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Transcrição:

Foto: Harald Schistek 43

A adolescência é uma fase especial de afirmação da autonomia do indivíduo, vital para o exercício da cidadania e de seus múltiplos direitos. Caracteriza-se por uma etapa do desenvolvimento humano repleta de mudanças e transformações múltiplas e fundamentais para que o ser humano possa atingir a maturidade e se inserir na sociedade no papel de adulto 1. Os adolescentes representam quase 13% da população do Brasil 2. De acordo com dados do Censo 2000, no Brasil existem 21.283.860 e, no Semi-árido, 3.844.350 pessoas na faixa etária de 12 a 17 anos. Os adolescentes do Semi-árido representam 18,06% do total do Brasil, significando que dois em cada onze adolescentes brasileiros estão no Semi-árido. Para a própria região, um em cada sete habitantes é adolescente, maior que a média nacional que é de um em cada oito. É um contigente populacional mais representativo local que nacionalmente e diverso por sua própria natureza. 44 Adolescência e Educação O sistema educacional prevê uma adequação entre a idade e a série a ser cursada de forma que a educação infantil compreenda as crianças de 0 a 6 anos de idade, o ensino fundamental envolva as crianças de 7 a 14 anos e os adolescentes de 15 a 17 anos estejam associados ao ensino médio 3. O ensino médio no Semi-árido está longe de ser uma realidade. Enquanto no Brasil, 4,24% das pessoas de 12 a 17 anos são analfabetas, no Semi-árido é mais que o dobro 10,15%. São mais de 390 mil pessoas analfabetas, com idade entre 12 e 17 anos. No Semi-árido, 90% das cidades apresentam percentual de analfabetos superior à média de 4,2% do restante do país, sendo que 55% dos municípios têm mais de 10% de adolescentes não-alfabetizados. Outro dado negativo para a região 43,2% dos analfabetos brasileiros de 12 a 17 anos estão no Semi-árido. O número de anos de estudo revela uma adolescência relativamente menos escolarizada que a média nacional. Além do alto número de analfabetos, a média de No Brasil 4,24% das pessoas de 12 a 17 anos são analfabetas. No Semi-árido este percentual cresce para 10,15%. 1 Unicef, Relatório da Situação da Adolescência Brasileira, 2002 e Grupo Técnico para Elaboração de Propostas de Políticas para Adolescentes de Baixa Escolaridade e Renda, 2002. 2 Informe Unicef no Brasil 2002. 3 Unicef. Relatório da situação da infância e adolescência brasileira 2003 (versão preliminar). São mais de 390.000 analfabetos com idade entre 12 e 17 anos

43,2% dos analfabetos de 12 a 17 anos brasileiros estão no Semi-árido. anos de estudo é de 4,08. No Brasil, este tempo é bem maior - 5,39 anos. Para o Semi-árido, mais de 98% das cidades estão abaixo deste patamar e quase 60%, da população desta faixa etária, apresenta menos de 4 anos de estudo. Na questão da universalização do acesso ao ensino médio, ao observar a realidade da grande maioria dos municípios do Semi-árido brasileiro, temos os seguintes dados: Em apenas 50 municípios, mais de 10% dos jovens que terminaram o ensino fundamental tinham entre 14 e 15 anos. 99,2% apresentam média de matriculados inferior ao patamar médio do Brasil (33,3% de adolescentes de 15 a 17 anos matriculados no ensino médio); Em quase 11% das cidades não se identificou pessoas de 15 a 17 anos matriculadas no ensino médio; Mais da metade dos municípios, não tinham 10% da faixa etária de 15 a 17 anos matriculadas no ensino médio. Quando agregamos dados relativos à qualidade do ensino e ao desempenho escolar, encontramos um quadro semelhante à situação nacional que é mais preocupante, diante das altas taxas de repetência e abandono. 45 Foto: Harald Schistek

No ensino médio, a maior taxa de abandono está no Rio Grande do Norte, seguido da Paraíba, Minas Gerais, Piauí e Pernambuco, todos acima da média da região Semi-árida. Os estados com maior taxa de reprovação são Piauí e Alagoas, ambos com 6,4%, seguidos do Maranhão, Bahia e Rio Grande do Norte. Em média a maioria está com desempenho superior ao Brasil, exceto no item abandono (talvez devido ao trabalho precoce). Tabela 11 - Ensino Médio e Rendimento Escolar nos Estados do Semi-árido 46 Violência e Gravidez na Adolescência Em meio a uma série de dados negativos ou abaixo da média nacional, o Semi-árido revela um contraponto interessante. Em 934 municípios do Semi-árido (77% do total), um aspecto positivo se destacou o baixo índice de óbitos por causas externas. O total de óbitos representou, 10,7% do ocorrido, quando a faixa etária de 12 a 17 anos corresponde a quase 18,4% do total do país. Enquanto a média nacional é de 43,7 óbitos por causas externas para cada 100.000 jovens de 12 a 17 anos, a média do

