OVERVIEW DO SISTEMA BANCÁRIO PORTUGUÊS
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- Derek Chaplin Sabala
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1 OVERVIEW DO SISTEMA BANCÁRIO PORTUGUÊS
2 ÍNDICE I. Importância do Sector Bancário na Economia II. III. Actividade de Crédito Financiamento IV. Solvabilidade V. Regimes de Recapitalização Pública e de Concessão de Garantias Pessoais pelo Estado a favor das Instituições de Crédito
3 OVERVIEW DO SISTEMA BANCÁRIO PORTUGUÊS I. Importância do Sector Bancário na Economia
4 Contrariamente ao ocorrido na área do Euro, a crise financeira não abrandou o crescimento dos activos totais dos bancos portugueses. Índice Evolução dos activos totais do sector bancário (Dez. 2005=100) Média das taxas de crescimento anuais (YoY) Portugal = 9,5% Área do Euro = 11,1% Média das taxas de crescimento anuais (YoY) Portugal = 8,7% Área do Euro = 1,8% Média das taxas de crescimento anuais (YoY) Portugal = -0,1% Área do Euro = 1,5% Contudo, os bancos portugueses iniciaram o processo de desalavancagem depois do início do Programa de Assistência Económica e Financeira. Este processo intensificouse depois de Agosto de Dez-05 Jun-06 Dez-06 Jun-07 Dez-07 Jun-08 Dez-08 Jun-09 Dez-09 Jun-10 Dez-10 Jun-11 Dez-11 Jun-12 Dez-12 Jun-13 Fonte: BCE Portugal Área do Euro 4
5 O sector bancário tem um papel importante na economia portuguesa, no entanto o peso dos seus activos no PIB nacional situa-se abaixo do nível da área do Euro. Activos totais do sector bancário em proporção do PIB*, em Portugal e na área do Euro 400% Área do Euro 300% Portugal 200% 100% 0% Apesar do decréscimo dos activos dos bancos portugueses por via do processo de desalavancagem recentemente seguido, o decréscimo do PIB nacional em 2012 conduziu a um aumento do rácio Activos Totais / PIB. No final do ano passado, o peso dos activos bancários no PIB em Portugal era já muito próximo do observado na área do Euro * Produto Interno Bruto (nominal). Fonte: BCE 5
6 Em Portugal, a contribuição das actividades de serviços financeiros para o Valor Acrescentado Bruto nacional situa-se acima dos valores da área do Euro. VAB das actividades de serviços financeiros em proporção do VAB total, em Portugal e noutros países da União Europeia (2009) Reino Unido Irlanda Portugal Espanha Grécia Área do Euro Itália França Alemanha Em Portugal, as actividades de serviços financeiros (excepto seguros e fundos de pensões e incluindo aquelas desenvolvidas pelo Banco de Portugal), contribuem para aproximadamente 6% do Valor Acrescentado Bruto do país. Este valor é relativamente elevado quando comparado com outros países da área do Euro. Actividades de serviços financeiros (excepto seguros e fundos de pensões) Seguros, fundos de pensões e actividades auxiliares de serviços financeiros 0% 2% 4% 6% 8% 10% 12% Fonte: Eurostat, INE, Central Statistics Office Ireland 6
7 OVERVIEW DO SISTEMA BANCÁRIO PORTUGUÊS II. Actividade de Crédito
8 Na banca portuguesa, o crédito a clientes absorve quase 50% dos activos totais. Crédito a clientes* em proporção dos activos totais (Junho 2013) 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 45,2% Comparativamente a outros países da área do Euro, a actividade dos bancos portugueses está essencialmente centrada na concessão de crédito a clientes. 37,5% * Empréstimos ao sector não monetário (saldos brutos em fim de mês). ** Valores agregados. Fonte: BCE 8
9 No período que antecedeu a crise financeira, o volume de crédito revelou uma forte tendência crescente, tanto em Portugal como na área do Euro. Índice Evolução do crédito* em Portugal e na área do Euro (Dez. 2005=100) Portugal (100 = M ) Área do Euro (100 = M ) Média das taxas de crescimento anuais (YoY) Portugal = 1,5% Área do Euro = 0,6% Média das taxas de crescimento anuais (YoY) Portugal = -4,6% Área do Euro = 0,4% No verão de 2008, a taxa de crescimento do crédito começou a abrandar. Em Portugal, o volume de crédito tem diminuído desde o segundo trimestre de 2011, afastando-se da tendência da área do Euro, fruto da desalavancagem seguida pelo sector. 90 Dez-05 Jun-06 Dez-06 Jun-07 Dez-07 Jun-08 Dez-08 Jun-09 Dez-09 Jun-10 Dez-10 Jun-11 Dez-11 Jun-12 Dez-12 Jun-13 * Empréstimos aos sectores monetário e não monetário (saldos brutos em fim de mês). Fonte: BCE 9
