Rio São Francisco. Os usos múltiplos das águas e sua importância para o Nordeste

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1 Rio São Francisco Os usos múltiplos das águas e sua importância para o Nordeste

2 DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA NO PLANETA Volume total km³ Água salgada 97% Água doce 3% (cerca de 40 milhões km³) A maior parte nas calotas polares e nas geleiras Apenas 0,3% ou 100 mil km³ abastecem 6,5 bilhões de pessoas no mundo.

3 ÁGUA NO BRASIL O país detém 12% da água que escorre superficialmente no mundo 72% destes recursos estão na bacia amazônica 19% no Centro-oeste 6% no Sul e no Sudeste O Nordeste brasileiro detém apenas 3%, 2/3 dos quais na bacia do São Francisco.

4 Circulação das massas de ar formadoras dos climas nordestinos

5 Irregularidade na caída das chuvas no Nordeste (Sousa PB) Duque, 1980 Ano de 1941 (seco) Chuva total do ano 674 mm Chuva total do mês de março 309 mm (45% do ano) Chuva total do dia 6 de março 125 mm (40% do mês) Ano de 1942 (seco) Chuva total do ano Chuva total do mês de abril Chuva total do dia 10 de abril Ano de 1958 (seco) Chuva total do ano Chuva total do mês de março Chuva total do dia 28 de março 468 mm 207 mm (44% do ano) 93 mm (44% do mês) 535 mm 275 mm (51% do ano) 127 mm (46% do mês)

6 Localização das bacias sedimentares e do escudo cristalino

7 Reservas subterrâneas do Nordeste Aqüífero Área (km²) Volume (km³) Cristalino Zonas fraturadas Bacia sedimentar Maranhão/Piauí Bacia sedimentar Potiguar/Recife Bacia sedimentar Alagoas/Sergipe Bacia sedimentar Jatobá/Tucano/Recôncavo

8 Abundante Disponibilidade de água dos estados nordestinos > m³/hab/ano Muito rico > m³/hab/ano Todos os estados da região norte Maranhão m³/hab/ano Rico > m³/hab/ano Situação limite > m³/hab/ano Pobre < m³/hab/ano Situação crítica < m³/hab/ano Piauí Bahia Ceará R. G. do Norte Alagoas Sergipe Paraíba Pernambuco m³/hab/ano m³/hab/ano m³/hab/ano m³/hab/ano m³/hab/ano m³/hab/ano m³/hab/ano m³/hab/ano

9 Zonas geo-econômicas econômicas do Nordeste

10 Estimativa do volume de chuva caída no Nordeste Do total da precipitação pluviométrica caída anualmente no Nordeste, estimado em 700 bilhões de m 3, cerca de 642 bilhões de m 3 são consumidos pelo fenômeno da evapotranspiração. Dos 58 bilhões de m 3 que escoam pelos rios anualmente, 36 bilhões de m 3 são drenados para o mar. Fonte: EMBRAPA (1981)

11 Potencialidades hídricas h nordestinas As descargas dos rios nordestinos representam uma infiltração de água nos seus aqüíferos da ordem de 58 bilhões de m³/ano. A extração de apenas 1/3 dessas reservas representaria potenciais suficientes para abastecer a população nordestina (estimada em cerca de 47 milhões de pessoas), com uma taxa de 200 litros/pessoa/dia e ainda irrigar 2 milhões de hectares com uma taxa de m³/ha/ano. Fonte: Rebouças, 2001

12 Situação hídrica h nos estados ESTADOS OFERTA POTENCIAL CONSUMO (m³/s) (m³/s) Ceará Rio G. do Norte Paraíba Fonte: João Abner (UFRN)

13 Alternativas de solução Fazer cumprir o que determina o inciso XIX do artigo 21 da Constituição de 1988, que estabelece a competência da União em instituir um Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e definir Critérios de Outorga de Direitos de seu uso Lei Federal n 9433 de 08/01/1997 que fixa os fundamentos da Política Nacional dos Recursos Hídricos Leis estaduais fundamentando a política de RH Necessidade de elaboração do Orçamento das Águas.

