Análise Setorial. Sabesp // Minerva // Suzano //CPFL // CESP SABESP (SBSP3)

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1 Análise Setorial Sabesp // Minerva // Suzano //CPFL // CESP SABESP (SBSP3) A Sabesp divulgou ontem (09/05/2013, após o encerramento do mercado, seus números referentes ao primeiro trimestre de O volume faturado aumentou 2,0% quando comparado ao mesmo período de 2012, com expansão de 2,1% em água e 1,9% em esgoto. A receita bruta, desconsiderando construção, cresceu 5,9% na mesma base de comparação, devido aos maiores volumes faturados e pelo reajuste tarifário de 5,15% aplicado a partir de set/12. Os gastos operacionais, também expurgando construção, evoluíram 7,2% em bases anuais, em decorrência, principalmente, dos aumentos significativos das linhas de salários e encargos (+13,7%), materiais de tratamento (+45,5%) e despesas gerais (+28,4%), sendo que, esta última puxada pelo maior nível de provisões de processos judiciais. Estes aumentos foram parcialmente amenizados pela redução nas linhas de energia elétrica (-3,7%) e Serviços (-13,7%). O resultado operacional medido pelo EBITDA ajustado foi 3,7% superior frente ao 1T12, com margem praticamente estável. O lucro líquido, no entanto, evoluiu apenas 0,9% ante o mesmo período do ano anterior, em razão do menor ganho com variação cambial no resultado financeiro. A Sabesp encerrou o trimestre com dívida bruta de R$8,8 bilhões, dos quais 36,8% estão atrelados à moeda estrangeira. OPINIÃO A companhia mostrou desempenho satisfatório em nossa avaliação, sem grandes surpresas, alinhado com uma empresa de maior nível de maturação. O descontrole em algumas linhas de gastos acabou limitando o reflexo positivo do reajuste tarifário nas margens, neste trimestre. No 2T13, a Sabesp contará, mesmo que parcialmente, com o novo reajuste aprovado pela ARSESP, decorrente o movimento gradualista que a agência reguladora vem adotando no processo de revisão tarifaria da companhia, cujo índice definitivo esta

2 previsto para ser colocado em ago/13. Acreditamos que este processo, alinhado à definição quanto ao repasse dos fundos municipais as tarifas, será fator mais determinante para o desempenho dos títulos SBSP3 em bolsa, do que efetivamente seus resultados deste primeiro trimestre, já que representam a capacidade futura de geração de caixa da empresa. Principais Indicadores: MINERVA (BEEF3) A companhia divulgou ontem (09/05/2013), após o encerramento do pregão, seu resultado referente ao primeiro trimestre de A receita líquida apresentou crescimento de 26,6% frente ao 1T12, totalizando R$ 1,2 bilhão. Essa melhora reflete o desempenho das exportações de carne bovina, das vendas de carne in natura no mercado interno, além de destaque para as divisões Couro e MDF (food service). A geração de caixa medida pelo Ebitda atingiu R$ 110,4 milhões, 30% superior ao 1T12, com ligeiro aumento da margem (+0,2 p.p.) para 8,4%, ajudada pelo maior volume de vendas (+27,9%), mas impactada pela redução de 0,5 p.p. da margem bruta afetada pelo aumento no custo da arroba do boi. No 1T13, a companhia apresentou lucro líquido de R$ 5,6 milhões comparado a um prejuízo de R$ 65,7 milhões, fruto do desempenho operacional aliado a um resultado financeiro mais favorável com ganho de variação cambial e redução de outras despesas. A Dívida Líquida era de R$ 1,5 bilhão ao final do trimestre, representando 3,1x o Ebitda Ajustado de doze meses.

