LIBERDADE DE EXPRESSÃO



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Transcrição:

Plano de Aula LIBERDADE DE EXPRESSÃO SOBRE ESTE PLANO DE AULA Este plano de aula proporciona uma abordagem ao tema da liberdade de expressão para trabalhar com estudantes do 3ºciclo e Ensino Secundário. Esta atividade explora o direito à liberdade de expressão estimulando as capacidades de comunicação assim como o pensamento crítico, usando um filme e texto informativo. CONTEÚDO Plano de aula: o Atividade a desenvolver pág. 2 e 3 Ligações com os programas curriculares portugueses pág.4 Anexo 1 Como nasceu a Amnistia Internacional? pág. 5 Anexo 2 Caso de estudo Rafael Marques pág. 6 OBJETIVOS: Analisar o direito à liberdade de expressão e as suas implicações em diferentes contextos Analisar o papel da Amnistia Internacional na promoção dos direitos humanos Explorar ideias para campanhas de apoio MATERIAIS NECESSÁRIOS Filme A Bala ou O poder da assinatura Computador/leitor de DVD Projetor Apresentação de PowerPoint TEMPO: 50 minutos IDADES: 13+ DISPOSIÇÃO DA SALA: Mesas em ilha para trabalhos de grupo 1

PLANO DE AULA: LIBERDADE DE EXPRESSÃO ATIVIDADE TEMPO ATIVIDADE RECURSOS 5 MIN INTRODUÇÃO Exploração do conceito de liberdade de expressão. Mostre a imagem que simboliza a negação da liberdade de expressão (slide 2). Discuta com os alunos sobre o que eles acham que significa. Explique que durante a aula irão falar sobre o direito à liberdade de expressão, Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (slide 3) Enumere os objetivos da aula (slide 4) Apresentação de PowerPoint 15 MIN DESENVOLVIMENTO Os alunos analisam casos em que o direito à liberdade de expressão foi negado mas que foram apoiados por outras pessoas. Divida a turma em pequenos grupos (3/4 alunos) Mostre o slide 5 Como é que nasceu a Amnistia Internacional? E leia a 1ªparte do Anexo1 Peça aos alunos que discutam o que podia/devia ter sido feito no caso dos estudantes portugueses. Cada grupo deve depois reportar uma ou duas ideias para o resto da turma. Leia a 2ªparte do Anexo 1 e mostre o slide 6. Mostre depois um dos filmes mencionados que demonstra o poder de uma assinatura numa carta/petição. Anexo 1 Filme A Bala ou o Poder da assinatura 5 MIN Explique que existem muitos outros exemplos de violações de direitos humanos no mundo e mostre o slide 7, referindo que este é um exemplo de uma campanha da AI. (Slide 8) Peça aos alunos que considerem qual foi o papel da Amnistia Internacional nestes casos. O que é que a Amnistia Internacional fez? Ajudou a mudar a situação? O que mais poderia ser feito? 20 MIN Os alunos idealizam uma campanha para um caso de violação de direitos humanos. Mostre o slide 9 e distribua uma cópia do anexo 2 a cada grupo. Leia o caso de Rafael Marques. Peça aos estudantes para, em grupo, discutirem o que fariam sobre o caso deste jornalista? Como é que fariam uma campanha para apoiar o seu caso? Que ações é que fariam? Como é que encorajariam outros a envolverem-se? Anexo 2 Caso de Rafael Marques 2

Cada grupo partilha as suas conclusões com o resto da turma. 5 MIN CONCLUSÃO Finalize referindo que o caso de Rafael Marques faz parte de uma iniciativa mundial da Amnistia Internacional que está a decorrer na escola que é a Maratona de Cartas (Slide 10). Atividade adaptada de EVERYONE EVERYWHERE A human rights cross-curricular teaching resource for secondary schools. Amnesty International UK. 3

