PROPOSTA DE AÇÃO INTEGRADA PARA UM PLANO DE MANEJO AMBIENTAL DA BACIA DO ITAJAí. Beate Frank

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1 XII.38 PROPOSTA DE AÇÃO INTEGRADA PARA UM PLANO DE MANEJO AMBIENTAL DA BACIA DO ITAJAí Beate Frank PROJETO CRISE UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU FURB RESUMO 1. HISTÓRICO O PROBLEMA DAS ENCHENTES E A AÇÃO INTEGRADA O problema das enchentes do Vale do Itajaí é entendido como par te da problemática ambiental da Bacia, cuja degradação ameaça fort~ mente a sustentação do desenvolvimento da região. Para resolver esta questão estáse propondo uma ação integrada da sociedade e do Es tado visando a elaboração e implantação de um Plano de Manejo Am~ biental para a Bacia, com enfoque interdisciplinar e interativo, ou seja, participativo e interinstitucional. A articulação das diversas instituições se dá de acordo com níveis de atuação claramente definidos (nível político, nível gerencial e nível operativo). As Universidades atuam como elementos aglutinadores da Ação Integrada. A Bacia do Rio Itajaí abrange uma área de km 2, inteiramente localizada no Estado de Santa Catarina, com uma população de cerca de 1 (um milhão) de habitantes. Esta área está distribuída por 43 municípios, sendo Blumenau o pólo geoeconômico da re~ião. As enchentes são o mais grave problema do Vale do Itaja~. Problemática histórica, ela é hoje bastante agravada pelas ambientais observadas na regi30, como o desmatamento, a agressões ocupação d~ sordenada das encostas, o crescente processo de erosão e o consequente assoreamento das calhas dos rios. Por outro lado agravase a falta de água para abastecimento e irrigação nas regiões mais altas da bacia durante períodos de estia gemo Ao problema da água associamse atualmente as questões da polui ção industrial e da exploração dos recursos naturais nãorenová~ veis. Para resolver o problema das enchentes uma série de propostas foram feitas, e particularmente após os eventos de 83 e 84, diversas instituições empreenderam esforços no sentido de estudar e mini mizar o problema. Entre elas encontrase a FURB com o seu Projeto Crise, criado para desenvolver mecanismos não estruturais de combate às cheias. Destacamse ainda a Universidade Federal de Santa Catarina, o Departamento de Águas e Energia Elétrica, o Departamento Nacional de Obras de Saneamento, a Coordenação Estadual de Defesa Civil, a Secretaria de Agricultura de Santa Catarina e a Prefeitura Municipal de Brusque. Apesar das iniciativas mencionadas o resultado global alcançado é limitado. Isto se dá principalmente devido ao enfoque essencialmente setorial com que as instituições tratam os problemas, chegando algumas vezes a gerar incompatibilidades flagrantes entre ações de diferentes órgãos.

2 XII.39 o problema enchente não pode ser tratado setorialmente, visto que ele é parte da complexa questão ambiental. Deprendese daí a necessidade de integração das ações das instituições públicas e pri vadas que visam o desenvolvimento regional, possibilitando a elevação dos benefícios dos investimentos a serem realizados. Surge assim a proposta da Ação Integrada para um Plano de Manejo Ambient~l da Bacia do Itajaí, cujo objetivo é aglutinar esforços e recursos para a elaboração e execução de um plano de manejo integrado dos ecossistemas e recursos naturais da Bacia. Os objetivos específicos da Ação Integrada, de agora em diante de~ominada simplesmente PROJETO ITAJAí, podem ser classificados em três itens. (1) Promover a integração dos diversos programas e recursos públicos e privados alocados ao desenvolvimento da região; (2) Desenvolver metodologias e tecnologias apropriadas à preservação, recuperação e manejo integrado dos recursos e ecossistemas naturais; (3) Desencadear um amplo processo de Educação Ambiental Permanente junto à população da Bacia. 2. DESENVOLVIMENTO Integrar as ações para alcançar os objetivos propostos pressupõe uma abordagem metodológica que se apóia na interdisciplinaridade e na interatividade. Estes são os requisitos básicos para o entendimento e tratamento da questão ambiental. O enfoque interdisciplinar responde pela necessidade de integr~ ção das diversas disciplinas científicas envolvidas no estudo. A interatividade norteia a construção e implantação das soluções integrando as ações públicas com os esforços e demandas dos segmentos organizados da sociedade civil. Dentro desta concepção o desenvolvimento do PROJETO ITAJAí se dá em 8 (oito) fases distintas: I a) Setorizado (veja figura 1) b) Importância dos Recursos Naturais c) Fatores de degradação dos Recursos Naturais d) políticas Vigentes 11 Priorização Subbacias Microbacias 111 Marco de Referência Institucional de Planificação IV Jurídico Inventários/Diagnósticos 1. FísicoConservacionista 2. Solos 3. Água 4. Vegetação 5. Fauna 6. Recursos NãoRenováveis 7. Ambiental SócioEconomia Instituições 10. Energia V Objetivos Superiores Principais Complementares Específicos (visam resolver os problemas diagno~ ticados na fase anterior)

