RUMO À BNCC ENSINO FUNDAMENTAL

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Transcrição:

RUMO À BNCC ENSINO FUNDAMENTAL

Gestão de conteúdo Carlos Eduardo Lavor (Caê) Revisão Fernanda Silva Pinto Vernier Gustavo Furniel Márcio Miranda Pablo López Silva Philippe Spitaleri Kaufmann (PH) Raphael Amaral (TIM) Rodrigo Machado Martins Rodrigo MANZ de Paula Ramos Thiago Dutra de Araujo Produção Carolina Salmazio Ciane Kenj Todos os direitos reservados por Sistema Anglo de Ensino 2

SUMÁRIO 04 O QUE É A BNCCC? 06 O QUE MUDA COM A BNCC? 09 COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA 3

O QUE É A BNCC? A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento que define os conhecimentos essenciais que os estudantes têm o direito de aprender ao longo das etapas da Educação Básica, desde a Educação Infantil até o final do Ensino Médio. A BNCC apresenta objetivos de aprendizagem gerais que devem orientar a construção e adaptação dos currículos específicos de todas as escolas, que possuem autonomia para elaborar suas próprias metodologias, abordagens pedagógicas e avaliações, respeitando as diversidades regionais, estaduais e locais. 4

A adoção de uma base comum nas redes públicas e privadas nas diferentes regiões brasileiras pretende contribuir com a redução das desigualdades de aprendizado entre os alunos de todo o país. Em dezembro de 2017 foi aprovada e homologada a BNCC do Ensino Infantil e Fundamental, enquanto a BNCC do Ensino Médio ainda está em discussão. 5

O QUE MUDA COM A BNCC? Educação Integral: as aprendizagens essenciais definidas na BNCC devem assegurar que os estudantes desenvolvam dez competências gerais, envolvendo aspectos cognitivos, sociais e pessoais, como pensamento crítico, científico e criativo, autonomia, capacidade argumentativa e resiliência diante de situações adversas. Foco na aprendizagem: as escolas deverão oferecer propostas de ensino mais centralizadas na aprendizagem dos alunos, através de metodologias ativas que favoreçam o desenvolvimento de competências, habilidades, conhecimentos, atitudes e valores, substituindo abordagens excessivamente conteudistas. Aprendizagem Ativa: envolve o maior engajamento dos alunos, considerando que cada conhecimento da BNCC está associado a uma 6

habilidade que pode ser aplicada a um fim ou a um evento cotidiano. As habilidades abrangem processos cognitivos com diferentes níveis de complexidade, desde os mais simples e passivos, como lembrar e identificar, até os mais complexos, como analisar, investigar e criar. Valorização de experiências: a BNCC propõe maior articulação entre as áreas do conhecimento, suas habilidades, atitudes e valores. Junto a isso, as práticas de ensino e aprendizagem devem estar voltadas à resolução de demandas complexas da vida cotidiana e ao exercício da cidadania, entrelaçando-os aos conhecimentos que compõe o patrimônio cultural. Progressão na aprendizagem: os objetivos de aprendizagem seguem uma progressão na BNCC, deixando mais evidente o que os alunos devem aprender ao longo das diferentes etapas do Ensino Básico, aspecto que favorece o desenvolvimento de habilidades mais complexas nos anos mais avançados. 7

Na BNCC, competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho. 8

~ COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇAO BÁSICA 1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 9

3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. 4. Utilizar diferentes linguagens verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 10

6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao projeto pessoal de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. 7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 11

