EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 940.320 - SP (2007/0078868-6) EMBARGANTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS PROCURADORA : HELENA DIAS LEÃO COSTA E OUTRO(S) EMBARGADO : GILBERTO PERES GARCIA ADVOGADO : ADAUTO CORREA MARTINS E OUTRO(S) RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO JORGE MUSSI (Relator): O Instituto Nacional do Seguro Social - INSS opõe embargos declaratórios em face do acórdão de fls. 181 a 184, assim ementado: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE APOSENTADORIA INTEGRAL POR TEMPO DE SERVIÇO. DECRETO Nº 89.312/1984. OBSERVÂNCIA DA LEI VIGENTE À ÉPOCA DO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. REAJUSTES POSTERIORES EM CONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. DECISÃO MANTIDA. 1. A Consolidação das Leis da Previdência Social, editada pelo Decreto nº 89.312, de 23/1/1984, exigia trinta anos de atividade para a aquisição do direito à aposentadoria por tempo de serviço. 2. No caso concreto, o autor possuía em 4.2.1990, 32 anos de tempo de serviço, e por essa razão faz jus ao benefício de aposentadoria integral conforme previsto na legislação então em vigor. 3. Apurada a nova renda mensal, o benefício obedecerá, quanto aos reajustes posteriores, a normatização da Lei de Benefícios em toda a sua extensão. 4. Agravo regimental improvido (fl. 184). Alega o embargante haver erro material, contradição e omissão, uma vez que a interpretação do artigo 33, inciso I, alínea "a", da Consolidação das Leis da Previdência Social - CLPS (Decreto n. 89.312/1984) leva à conclusão de que, sendo o embargado do sexo masculino, com 32 anos de tempo de serviço em 4/2/1990, sua aposentadoria é proporcional, "com 86% (80% + 3% + 3% = 86%) do salário de benefício, e não integral, conforme apontou o v. Acórdão embargado" (fl.188). Pleiteia a improcedência do pedido, por ter sido aplicada interpretação incompatível com o artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal, em violação ao direito adquirido. Registra jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual, Documento: 4352117 - RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 1 de 6
após a concessão da aposentadoria integral, não se permite ao segurado requerer o cálculo da renda mensal de acordo com a legislação anterior, em que teria direito a aposentadoria proporcional. Assevera que, na eventualidade de se manter a aposentadoria proporcional conforme a CLPS, deve-se calcular o benefício de acordo com a referida norma, corrigindo-se os 24 salários-de-contribuição anteriores aos 12 últimos, e incidência do teto. Aponta jurisprudência em abono da tese, segundo a qual não se admite sistema híbrido para se conjugar os aspectos mais favoráveis de cada legislação no cálculo do benefício. Intimado, o embargado não se manifestou (fl. 194). É o relatório. Documento: 4352117 - RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 2 de 6
EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 940.320 - SP (2007/0078868-6) Autarquia. VOTO O SENHOR MINISTRO JORGE MUSSI (Relator): Assiste razão à A Consolidação das Leis da Previdência Social - CLPS, editada pelo Decreto n. 89.312, de 23/1/1984, exigia um tempo mínimo de trinta anos de atividade para a aposentadoria por tempo de serviço, cujo valor inicial seria de oitenta por cento do salário-de-benefício, se homem (art. 33, I, a). Era a aposentadoria proporcional. Caso o segurado continuasse a trabalhar, a CLPS previa que, ao valor de oitenta por cento, seriam acrescidos três por cento do salário-de-benefício para cada novo ano completo de atividade abrangida pela previdência, até o limite de 95% desse salário aos 35 anos de serviço ( 1º do artigo 33). Neste caso, se daria a aposentadoria integral. Segundo o acórdão do Tribunal a quo, em fevereiro de 1990, ao embargado era facultado requerer aposentadoria proporcional, conforme a referida Consolidação, pois completara pouco mais de 30 anos de atividade. Não obstante, permaneceu em atividade e só pleiteou a aposentadoria integral em 1993. Ao apreciar o recurso especial do segurado e o regimental da autarquia, tive por pressuposto que o segurado já contava com tempo de serviço suficiente para se aposentar com proventos integrais, em 1990, com base na legislação anterior (CLPS). Assim, diante do fato de que o aresto embargado partiu de premissa equivocada, merecem ser recebidos estes embargos, por evidente contradição. Nesse sentido, cita-se o seguinte julgado: RECURSO ESPECIAL. ERRO DE FATO PRESENTE. CORREÇÃO DO ERRO PELA VIA DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. VIABILIDADE. EMBARGOS ACOLHIDOS COM EFEITOS MODIFICATIVOS. - É admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento. Documento: 4352117 - RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 3 de 6
- Na hipótese dos autos, o erro de fato traduz-se na falsa percepção sobre a data de início das férias forenses e sobre o término do prazo para a oposição da exceção de incompetência. - Há de ser reformado acórdão que entendeu ser tempestiva a exceção de incompetência em virtude de erro de fato sobre o prazo da mesma. