1 Ana Luisa Monteiro (mailto:monteiro.analuisa@gmail.com) Fisioterapeuta, Prática Privada Elisabete Nave Leal (mailto:elisabete.nave.leal@estesl.ipl.pt) Docente Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa A incontinência urinária encontra-se definida como a perda involuntária de urina através da uretra, causando problemas higiénicos e sociais. Existem vários tipos de incontinência urinária. A mais frequente é a incontinência de urgência que acontece quando estamos perante uma pessoa que face à vontade de urinar não é capaz de chegar à casa de banho a tempo. Este tipo de incontinência urinária pode ter subjacente variadas causas. O United States Department of Health and Human Services refere que em 1996, aproximadamente 13 milhões de pessoas sofriam de incontinência urinária. Esta situação é muito mais prevalente nas mulheres do que nos homens. No grupo de pessoas entre 15 e 64 anos de idade, existem 10 a 30 % de mulheres contra 1,5 a 5% de homens afectados com este problema. Sabe-se ainda que cerca de 50% das pessoas que recebem cuidados de enfermagem em casa apresentam problemas de incontinência urinária, sendo que 70% são mulheres Geralmente, em cada dez, 3 a 4 mulheres maiores de 25 anos de idade apresentam esta alteração. Esta incidência aumenta de forma directamente proporcional com o aumento da idade e do número de partos, sendo que apenas 23% de mulheres sem filhos apresentam este problema contra 53% de mulheres com mais de 3 filhos. Relativamente às mulheres com menos de 25 anos existem 31%
2 com incontinência urinária e 46% de mulheres com mais de 45 anos de idade. Verifica-se um risco acrescido em mulheres multipartos e obesas. Relativamente à população idosa deve-se esclarecer que a presença de incontinência urinária não é um sinal normal do processo de envelhecimento, mas sim um sinal da existência de algum outro problema cuja origem pode ainda não se saber. É um problema crónico que se prolonga no tempo. Existem dados epidemiológicos que confirmam que este problema está a converter-se num verdadeiro problema de saúde pública. Deve-se promover uma educação no sentido de melhorar o calendário de micção, promover medidas higiénicas e dietéticas e divulgar informação sólida acerca da região pélvica, os músculos do períneo (pavimento pélvico), as estruturas ósseas e articulares, bem como toda a dinâmica funcional. Conjuntamente com esta divulgação, será também importante prevenir as possíveis disfunções do pavimento pélvico que podem surgir após a gravidez e após problemas circulatórios, entre outros. A título preventivo aconselha-se diariamente a colocar-se de cócaras, com total apoio plantar e permanecer nesta posição durante 15 minutos; ao urinar ir interrompendo consecutivamente o fluxo e após percepção do movimento de interrupção da micção pode fazer esta contracção muscular dos músculos do pavimento pélvico de pé nas mais variadas situações, incluindo estes exercícios na sua rotina diária. Para aquelas pessoas cujo problema já se instalou, deve-se investir no tratamento. Hoje em dia está provado que cerca de 90% dos casos de incontinência urinária da mulher têm solução. O tratamento pode ser médico (medicamentoso ou cirúrgico) ou de reabilitação através da fisioterapia. Dentro da fisioterapia existem várias técnicas de tratamento para a incontinência urinária: exercícios de Kegel, ginástica abdómino-pélvica, biofeedback, electroterapia, técnicas de bloqueio do períneo e definição de um calendário de micção entre outras.
3 Durante a última década, a terapia através de exercícios para os músculos do pavimento pélvico provou ter uma boa eficácia no que respeita ao resolver os problemas de incontinência a curto prazo. Verificou-se concomitantemente que o insucesso a longo prazo desta terapia só acontece devido ao não cumprimento das actividades terapêuticas propostas. Como exemplos de exercícios propor-mos alguns no nosso entender, fáceis de incluir na sua rotina diária: Ao acordar, deitada de costas e com as pernas esticadas contrair os músculos pélvicos (inicialmente adquira a percepção deste movimento interno pela interrupção intermitente do fluxo enquanto urina), os músculos do abdómen e do rabo; Depois dobre as pernas assentando os pés no colchão e ao expirar elevar o rabo cerca de 5 cm contraindo os músculos do pavimento pélvico, abdómen, rabo e aperte simultaneamente os joelhos um contra o outro; De cócoras com os pés totalmente apoiados no chão, contrair os músculos do pavimento pélvico (pode encostar-se a uma parede se inicialmente necessitar de maior estabilidade), abdómen e rabo;
4 Sentada numa cadeira, incline ligeiramente o tronco para a frente e ao inspirar, contrair os músculos do pavimento pélvico e tossir. In Incontinência Urinária Feminina Assistência Fisioterapêutica e Multidisciplinar (2007), Livraria Médica Paulista Editora, Lda. O sucesso destes tratamentos ou da prevenção da ocorrência de incontinência urinária é fundamental na medida em que só assim se conseguem evitar algumas repercussões inerentes à saúde física (infecções e sépsis urinárias, feridas cutâneas entre outras), inerentes ao bem estar psicológico (vergonha, isolamento, depressão, dependência e baixa da auto-estima), relacionadas com as consequências sociais (abandono das actividades domésticas e sociais, predisposição à institucionalização entre outras) e ainda outras consequências relacionadas com a parte financeira (dispositivos, cateteres, bolsas de diurese entre outros), lavandaria, trabalho por parte do pessoal de enfermaria e de outros cuidadores, bem como o tratamento de possíveis complicações (internamento por exemplo). Este problema particular permite-nos um especial enfoque na importância da promoção da autoresponsabilização das pessoas no que respeita à própria saúde. De facto, a eficácia destes tipos de tratamentos, ou de prevenção, dependem em grande medida da colaboração da pessoa e do empenho que esta está disposta a despender da sua parte. Para tal, os programas de promoção da saúde e prevenção da doença de elevada qualidade nas quais a fisioterapia se insere, pretendem fazer chegar informação às pessoas de modo a que estas tomem iniciativas no sentido
5 de adquirirem comportamentos com vista á prevenção/ adesão ao tratamento, tomando a iniciativa na manutenção da sua saúde e do seu bem estar.