Bioflavonóides cítricos Vasoprotetor, antioxidante Se tratando de fitoterápico: Nome científico: Citrus aurantium L. Família: Rutaceae Parte utilizada: Fruto Ativos: flavonóides totais, hesperidina e outros bioflavonóides Sinonímia botânica: Aurantium acre Mill., Citrus aurantium subsp. Amara L., Citrus hystrix H. Perrier, Citrus vulgaris Risso. Sinônimos: laranja-azeda, laranja-bigarade, laranja-cavalo, laranja-da-china, laranja-da-terra, laranja-de-sevilha, laranja-de-umbigo, laranja-doce, laranja-flor, laranja-morgote, laranjanatal, laranja-pêra, laranja-valência, laranja-sevilhana, laranja silvestre, laranjeira, laranjeiracomum, laranjeira-da-china, laranjeira-doce, morgote, pomo-das-hosperides, pomo-de-bacho, pomo-de-ouro, tangerina-morgote; bitter Orange (inglês), naranja amarga (espanhol), pomeranssi (francês), arancio amaro (italiano), pomeranze (alemão). Em inglês: Bioflavonoids. Introdução:
Originária da Ásia tropical, a Citrus aurantium apresenta propriedades nutritivas e medicinais que a tornaram uma espécie muito difundida e utilizada pelos povos de vários continentes. No Oriente utiliza-se tradicionalmente o fruto verde seco. As diferentes partes desta laranjeira têm usos medicinais variados. Além do fruto em si, as folhas são usadas em infusões como carminativas (auxiliar na digestão) e antitérmicas em casos de gripes e resfriados; as flores são sedativas e antiespasmódicas; e o edicarpo do fruto (a camada externa) é usado como regulador da digestão. Planta da Família das Rutáceas, trata-se de uma árvore de porte pequeno ou médio, que atinge de 6 a 10 metros de altura. Apresenta copa densa e em formato esférico. Os caules são espinhosos, as folhas são simples e alternas. As flores são axilares, brancas e muito perfumadas são elas as responsáveis pelo perfume indescritível que inunda as ruas da cidade de Sevilha, na Espanha, quando as laranjeiras estão floridas na primavera. O fruto é arredondado, com casca grossa, de coloração alaranjada, muitas vezes avermelhada quando maduro. O fato que direcionou os holofotes para a laranja-amarga (Citrus aurantium) é que o extrato é obtido deste fruto está sendo usado por suas propriedades termogênicas, no tratamento coadjuvante da obesidade e como suplemento dietético, tanto isoladamente ou em conjunto
com outros princípios ativos (ex: cafeína). O extrato da laranja-amarga (Citrus aurantium) tem sido utilizado em suplementos alimentares para auxiliar na perda de peso e como inibidor de apetite. As fibras solúveis da laranja formam um gel no estômago que gera uma sensação de saciedade, facilitando a perda de peso, pois com a fome controlada é possível evitar os exageros à mesa. Além disso, a presença da pectina, em boa quantidade no Citrus aurantium, dificulta a taxa de absorção de carboidratos, lipídios e colesterol em excesso. As fibras alimentares também auxiliam no funcionamento do intestino, mas para um bom resultado, seu consumo deve ser acompanhado da ingestão de líquidos e estar associado a uma dieta equilibrada e hábitos de vida saudáveis. Alguns estudos estão demonstrando que as fibras da laranja (Citrus aurantium) podem acelerar o metabolismo, aumentando o gasto de calorias e a queima de estoques de gordura. Trata-se de uma alternativa bem natural para auxiliar no emagrecimento. Além de ajudar a reduzir as medidas, essas fibras ajudam a equilibrar a dieta, facilitando o funcionamento do intestino. Segundo os especialistas, a laranja-amarga (Citrus aurantium) contém sinefrina, uma substância similar à efedrina (Ephedra sinica), mas é muito mais segura. A efedrina age como estimulante, mas seu uso não é indicado, pois acelera os batimentos cardíacos e a pressão arterial, aumentando o risco de insônia, infarto e derrame. Já a substância extraída da laranja amarga não apresenta este efeito. Ela se liga a receptores encontrados no tecido gorduroso, ativando o metabolismo e a queima de gordura sem causar interferência no sistema cardiovascular. Estudo realizado pelos pesquisadores Elisa R. Larentis, Marcelo D. Arbo, Ana L. Aboy, Renata P. Limberger, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas UFRGS - Porto Alegre (RS), investigou o teor de sinefrina em folhas e frutos verdes de laranjeira-azeda (Citrus aurantium L.). A sinefrina, substância obtida de frutos imaturos de C. aurantium, em razão de sua semelhança estrutural e farmacológica com efedrina e fenilpropanolamina tem sido utilizada em fórmulas para emagrecer e suplementos alimentares. O estudo revelou que foi verificada a presença de sinefrina nas diferentes partes do fruto, justificando o seu uso como farmacógeno, e a presença de quantidades próximas de sinefrina também nas folhas da laranjeira-azeda.
