exportador, com um total previsto de 16,80 milhões de sacas, o que representa 19,76% do total exportado no mundo. Destaca-se que a participação do Vietnã nas exportações totais tem crescido constantemente, passando de 10,73% na safra 2002/03 para 19,76 em 2007/08 (Tabela 2). A análise do consumo interno de café é visualizada na Tabela 3, no período compreendido entre os anos de 2002 a 2006, e as respectivas participações porcentuais. O consumo de café no mundo apresentou um crescimento de 13,82% no período analisado, atingindo um total de 31,36 milhões de sacas de 60 kg. O Brasil está consolidado como o maior produtor, exportador e apresenta o maior consumo interno, dentre os países produtores no mundo, com uma participação porcentual de 52,00% no ano de 2006 (Tabela 3).
Tabela 3. Consumo interno de café, em mil sacas beneficiadas de 60 kg Países 2006 2005 Consumo Part. (%) Consumo Part. (%) Consumo Part. (%) Consumo Part. (%) Consumo Part. (%) *Brasil 16.331 52,07 15.538 51,02 14.946 50,39 13.700 48,07 14.000 50,81 Vietnã 672 2,14 500 1,64 500 1,69 500 1,75 500 1,81 Colômbia 1.400 4,46 1.400 4,60 1.400 4,72 1.400 4,91 1.400 5,08 Indonésia 2.000 6,38 2.000 6,57 2.000 6,74 2.000 7,02 1.833 6,65 Etiópia 1.833 5,84 1.833 6,02 1.833 6,18 1.833 6,43 1.833 6,65 Índia 1.337 4,26 1.337 4,39 1.250 4,21 1.167 4,10 1.133 4,11 México 1.500 4,78 1.500 4,92 1.500 5,06 1.500 5,26 1.500 5,44 Guatemala 300 0,96 300 0,98 300 1,01 300 1,05 300 1,09 Peru 150 0,48 150 0,49 150 0,51 150 0,53 120 0,44 Honduras 230 0,73 230 0,76 230 0,78 200 0,70 200 0,73 Costa do Marfim 317 1,01 317 1,04 317 1,07 317 1,11 317 1,15 El Salvador 203 0,65 203 0,67 172 0,58 153 0,54 153 0,56 Nicaragua 190 0,61 190 0,62 190 0,64 190 0,67 185 0,67 Outros países 4.898 15,62 4.959 16,28 4.875 16,43 5.088 17,85 4.079 14,80 TOTAL 31.361 100,00 30.457 100,00 29.663 100,00 28.498 Fonte: MAPA/SPAE/DCAF (2007) 2004 2003 2002 100,00 27.553 100,00 A Tabela 4 apresenta o quadro de suprimentos de café, com destaque para o estoque inicial e final, produção, consumo, oferta total e a transação comercial. Tabela 4. Quadro de suprimentos: Estoques, produção, consumo, exportação/importação e oferta total de café, em mil sacas beneficiadas Países Selecionados Estoque Inicial Produção Total Importação Oferta Total Consumo Interno Exportação Estoque Final Brasil 9.186,00 36.200,00 0,00 45.386,00 17.380,00 24.000,00 4.006,00 Vietnã 250,00 17.670,00 43,00 17.963,00 869,00 16.761,00 333,00 Colômbia 1.240,00 12.400,00 500,00 14.140,00 1.270,00 11.670,00 1.200,00 Indonésia 88,00 6.850,00 390,00 7.328,00 2.420,00 4.820,00 88,00 India 2.213,00 4.750,00 410,00 7.373,00 1.337,00 3.802,00 2.234,00 Etiópia 1.195,00 4.750,00 0,00 5.945,00 1.835,00 3.000,00 1.110,00 Outros 9.387,00 40.991,00 2.135,00 52.513,00 10.908,00 32.642,00 8.963,00 Total Global 22.364,00 118.861,00 3.478,00 144.703,00 34.184,00 93.695,00 16.824,00 Fonte: USDA (2007) Os estoques finais totalizam 16,82 milhões de sacas, concentrados principalmente no Brasil, com 4,01 milhões de sacas, o que representa uma participação de 23,81%. A oferta mundial de café, caracterizada pela somatória da produção, importação e estoques, é de 144,70 milhões de sacas e o Brasil apresenta uma participação de 31,36% no total.