10 Apesar da redução do Rácio Crédito / PIB em 2012, o nível de endividamento bancário da economia portuguesa ainda é elevado, face ao contexto europeu. % PIB** 250% 200% Rácio Crédito a Clientes* / PIB** No final de 2012, o crédito a clientes em Portugal representava cerca de 156% do PIB nominal. Desde 2010, este rácio diminuiu aproximadamente 14 pontos percentuais. O processo de desalavancagem seguido pelos bancos portugueses levou a uma diminuição de quase 8 pontos percentuais do rácio Crédito a Clientes/ PIB em % 100% 50% 0% Irlanda Espanha Reino Unido Portugal Área do Euro Itália Grécia Alemanha França * Empréstimos à totalidade do sector não monetário (saldos brutos em fim de mês). ** Produto Interno Bruto (nominal). Fonte: BCE, Eurostat
11 Os stocks de crédito a particulares e sociedades não financeiras demonstram evoluções divergentes face ao stock de crédito à administração pública. Evolução do volume de crédito* por sector institucional (Dez. 2005=100) Índice O acordo de um plano de ajuda financeira à Grécia, em Maio de 2010, veio acentuar as dificuldades no acesso da República Portuguesa ao financiamento através dos mercados financeiros. Nesse período, a taxa de juro das Obrigações do Tesouro nacional (a 10 anos) atingiu o máximo histórico desde a adesão ao euro, 6,29%, levando o recurso ao crédito bancário, por parte da administração pública, a crescer abruptamente. Administração Pública** Particulares Em Abril de 2011, quando Portugal pediu assistência financeira internacional, o volume de crédito à administração pública atingiu o seu máximo histórico Sociedades não financeiras*** 0 Dez-05 Jun-06 Dez-06 Jun-07 Dez-07 Jun-08 Dez-08 Jun-09 Dez-09 Jun-10 Dez-10 Jun-11 Dez-11 Jun-12 Dez-12 Jun-13 * Saldos brutos em fim de mês. ** Inclui apenas empréstimos (não inclui títulos de dívida pública). *** Inclui empresas públicas. Fonte: Banco de Portugal 11
12 O diferencial entre as taxas de juro de novos empréstimos a sociedades não financeiras em Portugal e na área do Euro aumentou depois do início da crise da dívida soberana. Evolução das taxas de juro dos empréstimos de instituições financeiras monetárias a sociedades não financeiras (apenas novas operações) em Portugal e na área do Euro % Portugal Área do Euro Junho 2013 Portugal: 5,53% Área do Euro: 2,59% 0 Dez-05 Jun-06 Dez-06 Jun-07 Dez-07 Jun-08 Dez-08 Jun-09 Dez-09 Jun-10 Dez-10 Jun-11 Dez-11 Jun-12 Dez-12 Jun-13 Fonte: BCE 12
13 Em Portugal, os particulares e as sociedades não financeiras revelam uma maior dependência do crédito bancário do que na área do Euro. Peso do crédito a particulares, sociedades não financeiras e administração pública no PIB*, em Portugal e noutros países da União Europeia (Dezembro 2012) = 158,9% 150,1% 149,7% 118,7% 115,2% 112,0% 107,0% 103,9% 103,7% 10,9% 4,7% 20,7% 69,4% 64,3% 59,4% 5,0% 52,1% 12,1% 17,1% 47,8% 55,9% 10,3% 43,0% 0,5% 27,5% 14,4% 34,4% 78,6% 81,1% 69,6% 61,6% 55,3% 39,0% 53,7% 75,9% 54,9% Espanha Portugal Irlanda Grécia Área do Euro Itália França Reino Unido Alemanha * Produto Interno Bruto (nominal). ** Inclui apenas empréstimos (não inclui títulos de dívida pública). *** Inclui empresas públicas. Fonte: Ameco, BCE Administração Pública** Sociedades não financeiras*** Particulares 13
