UMA ABORDAGEM SOBRE COMO TRABALHAR COM IMAGENS DOS LIVROS DIDÁTICOS, ENQUANTO RECURSO PEDAGÓGICO NO ENSINO DE HISTÓRIA

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1 UMA ABORDAGEM SOBRE COMO TRABALHAR COM IMAGENS DOS LIVROS DIDÁTICOS, ENQUANTO RECURSO PEDAGÓGICO NO ENSINO DE HISTÓRIA 1 Danielle Thais Vital Gonçalves (UEM-CRV) RESUMO: O presente artigo apresenta resultados parciais de uma pesquisa, desenvolvida no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência (PIBID) ainda em andamento, vinculado ao curso de História, (UEM-CRV). O estudo apresenta reflexões de como trabalhar com imagens enquanto uma linguagem de ensino constantemente presente nos livros didáticos. Procuramos atentar para a intencionalidade desse recurso pedagógico e sua influência na ideologia dos alunos, mostrando, assim, que as imagens não são apenas um material pedagógico, inofensivo, mas também recursos transmissores e portadores de um sistema de valores, de uma ideologia e de inúmeras outras intervenções. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é contribuir para o desenvolvimento do ensino de História, apresentando, com base na historiadora Circe Bittencourt, uma metodologia de trabalho com as imagens contidas nos livros didáticos, abordando a importância da utilização das mesmas no processo ensino-aprendizagem, bem como a necessidade de uma leitura crítica das imagens e de uma reflexão mais minuciosa acerca do acervo iconográfico dos livros didáticos. Palavras-chave: Imagens; Livros Didáticos; Ensino de História. INTRODUÇÃO Para além de todo o acervo documental que pode ser utilizado nos dias atuais como fonte historiográfica no exercício do historiador, cabe ao professor/pesquisador de história levar em conta não apenas os materiais que serão utilizados em sua pesquisa, mas também os empregados no decorrer da sua atuação como docente em sala de aula. Pensar o ensino de história nos dias atuais implica no uso de todo um acervo de ferramentas pedagógicas concernentes ao desenvolvimento de uma aula capaz de estimular nos alunos uma interpretação histórica de vivências próprias no contexto escolar e, para que isso ocorra, se faz necessária toda uma metodologia que ampare o trabalho com essas ferramentas. 1 Este artigo é resultado de uma pesquisa desenvolvida para o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da Universidade Estadual de Maringá CRV. Financiamento: Capes/Pibid Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência 1

2 Nosso intuito ao desenvolver esse artigo é evidenciar métodos de utilização dos conteúdos imagéticos disponíveis em livros didáticos, tendo como amparo a análise da historiadora Circe Bittencourt, além de demonstrar como esse material deve ser interpretado (no contexto que ele foi produzido), e avaliar a possibilidade de lidar com esse instrumento como uma fonte historiográfica a ser trabalhada com os alunos em sala de aula. Com tal análise, acreditamos estar contribuindo para o desenvolvimento da utilização critica de conteúdos iconográficos disponíveis em materiais didáticos em todo o país, possibilitando, assim, que professores, tanto da educação básica quanto da academia, tenham a oportunidade de lidar com essa ferramenta de maneira mais acessível. INTERPRETAÇÃO DO LIVRO DIDÁTICO Antes de levar em consideração qualquer análise imagética constitutiva do material didático, se faz necessário entender como esse instrumento pode ser interpretado, tendo como base uma análise das suas principais características. Circe Bittencourt, ao discorrer sobre o livro didático em sua obra O saber histórico na sala de aula (2002), evoca constantemente a necessidade de se entender esse material como um produto do contexto em que o mesmo foi produzido. Para isso, deve se levar em consideração diversos aspectos; segundo ela: O interesse que o livro didático tem despertado e as celeumas que provoca em encontros e debates demonstra que ele é um objeto de múltiplas facetas e possui uma natureza complexa. O livro didático é, antes de tudo, uma mercadoria, um produto do mundo da edição que obedece à evolução das técnicas de fabricação e comercialização pertencentes à lógica do mercado. Como mercadoria ele sofre interferências variadas em seu processo de fabricação e comercialização (...). Mas o livro didático é também um depositário de conteúdos escolares (...). É um instrumento pedagógico (...). E, finalmente, o livro didático é um importante veículo portador de um sistema de valores, de uma ideologia, de uma cultura. (BITTENCOURT, 2002, p. 71,72) 2

