GÊNERO TEXTUAL CORDEL: DA TEORIA À PRÁTICA

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Transcrição:

GÊNERO TEXTUAL CORDEL: DA TEORIA À PRÁTICA Francisco das Chagas Carneiro da Rocha; Islanny Ramalho Fragoso; Maria do Socorro Costa de Araújo; Verônica Pereira Nóbrega Gomes; Roberto da Silva Ribeiro (Universidade Estadual da Paraíba, fchaguinhas41@yahoo.com.br, islannyfragoso@hotmail.com, prof_socorro1@hotmail.com, veronicarios@bol.com.br pb1318113@hotmail.com) RESUMO Este trabalho descreve atividades práticas em que alunos voluntários de 8 e 9 anos do ensino fundamental da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. Antônio Fernandes de Medeiros Malta/PB realizaram um sarau poético como estratégia de aprendizado a respeito de gêneros textuais. A atividade se incluiu no projeto de Intervenção Pedagógica A LÍNGUA EM FOCO: Vai Leitura, Vem Escrita através do Prêmio Mestres da Educação, iniciativa do Governo do Estado da Paraíba. Nosso objetivo foi proporcionar aos alunos aprender de forma dinâmica e inovadora mediante o trabalho com gênero discursivo e textual como uma ferramenta para a aprendizagem de conteúdos de língua portuguesa para corrigir falhas e minimizar dificuldades. Justifica-se a escolha dessa temática pela relevância do gênero textual cordel, analisando-o quanto às suas peculiaridades e funções sócio/comunicativas. O trabalho desenvolvido com base em cordel foi realizado por alunos de 8 e 9º anos de ensino fundamental da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Doutor Antônio Fernandes de Medeiros, Malta/PB que participaram de atividades propostas pelo projeto de Intervenção Pedagógica A LÍNGUA EM FOCO: Vai Leitura, Vem Escrita. Ao final da realização do projeto, os alunos envolvidos apresentaram maior gosto e prazer pela língua, além de alcançarem melhor resultados na aprendizagem e, consequentemente, maior aprovação. PALAVRAS-CHAVE: Gênero Textual, Práticas Docentes, Aprendizagem, Cordel. INTRODUÇÃO Os estudos acerca dos gêneros textuais, no Brasil, rompem com os espaços acadêmicos e chegam aos espaços escolares com o surgimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino fundamental, precisamente em 1996. A partir de então, os gêneros textuais têm despertado a atenção e o interesse de um número

considerável de professores, surgindo, portanto, várias publicações a fim de atender a essa demanda. No espaço escolar, os gêneros textuais surgem como ferramentas indispensáveis à aquisição e compreensão da linguagem, logo o ensino de muitos gêneros que circulam entre nós, socialmente, além de ampliar significativamente a competência linguística e discursiva dos alunos, mostra-lhes diversas maneiras de participação social que eles, na condição de cidadãos, podem ter através do uso da linguagem. O cordel, no Brasil, apresenta uma larga relação com a poesia popular em versos tratando em seus temas as mais variadas histórias da vida do homem. Quanto à sua estrutura, o cordel pode ser dividido em quintilha (cinco versos), sextilha (seis versos), setilha (sete versos), quadrão (oito versos) e décima ou martelo (dez versos). Os motes dos cordéis são classificados como: desafios ou peleja; religião, ritos e exemplos; banditismo; história e fatos reais; amor e aventuras; humorismo e sátira. A expressão literatura de cordel configura uma expressão que foi inicialmente usada pelos pesquisadores interessados em estudar e conhecer nossa cultura com o intuito de designar os folhetos vendidos nas feiras, principalmente em pequenas cidades do interior nordestino. (MARINHO, PINHEIRO, 2012, P.18) Justifica-se a escolha de levar textos para a sala de aula no formato de cordel pela relevância bem como a necessidade de propor aos alunos o contato direto com tal gênero, analisando-o quanto às suas peculiaridades e funções sócio/comunicativas, além de aspectos ligados à métrica, à rima, à cadência, à musicalidade, ao jogo com as palavras e o vocabulário simples e o contexto onde este gênero permeia. Nossa pretensão não foi levar folhetos nem textos para a sala de aula a fim de formarmos poetas, mas leitores. Defendemos que os leitores se formam gradativamente com base em experiências diversificadas de leituras, e se a escola pode contribuir para isso, estará efetivamente cumprindo seu papel. METODOLOGIA O trabalho desenvolvido com base em cordel foi realizado por alunos de 8 e 9º anos de ensino fundamental da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Doutor Antônio Fernandes de Medeiros, Malta/PB que participaram de atividades propostas pelo projeto de Intervenção Pedagógica A LÍNGUA EM FOCO: Vai

