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Transcrição:

<CABBCCABADDACABCCBBACAABDCDAABCBACBAA DDADAAAD> EMENTA: TRIBUTÁRIO ANULAÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO FISCAL ITCD DOAÇÃO DE COTAS SOCIAIS TRANSAÇÃO REALIZADA ENTRE PARTICULARES SEM QUALQUER PUBLICIDADE INOCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO AO FISCO ULTERIOR CONHECIMENTO DA TRANSAÇÃO PELA FAZENDA ESTADUAL MEDIANTE ANÁLISE DOS LIVROS DA SOCIEDADE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO IMPOSTO NO QUINQUÊNIO SEGUINTE DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA SENTENÇA REFORMADA. 1 O prazo decadencial do Fisco para lançar de ofício o ITCD decorrente de doação operada entre particulares é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme a disciplina do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. 2 Realizada doação de cotas sociais mediante simples anotação em termo particular, independentemente de declaração ao ente estadual, ou mesmo de qualquer procedimento que tenha dado publicidade oficial à transmissão, somente tendo a Administração conhecimento dos elementos necessários ao lançamento do tributo através de vista dos livros da sociedade, é este o termo inicial de decadência. 3 Se o lançamento fiscal é procedido dentro do prazo quinquenal que segue ao exercício em que o Fisco reúne os elementos para a constituição do ITCD, não se caracteriza a decadência, sendo válido o auto de infração lavrado. Precedentes. APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0145.13.017328-2/001 - COMARCA DE JUIZ DE FORA - APELANTE(S): ESTADO DE MINAS - APELADO(A)(S): THEREZINHA MOJAES RIBEIRO, MARIA ANGELICA MOJAES RIBEIRO E OUTRO(A)(S) A C Ó R D Ã O Vistos etc., acorda, em Turma, a 6ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, EM REEXAME NECESSÁRIO, CONHECIDO DE OFÍCIO, REFORMARAM A SENTENÇA, PREJUDICADO O RECURSO VOLUNTÁRIO. DESA. SANDRA FONSECA RELATORA. Fl. 1/6

DESA. SANDRA FONSECA (RELATORA) V O T O Cuida-se de recurso de apelação interposto pelo Estado de Minas Gerais, visando à reforma da r. sentença que, nos autos da ação ordinária ajuizada por Maria Angélica Mojaes Ribeiro e Eny Therezinha Mojaes Ribeiro, julgou procedente o pedido inicial e anulou a constituição de crédito tributário referente ao ITCD devido pelas particulares. Nas razões recursais de fls. 185/192, sustentou o apelante, em síntese, que o lançamento do ITCD é precedido de declaração prestada pelo contribuinte, consoante a exigência da Lei Estadual nº. 12.426/96 e do Decreto Estadual nº. 38.639/97. Argumentou que a doação realizada em benefício da parte autuada não foi de nenhum modo comunicada ao Fisco, defendendo que o ente estadual estaria, assim, impossibilitado de lançar o tributo, porquanto desconhecido. Asseverou que somente ao consultar os livros de registro de ações da sociedade interessada é que teve ciência da transação pactuada e, a partir de então, considerou ter elementos suficientes para proceder ao lançamento fiscal. Aduziu que o procedimento foi realizado em consonância com a legislação aplicável ao caso, bem como reputou não transcorrido o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Ao final, requereu o provimento do recurso para julgar improcedente o pedido inicial. Contrarrazões às fls. 197/200. O Estado de Minas Gerais se manifestou às fls. 205/206, apresentando os documentos de fls. 207/255, dos quais foi aberta vista às recorridas, que compareceram às fls. 259/271, com ulterior intimação da parte contrária, fls. 274/276. Observo, de saída, que, muito embora a r. sentença não tenha sido submetida ao reexame necessário, em se tratando de condenação dirigida ao ente estadual, mister se faz a remessa oficial, porquanto o crédito tributário controvertido suplanta o limite legal de alçada. Dessa forma, conheço, de ofício, do reexame necessário, a teor do art. 475, I, do Código de Processo Civil, assim como do recurso voluntário, porquanto presentes os respectivos pressupostos objetivos e subjetivos de admissibilidade. REEXAME NECESSÁRIO A controvérsia encerrada neste feito atine à invocada decadência do Estado de Minas Gerais em lançar o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos Fl. 2/6

