Filosofia, Retórica e Argumentação

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1 Colégio de São Teotónio 2007/2008 Trabalho de Filosofia Filosofia, Retórica e Argumentação Beatriz Ferreira Mendonça 11º3, nº2

2 Filosofia, retórica e democracia Qualquer assunto só é objectivo de de argumentação quando a sua verdade não é clara ou objectiva, possibilitando assim diversos pontos de vista que levarão a um consenso. Ou seja, tem de existir um tema problematizador, que deve chegar a um assentimento geral. A fiosofia é caracterizada como uma actividade discursiva. Alguns dos factores que contribuem para isso são: A crise dos valores tradicionais; A tendência generalizada para os povos se organizarem politicamente sob forma democrática (in p. 211, Um Outro Olhar Sobre o Mundo, vol.2, de Maria Antónia Abrunhosa e Miguel Leitão, 2006). As verdades filosóficas são verdades discutíveis. Quando se apresenta uma opinião tem de se fundamentar esta, para assim se conseguirem atingir opiniões plausíveis. As conclusões a que se chega só ganham valor depois de serem profundamente analisadas, discutidas e sujeitas a aprovação. O auditório que está presente e ouve as argumentações dos filósofos e que poderá aderir às suas ideias é o auditório universal. Universal pois a filosofia aborda temas que dizem respeito à humanidade. Já na pólis grega a retórica (=arte de bem falar) ou argumentação se evidenciavamcomo forma de resolver as questões essenciais da cidade. Na Grécia, no século VI a.c., as comunidades eram pequenas e toda a gente se conhecia, havia então uma democracia cara-a-cara (ao contrário do que se passa hoje em dia). Existiam escravos, que não eram considerados cidadãos. E não havia nenhuma instância autónoma. Naquela altura, em atenas, a democracia era uma forma de vida. A participação na vida política fazia parte do quotidiano do cidadão, e hoje, a política ocupa apenas uma pequena parte da nossa vida. Apesar de as ideias principais relativas às democracias actuais já existirem desde o início da democracia ateniense, existem muitas diferenças entre os dois sistemas democráticos. Exemplo disso é o conceito cidadão, que na Grécia antiga era sinónimo de pessoa livre à excepção de mulheres, escravos e estrangeiros, que podia participar nos negócios da pólis. Para participar nos debates da assembleia o 2

3 cidadão tinha de: dar provas de que gozava de direitos políticos, não podia dever dinheiro ao Estado, estar casado legitimamente, tinha de ter cumprido os seus deveres como filho, ter participado em todas as expedições militares para as quais foi chamado e nunca podia ter deixado o escudo em campo de combate. Já aristóteles defendia que a cidade e a democracia estavam acima do próprio ser, e dos seus afazeres pessoais. A relação da democracia e a participação pública originou o desenvolvimento da retórica. O uso da palavra substituiu a violência, e passou-se a utilizar assim o diálogo democrático como forma de expôr os problemas, esclarecêlo e resolvê-los. Retorike significa habilidade de discursar em público. Aristóteles afirmava que a retórica era uma técnica digna de mérito, e proveitosa na comunicação e por isso benéfica na democracia. Ao longo do tempo a relação entre filósofos e retores não foi sempre fácil, devido ao facto de ambos lutarem pela prioridade na formação dos cidadãos gregos. Por um lado tinhamos a filosofia defendida por Parménides de Eleia que defendia que esta era a única via que conduzia à verdade e ao ser, recusando a retórica. Parménides paosta no poder que a razão tem de estudar e alcançar a verdade das coisas, tirando qualquer valor às opiniões humanas. Por outro lado tinhamos a retórica. Os sofistas davam relevância às opiniões das pessoas, consideravam-as base de trabalho, pondo à prate a procura da verdade em si mesma. Aquando a união grega ao império Romano a retórica passou a oratória, transformando-se assim na arte de bem orar ou discursar. Era considerado um bom discurso o que obedecesse a uma estética com abundantes recursos literários e figuras de estilo. Consequentemente, ainda hoje, se atribui um sentido negativo à retórica, dizendo que este discurso dá demasiada importância à forma e à parte estética, desvalorizando o conteúdo. Mais tarde (no século XX) a retórica e a argumentação renascem na sociedade. As pessoas começam a dedicar-se de forma mais activa à resolução das questões sociais, descobrindo soluções que agradam a todos. 3

