2 REVISÃO DA LITERATURA
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- Melissa Canela Bernardes
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1 2 REVISÃO DA LITERATURA
2 8 2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Doença de Alzheimer A DA foi descrita pela primeira vez pelo neurologista alemão Alois Alzheimer, em Ele descreveu o caso de uma paciente de 51 anos de idade, que apresentava sintomas psiquiátricos, como delírios paranóides, associados à perda progressiva de memória. A evolução desse quadro durou quatro anos e meio, e após necropsia verificou-se atrofia cerebral generalizada, degeneração neurofibrilar e deposição de material metabólico desconhecido. Segundo definição do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais quarta edição (DSM-IV), a DA é uma desordem neurodegenerativa progressiva, com características clínicas e neuropatológicas. Caracteriza-se por início gradual e declínio contínuo de múltiplos déficits cognitivos, a memória e pelo menos mais uma função cognitiva, suficientemente graves para comprometer o funcionamento ocupacional ou social do sujeito. Além das alterações cognitivas e funcionais, também causa anormalidades no comportamento (CUMMINGS; KHACHATURIAN, 2001).
3 9 É uma doença etiologicamente heterogênea e pode ser causada por alterações dos cromossomos 21, 14 ou 1, assim como por causa ainda desconhecida. Nessa doença, variações clínicas são comuns, como idade de início, padrão de déficits cognitivos, ocorrência de sintomas psiquiátricos, e velocidade de progressão do quadro (CUMMINGS; KLACHATURIAN, 2001). O exame macroscópico do cérebro de um paciente com DA apresenta atrofia difusa e não uniforme, sendo mais proeminente nas regiões frontais, temporais e parietais, afetando, sobretudo, áreas corticais associativas. Com relação às alterações microscópicas, há perda neuronal e degeneração sináptica intensas, principalmente nas camadas piramidais do córtex cerebral, nas estruturas límbicas e nos córtices associativos, além da presença de placas senis e emaranhados neurofibrilares (CARAMELLI, 2000). Também são observadas alterações no sistema de neurotransmissores na DA, e a deficiência na produção de acetilcolina tem recebido grande atenção, pois esses pacientes apresentam importante redução da atividade da enzima de síntese da colina-acetiltransferase (DAVIES, 1979). O fator de risco genético para DA também tem sido muito investigado nos últimos anos, com destaque para a apolipoproteína E4 (ApoE-4), presente na maioria dos portadores dessa síndrome. No entanto, isso não pode ser utilizado para diagnósticos, porque muitos indivíduos portadores desse risco não desenvolvem a doença (CUMMINGS; KHACHATURIAN, 2001). Em média, 5% a 10% das pessoas com idade acima de 65 anos têm algum tipo de declínio cognitivo considerado anormal para sua faixa etária, dentre as quais 50% irão desenvolver algum tipo de demência, cuja causa mais comum em todo o
4 10 mundo é a DA (BÄCKMAN et al., 1993; BOUCHARD; ROSSOR, 2001). No Brasil, resultado semelhante foi constatado em estudo epidemiológico realizado na cidade de Catanduva (SP), em que 54% dos casos de demência eram DA e 20%, demência vascular (HERRERA et al., 1998). A última década tem sido de grande avanço científico na compreensão das alterações cognitivas, comportamentais e biológicas da DA. Entretanto, o diagnóstico continua sendo essencialmente clínico (KHACHATURIAN, 1998), devendo levar em conta a inteligência, a memória e outras funções cognitivas, nível social e cultural do paciente, e presença de sintomas não-cognitivos, além de verificar como a doença está afetando o cérebro e a vida desse paciente. Com os avanços nos tratamentos da DA cresce a importância dos diagnósticos precoces, e, para tanto, a avaliação neuropsicológica é um instrumento fundamental. Essa avaliação também é importante para identificar os diferentes estágios da doença, para planejar seu tratamento não-farmacológico, e para documentar sua evolução funcional. O curso clínico da DA é variável, o que torna seu diagnóstico mais difícil. Muitos pacientes iniciam a síndrome com perda de memória acompanhada por outros sintomas cognitivos; outros, porém, iniciam com significativo distúrbio da linguagem logo no início da doença, recebendo o nome de DA com início focal, que vai progressivamente causando outras perdas cognitivas (BRUCKI, 2000). Com relação à duração da doença, é difícil precisar, pois, além das variações de cada caso, ainda existe a questão de saber quando realmente a doença começou, pois muitas vezes o diagnóstico é feito tardiamente. Segundo BRUCKI (2000), podese encontrar pacientes que apresentam sintomas de DA por um período de um ano e
5 11 meio a 15 anos, mas o mais indicado é se reportar ao próprio critério diagnóstico utilizado. Por tratar-se de doença de evolução progressiva, a DA pode ser classificada em três fases (leve, moderada e grave), de acordo com a gravidade do comprometimento cognitivo e com o grau de independência do indivíduo. Na fase leve da doença, o paciente apresenta queda no desempenho de tarefas instrumentais da vida diária, mas ainda é capaz de cuidar-se sem auxílio. Nessa fase, ocorre transtorno de memória recente, com diminuição da capacidade de aprender novas informações. Na fase moderada, o distúrbio de memória é mais acentuado, havendo também comprometimento intelectual, e o paciente precisa de assistência para realizar tanto atividades instrumentais como tarefas básicas do dia-a-dia. Na fase grave, o paciente geralmente fica acamado, necessitando de assistência integral, podendo apresentar disfagia, sinais neurológicos e incontinência tanto urinária como fecal (BOTTINO; ALMEIDA, 1985). Como cada paciente evolui de maneira e velocidade diferentes, tem-se relacionado os sinais que aparecem no início, no meio e no final da doença para seguir seus vários estágios ou realizado avaliações neuropsicológicas regularmente. Com relação à queda do desempenho funcional e cognitivo, MORTIMER et al. (1992) relataram que preditores de perda funcional mais rápida são: problemas de comportamento (alucinações, ideações paranóides e delírios), escores rebaixados em testes cognitivos não-verbais e sinais extrapiramidais. A progressão cognitiva acelerada foi relacionada a desempenho inicial rebaixado em testes de linguagem e escores iniciais mais altos no Miniexame do Estado Mental (MEEM).
6 12 CHUI et al. (1994) também verificaram evolução mais rápida nos pacientes com sintomas psiquiátricos, como alucinações e agitações. Por outro lado, fatores como sexo, escolaridade, níveis educacionais e ocupacionais, histórico familiar, ano de nascimento, idade de início da doença, gravidade na entrada e escore isquêmico não se mostraram preditores de evolução mais rápida da doença em estudo com confirmação anatomopatológica (BOWLER et al., 1998) O declínio cognitivo Na DA, dificuldades de memória são geralmente os primeiros sintomas, sendo também os que mais comprometem a vida do paciente. Os subsistemas de memória, no entanto, não apresentam declínio uniforme no curso da doença, alguns dos quais apresentam déficits na fase inicial e outros mantêm-se relativamente intactos até a fase final. A memória episódica para fatos recentes fica deficitária desde o início da doença, enquanto os fatos remotos permanecem intactos até o agravamento do quadro (KERTESZ; MOHS, 2001). O padrão de déficits sugere dificuldades tanto para evocar como para reconhecer; entretanto, as dificuldades de evocação espontânea são maiores. Também são observadas perdas do conhecimento semântico e quebra da organização da memória semântica, o que causa desempenho rebaixado em provas de fluência verbal de categoria semântica e em prova de nomeação por confronto visual (GRANT; ADAMS, 1996).