3 OPINIÃO O resultado apresentado pela Minerva foi neutro. A receita e o Ebitda vieram em linha com a expectativa, mas o lucro líquido foi inferior. Destaque positivo para o crescimento do volume de vendas observado, estimulado tanto pela demanda interna quanto externa esta puxada pelos mercados emergentes e pela redução de abate e produção nos EUA. Vale mencionar, que a desvalorização do Real frente ao Dólar também ajudou a impulsionar a receita do período. Adicionalmente, a companhia apresentou aumento 9 p.p. e 3,6 p.p na utilização da capacidade instalada ante o 1T12 e 4T12, respectivamente, para 74,8%. Do lado negativo, tivemos a evolução dos preços praticados, principalmente no mercado externo, que, em dólar, reduziram acima do observado pelo mercado. O cenário esperado para o setor é positivo para o ano, mas temos que observar a evolução da alavancagem e das margens da companhia. No momento, temos preferência por outras empresas do setor. Principais Indicadores: SUZANO (SUZB5) A empresa divulgou hoje (10/05/2013) o resultado referente aos três primeiros meses do ano. O primeiro trimestre historicamente mais fraco apresentou alguns indicadores favoráveis à empresa e ao setor, dos quais destacamos: o preço médio/tonelada de celulose foi superior ao mesmo período de 2012, assim como ao último trimestre daquele ano; e o mercado interno de papel registrou demanda cerca de 3% maior que no 1T12, com queda de 1,6 p.p. na

4 participação de importados. A Suzano, por sua vez, consolidou produção relativamente estável, por conta de uma parada programada na linha 2 de Mucuri. As vendas ficaram 2,0% abaixo, na mesma comparação. A receita líquida totalizou R$ 1.174,1 milhões, ganho de 13,2% em relação ao 1T12, quando a (i) maior participação do mercado interno nas vendas de papel, (ii) o aumento nos preços líquidos médios de celulose (+11,1%, US$) e papel (+8,1%, R$) e (iii) a variação cambial entre os períodos, mitigaram a redução no volume vendido. O custo dos produtos vendidos alcançou R$ 889,9 milhões, 4,4% acima dos primeiros meses de 2012, em função da parada para manutenção e de maiores custos com madeira e insumos. As despesas com vendas, gerais e administrativas retraíram-se 4,4% entre os períodos, com redução de dispêndios com pessoal (aqui inserida a desoneração da folha de pagamentos) e com serviços de terceiros. A geração de caixa medida pelo Ebitda somou R$ 327,3 milhões, alta de 37,4%. A melhora se deu, principalmente, pelos maiores preços médios em reais; variação cambial; e redução nas despesas anteriormente citadas. O resultado do trimestre ainda foi impactado negativamente pela despesa financeira líquida de R$ 80,0 milhões, levando o lucro do primeiro trimestre aos R$ 41,9 milhões, queda de 41,6% em relação ao 1T12. Ao final do trimestre a relação dívida líquida/ebitda permaneceu estável, comparada ao 4T12, em 5,0x. OPINIÃO A empresa apresentou um resultado acima da expectativa do mercado, neste início de ano. O desempenho trimestral foi positivo, em nossa visão. A Suzano segue ajustando sua operação a fim de reduzir seu elevado nível de endividamento mantido em 5x Dívida Líq/Ebitda, primando pela geração de caixa com (i) disciplina de preços, (ii) redução de custos e despesas e (iii) otimização do capital de giro. A companhia permanece estável operacionalmente, levando-se em conta as paradas programadas, e neste segundo trimestre prevê o reconhecimento de aproximadamente R$ 300 milhões provenientes da venda de Capim Branco, que a auxiliará no processo de desalavancagem. Tal venda, no entanto, acarretará na necessidade de compra de energia ao menos até o início de operação de Maranhão, ocasionando aumento de custos operacionais. A despeito das adições de capacidade produtiva previstas para 2013 e dos temores de possível sobreoferta, a empresa traça um cenário de mercado equilibrado nos próximos meses. Ainda assim, enumeramos alguns pontos que merecem atenção, como impactos nos custos de produção utilização de madeira de terceiros, compra de energia e o processo de desalavancagem que será potencializado apenas após início de operação no Maranhão (previsto para o 4T13). Continuamos enxergando boas perspectivas para a Suzano aprimorar seus resultados neste e nos próximos exercícios, mas aguardaremos o desenvolvimento das atuais estratégias para melhor avaliarmos o horizonte traçado para a companhia. Principais Indicadores:

5 CPFL ENERGIA (CPFE3) A companhia anunciou ontem (09/05/2013), após o fechamento do mercado, seus resultados referentes ao 1T13. O resultado operacional medido pelo EBITDA foi de R$1.055,0 milhões, 7,8% superior ao registrado no mesmo período de O lucro líquido (distribuído aos controladores) apresentou ligeira evolução de 1,3% entre os trimestres analisados, totalizando R$405,6 milhões. A evolução do resultado operacional é fruto do aumento do volume de energia vendida em todos os segmentos. A receita de geração foi beneficiada pela consolidação das operações comerciais das novas usinas da CPFL Renováveis, somada aos acionamentos da UTE EPASA e a maior exposição ao mercado livre. Já a receita de distribuição refletiu a renovação das concessões de geradoras e transmissoras, que levaram a uma redução média de -12,6% nas tarifas dentro da área de concessão da companhia, no entanto, este evento não gerou impacto sobre as margens. A linha de custos da CPFL sofreu uma maior pressão por conta dos custos não gerenciáveis. Estes maiores dispêndios não gerenciais refletiram (i) o aumento do custo de energia comprada para revenda (devido à maior exposição ao mercado de curto prazo); (ii) custo com geração de energia térmica dado o acionamento da EPASA -; e (iii) aumento dos encargos de segurança energética. Contudo, vale salientar que houve contribuição favorável decorrente da liberação de recursos da CDE (conforme decreto 7.945/2013) para esta linha de gastos não gerenciáveis. Esse fator contribuiu para que a retração da margem EBITDA consolidada fosse de apenas 0.5p.p entre os períodos analisados, totalizando 28,4% no 1T13. Quanto à menor evolução do lucro líquido, decorre do maior

6 reconhecimento com depreciação, devido aos novos ativos de geração entrando em operação. A companhia encerrou mar/13 com dívida líquida de R$ milhões, equivalente a 3,34x o EBITDA gerado nos últimos doze meses. OPINIÃO O resultado apresentado pelo grupo CPFL Energia foi satisfatório em nossa opinião. Podemos destacar o bom desempenho do segmento de geração, devido à elevação do volume de energia disponível para venda, o que contribuiu favoravelmente na estratégia de sazonalização da companhia, na busca pelo aproveitamento dos maiores preços praticados no mercado de curto prazo. Outro ponto a destacar é a disponibilização de recursos por parte do governo para as distribuidoras, fator que contribuiu significativamente para mitigar os efeitos dos maiores dispêndios com energia comprada para revenda e a elevação dos encargos aplicados no setor, em decorrência do maior acionamento das térmicas. Quanto às nossas perspectivas, elas seguem positivas, já que o grupo se beneficiará da revisão tarifária de +6,18% da CPFL Paulista, que passou a vigorar em abr/13; dos efeitos da entrada em operação das novas unidades de geração, previsto para 3T13 e dos projetos de desenvolvimento de controle da rede e na redução do volume de perdas de energia, contribuindo para maior eficiência operacional das distribuidoras. Seguimos na expectativa da retomada da expansão do consumo de energia no segmento industrial, em sua área de concessão, o que deverá contribuir positivamente para seus melhores resultados no decorrer do ano. Com isso, mantemos nossa recomendação de COMPRA para a CPFE3.` PRINCIPAIS INDICADORES:

7 CESP (CESP6) A companhia reportou ontem (09/05/2013), após o fechamento do mercado, seu resultado referente ao primeiro trimestre. O resultado operacional medido pelo Ebitda totalizou R$ 841,1 milhões, 47,3% acima do registrado no 1T12. Na linha final, foi registrado um lucro líquido de R$339,0 milhões, 58,3% superior ao apresentado no 1T12. O desempenho apresentado é fruto da boa evolução (+35,9%) da receita líquida, dados os maiores preços praticados na venda de energia e do maior volume faturado no mercado livre, que compensou a retração dos outros mercados. A companhia conseguiu ser eficiente na sua contenção de custos, devido ao menor dispêndio com pessoal e serviços de terceiros, além dos menores encargos com TUST e menor compensação financeira pela utilização dos recursos hídricos, tendo em vista, a redução do nível de geração. Esses efeitos contribuíram para que a margem Ebitda da companhia evoluísse 5.7p.p, totalizando 73,5% no 1T13. Já o lucro líquido, registrou aumento de 58,3% ante o mesmo período do ano anterior, em razão do bom desempenho citado acima, aliado à redução do saldo das dívidas em moeda nacional e a menor variação cambial sobre endividamento em moeda estrangeira. A CESP encerrou mar/13 com dívida líquida de R$ 3.625,7 milhões, o equivalente a 1,8x o Ebitda gerado nos últimos 12 meses. OPINIÃO O resultado apresentado pela companhia foi satisfatório em nossa avaliação, vindo inclusive acima das perspectivas do mercado. Após sua decisão estratégica de não renovar as concessões de três de suas usinas, a companhia passou a ter um maior volume de energia descontratada, o que foi positivo, visto que ela obteve novos contratos de curto prazo, a preços mais elevados, o que beneficiou substancialmente suas receitas neste trimestre. Outro ponto a destacar foi o bom controle dos custos e despesas realizado pela companhia, o que contribuiu para maiores ganhos em suas margens. Quanto aos próximos trimestres, acreditamos que serão mais desafiadores, com a devolução da UHE Três Irmãos para o poder concedente, já que esta concessão venceu em 2011, ação que ocasionará a redução da capacidade instalada da companhia. Nesse meio tempo, a Cesp foi autorizada a continuar operando a usina, no entanto, a receita anual de geração será de R$13,9 milhões, pelo prazo de 18/abril a 30/junho de Por ora, seguimos com nossa preferência por outras companhias do setor para investimento em bolsa.

8 EQUIPE DE ANÁLISE KARINA FREITAS Analista responsável (CNPI) DANIELA MARTINS (CNPI) DISCLAIMER Este relatório foi elaborado pela Concórdia S/A Corretora de Valores Mobiliários, Câmbio e Commodities ( Concórdia Corretora ) e distribuído com o propósito de apenas informar, não se constituindo em uma oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. As opiniões expressadas neste relatório são baseadas em julgamento e estimativas, podendo ser alteradas a qualquer momento. As informações aqui contidas foram obtidas de fontes fidedignas, entretanto, a Concórdia Corretora não garante que tais informações sejam corretas, completas, precisas e imparciais. O analista responsável pelo relatório declara que: - Suas recomendações refletem única e exclusivamente suas opiniões pessoais, e que foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à Concórdia Corretora; - Não mantém vínculo de qualquer natureza com qualquer pessoa natural que atua no âmbito da companhia aberta, cujos valores mobiliários sejam objeto de análise neste relatório. - A Concórdia Corretora, bem como os fundos, carteiras e clubes de investimento em valores mobiliários por ela administrados não possuem participação acionária direta ou indireta igual ou superior a 1% do capital social da companhia aberta, cujos valores mobiliários sejam objeto de análise neste relatório, e não estão envolvidos na aquisição, alienação e/ou intermediação de tais valores mobiliários no mercado; - Não é titular, direta ou indiretamente, de valores mobiliários emitidos pela companhia aberta objeto desta análise que representem 5% ou mais do seu patrimônio pessoal, ou esteja envolvido na aquisição, alienação e/ou intermediação de tais valores mobiliários no mercado;

9 - Ele ou a Concórdia Corretora não recebem remuneração por serviços prestados ou apresentam relações comerciais com a companhia aberta objeto de análise neste relatório, ou pessoal natural ou pessoa jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse desta companhia; e, - Sua remuneração ou esquema de compensação do qual é integrante não atrelado à precificação de quaisquer dos valores mobiliários emitidos pela companhia aberta objeto de análise neste relatório, ou às receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela Concórdia Corretora.

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