3. O MERCADO DE CAFÉ NO BRASIL A produção nacional de café está estimada em 32,62 milhões de sacas beneficiadas, segundo levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB, 2007). Desse total, 69,04% (22,52 milhões de sacas) são de arábica e 30,96% (10,10 milhões de sacas), são de robusta. Comparando-se os dados atuais à safra anterior, que foi de 42,5 milhões de sacas de café beneficiado, verifica-se uma redução de 23,30% (9,90 milhões de sacas) o que é explicada pela bi-anualidade da cultura (Tabela 5). Tabela 5. Parque cafeeiro e a respectiva produção brasileira nos estados produtores, para a safra 2007/08. REGIÃO Parque Cafeeiro Em Formação Pés de Café Área (ha) (mil covas) Em Produção Pés de Café Área (ha) (mil covas) Produção (mil sacas beneficiadas) Arábica Robusta TOTAL Produtividade (sacas.ha -1 ) Minas Gerais 128.043,00 460.261,00 1.014.993,00 3.122.634,00 14.753,20 36,00 14.789,20 14,57 Sul e Centro-Oeste 73.336,00 256.676,00 505.256,00 1.515.768,00 6.302,00 6.302,00 12,47 Cerrado 24.221,00 96.883,00 155.310,00 543.585,00 3.038,10 3.038,10 19,56 Zona da Mata 30.486,00 106.702,00 354.427,00 1.063.281,00 5.413,10 36,00 5.449,10 15,37 Espírito Santo 22.187,00 70.499,00 466.620,00 1.054.887,00 2.023,00 7.517,00 9.540,00 20,44 São Paulo 18.533,00 67.376,00 145.767,00 392.831,00 2.299,00 0,00 2.299,00 15,77 Paraná 7.300,00 38.900,00 99.400,00 334.900,00 1.740,00 0,00 1.740,00 17,51 Bahia 3.762,30 3.849,00 94.990,10 251.554,40 1.318,60 508,30 1.826,90 19,23 Rondônia 4.570,00 8.765,00 158.630,00 283.313,20 0,00 1.345,60 1.345,60 8,48 Mato Grosso 1.348,00 3.235,00 16.222,00 38.933,00 13,00 160,00 173,00 10,66 Pará 1.288,00 4.508,00 22.265,00 53.436,00 0,00 277,00 277,00 12,44 Rio de Janeiro 260,00 1.200,00 14.048,00 26.540,00 212,00 9,00 221,00 15,73 Outros 1.073,00 2.575,00 26.243,00 62.983,00 165,00 248,00 413,00 15,74 BRASIL 188.364,30 661.168,00 2.059.178,10 5.622.011,60 22.523,80 10.100,90 32.624,70 15,84 Fonte: MAPA/SPAE (2007); CONAB (2007) A área cultivada com café é de 2,25 milhões de hectares. Desse total, 91,6%, (2,06 milhões de hectares) estão em produção e os 8,4% (0,19 milhões de hectares) restantes estão em formação.
A referida redução na produção se deve, principalmente, a bi-anualidade negativa da cultura, à estiagem ocorrida entre março e setembro que afetou a floração das lavouras e ao excesso de chuvas nos meses de dezembro 2006 e janeiro de 2007 nas principais regiões produtoras, que propiciou o aparecimento de pragas e doenças e prejudicou o combate às mesmas. 3.1 EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS A análise das exportações totais brasileiras é mostrada na Figura 1. Em relação à importância econômica da cultura, o Brasil representa 36,0% do comércio internacional de café verde, com um total de US$2,73 bilhões na receita cambial no período compreendido entre janeiro a outubro de 2007. Valores Exportados (mil US$) 3.000.000 2.900.000 2.800.000 2.700.000 2.600.000 2.500.000 2.400.000 1.351.430 2.516.093 1.474.861 2.928.193 1.226.165 2.734.868 1.600.000 1.400.000 1.200.000 1.000.000 800.000 600.000 400.000 200.000 Quantidades Exportadas (t) 2.300.000 01/2005 até 12/2005 01/2006 até 12/2006 01/2007 até 10/2007 Período Analisado Valores (US$) Quantidades (t) 0 Figura 1. Exportações totais brasileiras, em valores e quantidades, para três períodos analisados
Considerando os anos de 2005 e 2006, foi observado elevações nas quantidades e nos valores exportados. Para o ano de 2006 foram exportados 1,47 milhões de toneladas de café verde, obtendo-se US$2,93 bilhões de receita cambial, o que resultou em um preço médio de US$1.985,40 por tonelada. Para o ano de 2007, o preço médio é de US$2.230,42, até o mês de outubro de abrangência. A análise das exportações brasileiras de café, de acordo com os países de destino, no período de janeiro a outubro de 2007, é mostrada na Tabela 6. Tabela 6. Exportações brasileiras de café verde, principais países, volumes e valores negociados. Jan - Out 2007 Variação