Distúrbios do Na+ 0 7 / 1 2 / 2 0 1 5



Documentos relacionados
DISTÚRBIOS DO SÓDIO E DO POTÁSSIO

Purisole SM Fresenius Kabi

CONTROLE DA OSMOLARIDADE DOS LÍQUIDOS CORPORAIS. Profa. Dra. Edmara Aparecida Baroni

Desequilíbrio Hidroeletrolítico. Prof.º Enfº. Esp. Diógenes Trevizan

Regulação da tonicidade do FEC

Christiano Coli Intensivista da Unidade de Terapia Intensiva Hospital Mater Dei

FISIOLOGIA RENAL (Continuação)

Cetoacidose Diabética

DISTÚRBIOS DO EQUILÍBRIO HIDROELETROLÍTICO. Funções Renais. Equilíbrio do Na e K EQUILÍBRIO HIDROELETROLÍTICO. Regulação da Pressão Arterial;

DISTÚRBIOS DOS ELETRÓLITOS

Hiponatremia: abordagem clínica e terapêutica

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ PROGRAMA DE ENSINO TUTORIAL (PET) FACULDADE DE MEDICINA DISTÚRBIO HIDROELETROLÍTICO E ÁCIDO-BÁSICO

FURP-DESMOPRESSINA. Fundação para o Remédio Popular FURP. Solução Nasal 0,1 mg/ml

MANUTENÇÃO DO POTENCIAL DOADOR

Hormônios hipotalâmicos e hipofisários. (somatostatin)

CONTROLE HIDROELETROLÍTICO

Controle da Osmolalidade dos Líquidos Corporais. Prof. Ricardo Luzardo

CASO CLÍNICO. O fim do mundo está próximo José Costa Leite Juazeiro do Norte Ceará

Diuréticos. Classificação da diurese. FUNÇÕES RENAIS A manutenção do meio interno através s da: Secreção de hormônios. Excreção de drogas

Capítulo. Alterações da Glicemia 18 e Diabetes Mellittus. Capítulo 18. Alterações da Glicemia e Diabetes Mellitus 1. OBJETIVOS

FLUÍDOS, ELECTROLITOS E ÁCIDO-BASE FLUÍDOS E SÓDIO. Maria do Rosário Barroso - Pós graduação em medicina de emergência

- Deficiência de Insulina X, excesso de hormônios contra-reguladores.

REGULAÇÃO HOMEOSTÁTICA DO VOLUME E OSMOLALIDADE. Prof. Dra. Lucila LK Elias

DISTÚRBIO HIDRO- ELETROLÍTICO E ÁCIDO-BÁSICO. Prof. Fernando Ramos Gonçalves -Msc

26/10/2018. A osmolaridade pode ser entendida como a proporção entre solutos e água de uma solução.

ADRENAL INTRODUÇÃO AO ASSUNTO

Doença com grande impacto no sistema de saúde

25% sem aletrações RM sem massas/aumento contraste hipofisários Hiperplasia acidófila

Hidratação em Anestesia Pediátrica: Conceitos Atuais

DOR PROTOCOLO DO TRATAMENTO CLÍNICO PARA O NEUROLOGISTA. Laura Sousa Castro Peixoto

Insuficiência Cardíaca Congestiva ICC

Alterações do equilíbrio hídrico Alterações do equilíbrio hídrico Desidratação Regulação do volume hídrico

Epilepsia.! Causas prováveis:! infarto cerebral! tumor! infecção! trauma! doença degenerativa

Status Epilepticus. Neurologia - FEPAR. Neurofepar Dr. Roberto Caron

SOLUÇÃO INJETÁVEL DE RINGER COM LACTATO BEKER Cloreto de sódio, Cloreto de potássio, Cloreto de cálcio, Lactato de sódio

*Distúrbio do metabolismo de CHO devido ao aumento da demanda por glicose pelos fetos em desenvolvimento nas últimas 6 semanas de gestação

BULA PACIENTE MixIstar HALEX ISTAR

FLUIDOTERAPIA E HEMODINÂMICA EM CÃES E GATOS

CLORETO DE SÓDIO 0,9% Solução Injetável 9,0 mg/ml. Cristália Prod. Quím. Farm. Ltda. MODELO DE BULA PARA O PACIENTE

BULA PACIENTE MixIstar HALEX ISTAR SOLUÇÃO PARA INFUSÃO

ENFERMAGEM DOENÇAS CRONICAS NÃO TRANMISSIVEIS AVE / AVC. Profª. Tatiane da Silva Campos

Classificação. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico(AVCI) * Ataque Isquêmico Transitório(AIT)

