4 1. INTRODUÇÃO A logística empresarial é um conceito relativamente novo, apesar de que todas as empresas sempre desenvolveram atividades de suprimento, transporte, estocagem e distribuição de produtos. A novidade nesse conceito, se encontra no fato de que as empresas passaram a desenvolver essas atividades de forma integrada e coordenada, em busca da melhor contribuição possível para o resultado empresarial. Com isso, passaram a reconhecer que a logística empresarial tem potencial para agregar valor aos produtos e serviços que são comprados pelos clientes, tornando-se essencial para sua satisfação e para o sucesso das ações de marketing. Nesse trabalho, será abordado o transporte de cargas pesadas e excepcionais, conhecidas como cargas especiais, de modo a destacar os aspectos legais que englobam esse transporte, assim como seu planejamento, a necessidade de roteirização, utilização de veículos especiais, uso de escolta com batedores, dentre outros aspectos.
5 2. LOGÍSTICA EMPRESARIAL Segundo Bowersox (2001), a logística engloba a integração de informações, transporte, estoque, armazenagem, manuseio de materiais e embalagem. Já Ballou (1993), define logística empresarial como todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos em toda a cadeia de suprimentos, desde a produção até entrega final, assim como dos fluxos de informação que possibilitam o movimento dos produtos, de modo que propicie níveis de serviços adequados aos clientes a um custo razoável. A logística é fundamental para empresa, desde que ela seja conhecida de maneira geral e sistêmica, para que o cliente possa ser atendido de maneira satisfatória. Conforme Figura 1, o ciclo descrito pode ser apenas um dos níveis da cadeia de abastecimento Supply Chain. Se por um lado, torna-se importante ter uma visão sistêmica do processo, por outro também é necessário fazer um estudo individual de cada um dos elementos da Cadeia Logística. Porém, para o presente trabalho será abordado apenas os aspectos relacionados ao transporte, devido à necessidade de uma maior análise no planejamento da distribuição das cargas perigosas e excepcionais. Figura 1 Visão Sistêmica da Cadeia Logística Fonte: Guia Log (2009)
6 2.1. TRANSPORTE E DISTRIBUIÇÃO É a atividade logística mais importante, sendo responsável por um a dois terços dos custos logísticos e essencial para as empresas, pois não há como operar sem providenciar a movimentação das matérias-primas ou dos produtos acabados. Segundo Ballou (1993), torna-se essencial, pois todas as empresas só conseguem operar se movimentarem suas matérias-primas ou seus produtos acabados. Transporte refere-se aos vários métodos para se movimentar os produtos, podendo ser pelos modos rodoviário, ferroviário, aquaviário e aeroviário, mas não basta apenas escolher o meio de transporte a ser utilizado, precisa-se traçar os roteiros e a melhor utilização da capacidade dos veículos (BALLOU, 1993). 2.2. A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE A demanda de transportes decorre da necessidade de mover bens e materiais, cujo desempenho deve ser controlado e monitorado. Deve-se acompanhar também as informações necessárias ao estabelecimento de padrões e metas para avaliar o desenvolvimento das principais atividades da organização, como: custos operacionais (manutenção da frota e dos equipamentos), custos de transporte, classificação de fornecedores, pessoal e insumos diversos. A tarefa da medida de desempenho é justamente prover informações sobre o andamento das atividades logísticas da empresa (BALLOU, 1993). Uma das tendências da logística moderna é a utilização de operadores logísticos, ou seja, empresas tanto locais como globais que realizam atividades de transportes, movimentação e distribuição de mercadorias de forma sistêmica e integrada à cadeia de produção dos seus clientes. As principais características dos operadores logísticos integrados estão na realização de atividades de transportes de forma personalizada (serviços sob medida). Seu objetivo é aumentar a flexibilidade nos serviços, fidelizando o cliente e proporcionando a redução de custos totais da logística (FLEURY, 2000).
7 2.3. PLANEJAMENTO DO TRANSPORTE E DISTRIBUIÇÃO Planejar a distribuição seria ter centros de distribuição central e regional, depósito local, atacadista, varejista, revendedor, loja, representante, etc. Em seguida a partir dos pedidos, define-se as modalidades de transporte, podendo ser rodoviário, ferroviário, aéreo, marítimo e fluvial, e as rotas com transporte próprio ou terceirizado, sendo responsável desde a expedição, retirada dos estoques, até a entrega ao cliente final (LOG MAR, 2000). Para o presente trabalho, é essencial fazer um planejamento de distribuição e transporte detalhado e completo, de modo que as cargas pesadas e excepcionais necessitam de uma maior atenção para a escolha da modalidade de transporte e principalmente para as rotas utilizadas, devido às dificuldades em algumas vezes pelo tamanho da carga e devido às legislações das vias e municípios que farão parte da rota.
