Revisão: Conceitos de Texto
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- Rosa Clementino Alcântara
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1 Revisão: Conceitos de Texto Competência de área 5 - Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção. H15 - Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político. H16 - Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário. H17 - Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional. Competência de área 7 - Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H21 - Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos. H22 - Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos. H23 - Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados. H24 - Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras. Questões 1. (ENEM 2009) Pobre Isaura! Sempre e em toda parte esta contínua importunação de senhores e de escravos, que não a deixam sossegar um só momento! Como não devia viver aflito e atribulado aquele coração! Dentro de casa contava ela quatro inimigos, cada qual mais porfiado em roubar-lhe a paz da alma, e torturar-lhe o coração: três amantes, Leôncio, Belchior, e André, e uma êmula terrível e desapiedado, Rosa. Fácil lhe fora repelir as importunações e insolências dos escravos e criados; mas que seria dela, quando viesse o senhor?!... GUIMARÃES, B. A escrava Isaura. São Paulo: Ática, 1995 (adaptado). A personagem Isaura, como afirma o título do romance, era uma escrava. No trecho apresentado, os sofrimentos por que passa a protagonista: a) Assemelham-se aos das demais escravas do país, o que indica o estilo realista da abordagem do tema da escravidão pelo autor do romance.
2 b) Demonstram que, historicamente, os problemas vividos pelas escravas brasileiras, como Isaura, eram mais de ordem sentimental do que física. c) Diferem dos que atormentavam as demais escravas do Brasil do século XIX, o que revela o caráter idealista da abordagem do tema pelo autor do romance. d) Indicam que, quando o assunto era o amor, as escravas brasileiras, de acordo com a abordagem lírica do tema pelo autor, eram tratadas como as demais mulheres da sociedade. e) Revelam a condição degradante das mulheres escravas no Brasil, que, como Isaura, de acordo com a denúncia feita pelo autor, eram importunadas e torturadas fisicamente pelos seus senhores. 2. Apesar da ciência, ainda é possível acreditar no sopro divino o momento em que o Criador deu vida até ao mais insignificante dos micro-organismos? Resposta de Dom Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, nomeado pelo papa Bento XVI em 2007: Claro que sim. Estaremos falando sempre que, em algum momento, começou a existir algo, para poder evoluir em seguida. O ato do criador precede a possibilidade de evolução: só evolui algo que existe. Do nada, nada surge e evolui. LIMA, Eduardo. Testemunha de Deus. SuperInteressante, São Paulo, n. 263-A, p. 9, mar (com adaptações). Resposta de Daniel Dennet, filósofo americano ateu e evolucionista radical, formado em Harvard e Doutor por Oxford: É claro que é possível, assim como se pode acreditar que um super-homem veio para a Terra há 530 milhões de anos e ajustou o DNA da fauna cambriana, provocando a explosão da vida daquele período. Mas não há razão para crer em fantasias desse tipo. LIMA, Eduardo. Advogado do Diabo. SuperInteressante, São Paulo, n. 263-A, p. 11, mar (com adaptações). Os dois entrevistados responderam a questões idênticas, e as respostas a uma delas foram reproduzidas aqui. Tais respostas revelam opiniões opostas: um defende a existência de Deus e o outro não concorda com isso. Para defender seu ponto de vista: a) O religioso ataca a ciência, desqualificando a Teoria da Evolução, e o ateu apresenta comprovações científicas dessa teoria para derrubar a ideia de que Deus existe. b) Scherer impõe sua opinião, pela expressão claro que sim, por se considerar autoridade competente para definir o assunto, enquanto Dennett expressa dúvida, com expressões como é possível, assumindo não ter opinião formada. c) O arcebispo critica a teoria do Design Inteligente, pondo em dúvida a existência de Deus, e o ateu argumenta com base no fato de que algo só pode evoluir se, antes, existir. d) O arcebispo usa uma lacuna da ciência para defender a existência de Deus, enquanto o filósofo faz uma ironia, sugerindo que qualquer coisa inventada poderia preencher essa lacuna. e) O filósofo utiliza dados históricos em sua argumentação, ao afirmar que a crença em Deus é algo primitivo, criado na época cambriana, enquanto o religioso baseia sua argumentação no fato de que algumas coisas podem surgir do nada.