3 Sendo assim, na interpretação desse material e de todas as ferramentas pedagógicas inseridas no mesmo (das quais as imagens se fazem presentes), se faz necessário entender que ele é um produto de todos os aspectos citados acima, e que cada um deles influencia, direta ou indiretamente, na escolha do acervo de imagens contidas nesse instrumento de ensino. No âmbito dessa discussão damos maior ênfase para a questão do livro didático como um veiculo portador de um sistema de valores, pois acreditamos que esse ponto é o que mais influencia no desenvolvimento constitutivo desse tipo de material. Kazumi Munakata, ao tratar desse assunto no texto O livro didático e o professor: entre a ortodoxia e a apropriação que faz parte da obra Ensino de história. Sujeitos, saberes e práticas (2007), destaca o fato de que esse tipo de material precisa ser entendido como parte de um todo baseado na questão social. Segundo o autor: Constituindo-se em poderosos instrumentos culturais de primeira ordem, os livros didáticos, ao lado dos meios de comunicação de massa, constroem uma base para a criação de um consenso cultural mínimo que assegure a vertebração social, a integração da comunidade. Para examiná-los é preciso não apenas a elucidação de seus conteúdos, mas também dos procedimentos de sua produção, difusão, circulação, escolha e aquisição. (MUNAKATA, 2007, p. 128) Nesse caso, tanto Bittencourt quanto Munakata levam em consideração na análise dos livros didáticos, uma interpretação não apenas do conteúdo concernente ao material em si, mas do material como um todo, levando em conta inclusive aspectos do meio em que ele foi desenvolvido. Sendo assim, essa análise investigativa do material didático dá a possibilidade para que o docente/pesquisador obtenha maior conhecimento acerca dos motivos pelo qual determinado conteúdo imagético aparece ou deixa de aparecer nesses livros, possibilitando assim um manuseio mais eficaz dos mesmos. AS IMAGENS DOS LIVROS DIDÁTICOS COMO FERRAMENTAS DE ENSINO: MÉTODOS DE UTILIZAÇÃO 3

4 Tendo sido esclarecido no tópico anterior a necessidade de se entender os livros didáticos como produtos de uma época e, por isso, carregado de aspectos sociais, culturais e ideológicos provenientes dela, buscamos agora demonstrar como o conteúdo imagético desse material pode ser utilizado pelo professor em sala de aula. Para tanto, nos ateremos a duas metodologias: como analisar a ilustração no material didático, e como utilizar os livros didáticos e as suas imagens como documentos históricos a serem trabalhados em sala de aula. No primeiro ponto, a autora Circe Bittencourt vai dar as instruções sobre como trabalhar com a ilustração do livro didático em sala de aula. Segundo ela: (...) Para introduzir o aluno na leitura de imagens dos livros didáticos, é importante inicialmente buscar separar a ilustração do texto, isolando-a para iniciar uma observação impressionista, sem interferências iniciais da interpretação do professor ou das legendas escritas (...). Partindo dessa leitura inicial e interna da própria ilustração, torna-se possível especificar seu conteúdo: temas, personagens representados, espaço, postura, vestimentas, que indicam o retrato de uma determinada época (...). Na sequência passa-se para uma leitura externa, buscando voltar à atenção do aluno para outros referenciais, para o significado do documento como objeto (...). Na continuidade da leitura externa pode-se, então, realizar uma leitura do documento como sujeito, quando se articula a leitura da ilustração com a do livro didático como um todo (...). Em seguida torna-se importante referenciar o livro em seu contexto histórico. (BITTENCOURT, 2002, p. 87, 88) Com isso, podemos perceber que a análise da ilustração inserida no livro didático nunca está separada da interpretação do material em si, pois cada imagem contida no mesmo foi escolhida e inserida com base em determinantes decorrentes do contexto de produção desse instrumento. É ai que entra o segundo ponto, que para a autora Circe Bittencourt é o que possibilita que o aluno crie uma visão critica acerca das ilustrações presentes nos livros didáticos (2002). Nessa categoria metodológica torna-se necessária a utilização de diversos materiais didáticos com o intuito de mostrar para o aluno como determinado segmento social (Circe Bittencourt se utiliza do indígena) é retratado em períodos diferentes da produção desses manuais escolares. 4