ITCD, em razão da doação de cotas sociais operada em benefício das demandantes. Como se sabe, a constituição do crédito referente ao ITCD é precedida de lançamento feito, em regra, por declaração, sendo certo que, conhecendo os elementos da transação patrimonial realizada, o Fisco apura e cobra o tributo devido, no caso de doação, em decorrência da liberalidade pactuada. Com efeito, neste Estado, a Lei nº. 12.426/96, que dispunha sobre o tributo em questão, diploma vigente ao tempo da transmissão que deu origem aos autos de infração objurgados, foi regulamentada pelo Decreto nº. 38.639/97, o qual previu a necessidade de informação ao Fisco acerca da transmissão realizada, nos seguintes termos: Art. 5º - Na doação de quaisquer bens ou direitos, o doador ou o donatário apresentará a declaração e efetuará o pagamento, conforme o disposto no "caput" do 3º do artigo 4º e nos artigos 10 e 16, IV e V, deste Regulamento. Ao receber a declaração, o ente público apura o tributo, tornando-o exigível em face do contribuinte, de sorte que, uma vez conhecida a transação, resta deflagrado o prazo decadencial para o lançamento do imposto. Nas hipóteses em que o devedor do tributo não se presta a declaração devida, indispensável ao conhecimento e cálculo do valor a ser recolhido, pode o Estado proceder ao lançamento de ofício, nos moldes em que autorizado pelo art. 149 do Código Tributário Nacional, que disciplina: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; É de se reconhecer, em qualquer desses casos, que somente à vista da operação firmada e da correspondente expressão econômica, é que pode o ente público realizar o lançamento, daí porque é imprescindível o conhecimento prévio da transação operada. Vale dizer, ao Estado é reconhecida a possibilidade de constituir o crédito fiscal a partir do momento em que tem ciência inequívoca de todos os dados necessário à cobrança respectiva, ou seja, o valor transferido e os beneficiários da transmissão. Por conseguinte, tão somente com a ciência, pela Administração Fazendária, do fato gerador da exação é que se deflagra o prazo decadencial para o lançamento tributário, contado, pois, do primeiro dia do exercício financeiro seguinte, conforme estabelece o art. 173 do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: (...) I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por ilação do dispositivo legal, é de se concluir que o prazo decadencial para constituição do ITCD, de cinco anos, se inicia no primeiro Fl. 3/6

dia do exercício posterior àquele em que se verificar os elementos necessários ao lançamento. No caso dos autos, constatou o Fisco que foram realizadas doações de ações à postulante Maria Angélica Mojaes Ribeiro por Dilson Xavier Ribeiro e Eny Therezinha Mojaes Ribeiro, em 25 de novembro de 2000, sem que tais transações tenham sido comunicadas, de qualquer forma ao ente estadual. Ato contínuo, tendo falecido Dilson Xavier Ribeiro, após intervir nos autos do inventário correspondente, a Fazenda Estadual procedeu à análise dos registros sociais e, somente em 20 de julho de 2010, teve conhecimento da liberalidade pactuada. Naquela oportunidade, lavrou o demandado os autos de infração nº. 15.000004358.11 e 15.000004370.67, ora sob questionamento, que esclarecem: 1 Trabalhos desenvolvidos: verificação do recolhimento do ITCD doação. 2 Irregularidades apuradas: constatou-se, pela verificação nos livros de registro de ações e de termo de transferência de ações, cuja solicitação fora feita em razão da análise no processo de inventário de Dilson Xavier Ribeiro, CPF 003.714.166-04, óbito ocorrido em 29/10/2001, que houve doações de ações feitas a Maria Ang rlica Mojaes Ribeiro, CPF 284.064.006-68, em conjunto por Dilson Xavier Ribeiro, CPF 003.714.166-04 e Eny Therezinha Mojaes Ribeiro, CPF 926.853.586-68, e individualmente por Eny Therezinha Mojaes Ribeiro, ambas datadas de 25/11/2000, sem o recolhimento do ITCD doação incidente sobre o total da doação recebida, fato desconhecido da Fazenda Pública estadual por descumprimento do art. 5 do Decreto Estadual n. 538.639 de 04/02/1997, razão porque só pela análise nos livros, que de outra forma não teria, por se tratar de uma operação que não estava enquadrada nos ditames dos arts. 20 e 21 de Decreto Estadual n. 38.639 de 04/02/1997, que são as informações cartoriais e da JUCEMG. A análise nos livros fora feita em 20/07/10. (Fl. 84). Como se vê, somente com a ciência da doação das cotas sociais, o que se fez à vista dos livros da pessoa jurídica interessada, é que pôde o Fisco efetuar o lançamento do tributo, máxime porque a doação foi realizada apenas mediante inscrição em termo de transferência de ações, somente com o conhecimento dos particulares envolvidos, sem a lavratura de escritura ou averbação na Junta Comercial. Via de consequência, justamente porque, na espécie, de nenhum modo conhecia o ente estadual a transação efetuada, não poderia mesmo, desde a doação das cotas, apurar o tributo devido, razão pela qual, para fins do art. 173, I, do CTN, o momento em que o lançamento poderia ser efetuado ocorreu quando da análise dos livros da sociedade. A esse respeito, importa considerar que a só vista, pela Fazenda estadual, dos autos do inventário de Dilson Xavier Ribeiro, no bojo do qual, consoante se apura das primeiras declarações copiadas às Fl. 4/6