7 13 A memória de trabalho (MT) também fica deficitária no início da doença. Esses pacientes apresentam significativa queda na capacidade de evocar em curto prazo e déficit na habilidade de reter informações enquanto realizam outra tarefa que requer maior demanda (BELLEVILLE et al., 1996). A capacidade de aprendizagem verbal, seja ela com significado ou para lista de palavras, fica prejudicada logo no início da doença. O mesmo é verificado para estímulo visual. Esses déficits são mais significativos em testes de evocação livre; no entanto, em testes de reconhecimento, os pacientes apresentam resultados piores que idosos normais (LEZAK, 1995). A memória implícita encontra-se intacta nas primeiras fases da doença, sendo possível verificar que em tarefas em que essa memória está envolvida os pacientes se mantêm estáveis (MOSCOVITCH et al., 1986; SCHACTER, 1987; BÄCKMAN et al., 1991; ELDRIDGE et al., 2002). Em estudos que utilizaram o Cognitive Subscale of Alzheimer s Disease Assessment Scale (ADAS-Cog) para avaliar o declínio cognitivo em pacientes com DA, foi observada piora de 8,3 a 9,3 pontos por ano (YESAVAGE et al., 1988; BURNS, 1991). No entanto, essa queda não foi igual durante toda a doença, tendo sido registradas variações de acordo com o estágio em que o paciente se encontrava. Esses resultados sugerem que a deterioração cognitiva é mais lenta durante a fase inicial e muito avançada da doença, e mais rápida na fase moderada (STERN et al., 1994). Há, de modo geral, uma razão de progressão medida por meio de instrumentos quantitativos em vários trabalhos. BURNS et al. (1991) encontraram
8 14 queda de 3,5 pontos no MEEM em 12 meses, e KRAEMER et al. (1994) encontraram em seu estudo queda semelhante. Em estudo que avaliou o progresso da doença por meio da escala Disability Assessment for Dementia (DAD), que avalia as AVD básicas e instrumentais, por um período de 12 meses, foi observada queda média no escore de um ponto por mês em pacientes com DA leve e moderada. Não foi verificada diferença entre a piora na execução de atividades básicas e instrumentais. Isso corresponde à perda da habilidade para realizar uma tarefa do dia-a-dia a cada dois meses (FELDMAN et al., 2001). Esses estudos salientam mais uma vez como a DA pode manifestar-se e evoluir de diferentes formas, e que cada paciente requer atenção e avaliação individualizadas, tanto para o diagnóstico como para posterior tratamento. 2.2 Memória Filósofos têm especulado sobre a memória por mais de dois mil anos, desde que Sócrates propôs que os seres humanos tinham conhecimentos inatos sobre o mundo. A partir daí começaram a surgir dúvidas sobre o que na memória é inato e o que é aprendido. Entretanto, a investigação científica da memória só teve início há 100 anos (BADDELEY, 2001). Nesse período, muitas descobertas foram feitas e muitas dúvidas foram solucionadas; entretanto, uma infinidade de outras questões ainda está por ser desvendada.
9 15 Uma das principais questões sobre a memória referia-se a sua localização, ou seja, se ela dependia especificamente de uma única área do cérebro ou da combinação dessas áreas. Além disso, também havia a incerteza sobre a memória ser um sistema unitário ou formado por vários subsistemas. A primeira sugestão a respeito da participação do lobo temporal no armazenamento de informações dos seres humanos surgiu em 1938, a partir do trabalho do neurocirurgião Wilder Penfield (SQUIRE; KANDEL, 1999). Seguindo o trabalho de Penfied, William Scoville, outro neurocirurgião, obteve evidências diretas de que o lobo temporal era uma área fundamental para a memória humana. Em 1957, Scoville e a psicóloga Brenda Milner relataram a extraordinária história de seu paciente H.M., um marco no estudo da memória humana. H.M. apresentava síndrome epiléptica generalizada desde os 10 anos de idade, com crises do tipo ausência. A partir dos 16 anos começou a manifestar crises do tipo tônico-clônico, que perduraram por 11 anos, tratadas com anticonvulsivantes sem melhora. Após a cirurgia, que removeu parte do lobo temporal bilateralmente, H.M. desenvolveu grave síndrome amnésica, que o impossibilitava de adquirir novos conhecimentos, embora sua inteligência fosse normal (SCOVILLE; MILNER, 1957; MILNER et al., 1968). Foi do estudo de H.M. que Brenda Milner retirou quatro princípios muito importantes para o estudo da memória (MILNER et al., 1968): 1. A habilidade de adquirir novas informações é uma função cerebral distinta, localizada na porção medial do lobo temporal, e separada de outras habilidades cognitivas e perceptivas. Assim sendo, o cérebro tem suas capacidades perceptivas e intelectuais separadas da capacidade de gravar
10 16 essas informações na memória. Essas habilidades ocorrem em locais distintos do cérebro; dessa forma, um paciente com lesão no lobo medial temporal pode apresentar habilidades intelectuais e perceptivas completamente preservadas. 2. O lobo medial temporal não é requisitado pela memória imediata; portanto, um paciente amnéstico pode apresentar perfeita memória imediata ou span de atenção. 3. O lobo medial temporal e o hipocampo não são responsáveis pelo armazenamento na memória de longo prazo (MLP) de informações que já possuem conhecimentos prévios. Com isso, alguns pacientes amnésticos podem recordar com clareza fatos da infância e itens a eles relacionados. 4. Há certos tipos de aprendizagem que pacientes amnésticos, como H.M., podem aprender com perfeição se treinarem por vários dias. Eles vão se aprimorando apesar de não conseguirem recordar que já haviam feito aquela tarefa antes. Esse tipo de aprendizagem envolve habilidades motoras e não depende do lobo medial temporal. Milner observou isso em 1962, quando se deu conta de que o déficit de H.M. em passar informações da memória imediata para a MLP não era absoluto. Com isso, descobriu a existência de outro tipo de memória independente do lobo temporal medial. Essa descoberta, que ocorreu a partir do estudo dos déficits e habilidades apresentados pelo paciente H.M., foi um enorme marco no estudo da memória, pois deixou claro que a memória não é unitária, que envolve diferentes partes do cérebro, e que existe um tipo de memória em que o sujeito não está consciente do processo de aprendizagem e memorização.
11 17 Há mais de 100 anos, o psicólogo Daniel Schacter, entre outros, já havia introduzido a distinção entre intuição e introspecção. E William James, em 1890, escreveu Principles of Psychology, em que separava a memória que envolvia consciência de hábitos, ações e reflexos mecânicos. Henri Bergson, em 1910, escreveu que o passado pode sobreviver por meio de um hábito, de uma ação ou de uma lembrança. Em 1924, William McDougall fez a distinção entre memórias implícita e explícita, a primeira como uma forma mais automática de resposta e a segunda sendo uma forma consciente de evocar o passado. Anos depois, em 1949, Gilbert Ryle, um filósofo inglês, propôs a existência de dois tipos de conhecimento: conhecimento como, ou conhecimento de hábitos, e conhecimento de, ou conhecimento de fatos (SQUIRE; KANDEL, 1999). Anos depois, o psicólogo Jerome Bruner, um dos pais da revolução cognitiva, chamou o conhecimento como de memória sem recordação, ou seja, alguns processos que mudam a natureza do organismo como hábitos ou regras, mesmo que estes ocorram sem o sujeito ter percebido. Em contraste está o conhecimento de, que chamou de memória com recordação, responsável pela memorização de fatos, eventos e dados pessoais (SQUIRE; KANDEL, 1999). Isso faz referência ao que é o centro da teoria freudiana, em que Freud dizia que existem muitas experiências que não deixam traços na consciência, mas sim no inconsciente do sujeito. Essas experiências não são acessíveis à consciência, mas causam efeitos no comportamento. Entretanto, essa idéia não convencia os cientistas até elas se transformarem em experimentos e evidências por meio de pacientes amnésticos, que puderam começar a elucidar como o cérebro armazena informações
12 18 e, finalmente, comprovar a existência de dois tipos de memória, sendo uma delas inconsciente. Apesar dos vários estudos já realizados e de alguns tipos de memória já terem sido descobertos e localizados no cérebro humano, ainda há incertezas sobre quantos novos tipos de subsistemas de memória podem existir. No entanto, há consenso a respeito dos subsistemas que formam a memória, que já foram descobertos e pesquisados, e sobre as áreas do cérebro envolvidas em cada um deles O que é memória Atualmente quando se fala em memória fala-se de sua habilidade para registrar, armazenar e evocar informações (LEZAK, 1995). Cada vez mais, a memória é entendida como uma entidade que compreende conjuntos de habilidades mediadas por diferentes módulos do sistema nervoso central, que possuem funcionamento cooperativo, porém independentes, e proporcionam uma sensação de memória única (XAVIER, 1993). Memória e aprendizagem são fundamentais para a experiência humana, pois a memória é o processo responsável pela persistência, através do tempo, do que aprendemos; assim, ambas estão extremamente conectadas. Só com elas podemos evoluir, modificar, reavaliar nossos conceitos, nossas verdades, além de adicionar novos conhecimentos a antigos já armazenados. A maioria do que se sabe sobre o mundo não é inato, mas sim adquirido por meio de experiências e vivências durante toda a vida nomes, rostos, geografia, história, política, esportes, música. Como resultado disso, pode-se dizer que as
13 19 pessoas são o que são em grande parte em conseqüência do que aprendem e do que lembram. A memória é formada por um conjunto de subsistemas com características distintas, como: tempo de duração que uma informação permanece estocada, que pode ser desde segundos a uma vida toda; capacidade de estocagem, que pode ser de pequena a enorme; tipo de informação guardada; e, ainda, envolvimento ou não da consciência na hora da aprendizagem (Figura 1). Mas, independentemente do tipo de memória, todos são capazes de receber, armazenar e, posteriormente, recuperar as informações (BADDELEY, 2001). Ter uma capacidade de evocação boa, eficiente e flexível é tão importante quanto ter uma boa capacidade de armazenamento das informações. Estoque e evocação não devem ser considerados funções totalmente distintas, mas que ocorrem lado a lado, uma vez que o melhor método de evocação depende de como o material foi estocado. TULVING; SCHACTER (1990) têm dado ênfase à importância das pistas para a evocação, já que ter uma ótima capacidade de guardar informações não significa que você terá o mesmo sucesso em evocá-las. Para uma pista de evocação ser eficiente, ela tem que ser capaz de reavivar a memória, de fazer retornar à memória os melhores aspectos da informação que a pessoa deseja relembrar. Uma característica importante da memória humana é o esquecimento. E há razões para crer que esquecer é um atributo muito útil da memória humana, caso contrário o homem teria que ter uma capacidade indescritível de armazenar e evocar informações (BADDELEY, 2001).
