Fernando Branco Ano lectvo 2003-2004 Trmestre de Inverno Sessão 6 O mercado de olgopólo Exstem poucas empresas Produtos dferencados ou homogéneo Interacções estratégcas: As decsões de umas empresas afectam os resultados das outras. Complexdade e nteresse do olgopólo. Exemplo: Emssões de televsão. 1
Interacções estratégcas Na gestão de uma empresa olgopolsta o gestor tem de se questonar sobre as reacções dos outros: Se alterar o preço? Se alterar a quantdade? Se ntroduzr um novo produto? Se fzer mas publcdade?... Emssões de televsão A competção entre RTP, SIC e TVI é um bom exemplo de um olgopólo em Portugal. As decsões das dferentes empresas são fetas em função dos gostos dos telespectadores e das escolhas das outras cadeas. O papel da nteracção estratégca é claro quando olhamos para as respectvas programações. 2
Um mercado de olgopólo? As stuações de nteracção em olgopólos são muto varadas. Não é possível ter um só modelo para descrever o comportamento dos olgopolstas. O comportamento dos olgopolstas depende muto fortemente das característcas dos mercados. O olgopólo de Sweezy Exstem poucas empresas no mercado; Os produtos são dferencados; Cada empresa crê que uma descda de preço será acompanhada pelos rvas, mas subdas de preço não o serão. Exstem barreras à entrada. Motvação: observação empírca 3
Procura drgda a uma empresa P CMg * P D D * Q Q Implcações do olgopólo de Sweezy O preço e a quantdade oferecda não varam em função de perturbações lmtadas do custo margnal da empresa; O equlíbro ncal tem alguma nérca Todava, o equlíbro ncal não é explcado pelo modelo. 4
Rgdez de preço e quantdade P * P CMg D D * Q Q Outros modelos de olgopólo Prncpal problema do modelo de Sweezy: O comportamento dos rvas é arbtráro. Os modelos mas acetes dervam endogenamente o comportamento dos rvas. Dmensões mportantes para as característcas do comportamento: Estrutura temporal das decsões; Varável estratégca de decsão (quantdade vs. preço; Grau de dferencação dos produtos. 5
Dmensões mportantes Quantdade Homog. Preço Dferenc. Smultâneo Cournot Bertrand Sequencal Stackelberg Empresa Domnante Complementos Estratégcos A raconalzação das reacções No olgopólo de Sweezy é assumdo um determnado comportamento para as outras empresas. As reacções são mas fáces de compreender em stuações dnâmcas. Exemplo: Competção nas telecomuncações fxas. Como se pode raconalzar a reacção? 6
Competção nas telecomuncações fxas Em 1999 foram lcencados novos operadores da rede fxa de telecomuncações em Portugal. O facto de a Portugal Telecom ser até então monopolsta neste sector fez com que esta empresa tenha tdo a possbldade de tomar decsões relatvas a este mercado antes dos novos operadores. As decsões no fnal do ano de 1999 não foram smultâneas. O olgopólo de Stackelberg Exstem poucas empresas no mercado; Os produtos são dferencados ou homogéneos; Uma empresa (líder decde a sua produção prmero do que as outras. As outras empresas (segudores decdem após observarem a decsão da líder. Exstem barreras à entrada. Exemplo: Ensno Unverstáro. 7
