Administração Científica Introdução Nesta aula, estudaremos a administração científica. Para isso, conheceremos suas principais características, que foram muito importantes para o desenvolvimento da teoria da administração. Ao final desta aula, você será capaz de: identificar as principais contribuições de Taylor para a administração científica; identificar as principais contribuições de Ford para a administração científica; identificar as contribuições da administração científica para a evolução do pensamento administrativo e as principais críticas a este modelo. Os princípios de Taylor Frederick W. Taylor é considerado o precursor da administração científica. Ele iniciou sua carreira como operário, foi promovido a moldador, supervisor e, por fim, engenheiro chefe. Figura 1 - Controle do tempo Fonte: Rawpixel.com / Shutterstock Para aumentar a eficiência da produção industrial, Taylor propôs a divisão das tarefas. Ainda hoje, as montadoras de veículos empregam esse princípio. - 1 -
Vamos conhecer os quatro princípios da administração científica desenvolvidos por Taylor. Princípio de planejamento: era necessário substituir no trabalho a improvisação dos operários por métodos cientificamente comprovados. Princípio de preparo: os trabalhadores deveriam ser selecionados de acordo com suas aptidões e, posteriormente, preparados e treinados para atingir suas metas. Princípio do controle: para Taylor, o trabalho deveria ser controlado a fim de garantir que sua execução estivesse de acordo com os métodos estabelecidos. Princípio da execução: visava a distribuição de atribuições e responsabilidades para que a execução do trabalho fosse disciplinada. FIQUE ATENTO A administração evoluiu das pesquisas de Taylor e, por isso, é importante conhecermos os princípios que nortearam a Escola da Teoria Científica. Ford e a linha de montagem Henry Ford teve seu primeiro trabalho como mecânico. Posteriormente, projetou um modelo de carro e fundou a sua fábrica de automóveis. Em 1903 foi fundada a Ford Motor Co. - 2 -
Figura 2 - Projetos de fábricas Fonte: Axsimen / Shutterstock A principal inovação de Ford foi a produção em massa, cuja ideia era produzir o maior número de carros com a máxima qualidade e com o menor preço. Por isso, o fordismo é um modelo de produção que revolucionou a indústria automobilística, com a implementação das linhas de montagem que permitiram a produção em série (CHIAVENATO, 2011). - 3 -
EXEMPLO Anos depois, mesmo os japoneses desenvolvendo novas técnicas de produção, o trabalho desenvolvido por Ford (produção em massa, redução de estoque e outros) nunca foram deixados de lado. Ford aplicou três princípios que objetivaram o desenvolvimento de uma forma de trabalho ritmada, coordenada e econômica. Princípio de intensificação: tinha por objetivo a diminuição do tempo de produção por meio da utilização imediata de matéria-prima e equipamentos, além da rápida colocação do produto no mercado. Princípio de economicidade: era voltado para a redução do volume do estoque de matéria-prima de forma que o pagamento do automóvel produzido ocorresse antes do vencimento dos salários e da matéria-prima. Princípios de produtividade: buscava o aumento da produtividade dos trabalhadores por meio da especialização - ou seja, cada trabalhador tinha uma função específica - e da organização da linha de montagem. FIQUE ATENTO Ford foi um empresário à frente do seu tempo e seus princípios foram difundidos em todo o mundo e não somente nos EUA. O Fordismo é a base da organização do processo de produção. Desta forma, Ford foi o homem que popularizou a fabricação do automóvel com o seu modelo T, colocando em prática os projetos de padronização e simplificação desenvolvidos por Taylor. Outros teóricos e suas abordagens O casal Frank e Lillian Gilbreth (1912), assim como Taylor, elaborou o estudo dos movimentos. Eles desenvolveram técnicas para evitar desperdícios de tempo e movimentos por meio da racionalização das tarefas de produção. Também estavam preocupados com a minimização da fadiga (ANDRADE e AMBONI, 2011). - 4 -
FIQUE ATENTO Existem muitas publicações a respeito das contribuições dos pensadores da administração científica. Suas ideias revolucionaram as organizações e, mesmo que eles não concordassem em alguns pontos, trabalhavam com aspectos em comum, como o planejamento e a organização. Henry Gantt (1861-1919) desenvolveu o controle gráfico da produção, objetivando o acompanhamento diário dos fluxos de produtividade. Atualmente, os gráficos de Gantt ainda são muito importantes para a gestão de operações das empresas (MOTTA e VASCONCELOS, 2013). - 5 -
Figura 3 - Modelo de Gráfico Fonte: ankomando / Shutterstock Já Hugo Munsterberg é considerado o criador da psicologia industrial, pois seus estudos contribuíram para o processo de contratação de homens mais capacitados para o trabalho. O pesquisador definiu as condições psicológicas necessárias para o aumento da produtividade (BERNARDES e MARCONDES, 2006). Contribuições da administração científica Frederick Taylor implantou a utilização de métodos e procedimentos diversificados ao se executar uma mesma tarefa. - 6 -
