ENTRAVES NO SETOR DE TRANSPORTE FERROVIÁRIO



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Transcrição:

ENTRAVES NO SETOR DE TRANSPORTE FERROVIÁRIO 1 INTRODUÇÃO A ANTF Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários congrega oito empresas Concessionárias prestadoras dos serviços públicos de transporte ferroviário de cargas, detentoras de onze malhas concedidas à iniciativa privada. Nos últimos oito anos de desestatização, as Concessionárias vêm apresentando resultados positivos para o transporte ferroviário do Brasil, decorrentes de grandes investimentos, os quais já totalizam cerca de R$ 6 bilhões nesse período. A produção das ferrovias, que em 1997 era de 130 bilhões de TKU (toneladas por quilômetro útil), ultrapassou a marca de 200 bilhões em 2004. Visando superar o desafio de atender a crescente demanda, principalmente a do comércio exterior, faz se necessário eliminar as barreiras existentes no setor de transportes ferroviários, para gerar desdobramentos positivos e estratégicos no aumento da produção nacional, mediante o aprimoramento da eficiência logística dos transportes. Os principais problemas no setor ferroviário estão descritos na seqüência, quais sejam: Invasões na faixa de domínio das ferrovias; Passagens em nível críticas; Gargalos físicos e operacionais; Expansão integrada da malha ferroviária Nacional; Entraves na regulamentação do setor; Barreiras na aquisição de material rodante e equipamentos do exterior. 2 INVASÕES NA FAIXA DE DOMÍNIO As principais cidades brasileiras surgiram e se consolidaram ao longo de linhas férreas, que nos primórdios associava a prestação dos serviços de transporte ferroviário com as atividades imobiliárias e de urbanização. Isso explica a existência significativa de comunidades lindeiras ao longo das ferrovias, que muitas vezes invadem a faixa de domínio, simplesmente pela falta de execução de um plano diretor por parte dos municípios. É preocupante quando essas invasões ocorrerem em grandes zonas urbanas, principalmente nas áreas congestionadas e estratégicas como as de acesso a portos 1

regionais e interferem diretamente no tráfego do transporte ferroviário e conseqüentemente no seu desempenho operacional, conforme as fotos a seguir. Guarujá (SP) Acesso ao Porto de Santos Rio de Janeiro Acesso ao Porto do Rio de Janeiro As empresas Associadas da ANTF identificaram 824 focos de invasões na faixa de domínio das malhas concedidas. A maioria das invasões foram consolidadas nos grandes centros urbanos e na época de responsabilidade patrimonial da RFFSA, sendo uma herança do processo de desestatização. Tendo em vista a natureza e a gravidade dessas invasões, é imprescindível a atuação do Governo Federal para efetivar programas de realocação das comunidades irregulares ao longo da faixa de domínio das ferrovias, com a finalidade de eliminar os riscos de acidentes e assim conciliar os interesses das Concessionárias e da população. Essa ação possibilitará a solução de questões de segurança e de desempenho operacional das composições, que atualmente diminuem a velocidade média de 40 km/h para 5 km/h nas áreas urbanas. Para atender os interesses das concessionárias ferroviárias e das comunidades urbanas, faz se necessário efetivar o Convênio de Cooperação Técnico Operacional, firmado em maio de 2004, por intermédio do Ministério das Cidades e o Ministério dos Transportes com a Caixa Econômica Federal e a RFFSA. Tal instrumento objetiva viabilizar a alienação de imóveis não operacionais pertencentes à RFFSA para utilização em programas de regularização fundiária e provisão de habitação de interesse social, bem como propor soluções para o reassentamento da população que se encontra na faixa de domínio. 2

3 PASSAGENS EM NÍVEL CRÍTICAS O total de passagens em nível existentes, ao longo dos 28.445 km da malha ferroviária concedida, é em torno de 11.000 PNs, das quais cerca de 1.200 foram classificadas como as mais críticas pelas Associadas da ANTF. Normalmente, são consideradas críticas, mediante os seguintes fatores/ critérios: segurança na passagem em nível PN; localização da PN, comparando a sua interferência frente ao tráfego urbano de veículos, inclusive paralisações e interrupções; risco provocado pelo trânsito de pessoas; sinalização deficiente ou inadequada; avaliação de estatísticas de acidentes ocorridos no local; e irregulares/ clandestinas. Rodovia dos Minérios Almirante Tamandaré (PR) Betim (MG) Para melhorar as condições de segurança nas áreas urbanas limítrofes das ferrovias, o Governo Federal precisa implementar um programa específico de obras nesses cruzamentos passagens em nível, priorizando as ações em municípios onde estão localizadas as PNs mais críticas, viabilizando recursos físicos e financeiros. Essa medida permitirá a redução de riscos e interferências às comunidades, além do aumento da velocidade nesses trechos melhorando assim o desempenho operacional do transporte ferroviário de cargas. Além disso, o Ministério dos Transportes poderia resgatar a implementação de um projeto lançado em 2001, denominado Programa Nacional de Segurança Ferroviária em Áreas 3