9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. 12

ENSINO FUNDAMENTAL A BNCC, no ensino fundamental, tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais, orienta o estímulo ao pensamento criativo, lógico e crítico, por meio da construção e do fortalecimento da capacidade de fazer perguntas e de avaliar respostas, de argumentar, de interagir com diversas produções culturais, de fazer uso de tecnologias de informação e comunicação, possibilita aos alunos ampliar sua compreensão de si mesmos, do mundo natural e social, das relações dos seres humanos entre si e com a natureza. ENSINO FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS Nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, a ação pedagógica deve ter como foco a alfabetização, a fim de garantir amplas oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética de modo articulado 13

ao desenvolvimento das habilidades de leitura e de escrita e ao seu envolvimento em práticas diversificadas de letramentos. A progressão do conhecimento ocorre pela consolidação das aprendizagens anteriores e pela ampliação das práticas de linguagem e da experiência estética e intercultural das crianças, considerando tanto seus interesses e suas expectativas quanto o que ainda precisam aprender. Ampliam-se a autonomia intelectual, a compreensão de normas e os interesses pela vida social, o que lhes possibilita lidar com sistemas mais amplos, que dizem respeito às relações dos sujeitos entre si, com a natureza, com a história, com a cultura, com as tecnologias e com o ambiente. ENSINO FUNDAMENTAL ANOS FINAIS Nessa etapa, os estudantes se deparam com desafios de maior complexidade, 14

sobretudo devido à necessidade de se apropriarem das diferentes lógicas de organização dos conhecimentos relacionados às áreas. Tendo em vista essa maior especialização, é importante, nos vários componentes curriculares, retomar e ressignificar as aprendizagens do Ensino Fundamental Anos Iniciais no contexto das diferentes áreas, visando ao aprofundamento e à ampliação de repertórios dos estudantes. ÁREA DE LINGUAGENS NO ENSINO FUNDAMENTAL A BNCC divide a área de Linguagens nos seguintes componentes curriculares: Língua Portuguesa, Língua Inglesa (a partir do 6º ano), Artes e Educação Física. Esta área do conhecimento tem enfoque nas práticas sociais, realizadas por intermédio das diferentes linguagens: verbal (inclusive Libras, que é visual-motora), corporal, visual, 15

sonora e digital. Nos dois primeiros anos, a ação pedagógica deve zelar, primordialmente, pela alfabetização uma vez que as capacidades de ler e escrever potencializam a interação e o aprendizado dos educandos. Nos anos finais do Ensino Fundamental (6º ano em diante), ampliam-se as práticas de linguagens adquiridas durante os anos iniciais. As competências específicas dessa área giram em torno do (re)conhecimento, compreensão, exploração, desenvolvimento e uso das diferentes linguagens de maneira ética, crítica, expressiva, reflexiva, inclusiva, com consciência social, ambiental e cultural, a fim de valorizar e respeitar a diversidade, os direitos humanos e os preceitos democráticos. 16

MATEMÁTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL A BNCC leva em conta que os diferentes campos que compõem a Matemática reúnem um conjunto de ideias fundamentais que produzem articulações entre eles: equivalência, ordem, proporcionalidade, interdependência, representação, variação e aproximação. Essas ideias fundamentais são importantes para o desenvolvimento do pensamento matemático dos alunos e devem se converter, na escola, em objetos de conhecimento. As cinco unidades temáticas (números, álgebra, geometria, grandezas e medidas, probabilidade e estatística), ao serem correlacionadas, orientam à formulação de habilidades a ser desenvolvidas ao longo do Ensino Fundamental. Cada uma delas pode receber ênfase diferente, a depender do ano de escolarização. 17

CIÊNCIAS DA NATUREZA NO ENSINO FUNDAMENTAL Em Ciências da Natureza, a BNCC, tem compromisso com o desenvolvimento do letramento científico, que envolve a capacidade de compreender e interpretar o mundo (natural, social e tecnológico), mas também de transformá-lo com base nos aportes teóricos e processuais das ciências. Propõe acesso à diversidade de conhecimentos científicos produzidos ao longo da história, bem como a aproximação gradativa aos principais processos, práticas e procedimentos da investigação científica. Debater e tomar posição sobre alimentos, medicamentos, combustíveis, transportes, comunicações, contracepção, saneamento e manutenção da vida na Terra, entre muitos outros temas, são imprescindíveis tanto conhecimentos éticos, políticos e culturais quanto científicos. Desta forma, observar, analisar, plane- 18