4 Persuasão e manipulação ou os dois usos da retórica O processo de persuasão exige a existência de pelo menos um emissor que actue sobre o interlocutor (por exemplo, um médico exerce a função de emissor quando explica a decisão mais acertada ao seu paciente). Persuadir não significa hipnotizar ou retirara a liberdade ao interloutor. Persuadir é levar alguem a crer, a decidir ou a aceitar algo sem que implique por parte do emissor a tentativa de enganar o interlocutor. O interlocutor, ou seja quem ouve o que o emissor tem a dizer, tem de compreender o que este diz, e tem de ser capaz de avaliar e criticar os argumentos por este utilizados. Isto é, o interlocutor depois de o emissor fazer o discuros dever ser capaz de tomar as suas próprias decisões. As pessoas presentes no auditório devem ter em mente os efeitos da argumentação, tendo sempre em conta a intenção do emissor, que é a adesão do auditório. Estas três condições: conhecero o objectivo da argumentação, as soluções disponíveis, e as consequencias positivas e negativas da escolha de cada uma servem de base ao diálogo, mantendo assim as devidas normas éticas. Enquanto que Perelman realça o logos, ou seja, o conteúdo da argumentação que serve de suporte à conclusões. Podemoas aperceber-nos que quando uma pessoa toma uma decisão, para além da razão, isto é, o conteúdo, a pessoa é influenciada por outros elementos como o ethos e o pathos. Com isto pretende-se dizer que o audtitório adere a uma tese não só pelo conteúdo dos seus arguentos (logos), mas também por considerar o emissos um indivíduo íntegro, honesto, credível e responsável (ethos) e porque este lhe soube despertar as emoções e os sentimentos certos (pathos). Tudo isto pelo facto do seu objectivo (objectivo do emissor) ser a aceitação por parte do público das suas ideias, utilizando para isso métodos de persuasão. E segundo J. N. Kapfere existe uma sequência de etapas (no fenómeno da persuasão), sendo cada uma delas imprescindível e insuficiente, para que no discurso se possa persuadir uma pessoa. As etapas são as seguintes: Exposição à mensagem, atenção à mensagem, compreensão da mensagem (sendo as três primeiras de recepção e compreensão da mensagem), aceitação ou rejeição, persistência da mudança, e acção (as três últimas dizem respeito à aceitação da mensagem). 4

5 A persuação está smpre presente no discurso argumentativo, o que não implica que seja sempre sem utilizada, distinguindo-se o bom uso e o mau uso da retórica. O bom uso da retórica, retórica branca, é quando o público pode expressar e criticar o que foi dito uso ético da retórica ou da persuasão. E o mau uso da retórica, retórica negra, é quando a argumentação se adultera, de modo a enganar-se o auditório por interesse do emissor abuso da retórica ou manipulação. Comecemos pelo mau uso da retórica, isto é, pela manipulação. Isto acontece, normalmente quando o orador recorre a elementos afectivos, emocionando o auditório, fazebdo com que os seus elementos tomem decisos involuntárias. Em situações como esta o interlocutor sente-se superior ao público, como seos dominasse, tentando assim enganá-los para benefício próprio. Esta manipulação intencional só é considerada engano se a mentira que o emissor disser surtir as consequências por este esperadas. Este angano encontra-se bastante presentenas técnicas de venda e na propaganda eleitora, levando por sua vez, ao consumo de produtos e ao consumo de ideologias. Outro exemplo domau uso da retórica está presente no marketing e na publicidade, a que é importante fazer face, dizendo não. A sedução leva-nos assim, a pôr a razão de parte, endendonos apenas ao desejo de posuuir um certo e determinado produto. Bens superfulos sao nos apresentados como bens indispensáveis ao nosso bem estar, fazendo-nos deixar de raciocinar e ficando hipnotizados por aquele produto, ao qual somos levados a comprar. Distinguem-se então produtos e valores. Quando uma pessoa compra um produto, adquire-o pelo seu valor, pelo significado que lhe é atribuído, que pode aumentar se for de uma marca conhecida, por exemplo D&G, Gucci ou Lacoste. Quando se faz uma publicidade os profissionais têm o objectivo de promover a marca, não se limitando apenas ao produto em mãos. Invadindo a vida das pessoas com imagens e mensagens que coincidem com os seus desejos e que as influenciam. Isto faz com que as pessoas quando virem a publicidade sintam que se tiverem aqueleproduto vão ser assim, vão se sentir da mesma maneira que a modelo ou o modelo faz transparecer, ou dá a entender que se sente. Dentro do campo da publicidade 5