14 No entanto, as empresas públicas representam quase 10% da dívida total das sociedades não financeiras ao sector financeiro residente. Crédito a sociedades não financeiras públicas em Portugal* 10,5% 9,8% 10,1% 5,7% 6,0% 6,6% ,4% 63,1% Em Portugal, o crédito ao Sector Empresarial do Estado absorve uma parte significativa do total do crédito a sociedades não financeiras. Ainda assim, aumentou substancialmente desde ,6% 36,9% Empréstimos Títulos de dívida * Em percentagem dos saldos de empréstimos contraídos e títulos de dívida emitidos por empresas não financeiras face ao sector financeiro residente. O conceito de sector financeiro residente inclui não apenas bancos, mas também outras instituições financeiras. Fonte: Banco de Portugal 14
15 Se o crédito a particulares é maioritariamente para habitação, o crédito a sociedades não financeiras destina-se sobretudo ao sector da construção e do imobiliário. Crédito a particulares Habitação 82% Crédito* (Junho 2013) Consumo 10% Outros fins 8% Particulares 40% Crédito a sociedades não financeiras Adm. Pública 2% Outros 26% Sociedades não financeiras 32% Outros 36% Indústria 13% Construcção e imobiliário 32% Comércio, alojamento e restauração 17% * Empréstimos aos sectores monetário e não monetário, incluindo não residentes (saldos brutos em fim de mês). Fonte: Banco de Portugal Agricultura, caça, floresta e pesca 2% 15
16 Em Portugal, a proporção do crédito à habitação no total do crédito concedido a particulares tem maior expressão do que na área do Euro. Portugal 10,1% 8,6% 8,1% 10,8% 10,9% 9,6% 79,1% 80,5% 82,3% Área do Euro 15,7% 15,9% 15,6% 12,9% 12,4% 11,2% 71,4% 71,7% 73,2% O peso do crédito ao consumo no total do crédito concedido a particulares tem vindo a diminuir tanto em Portugal como na área do Euro. Contudo, este tipo de crédito é menos relevante no caso português do que na área do Euro Jun Jun-13 Fonte: BCE Outros fins Consumo Habitação 16
17 A evolução dos preços da habitação em Portugal tem sido relativamente estável quando comparada com a de outros países da área do Euro. Índice de preços da habitação, em Portugal e noutros países da área do Euro (Mar. 2005=100) Índice Área do Euro Portugal Espanha Irlanda Apesar da crise do sub-prime, os preços da habitação em Portugal mantiveramse relativamente constantes. O sector imobiliário não foi alvo de boom especulativo, ao contrário do que aconteceu em Espanha e na Irlanda. Fonte: BCE 17
18 Na área do Euro, o sector das actividades imobiliárias absorve a maior proporção do total do crédito a sociedades não financeiras. Portugal 17,0% 19,3% 19,6% 23,8% 21,0% 19,0% 45,6% 21,8% 20,2% 20,0% 18,1% 18,3% 17,1% 19,3% 21,2% 24,3% 39,0% Área do Euro 22,2% 22,3% 23,4% 9,7% 9,3% 9,0% 40,7% 41,9% 31,0% 33,2% 33,9% 15,0% 14,8% 15,5% 22,0% 20,4% 18,2% Em Portugal, o peso dos sectores da construção e do imobiliário, em termos agregados, tem vindo a diminuir desde Por oposição, na área do euro, a proporção destes sectores de actividade no total do crédito a sociedades não financeiras aumentou por força da actividade imobiliária Agricultura e indústria Construção Actividades imobiliárias, de consultoria, técnicas e administrativas Comércio, alojamento e restauração Outros Fonte: Banco de Portugal, BCE 18
19 O crédito em cobrança duvidosa aumentou desde 2008, especialmente no segmento empresarial. Crédito em cobrança duvidosa* em percentagem do crédito total correspondente 12% 10% 8% 6% 4% Sociedades não financeiras Habitação Total O crédito às sociedades não financeiras em cobrança duvidosa começou a crescer especialmente no fim de No entanto, piorou ainda mais após o Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (Maio de 2011). Entretanto, o crédito à habitação em cobrança duvidosa tem-se mantido relativamente estável. No entanto, a sua taxa de crescimento tem vindo a aumentar. 2% 0% * Prestações vencidas e prestações futuras de cobrança duvidosa. Fonte: Banco de Portugal 19
20 OVERVIEW DO SISTEMA BANCÁRIO PORTUGUÊS III. Financiamento