fls. 219/220, não foram indicadas as doações objeto dos autos de infração objurgados, não basta para a comprovação da ciência sobre o fato gerador. Em verdade, gozando o auto de infração de presunção de veracidade o qual esclarece que o conhecimento da transação se deu com a análise dos livros sociais, cumpria às demandantes demonstrar que o simples fato de ter o Fisco atuado no inventário, a par dos documentos constantes naqueles autos, era bastante para a ciência das transferências operadas, o que, conforme se extrai do processado, não foi infirmado pela contribuinte. Sendo assim, à míngua de qualquer informação, o ente público, tão logo teve conhecimento da operação tributável procedida entre os particulares, o que ocorreu em 20 de julho de 2010, lançou o ITCD correspondente, ainda no ano de 2011, em atendimento, portanto, do prazo decadencial de cinco anos. Sobre o tema, a jurisprudência deste eg. Tribunal de Justiça, em símiles precedentes, assim tem se manifestado: APELAÇÃO CÍVEL - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - ITCD - DOAÇÃO DE COTAS DE SOCIEDADE EMPRESÁRIA - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL - DATA DE CONHECIMENTO DO FATO GERADOR PELO FISCO - DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA - REEXAME NECESSÁRIO CONHECIDO DE OFÍCIO - SENTENÇA REVOGADA. - Ausente informação ao Fisco Estadual da doação, para efeito de recolhimento do ITCD, descumpre o contribuinte sua obrigação legal, pelo que o exercício financeiro de referência deve ser aquele em que o Estado de Minas Gerais tomou conhecimento da ocorrência do fato gerador do imposto. - Em se considerando que o pedido de quitação formulado no inventário por morte do doador ocorreu em julho de 2009, não se operou o prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 173, inciso I, do CTN, na medida em que a notificação da exigência tributária deu-se em 23 de outubro de 2009. - Sentença revogada em reexame necessário conhecido de ofício. Recurso voluntário prejudicado. (TJMG AC 1.0024.11.118016-2/001 Rel. Des. Luís Carlos Gambogi Publicação: 14/04/2014). TRIBUTÁRIO - ITCD - DECADÊNCIA - CIÊNCIA INEQUÍVOCA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO PELA FAZENDA PÚBLICA NO ANO DE 2008 - LANÇAMENTO OCORRIDO NO ANO DE 2009 - ARTIGO 173, I DO CTN OBSERVADO - IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO INICIAL - RECURSO PROVIDO. Para o lançamento do ITCD é indispensável o cumprimento, pelo contribuinte, da obrigação acessória prevista no artigo 12 da Lei Estadual nº 12.426/96, ou seja, a apresentação da "declaração de bens com discriminação dos respectivos valores em repartição pública fazendária" para posterior "pagamento do ITCD na forma e prazos estabelecidos". É certo que o artigo 14 da referida legislação impõe à JUCEMG o dever de Fl. 5/6

"comunicar imediatamente à repartição fazendária a entrada de qualquer instrumento de alteração contratual", aqui incluída a doação de cotas sociais em favor do contribuinte. Entretanto, tal fato, por si só, não desobriga o donatário do dever de apresentação, na repartição fazendária, da declaração de bens acima citada, sob pena impor à JUCEMG toda a responsabilidade para a constituição do ITCD, com eventual desídia da autarquia suprindo eventual descumprimento, pelo particular, de obrigação acessória indispensável para arrecadação de tributos. Constituída a exação no prazo previsto no artigo 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência. (TJMG AC 1.0024.12.108439-6/001 Rel. Des. Edilson Fernandes Publicação: 01/03/2013). Destarte, não podendo o ente estadual conhecer a transmissão patrimonial realizada entre os interessados, ato este que dispensou qualquer publicidade, resulta inviável reconhecer a decadência do lançamento fiscal, sob pena de se beneficiar a omissão da contribuinte em comunicar a Fazenda sobre a doação operada. Sendo assim, lançado o imposto no quinquênio seguinte ao conhecimento dos elementos necessários à constituição do crédito tributário, inexiste nulidade a ser declarada na autuação fiscal, que, nesses termos, permanece íntegra. Ainda, cumpre consignar, o fato de a Administração ter reconhecido a decadência do tributo referente a outras doações realizadas em benefício de terceiro, em condições similares àquela discutida nesta demanda, o que ocorreu em ação anulatória distinta da presente, em nada altera a discussão versada neste recurso, máxime porque diversas as partes litigantes nos mencionados feitos. Por todas essas razões, afastada a decadência do lançamento fiscal, é indevida a anulação pronunciada em primeiro grau. CONCLUSÃO Com esses fundamentos, em reexame necessário, REFORMO a sentença para julgar improcedente o pedido inicial. Como corolário, inverto os ônus de sucumbência. Julgo prejudicado o recurso voluntário. É como voto. DES. CORRÊA JUNIOR (REVISOR) - De acordo com o(a) Relator(a). DES. AUDEBERT DELAGE - De acordo com o(a) Relator(a). SÚMULA: "EM REEXAME NECESSÁRIO, CONHECIDO DE OFÍCIO, REFORMARAM A SENTENÇA, PREJUDICADO O RECURSO VOLUNTÁRIO." Fl. 6/6