Enterobactérias Profa Liliane.



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Enterobactérias Profa Liliane. Enterobacteriaceae: Uma das maiores famílias. Habitam o trato intestinal. São de vida livre. Anaeróbios facultativos fermentadores da glicose, o que permite diferenciá-las da Pseudomonas e de outras bactérias. Bacilos gram-negativos grosseiros (bastonetes). Oxidase negativos (identifica o tipo de citocromo presente na cadeia respiratória). Imóveis ou móveis: as móveis apresentam flagelação peritríquia ao contrário da Pseudomonas que apresenta flagelação no colo. Reduzem Nitratos a Nitritos. OBS: EAS (Elementos Anormais e Sedimentoscopia): indica se ocorre essa redução de nitratos a nitritos na urina e pode, desse modo, sugerir uma infecção. São as bactérias mais comuns do trato urinário. Cápsula presente ou ausente. OBS: O gênero Klebsiella produz muito muco. LPS: com ação citotóxica. Quando liberados na corrente sanguínea os LPS podem conduzir ao choque tóxico e por isso são considerados um Fator de Virulência. Principais gêneros (muitos pertencem à microbiota normal do homem): Escherichia Shigella: todas espécies são patogênicas. Salmonella: com 2 espécies e mais de 2 mil sorotipos, muitos dos quais patógenos. Yersinia Edwardsiella Citrobacter Klebsiella Enterobacter Hafnia Serratia Proteus Morganella Providencia Erwinia Os quatro primeiros gêneros (em negrito) são formados por espécies patógenas. Essas bactérias podem causar infecções intestinais ou extra-intestinais. Estrutura antigênica Ag somáticos (O) Possuem uma variedade muito grande, mesmo dentro de uma espécie. Utilizados para determinar se a cepa é patógena e assim, permitir estudos epidemiológicos. Ag flagelar (H): idem anterior. Ag Capsular (K) Infecções Extra-intestinais Na comunidade Trato urinário: 90% das infecções urinárias são causadas por E. coli. Outra parcela dessas infecções é causada por Klebsiella. Trato respiratório inferior: as infecções dessa região são causadas por Klebsiella pneumoniae que não existe naturalmente no local. Desse modo, algumas condições favorecem a colonização dessa bactéria no trato 1

respiratório superior e permitem sua aspiração para o trato inferior. São elas: alcoolismo, doença broncopulmonar crônica e diabetes melitus. No hospital Trato urinário: a E. coli responde por 50% dessas infecções que também podem ser causadas por Proteus, Enterobacter, Morganella. Essas infecções são comuns em pacientes que ficam submetidos a cateterização por mais de 6 dias. Sítio cirúrgico. Queimados. Trato respiratório inferior. Meningite. Bacteremia. Escherichia Espécies: E. coli (espécie predominante), E. hermanni, E. Blattae, E. Vulneris, E. Fergussoni. OBS: A E. coli pode ser K- ou H-. Ou seja, não apresentar antígeno Capsular ou Flagelar. Escherechia coli Causa infecções intestinais e extra-intestinais: A) Infecções extra-intestinais A.1) Infecção urinária: responsável por 90% dessas infecções na comunidade. Adesinas: Fímbria tipo 1: man. Fímbria manose sensível que se liga em receptor que possui manose. É a mais comum no intestino e na cistite. Pili P ou PAP : D-gal-D-gal. Causa pielonefrite. Fímbria S, fímbria F1C. ChuA: receptor para hemina. Receptor da membrana para captar ferro. Sideróforo: aerobactina (proteína quelante vai para o meio captar ferro). Hemolisina alfa e beta: a beta é responsável pela lise de hemácias, leucócitos, células epiteliais da bexiga. Fator necrotizante citotóxico 1: responde pela lise de células. Cápsula. Infecções repetidas na bexiga: a região apresenta muitos receptores para a bactéria ou a bactéria encontra-se dentro da célula. A.2) Meningite em recém-nascido: Mais comumente acompanha por Streptococcus. Acomete 1/2000-1/4000 nascidos vivos. Polissacarídeo capsular: K1. A.3) Bacteremia Responde por 40 a 50% dos casos hospitalares. B) Infecções intestinais B.1) E. coli Enteropatogênica (EPEC) padrão de aderência localizada. B.2) E. coli Enterotoxigênica (ETEC) B.3) E. coli Enteroinvasora (EIEC) B.4) E. coli Enterohemorrágica (EHEC) B.5) E. coli Enteroagregativa (EAEC) padrão de aderência agregativa. B.6) E. coli de aderência difusa (DAEC) padrão de aderência difusa. 2