21 Os depósitos de clientes constituem a fonte mais importante de financiamento dos bancos portugueses. Comparação da estrutura de financiamento dos bancos portugueses com a de outros países da União Europeia (Junho 2013) 13% 12% 28% 47% 21% 15% 12% 22% 23% 9% 9% 6% 14% 7% 34% 32% 41% 24% 34% 42% 41% 41% 37% 35% 41% 8% 19% 31% 29% 39% 6% 12% 41% 28% 24% 21% No contexto europeu, o sector bancário português detém uma maior proporção de depósitos de clientes na estrutura de financiamento. Comparativamente aos depósitos de clientes, o financiamento por grosso assume uma posição menos relevante. Espanha Grécia Portugal Alemanha Itália Área do Euro Reino Unido França Irlanda Depósitos Dívida por grosso Capital Outros* * Inclui responsabilidades com entidades não residentes na área do Euro, excepto para o Reino Unido em que inclui responsabilidades com não residentes no país. Fonte: BCE 21
22 A tendência de crescimento dos depósitos em Portugal revela algumas divergências face à da área do Euro. Evolução dos depósitos* em Portugal e na área do Euro (Dez. 2005=100) Índice 180 Portugal (100 = M ) Área do Euro (100 = M ) 160 Após meados de 2010, os depósitos em Portugal iniciaram uma tendência de crescimento bastante mais acentuado do que na área do Euro. Mais recentemente, o seu volume tem vindo a diminuir Média das taxas de crescimento anuais (YoY) Portugal = 0,2% Área do Euro = 2,1% 80 Dez-05 Jun-06 Dez-06 Jun-07 Dez-07 Jun-08 Dez-08 Jun-09 Dez-09 Jun-10 Dez-10 Jun-11 Dez-11 Jun-12 Dez-12 Jun-13 * Depósitos do sector não monetário (saldos em fim de período). Fonte: BCE 22
23 O recurso ao financiamento por grosso por parte dos bancos portugueses cresceu a um ritmo bastante superior ao da área do Euro. Evolução do financiamento por grosso*, em Portugal e na área do Euro (Dez. 2005=100) O crescimento dos depósitos em Portugal não foi suficiente para compensar o crescimento dos activos dos bancos nacionais, conduzindo a uma maior dependência do financiamento por grosso. Índice * O financiamento por grosso inclui os depósitos do sector monetário, títulos de dívida emitidos e fundos do mercado monetário (saldos em fim de período). Fonte: BCE Portugal (100 = M ) Área do Euro (100 = M ) Média das taxas de crescimento anuais (YoY) Portugal = 14,7% Área do Euro = 9,2% Média das taxas de crescimento anuais (YoY) Portugal = 2,3% Área do Euro = -0,1% 60 Dez-05 Jun-06 Dez-06 Jun-07 Dez-07 Jun-08 Dez-08 Jun-09 Dez-09 Jun-10 Dez-10 Jun-11 Dez-11 Jun-12 Dez-12 Jun-13 23
24 Em Portugal, os depósitos são maioritariamente detidos por particulares e o seu peso tem vindo a aumentar. Evolução dos depósitos* em Portugal, por sector institucional M Administração pública Instituições financeiras não monetárias Sociedades não financeiras Particulares O peso das instituições financeiras não monetárias aumentou consideravelmente no segundo semestre de 2010 e em 2011, mas começou a diminuir em Dez-05 Jun-06 Dez-06 Jun-07 Dez-07 Jun-08 Dez-08 Jun-09 Dez-09 Jun-10 Dez-10 Jun-11 Dez-11 Jun-12 Dez-12 Jun-13 * Depósitos do sector não monetário (saldos em fim de período). Fonte: Banco de Portugal 24
25 Os depósitos com maturidade inferior a um ano são os que têm maior expressão, apesar do recente crescimento verificado nos depósitos a prazos mais longos. Evolução dos depósitos* em Portugal, por prazo M A mais de 2 anos De 1 a 2 anos Até 1 ano Responsabilidades à vista Depósitos com pré-aviso Dez-05 Jun-06 Dez-06 Jun-07 Dez-07 Jun-08 Dez-08 Jun-09 Dez-09 Jun-10 Dez-10 Jun-11 Dez-11 Jun-12 Dez-12 Jun-13 * Depósitos do sector não monetário (saldos em fim de período). Fonte: Banco de Portugal 25
26 O crescimento dos depósitos de particulares coincide com a diminuição das suas unidades de participação em fundos de investimento. 30% Taxas de crescimento dos depósitos, unidades de participação em fundos de investimento e certificados de aforro detidos por particulares, em Portugal (YoY) 20% 10% 0% Dez-05 Jun-06 Dez-06 Jun-07 Dez-07 Jun-08 Dez-08 Jun-09 Dez-09 Jun-10 Dez-10 Jun-11 Dez-11 Jun-12 Dez-12 Jun-13-10% -20% -30% -40% Depósitos Unidades de participação dos fundos de investimento -50% Certificados de aforro Fonte: Banco de Portugal Esta tendência expõe um efeito substituição entre produtos de investimento e poupança com diferentes perfis de risco, revelando uma maior preferência por activos cujo nível de risco é mais reduzido. No entanto, esta propensão começou já a mostrar sinais de reversão. 26