3 Herói na contemporaneidade Quando eu era criança, passava todo o tempo desenhando super-heróis. Recorro ao historiador de mitologia Joseph Campbell, que diferenciava as duas figuras públicas: o herói (figura pública antiga) e a celebridade (a figura pública moderna). Enquanto a celebridade se populariza por viver para si mesma, o herói assim se tornava por viver servindo sua comunidade. Todo super-herói deve atravessar alguma via crucis. Gandhi, líder pacifista indiano, disse que, quanto maior nosso sacrifício, maior será nossa conquista. Como Hércules, como Batman. Toda história em quadrinhos traz em si alguma coisa de industrial e marginal, ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Os filmes de super-herói, ainda que transpondo essa cultura para a grande e famigerada indústria, realizam uma outra façanha, que provavelmente sem eles não ocorreria: a formação de novas mitologias reafirmando os mesmos ideais heróicos da Antiguidade para o homem moderno. O cineasta italiano Fellini afirmou uma vez que Stan Lee, o criador da editora Marvel e de diversos heróis populares, era o Homero dos quadrinhos. Toda boa história de super-herói é uma história de exclusão social. Homem-Aranha é um nerd, Hulk é um monstro amaldiçoado, Demolidor é um deficiente, os X-Men são indivíduos excepcionais, Batman é um órfão, Super-Homem é um alienígena expatriado. São todos símbolos da solidão, da sobrevivência e da abnegação humana. Não se ama um herói pelos seus poderes, mas pela sua dor. Nossos olhos podem até se voltar a eles por suas habilidades fantásticas, mas é na humanidade que eles crescem dentro do gosto popular. Os superheróis que não sofrem ou simplesmente trabalham para o sistema vigente tendem a se tornar meio bobos, como o Tocha-Humana ou o Capitão América. Hulk e Homem-Aranha são seres que criticam a inconsequência da ciência, com sua energia atômica e suas experiências genéticas. Os X-Men nos advertem para a educação inclusiva. Super-Homem é aquele que mais se aproxima de Jesus Cristo, e por isso talvez seja o mais popular de todos, em seu sacrifício solitário em defesa dos seres humanos, mas também tem algo de Aquiles, com seu calcanhar que é a kriptonita. Humano e super-herói, como Gandhi. Não houve nenhuma literatura que tenha me marcado mais do que essas histórias em quadrinhos. Eu raramente as leio hoje em dia, mas quando assisto a bons filmes de super-heróis eu lembro que todos temos um lado ingênuo e bom, que pode ser capaz de suportar a dor da solidão por um princípio. (FERNANDO CHUÍ Adaptado de 3. A argumentação se estrutura por meio de diferentes mecanismos discursivos. No quarto parágrafo, o mecanismo empregado consiste na apresentação de: a) Opinião apoiada em exemplos. b) Alegação partilhada por muitos. c) Construção caracterizada como dialética. d) Definição baseada em elementos válidos. e) Evidência construída com dados científicos.