Ensno Unverstáro Nos anos 80 e 90 assstu-se a um acentuado crescmento das unversdades prvadas em Portugal. Na competção entre unversdades públcas e prvadas as prmeras foram as líderes (determnando vagas e admssões prmero e as segundas as segudoras (determnando vagas e admssões posterormente. Decsões em problemas dnâmcos O olgopólo de Stackelberg coloca-nos um problema dnâmco. Equlíbros neste tpo de mercados são determnados partndo da últma decsão para a prmera (do fm para o prncípo. No caso de um duopólo de Stackelberg, dentfcamos prmero a decsão de equlíbro do segudor e só depos a do líder. 8
Decsão do segudor no duopólo de Stackelberg A empresa segudora deseja maxmzar o seu lucro: Max Π = P ( q, q q C ( q S S S L S S S ( qs, ql CMgS ( qs RMg = Função de reacção: q S = R S ( q L Nível óptmo de produção da empresa segudora dada a produção da empresa líder. Em geral é negatvamente nclnada. S Decsão do líder no duopólo de Stackelberg O líder deseja maxmzar o seu lucro, levando em conta a posteror decsão do segudor: Max Π L = P ( q, R ( q q C L L S L L L ( q L RMg L( ql = CMgL( ql 9
Decsão do segudor no duopólo de Stackelberg: exemplo algébrco Procura: Custos: P ( Q = a b( q L + qs C ( q = cq Prob. do Max Π S = a b( ql + qs q segudor: a 2bqS bql = c a c ql Função de reacção: qs = 2b 2 ( S cqs Decsão do líder no duopólo de Stackelberg: exemplo algébrco Problema do líder: a c ql Max Π L = a b ql + q 2b 2 a + c bql = c 2 Produção óptma: a c q L = 2b L cq L 10
Decsões das empresas no duopólo de Stackelberg: exemplo gráfco q S R S ( q L q L Equlíbro no duopólo de Stackelberg Quando va ser produzdo por cada empresa? A empresa segudora stua-se na sua função de reacção; A empresa líder escolhe o ponto da função de reacção da segudora que maor lucro lhe dá. Análse gráfca Exemplo algébrco 11
Equlíbro no duopólo de Stackelberg: exemplo gráfco q S * q S R S ( q L * q L q L Equlíbro no duopólo de Stackelberg: exemplo algébrco Produção do líder: a c q L = 2b Produção do segudor: q a c 1 a c a c = = S 2b 2 2b 4 b 12
O olgopólo de Cournot Exstem poucas empresas no mercado; Os produtos são dferencados ou homogéneos; As empresas tomam decsões em smultâneo (sto é, de forma ndependente. Exstem barreras à entrada. Exemplo: Agêncas bancáras. Agêncas bancáras Quando na década de 80 se procedeu à abertura do sector bancáro em Portugal uma das dmensões em que a concorrênca rapdamente se estabeleceu fo a da cração de novas agêncas bancáras. Entre 88 e 92 o número de agêncas cresceu 75%. A abertura de agêncas bancáras lustra um caso de olgopólo de Cournot. 13
Decsões das empresas no olgopólo de Cournot Cada empresa deseja maxmzar o seu lucro: Max Π = P ( q, q j q C ( q RMg ( q, q j = CMg ( q Função de reacção: q = R ( q j Nível óptmo de produção de uma empresa dada a produção (conjecturada da outra. Decsões das empresas no duopólo de Cournot: exemplo algébrco Procura: P Q = a b( q 1 + q Custos: C ( q = cq Max Π = a b( q + q j q cq a 2bq bq j = c a c q j Função de reacção: q = 2b 2 ( 2 ( 14
Decsões das empresas no duopólo de Cournot: exemplo gráfco q 2 M q 2 R 1 ( q 2 R 2 ( q 1 M q 1 q 1 Equlíbro no olgopólo de Cournot Quando va ser produzdo por cada empresa? Todasasempresassedesejam stuar sobrea sua função de reacção; O equlíbro verfca-se na ntersecção das funções de reacção. Análse gráfca Exemplo algébrco 15
Equlíbro no duopólo de Cournot: exemplo gráfco q 2 M q 2 C q 2 R 1 ( q 2 R 2 ( q 1 C q 1 M q 1 q 1 Equlíbro no duopólo de Cournot: exemplo algébrco Funções de reacção: Equlíbro: a c q2 q1 = 2b 2 a c q1 q = 2 2b 2 q q q a c q j = 2b 2 1 2 a c = 3b a c = 3b 16