27 A diminuição do Rácio de Transformação reflecte a desalavancagem que tem vindo a ser realizada pelo sistema bancário português. Rácio Crédito* / Recursos de Clientes, em base consolidada 165% 155% 152,1% 160,1% 160,3% 161,5% 157,8% 145% 135% 125% 115% 115,3% 122,6% 130,7% 134,7% 136,5% 143,5% Na sequência da aplicação do Programa de Assistência Financeira (PAEF) em Portugal, o Banco de Portugal recomenda aos oito maiores grupos bancários que reduzam este rácio para 120% até ,2% 127,6% 105% * Crédito líquido de imparidades (inclui créditos titularizados e não desreconhecidos). Saldos em fim de período. Fonte: Banco de Portugal 27
28 Tanto em Portugal como na área do Euro, os depósitos do sector monetário são a principal componente do financiamento por grosso do sector bancário. Estrutura do financiamento por grosso, por tipo de instrumento Portugal Área do Euro 0,3% 0,0% 0,9% 6,6% 5,5% 4,5% 55,2% 49,6% 68,0% 53,1% 51,4% 53,1% 44,7% 49,5% 31,7% 40,3% 43,1% 42,4% No entanto, em Portugal, o peso do mercado de emissão de títulos de dívida aumentou face a Inclusivamente, esta fonte de financiamento tem hoje mais expressão para os bancos portugueses do que para os da área do Euro Jun Jun-13 Fonte: BCE Fundos do mercado monetário Depósitos do sector monetário Títulos de dívida 28
29 Tanto em Portugal como na área do Euro, os títulos de dívida emitidos pelos bancos são predominantemente de longo prazo. Estrutura dos títulos de dívida, por maturidade na data de emissão (Dezembro 2012) Portugal Área do Euro 2% 2% 96% 4% 10% 86% Ainda assim, a emissão de títulos de dívida de curto prazo assume um papel mais importante no contexto do sector bancário da área do Euro do que no português. Até 1 ano De 1 a dois anos A mais de 2 anos Fonte: BCE 29
30 Nos últimos anos, as covered bonds tornaram-se importantes fontes de financiamento dos bancos portugueses. Emissão e saldos de covered bonds em Portugal No final de 2012, o saldo de covered bonds representava cerca de 6,4% do financiamento dos bancos portugueses. M Covered bonds por tipo de activo subjacente (2012) ,4% Saldo em fim de período Emissão 3,6% Sector público Fonte: European Covered Bond Council, Factbook, 2013 Habitação 30
31 Restrições no acesso aos mercados interbancários contribuíram para aumentar de forma significativa a dependência dos bancos portugueses face ao BCE. Operações de cedência de liquidez do Banco Central Europeu* M Date M Dez M Dez M Dez M Mai M Jun M +383,8% 0 * Saldos em fim de período. Fonte: Banco de Portugal 31
32 Em termos percentuais, a proporção do recurso a operações de cedência de liquidez do BCE por parte dos bancos portugueses também aumentou consideravelmente. Peso dos bancos portugueses no total de operações de cedência de liquidez do BCE* 9% 8% 7% 6% 5% 4% 3% 2% 1% 0% No entanto, o esforço dos bancos portugueses em reduzir a sua quota no recurso a operações de cedência de liquidez do Eurosistema tem sido bem sucedido. * Operações de cedência de liquidez aos bancos portugueses em percentagem do total cedido pelo Eurosistema ao conjunto dos países da área do Euro (saldos em fim de período). Fonte: Banco de Portugal 32
33 OVERVIEW DO SISTEMA BANCÁRIO PORTUGUÊS IV. Solvabilidade
34 O nível de risco dos activos dos bancos portugueses tem vindo a diminuir ao longo dos últimos anos. Activos ponderados pelo risco em proporção dos activos totais* 66,9% 66,8% 64,0% 61,4% 59,1% 58,9% 58,5% O Rácio Activos Ponderados pelo Risco / Activos Totais dos bancos portugueses sofreu um decréscimo considerável nos últimos anos. Esta tendência intensificou-se depois do PAEF e reflecte uma diminuição do risco médio dos activos que compõem o balanço dos bancos portugueses Jun-2012 Dez-2012 * Os activos ponderados pelo risco incluem rúbricas fora de balanço. Dados dos grupos bancários e bancos domésticos, em base consolidada excluindo a actividade seguradora. Fonte: BCE 34