4 4. O método dedutivo organiza-se a partir de premissas gerais que são confirmadas por premissas particulares para se chegar a uma conclusão. A frase do texto que evidencia uma premissa geral é: a) Quando eu era criança, passava todo o tempo desenhando super-heróis. b) Todo super-herói deve atravessar alguma via crucis. c) São todos símbolos da solidão, da sobrevivência e da abnegação humana. d) Não houve nenhuma literatura que tenha me marcado mais do que essas histórias em quadrinhos. e) Não houve nenhuma literatura que tenha me marcado mais do que essas histórias em quadrinhos. 5. O texto combina subjetividade e argumentação. Essa combinação é confirmada pela presença de: a) Relato pessoal e defesa de ponto de vista b) Referência clássica e citação do passado c) Ênfase na atualidade e reflexão sobre o tema d) Afirmação generalizante e comparação de ideias e) Analogia de elementos compatíveis e digressão temática 6. A utilização de testemunhos autorizados, como o de Fellini, é uma conhecida estratégia retórica. O uso dessa estratégia produz, no texto, o efeito de: a) oposição entre estilos diversificados. b) exemplificação de opiniões variadas. c) delimitação de um contraponto temporal. d) confirmação dos posicionamentos do autor. e) referenciação testemunhal de uma autoridade conhecida. 7.
5 Em geral, as tiras registram críticas apoiadas em traços humorísticos. Porém, nesse exemplo, percebe-se também a presença de um método de raciocínio, no segundo quadrinho, mesmo um dos personagens agindo de forma inusitada. Diante dos elementos expostos, pode-se dizer que: a) A dedução não se evidencia no texto, pois os personagens retratam casos particulares. b) A indução é a responsável pela presença do humor na charge. c) Ocorre uma presença concomitante dos métodos dedutivo e indutivo no texto. d) A dedução faz-se presente de forma objetiva pela relação entre os elementos apontados no primeiro quadrinho e a afirmativa no segundo. e) A indução não pode aparecer em textos humorísticos, mas somente em teses científicas. Leia a charge abaixo sobre a realização das Olimpíadas 2016 no Brasil: 8. É possível afirmar que a charge faz alusão ao seguinte problema enfrentado no Brasil: a) Falta de segurança pública. b) Violência no trânsito. c) Desvio de verbas. d) Infraestrutura deficiente. e) Marginalização de menores. Observe o diagrama abaixo: Efeitos induzidos pelos gastos públicos e privados adicionais decorrentes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro
6 Disponível em: 9. A partir desse diagrama é possível afirmar que: a) Os gastos públicos e privados são diretamente responsáveis por variações na demanda de serviços pessoais. b) A demanda da construção civil depende somente da remuneração dos empregados. c) A remuneração dos empregados tem impacto sobre a demanda de alimentos. d) As demandas de alimento, vestuário, transporte e hotelaria independem de investimentos governamentais. e) A massa salarial é dependente das demandas de serviços pessoais e da construção civil.
7 10. As diferentes esferas sociais de uso da língua obrigam o falante a adaptá-la as variadas situações de comunicação. Uma das marcas linguísticas que configuram a linguagem oral informal usada entre avô e neto neste texto é: a) A opção pelo emprego da forma verbal era em lugar de foi. b) A ausência de artigo antes da palavra árvore. c) O emprego da redução tá em lugar da forma verbal está. d) O uso da contração desse em lugar da expressão de esse. e) A utilização do pronome que em início de frase exclamativa. S.O.S Por que pronunciamos muitas palavras de um jeito diferente da escrita? Pode-se refletir sobre esse aspecto da língua com base em duas perspectivas. Na primeira delas, fala e escrita são dicotômicas, o que restringe o ensino da língua ao código. Dai vem o entendimento de que a escrita e mais complexa que a fala, e seu ensino restringe-se ao conhecimento das regras gramaticais, sem a preocupação com situações de uso. Outra abordagem permite encarar as diferenças como um produto distinto de duas modalidades da língua: a oral e a escrita. A questão e que nem sempre nos damos conta disso. S.O.S. Nova Escola. São Paulo: Abril, Ano XXV, n. 231, abr (adaptado). 11. O assunto tratado no fragmento e relativo à língua portuguesa e foi publicado em uma revista destinada a professores. Entre as características próprias desse tipo de texto, identificam-se as marcas linguísticas próprias do uso: a) Regional, pela presença de léxico de determinada região do Brasil. b) Literário, pela conformidade com as normas da gramática. c) Técnico, por meio de expressões próprias de textos científicos. d) Coloquial, por meio do registro de informalidade. e) Oral, por meio do uso de expressões típicas da oralidade. O texto a seguir é um trecho de uma conversa por meio de um programa de computador que permite comunicação direta pela Internet em tempo real, como o MSN Messenger. Esse tipo de conversa, embora escrita, apresenta muitas características da linguagem falada, segundo alguns linguistas. Uma delas é a interação ao vivo e imediata, que permite ao interlocutor conhecer, quase instantaneamente, a reação do outro, por meio de suas respostas e dos famosos emoticons (que podem ser definidos como ícones que demonstram emoção ). João diz: oi Pedro diz: blz? João diz: na paz e vc? Pedro diz: tudo trank João diz: oq vc ta fazendo? [...] Pedro diz: tenho q sair agora...