EAEC e DAEC estão associadas a gastrenterite aguda. ETEC Sítio de colonização: intestino delgado. Reservatório: homem (crianças e adultos). Transmissão: água e alimentos contaminados. Nas regiões endêmicas (países subdesenvolvidos) atacam jovens que logo desenvolvem resistência aos Fatores de Virulência. Entretanto, quando o turista adulto chega a esse local pode ser acometido pela chamada Diarréia dos Viajantes uma vez que não possui resistência contra essa bactéria. Fatores de Virulência: CFA: fator de colonização. São fímbrias que constituem mais de 20 tipos antigênicos. Numa região normalmente existem 3 ou 4 destas fímbrias, o que permitem aos residentes do local a aquisição de resistência. Enterotoxinas: existem 2 tipos de enterotoxinas (termolábil e termoestável) codificadas por plasmídeos e que podem estar presentes uma a uma ou ao mesmo tempo. LT termolábil (LT-I e LT-II) formam anticorpos. ST termoresistente (STa e STb) não formam anticorpos. A LT é formada por duas subunidades, A e B, e segundo Trabulsi: Quando liberada na mucosa intestinal, a toxina fixa-se ao receptor GM através de suas subunidades B, ocorrendo, então, a entrada da subunidade A na célula, por um mecanismos de endocitose. Uma vez no interior da célula, a molécula A é clivada nas subunidades peptídicas A1 e A2, a última tomando destino desconhecido. A subunidade A1 por sua vez, ADP-ribosila a subunidade alfa da proteína Gs. Esta proteína controla a atividade da adenilciclase, que transforma o ATP em AMPc. Como resultado deste processo ocorre a produção de AMPc em grande quantidade, com alteração profunda do metabolismo hidrossalino da célula, que se caracteriza por uma menor absorção de sódio pelas células das microvilosidades e maior excreção de cloro e bicarbonato pelas células das criptas intestinais, com acúmulo de líquido no lúmen intestinal e diarréia. Ou seja o aumento de sódio e cloreto na luz intestinal, aumenta a PO do local e responde pela diarréia aquosa. Essa toxina apresenta homologia com a toxina colérica. A ST liga-se a receptor. Auxilia a conversão de GTP em GMPc e, dessa forma, aumenta a secreção de cloreto. Segundo Trabulsi: O mecanismo de ação da STa envolve sua fixação e ativação através da guanilato ciclase, uma enzima localizada na membrana apical da célula intestinal e que possui um domínio extracelular que atua como receptor e um domínio intracelular responsável pela atividade enzimática. A ligação da toxina no domínio extracelular de guanilato ciclase induz a atividade enzimática da mesma, o que provoca o acúmulo de elevados níveis de GMPc no citoplasma da célula. O aumento da quantidade dessa substância determina alterações profundas no metabolismo celular, promovendo maior secreção de cloro e/ou menor excreção de cloreto de sódio, resultando no acúmulo de água e eletrólitos no lúmen intestinal. Fezes: copiosa (abundante), aquosa, sem sangue, sem leucócitos. Tratamento: sem antibióticos, com reposição de água e eletrólitos. 3

EIEC Semelhante à Shigella. 14 sorotipos. Transmissão: água e alimentos contaminados/contato pessoal. Maiores de 2 anos adulto: atinge o indivíduo a partir de 2 anos de idade. Patogênese: Invasão das células do I. Grosso não pela parte apical. Penetram antes pela célula M. Iniciam produção de enterotoxina (EIET) que age no início do processo. Leva à disenteria, ou seja, fezes pio-muco-sanguinolentas, assim como a Shigella. Consta no slide da professora: Invasão de células: Invasividade (por genes plasmidiais) Proliferação celular (por genes plasmidiais e cromossômicos) Inflamação e necrose da mucosa do cólon. Produção de enterotoxinas (EIET) Fezes: escassa, purulenta, comumente com sangue e com leucócitos (advindos pela invasão do epitélio). 4