3 r~~~ XII.40 VI VII Programas (visam atender os objetivos específicos) Estratégia Avaliação (Impacto Ambiental) Viabilidade VIII Resumo Os programas do PROJETO ITAJAf poderão ser enquadrados em três inicial grandes grupos que correspondem aos objetivos mencionados mente: (1) programas de gerenciamento institucional; (2) programas de desenvolvimento sócioambiental; e (3) programas de participação comunitária e educação ambiental. Os primeiro e terceiro grupo de programas são considerados estratégicos, pois através deles ocorre a viabilização do PROJETO. 3. ARTICULAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES Para viabilizar a ação integrada foi necessário criar uma articulação suprainstitucional, com atuação em níveis claramente definidos político, gerencial e operativo. A nível político, um convênio estabelece as obrigações e competências das instituições envolvidas (Secretarias de Estado, Universidades e Prefeituras). A nível gerencial existe o Comitê de Coordenação do PROJETO, c~mposto.por um representante (técnico) de cada uma das çoes.. institui A nível operativo existem os grupos de trabalho, formados por profissionais das diversas instituições, e responsáveis pela operacionalização das atividades inerentes ao PROJETO. (Veja figura 2). Através do estímulo à criação de comitês conservacionistas, a comunidade tem participação direta no Comitê de Coordenação e nos grupos de trabalho, e desta forma na própria execução do PROJETO. Uma característica fundamental na constituição dos grupos de trabalho é que delas só participam técnicos e profissionais que vivem e atuam na Bacia. Fomentase, desta forma, a nitária e por conseguinte, o sucesso do PROJETO. participação comu 4. CONCLUSÃO A metodologia de planificação que serve como subsídio a este trabalho é a do CIDIAT Venezuela. Acreditase que com relação ao estudo e tratamento da questão ambiental no Brasil pouco se tem alcançado, exatamente pela falta de integração das instituições e da visão muitas vezes parcial dos problemas. Isto é, temse tentado resolver os problemas ambientais através de planos setoriais. Neste sentido, a proposta catarinense é inovadora, porquanto busca um pl~ nejamento global, sintetizando as informações das diversas áreas do conhecimento em resultados simples e práticos. AGRADECIMENTOS Em nome da equipe do PROJETO ITAJAf, agradeço as contribuições do Prof. Pedro Hidalgo, fundamentais para a elaboração e realização do PROJETO. Agradeço também aos Sindicatos Patronais de Blumenau e Associação Comercial e Industrial de Blumenau, que através de supoe te financeiro viabilizaram a elaboração do PROJETO.

4 XII.41 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. FRANK, B. Projeto Crise. In: Seminário Internacional Estratégias e açoes frente a desastres naturais, 2936, Nov HIDALGO RAMIREZ, P.A. cias Hidrográficas. Curso sobre Planificação e manejo de Ba Nérida, CIDIAT, abril de SUB' BACIA DO RIO HERC{UO.J~~ \ \ \ 1 ' I \. I,, o. "... ~.., ~ " :'1,. SUB'BACIA IX) RIO '\ ITAJAi IX) O 5rE.) li.j _.....(... "1'" 11 RIO ITAJA" DO SUL RIO ltajaf 00 Of:STE 111 RIO ITAJA( 00 NORTE OJ HERCluo IV RIO BENEDITO V MrOIO RIO ITA""'''' ACú VI BAIXo RIO ITA.JAf ~ ACÚ VII RIO IrAJA( MIRIM PLANO ('Ir "'~!.JO M8EHTAl ~ 04 8ACJA 00,TA.JAi MAPA N' S SE TORI1AcJo SUBBACIAS "N(VCl Figura 1 Setorização da Bacia do Itajaí

5 ... XII.42 ARTICULACÃO DO PLANO c O M U N I D A D E COM I T I:: DE COORDEN AC~O DO PLANO SECRETARIA EXECUTIVA ASSESSORIA DE COOP. INTERNA'::IONAL ASSESSORIA DE ~;OOP. NA':;IONAL GRUPOS DE TRABALHO GRUPO I _ JURíDICO INSTlTUCIC' NAL E DE GERENCIAMENTO GRUPO 2 _ FíSICOAMBIENTAL GRUPO 3 _ SÓCIO ECONÔMICO GRUPO 4 _ CAPACITAÇÃO I PESQUISA E COMUNICAÇÃO Figura 2 Articulação do PROJETO ITAJAf

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