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Sócio de Anan Advogados Especialista em Direito Empresarial pela PUC-SP MBA Controller pela FEA-USP Membro da Diretoria Jurídica da ANEFAC Diretor do Conselho Consultivo da APET Professor do Curso de Especialização em Direito Tributário na APET, LFG, CONAEN, FUCAPE, FUCAPE, FGV, FAAP e ESA. Autor do Livro Fusão, Cisão e Incorporação de Sociedades Ed. Quartier Latin Coordenador do Livro Planejamento Fiscal volumes 1, 2 e 3 e IRPJ Ed. Quartier Latin, e Prestação de Serviços Profissionais - Aspectos Legais, Econômicos e Tributários MP Editora. Membro da 2 Turma Ordinaria, da 2 Câmara do 2 Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF Juiz Substituto do Tribunal de Impostos e Taxas - SP Membro da 4 Câmara do Conselho Municipal de Tributos SP (2006-2008)
Qual a importância da contabilidade para as empresas? Como o fisco se utiliza dos dados contábeis? O conhecimento contábil é importante para o profissional na área tributária? Com a Lei 11.638/07, Lei 11.941/09 e ININ/RFB 1.397/13 houve alguma mudança significativa na contabilidade das empresas?
BANCO PANAMERICANO BANCO SANTOS BANCO NACIONAL CARREFOUR DASLU SCHINCARIOL PETROBRÁS
Usuários: Os usuários são pessoas que utilizam da Contabilidade, que se interessam pela situação da empresa e buscam na Contabilidade as suas respostas. Evidentemente, os administradores não são os únicos que se utilizam da Contabilidade. Os investidores (aqueles que aplicam dinheiro na empresa); os fornecedores de mercadorias a prazo querem saber se a empresa tem condições de pagar sua dívidas; os bancos, por sua vez, emprestam dinheiro desde que a empresa tenha condições de cumprir o pagamento; o governo quer saber quanto de impostos foi gerado para os cofres públicos e etc.
Princípio da entidade: Reconhece o Patrimônio como o objeto da contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, ou seja, a necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Assim, a Contabilidade registra somente os atos e fatos ocorridos que se refiram ao patrimônio da empresa, e não os relacionados com o patrimônio particular de seus sócios.
Princípio da competência: Consiste no fato de que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado da empresa do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. Exemplo: Numa venda feita em agosto para recebimento em setembro, a receita de venda deverá ser contabilizada no mês de agosto. Prêmio pago na contratação de seguros.
Princípio da prudência ou Conservadorismo: Determina a adoção do menor valor para os componentes do Ativo e do maior para os do Passivo, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido. Exemplo: constituição de provisão para contingência.
Princípio da continuidade A continuidade ou não da Entidade, bem como sua vida estabelecida ou provável, devem ser consideradas quando da classificação e avaliação das mutações patrimoniais, quantitativas e qualitativas.
Primazia da Essência sobre a Forma Transações e Eventos contabilizados de acordo com a substância e realidade econômica.
Os critérios de contabilização das empresas tem fundamentação legal na Lei nº 6.404/76 - Lei das S/A Artigos 176 a 188 da Lei das S/A
Artigo 176 Demonstrações Financeiras Com base na escrituração mercantil, ao fim de cada exercício social Balanço Patrimonial Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados Demonstração do Resultado do Exercício - DRE Demonstração de Fluxo de Caixa - DFC Demonstração do Valor Adicionado - DVA
Artigo 177 Escrituração da companhia mantida em registros permanentes obediência aos preceitos da legislação comercial e a Lei das S/A obediência aos princípios de contabilidade geralmente aceitos observar métodos e critérios contábeis uniformes no tempo registrar as mutações patrimoniais com base no regime de competência
Artigo 178 - Grupo de contas - Ordem Descrescente Ativo Circulante Não Circulante Passivo Circulante Não Circulante Patrimônio Líquido - Cap. Social, Reservas de Capital, Reservas de Lucros e Prej. Acumulados
Critérios de Classificação Ativo - Artigo 179 Passivo Artigo 180
Patrimônio Líquido - Artigo 182 Capital Social Reservas de Lucros Reservas de Capital Prejuizos Acumulados
Critérios Avaliação Ativos - Artigo 183 Passivos Artigo 184
Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados - Artigo 186 Demonstração de Resultado Exercício - Artigo 187 Demonstração do Fluxo de Caixa e Valor Adicionado - Artigo 188
Ativo = Bens e Direitos da Sociedade Passivo = Obrigações da Sociedade PL = A - P = B + D - O
Débito - ponto de destinação dos recursos, em uma transação. Crédito - ponto de origem dos recursos, em uma transação.