Taylor passou a separar as atividades de planejamento das atividades de execução e desenvolveu a Organização Racional do Trabalho (ORT) abordando diferentes aspectos, descritos a seguir. Análise do trabalho e estudo de tempos e movimentos: por meio da análise do trabalho, foi possível decompor cada tarefa em uma série ordenada de movimentos simples. Com essa ação pode-se determinar o tempo médio que um operário comum levava para executar uma determinada tarefa. Estudo da fadiga humana: por meio da adoção de métodos científicos, a administração de Taylor passou a eliminar os movimentos inúteis e os úteis foram racionalizados para proporcionar economia de tempo e de esforço ao operário. Divisão do trabalho e especialização do operário: com a divisão das tarefas, cada operário passou a ser um especialista na execução de atividades simples. Taylor defendia que a eficiência humana aumentava com a especialização. Desenho de cargos e tarefas: o desenho do cargo envolvia a descrição das tarefas/atividades desempenhadas pelo operário, assim como os métodos necessários para a execução das mesmas. Incentivos salariais: para aqueles trabalhadores que desenvolvessem suas tarefas dentro dos padrões de tempo determinados, Taylor estabeleceu a remuneração de acordo com a quantidade produzida. Condições de trabalho: para Taylor, a eficiência era alcançada de acordo com a aplicação dos métodos científicos e o incentivo salarial. Padronização: consistia em selecionar os métodos mais condizentes para a execução de determinada tarefa. Supervisão funcional: cada supervisor era especializado na sua área e exercia autoridade sobre os operários subordinados (ANDRADE e AMBONI, 2011). SAIBA MAIS O artigo Administração científica: uma análise da organização racional do trabalho e sua correlação com o setor de produção em empresas na atualidade, traz, a partir de estudos práticos, a relação da gestão da produção e a organização racional do trabalho proposta por Taylor. Disponível em: <http://cac-php.unioeste.br/eventos/conape/anais/iii_conape /Arquivos/Artigos/Artigoscompletos/ADMINISTRACAO/7.pdf>. Críticas à administração científica Dentre os vários estudos sobre a administração científica, um dos mais importantes foi do pesquisador Robert Hoxie, indicado pela Câmara dos Deputados norte-americanos para realizar uma investigação aprofundada sobre os métodos de trabalho propostos por Taylor. O pesquisador visitou fábricas e realizou uma série de entrevistas com operários e dirigentes de organizações que adotavam as técnicas desenvolvidas por Taylor (MOTTA e VASCONCELOS, 2013). Recompensas salariais: para o engenheiro Frederick Taylor, o empregado era influenciado e incentivado a produzir mais graças às recompensas econômicas. Ele acreditava que os operários somente desenvolveriam o que precisava ser feito se houvessem recompensas financeiras pelo trabalho desenvolvido ( homo economicus). - 7 -
Figura 4 - Pagamento Fonte: ian Johnston / Shutterstock Fechamento Concluímos a aula que trata da administração científica. Agora você já conhece suas principais características e princípios norteadores que até hoje continuam influenciando o pensamento administrativo quando se pensa na otimização da produção. Nesta aula, você teve a oportunidade de: conhecer os princípios de Taylor que buscavam desenvolver formas mais eficientes de execução de tarefas nas fábricas; conhecer o sistema de linha de montagem (produção em série) apresentado por Ford; identificar a contribuição dos demais pensadores com foco no aumento da produtividade dos trabalhadores; identificar as principais contribuições da administração científica no campo da organização racional do trabalho e conhecer as críticas feitas à administração científica, voltadas para o sistema de recompensas salariais, o enfoque mecanicista e a superespecialização dos operários. Referências AGUIAR, Jairo Leonardi di; COSTA JUNIOR, Nereu Antonio de; ROCHA, Manoel Santos da; Maciel, Valdecir Junior; SILVA, Jean Max da. Administração cientifica: uma análise da organização racional do trabalho e sua correlação - 8 -
com o setor de produção em empresas na atualidade. Anais do III Congresso Nacional de Pesquisa em Ciências Sociais Aplicadas. Francisco Beltrão. 2014. Disponível em: < http://cac-php.unioeste.br/eventos /conape/anais/iii_conape/arquivos/artigos/artigoscompletos/administracao/7.pdf>. Acesso em: 26/01 /2017. ANDRADE, Rui Otavio Bernardes de; AMBONI, Nerio. Elsevier, 2011. BERNARDES, Cyro; MARCONDES, Reynaldo Cavalheiro. 2006. Teoria geral da administração. 2. ed. Rio de Janeiro: Teoria geral da administração. São Paulo: Saraiva, CHIAVENATO, Idalberto. Introdução a teoria geral da administração. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. FARIA, Caroline. Administração científica. Revista InfoEscola. Disponível em: < http://www.infoescola.com /administracao_/administracao-cientifica/>. Acesso em: 09/01/17. MORGAN, Gareth. Imagens da Organização. Edição Executiva. São Paulo: Atlas, 2013. MOTTA, Fernando C. Prestes; VASCONCELOS, Isabella F. Gouveia de. Paulo: Thomson, 2013. OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Paulo: Atlas, 2012. Teoria Geral da Administração. 3. ed. São Teoria geral da administração: uma abordagem prática. 3. ed. São RIBEIRO, Antonio de Lima. Teorias da Administração. São Paulo: Saraiva, 2003-9 -