14 20 MEMÓRIA MEMÓRIA DE LONGO PRAZO MEMÓRIA DE CURTO PRAZO M EM Ó R IA EX P LÍC ITA MEMÓRIA IMPLÍCITA MEMÓRIA DE TRABALHO MEMÓRIA SENSORIAL MEMÓRIA EPISÓDICA MEMÓRIA PROCEDURAL experiências pessoais com data e local específico habilidades motoras e cognitivas MEMÓRIA SEMÂNTICA SISTEMA DE REPRESENTAÇÃO PERCEPTIVA significado das palavras, utilidade dos objetos, conhecimentos gerais. "priming" CONDICIONAMENTO CLÁSSICO respostas condicionadas entre dois estímulos APRENDIZAGEM NÃO ASSOCIATIVA hábitos e sensibilizações Figura 1. Modelo de memória baseado no modelo proposto por GAZZANIGA et al. (2002)
15 21 À parte as raras exceções de pessoas com memória privilegiada, como, por exemplo, os jogadores de xadrez, a própria passagem do tempo já acarreta inevitável enfraquecimento da memória que era inicialmente clara e rica em detalhes. Com o tempo, as pessoas recordam do ponto principal, do significado da informação, e esquecem dos detalhes. Esse tipo de esquecimento é o dito normal, aquele que as pessoas convivem, muito diferente dos esquecimentos que comprometem a vida das pessoas, como é o caso de pacientes com traumatismo craniano ou doença degenerativa. A memória dos seres humanos apresenta maior facilidade para generalizações, abstrações e associações de conhecimentos gerais, e maior dificuldade em gravar acontecimentos literais, com todos os detalhes. O homem esquece os detalhes e memoriza o ponto principal (SQUIRE; KANDEL, 1999). Esse esquecimento normal faz parte, inclusive, da aprendizagem e da evolução do homem, pois novas aprendizagens e novas crenças modificam as velhas, o que não significa que não haja traços da memória antiga, mas esta foi modificada, evoluiu. Além disso, o processo de esquecimento é importante porque filtra aspectos irrelevantes ou estoca-os de determinada maneira que não ficam acessíveis em sua forma original. Quando se pensa em déficit de memória ou, melhor, quando uma pessoa se queixa de problemas de memória de fato, a dificuldade pode ocorrer durante a codificação, a estocagem ou a evocação das informações armazenadas. Além disso, o déficit pode estar em um dos tipos de memória que serão descritos a seguir, os quais, por essa razão, requerem avaliação detalhada.
16 Tipos de memória Memória de curto prazo Os primeiros dados sobre memória de curto prazo (MCP) sofreram algumas influências de modelos que propunham diferentes estágios durante a aprendizagem e a memorização. Segundo modelo proposto por ATKINSON; SHIFFRIN, em 1968 (Figura 2), a informação sensorial entra no sistema de processar informações, e é primeiramente armazenada no registro sensorial. Itens selecionados pelo processo atencional vão então para a MCP. Por meio da evocação, o item que está na MCP pode ir para a MLP. Nesse modelo, as informações só podem passar para a MLP se transpuserem anteriormente os dois estágios prévios, o que não é apoiado por outros modelos de memória. Segundo esses autores, as informações podem ser perdidas em qualquer um desses estágios. Λ atenção Λ evocação estímulo sensorial registro sensorial MCP MLP Figura 2. Modelo de memória proposto por ATKINSON; SHIFFRIN (1968) MCP = memória de curto prazo; MLP = memória de longo prazo. Esse modelo foi modificado por CRAIK; LOCKHART, em Esses autores salientaram que há outros fatores que influenciam a ida de uma informação da MCP para a MLP, como o tipo da informação. Quanto mais significado tiver para uma pessoa, mais consolidada e bem gravada uma informação ficará na MLP. Os estudos subseqüentes com pacientes neurológicos criticaram esses modelos, pois com o estudo desses pacientes verificou-se que alguns tinham a MCP
17 23 deficitária, enquanto a MLP encontrava-se preservada; e outros, nos quais a MCP estava normal e a MLP, com déficits. Com isso, chegou-se à conclusão de que a MCP não é o portão de entrada da MLP, mas que há uma dupla dissociação entre retenção de informações na MCP e na MLP. Ainda permaneceram, porém, algumas dúvidas sobre como uma informação permanece na memória o tempo necessário, isto é, como um número de telefone permanece na memória até ser discado. A MCP refere-se ao processo temporário de retenção de informações. Esse termo, porém, causa confusão, e o melhor seria chamar essa memória de memória imediata. A memória imediata ou sensorial é quando se mantém ativamente uma informação na memória desde que ela foi recebida. As pessoas utilizam esse tipo de memória, por exemplo, quando guardam um número de telefone na mente até discálo. Essa memória tem relação direta com a atenção. A capacidade da memória imediata é limitada: as pessoas guardam geralmente sete dígitos, que persistem por aproximadamente 30 segundos (SQUIRE; KANDEL, 1999). Esse tempo que a informação permanece na memória imediata pode ser estendido, quando necessário, se a pessoa a evoca ativamente ou manipula a informação. Essa extensão recebe o nome de memória operacional (MO), termo introduzido por BADDELEY; HITCH (1974). Dessa forma, um objeto ou uma informação podem ser primeiramente representados pela memória imediata e posteriormente sustentados pela MO. A MO pode ser definida como um sistema temporário de guardar e manipular informações, que participa de uma série de tarefas cognitivas essenciais, como aprendizagem, raciocínio e compreensão (BADDELEY, 2001).
18 24 A MO é formada por três subcomponentes: um, responsável pela repetição imediata de palavras, números e melodias, chamado alça fonológica; outro, responsável pela repetição imediata de informações espaciais, chamado esboço visuoespacial; e ambos controlados pelo centro executivo, que também é de importância vital para a realização de duas tarefas ao mesmo tempo (Figura 3). Como cada subcomponente da MO está associado a uma área distinta do cérebro, diferentes lesões neurológicas podem provocar alterações específicas no funcionamento dessa memória. ESBOÇO VISUOES- PACIAL CENTRO EXECUTIVO ALÇA FONOLÓGICA Figura 3. Representação simplificada da MO segundo modelo de BADDELEY; HITCH (1974) Memória de longo prazo Primeiramente a MLP é subdividida em memórias explícita e implícita. A memória explícita refere-se a informações que podem ser trazidas à consciência por meio de recordações verbais ou imagens visuais, e é dividida em dois subsistemas: um responsável pelo armazenamento e pela recuperação de informações pessoais, como eventos e episódios que ocorreram em uma época específica na vida de cada um (memória episódica); e outro responsável por conhecimentos gerais, fatos sobre o mundo (memória semântica) (GAZZANIGA et al., 2002).