Ativo Balanço Patrimonial Passivo Conta Ativo aumentos reduções Conta Passivo reduções aumentos Aplicações Recursos Débito Fontes de Recursos Crédito
Despesas São consumos de ativos incorridos com o objetivo de obtenção de receitas. Despesas correspondem a reduções do Patrimônio Líquido.
Receita São acréscimos brutos de ativos que são obtidos sem a ampliação das dívidas ou do capital da empresa. Receitas correspondem a acréscimos ao Patrimônio Líquido e resultam da venda de produtos, bens ou serviços pela empresa.
Demonstração de Resultados Aumento Despesa Diminuição Receita Diminuição Aumento
Débito X Crédito Ativo Passivo Receita Despesa Aumen ta Débito Crédito Crédito Débito Diminui Crédito Débito Débito Crédito
Contabilização de Impostos Os impostos incidentes na aquisição de mercadorias para revenda, fabricação de produtos para venda ou bens para uso próprio não devem ser incluídos no custo dos bens ou serviços quando forem recuperados; mas tão-somente quando não forem recuperados.
Lançamento contábil: Débito Matéria-Prima (AC) Débito IPI a Recuperar (AC) Débito ICMS a Recuperar (AC) Débito PIS a Recuperar (AC) Débito - COFINS a Recuperar (AC) Crédito Fornecedores (PC)
Contabilização de Impostos IPI, ICMS, ISS, PIS/Pasep e COFINS Os impostos incidentes sobre a venda e prestação de serviços devem ser deduzidos da receita bruta, a qual deverá ser registrada pelo valor total, incluindo os impostos sobre ela incidentes, exceto o IPI.
IPI, ICMS, ISS, PIS/Pasep e COFINS Exemplo: Contabilização de Impostos IPI: Débito IPI s/vendas (CR) Crédito IPI a Recolher (PC) ICMS: Débito ICMS s/vendas (CR) Crédito ICMS a Recolher (PC) ISS: Débito ISS s/vendas (CR) Crédito ISS a Recolher (PC)
Contabilização de Impostos IPI, ICMS, ISS, PIS/Pasep e COFINS Exemplo: PIS/Pasep: Débito PIS s/vendas (CR) Crédito PIS a Recolher (PC) COFINS: Débito COFINS s/vendas (CR) Crédito COFINS a Recolher (PC)
Contabilização de Impostos IR, CSLL Deverão ser provisionados no encerramento do períodobase, isto é, no último dia de cada trimestre (apuração trimestral) ou no último dia do exercício (apuração anual).
Contabilização de Impostos IR, CSLL Apuração Trimestral Lançamento: Débito Apuração do resultado do exercício (CR) Crédito CSLL/IRPJ a recolher (PC)
Contabilização de Impostos IR, CSLL Apuração Anual Lançamento mensal: Débito CSLL/IRPJ Estimativa a recuperar (AC) Crédito IRPJ/CSLL a recolher (PC)
Contabilização de Impostos IR, CSLL Apuração Anual Lançamento em 31/dezembro: Débito Apuração do resultado do exercício (CR) Crédito CSLL/IRPJ a recolher (PC)
Contabilização de Impostos IR, CSLL Apuração Anual: o saldo do AC deverá ser transferido para a conta de obrigação (PC) após a constituição da provisão. Caso o valor da provisão seja inferior ao valor estimado, a diferença será transferida para a conta do AC.