Recentemente, descobriu-se que, em certos estágios de amadurecimento do fruto, o Citrus aurantium apresentava uma composição de cinco aminas adrenérgicas: sinefrina, N- metiltiramina, hordenina, octopamina e tiramina que atuam na estimulação dos receptores beta-3, locais específicos na célula que regulam a perda de gordura. O extrato de Citrus Aurantium, atua na liberação de adrenalina e noradrenalina junto aos receptores beta-3, que são principalmente encontrados no tecido adiposo e no fígado. O estímulo a esses receptores desencadeia o processo de quebra de gordura (lipólise). Ao mesmo tempo, promove um aumento na taxa metabólica (termogênese), queimando uma quantidade maior de calorias. Além de ajudar a manter a forma, o Citrus aurantium apresenta ainda propriedades digestivas, diuréticas, fornece fitonutrientes que ajudam a desintoxicar o fígado e melhoram a absorção dos nutrientes. Finalidade terapêutica: Os bioflavonóides são substâncias hidrossolúveis compostos de rutina, hesperidina, quercetina, picnogenol, flavonóides, entre tantas outras, encontradas mais comumente em frutas e vegetais. Juntamente com a vitamina C ajuda a preservar a integridade do colágeno, a elasticidade e permeabilidade dos vasos capilares, local onde ocorre a troca de nutrientes por toxinas. Possuem também comprovada ação contra vírus e bactérias, especialmente se associados com vitamina C e Zinco. O uso de cortisona, aspirina, antibióticos, diuréticos e fumo, além do excesso de sal e o estresse, aumentam a necessidade de Bioflavonóides. Possui ação anticoagulante e antiinflamatória. Hesperidina: Possui propriedades vasculoprotetora e venotônica. Possui estrutura glicosídeo-flavonoídica, conhecido também como vitamina P ou citrina possui atividade reguladora sobre a permeabilidade capilar, sendo normalmente empregada em hemorragias e púrpuras vasculares. A hesperidina é um produto natural encontrada em abundância no mesocarpo (porção branca) dos limões e das laranjas verdes. Parece ser mais ativa na presença da vitamina C. Indicado para insuficiência venosa crônica. Vasculopatias, capilaropatias. Hiperpermeabilidade capilar. Antioxidantes e os bioflavonóides:
A produção contínua de radicais livres durante os processos metabólicos gerou o desenvolvimento de mecanismos, suportados pelos antioxidantes endógenos como algumas enzimas metabólicas e vitaminas, que limitam os níveis existentes destes elementos no corpo humano, de modo a impedir danos celulalares e tecidulares significativos. Há também fontes exógenas abundantes de antioxidantes na natureza, onde podemos destacar, por exemplo, as vitaminas A, C, E e os bioflavonóides. Os bioflavonóides, ou apenas flavonóides, são substâncias polifenólicas, pigmentos naturais amplamente distribuídas em plantas, frutas e verduras. Já foram identificados mais de 5.000 flavonóides. O termo fenólico ou polifenólico pode ser definido como sendo uma substância que tem um ou mais núcleos aromáticos, contendo substituintes hidroxilados e/ou derivados funcionais, como ésteres, glicosídeos e outros. Os flavonóides mais comuns encontrados na natureza são flavonóis, flavononas e flavonas. As principais fontes de bioflavonóides são as frutas cítricas, onde são encontradas a quercitina, a hesperidina, a rutina, a naranjina e o limoneno, que são chamados citroflavonóides. A quercitina é um flavonóide amarelo-esverdeado presente nas cebolas, maçãs, brócolis, cerejas, uvas e repolho roxo. A hesperidina encontra-se na casca das laranjas e limões. Por outro lado, a naranjina confere o sabor amargo a frutas como laranja, limão. O limoneno é encontrado no limão e na laranja-lima. Até à algum tempo as investigações médicas tinham por objetivo prevenir doenças. Os cientistas tem vindo a focar-se no papel dos nutrientes e respectiva influência na saúde. Em particular, as preocupações centram-se na redução do risco de doenças crônicas e degenerativas. Inúmeras investigações tem-se focado em nutrientes com vitamina C, E e betacaroteno (percursor da vitamina A). Pensa-se que estes podem desempenhar um papel significativo na redução do risco de patologias crônicas pelo capacidade de neutralizar os radicais livres. Mais do que estes compostos, as xantonas revelaram muito recentemente possuírem capacidades antioxidantes muito mais intensas do que qualquer dos nutrientes tradicionalmente referidos como antioxidantes. Pelo processo de geração de radicais livres, os antioxidantes perdem um elétron, sem que se convertam em substâncias quimicamente instáveis. Ao igualar o número de elétron que o radical livre contém, tornam-no menos prejudicial.