21/07/14' ! Dinâmica da água e eletrólitos no organismo! Água x Peso

3) Complicações agudas do diabetes

Sistema Urinário. Patrícia Dupim

Problemas Endócrinos. Prof.º Enf.º Esp. Diógenes Trevizan

Status Epilepticus. Neurologia - FEPAR. Neurofepar Dr. Carlos Caron

BRICANYL BRONCODILATADOR sulfato de terbutalina. AstraZeneca do Brasil Ltda. Xarope. 0,3 mg/ml

7º-Curso de Licenciatura em Enfermagem. Nutrição. Crisanta Portugal 11-ÁLCOOL

ANSIEDADE E DEPRESSÃO

PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA PARA PORTADORES DE DIABETES MELLITUS

FISIOTERAPIA PREVENTIVA

PROTOCOLO MÉDICO SEPSE E CHOQUE SÉPTICO

BIOQUÍMICA II SISTEMAS TAMPÃO NOS ORGANISMOS ANIMAIS 3/1/2012

DESEQUILÍBRIOS DO SÓDIO: IMPORTÂNCIA E TERAPIA 1

Manejo da Coinfecção TB-HIV

Insuficiência Cardiaca

ISTARPLAS S 200/0,5-6%

Neurontin gabapentina USO ADULTO E PEDIÁTRICO ACIMA DE 12 ANOS DE IDADE (APENAS PARA TRATAMENTO DE EPILEPSIA)

98% intracelular extracelular

Integração: Regulação da volemia e fisiopatologia da hipertensão arterial

FURP-DESMOPRESSINA. Fundação para o Remédio Popular FURP. Solução Nasal 0,1 mg/ml

CLORETO DE POTÁSSIO Farmace Indústria Químico-Farmacêutica Cearense LTDA Solução Injetável 0,10g/mL, 0,15g/mL e 1,91g/mL

Soluções de Manutenção em pacientes críticos

VENZER HCT. Libbs Farmacêutica Ltda. Comprimidos 8 mg + 12,5 mg 16 mg + 12,5 mg

HISOCEL gelatina + associação 3,5 g/100 ml. Forma farmacêutica: Solução para infusão

Petr Soares de Alencar DISTÚRBIOS DO EQUILÍBRIO ÁCIDO BASE

Classificação. Diuréticos Tiazídicos Hidroclorotiazida Diuréticos de Alça Furosemida Diuréticos Poupadores de Potássio Espironolactona e Amilorida

Liberação de glicose pelo fígado, diminuição da utilização periférica de glicose causando hiperglicemia e hiperosmolaridade;

ENTENDENDO OS DISTÚRBIOS HIDROELETROLÍTICOS E O EQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM EM UTI E URGÊNCIA/ EMERGÊNCIA

1. O QUE É CLORETO DE SÓDIO PROAMP 20% concentrado para solução para perfusão, E PARA QUE É UTILIZADO?

Pressão Arterial. Profª. Claudia Witzel

TRAUMA CRANIOENCEFÁLICO. Acadêmicas: Camila Magalhães e Sthefane K. Quaresma

Abordagem ao paciente em estado de choque. Ivan da Costa Barros Pedro Gemal Lanzieri

Fisiologia do Sistema Endócrino

REPOSIÇÃO VOLÊMICA. Dr. Adriano Carvalho Médico do CTI HC UFMG Especialista em Medicina de Cuidados Intensivos

ESTUDO DIRIGIDO SOBRE FISIOLOGIA RENAL. Abaixo, encontram-se os pontos que precisam ser estudados na área de Fisiologia Renal.

PRÉ-REQUISITO R3 TRANSPLANTE RENAL / NEFRO (309)

COMANDO DA AERONÁUTICA GABARITO OFICIAL APÓS ANÁLISE DE RECURSOS

Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira: história, 2 abrangência, princípios e missão

Considerações Gerais sobre Hemogasometria

Delirium. Sammylle Gomes de Castro

ANEXO II CONTEÚDO PROGRAMÁTICO EDITAL Nº. 17 DE 24 DE AGOSTO DE 2017

Cansarcor HCT. Candesartana cilexetila + hidroclorotiazida. Legrand Pharma Industria Farmacêutica Ltda. comprimido. 8mg/12,5mg.

RAIVA OBJETIVOS PROPRIEDADES DO VÍRUS INTRODUÇÃO

RAIVA OBJETIVOS PROPRIEDADES DO VÍRUS INTRODUÇÃO REPLICAÇÃO DO VÍRUS

REVISÃO SOBRE CETOACIDOSE DIABÉTICA

ARTANE. cloridrato de triexifenidil

Diagnóstico Diferencial das Síndromes Glomerulares. Dra. Roberta M. Lima Sobral

Transcrição:

Distúrbios do Na+ MARIANA PEREIRA RIBEIRO 6 SEMESTRE 0 7 / 1 2 / 2 0 1 5

Principais problemas clínicos na emergência; Cuidado com pacientes críticos: Grande queimado; Trauma; Sepse; ICC e IRA; Iatrogenia.