em Relação a Jan - Out de 2006 (%) Valor (mil US$) Quantidade (t) Preço Médio (US$.t -1 ) Valor (mil US$) Quantidade (t) Preço Médio (US$.t -1 ) Alemanha 550.320 245.623 2.241 13,13 3,53 10,00 Estados Unidos 479.581 224.561 2.136 11,48 0,25 11,28 Itália 294.712 129.483 2.276 14,84 5,60 9,80 Japão 228.038 95.452 2.389 1,93-6,74 8,12 Bélgica 132.838 58.065 2.288 19,50 9,94 10,62 França 90.619 40.777 2.222 4,22-4,40 8,24 Espanha 89.334 39.413 2.267 22,62 11,74 12,35 Países Baixos 88.794 39.193 2.266 24,68 13,96 12,49 Eslovenia 86.833 40.404 2.149 25,10-2,82 27,18 Suécia 74.919 33.606 2.229 2,13-8,32 9,65 Argentina 57.583 27.908 2.063 27,15 8,47 20,41 Grécia 53.802 25.063 2.147 27,60 2,83 25,48 Finlândia 50.789 22.116 2.296 5,60-1,18 6,71 Outros 456.968 205.088 2.218 28,18 14,66 0,00 Total 2.735.130 1.226.752 2.230 15,82 4,32 12,02 Fonte: MDIC/SECEX (2007); MAPA/SPAE (2007); CONAB (2007) A Alemanha é o principal país importador de café verde do Brasil, com um montante de 245,62 mil toneladas adquiridas, no período de janeiro a outubro de 2007, o que representou um crescimento de 13,13% e de 3,53% nos valores e nas quantidades exportadas, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2006. Os Estados Unidos é o segundo maior comprador, com uma quantidade acumulada de 224,56 mil toneladas e uma taxa de crescimento de 11,48% nos recursos gastos em relação ao mesmo período do ano anterior.
A Figura 2 mostra os valores exportados de café verde e solúvel, nos períodos compreendidos entre os meses de janeiro a outubro de 2006 e 2007. Valores Exportados (mil US$) 2.750.000 2.500.000 2.250.000 2.000.000 1.750.000 1.500.000 1.250.000 1.000.000 750.000 500.000 250.000-2.735.130 2.302.360 365.379 306.967 Jan a Out/07 Jan a Out/06 Período Analisado verde Solúvel Figura 2. Exportações de café verde e solúvel em mil US$ As exportações de café verde representam preponderância nas exportações, atingindo aproximadamente 85,60%, quando comparado aos valores totais obtidos com o café nos períodos analisados na Figura 2. 3.1.1 EXPORTAÇÕES DAS COOPERATIVAS A análise das exportações de café no período compreendido entre os anos de 2003 e 2006, bem como outros importantes produtos agropecuários exportados pelas cooperativas brasileiras, é mostrada na Tabela 7.
Tabela 7. Exportações das Cooperativas brasileiras no período de 2003 a 2006 Exportações Totais (mil de US$) Produtos Agrícolas 2003 2004 2005 2006 Açúcar 257.036,72 297.214,65 517.772,91 800.372,77 Complexo Soja 581.620,92 850.024,03 633.468,40 615.927,46 Carnes 248.864,94 366.561,88 520.193,80 529.887,21 Álcool Etílico 17.910,75 113.808,20 180.268,83 367.541,86 Café 82.664,92 133.813,31 202.616,85 206.140,97 Milho 72.914,45 86.757,27 18.156,00 129.395,10 Outros 42.826,80 154.422,44 181.342,28 183.221,01 Total Cooperativas 1.303.839,50 2.002.601,78 2.253.819,05 2.832.486,37 OCB (2007) As exportações totais das cooperativas brasileiras apresentaram um crescimento de 117,24% entre os anos de 2003 e 2006, passando de US$1,30 bilhão para US$2,83 bilhões. O café é um dos produtos mais importantes da pauta, atingindo um montante total de US$206,14 milhões em 2006. Embora a exportação do produto tenha crescido a uma taxa de 149,37% no período observado, o café era o quarto mais importante produto exportado em 2003, passando a ocupar a quinta posição em 2006 (Tabela 7). A Figura 3 apresenta a participação dos produtos agropecuários nas exportações das cooperativas, entre os meses de janeiro e setembro de 2007, bem como a análise das exportações no mesmo intervalo do ano anterior. As exportações de café das cooperativas brasileiras mostraram uma participação total de 8,13% no intervalo de janeiro a setembro de 2007. Considerando o mesmo período do ano anterior, a participação foi de 6,84%. As exportações de açúcares e do complexo soja mostraram preponderância na participação nos intervalos avaliados e, dessa forma, são considerados os dois principais produtos exportados pelas cooperativas brasileiras (Figura 3).