35 Os activos totais têm crescido a uma taxa superior face aos activos ponderados pelo risco. Evolução dos activos ponderados pelo risco e dos activos totais dos bancos portugueses* (Dez. 2007=100) Índice Activos ponderados pelo risco Activo total Taxas de crescimento 95 Activo total = 7,5% Activos ponderados pelo risco = 7,3% 90 Dez-07 Dez-08 Dez-09 Dez-10 Dez-11 Jun-2012 Dec-12 * Dados dos grupos bancários e bancos domésticos, em base consolidada excluindo a actividade seguradora. Fonte: BCE 35
36 Os fundos próprios de melhor qualidade dos bancos portugueses, core Tier 1, aumentaram significativamente desde Evolução dos fundos próprios dos bancos portugueses* (Dez. 2009=100) Índice Core Tier 1 Tier 1 Fundos próprios totais Dez-09 Dez-10 Dez-11 Jun-12 Dez-12 * Dados em base consolidada. Fonte: Banco de Portugal 36
37 Historicamente, os níveis de capital dos bancos portugueses têm-se situado acima dos mínimos legais exigidos. 8,0 8,3 6,7 6,2 Rácio Tier 1(%) 9,9 10,5 10,7 7,5 7,9 8,1 11,0 12,0 O Acordo de Basileia II impõe que o Rácio Tier 1 das instituições financeiras seja igual ou superior a 4% e que o Rácio de Solvabilidade não seja inferior a 8% Rácio de Solvabilidade(%) 13,2 13,6 10,3 11,7 10,2 9,1 10,4 10,2 9,5 13,5 14,6 12,5 Portugal UE 27 * Dados dos grupos bancários e bancos domésticos, em base consolidada excluindo a actividade seguradora. Fonte: BCE
38 No âmbito do Acordo de Assistência Financeira e Económica a Portugal, os bancos portugueses enfrentam, desde 2011, novos requisitos de capital. Requisitos rácio core Tier 1 Fonte: APB, Banco de Portugal % % Para além dos novos valores do rácio core Tier 1 a serem cumpridos, existem outros factores que contribuem para ampliar as necessidades de capital dos bancos portugueses, nomeadamente: Haircut dívida Grécia Transferência do Fundo de Pensões da banca para a Segurança Social Impactos Estes impactos foram reconhecidos para efeitos prudencias ao longo do 1º semestre de 2012, reflectindo-se no rácio core Tier 1 nessa altura. Reconhecimento de imparidades adicionais na carteira de crédito Aumento dos requisitos de fundos próprios para risco de crédito Resultados do Programa Especial de Inspecções realizado aos 8 maiores grupos bancários, em 2011, 2012 e Estas avaliações visaram validar os dados que suportam o apuramento da posição de solvabilidade das instituições e avaliar a adequação das imparidades. 38
39 Simultaneamente, também a EBA impôs maiores requisitos de capital aos bancos europeus a serem cumpridos até Junho de Rácio core Tier 1 9% Buffer exposição dívida soberana Necessidades adicionais de capital Perante a crise da dívida soberana que assola a Europa, a Autoridade Bancária Europeia, em conjunto com outras entidades europeias, estabeleceu algumas medidas que visam fortalecer a resiliência do sector bancário. Desta forma, foram introduzidos novos requisitos de capital por via de duas formas distintas, nomeadamente: Aumento do rácio core Tier 1 de 4,5% para 9%; Constituição de um buffer de capital para fazer face à exposição a dívida soberana a 30 de Setembro de Fonte: APB, EBA 39
40 Os resultados do Exercício Europeu de Reforço de Capitais revelaram necessidades de capital para bancos de 12 países da Europa. FR 6,4% PT 6,1% DE 11,4% AT 3,4% BE 5,5% IT 13,4% NO CY 1,3% 3,1% SI NL 0,3% 0,1% = Milhões EUR GR 26,2% ES 22,8% Em Dezembro de 2011, a Autoridade Bancária Europeia apresentou os resultados da avaliação realizada ao capital dos grupos bancários que integraram o exercício de stress-tests de Julho de 2011, tendo em conta o valor de mercado das suas exposições a dívida soberana e do seu capital, a 30 de Setembro de Deste exercício resultou que as necessidades adicionais de capital, para cumprir os 2 requisitos impostos a todos os bancos europeus, se situavam nos milhões de euros. Para os bancos portugueses incluídos no exercício foi detectada uma necessidade de capital core Tier 1 de cerca de milhões de euros. Fonte: APB, EBA 40