14 Gestão integrada das águas Uso das águas das grandes represas Uso das águas de subsolo Tratamento das águas salinizadas Construção de cisternas Reuso das águas servidas As questões do rio São Francisco

15 Projeto da Transposição

16 Bacia do São Francisco

17 Irrigação na bacia do rio Potencial irrigável cerca de 1 milhão de hectares Efetivamente irrigados cerca de 340 mil hectares e em constante processo de ampliação Projeto Irecê (BA) com 60 mil hectares Projeto Salitre (BA) com 30 mil hectares Projeto Pontal (PE) com 10 mil hectares

18 Volumes máximos m de engolimento das UHE s USINA POTÊNCIA (Mw) ENGOLIMENTO POR UNIDADE (m³/s) ENGOLIMENTO TOTAL (m³/s) Sobradinho x Itaparica x 457, ,58 Moxotó x Paulo Afonso I x Paulo Afonso II A x Paulo Afonso II B x Paulo Afonso III x Paulo Afonso IV x Xingó x

19 Volumes atuais do rio Vazão média m³/s Vazão regularizada na foz m³/s Vazão ecológica m³/s Volume alocável 550 m³/s Volume alocável determinado pelo CBHSF 360 m³/s Volume outorgado 335 m³/s Saldo para uso consuntivo 25 m³/s O projeto demandará uma vazão máxima de 127 m³/s

20 Regime hidrológico do rio A represa de Sobradinho recebe água do Alto São Francisco de novembro a abril Utiliza o volume acumulado, regularizando o rio, de maio a outubro Em 1997, Sobradinho alcança volume máximo Em abril de 1999, Sobradinho atinge 55% de sua capacidade útil, chegando a 16% em novembro importação de 800 MW de Tucuruí Em abril de 2001, Sobradinho atinge 32%, chegando a 5% em novembro importação de MW de Tucuruí e racionamento de energia Em dezembro de 2003, Sobradinho atinge 10% - importação de MW de Tucuruí e acionamento do parque de térmicas Em abril de 2004, Sobradinho volta a verter.

21 Geração elétrica no Nordeste Explorado praticamente todo o potencial gerador do rio São Francisco cerca de 10 mil MW Potência instalada gerou, em 2001, cerca de 37,1 milhões de MW/h, tendo sido necessária a importação de 8,6 milhões de MW/h, de Tucuruí (atendida demanda total de 45,7 milhões de MW/h) Caso ocorra crescimento do Nordeste a uma taxa de 4,5 e 6,0%, em 12 anos haverá necessidade de se dobrar a capacidade de oferta energética na região Onde será gerada essa energia?

22 O gerenciamento da água no Nordeste O recurso hídrico existe em cada estado nordestino, faltando apenas seu indispensável gerenciamento para a satisfação das necessidades do povo. É importante explorar o que está disponível, revitalizar a bacia do São Francisco, para então usufruir suas águas.

23 Sugestão final A natureza complexa do ambiente nordestino sinaliza para a necessidade de estudos integrados e abrangentes que visem ao melhor aproveitamento de sua água para promoção do desenvolvimento regional. É importante, em primeiro lugar, a execução de projetos hidráulicos estruturadores, partindo-se das bacias receptoras de jusante (estados receptores) para a bacia exportadora de montante (bacia do São Francisco), através do uso integrado do potencial hídrico existente em cada um dos estados da região, da otimização das disponibilidades de água e da confirmação de demandas, de modo a assegurar que a transposição do São Francisco constitua uma alternativa complementar e não implique no abandono ou mesmo na subutilização de fontes locais de água, garantindo intervenções capilares de ponta que propiciem a obtenção de efeitos benéficos nas bacias.

24 OBRIGADO JOÃO SUASSUNA Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco Página na internet Correio eletrônico

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