jar, avaliar, elaborar, selecionar, organizar, relatar, implementar são verbos presentes nas habilidades que devem nortear as situações de aprendizagem elaboradas pelo corpo docente. ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS NO ENSINO FUNDAMENTAL A área de Ciências Humanas é dividida pela BNCC entre História e Geografia, ambas se estendendo por todos os anos do Ensino Fundamental. Estes componentes curriculares devem trabalhar a cognição pautada pela contextualização no espaço e no tempo dando destaque especial à diversidade humana. O raciocínio espaço-temporal compreende o entendimento de que o ser humano influi no espaço em que vive, modificando-o e apropriando-se dele ao longo do tempo. Tal conceito é importante 19

para a compreensão e interpretação do passado e do presente, a partir de diferentes abordagens (histórica, social, geográfica), proporcionando a atuação responsável e ética do indivíduo no ambiente e tempo em que vive. As Ciências Humanas também devem valorizar a crítica sistemática à ação humana, às relações sociais e de poder e à produção de conhecimentos e saberes a fim de estimular o desenvolvimento da compreensão de mundo dos educandos. Nos anos iniciais (1º ao 5º ano), deve-se dar ênfase à valorização e problematização das experiências individuais e familiares dos alunos com diferentes tipos de atividades e em diferentes ambientes de modo que estes compreendam a si mesmos e aos seus próximos em seus diversos contextos históricos e sociais. Nos anos finais (6º ao 9º ano), devem- -se analisar os indivíduos como elementos atuantes no mundo que, por 20

sua vez, sofre mudanças constantemente. Devem-se também aprofundar os questionamentos e a compreensão da diversidade humana. Dessa forma, as competências específicas desta área estão relacionadas à autocompreensão, à compreensão do outro e do mundo em suas variadas esferas de acordo com seus contextos históricos e geográficos; à identificação da atuação humana na natureza e na sociedade; ao desenvolvimento da capacidade de relacionar e argumentar sobre os conhecimentos referentes às Ciências Humanas. O desenvolvimento dessas competências busca estimular o espírito crítico, democrático, inclusivo e de respeito às diferenças. 21

ÁREA DE ENSINO RELIGIOSO NO ENSINO FUNDAMENTAL Tendo seus fundamentos estabelecidos pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases de 1996, cujo artigo 3º foi alterado pela Lei nº 9.475/1997, o Ensino Religioso tem por função educacional assegurar o respeito à diversidade cultural religiosa e não deve visar à conversão. De acordo com a BNCC, essa área de ensino tem os seguintes objetivos: a) Proporcionar a aprendizagem dos conhecimentos religiosos, culturais e estéticos, a partir das manifestações religiosas percebidas na realidade dos educandos; b) Propiciar conhecimentos sobre o direito à liberdade de consciência e de crença, no constante propósito de promoção dos direitos humanos; c) Desenvolver competências e habilidades que contribuam para o diálogo entre perspectivas religiosas e seculares de vida, exercitando 22

o respeito à liberdade de concepções e o pluralismo de ideias, de acordo com a Constituição Federal; d) Contribuir para que os educandos construam seus sentidos pessoais de vida a partir de valores, princípios éticos e da cidadania. A BNCC reconhece o conhecimento religioso como parte integrante da cultura humana e deixa claro que não se deve priorizar nenhuma crença ou convicção. Dentre as competências específicas do Ensino Religioso destacam-se o debate, a problematização e o posicionamento perante discursos e práticas de intolerância, a discriminação e a violência de natureza religiosa; a compreensão, o respeito e a valorização da vida, da cultura de paz e das diferentes manifestações religiosas e filosofias de vida. 23