19 25 A memória semântica começa a ser adquirida no começo da vida, mas continua a se expandir em vários níveis por toda a vida. Sua organização não contém datas específicas de quando os conhecimentos foram adquiridos, como acontece com a memória episódica; entretanto, apesar das diferenças, ambas pertencem ao sistema chamado MLP, e ambas possuem conteúdos acessíveis à consciência (HODGES, 2002). Exemplos de memória episódica incluem dados da história de vida de cada um, como uma viagem com os pais para a praia, a festa de aniversário de 15 anos ou o primeiro dia de aula. Em contraste, a memória semântica refere-se a conhecimentos gerais, como, por exemplo, o significado das palavras, a utilidade dos objetos ou o nome dos presidentes que o Brasil já teve. Existem outras formas de MLP, que não envolvem a consciência, e esse tipo de memória é chamado de memória implícita. Os psicólogos comportamentais focaram sua atenção para esse tipo de aprendizagem durante a primeira metade do século passado, mas se esqueceram de estudar a retenção desses conhecimentos, que é inconsciente. E foi exatamente para esse aspecto que se voltaram os cientistas, que, ao iniciar estudos com pacientes amnésticos, descobriram a existência de um tipo de memória inconsciente. Além disso, esses psicólogos acreditavam que toda a aquisição de conhecimento fosse inconsciente, ignorando a existência do que hoje se chama de memória explícita. Durante muitos anos esses mesmos cientistas acreditaram que pacientes com lesões cerebrais semelhantes às de H.M. retinham somente um tipo de MLP, as habilidades motoras. Mas nas décadas seguintes ficou claro que as habilidades motoras são um tipo de memória implícita, que inclui diferentes formas de aprendizagem (motoras, perceptivas e hábitos) assim como formas reflexivas
20 26 elementares de aprendizagem (condicionamento clássico e aprendizagem nãoassociativa) (SQUIRE; KANDEL, 1999). A descoberta da memória implícita causou grande interesse científico, porque foi a primeira prova biológica da existência do inconsciente, descrito anteriormente por Sigmund Freud. E também porque vai de encontro às descrições feitas por psicólogos comportamentais, como Ivan Pavlov, sobre aprendizagem associativa e não-associativa. A memória implícita é formada por: Memória procedural (habilidades motoras e cognitivas): esse subsistema de memória envolve a aprendizagem de habilidades motoras, como andar de bicicleta, e cognitivas, como ler. Sistema de representação perceptiva ( priming ): nesse subsistema, a estrutura e a forma de palavras e objetos podem ser mais bem identificadas em decorrência da experiência prévia com o material. Priming refere-se à melhora na habilidade de detectar e identificar um estímulo como resultado de já ter visto o estímulo antes (SQUIRE; KANDEL, 1999). Condicionamento clássico: uma forma de aprendizagem em que dois estímulos diferentes são associados. Assim, um estímulo condicionado é pareado a um estímulo incondicionado (GAZZANIGA et al., 2002). O condicionamento clássico foi descrito inicialmente por Ivan Pavlov, na virada do século XIX, após observar que os cachorros começavam a salivar com a chegada da atendente que os alimentara no passado, o que ocorria aparentemente a partir de um sinal neural. Pavlov então concluiu que um estímulo fraco ou neutro poderia tornar-se efetivo, produzindo uma resposta como resultado de ter sido
21 27 associado a um estímulo forte. Entretanto, com a repetição do aparecimento da atendente sem comida, os animais pararam de salivar, ocorrendo a extinção gradual da resposta condicional. Em 250 a.c., Aristóteles tinha sugerido que a aprendizagem envolve uma associação de idéias, isto é, que aprendemos por associação. Isso foi posteriormente desenvolvido por John Locke, no século XVIII. Mas o brilhantismo de Pavlov foi ter desenvolvido um método empírico para demonstrar a associação de idéias por meio de simples atos reflexos e exame de associação de dois estímulos. Aprendizagem não-associativa: esse tipo de aprendizagem não envolve a associação de dois estímulos para produzir uma alteração de comportamento. Pode ocorrer na forma de hábitos e de sensibilização (GAZZANIGA et al., 2002): Hábitos: quando se ouve o ruído de uma bomba, ocorrem várias alterações no organismo humano, como taquicardia, respiração ofegante, pupila dilatada, etc. Se esse barulho se repetir várias vezes, essas alterações irão gradativamente diminuindo. Assim, esse tipo de memória implícita pode ser definido como uma forma de aprendizagem que se torna rotineira. Isso tem suas vantagem, como, por exemplo, se habituar a trabalhar com ruídos, dormir com barulho de carros passando nas avenidas próximas ou até mesmo o barulho de nosso coração batendo e estômago funcionando. Assim, no hábito a pessoa aprende a reconhecer e ignorar estímulos repetitivos e irrelevantes, e evita respostas inapropriadas e dispensáveis. Sensibilização: ao ouvir um tiro, as pessoas normalmente saltam de susto; entretanto, se alguém bater em seu ombro para chamar sua atenção, a resposta (ou estímulo) será bem menos intensa. Essa é uma forma de aprendizagem nãoassociativa, que resulta do aumento da resistência sináptica. Com isso, aprende-se a
22 28 diferenciar as propriedades nocivas ou benéficas dos estímulos ou, melhor, aprendese a moldar os reflexos defensivos. A diferença entre hábito e sensibilização é que, no primeiro, há modificação na resposta ao estímulo em decorrência de conseqüentes repetições do mesmo; por outro lado, na sensibilização, um estímulo é modificado em resposta à ocorrência de outro estímulo diferente. Assim sendo, a sensibilização é mais complexa e pode inclusive prevalecer sobre o hábito. 2.3 Reabilitação neuropsicológica Embora seja um termo novo, a reabilitação é uma proposta antiga. Desde a Antiguidade, tanto grega como egípcia, já havia tentativas para reabilitar pacientes com lesões cerebrais. A era moderna da reabilitação, porém, começou com a Primeira Guerra Mundial, tendência que continuou na Segunda Guerra Mundial e nas Guerras do Oriente Médio. Além disso, o grande número de sobreviventes de acidentes de trânsito ocasionou o crescimento de centros de reabilitação especializados nos Estados Unidos (WILSON, 1996). A RC tem como objetivo capacitar pacientes e familiares a conviver, contornar, reduzir ou superar as deficiências cognitivas causadas por lesão neurológica, fazendo com que passem a ter uma vida com menos rupturas nas atividades comumente realizadas (WILSON, 1996). A RN é um processo ativo, que visa a capacitar pessoas com déficits cognitivos causados por lesão ou doença, para que estas adquiram um bom nível de funcionamento social, físico e psíquico
23 29 (MCLELLAN, 1991). Dessa maneira, implica maximizar funções cognitivas por meio de bem-estar psicológico, habilidade em AVD e relacionamento social, por meio da diminuição das dificuldades que ocasionam afastamento e isolamento social, dependência e discriminação (CLARE; WOODS, 2001). De forma resumida, a RC envolve especificamente treinos de funções cognitivas (DE VREESE et al., 1998; FARINA et al., 2002), enquanto a RN envolve paciente e familiar em uma equipe multidisciplinar, a fim de identificar e buscar soluções para as principais dificuldades de ambos, sejam elas cognitivas, funcionais, sociais ou emocionais (WILSON, 2002). Antes do início de qualquer programa de reabilitação, seja ela cognitiva ou neuropsicológica, é necessário definir o perfil cognitivo de cada paciente, delineando seus déficits e aspectos da cognição preservados. Além disso, é muito importante a adequação do treinamento proposto ao nível tanto intelectual como cultural do paciente. As intervenções não-farmacológicas na DA deparam-se com algumas dificuldades que devem ser levadas em conta antes do início da RN ou da RC, como heterogeneidade dos pacientes quanto aos déficits cognitivos e funcionais, alterações de comportamento e sintomas psiquiátricos, progressão da doença, o que demanda constantes revisões no planejamento inicial da reabilitação, e colaboração de familiares e cuidadores, indispensáveis para a participação dos pacientes no tratamento e fundamentais para que bons resultados sejam alcançados. A intervenção junto aos familiares de pacientes com alterações neurológicas é tão relevante quanto o atendimento aos pacientes, pois as dificuldades cognitivas muitas vezes comprometem o relacionamento interpessoal, afetando a estrutura