41 Resultados do Exercício Europeu de Reforço de Capitais Capital core Tier 1 Excedente de capital Necessidades de reforço de capital Capital core Tier 1 a (milhões EUR) Necessidades de reforço de capital* 85% Nível de capital necessário para cumprir os requisitos = 100% 20% 14% 6% 3% 29% 12% % 86% 94% 97% 71% 100% 100% Fonte: APB, EBA ES IT DE FR PT GB IE ES IT DE FR PT GB IE * A
42 Para os bancos portugueses, as necessidades de capital detectadas resultavam tanto da exposição a dívida soberana como do aumento do rácio mínimo exigido. Origem das necessidades adicionais de capital, por país = Espanha (ES) Itália (IT) Alemanha (DE) França (FR) Portugal (PT) Bélgica (BE) Áustria (AT) Chipre (CY) Noruega (NO) Eslovénia (SI) Holanda (NL) Fonte: APB, EBA Constituição do buffer de exposição a dívida soberana Aumento do rácio core Tier 1 e alteração do cálculo dos activos ponderados pelo risco 42
43 Após o exercício de recapitalização, os níveis de capital dos bancos portugueses aumentaram significativamente, inclusivamente quando comparados com os seus pares Europeus. Rácio core Tier 1 a Rácio core Tier 1 a % 16% 18% 16% Buffer soberano CT1 deduzido do buffer soberano 14% 14% 12% 10% Mínimo exigido em Junho de 2012 Rácio core Tier 1 = 9% 12% 10% 8% 8% 6% 6% 4% 4% 2% 2% 0% IE GB DE FR IT PT ES 0% IE PT GB DE IT FR ES Fonte: APB, EBA 43
44 Os requisitos impostos a nível europeu vieram agravar as necessidades de capital entretanto impostas pelas autoridades nacionais. Decomposição das necessidades adicionais de capital dos 4 bancos portugueses que participaram na avaliação da EBA (Dezembro 2012) * Não inclui o efeito da redução dos activos ponderados pelo risco. Fonte: APB, EBA A estimativa da Autoridade Bancária Europeia não incluiu os impactos sobre o capital core Tier 1 dos eventos que ocorreram em 2011 e que apenas se reflectiram nos níveis de capital para efeitos prudenciais em 2012, nomeadamente as imparidades adicionais da carteira de crédito, as alterações aos requisitos de fundos próprios para risco de crédito, o haircut aplicado à dívida grega exigido pelo Banco de Portugal e a transferência do fundo de pensões da banca para a segurança social. Desta forma, as necessidades efectivas de capital até Junho de 2012 foram superiores aos valores apurados na altura do Exercício Europeu de Reforço de Capitais. Adicionalmente, os bancos portugueses tiveram de cumprir, em Dezembro de 2012, o aumento do rácio core Tier 1 de 9% para 10%, o que implicou novas necessidades de capital. 44
45 Os requisitos impostos e eventos extraordinários ocorridos recentemente afectaram gravemente os níveis de capital dos 4 maiores grupos bancários portugueses. Dezembro 2010 Dezembro 2011 Junho 2012 Dezembro 2012 Capital core Tier 1 EUR M Haircut 50%-60% dívida Grécia EUR 800 M Aumento de capital para cumprir o rácio core Tier 1 9% (PAEF) EUR M Transferência parcial dos fundos de pensões EUR 929 M Imparidades adicionais carteira de crédito (SIP) EUR 318 M Buffer exposição dívida soberana (EBA) EUR M Aumento de capital CT1 EUR M BdP EUR BdP EUR M M Buffer EBA EUR EBA EUR M M Aumento de capital CT1 EUR 500 M BdP EUR BdP EUR M M Buffer EBA EUR EBA EUR M M RWAs EUR M Novas regras de cálculo dos RWAs (CRD 3) EUR -133 M EUR M Aumento dos requisitos risco de crédito (SIP) EUR 185 M EUR M EUR M 7,5 % 9,0 % * O rácio core Tier 1 calculado de acordo com a definição da EBA e deduzido do buffer era de 9,6% e 9,2% em Junho e Dezembro de 2012, respectivamente. Fonte: APB, EBA 9,8 %* 10,1 %* 11,5 % 11,7 % 45
46 Os bancos portugueses conseguiram cumprir todos os requisitos de capital que lhe foram impostos e desta forma fortalecer as suas posições de solvabilidade. Rácio core Tier 1 dos grupos bancários portugueses (em ) 18% 16% 14% BdP EBA (deduzido do buffer para exposição a dívida soberana) Rácio core Tier 1 mínimo exigido (9%) 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% Banco BPI BCP CGD ESFG TOTAL Fonte: APB, EBA 46