Participação nas Exportações (%) 100,0% 90,0% 80,0% 70,0% 60,0% 50,0% 40,0% 30,0% 20,0% 10,0% 0,0% 10,46 6,84 9,50 8,13 12,39 11,17 18,79 17,20 26,43 26,71 25,09 27,29 Jan a Set de 2006 Jan a Set de 2007 Período Analisado Complexo Soja Açúcar Carnes Álcool Etílico Café Outros Figura 3. Participação dos produtos agropecuários nas exportações das cooperativas, no período compreendido entre janeiro a setembro de 2006 e de 2007 3.2 ANÁLISE CONJUNTURAL A análise conjuntural é realizada por meio da avaliação dos principais indicadores divulgados sobre o mercado de café, englobando aquele apresentado pelo CEPEA/ESALQ e os preços nos principais municípios produtores no Brasil, bem como as notícias de relevância significativa que influenciaram o mercado nos últimos meses. 3.2.1 PREÇOS: INDICADOR CEPEA E PRINCIPAIS PRAÇAS A Figura 4 apresenta o comportamento do preço real do café arábica de janeiro de 2000 a setembro de 2007, obtido a partir da série histórica do indicador CEPEA, deflacionado pelo IGP-DI.
350,00 Preço Real do Café (R$.sc -1 ) 300,00 250,00 200,00 150,00 100,00 50,00 jan/00 mai/00 set/00 jan/01 mai/01 set/01 jan/02 mai/02 set/02 jan/03 mai/03 y = 2E-05x 4-0,006x 3 + 0,51x 2-13,334x + 200,49 R 2 = 0,8688 set/03 Período Analisado Preço Real do Café jan/04 mai/04 set/04 jan/05 mai/05 set/05 jan/06 mai/06 set/06 jan/07 mai/07 set/07 Figura 4. Valor real do café arábica no período compreendido entre janeiro de 2000 a setembro de 2007 (base novembro de 2007) Fonte: Série Histórica (CEPEA/ESALQ, 2007); IGP-DI (FGV, 2007) Elaboração: OCB/GEMERC (2007) Os preços do café arábica apresentaram um crescimento de 255,07% no intervalo compreendido entre julho de 2000 a abril de 2005. Contudo, a partir de abril de 2005, os preços mostraram oscilações com uma tendência de baixa, atingindo uma queda de 34,99% até o mês de novembro de 2007. As oscilações descritas elevam os riscos dos cafeicultores, devido à comercialização da produção em período de baixa nos preços. Dessa forma, as variações observadas demonstram a necessidade da utilização de mecanismos de proteção de preços, pois a comercialização da safra pode ser realizada em momentos de baixas, elevando o risco de perdas financeiras e, consequentemente, endividamento do setor (Figura 4).
A Figura 5 mostra o comportamento dos preços do café arábica, considerando o indicador CEPEA e o preço médio ponderado no mercado físico, na semana compreendida entre 29 de novembro e 06 de dezembro de 2007.. Preço Café (sc de 60 kg) 265,0 260,0 255,0 250,0 245,0 240,0 235,0 230,0 29/11/2007 30/11/2007 3/12/2007 4/12/2007 5/12/2007 6/12/2007 Período Analisado Indicador Café Arábica Preço Médio Ponderado Variação Diária (%) 3,0% 2,5% 2,0% 1,5% 1,0% 0,5% 0,0% -0,5% -1,0% -1,5% -2,0% -2,5% -3,0% -3,5% Variação Diária (%) Figura 5. Indicador CEPEA e preço médio ponderado no mercado físico Fonte: CEPEA/ESALQ (2007) Analisando o mercado na semana visualizada na Figura 5 (29 de novembro a 06 de dezembro), constatou-se um cenário com elevações nas cotações do indicador de café arábica e do seu preço médio ponderado, até o dia 05 de dezembro. Contudo, no último dia (06 de dezembro) foi observado um menor aquecimento e perdas nos preços, com uma variação diária negativa de 2,72%. Mesmo com as perdas descritas no dia 06 de dezembro, o indicador fechou a um valor por saca de R$253,84, uma alta de 0,96% em relação ao dia 29 de outubro. Para o preço médio ponderado, a alta no período foi de 0,95%.