Existem 2 tipos de antioxidantes. Sistemas enzimáticos antioxidantes As defesas do organismo atuam através de enzimas que contém um íon de metal na sua estrutura. Estas transferem um elétron de íon de metal para o radical livre diminuindo a sua capacidade de reação. Estas enzimas antioxidantes contém ferro, selênio, manganês, zinco ou cobre. Não é ainda claro se doses elevadas destes minerais podem ter conseqüências adversas ao organismo. As investigações têm vindo a centrar-se sobretudo em nutrientes antioxidantes. Nutrientes antioxidantes Os nutrientes antioxidantes têm papel ativo contra o ataque dos radicais livres. Por exemplo, a vitamina E deixa-se atacar ela própria pelos radicais livres, atuando como tampão químico. Esta vitamina converte-se também num radical até que a vitamina C a devolva ao estado normal, quebrando-se a cadeia. A vitamina C pode reagir com os radicais livres, atuando como bloqueador. O betacaroteno desempenha uma função mais importante do que a vitamina E na proteção das membranas celulares, proteínas e ADN. Uma molécula de betacaroteno pode diminuir a energia de 1000 moléculas de oxigênio desemparelhadas. Os bioflavonóides têm grande importância na proteção do organismo contra a ação dos radicais livres. Seu alto poder antioxidante protege as membranas celulares da lipoperoxidação. Os bioflavonóides podem, também, de forma indireta minimizar o efeito imunodepressor dos radicais livres, pela inibição da ação da ciclooxigenase ao reduzir a formação de hidroperóxidos, processo fundamental para a transformação do ácido araquidônico em PG H2 (PGH2), a partir da qual se formam a PGE2, a PGD2 e a PGF2. Mecanismo de ação: Os bioflavonóides são denominados vitamina P e são indispensáveis para fixar a vitamina C no organismo. Trabalha junto com a vitamina C para fortalecer os tecidos capilares e conjuntivos. Essas vitaminas não são produzidas no corpo, por isso têm de ser obtidas externamente. Os bioflavonóides ajudam a proteger o endotélio vascular das agressões dos radicais ácidos e também diminuir a adesividade das plaquetas, diminuindo o risco da formação de trombos e conseqüente obstrução de artérias que poderiam resultar em infartos.
Os bioflavonóides evitam que o sangue se espesse e obstrua as artérias. Também fortalecem os vasos capilares, e vasos capilares fracos quase sempre provocam sangramentos internos e ataques cardíacos. Ativam a circulação sanguínea e diminuem o nível de colesterol. Indicações principais: Fortalece as paredes dos capilares, prevenindo o aparecimento de doenças cardíacas ou circulatórias. Ajuda no tratamento de edemas e na fragilidade capilar. Antioxidante. Outras indicações: Estimula a circulação sanguínea. Aumenta a resistência imunológica. Aumenta a eficiência da vitamina C. Auxilia no tratamento de edemas. Auxilia no tratamento das labirintopatias. Auxilia no tratamento de equimoses na pele, junto com a Vit.C. Auxilia na prevenção e tratamento dos sangramentos gengivais e nasais. Auxilia no tratamento das ondas de calor da menopausa, junto com a Vit.C. Dosagem: De 10 a 100 mg por dia. Reações adversas: O uso de suplementos de Hesperidina é normalmente bem tolerado. As reações adversas podem ser de origem gastrintestinal como, por exemplo, náusea. Contra-indicações: O uso é contra-indicado a pessoas que tenham sensibilidade à Hesperidina ou a outros componentes da fórmula.
Mulheres grávidas ou em fase de amamentação devem consultar o médico antes de usar suplementos de Hesperidina. Precauções: Não há relato na literatura científica sobre os efeitos da deficiência ou excesso dos bioflavonóides. Referências: Fabricante Dimitri, M J, La flora arbórea del Parque Nacional Iguazú, Anales de Parques Nacionales, T. XII, Servicio de Parques Nacionales, 1974, (p.180). The Merck Index Fourtheenth Edition, 2006. The Pharmacology of Plant Phenolics, J. W. Fairbairn, Ed. (Academic Press, New York, 1959). J. B. Harborne, Comparative Biochemistry of the Flavonoids (Academic Press, New York, 1967).