Sódio

Sódio Íon mais importante do espaço extracelular; Responsável pela manutenção do volume do líquido extracelular; Valor de referência normais: Na + = 135 a 145 meq/l.

Fisiologia A natremia é o principal determinante da osmolaridade dos nossos fluídos! Osmolaridade plasmática: NORMAL - Na + 135-145 meq/l 2x[ Na + ] + Glic/18 + [Ur]/6 2x 140+90/18+30/6=290 Sódio é responsável por 280 dos 290 da osmolaridade.

Mecanismo regulatório da natremia 1 ADH ( Hormônio Antidiurético) 2 Centro da SEDE

ADH produzido no hipotálamo ( centro osmorregulador) e armazenado na neuro-hipófise Nos protege da hiperosmolaridade ao promover a concentração da urina, ao fazer o rim guardar água limpa livre de solutos Mecanismo sensível (alterações de 1-2%). Osmolaridade plasmática: < 275 deixa de ser liberado; >275 é liberado proporcionalmente. Atua no nefron distal (túbulo coletor) estimulando a incorporação de aquaporinas Resposta do ADH não dependente de osmolaridade: volemia >8%

A Sede Grupo de neurônios no hipotálamo anterior ativados por aumentos da osmolaridade sérica acima de 290 mosm/l. É o principal fator protetor contra osmolaridade Quando a perda de água é grande, o aumento da absorção de água pelo rim não é suficiente para reestabelecer a volemia ESTÍMULO A INGESTÃO HÍDRICA.

Hiponatremia Definida como sódio sérico menor que 135 meq/l. Distúrbio muito frequente.

idade avançada (> 75 anos); sexo feminino; uso de vários medicamentos; insuficiência renal; e presença de comorbidades. Fatores de risco

Etiologia e Fisiopatologia Medicamentos Diuréticos tiazídicos. Antipsicóticos (clássicos e atípicos). Antidepressivos tricíclicos, tetracíclicos e atípicos. Inibidores da recaptação de serotonina. Estabilizadores do humor e anticonvulsivantes: lítio, carbamazepina, ácido valproico, gabapentina e lamotrigina. Benzodiazepínicos: lorazepam, alprazolam, clonazepam e outros. Opioides. Clorpropramida. Clofibrato. Ciclofosfamida. Vincristina.

Etiologia e Fisiopatologia Estados edematosos sinais de aumento do volume do espaço extracelular. hiponatremias hipervolêmicas. Insuficiência cardíaca, insuficiência hepática, insuficiência renal e síndrome nefrótica.

Etiologia e Fisiopatologia Desidratação sinais ou sintomas de desidratação. Hiponatremia hipovolêmica. Investigar minha perda de sódio.

Etiologia e Fisiopatologia Renal Extrarrenal Sódio urunário > 20 meq/l <10 meq/l Quadros diuréticos, hiperglicemia com diurese osmótica, insuficiência adrenal, nefropatia perdedora de sal ou acidose tubular renal. diarreia, vômitos, hemorragia, perda de fluidos para terceiro espaço, esmagamento muscular ou queimaduras.

Etiologia e Fisiopatologia Hiperglicemia Aumento da osmolalidade. Diurese osmótica. Pode-se corrigir o sódio, por hiperglicemia, com a seguinte fórmula: Na + corrigido: Na + medido + variação da glicemia.

Etiologia e Fisiopatologia Volemia normal Tem hipotireoidismo? Tem insuficiência adrenal? E transtorno psiquiátrico? Se negativo, pensar em SSIADH Medicamentos, doenças do SNC, doenças pulmonares, câncer e pósoperatório.

INVESTIGAÇÃO DA CAUSA DA HIPONATREMIA 1) Pode ser uma pseudo-hiponatremia? 2) Quais medicamentos o paciente usa? Ele(s) pode(m) causar hiponatremia? 3) Há sinais de aumento do volume extracelular? 4) Há sinais de desidratação ou hipovolemia? Se positivo, avaliar o sódio urinário; pode ser renal ou extrarrenal. 5) Há hiperglicemia? 6) Pode ser transtorno psiquiátrico? 7) Sempre pensar em hipotireoidismo e insuficiência adrenal. 8) HIV? Uso de tiazídico? 9) Tudo acima negativo? Pode ser uma SSIADH. Avaliar pulmão, sistema nervoso central ou câncer.