Ligações com os programas curriculares Filosofia 1.Finalidades Proporcionar oportunidades favoráveis ao desenvolvimento de um pensamento ético-político crítico, responsável e socialmente comprometido, contribuindo para a aquisição de competências dialógicas que predisponham à participação democrática e ao reconhecimento da democracia como o referente último da vida comunitária, assumindo a igualdade, a justiça e a paz como os seus princípios legitimadores. 2. Objetivos Gerais A - No domínio cognitivo 2.2. Adquirir informações seguras e relevantes para a compreensão dos problemas e dos desafios que se colocam às sociedades contemporâneas nos domínios da ação, dos valores, da ciência e da técnica. 2.4. Desenvolver uma consciência crítica e responsável que, mediante a análise fundamentada da experiência, atenta aos desafios e aos riscos do presente, tome a seu cargo o cuidado ético pelo futuro. B - No domínio das atitudes e dos valores 1.6. Desenvolver atitudes de solidariedade social e participação na vida da comunidade. 2.5. Assumir o exercício da cidadania, informando-se e participando no debate dos problemas de interesse público, nacionais e internacionais. Português Objetivos Desenvolver práticas de relacionamento interpessoal favoráveis ao exercício da autonomia, da cidadania, do sentido de responsabilidade, cooperação e solidariedade. Competências A formação dos alunos para a cidadania, competência transversal ao currículo, é também uma competência do Português ( ) A tomada de consciência da personalidade própria e dos outros, a participação na vida da comunidade, o desenvolvimento de um espírito crítico, a construção de uma identidade pessoal, social e cultural instituem-se como eixos fundamentais nesta competência. Estes fatores implicam a promoção de valores e atitudes conducentes ao exercício de uma cidadania responsável num mundo em permanente mutação, onde o indivíduo deve afirmar a sua personalidade sem deixar de aceitar e respeitar a dos outros, conhecer e reivindicar os seus direitos, sem deixar de conhecer e cumprir os seus deveres. História Finalidades Promover o desenvolvimento de competências que permitam a problematização de relações entre o passado e o presente e a interpretação crítica e fundamentada do mundo atual. Desenvolver a consciência da cidadania e da necessidade de intervenção crítica em diversos contextos e espaços. Objetivos Interpretar o diálogo passado-presente como um processo indispensável à compreensão das diferentes épocas, civilizações e comunidades. Desenvolver hábitos de participação em atividades de grupo, assumindo iniciativas e estimulando a intervenção de outros. Desenvolver a consciência dos problemas e valores nacionais, dos direitos e deveres democráticos e do respeito pelas minorias. Formação Cívica Aprendizagens adquiridas Conhecem e defendem os direitos fundamentais consagrados nos principais documentos relativos aos direitos humanos Declaração Universal dos Direitos Humanos, Convenção dos Direitos da Criança, Convenção Europeia dos Direitos Humanos e os organismos internacionais e europeus que zelam pelo seu cumprimento. 4

ANEXO 1 1ª Parte Como nasceu a Amnistia Internacional Em 1960, Peter Benenson, um advogado britânico, leu sobre dois estudantes portugueses que tinham feito um brinde à liberdade num bar em Lisboa e por isso tinham sido condenados a 7 anos de prisão. Na altura Portugal vivia sob a ditadura de Salazar. A 28 de maio de 1968, Peter Benenson escreveu um artigo para o jornal The Observer a que chamou Os prisioneiros esquecidos, em que contava a histórias de pessoas que eram presas simplesmente por expressarem as suas ideias. No parágrafo inicial escreveu: 'Abra o seu jornal num qualquer dia da semana e encontrará um relato de alguém que foi preso, torturado ou executado, num qualquer sítio do mundo, por as suas opiniões ou a sua religião serem inaceitáveis para o governo do seu país. [ ] O leitor do jornal fica com um revoltante sentimento de impotência. E, no entanto, se estes sentimentos de revolta por todo o mundo puderem unir-se numa acção comum, algo eficaz pode ser feito' 2º Parte Mais de 50 anos de ação da Amnistia Internacional Peter Benenson começou a pensar sobre formas de persuadir os governos a libertar priisoneiros como os estudantes portugueses, a que chamou prisioneiros de consciência. A sua ideia era bombardear os governos com cartas de protesto sobre estes prisioneiros de consciência e apelas à sua libertação. O artigo Os prisioneiros esquecidos recebeu uma resposta estrondosa: de muitos países chegaram inúmeras cartas de apoio, dinheiro, informação sobre muitos outros prisioneiros e muitos voluntários disponibilizaram-se para trabalhar pela libertação dos prisioneiros de consciência. Em menos de oito semanas realizou-se a primeira reunião internacional tinha nascido a Amnistia Internacional. Foram estabelecidos escritórios em sete países. Hoje a Amnistia Internacional tem mais de 7 milhões de em mais de 150 países e territórios em todas as regiões do mundo. Em Portugal existem mais de 12.000 membros e apoiantes. 5

ANEXO 2 Quem? Rafael Marques de Morais é um jornalista angolano que tem sido perseguido pelo governo de Angola devido à denúncia de casos de alegada corrupção e injustiça social no país. Porquê? Recentemente, Rafael Marques publicou um livro em que descreve alegados abusos de direitos humanos por parte de militares angolanos e de empresas privadas, em minas de diamantes. Apresentou também uma queixa-crime contra os alegados responsáveis pelos abusos descritos no livro, procurando justiça para as alegadas vítimas da indústria de diamantes do país. Em consequência, foi formalmente acusado de denúncia caluniosa em julho de 2014. A 19 de maio os generais angolanos retiraram as acusações contra Rafael Marques e o ativista prescindiu de apresentar as testemunhas e provas de defesa na sessão de 25 de maio, considerando que as acusações haviam sido retiradas na totalidade. Foi, no entanto, surpreendido quando nesta sessão o Ministério Público pediu 30 dias de prisão. A sentença final foi proferida a 28 de maio e foi condenado por denúncia caluniosa a seis meses de prisão com pena suspensa por dois anos. A 3 de junho foi interposto um recurso, em relação ao qual se aguarda uma decisão. A Campanha da Amnistia Internacional A Amnistia Internacional considera que Rafael Marques está a ser alvo de perseguição por exercer o seu direito à liberdade de expressão protegido pelo direito internacional. Se tivessem que planear uma ação de apoio ao Rafael Marques o que fariam? Como é que fariam uma campanha para apoiar o seu caso? Que ações é que fariam? Como é que encorajariam outros a envolverem-se? 6