Contabilização de Impostos IR, CSLL Apuração Anual Lançamento da Transferência: Débito CSLL/IRPJ a Recolher (PC) Crédito CSLL/IRPJ - Estimativa a Recuperar (AC)
Créditos Tributários Tributos pagos a maior ou indevidamente: Os impostos e contribuições pagos a maior ou indevidamente devem ser contabilizados no ativo circulante, como um direito com o Fisco: Débito Tributos a Recuperar (AC) Crédito Disponibilidades (AC)
Créditos Tributários Tributos pagos a maior ou indevidamente: Os tributos federais pagos a maior ou indevidamente serão acrescidos da taxa SELIC, acumulada mensalmente, desde a data do pagamento até o mês anterior em que se tenha compensado tais tributos, e mais 1% referente ao mês que esteja sendo compensado. A taxa Selic deverá ser contabilizada da seguinte maneira: Débito Tributos a Recuperar (AC) Crédito Receita Financeira (CR) Fiscalmente, essa receita é tributada.
Retenção na Fonte Retenções na Fonte do IR, da CSLL, do PIS e da COFINS: a) Prestador do serviço: registro da retenção em conta própria do ativo circulante. b) Tomador do serviço: registro do imposto e das contribuições sociais retidas na fonte em conta de obrigações junto ao Fisco, no passivo circulante.
Retenção na Fonte Prestador de serviços: Pela prestação de serviços: Débito Contas a Receber (AC) Débito IRRF a Recuperar (AC) Crédito Receita de Prestação de Serviço (CR) Pelo recebimento: Débito Disponibilidades (AC) Débito CSLL a Recuperar (AC) Débito - PIS a Recuperar (AC) Débito COFINS a Recuperar (AC) Crédito Contas a Receber (AC)
Retenção na Fonte Tomador de serviços: Pela prestação de serviços: Débito Despesa Operacional (CR) Crédito IRRF a Recolher (PC) Crédito Obrigação (PC) Pelo pagamento: Débito Obrigações (PC) Crédito Contribuições a Recolher (PC) Crédito Disponibilidades (AC)
Retenção na Fonte A fonte pagadora deverá efetuar a retenção do imposto de renda no pagamento ou no crédito, o que ocorrer primeiro (regime de competência). Enquanto, que as contribuições federais (PIS/COFINS/CSLL), devem ser retidas quando o serviço for efetivamente pago (regime de caixa).
Retenção na Fonte Esses valores poderão ser deduzidos do IR, da CSLL, do PIS e da COFINS que a empresa tem a recolher. Quando deduzidos, a empresa deverá efetuar, contabilmente, a transferências dos tributos que estão registrados no Ativo Circulante para os Tributos a Recolher, que estão registrados no Passivo Circulante.
Tributos discutidos Administrativa e Judicialmente Tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, em virtude de discussão judicial ou administrativa, devem ser contabilizados normalmente como despesa no resultado do exercício, mas não serão dedutível para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Lançamento: Débito Despesas Operacionais (CR) Crédito Obrigação (PC)
Tributos discutidos Administrativa e Judicialmente Lançamento caso haja depósito judicial: Débito Despesas Operacionais (CR) Crédito Obrigação (PC) Débito Depósito Judicial (RLP) Crédito Disponibilidades (AC) Atualização Monetária do depósito judicial (SELIC): Débito Depósito Judicial (RLP) Crédito Receita Financeira (CR)
Tributos discutidos Administrativa e Judicialmente Em termos fiscais, temos: a) O valor discutido judicialmente deverá ser adicionado na parte A do LALUR, e controlado numa folha da parte B ; b) A receita financeira decorrente da atualização monetária do depósito judicial não é tributada.
Tributos discutidos Administrativa e Judicialmente A empresa que possui discussão administrativa/judicial possuirá um saldo no RLP e no AC que será destinado à outras contas dependendo da sentença proferida no processo. a) Sentença favorável: o valor depositado judicialmente, acrescido da SELIC será transferido para a conta bancos (AC). O valor registrado em obrigação deverá ser transferido para uma conta de receita operacional (RE). Tal receita não será tributada para fins de IR e CSLL.
Tributos discutidos Administrativa e Judicialmente b) Sentença desfavorável: o valor depositado judicialmente deverá ser transferido para a conta de obrigação (PC), enquanto o valor relativo à taxa SELIC deverá ser transferida para a conta de despesa financeira (RE). O saldo do tributo controlado na parte B do LALUR deverá ser baixado e excluído da parte A. A receita financeira registrada na parte B deverá ser simplesmente baixada.
OBRIGADO!