8 3. CARGAS PESADAS OU EXCEPCIONAIS (ESPECIAS) A definição dada para carga indivisível, segundo o Guia do TRC (2009), é: A carga unitária representada por uma única peça estrutural ou conjunto de peças fixadas por rebitagem, solda ou qualquer outro processo, para o fim de ser utilizada diretamente, como peça acabada ou parte integrante de conjuntos de montagem, máquinas ou equipamentos e que pela sua complexidade, somente possa ser montada em instalações apropriadas. O transporte de cargas especiais indivisíveis ou cargas excepcionais permite a transferência de grandes peças e conjuntos estruturais, consideradas cargas especiais. Apresentam peso e dimensões acima do estabelecido pelo código de trânsito brasileiro. Atuando de forma segmentada, esta prestação de serviços permite que as empresas realizem suas atividades de transportes de maneira integrada entre o processo produtivo até a aplicação no destino final, o cliente. 3.1. TRANSPORTE O transporte, no caso das cargas pesadas ou excepcionais, normalmente é realizado de duas maneiras, sendo pelo modal aquaviário, mais especificamente o marítimo, e o modal terrestre, especificamente o rodoviário. Para o presente trabalho, será detalhado o transporte rodoviário devido ser o mais utilizado no Brasil. O transporte rodoviário é o transporte feito por estradas, rodovias, ruas e outras vias pavimentadas ou não com a intenção movimentar materiais, pessoas ou animais de um determinado ponto a ponto. Representa a maior parte do transporte
9 terrestre, por destinar-se a volumes menores e à transferência de produtos mais sofisticados que requerem prazos rápidos de entrega. Devido a isso, no Brasil é o transporte mais utilizado, sendo que 96% destina-se ao deslocamento de passageiros e 60% a movimentação de cargas. O transporte rodoviário em sua maioria é realizado por veículos automotores, como carros, ônibus e caminhão. Segundo a ANTT (2009), existem cerca de 130 mil empresas de transporte de cargas no Brasil com mais 1,6 milhões de veículos que gera emprego para pelo menos 5 milhões de pessoas, sendo que esse transporte corresponde a 6% do PIB nacional. A escolha pelo transporte rodoviário para as cargas especiais, segundo Capo (2005), acontece devido sua mobilidade e flexibilidade no estabelecimento de rotas e pela sua capacidade de adaptação e rápido atendimento, de modo a distribuir as cargas de maior valor agregado. 3.2. PLANEJAMENTO O planejamento para uma operação de cargas excepcionais requer um trabalho minucioso em avaliar os possíveis itinerários, onde deverá ser considerada a infra-estrutura viária, de modo a identificar rotas possíveis e econômicas, assim como localizar os possíveis pontos críticos e de risco, esse tipo de planejamento pode ser realizado em programas voltados para calcular as melhores rotas conforme Figura 2 e 3. O transporte de cargas especiais requer que os profissionais envolvidos no processo, tenham profundo conhecimento sobre a infra-estrutura rodoviária, da frota adequada e ter capacidade em obter autorização especial de trânsito.