24 30 familiar. Tratando-se de pacientes com DA, a necessidade de orientar e dar apoio aos familiares e cuidadores é ainda maior, pois as dificuldades cognitivas, principalmente de memória e linguagem, além de alterações de comportamento e sintomas psiquiátricos, causam sobrecarga às pessoas responsáveis. Pesquisas confirmam que a orientação sobre a doença e seu prognóstico, além de dicas sobre como resolver problemas do dia-a-dia, diminuem a ansiedade e a depressão gerada pela presença de doença grave na família (BOTTINO et al., 2002) Reabilitação da memória Um dos principais métodos de reabilitação da memória (RM) fundamenta-se em trabalhar com as modalidades específicas da memória que se encontram intactas, para que estas compensem a modalidade que não está (GOLDSTEIN; BEERS, 1998). Outro método objetiva trabalhar as habilidades residuais da modalidade de memória que está deficitária, pois qualquer que seja o prejuízo cognitivo existe, quase sempre, a conservação de alguma capacidade funcional (WILSON, 1996). A RM tem como objetivo principal melhorar o desempenho intrínseco já utilizado pelo paciente, ou seja, otimizar suas habilidades por meio de técnicas específicas ou novas estratégias. Habilidade refere-se à capacidade de realizar algumas ações e de solucionar alguns problemas, antes do conhecimento de fatos ou eventos, e geralmente é espontânea (GARDNER et al., 2000). Com relação à memória, é a maneira utilizada pelas pessoas para ajudar na memorização. Por outro lado, as estratégias são métodos específicos, sistemas formais de registro e evocação de informações, que podem ser aplicados somente com alcance
25 31 restrito de atividades e materiais. As estratégias raramente são usadas espontaneamente, e precisam ser treinadas (VERHAEGHEN, 2000). Para estimular o funcionamento da memória, é importante ressaltar que há mais de um caminho possível. Por exemplo, para aprender uma seqüência de palavras, pode-se aplicar o método de categorização semântica ou fonêmica, dependendo da preferência e da habilidade particular de cada um. Em idosos, é comum a ocorrência de erros de aplicação das técnicas ensinadas, em decorrência da perseverança em hábitos antigos, que não são mais efetivos. Assim, com idosos, não só é necessário treinar novas técnicas, como também ajudá-los a não utilizar mais as antigas, por meio da prática, mostrando, em seu desempenho, que a técnica nova traz melhores resultados. Dessa maneira, os idosos, demenciados ou não, para que se mantenham independentes por mais tempo, devem: tentar manter as habilidades adquiridas durante a vida, transferir essas habilidades para um novo ambiente e novas situações, além de adquirir novas estratégias para lidar com problemas atuais que as habilidades antigas não podem resolver Técnicas de reabilitação da memória na doença de Alzheimer Como os déficits de memória são geralmente as primeiras e principais queixas de pacientes com DA, as técnicas de reabilitação mais citadas na literatura, assim como os estudos realizados, costumam abordar com maior freqüência essa função. No entanto, muitas dessas técnicas também são utilizadas na estimulação de outras funções cognitivas, propiciando melhora global na relação do paciente com seu meio.
26 32 Recentemente, as técnicas utilizadas em programas de reabilitação passaram a ter estudos metodologicamente adequados, mas o número de estudos nessa área ainda é muito escasso, principalmente quando estes se restringem a estudos de reabilitação com pacientes com DA. As técnicas de RM mais pesquisadas atualmente são: terapia de orientação para a realidade (TOR), terapia da reminiscência, técnica de redução de pistas ( Vanishing Cues ), técnica de ampliação de intervalo de evocação ( Spaced Retrieval ou Expanding Rehearsal ), auxílios mnemônicos externos e estimulação da memória implícita. Qualquer que seja a técnica de reabilitação utilizada, é imprescindível que todo o treinamento seja norteado pelo método de aprendizagem sem erros, descrito por BADDELEY; WILSON (1994). Isso porque pessoas com déficit na memória episódica não são capazes de lembrar de seus erros, não podendo, dessa maneira, corrigi-los. Assim, não aprendem com seus próprios erros como as pessoas sem déficits de memória. Dessa forma, passa a ser fundamental assegurar que o aprendizado se dê de maneira facilitadora, propiciando sempre o acerto. A TOR foi descrita pela primeira vez por TAULBEE; FOLSOM (1966), com o objetivo de reduzir a desorientação e a confusão nos idosos por meio de estímulos repetitivos. Essa técnica pode ser realizada de duas formas: 24 horas de TOR, em que são realizados estímulos informais, e classes de TOR por 30 minutos, com exercícios formais. Ambas visam a orientar o paciente no tempo e no espaço, sempre relembrando com ele, por meio de pistas ou auxílios externos, dia, mês, ano, estação do ano, datas importantes, e local em que ele se encontra.
27 33 CITRIN; DIXON (1977) realizaram estudo com TOR, no qual um grupo de 12 idosos residentes em uma instituição realizou sessões formais semanais com duração de 20 a 30 minutos, além de orientação informal em 24 horas, feita pela equipe da instituição. O grupo controle, formado por 13 idosos residentes na mesma instituição, não realizou nenhum tipo de treino. Os resultados, avaliados por meio de Reality Orientation Sheet e Geriatric Rating Scale, revelaram melhora do grupo treinado e diferença significativa entre os dois grupos pós-tratamento (p < 0,01 e p < 0,05), respectivamente. Pesquisa semelhante foi realizada por ZEPELIN et al. (1981), também com idosos institucionalizados. Um grupo de idosos foi tratado com TOR por 24 horas e comparado com um grupo controle, e outro grupo foi tratado com sessões de TOR por 30 minutos e também foi comparado com um grupo controle. A eficácia da intervenção foi medida por meio do Mental Status Questionnaire e pelas escalas de AVD e comportamento. Enquanto o grupo controle apresentou deterioração, o grupo treinado obteve aumento estatisticamente significativo no Mental Status Questionnaire. No entanto, não houve efeito positivo no comportamento e nas AVD. Em estudos mais recentes com pacientes com demência, também foram comprovados os benefícios dessa técnica. ZANETTI et al. (1998) demonstraram que pacientes com DA leve e moderada, quando submetidos a treinos repetitivos de TOR durante aproximadamente 15 semanas, apresentaram menor declínio cognitivo, em período de um ano, quando comparados àqueles que realizaram os mesmos treinos durante quatro semanas. SPECTOR et al. (2001a) submeteram 65 pacientes a TOR por 24 horas, enquanto 58 pacientes formaram o grupo controle. Os resultados
28 34 demonstraram haver evidências de efeito positivo na cognição e no comportamento do grupo que sofreu intervenção; entretanto, não foram verificadas alterações nas habilidades funcionais do dia-a-dia. Segundo revisão feita por SPECTOR et al. (2001b), essa técnica tem mostrado bons resultados com pacientes demenciados, e deve ser incluída em seu tratamento. Entretanto, embora tenha sido observada melhora na orientação e nos fatos pessoais, não há comprovações de que essa técnica proporcione melhora em outras funções cognitivas e no comportamento desses pacientes, e, também, o quanto as habilidades treinadas se estendem à vida diária dos pacientes, e se os benefícios persistem após a interrupção das sessões. Outra técnica para trabalhar a memória é a terapia da reminiscência (BOYLIN et al., 1976), cujo objetivo é trabalhar a memória remota do paciente com fatos significativos de sua vida, como canções, fotografias e hábitos antigos, entre outros. No entanto, a revisão realizada por SPECTOR et al. (2000) concluiu que essa terapia tem escassos trabalhos bem estruturados, e o único estudo randomizado controlado existente não encontrou resultados significativos comparando o grupo tratado com o grupo controle. Assim, apesar de haver sugestões de efeitos positivos dessa técnica, a ausência de estudos controlados impede uma avaliação mais objetiva de sua eficácia. Uma terceira técnica é a reabilitação baseada na facilitação da memória implícita, realizada tanto por técnicas de priming como de memória procedural. Nas fases iniciais da DA, a memória implícita está relativamente preservada (SCHACTER, 1987; BÄCKMAN et al., 1991; ELDRIDGE et al., 2002), o que