Alteração dos custos Qual o mpacto de uma descda no custo da empresa 1? Expande-se a sua função de reacção. No novo equlíbro a empresa 1 produzrá mas e a empresa 2 produzrá menos. Alterações dos custos: exemplo gráfco q 2 R 1 ( q 2 R 1 ( q 2 M q 2 C q 2 C q 2 R 2 ( q 1 C q 1 M q 1 C q 1 q 1 17
Decsões das empresas no olgopólo de Cournot Cada empresa deseja maxmzar o seu lucro: Max Π = P ( Q q c q P P Q q p q = c p 1+ = c Q Q p Q p c s = p ε + Q, P Olgopólo de Cournot, monopólo e concorrênca perfeta Se exstrem n empresas guas: s 1 = n p c p 1 n = ε Q, P Se n tender para 1: Monopólo Se n tender para nfnto: Concorrênca perfeta. 18
Stackelberg versus Cournot Como se comparam os valores de equlíbro dos duopólos de Stackelberg e Cournot? O líder produz mas e o segudor menos do que produzram num duopólo de Cournot; O líder tem lucro superor e o segudor nferor ao que tera num duopólo de Cournot. Stackelberg versus Cournot: análse gráfca q S R L ( q S C q S * q S R S ( q L C q L * q L q L 19
Dmensões da concorrênca A concorrênca estabelece-se frequentemente através de outras dmensões: nas característcas dos produtos; em preços. Exemplo: Concorrênca nas telecomuncações. Quas as consequêncas da concorrênca em preços? Concorrênca nas telecomuncações O sector das telecomuncações tem sdo um dos que em Portugal dá snas mas claros de ntensa concorrênca. Naturalmente, não se sente que esta seja estabelecda em quantdades. É-o certamente em preços, mas também em dversas outras dmensões. 20
O olgopólo de Bertrand Exstem poucas empresas no mercado; Os produtos são homogéneos e produzdos com custo margnal gual e constante; As empresas escolhem os preços smultaneamente; Os consumdores têm nformação perfeta e não exstem custos de transacção; Exstem barreras à entrada. Exemplo: Concorrênca no sector bancáro. Concorrênca no sector bancáro A concorrênca entre os bancos quer ao nível da captação de depóstos quer ao nível da concessão de crédto tem na taxa de juro (preço a dmensão mas mportante. Porém, dversos estudos para Portugal mostram que a competção não é tão ntensa como num olgopólo de Bertrand. 21
Decsões das empresas no olgopólo de Bertrand Os compradores compram na empresa que vende mas barato. Se uma empresa conhecesse o preço da outra, qual o preço que desejara escolher? Um preço nfntesmalmente nferor (enquanto não estver abaxo do custo margnal Equlíbro no duopólo de Bertrand O equlíbro resulta quando ambas as empresas escolhem o preço gual ao custo margnal. Bastam duas empresas para que o resultado do mercado seja semelhante ao do mercado de concorrênca perfeta. 22
Dferenças de custos no olgopólo de Bertrand O que se passara se os custos margnas das duas empresas fossem dferentes? Exemplo Se a dferença de custos for reduzda, o preço de equlíbro sera gual ao custo margnal da empresa menos efcente, caso contráro sera o preço de monopólo da empresa mas efcente. Exemplo com dferenças de custos Procura: Custos: Q D ( p =10 c 2, c = c 1 = 2 Equlíbro: Se c < 6: p 1 = p 2 = c Se c 6: p 6, p = c 1 = 2 p 23
O olgopólo de Bertrand na realdade É dfícl encontrar exemplos claros de olgopólos de Bertrand. Apesar de exstrem poucas empresas o seu lucro sera nulo. Na realdade as empresas procuram encontrar mecansmos para elevarem os seus lucros (por exemplo dferencação ou cartes. 24