10 Figura 2 Sistema de Roteirização Fonte: Google Imagens (2009) Figura 3 Route Logix 5 Pro, exemplo de um SAD de Transporte Fonte: Google Imagens (2009)
11 Com esse planejamento há possibilidade de envolver na operação, empresas de telefonia, Cia de eletricidade, dentre outras, que irão dar suporte a operação, de modo a garantir o sucesso do transporte, dentro do roteiro estabelecido sem que ocorram problemas inesperados. 3.3. LEGISLAÇÃO Toda e qualquer movimentação de cargas pesadas ou excepcionais, além de utilizar equipamentos especiais, requer um conhecimento da legislação pertinente seja ela nacional ou internacional e da infra-estrutura disponível. No planejamento do transporte para cargas excepcionais, a empresa deverá ter uma certificação especial (AET Autorização Especial de Transito), conforme Figura 4, que costuma ser vista como uma etapa crítica no gerenciamento do transporte desse tipo de carga. E além da obtenção do AET, conforme o Artigo 101 do Código de Trânsito Brasileiro, a autorização para o transporte dessas cargas, é de responsabilidade da autoridade com jurisdição sobre a rodovia. Segundo Revista SB-50 (2009), esse procedimento é necessário para identificar a jurisdição e quem é o Órgão responsável, antes de programar a operação de qualquer carga, principalmente se forem cargas especiais, pois necessita de integração entra os órgãos para facilitar sua movimentação. No caso de rodovias federais a autoridade é o DNIT (Departamento Nacional de Infra- Estrutura), em vias estaduais a autorização é dada pelos DERs (Departamento de Estrada de Rodagem) e nas vias municipais o envolvimento deverá ser com os órgãos municipais (Ex.: CET em São Paulo). As normas que regulamentam o transporte de cargas indivisíveis, excedentes em peso e/ou dimensões, estão baseadas no Código Nacional de Trânsito, em especial o Artigo 101, que por sua vez, garante a circulação por vias concedendo autorização especial de trânsito, desde que tenha prazo certo e será válida para
12 cada viagem, desde que esteja de acordo com as medidas de seguranças necessárias para a operação. Isso possibilita que cada órgão determine suas regras para esse tipo de transporte, em suas respectivas jurisdição (REVISTA SB-50, 2009). Figura 4 Autorização Especial de Trânsito - AET Fonte: Google Imagens (2009)
13 3.4. TIPOS DE VEÍCULOS Para o transporte de cargas excepcionais ou indivisíveis, é necessário a utilização de veículos e equipamentos especiais. Lembrando que todos deverão estar de acordo com as especificações dos Órgãos regulamentadores. Os principais veículos utilizados no transporte de cargas excepcionais são os caminhões, as carretas e as plataformas. Estes veículos especiais, não poderão circular em vias sem as devidas precauções e sinalizações. O transporte desse tipo de carga, com um peso líquido acima de 60 toneladas, necessita de equipamentos especiais, sendo que os cavalos mecânicos precisam ser reforçados, assim como as carretas devem ser projetadas especialmente para esse transporte, com as devidas características que procurem atender às necessidades para cada tipo de carga, como exemplo, carretas largatixas para cargas altas, carretas extensivas para cargas muito compridas, conjuntos modulares com distribuidor de carga tipo gôndola ou viga para cargas muito pesadas tipo transformadores, rotores, dentre outras, conforme pode-se observar nas figuras 5, 6 e 7 (SIDERURGIA BRASIL, 2009). Figura 5 Volvo FH420 6x4 + Prancha Rebaixada 3 Eixos Librelato Fonte: Google Imagens (2009)
14 Figura 6 Transporte de Carga Pesada e Excepcional Fonte: Google Imagens (2009) Figura 7 Transporte de carga especial Fonte: Google Imagens (2009) Para a movimentação e transporte dessas cargas, também necessita-se de equipamentos e máquinas que darão suporte ao processo, como exemplos, guindastes, empilhadeiras, pórticos etc.
15 Figura 8 Guindaste Figura 9 Guindaste 1 Fonte: Google Imagens (2009) Fonte: Primax (2009) Figura 10 Empilhadeira Figura 11 Empilhadeira 1 Fonte: Google Imagens (2009) Fonte: Primax (2009) Figura 12 Pórticos Figura 13 Pórticos 1 Fonte: Google Imagens (2009) Fonte: Primax (2009) Figura 14 Pórticos 2 Figura 15 Pórticos 3 Fonte: Primax (2009) Fonte: Primax (2009)
16 3.5. ESCOLTA COM BATEDORES Para o transporte de cargas excepcionais ou indivisíveis, deverão ser utilizados veículos adequados. Nos casos onde a carga exceda as dimensões como altura, largura, comprimento e peso, será necessário a utilização de veículos de escolta, tipo batedores, conforme pode-se observar nas Figura 16 e 17. Figura 16 Escolta com Batedores Figura 17 Escolta com Batedores 1 Fonte: Google Imagens (2009) Fonte: Google Imagens (2009) 3.6. FALHAS E RISCOS NO TRANSPORTE DE CARGAS EXCEPCIONAIS Em uma operação de transporte de cargas excepcionais, não se pode desconsiderar a possibilidade de ocorrer falhas, devido à dificuldade de movimentação dessas cargas que possuem peso, largura, altura, dentre outras características que as tornam especiais. Conforme Capo (2005), as falhas podem ser incidental e nem serem percebidos pelos envolvidos, no entanto existem as falhas que afetam diretamente sobre o produto ou serviço de modo que o processo venha a ser interrompido, conforme Figura 18, que mostra um erro na escolha do veículo, que não estava de acordo com peso da carga. Desse modo, segundo Capo (2005) as falhas podem ser: De instalação: problemas com veículos, equipamentos ou máquinas que venham apresentar problemas comprometendo o projeto.