47 OVERVIEW DO SISTEMA BANCÁRIO PORTUGUÊS V. Regimes de Recapitalização Pública e de Concessão de Garantias Pessoais pelo Estado a favor das Instituições de Crédito
48 Cronologia dos regimes de recapitalização pública e de concessão de garantias pessoais pelo Estado a favor das instituições de crédito Out Mai Regime de Garantias Fev Mar Jul Jan Jun Programa de Assistência Económica e Financeira Dez Mai. / Jun Dez Regime aprovado até Dez M Orçamento alterado M Prorrogação até Jun 2010 Orçamento alterado M Prorrogação até Dez 2010 Prorrogação até Jun 2011 Prorrogação até Dez 2011 Orçamento alterado M Prorrogação até Jun 2012 Prorrogação até Dez 2012 Prorrogação até Jun 2013 Regime de Recapitalização Regime aprovado até Nov M Prorrogação até Jun 2010 Orçamento alterado M* Prorrogação até Dez 2010 Prorrogação até Jun 2011 Prorrogação 31 Dez 2011 Orçamento alterado M Prorrogação até Dez 2012 Prorrogação até Dez 2013 Lei nº 60-A/2008 Lei nº 63-A/2008 Lei nº 3-B/2010 Fonte: APB, Comissão Europeia DGCOMP, Direcção Geral do Tesouro e Finanças Lei nº 48/2011 Lei nº 4/2012 * A utilização de ambos os regimes não pode exceder EUR M. 48
49 Os bancos portugueses ultrapassaram a crise financeira sem apoio estatal em termos de recapitalização Regimes de apoio estatal utilizados até fim de Junho de 2011 Até fim de Junho de 2011: EUR 3 mil milhões Não foi utilizado* 6 bancos (incluindo a CGD) tinham utilizado o regime de garantias; Σ= EUR 4,95 mil milhões > EUR M 3 operações em operações no valor de EUR 75 M tinham sido amortizadas (uma em 2009 e outra em 2010); EUR 9,15 mil milhões < EUR M > EUR 100 M < EUR 100 M 2 operações em operação em 2008, 2 operações em 2009 O montante de garantias em vigor totalizava EUR M, correspondente a 53% do orçamento existente. * Não foi utilizado por bancos privados. Em Dezembro de 2010, a CGD aumentou o seu capital em EUR 550 M, dos quais EUR 56 M procederam do orçamento do regime de recapitalização. Fonte: APB, Comissão Europeia DGCOMP, Direcção Geral do Tesouro e Finanças 49
50 entretanto, a crise da dívida pública levou ao aumento da utilização de garantias concedidas pelo Estado. Regimes de apoio estatal utilizados desde Julho de 2011 EUR 12 mil milhões EUR 35 mil milhões Σ= EUR 5,6 mil milhões Σ= EUR 16,5 mil milhões 3 novas operações* > EUR M 10 novas operações < EUR M > EUR 100 M * Não inclui a recapitalização da CGD, em Junho de 2012, no valor de EUR 1.65 milhões. Fonte: APB, Comissão Europeia DGCOMP, Direcção Geral do Tesouro e Finanças 3 novas operações < EUR 100 M 3 novas operações Desde Julho de 2011: 6 bancos usaram o regime de garantias em novas operações de financiamento; As novas operações ascenderam a EUR M, o correspondente a 47,2% do orçamento respectivo. No final de Agosto de 2013, os bancos que recorreram ao regime de recapitalização já tinham reembolsado EUR 730 M. O montante utilizado à data era de EUR 4,87 mil milhões. 50
51 Custo suportado pelas instituições de crédito com comissões de garantia Custo total associado às garantias concedidas em cada ano (Milhões EUR) , Total 17,9 0,0 186,2 485,3 807,4 Para o crescimento do custo das comissões contribuiu não só o maior volume de garantias concedidas em 2011, como também o efeito preço proveniente do aumento da taxa média de comissão de garantia sobre as novas operações, em 39 pontos base aproximadamente. Fonte: APB, Direcção Geral do Tesouro e Finanças 51
52 Comissões de garantia pagas e a pagar pelas instituições de crédito Comissões pagas e a pagar anualmente* (Milhões EUR) ,0 11, ,3 56, ,6 Montante acumulado pago até , , ,1 199,2 = EUR 807,4 Milhões , * Estimativas. Fonte: APB, Direcção Geral do Tesouro e Finanças 5,7 52
53 OVERVIEW DO SISTEMA BANCÁRIO PORTUGUÊS
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