Quadro clínico A hiponatremia, por si só, pode se manifestar com: Sintomas sistêmicos: fraqueza, adinamia, anorexia, fadiga, vômitos, malestar. Manifestações neurológicas: costumam ser progressivas e dependem do valor do sódio sérico e da velocidade de instalação. Incluem: sonolência, confusão, convulsões e coma. De acordo com a etiologia: Insuficiência cardíaca: dispneia, edema de membros inferiores, hepatomegalia dolorosa, turgência jugular, B3, crepitações pulmonares etc. Insuficiência hepática:ascite,edema de membros inferiores,telangiectasias,eritema palmar, ginecomastia, circulação colateral etc. Diarreia aguda: desidratação, hipotensão, taquicardia.

Exames laboratoriais sódio sérico, sódio urinário e glicemia Medida direta da osmolalidade plasmática Concentração urinária de sódio Outros exames: Dosagem de TSH; Cortisol sérico basal e pós-estimulação com cortrosina (ACTH). Radiografia ou tomografia de tórax: avaliar doenças pulmonares. Tomografia de crânio: doenças neurológicas.

Diagnóstico diferencial intoxicações agudas; hipoglicemia; hipóxia; hematoma subdural crônico; epilepsia; tumores do sistema nervoso central; acidente vascular cerebral; sepse; hipercalcemia.

Tratamento Suporte clínico: corrigir distúrbios hemodinâmicos, hipoxemia, infecções etc. Tratar a causa de base. Aumento do sódio sérico com muita cautela mediante fórmula de correção do sódio. Variação máxima do sódio sérico: 0,5 a 1 meq/l/ hora ou 12 meq em 24 horas. (3mEq/3horas + 9 meq/21horas).

Tratamento

Estados edematosos: restrição de água para 800 a 1.000 ml em 24 horas. Se necessário, pode-se associar furosemida. Em pacientes com hiponatremia associada a perda de volume (desidratação), a prioridade é soro fisiológico, até restaurar boa perfusão periférica e renal. SSIADH: soro hipertônico e furosemida

Complicações Desmielinização osmótica do SNC: variação rápida da osmolalidade do SNC Quadro clínico: tetraparesia espástica, paralisia pseudobulbar, labilidade emocional, agitação, paranoia, depressão, coma, alterações pupilares, ataxia, parkisonismo, incontinência urinária. 2-6 dias após reposição de sódio

Hipernatremia Concentração sérica de sódio maior que 145 meq/l. Determinante da osmolaridade sérica.

Etiologia e Fisiopatologia Hiperosmolaridade; células acumulam solutos; Causas diversas; Cuidado com Diabetes Insípidus: desidratação importante

Etiologia e Fisiopatologia

Achados clínicos Profunda desidratação com mucosas ressecadas; sede intensa, fraqueza muscular, confusão, déficit neurológico focal, convulsões e coma. Sintomas da hipernatremia ou da doença desencadeante? Na dúvida, faz TC!

Achados clínicos Paciente muito desidratado com quadro neurológico proporcional à osmolaridade: Maior que 320 mosm/l: há confusão mental. Maior que 340 mosm/l: paciente em coma. Maior que 360 mosm/l: pode levar o paciente a apneia.

Diagnóstico O diagnóstico é feito pela dosagem sérica do sódio (> 145 meq/l). Osmolalidade sérica, urinária e sódio sérico: avaliar diabetes insípidus. Glicemia: diabete melito. Potássio e cálcio séricos: podem ocasionar diabetes insípidus. Tomografia de crânio: avaliar tumores, traumas, AVC.

Tratamento Hidratação do paciente; manter a volemia e corrigir instabilidade hemodinâmica é a mais. Não permitir a redução rápida e brusca do sódio para evitar lesões adicionais no SNC. Tratar a causa de base (doença desencadeante).

Tratamento Fórmula para manejo adequado do sódio

Tratamento

Complicações As principais complicações são decorrentes: Da própria hipernatremia: em razão da desidratação do SNC, pode haver ruptura de vasos. Da correção rápida do sódio: leva a edema cerebral, convulsões e coma. Por isso, corrigir o sódio com cautela. Da excessiva quantidade de volume: edema agudo de pulmão. Da doença de base do paciente (exemplo: acidente vascular cerebral com pneumonia aspirativa).

Referências Emergências clínicas : abordagem prática / Herlon Saraiva Martins...[et al.]. --8. ed. rev. e atual. -- Barueri, SP : Manole, 2013. Medicina interna de Harrison/ [Dan L.] Longo...[et al]; 18. ed Porto Alegre: AMGH, 2013.