29 35 possibilita a aprendizagem de novas técnicas que minimizem déficits de memória explícita e que potencializem o desempenho em AVD. Muitos autores têm sugerido que intervenções na memória implícita implicam maiores possibilidades de se obter melhores resultados que intervenções baseadas na memória explícita (CAMP; MCKITRICK, 1992; JOSEPHSSON, 1996; ELDRIDGE et al., 2002). Nesses estudos, não são esperadas melhoras nos testes neuropsicológicos após treinamento, a menos que estes incluam avaliação da aprendizagem implícita, e sim melhora do desempenho nas atividades treinadas. É preciso, também, ter claro que o objetivo dessa técnica não é restabelecer habilidades de memória, mas fornecer informações úteis para resolver problemas do dia-a-dia, maximizando a autonomia em AVD, o que resultará em aumento de independência e de auto-estima e diminuição da sobrecarga do cuidador. Estudo interessante de FARINA et al. (2002) comparou dois tipos de tratamento para pacientes com DA. Um tratamento estimulava a memória de procedimento com treino em AVD, e outro realizava treinos específicos de funções cognitivas, como memória, atenção e linguagem. Cada programa consistia em sessões individuais três vezes por semana, durante cinco semanas. Embora ambos os grupos tenham apresentado melhora, os resultados nos testes e escalas sugeriram que os treinos de AVD são mais eficazes que a estimulação de funções cognitivas deficitárias. Os treinos por meio da memória implícita podem ser realizados por duas outras técnicas para se trabalhar pacientes com déficits de memória, as técnicas de redução de pistas e de ampliação de intervalo de evocação, além do uso de auxílios
30 36 externos, que visam a facilitar a aprendizagem pela memória implícita e diminuir as dificuldades causadas por déficits na memória explícita. A técnica de redução de pistas foi utilizada pela primeira vez com amnésticos, não-demenciados (GLISKY et al., 1986), e alguns estudos também demonstraram eficiência em pacientes com DA (MOFFAT, 1989; ABRISQUETA-GOMEZ et al., 2002). Essa técnica expõe o paciente a uma pista que vai sendo progressivamente diminuída à medida que vai tendo sucesso nas evocações, até que ele consiga evocar corretamente sem a necessidade de pistas. Por exemplo, no caso de um paciente que está sendo treinado para aprender e recordar o nome de um colega, inicia-se o treinamento fazendo-se um crachá para o colega com seu nome (GABRIELA). No momento seguinte, oferece-se o crachá sem a última sílaba (GABRIE ), e assim sucessivamente (GABRI ) e (GA ), até o paciente não mais necessitar de qualquer pista para saber o nome do colega. Na técnica de ampliação de tempo de evocação (LANDAUER; BJORK, 1978), o paciente deve evocar determinada informação repetidas vezes, em pequenos intervalos cada vez maiores. Caso um intervalo maior produza erro, deve-se retornar ao intervalo prévio em que a evocação foi realizada com sucesso e reapresentar a informação a ser memorizada. Essa técnica, utilizada primeiramente com pacientes amnésticos (VAN DER LINDEN et al., 1994), também foi utilizada com sucesso em pacientes com DA, para que aprendessem a associação face-nome (CAMP, 1989), para que aprendessem a usar auxílios externos (LEKEU et al., 2002), e para que melhorassem a memória prospectiva (MCKITRICK et al., 1992; CAMP et al., 1996). Os auxílios externos ajudam a memória explícita e a organização, melhorando, assim, o funcionamento dos pacientes nas tarefas do dia-a-dia. Os
31 37 auxílios externos mais utilizados são: agenda, calendário, caderno de anotação, mural, relógio despertador, e, em alguns casos, pagers e computadores. Há programas de reabilitação dirigidos exclusivamente ao treinamento de AVD, o que não deixa de usar a técnica da memória implícita. É o caso, por exemplo, do estudo realizado por LEKEU et al. (2002), em que foi relatada a aprendizagem do uso de telefone celular por dois pacientes com DA leve, durante três meses de treinamento individual (45 minutos por dia, duas vezes por semana). O treino utilizou a técnica de ampliação de intervalo de evocação, de auxílios mnemônicos externos e do princípio da aprendizagem sem erro. Ao final do treinamento, ambos foram capazes de realizar ligações sem consultar o cartão contendo as instruções de uso do celular. Em outro estudo recente utilizando memória implícita, ELDRIDGE et al. (2002) compararam o desempenho de pacientes com DA com controles normais com a mesma faixa etária quanto à aprendizagem de tarefas que envolviam a memória implícita e tarefas que envolviam a memória explícita. Após o treino, foi observado resultado igual entre os dois grupos; entretanto, na realização de tarefas que envolviam memória explícita, o grupo de pacientes teve desempenho muito inferior. Os dados comprovam não só que a memória implícita está relativamente intacta na DA, e que pode ser maximizada, como comprova mais uma vez o não envolvimento de estruturas corticais nesse tipo de memória. O mesmo resultado positivo foi observado nas pesquisas de ZANETTI et al. (1997, 2001). Na primeira pesquisa, realizada em 1997, o estudo incluiu 10 pacientes com DA leve e moderada e 10 idosos normais no grupo controle. Foram treinadas 20 atividades básicas e instrumentais durante um período de três semanas (uma hora por
32 38 dia, cinco vezes por semana). Dentro de cada grupo, cinco sujeitos treinavam 10 atividades, e os outros cinco treinavam as outras 10, a fim de verificar as diferenças obtidas em tarefas treinadas e não-treinadas. A principal medida de eficácia do tratamento foi o tempo gasto na realização de cada tarefa pré- e pós-tratamento. O resultado indicou melhora das atividades treinadas e não-treinadas no grupo de pacientes com DA, mas inferior ao desempenho do grupo controle. No entanto, o desempenho nos testes neuropsicológicos não apresentou resultado significativo. Isso indica que a reabilitação de AVD para desenvolver estratégias de procedimento é efetiva para pacientes com DA, e que a melhora funcional talvez seja independente do contexto de aprendizagem, já que atividades não-treinadas também apresentaram melhora. No estudo de 2001, foram escolhidas 13 AVD básicas e instrumentais. O estudo contou com uma amostra de 18 pacientes com DA, 11 dos quais foram treinados por três semanas consecutivas (uma hora por dia, cinco vezes por semana), e sete formaram o grupo controle. O resultado indicou redução do tempo gasto na realização das atividades do grupo treinado e piora do grupo controle, com diferença significativa no tempo pós-treino dos dois grupos. ÁVILA et al. (2003) 1 realizaram atendimentos semanais em grupo e individuais com cinco pacientes com DA leve, durante cinco meses. Entre outras atividades, foram realizados treinos de quatro AVD. Ao final do tratamento houve melhora significativa no desempenho dessas tarefas. Todas as pesquisas com memória implícita (treinos de AVD), descritas anteriormente, realizaram treinos individuais de pacientes com DA e obtiveram resultados positivos. Esse dado traz indícios de que talvez esse tipo de técnica 1 Neuropsychological rehabilitation of memory deficits in patients with Alzheimer s disease submetido para Brazilian Journal of Medical and Biological Research em
33 39 necessite de treinos mais individualizados, em que maior atenção possa ser dada às dificuldades de cada um. Por outro lado, pesquisa com memória implícita, treinos de priming e técnicas de redução de pistas, realizada por ABRISQUETA-GOMEZ et al. (2002), obteve resultados positivos após três meses de treino, ao ensinar aos pacientes o nome de todas as pessoas que compunham o grupo. Há ainda pesquisas que optam por utilizar mais de uma técnica de memória no mesmo programa de tratamento, verificando resultados positivos em mais de uma área, como, por exemplo, memória explícita, memória implícita procedural e linguagem de pacientes com DA. Outras pesquisas que utilizaram treinos de ADV e diferentes técnicas para trabalhar memória explícita e autobiográfica também obtiveram bons resultados, evidenciando que a associação de medicamentos anticolinesterásicos e diferentes técnicas de RN é um tratamento eficaz para pacientes com DA (DE VREESE; NERI, 1999 apud DE VREESE et al. 2001; BOTTINO et al., 2002; ÁVILA et al., 2003) Quando se fala em RC ou RN com pacientes com DA, muitas vezes questiona-se se o próprio cuidador ou familiar não poderia ser o responsável pelos treinos cognitivos. Essa questão é ainda mais relevante quando se pensa no grande número de pacientes e no pequeno número de profissionais especializados nesse tipo de intervenção. Tentando responder a essa questão, entre outras, QUAYHAGEN; QUAYHAGEN (2001), em estudo inovador, compararam dois estudos prévios, em que em ambos o cuidador ou familiar era a pessoa responsável pelos estímulos cognitivos de pacientes com DA, como memória, conversação fluente e resolução de problemas. O primeiro estudo (QUAYHAGEN et al., 1995) teve duração de 12