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos (EDcl no REsp 599653/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 2/8/2005, DJ 22/8/2005 p. 261 - grifou-se). Assim, passa-se a sanar o vício apontado. O compulsar dos autos revela que ao embargado foi concedida aposentadoria, em 4.2.1993, "com aplicação do índice de 100%, sendo que sua renda mensal inicial foi calculada de acordo com os artigos 53, inciso I, c.c. 31 e 33, todos da Lei nº 8.213/91" (fl. 93). No documento de fl. 8, extrai-se que, na referida aposentação, considerou-se o tempo de serviço equivalente a 35 anos, 1 mês e 7 dias, ou seja, aposentadoria com proventos integrais. O entendimento de ambas as Turmas que compõem a Terceira Seção desta Corte é firme no sentido de que a renda mensal inicial dos benefícios previdenciários deve ser calculada conforme a legislação em vigor ao tempo em que os requisitos para a concessão do benefício foram preenchidos. Ilustram-se: AGRAVO REGIMENTAL. PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO DEVIDO NOS MOLDES DA LEGISLAÇÃO EM VIGOR NA DATA DO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. SÚMULA Nº 359/STF. 1. No caso, decidiu o Tribunal de origem em sintonia com o entendimento jurisprudencial desta Corte de que os proventos de aposentadoria são regidos pela lei vigente ao tempo em que o segurado reuniu os requisitos necessários para fazer jus ao benefício, qual seja, a Lei nº 6.950/1981, não havendo que se falar em ofensa ao disposto na Lei nº 8.213/1991. 2. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no Ag 935.603/SC, Rel. Ministro PAULO GALLOTTI, SEXTA TURMA, julgado em 29/4/2008, DJe 19/5/2008). PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. REQUISITOS PREENCHIDOS NA VIGÊNCIA DA LEI 5.890/73. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 6.210/73. DIREITO ADQUIRIDO. 1. Preenchidos os requisitos legais para a concessão da aposentadoria por tempo de serviço na vigência da Lei 5.890/73, Documento: 4352117 - RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 4 de 6
possui o recorrido direito adquirido de ver seus proventos calculados na forma deste diploma legal, ainda que lei posterior, em vigor na data da efetiva inatividade, altere substancialmente algumas de suas disposições. 2. Recurso não conhecido (REsp 128.254/SP, Rel. Ministro EDSON VIDIGAL, QUINTA TURMA, julgado em 17/8/1999, DJ 20/9/1999 p. 75). Aplica-se, mutatis mutandis, o Enunciado de n. 359 da Súmula do Supremo Tribunal Federal que dispõe: Ressalvada a revisão prevista em lei, os proventos da inatividade regulam-se pela lei vigente ao tempo em que o militar, ou o servidor civil, reuniu os requisitos necessários (grifou-se). Na presente ação, a parte autora postula rever a data de início de seu benefício para fazê-la retroagir em três anos, sob a alegação de que lhe seria mais vantajoso. Na prática, pretende alterar sua aposentadoria integral para proporcional. A propósito do tema, o Supremo Tribunal Federal perfilha o entendimento de não ser possível desfazer o ato de concessão de aposentadoria integral para conceder aposentadoria com proventos proporcionais. Anotem-se: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA. PROVENTOS INTEGRAIS. TRANSFORMAÇÃO. PROVENTOS PROPORCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O beneficiário, ao ter sua aposentadoria concedida com proventos integrais, não poderá requerer que a sua renda mensal seja calculada de acordo com a legislação em vigor na data em que teria direito à aposentadoria proporcional. Precedentes. 2. Agravo regimental a que se nega provimento (RE-AgR n. 345.398/SP, Relator Ministro EROS GRAU, SEGUNDA TURMA, DJ 7.12.2006, data do julgamento 14.11.2006 - grifou-se). Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Aposentadoria com proventos integrais em conformidade com a lei vigente ao tempo da reunião dos requisitos para a concessão. Pretensão do desfazimento do ato que o aposentou para lavrar-se outro, com proventos proporcionais, por entender mais favorável. Impossibilidade. Precedentes. 3. Agravo regimental a que nega provimento (RE-AgR n. 297.375/SP, Relator Ministro GILMAR MENDES, SEGUNDA TURMA, DJ 7.4.2006, julgado em 14.3.2006 - grifou-se). Convém ressaltar que este último precedente trata de caso análogo ao do Documento: 4352117 - RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 5 de 6
presente feito, como se lê, in verbis : O entendimento do agravante de que os precedentes estão em conformidade com a sua pretensão é equivocado. No caso, conforme está consignado nos autos, o agravante em 1987 adquiriu o direito de se aposentar proporcionalmente, por ter completado 30 anos de serviço, aplicando-se o percentual de 70% mais 6% para cada novo ano completo de atividade, conforme determina o artigo 53, II, da Lei 8.213, de 1991, não o fez, preferindo prosseguir nas suas atividades até 1992 quando completou 35 anos de efetivo exercício, ocasião em que requereu e teve sua aposentadoria concedida por tempo de serviço integral, calculada com percentual de 100%. Ocorre que após se aposentar, verificou o agravante que sua renda mensal inicial ficou menor do que aquela que estaria recebendo se o benefício tivesse iniciado em 1997(sic). Daí, pleiteia "o reconhecimento do direito adquirido à aposentadoria nas condições que a lei então vigente estabelecia e o recálculo da prestação, com a substituição do valor da renda mensal inicial fixada em 03/06/92 pelo que resultar do cálculo em 03.02.87, com os reajustamentos automáticos até 03.06.92." O agravante ao ter sua aposentadoria concedida em 1992, com proventos integrais, teve o seu direito plenamente observado pelo INSS. Portanto, não seria mesmo possível o desfazimento do ato que o aposentou, para lavrar-se outro, com proventos proporcionais." In casu, o autor não requereu a aposentadoria proporcional no tempo oportuno. Obteve, outrossim, aos 35 anos de serviço, aposentadoria integral, que, segundo o acórdão recorrido, obedeceu a legislação então em vigor. Ajusta-se, portanto, à jurisprudência desta Casa, razão pela qual não se configura, na espécie, o dissídio jurisprudencial alegado no apelo raro. Ante o exposto, acolhem-se os presentes embargos, com efeitos infringentes, para dar-se provimento ao agravo regimental do embargante, invertidos os ônus da sucumbência. É o voto. Documento: 4352117 - RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 6 de 6