17 De pessoal: Problemas relacionados a decisões das pessoas, como por exemplo, tomadas de decisões equivocadas. Do cliente: Nem sempre os problemas é de quem conduz o projeto, às vezes o tomador do serviço pode cometer falhas, como não informar detalhadamente as medidas do que será transportado, e muitas vezes atrasando a entrega. Do Fornecedor: Ocorre quando há falha na distribuição dos insumos ou serviços, que venham causar danos no processo de entrega, estipulado pelo projeto. De Projeto: Em geral é a primeira falha a ocorrer, quando algum fator não é identificado de maneira correta ou talvez nem tenha sido percebido, de modo que interfere no resultado esperado. Os riscos de um projeto de transporte de carga excepcional vai depender da complexidade do projeto. Os riscos podem ser variados, condições climáticas, estrutura das rodovias, volume de tráfego entre outros. Para Capo (2005), quando se trata de carga perigosa que é considerada como especial, as incertezas e os riscos estão presentes em todo o processo de transferência. Figura 18 Acidente com Carga Especial Fonte: Google Imagens (2009)
18 4. CONCLUSÃO O transporte terrestre rodoviário é de extrema importância para a economia e para a sobrevivência das organizações modernas. O transporte de carga,via modal rodoviário vem em uma crescente ano após ano. Dessa forma as empresas buscam tecnologias e métodos de gestão eficazes e eficientes. O transporte de cargas especiais, indivisíveis e extra pesado, requer um grau elevado de planejamento e estudo para esse tipo de operação. O estudo em questão colaborou para entendimento do contexto para remoção de cargas indivisíveis. Esse tipo de trabalho é totalmente diferenciado, comparado com operações do modal rodoviário. Os clientes desse nicho de mercado, irá confiar sua mercadoria à empresas que possuem equipamentos e mão de obra qualificada para transportar suas encomendas de forma ágil e segura.
19 REFERÊNCIAS ANTT, Agência Nacional de Transporte Terrestre. Disponível em: <http://www.antt.gov.br>. Acesso em: 30.mai.2009. BALLOU, Ronald H.. Logística empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. Tradução de Hugo T. Y. Yoshizaki. São Paulo: Atlas, 1993. BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J.. Logística Empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. Tradução da Equipe do Centro de Estudos em Logística, Adalberto Ferreira das Neves, coordenação da revisão técnica de Paulo Fernando Fleury, Cesar Lavalle. São Paulo: Atlas, 2001. CAPO, Jeucimar Moro. Gerenciamento de projetos aplicado ao transporte de cargas especiais indivisíveis. Taubaté: UNITAU, 2005. DNIT, Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes. Disponível em: <http://www.dnit.gov.br>. Acesso em: 25.mai.2009. FLEURY, Paulo Fernando. Logística Empresarial a Perspectiva Brasileira. São Paulo: Atlas, 2000. GOOGLE, Pesquisas por Imagens. Disponível em: <http://www.google.com.br>. Acesso em: 30.mai.2009. GUIA LOG, Guia de Logística O Maior Portal de Logística. Disponível em: <http://www.guiadelogistica.com.br>. Acesso em: 25.mai.2009. GUIA TRC, Guia do Transportador Rodoviário de Carga. Disponível em: <http://www.guiatrc.com.br>. Acesso em: 26.mai.2009. NEXTRANS, Transporte Pesada Logística Empresarial. Disponível em: <http://www.nextrans.com.br>. Acesso em: 26.mai.2009. PRIMAX, Transportes Pesados e Remoções Técnicas. Disponível em: <http://www.primax.com.br>. Acesso em: 26.mai.2009. SIDERURGIA BRASIL, A Revista do Negócio do Aço. Carga pesada exige cuidados especiais. Edição 50, 2009. Disponível em: < http://www.guiadasiderurgia.com.br
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