EPEC Diarréia infantil: menores de um ano. Sítio de colonização: intestino delgado. Reservatório: homem. Transmissão: oro-fecal, contato pessoal. Fatores de virulência A) Aderência inicial: EPEC típica: produz o pili formador de feixes. BFP: bundle forming pilus. Há um plasmídeo EAF gene bfp proteína BFP aderência inicial da célula e formação de feixes entre bactérias. Colonizam a célula já aderidas. Causam aderência localizada (Fig. 1). EPEC atípica: não possui o plasmídeo com o gene bfp e, desse modo, não apresenta aderência localizada. Genes de virulência: As duas bactérias apresentam genes eae (attachment/effacing) que codificam a proteína intimina no cromossomo. Esta proteína liga-se na superfície da célula promovendo aderência íntima. Tir receptor produzido pela bactéria e que é posto na célula hospedeira. Ou seja, é um receptor translocado para intimina. Só a EPEC típica apresenta o plasmídeo. B) Transdução do sinal: proteínas permitem a passagem de moléculas para a célula hospedeira, inclusive do TIR. O TIR é fosforilado pela célula hospedeira e, assim, adere-se à intimina da bactéria (Fig. 2). C) Aderência íntima: concentra componentes na parte inferior da célula, onde estão as bactérias. Assim, promove o achatamento das vilosidades (isso ocorre pelo aumento de cálcio e pela desestruturação do citoesqueleto) (Fig3). Fezes: copiosa, aquosa, sem sangue e com poucos leucócitos. Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Promove a Lesão A/E: formação da célula de pedestal. 5

EHEC ou STEC (toxina de Shigella) 2 trabalhos: Riley et al. (1983) descreveu 2 surtos de colite hemorrágica pelo consumo de hambúrguer O157:H7. Karmali et al. (1983) estudou crianças com HUS (síndrome hemolítica urêmica) analisou filtrado de amostras fecais citotóxica p/ células Vero. Acredita-se que tenha evoluído da EPEC atípica (sem plasmídeo). Possui toxina semelhante a da Shigella. Diversos sorotipos: O157:H7 (protótipo). Reservatório: gado (inclusive búfalo) e outros domésticos (cão, gato). Transmissão: leite e derivados, hambúrguer, sidra, contato pessoal. Dose infecciosa: <10 UFC (muita baixa). Fatores de virulência: Fator de aderência (plasmídeo): fímbria responsável pela colonização. Intimina (gene eae cromossômico): responsável pela lesão A/E. Citotoxinas (fago lisogênico): Toxina de Shiga = Stx Stx-1 Stx-2, 2b, 2c, 2e Essas toxinas ligam-se ao receptor Gb3. A porção tóxica remove adenina do RNAr e impede a ligação do RNAt. Desse modo, não há síntese de proteínas. São células que expressam Gb3: intestino, hemácias (que transportam a toxina) e rins. O córtex renal apresenta muito Gb3 nos túbulos distais (célula endotelial) e desse modo, em crianças menores de 10 anos com HUS, costumava haver muita deposição de plaqueta e de fibrina nessa região, seguida da formação de trombos. As hemácias colidiam com esses trombos e eram lisadas. A hemodiálise reduziu a mortalidade de 50% para 10% (Fig. 1). Salienta-se que a bactéria não invade a célula e a toxina realiza transcitose. Figs. 3 e 4. Fezes copiosas, com sangue e sem leucócitos. EA EC Aderência agregativa. Fig. 1 Fig. 2 Fig.3 6

Associada à diarréia com duração prolongada (de a 7 a 14 dias). Entretanto, também provoca diarréia aguda. Está se tornando mais freqüente do que a ETEC. Forma biofilmes na superfície das células. Dá gastroenterite. DAEC Alguns trabalhos associam a gastrenterites outros não. Revisão (SLIDE 65) 7

Shigella São imóveis (~EIEC). Lactose negativo. Todas espécies causam são patógenas e causam disenterias (diarréia piomucosanguinolenta). Espécies: S. flexneri, S. sonnei, S. dysenteriae (tipo I - toxina Stx) e S. boydii. Só a Shigella dysenteriae produz a toxina Stx. Invade a célula intestinal a partir da célula M e não penetra pela parte apical (como a EIEC). Indivíduos manifestam diarréia com muitos PMN: a quimiotaxia promove fezes purulentas. A S. dysenteria também leva à HUS. Fatores de virulência: Ipa (invasion plasmide antigen) Ics (intracellular spread): permite movimento dentro da célula de invasão de células vizinhas. Diagnóstico: ver slides. Sorologia: permite identificar EPEC, EIEC, EHEC e Shigella. Nestes casos o soro reage com os antígenos somáticos. 8