Semi-árido é de 26. As mortes por causas externas são divididas em mortes por homicídio (40,5%), acidentes em meios de transporte (23,5%), afogamento acidental (13,4%), suicídios (3,7%). Há um baixo índice de violência juvenil, uma característica que pode ser atribuída ao baixo índice de urbanização da região semi-árida e à cultura e hábitos locais de convivência em família, apesar das inúmeras dificuldades já apontadas neste trabalho. A assistência à gestante adolescente não se apresenta tão inferior à média brasileira. Em apenas 67 cidades (4% do total), mais de 30% das gestantes não realizaram nenhuma consulta pré-natal. A média nacional é de 6,3% das adolescentes sem acompanhamento adequado. Pouco mais de setecentas cidades, que representam 52% dos municípios da região semi-árida, estão acima deste índice. Em 501 municípios analisados, não foram identificadas adolescentes grávidas sem o devido acompanhamento pré-natal. Quando agregadas as informações da assistência ao número de filhos de gestantes adolescentes do Semi-árido, verificamos que a questão da maternidade juvenil nesta Região é relevante, mas não é mais grave do que a situação nacional. No ano de 2000, do total brasileiro de filhos de gestantes adolescentes, 17,5% estavam no Semi-árido, número um pouco menor que a participação delas no total nacional (18,4%). O Trabalho Infantil Quando crianças e adolescentes trabalham, aprofunda-se a defasagem de sua família, de seu grupo social e de sua comunidade em relação ao futuro e ao desenvolvimento. Não há para elas as mesmas oportunidades de crescimento, as mesmas chances no mercado de trabalho, pois estão deixando de ter direito à escola, ao aprendizado, ao lazer e ao direito de viver com qualidade, contidos na Constituição Brasileira de 1988. O trabalho de crianças e adolescentes é uma realidade para milhões de crianças e adolescentes no país. O impacto na educação é imediato. Duas de cada 10 crianças trabalhadoras não freqüentam a escola. A taxa de analfabetismo entre essas crianças atinge 20,1%, contra 7,6% no caso das crianças que não trabalham. Na faixa etária dos 15 aos 17 anos, a situação é pior. Entre os adolescentes que trabalham, somente 25,5% 47

conseguiram concluir os oito anos de escolaridade básica. Entre os adolescentes que não trabalham, este percentual chega a 44,2% 4. O trabalho infantil precoce é ainda mais grave no Semi-árido: 13,48% das crianças e adolescentes de 10 a 15 anos da região trabalham. Observa-se também que até entre as crianças vindas das famílias de maior renda, a prática do trabalho também ocorre. As tabelas 12 e 13 apresentam a situação do trabalho infantil para os diferentes grupos de rendimentos. Tabela 12 - Ocupados 10 a 15 anos. Semi-árido e Brasil Tabela 13 - Ocupados 10 a 15 anos. Semi-árido e Brasil: Urbano e Rural 48 A tabela 14 apresenta a situação do trabalho de acordo com a porção semi-árida de cada Estado, o número e o percentual de municípios que possuem proporção de crianças de 10 a 15 anos no trabalho infantil acima da média do Semi-árido. Novamente, verifica-se que a prática do trabalho infantil está disseminada na região. 4 Intormativo Unicef no Brasil, 2002.

Tabela 14 - Ocupados de 10 a 15 anos. Total de Municípios acima da Média do Semi-árido e Percentual do Total de Municípios Pertencentes ao Semi-árido Alagoas é o estado do Semi-árido onde o trabalho infantil é mais presente. Quase 80% dos seus municípios têm média de ocupados acima da média do próprio Semiárido (49,1%). É seguido pelo Maranhão e Piauí, com mais de 60% dos municípios nesta situação. O Rio Grande do Norte é o único estado a não acompanhar a tendência do Semi-árido nordestino, uma vez que apenas 20% dos municípios têm média superior à do Semi-árido brasileiro. Já quanto ao trabalho juvenil (adolescentes de 16 e 17 anos ocupados) é mais presente no Semi-árido do que no Brasil. A média nacional é de quase 30% de ocupados entre 16 e 17 anos enquanto que no Semi-árido este percentual sobe para 32%. Quase 29% do total de ocupados do Brasil está no Semi-árido na faixa etária de 10 a 15 anos. São mais de 317.000 crianças e adolescentes trabalhadoras na região. Políticas Públicas para a Adolescência do Semi-árido Por ocasião da Oficina Regional para América Latina e Caribe, realizada em 1999, o Unicef indicou uma Agenda para formulação de políticas apropriadas para esta faixa etária, com as seguintes linhas estratégicas: 1. Participação autônoma dos adolescentes; 2. Universalização do ensino médio; 3. Fortalecimento das famílias; 4. Estabelecimento de sistemas de justiça penal juvenil; 5. Promoção da saúde sexual e reprodutiva em um marco dos Direitos Humanos; 6. Estímulo à criação e expressão cultural e artística. Essas seis linhas indicam uma preocupação regional do Unicef e seus inúmeros parceiros, governamentais e não-governamentais, com a formação de políticas 49

adequadas para os adolescentes do Semi-árido. A Oficina desmonstrou a necessidade de focar políticas na erradicação do analfabetismo e do trabalho infantil, aliadas a uma melhoria das condições de ensino de qualidade e acesso universal. No ano de 2000, existiam 1,9 milhão de jovens de 15 a 17 anos e apenas 1 milhão de vagas no ensino médio. Se todos os jovens estivessem aptos a cursar o ensino médio no Semi-árido, faltaria mais de 1 milhão de vagas. As políticas públicas adequadas, aliadas à capacidade mobilizadora do povo, à quase ausência de violência juvenil e um enorme potencial cultural, somados aos espaços livres para o incentivo ao esporte e lazer como atividades complementares à escola, podem reverter a dura realidade dos números aqui apresentados. Para reduzir o trabalho infantil, é preciso seguir uma abordagem integrada, partindo da identificação das crianças que trabalham, da sensibilização da sociedade sobre os danos morais, físicos e intelectuais provocados pelo precoce trabalho infantil, adaptação das escolas para receber essas crianças, com atividades culturais, esportivas, educativas e de lazer, complementada por políticas públicas que garantam às suas famílias, direito ao trabalho, educação, saúde e habitação, com pleno exercício de cidadania. Foto: Harald Schistek 50