Urbanas PRONURB, cuja estratégia de implementação era por meio de parcerias com entidades governamentais, não governamentais, privadas e as concessionárias ferroviárias. O PRONURB tem como objetivos gerais promover melhorias voltadas à: condições atuais de segurança em faixas de domínio e PNs; segurança da infra estrutura de transporte ferroviário; e relações de convivência entre a ferrovia e as comunidades lindeiras. 4 PRINCIPAIS GARGALOS LOGÍSTICOS Os gargalos logísticos das ferrovias encontram se principalmente em áreas urbanas, ocorrendo conflitos do tráfego ferroviário com veículos e pedestre, como exemplos: manobras dos trens entre as cidades de São Félix e Cachoeira BA, que paralisam o tráfego de veículo e pessoas entre essas cidades; circulação dos trens na cidade de São Paulo, onde ocorre compartilhamento de linhas da CPTM; acesso aos portos de Santos, Rio de Janeiro, Paranaguá e de São Francisco do Sul; e nas travessias de Belo Horizonte e Barra Mansa RJ. Como sugestão para a eliminação desses gargalos físicos e operacionais, as Concessionárias apontaram os projetos considerados prioritários, constantes na tabela adiante, cabendo ao Governo Federal ampliar a capacidade de investimentos públicos, bem como definir as regras e efetivar as Parcerias Público Privadas (PPPs), entre o setor público e o setor privado. Observa se que, até o momento, o Governo Federal já indicou como objetos de licitação de PPPs os projetos do Ferroanel de São Paulo Tramo Norte, do Desvio Guarapuava Ipiranga /PR e da Variante da Serra do Tigre/MG. As obras de contornos e travessias representarão um impacto positivo à vida das comunidades limítrofes, proporcionando redução dos riscos de acidentes e aumento do desempenho operacional dos trens, bem como eliminará o excesso de passagens em nível. Enquanto que, os projetos de variantes ferroviárias e de acesso a portos e terminais proporcionarão o crescimento substancial no escoamento de cargas pela ferrovia, além de eliminar também invasões na faixa de domínio, considerando se que a malha é centenária, de traçado longo, sinuoso e com rampas fortes. 4

Projetos prioritários indicados pelas Concessionárias para solucionar Gargalos Logísticos PROJETOS FERROVIÁRIOS VALOR ESTIMADO (Milhões R$) Segregação de linha de carga na Região Metropolitana de São Paulo 150 Remoção de invasões de faixa de domínio (Rio de Janeiro, Santos e Belo Horizonte) 81 Travessia de Barra Mansa/RJ 32 Ferroanel de São Paulo Tramo Norte (PPP) 850 Variante da Serra do Tigre, entre Ibiá Sete Lagoas 1.425 Contorno Ferroviário São Félix Cachoeira /BA 111 Contorno de Vila Velha 99 Variante Camaçari Aratu/BA 99 Desvio Guarapuava Ipiranga /PR (PPP) 450 Contorno Ferroviário de Curitiba /PR 150 Contorno Ferroviário de Jaraguá do Sul, Joinville e São Francisco do Sul 150 Duplicação da Serra do Mar (Variante Curitiba Paranaguá/PR) 450 Acesso ao Porto de Santos 29 Sinalização de passagens em nível municipais 20 Remoção de invasões na faixa de domínio 20 Implantação do Pólo Logístico de Campo Grande, junto ao novo Contorno 50 Ampliação do Ramal de Siderópolis (12 km) 8 Viaduto/ trincheira em Criciúma /SC 18 Total Geral Fonte: Associadas da ANTF. 5 EXPANSÃO INTEGRADA DA MALHA FERROVIÁRIA NACIONAL Destaca se ainda a necessidade de efetivação do Plano de Revitalização das Ferrovias, lançado no mês de maio de 2003, pela Presidência da República Federativa do Brasil, composto de um conjunto de programas coordenados pelo Ministério dos Transportes. Esse Plano tem como finalidade reduzir os custos logísticos dos produtos, sendo dividido em três etapas. A primeira etapa prioriza a restauração de trechos precários, apresentando baixa densidade de tráfego e de funções importantes no atendimento ao mercado. Quanto à segunda etapa do Plano de Revitalização, pretende se solucionar os trechos críticos dos principais corredores de exportação, ou seja, resolvendo os gargalos logísticos que é vital para aumentar a capacidade dos corredores de transporte ferroviário com maior densidade de tráfego, no sentido de alimentar os principias portos exportadores do País. A terceira etapa do Plano de Revitalização das Ferrovias é a implementação do Programa de Expansão da Malha Ferroviária, que contempla os projetos da FERRONORTE S.A. Ferrovias Norte Brasil, Ferrovia Norte Sul e Transnordestina. Além dessas, as 5