34 40 semanas (uma hora por dia, cinco vezes por semana), e em cada semana era trabalhada uma área específica: sete semanas memória, três semanas resolução de problemas, e duas semanas conversação. O estudo contou com 56 casais, que foram randomicamente separados da seguinte maneira: 20 casais no grupo experimental, 19 casais no grupo placebo, e 17 casais no grupo controle. Os resultados confirmaram melhora significativa do grupo experimental na memória imediata e na fluência verbal, na resolução de problemas e na memória tardia com tendência à melhora, mas sem significação, e foi mantida estável a condição marital. O grupo placebo, cujos casais deveriam realizar tarefas passivas como ver televisão, ler jornal e conversar, melhorou a condição marital, mas sem melhora da cognição. O grupo controle piorou em todas as áreas. No segundo estudo (QUAYHAGEN et al., 2000), houve algumas mudanças, como o número de casais (n = 30), que também foram randomizados e divididos em: grupo experimental formado por 18 casais, e grupo controle formado por 12 casais. Eles realizaram o mesmo treino do estudo anterior, mas por um período de oito semanas (uma hora por dia, cinco vezes por semana), em que cada semana possuía tarefas e atividades das três áreas. Os resultados foram semelhantes aos obtidos no primeiro estudo, em que houve melhora da cognição do grupo experimental, em especial resolução de problemas seguida por memória imediata, e declínio do grupo controle. No entanto, com relação à condição marital, os dois grupos obtiveram declínio, apesar de o grupo experimental ter relatado melhora qualitativa na comunicação e na interação. Quando comparados os dois estudos, não se observam diferenças entre os resultados obtidos, o que indica que estímulos cognitivos realizados em casa por
35 41 familiares são válidos, mesmo em curto período de tempo como oito semanas. E a memória imediata foi a função que mais teve benefícios, seguida pela resolução de problemas. Isso é explicado pela especial atenção dada a essas duas áreas: memória no primeiro estudo e resolução de problemas no segundo. Esses dados são fundamentais para se pensar em propostas alternativas de tratamentos nãofarmacológicos para essa população. Uma das críticas sofridas pela RN com pacientes com DA é que seus efeitos não duram após a interrupção dos treinamentos. Para investigar se essa crítica tem fundamento, alguns estudos longitudinais estão começando a ser feitos. CLARE et al. (1999) avaliaram o treinamento de nove meses de um paciente com DA leve (MEEM: 25), com 74 anos de idade, que reaprendeu 11 nomes de amigos por meio de fotos, de associações, e de técnica de aprendizagem sem erro, imagem visual, redução de pistas e ampliação de intervalo de evocação. Além dos 11 nomes, foram incluídos mais três nomes que não foram treinados. Após esse período, o paciente manteve-se estável e o MEEM passou para 26. CLARE et al. (2001) avaliaram o mesmo paciente 12 e 24 meses após o término dos treinamentos. Ao final do primeiro ano, foi observada relativa estabilidade (80% de acertos, e baseline de 100%); após dois anos, foi registrado pequeno declínio para ambos os itens, os treinados e os não-treinados (média, 71% de acertos). Esses autores concluíram que os ganhos da reabilitação se mantêm por longo tempo com treino utilizando as técnicas citadas, tornando-se, assim, um tratamento eficaz e importante. MOORE et al. (2001) relataram estudo com 25 pacientes com DA e seus cuidadores (grupo controle), que participaram de um programa de treinamento de memória por cinco meses, com reavaliação após um mês do término do tratamento.
36 42 Foram ensinadas estratégias como associar nomes e evocação com reforço e pistas, entre outras técnicas. Durante o programa, houve melhora na evocação livre de nomes e em provas de reconhecimento após processamento e reforço da informação. Na reavaliação, observou-se melhora em testes neuropsicológicos e diminuição de escore no Geriatric Depression Scale (GDS). Observou-se, também, que eles passaram a fazer mais planos de eventos, a assistir televisão por 20 minutos e a falar detalhes do que viram, além da melhora da atenção. Verificou-se que a inclusão de algo novo melhora a memória, já que quebra a rotina e, na maioria das vezes, gera maior interesse dos pacientes, como estimular a ver fotos de amigos e familiares. O efeito positivo manteve-se após um mês do final do treino. Em contrapartida, no estudo de ISHIZAKI et al. (2000), em que foi avaliado o efeito da reabilitação por meio do MEEM, com intervenção psicológica e TOR em grupo homogêneo de seis pacientes com DA moderada/severa, não foi verificada persistência de efeitos positivos após interrupção das atividades. As sessões foram realizadas durante três meses (uma hora por dia, três vezes por semana), e tinham seu foco de atenção voltado para a comunicação e a interação entre os participantes. Os resultados obtidos indicaram leve melhora do MEEM e melhora da interação dos pacientes. No entanto, quatro meses mais tarde, o grupo não manteve o escore alcançado no MEEM. Os dados revelaram que os pacientes mais graves atendidos em grupos homogêneos também obtêm algum benefício com o tratamento; no entanto, estes não permanecem após a interrupção do tratamento.
37 Principais estudos de reabilitação com pacientes com doença de Alzheimer A associação do tratamento medicamentoso com RN ou RC tem demonstrado, em estudos recentes, ser a maneira mais eficiente de tratar esses pacientes (NEWHOUSE et al., 1997; DE VREESE et al., 1998; DE VREESE; NERI, 1999 apud DE VREESE et al. 2001; BOTTINO et al., 2002). Entretanto, apesar de inúmeros relatos sugerirem que a reabilitação é útil no tratamento de pacientes com DA leve e moderada, há insuficientes dados na literatura científica com estudos randomizados e controlados que possam comprovar estatisticamente essa hipótese. Apesar de alguns desses estudos demonstrarem tendência de melhora ou melhora em testes cognitivos específicos isolados ou escalas, esses dados não são estatisticamente significativos em termos de um resultado positivo direto decorrente da intervenção realizada em comparação ao grupo controle (HEISS et al., 1994; QUAYHAGEN et al., 1995; DE VREESE et al., 1998; DE VREESE; NERI, 1999 apud DE VREESE et al. 2001; QUAYHAGEN et al., 2000; DAVIS et al., 2001; KOTAI et al., 2001; BOTTINO et al., ). Os principais estudos estão apresentados, de forma resumida, na Tabela 1. 2 Cognitive rehabilitation combined to drug treatment in Alzheimer s disease patients: a pilot study. Submetido para Neuropsychological Rehabilitation em
38 44 TABELA 1 - RESUMO DOS PRINCIPAIS ESTUDOS CONTROLADOS, RANDOMIZADOS E NÃO-RANDOMIZADOS (CLASSE I) DE REABILITAÇÃO COM PACIENTES COM DA ESTUDO MÉTODO DURAÇÃO RESULTADOS HEISS et al., 1994 QUAYHAGEN et al., 1995 DE VREESE et al., 1998 DE VREESE; NERI, 1999 apud DE VREESE et al QUAYHAGEN et al., 2000 DAVIS et al., 2001 KOTAI et al., 2001 ZANETTI et al., 2001 Suporte social X RC n = 70 DA (treino individual) RC (casa) X placebo (ativ. passiva casa) X lista de espera n = 78 DA (treino individual) AchE-I X RC X RC + AchE-I X placebo n = 24 DA (treino individual) AchE-I X AchE-I + RC X placebo n = 27 DA (treino individual) RC (casa) X placebo (ativ. passiva casa) X lista de espera n = 103 demência (treino individual) RC (casa) X placebo n = 37 DA (treino individual) RC grupo X RC individual X lista de espera n = 24 demência (treino em grupo e individual) RC (AVD) X controle n = 18 DA (treino individual) sessão 1 hora 2 vezes/semana 24 semanas sessão 1 hora 5 vezes/semana 12 semanas sessão 45 minutos 2 vezes/semana 12 semanas sessão 30 minutos 2 vezes/semana 26 semanas sessão 1 hora 5 vezes/semana 8 semanas sessão 1½ hora 5 vezes/semana 5 semanas sessão 1 hora 1 vez semana 5 semanas/grupo e 6 semanas/individual sessão 1 hora 5 vezes/semana 3 semanas RC: melhora no escore não-significante teste concentração (p = 0,19) fluência semântica (p = 0,24) RC X lista de espera: RC melhora significante fluência verbal (p = 0,001) MLI (p = 0,003) RC + AchE-I X AchE-I: RC + AchE-I melhora não-significante MEEM (p = 0,09) AchE-I + RC X AchE-I AchE-I + RC melhora significante MEEM (p = 0,019) ADAS-Cog (p = 0,015) RC X lista de espera RC melhora significante fluência verbal (p = 0,031) RC mellhora não-significante tapping (p = 0,17) não foi verificada diferença póstratamento entre os grupos nos testes e escalas RC: redução significativa no tempo das AVD (p < 0,025) BOTTINO et al., 2003 RC + AchE-I X AchE-I n = 13 DA (treino em grupo) sessão 1 hora 1 vez por semana 5 meses RC + AchE-I melhora significante MEEM (p = 0,047) dígitos inversos (p = 0,018) RC = reabilitação cognitiva; n = número de pacientes; DA = doença de Alzheimer; AchE-I = inibidor da acetilcolinesterase; MLI = memória lógica I; MEEM = Miniexame do Estado Mental; ADAS-Cog = Cognitive Subscale of Alzheimner s Disease Assessment Scale ; AVD = atividade(s) da vida diária.