5 Nessa análise, o livro didático seria utilizado não apenas como referencia em sala de aula, mas também como documento, passível de ser empregado no intuito de demonstrar as diferentes concepções sociais que cada um desses materiais aborda. Segundo Azevedo e Lima: Os livros didáticos, em suas transformações ao longo do tempo, podem denunciar características da sociedade da época em que foram produzidos, tendo, dessa maneira, a possibilidade de representar as expectativas e os anseios, bem como as mentalidades das sociedades escolarizadas. Assim, é preciso compreender que os manuais didáticos, como documentos, representam o conteúdo especifico de uma área de conhecimento relacionada a uma determinada perspectiva pedagógica, carregando em si a configuração didática de um período. (AZEVEDO; LIMA, 2011, p. 73) Sendo assim, tanto o livro didático em si, como o conteúdo imagético do qual ele dispõe, possuem sempre características sociais do contexto em que foram produzidos, possibilitando que o aluno e o professor possam utilizá-lo não somente como material de apoio, mas também como documento histórico. É importante salientar que, para que tal material seja utilizado dessa forma (enquanto documento historiográfico em sala de aula), cabe ao professor levantar questões acerca do mesmo junto aos alunos: Quem é o autor do livro? E o editor? As ilustrações foram selecionadas pelo autor ou pelo editor? Quando foi publicado? (BITTENCOURT, 2002, p. 88). Desse modo, tanto na análise direta das ilustrações dos livros didáticos, quanto na utilização destas e do material como documento da época em que foi produzido, se faz necessário um conhecimento e um questionamento constante sobre o manual em si. CONCLUSÃO Apresentamos como proposta analisar as imagens como ferramentas pedagógicas no ensino de história, e concluímos demonstrando a necessidade de que esses instrumentos sejam sempre utilizados, tendo em vista um conhecimento profundo não apenas do que retrata, mas também da época em 5

6 que foi produzido e os motivos pelos quais foi inserido no material didático utilizado. Mais do que mera ferramenta de demonstração de uma época, as imagens dispostas no decorrer de uma obra de cunho didático carregam consigo todo um aparato ideológico, que pode visar desde a disseminação de ideias de uma classe dominante, até a subordinação de setores da sociedade na qual estamos inseridos. Por isso, cabe ao professor que se utiliza dessa ferramenta não apenas a demonstração vazia do conteúdo imagético, mas também a apresentação de todo um aparato metodológico baseado no questionamento, com o intuito de levar os alunos a entenderem porque aquelas imagens estão ali, e não outras, e o que elas representam. Em suma, ao apresentar algumas diretrizes sobre como trabalhar com as imagens dos livros didáticos na disciplina de história, visamos também demonstrar aos professores dessa área que a utilização dessa ferramenta pedagógica pode enriquecer o conhecimento de seus alunos no contexto escolar. REFERÊNCIAS BITTENCOURT, Circe. O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Editora Contexto, MUNAKATA, Kazumi. O livro didático e o professor: entre a ortodoxia e a apropriação. IN: MONTEIRO, A. M.; GASPARELLO, A. M.; MAGALHÃES, M. S. Ensino de História. Sujeitos, saberes e práticas. Rio de Janeiro: Mauad X: FAPERJ, AZEVEDO, Crislane Barbosa; LIMA, Aline Cristina Silva. Leitura e compreensão do mundo na educação básica: o ensino de história e a utilização de diferentes linguagens em sala de aula. Revista Roteiro, Joaçaba, v. 36, n. 1, p , jan./jun,

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