6 Olivieri Toscani diz que a publicidade é um crime contra a humanidade. Diz que os crimes cometidos são: o crime da inutilidade social, da mentira, contra a inteligência, de persuasão oculta, da adoração dos ídolos, de exclusão e de racismo. No que diz respeito à ensagem, por exemplo num cartaz, de forma não objectiva são nos enviadas informações que só o inconciênte capta e guarda. E o slogan, uma das partes essenciais de ma campanha publicitária, que não deve ser muito comprido para ficar na cabeça das pessoas, e em de soar sempre bem, por isso tem presentes o logos (bom conteúdo) e o ethos (emoções transmitidas ás pessoas). Quando se fala em manipulação, temos de nos lembrar que quando manipulado, a responsabilidade cai sobre essa mesma pessoa, por se ter deixado iludir ou seduzir. Por isso qualquer elemento do auditório deve suspeitar do que ouve, procurando esclarecer as dúvidas que eventualmente tenha. O discurso político e a publicidade desta temática são feitos pelas pessoas que têm o poder e o querem conservar, ou pelas pessoas que não o têm mas o pertendem conquistar. Isto faz com que a retórica estaja coda vez mais presente na nossa sociedade. Os políticos tentam mobilizar as pessoas fazendo com que estas adiram às suas ideias, ganhando assim mais votos. São os media que levam as mensagens, os discursos ao grande público. São eles quem pode mais que ninguem influenciar as pessoas acerca de algo, através da publicação de uma entrevista ou coluna. É a eles que cabe a decisão de publicar ou não um certo acontecimento, influenciando a opinião do público acerca de um político ou figura pública. Quando um político faz um comentário, dá uma entrevista, corre sempre o rosco de não aparecer exactamente o que ele disse no jornal, ou revista, mas sim por palavras do jornalista que escreveu o artigo, o que pode alterar um pouco o conteúdo ou o objectivo daquilo que o político pretendia transmitir à população. O discurso publicitário, tal como o discuro político, são discursos onde se explora e aprofunda aspectos que os eleitorados vão gostar de ler ou ouvir. Temos também o bom uso da retórica, ou seja, quando a utilização de argumentos com base na razão para conseguir a adesão do público, dando relevo ao logo, é correcta. É feito um uso ético da retórica quando ha abstração da própria opinião, e interesse dos filósofos, dando importãncia á sabedoria e verdade do conteúdos presente nos argumentos. É fundamental também o respeito e a honestidade. Ou seja, para além de se exigir o logos no bom uso da retórica é 6

7 também importante o ethos do orador. Aos filósofos cabe-lhes cumprir com o bom uso da argumentação. Para isso, na personalidade desses filósofos tem de estar presentes as seguintes qualidades: fidelidade, força de carácter, mentalidade aberta, paciência, coragem, humildade e modéstia. Paul Grice, Van Eemeren e Walten dedicam-se ao estudo da maneira como as pessoas se devem comportar para argumentarem. Segundo estes senhores existem princípios éticos a que a argumentação deverá obedecer: princípio da cooperação, da quantidade, da qualidade, da precisão, da coerência, do modo, da livre expressão e da prova. Podemos então afirmar que o uso ético da argumentação bane a manipulação e qualquer outro tipo de mau uso da retórica. 7

8 Bibliografia: Segundo volume do manual de 11º, Um Outro Olhar Sobre o Mundo, de Maria Antónia Abrunhosa e Miguel Leitão, 2006 http://faustasblog.com/uploaded_images/anuncio_ha_provocado_po lemica-767820.jpg http://madeinbrazilmag.com/fashion/models/caroltrentinigucciresort-1.jpg http://www.colegioanchietaba.com.br/profs/roberto_carlos/slides/grecia02.jpg 8