Os preços nominais do café no mercado físico, em quatro importantes praças produtores, são mostrados na Figura 6, segundo a qualidade do produto colhido. 300,0 Preço Nominal do Café (R$.sc -1 ) 290,0 280,0 270,0 260,0 250,0 240,0 230,0 220,0 210,0 200,0 190,0 180,0 2/1/2006 2/2/2006 2/3/2006 2/4/2006 2/5/2006 2/6/2006 2/7/2006 2/8/2006 2/9/2006 2/10/2006 2/11/2006 2/12/2006 2/1/2007 2/2/2007 2/3/2007 2/4/2007 2/5/2007 2/6/2007 2/7/2007 2/8/2007 2/9/2007 2/10/2007 2/11/2007 2/12/2007 Vitória da Conquista (BA) - Dura Tipo Período 6/7 Analisado Cerrado (MG) - Dura Tipo 6 Sul de Minas (MG) - Dura Tipo 6 Maringá (PR) - Dura Tipo 6/7 Figura 6. Preços do café em quatro importantes regiões produtoras, considerando-se a bebida dura, de janeiro de 2006 a dezembro de 2007 Fonte: CMA (2007) O mercado cafeeiro apresentou elevada movimentação nos meses de outubro até o presente momento, devido às condições climáticas que influenciaram os preços internacionais do café. Segundo CEPEA (2007) esse comportamento se deve à floração da cultura, ora com bom desempenho, ora apresentando riscos de perdas nessa fase susceptível da cultura devido às irregularidades climáticas. Em relação aos riscos climáticos destacam-se as chuvas de granizo em importantes áreas produtoras do sul de Minas Gerais, o que poderiam reduzir as atuais projeções de produção no Brasil. As inundações no Vietnã também influenciaram na cotação do café robusta, pois reduz a produção local e atrasa a colheita da cultura.
Considerando o dia 7 de dezembro (sexta-feira), os preços apresentaram recuperação em todos os vencimentos, tanto na NYBOT (bolsa Internacional de New York) quanto na LIFFE (Bolsa Internacional de Finanças e Futuros de Londres). Contudo, os preços no mercado físico brasileiro fecharam o dia sem grandes alterações, devido à desvalorização do dólar, o que influenciou negativamente e não permitiu melhoras significativas nas cotações internas do café (Safras & Mercados, 2007). Outro fato de interesse no mercado de café, bem como nas demais culturas brasileiras, é a estratégia conjunta de levantamento dos dados da produção brasileira, a ser realizado entre a CONAB (Companhia Nacional do Abastecimento) e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o que qualificará as informações e minimizará as divergências dos números utilizados pelo setor produtivo. A primeira estimativa conjunta da safra de café do ciclo 2008/09 ocorrerá dia 08 de janeiro de 2008, 4. REFERÊNCIAS CEPEA Centro de Estudos em Economia Aplicada. Agromensal. Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. www.cepea.usp.br. Acesso dia 11 de dezembro de 2007. MAPA Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Agronegócio do Café (Decaf). Informe Estatístico do Café: Setembro de 2007. Site: www.agricultura.gov.br. Acesso dia 7 de novembro de 2007. MDIC Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Indicadores Estatísticos: Balança Comercial. www.desenvolvimento.gov.br. Acesso dia 04 de dezembro de 2007.
OCB Organização das Cooperativas Brasileiras. Desenvolvimento de Cooperativas: Ramos do Cooperativismo. Site: www.brasilcooperativo.coop.br. Acesso dia 11 de dezembro de 2007. SAFRAS & MERCADOS Relatório Diário de Informações e Previsões de Mercados Externo e Interno: Versão Café. Número 5214, 10 de dezembro de 2007. Site: www.safras.com.br. USDA Foreign Agricultural Services. Commodities and Products: Coffee. Site: www.fas.usda.gov. December, 11th 2007. Equipe de Elaboração: Evandro Scheid Ninaut (Gerente de Mercados da OCB) Marcos Antonio Matos (Técnico de Mercados da OCB) Iury Roberto Soares Santos e Filipe Rodrigues Lima (Estagiários)