Concessionárias apontaram as obras de expansão constantes na tabela abaixo, com a visão de integração da infra estrutura de transporte. Principais projetos de expansão indicados pelas Concessionárias PROJETOS FERROVIÁRIOS VALOR ESTIMADO (Milhões R$) Nova Transnordestina (construção de 880 km e remodelação de 1.180 km) 4.588,00 Ferrovia Leste Oeste/ BA 2.167,00 Ferrovia Litorânea Sul/ ES 658,00 Construção do trecho Alto Araguaia Rondonópolis /MT (236 km) 500,00 Ampliação da Malha Ferroviária em Santa Catarina (842,6 km) 1.500,00 Total Geral 9.413,00 Fonte: Associadas da ANTF. 6 PRINCIPAIS ENTRAVES NA REGULAMENTAÇÃO DO SETOR Os problemas na regulamentação do setor de transporte ferroviário ocorrem na compatibilização das normas existentes com a realidade das operações ferroviárias, como a de comunicação de acidentes, de procedimentos nos trechos onde transporta produtos perigosos e dos clientes dependentes (garantindo nível de serviço), além da necessidade de normas que viabilizem o investimento privado. Dessa forma, tem se a expectativa de alavancar a competitividade das ferrovias frente a crescente demanda de escoamento da produção brasileira, provocando assim um impacto no desenvolvimento do País. Apesar do grande passo dado há 8 anos, com a transferência das operações ferroviárias para a iniciativa privada e os avanços na abrangência do aparelho regulatório, faz se necessário que o Poder Concedente promova: Ajustes no Contrato de Concessão e de Arrendamento, no sentido de viabilizar meios de equacionar e melhorar a infra estrutura ferroviária, como a reversão dos pagamentos de arrendamento efetuados para investimentos na recuperação e expansão da malha, o que permitirá a maior competitividade deste subsetor e conseqüentemente a diminuição do Custo Logístico do Brasil; Reorganização societária das concessões, com a deslimitação das participações acionárias; Edição e publicação de norma específica para conceituação e definição de: diretrizes para: Receitas Alternativas; Passagem em Nível; Bens Reversíveis; 6

Faixa de Domínio. Aperfeiçoamento das questões regulatórias geradas pelo modelo de concessão, para promover consistência desses marcos, revendo as normas existentes e reduzindo os entraves ao investimento privado. 7 MATERIAL RODANTE E EQUIPAMENTOS DO EXTERIOR O crescimento na produção do setor de transporte ferroviário tem demandado a compra de material rodante e seus equipamentos, o que revitalizou a industria ferroviária nacional para a fabricação de vagões e seus componentes. Mesmo assim, para atender o mercado interno falta à oferta de reposição de suprimentos da via permanente e para aquisição de locomotivas. Assim sendo, há a necessidade do Governo Federal promover: Adequação dos critérios do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES à realidade do subsetor ferroviário, atualmente crítica para obtenção de financiamento; Estimulação da Industria Ferroviária Nacional; Redução das taxas de juros atuais que inviabilizam o financiamento de recursos de longo prazo necessários para projetos de infra estrutura ferroviária e a compra de locomotivas no exterior; Eliminação das alíquotas de importação de componentes ferroviários não produzidos no Brasil, visando reduzir os custos e melhorar a acessibilidade à compra de peças de reposição, além de estimular a concorrência, enquanto a industria nacional não suprir com qualidade essas demandas. 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS A falta de diretrizes políticas do Governo Federal para o setor de transporte ferroviário vem comprometendo os planejamentos estratégicos, táticos e operacionais, fazendo com que a iniciativa privada supere a cada dia os problemas existentes. Assim, no atual contexto, a ANTF tem apresentado alternativas para superar os entraves e garantir recursos de financiamento para o desenvolvimento do setor, quais sejam: Reversão dos pagamentos em arrendamento: alternativa para financiamento de investimentos na remodelação e expansão da malha, permitindo: Melhor priorização dos projetos segundo seu retorno econômico e social; 7

Maior agilidade para execução de projetos; Maior eficiência na utilização de recursos. Aplicação da CIDE: segundo sua finalidade original (financiar projetos e investimentos nas áreas de transporte, meio ambiente e energia), gerando potencial de financiamento ao subsetor ferroviário. Lembrando a decisão do STF, sobre a aplicação da CIDE, que obriga a União a utilizar os recursos conforme sua finalidade original, existindo, portanto potencial de aplicação desses recursos para o setor ferroviário; Parceria com Clientes: já ocorre, porém necessita de aperfeiçoamento nos aspectos contratuais, regulatórios e de financiamento; Adequação dos critérios do BNDES: à realidade do subsetor ferroviário é crítica para obtenção de financiamento; Concretização das Parcerias Público Privadas: voltadas à aprovação de obras ferroviárias, que possibilitará o aumento da competitividade do País, licitando projetos de: Expansão e modernização dos serviços de transporte ferroviário; Eliminação dos gargalos de infra estrutura; Integração entre os corredores, ferrovias e portos. É imprescindível a atuação do Governo Federal na implementação dos planos, convênios e programas já desenvolvidos para solucionar os entraves existentes na Malha Ferroviária Nacional, além de prosseguir com o andamento das propostas já apresentadas pelas Concessionárias para investir em obras de infra estrutura para eliminação dos gargalos logísticos. Ressalta se que a iniciativa privada tem desempenhado o seu papel, modernizando o sistema ferroviário e unindo forças para viabilizar a eliminação dos principais entraves da infra estrutura ferroviária. 8