LABRUM ACETABULAR MARQUES, R. M. (2007) 1 LABRUM ACETABULAR O Labrum Acetabular é uma espécie de moldura que reveste as bordas da cavidade acetabular do quadril e a mantém firmemente articulada à cabeça femoral. Além disso, juntamente com a cápsula e os ligamentos que a envolvem, fecham hermeticamente a junta, permitindo que o fluido sinovial circule em seu interior e a lubrifique. AS SETAS PRETAS INDICAM O LABUM ACETABULAR. LIGAMENTO TRANSVERSO CAVIDADE ACETABULAR
LABRUM ACETABULAR MARQUES, R. M. (2007) 2 Quando a lesão do labrum por traumatismos agudos ou repetitivos, ocorre o extravasamento do liquido com inflamação e liberação de substancias químicas que irão causar danos à cartilagem articular. A estrutura fibrocartilaginosa do labrum serve de amortecedor para o impacto a que é submetido durante as atividades físicas e esportivas. Por circundar toda a articulação na parte superior e unindo-se ao ligamento transverso na parte inferior, o labrum é um componente se suma importância juntamente com as demais estruturas estabilizadoras. Esportes de impacto como artes marciais, corridas de longa distancia ou 100m rasos, tênis, golfe, balé e futebol, quando realizados por pessoa que apresentam uma predisposição anatômica (defeito na formação do quadril) podem vir a sofrer da síndrome do impacto. A partir da década de 80 pesquisas médicas demonstraram que o impacto repetido da articulação coxo-femoral pode provocar uma lesão do labrum e da cartilagem próxima a causar um defeito degenerativo progressivo da junta por alterações bioquímicas. Nos homens a síndrome do impacto costuma ter como causa um defeito na conformação femoral que, em vez de esférica, apresenta-se mais ovalada. Quando o paciente realiza um movimento combinado flexão (dobrar) do quadril, adução (juntar as coxas) e rotação interna, ocorre um contato brusco entre as parte defeituosa da
LABRUM ACETABULAR MARQUES, R. M. (2007) 3 cabeça e o labrum. A repetição desse movimento acaba por provocar uma lesão no quadril, caracterizada por dor e dificuldades de movimentos. Clinicamente há dor na articulação do quadril, na virilha e face interna da coxa, que pode se estender até o joelho. Muitas vezes a síndrome do impacto é confundida com uma distensão muscular. Manobras clinicas realizadas pelo especialista em quadril podem levar ao diagnóstico, como o chamado Teste de Faduri, formado pelas inicias de flexão, adução e rotação interna. Esses movimentos, quando realizados simultaneamente, provocam dor, por causa do impacto da cabeça do fêmur com a porção ântero-superior do labrum. O diagnóstico da lesão do labrum muitas vezes requer a realização de exames de artro-ressonâcia magnética com a injeção de contraste na articulação, como mostram as ilustrações abaixo. Tratamento Uma vez diagnosticada a lesão do labrum, a cirurgia estará indicada para aqueles pacientes que estão com dor e necessitam retornar às atividades esportivas ou profissionais.
LABRUM ACETABULAR MARQUES, R. M. (2007) 4 Uma lesão aguda pode ser tratada sem operar desde que seguida de repouso, uso de muleta e observação por seis meses. Ao final desse prazo e se ainda houver dor poderá ser indicada uma cirurgia artroscópica do quadril. Esse procedimento permite o tratamento de muitas lesões do quadril sem a necessidade de grandes incisões ou cirurgias demoradas. Aqueles pacientes que já apresentam comprometimento na cartilagem da cabeça femoral e do acetábulo podem se beneficiar com a colocação de próteses que poderá, dependendo do caso, trazer de volta sua condição física anterior. Figuras 1, 2, 3 e 4: O efeito do Labrum invertido 1. A posição do labrum (B) antes de ser empurrado para dentro da articulação pelo osteófito marginal (A); 2. O labrum é pego pelo osteófito e forçado para dentro da articulação; 3. O labrum agora fixo dentro da articulação causa incongruidade e concentração de carga medialmente; 4. A incongruidade acelera o desgaste da cartilagem articular medialmente e mais tarde o desgaste do labrum propriamente dito. (extraído do artigo de Cartlidge, I. J. et al, pag. 342, Journal of the Royal College of Surgeons of Edinburg, Nov., Vol. 27, No 6, 1982).
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