Leitura, Vem Escrita cujo professor desses alunos é autor do projeto mencionado que, através do Prêmio Mestres da Educação como uma iniciativa do Governo do Estado da Paraíba premia professores da Educação Básica que desenvolvem boas práticas pedagógicas em sala de aula. A principal metodologia deste trabalho foi proporcionar aos alunos ler e escrever textos no formato de cordel visando o gosto e o prazer pelo estudo da língua e, consequentemente, aprender conteúdos de forma dinâmica e inovadora. Foram apresentadas em músicas da cultura popular e do cancioneiro de Luiz Gonzaga diversos aspectos da vida do homem sertanejo como seu modo de falar, sua cultura, sua fé e esperança diante das dificuldades do dia a dia; identificaram em textos de Patativa do Assaré bem como do poeta Zé da Luz aspectos ligados à identidade e formação do homem nordestino. Os alunos trabalharam a retextualização e reescritura de textos dos poetas citados transpondo-os para a norma padrão, demonstrando, assim, melhor apreensão e domínio das regras gramaticais de bom uso bem como dos elementos da textualidade como a coerência e a coesão. Os alunos aprenderam conceitos de estrofe, verso, rima; perceberam a relevância da entonação da voz e expressão corporal necessárias para que se leia cordel dando maior expressividade à leitura; demonstraram saber diferenciar língua padrão de língua não padrão; reconheceram marcas da oralidade presentes nos textos trabalhados em sala de aula; reconheceram que a língua não padrão empregada nos textos de cordel tem uma grande relevância e que não deve ser inferiorizada em favor da língua padrão. Os alunos voluntários foram estimulados a produzir textos em cordel que foram apresentados durante um sarau poético aproveitando os espaços da escola como a biblioteca e a sala de aula REVISÃO BIBLIOGRÁFICA A palavra gêneros sempre foi bastante utilizada retórica e pela teoria literária com um sentido especificamente literário, para identificar os gêneros clássicos o lírico, o épico, o dramático e os gêneros modernos, como o romance, a novela, o drama, etc. (CEREJA, 2012, p. 28)

Para Bakhtin (2000, p. 280) os textos que produzimos, na sua totalidade, quer sejam orais ou escritos, são pautados através de uma gama de peculiaridades relativamente estáveis. Tais peculiaridades materializam diferentes textos ou gêneros do discurso, que podem apresentar três características básicas coexistentes: o tema, o modo composicional (a estrutura) e o estilo (usos específicos da língua). Marcuschi (2005, p.19) afirma que gêneros textuais são fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida cultural e social. São entidades sociodiscursivas e formas de ação social incontornáveis em qualquer situação comunicativa. RESULTADOS E DISCUSSÃO A proposta apresentada nesse projeto culminou com vários pontos positivos no tocante à aprendizagem dos alunos envolvidos, visto que os mesmos demonstraram muita empolgação, gosto e prazer pela leitura e produção de textos em forma de cordel. Com a inserção do gênero textual, principalmente do cordel nas aulas de língua portuguesa para trabalharmos com alunos de 8º ano A de ensino fundamental foi possível estudar, conhecer, ler e produzir cordéis de forma dinâmica e prazerosa, proporcionando-os gostar e aprender melhor a língua portuguesa. Percebemos que essa ferramenta constitui um instrumento importante e necessário ao aprendizado de nossos alunos. O cordel como sinônimo da poesia popular se configura num recurso de ensino em sala de aula através do qual professores poderão enriquecer e inovar suas práticas pedagógicas e motivar seus alunos a gostarem e vislumbrarem de um belo e rico acervo linguístico e poético de que a língua portuguesa dispõe para o aprendizado dos alunos. É importante que os professores instiguem nossos alunos a se familiarizarem com a literatura de cordel, logo, se assim o fizermos, estaremos oportunizando espaços para que os alunos retratem e falem sobre suas experiências, suas leituras, suas histórias de vida; estarão trazendo à tona também a história de vida de gerações passadas e presentes que contribuíram e contribuem para que o cordel ganhe vida na sociedade contemporânea. Espera-se que este trabalho inspire novas investigações acerca da literatura de cordel, como também possa ser um subsídio aos professores e pesquisadores e a quem se interessar por trabalhos desta natureza, reconhecendo o cordel como uma grande produção cultural que deve ser conhecida, preservada e integrada à vida de nosso povo. Figura 1: leitura e produção de cordéis.

Figura 2: Sarau poético. CONCLUSÃO Quando decidimos trabalhar com o gênero cordel em sala de aula considerávamos a necessidade de envolver nossos alunos em práticas de leitura e escrita através das quais eles teriam contato com textos de autores consagrados, conheceriam diferentes pontos do Nordeste onde o cordel está mais presente e, consequentemente, produziriam seus textos pontuando neles suas experiências. Aproveitar os espaços da escola com biblioteca e a sala de aula para a realização de atividades e experiências sobre a literatura de cordel, é uma conquista positiva tanto para professores quanto para alunos, tendo em vista a relevância que o cordel, enquanto gênero, representa para a formação de leitores desde seus elementos estéticos às temáticas nele discutidas. Portanto, os leitores quer sejam alunos ou professores, encontrarão neste trabalho experiências significativas acerca de atividades com cordel em sala de aula que servem como sugestões ou propostas para serem inseridas nas práticas pedagógicas no dia a dia escolar e que podem ser adaptados aos mais diversos contextos e níveis de ensino. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Tradução: Maria Ermantina Galvão G. Pereira. 3.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000. CEREJA, William Roberto.; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: linguagens, 8º ano: língua portuguesa. 7. ed. reform. São Paulo: Saraiva, 2012. MARCUSCHI, L.A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONISIO, A.P.; MACHADO, A.R.; BEZERRA, M.A. (Org). Gêneros textuais e ensino. 4. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005. MARINHO, Ana Cristina; PINHEIRO, Hélder. O cordel no cotidiano escolar. São Paulo: Cortez, 2012.