39 45 Isso pode ter diferentes explicações, como amostra pequena, freqüência ou duração insuficiente de tratamento, uso de instrumentos impróprios para avaliar esse tipo de tratamento ou porque em doenças degenerativas como a DA o que se espera não são melhoras nos resultados de escalas e testes, mas sim estabilização do quadro e melhoras no dia-a-dia. Por outro lado, a literatura revela uma gama maior de estudos controlados não-randomizados e de relatos de caso, com resultados bastante positivos e animadores, em que, por exemplo, pessoas com DA leve conseguem aprender ou reaprender por meio de suportes adequados e manter essa aprendizagem por longo período (CLARE et al., 1999; WINTER; HUNKIN, 1999; CLARE et al., 2000; CLARE et al., 2002), desenvolver estratégias compensatórias com o uso de auxílios externos (CLARE et al., 2000; ABRISQUETA-GOMEZ et al., 2002; ÁVILA, 2003), manter e melhorar as AVD (JOSEPHSSON, et al., 1993; ZANETTI et al., 1997; ZANETTI et al., 2001; FARINA et al., 2002; LEKEU et al., 2002; ÁVILA et al., 2003), e diminuir sintomas psiquiátricos, como ansiedade e depressão (MOORE et al., 2001; BOTTINO et al., 2002). Os principais trabalhos estão apresentados, de forma resumida, nas Tabelas 2 e 3.
40 46 TABELA 2 - RESUMO DAS PRINCIPAIS PESQUISAS NÃO-CONTROLADAS (CLASSE II) DE REABILITAÇÃO COM PACIENTES COM DA ESTUDO SUJEITOS DURAÇÃO RESULTADOS n = 10 DA sessão 1 hora/dia (2 grupos 5 pacientes) 5 vezes/semana (treino individual) 3 semanas ZANETTI et al., 1997 CLARE et al., 2000 BOTTINO et al., 2002 MOORE et al., 2001 CLARE et al., 2002 FARINA et al., 2002 Ambos melhora significante FLSS (p = 0,005), AVD, Attentional Matrices (p = 0,041), fluência verbal (p = 0,059) após 3 meses = escores do prétreino Melhora cognitiva, funcional e de comportamento dos pacientes, com melhores resultados no paciente com MCI, seguido por pacientes com DA ABRISQUETA- GOMEZ et al., 2002 n = 6 DA (treino individual) n = 6 DA (treino grupo) n = 25 DA (treino grupo) n = 11 DA (treino individual) n = 11DA (AVD) n = 11 DA (cog.) (treino individual) n = 5 ( 3 DA, 1 MCI, 1 DFT) (treino grupo) 2 vezes/semana 16 semanas follow up 3/6 meses sessão 1 hora 5 vezes/semana 4 meses sessão 1 hora 5 vezes/semana 5 semanas 6 sessões + 12 sessões pós-treino (evocação) follow up 6 e 12 meses 2 sessões/45 minutos 3 vezes/semana 5 semanas follow up 3 meses sessão 1½ hora 1 vez semana (paciente DFT, sessão individual 2 vezes por semana) 1 ano Redução significante no tempo das AVD treinadas (p < 0,05) e AVD não-treinadas (p < 0,05) 5 pacientes aprenderam os nomes treinados e os mantiveram após 6 meses. HADS apresentou melhora significante (p < 0,05) Melhora não-significante: FOME (p = 0,12) MADRAS (p = 0,12) Melhora significante: Kendrick Digit Copy (p = 0,04) e GDS (p = 0,04) Melhora significante na evocação dos nomes treinados (p < 0,001), mantidos por 6 meses e com pequeno declínio em 12 meses n = número de pacientes; DA = doença de Alzheimer; AVD = atividade(s) da vida diária; HADS = Hospital Anxiety and Depression Scale ; FOME = Fuld Object Memory Evaluation ; MADRAS = escala de depressão Montgomery-Asberg; GDS = Geriatric Depression Scale ; FLSS = Functional Living Skills Scale ; MCI = Mild Cognitive Impairment ; DFT = demência frontotemporal.
41 47 TABELA 3 - RESUMO DOS PRINCIPAIS ESTUDOS DE CASOS (CLASSE III) DE REABILITAÇÃO COM PACIENTES COM DA ESTUDO DURAÇÃO TREINO RESULTADO CLARE et al., 1999 sessão 1 hora 2 vezes/semana 19 semanas follow up 9 meses Reaprender o nome de 11 colegas do clube Reaprendeu os 11 nomes e manteve por 9 meses treinando em casa sozinho com WINTER; HUNKIN, 1999 LEKEU et al., 2002 ÁVILA, 2003 sessão 1 hora 4 vezes/semana 1 semana sessão 45 minutos 2 vezes/semana 3 meses sessão 1 hora 1 vez/semana/grupo 4 meses + sessão 1 hora 1 vez/semana/grupo + sessão 1 hora 1 vez semana/individual 22 meses Reaprender o nome de 10 pessoas famosas Aprender a fazer ligações utilizando o telefone celular Treinos de memória explícita e implícita, linguagem e de AVD AVD = atividade(s) da vida diária; MEEM = Miniexame do Estado Mental. álbum No terceiro dia de treinamento conseguiu acertar 8 nomes Aprenderam a utilizar o telefone celular sem utilizar auxílio externo Melhora no MEEM e funções cognitivas sem deterioração 2.4 Objetivos Os objetivos deste estudo foram: 1. Avaliar a resposta dos pacientes longitudinalmente nas três condições distintas de RN com pacientes com DA leve e moderada: grupal, individual e realizada em casa por cuidador ou familiar. 2. Avaliar a resposta dos pacientes aos três tipos de intervenção para verificar se há variações nos resultados de um tipo de intervenção para outra. 3. Analisar cada caso separadamente para verificar se há diferença na resposta ao tratamento dentro do mesmo grupo.
42 48 4. Analisar a eficiência de diferentes técnicas de memória em indivíduos com DA leve e moderada: memória implícita, categorização e associação verbal. 5. Verificar se há diferença na aprendizagem e utilização de cada técnica de memória de um tipo de intervenção para outra. 6. Analisar a eficiência de treinos de auxílios externos e de AVD em indivíduos com DA leve e moderada, isto é, verificar se eles conseguem aprender e/ou melhorar o desempenho.
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