8 João diz: flw Pedro diz: vlw, abc 12. Para que a comunicação, como no MSN Messenger se dê em tempo real, é necessário que a escrita das informações seja rápida, o que é feito por meio de: a) Frases completas, escritas cuidadosamente com acentos e letras maiúsculas (como oq vc ta fazendo? ). b) Frases curtas e simples (como tudo trank ) com abreviaturas padronizadas pelo uso (como vc você vlw valeu!). c) Uso de reticências no final da frase, para que não se tenha que escrever o resto da informação. d) Estruturas coordenadas, como na paz e vc. e) Flexão verbal rica e substituição de dígrafos consonantais por consoantes simples ( qu por k ). 13. (ENEM 2013) Até quando? Não adianta olhar pro céu Com muita fé e pouca luta Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer E muita greve, você pode, você deve, pode crer Não adianta olhar pro chão Virar a cara pra não ver Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer! GABRIEL, O PENSADOR. Seja você mesmo (mas não seja sempre o mesmo). Rio de Janeiro: Sony Music, 2001 (fragmento). As escolhas linguísticas feitas pelo autor conferem ao texto: a) caráter atual, pelo uso de linguagem própria da internet. b) cunho apelativo, pela predominância de imagens metafóricas. c) tom de diálogo, pela recorrência de gírias. d) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial. e) originalidade, pela concisão da linguagem. (ENEM 2013) A diva Vamos ao teatro, Maria José? Quem me dera, desmanchei em rosca quinze kilos de farinha,
9 tou podre. Outro dia a gente vamos. Falou meio triste, culpada, e um pouco alegre por recusar com orgulho. TEATRO! Disse no espelho. TEATRO! Mais alto, desgrenhada. TEATRO! E os cacos voaram sem nenhum aplauso. Perfeita. PRADO, A. Oráculos de maio. São Paulo: Siciliano, Os diferentes gêneros textuais desempenham funções sociais diversas, reconhecidas pelo leitor com base em suas características específicas, bem como na situação comunicativa em que ele é produzido. Assim, o texto A diva: a) Narra um fato real vivido por Maria José. b) Surpreende o leitor pelo seu efeito poético. c) Relata uma experiência teatral profissional. d) Descreve uma ação típica de uma mulher sonhadora. e) Defende um ponto de vista relativo ao exercício teatral.
10 Gabarito 1. Resposta: C Comentário: O século em questão faz referência à estética realista, a qual pautava-se pela denúncia em relação aos problemas sociais através do espírito irônico e crítico. 2. Resposta: D Comentário: O arcebispo se vale da ideia de que nada acontece do nada, e que só é possível evoluir algo que já existe. Já o filósofo ironiza ao colocar a imagem de um deus criador como algo semelhante a um super-herói, lançando a ideia de força divina para um campo irreal. 3. A 4. B 5. A 6. D 7. D 8. D 9. C 10. C 11. C 12. B 13. D 14. B
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