Curso de Gestão de Águas Pluviais

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1 Curso de Gestão de Águas Pluviais Capítulo 4 Prof. Carlos E. M. Tucci Prof. Dr. Carlos E. M. Tucci Ministério das Cidades 1

2 Capítulo 4 Gestão Integrada Conceito Marcos Mundiais, Tendência e Estágio Institucional do Brasil; Principais aspectos dos recursos hídricos. Águas Urbanas: Urbanização, abastecimento, esgoto sanitário, drenagem urbana, erosão e resíduo sólido. Gestão da Urbana e da bacia hidrográfica. 2

3 Conceito A gestão integrada, entendida como interdisciplinar e intersetorial dos componentes das águas urbanas, é uma condição necessária para que o resultados atendam as condições do desenvolvimento sustentável urbano. 3

4 Marcos Mundiais Período Tendência Mundial Cenário Brasileiro Crescimento industrial e populacional Pequenos empreendimentos e inventários Início da visão ambiental Início da construção de grandes hidrelétricas, melhoria do atendimento ao abastecimento Controle ambiental: legislação; controle de efluentes urbanos e mudança na drenagem e controle de inundações Interações do ambiente Global: impactos globais, conservação de florestas, prevenção de desastres, etc Desenvolvimento sustentável: controle ambiental de grandes metrópoles, controle de emissões, controle de fontes difusas Crise da água(?) : Visão Mundial da água, uso integrado dos recursos hídricos, conflitos transfronteriços etc. Ênfase nas obras hidrelétricas e ampliação do atendimento ao abastecimento, deterioração da qualidade da água dos rios das grandes cidades Redução do investimento interno em hidrelétricas, grandes impactos das secas no Nordeste, enchentes na região Sul/Sudeste e piora das condições das cidades Legislação de recursos hídricos, investimentos internacionais em metrópoles brasileiras e programas de conservação; início do processo de privatização Desenvolvimento institucional, privatização dos serviços, diversificação da matriz energética, Planos de Drenagem e integrados das cidades. 4

5 Tendências Metas Internacionais: Metas do Milênio das Nações Unidas- redução da pobreza, cobertura de água e saneamento Ações para atingir as Metas - Plano de Recursos Hídricos: Construção institucional e o desenvolvimento de ações dos Planos Nacionais. 5

6 As Fases da Gestão no Brasil Fase Setorial ( ) Instituição de Marco Integrador ( ) Descentralização e regulamentação setorial e instrumentos (2001 -?) Sustentabilidade institucional econômica (2001???) e Características Desenvolvimento setorial dos recursos hídricos Lei Nacional de Recursos Hídricos em 1997, Instituição do Conselho Nacional de Recursos Hídricos e da Agência Nacional de Recursos Hídricos. Desenvolvimento institucional dos Estados, Criação do comitê de bacias, federais e estaduais, e regulamentação de setores relacionados com recursos hídricos; Planos Sustentabilidade econômica e desenvolvimento de medidas sustentáveis com resultados medidos por metas quantitativas perceptiva para a sociedade. Ações código de águas Lei das Águas em 1997; Instituição do CNRH e ANA e integração ao sistema existente Foram criados os comitês de algumas bacias nacionais e muitas estaduais e os marcos regulatórios setoriais estão em desenvolvimento; Plano Nacional, de alguns Estados e de Bacia. Quanto houver recursos arrecadados para a gestão e a efetiva implementação dos instrumentos com metas definidas. 6

7 Desenvolvimento Institucional Política Nacional de Recursos Hídricos é definida a Lei n de 8 de janeiro de 1997; Estabelece os instrumentos: os Planos, enquadramento dos rios em classes, outorga dos direitos de uso dos recursos hídricos, sistema de informações e a cobrança pelo uso da água. Os Planos as estratégias quanto ao controle do uso e gestão dos impactos para a Nação, Estado e Bacia; Enquadramento: compatibiliza os usos e conservação ambiental Outorga: é o mecanismo de controle da gestão e a cobrança é o mecanismo econômico de gestão 7

8 Domínio Domínio dos sistemas hídricos: a constituição define que um rio é federal quando escoa entre mais do que um Estado ou como fronteira, no entanto a gestão prevista pela Lei é realizada pela bacia. Bacia Estadual e Federal Domínio Ambiental: Estadual quando a área de influência abrange apenas um Estado e em caso contrário é federal. Cenários: (a) Um rio que escoa todo ele por um mesmo Estado (até a seção de interesse) e tem bacia hidrográfica em mais de um Estado; (b) um rio que escoa e tem sua bacia totalmente num mesmo Estado, mas é afluente de rio federal 8

9 Instrumentos Outorga dos recursos hídricos: direito de uso, para usos e impactos Planos dos Recursos Hídricos: Plano Nacional, Estadual e de Bacia Enquadramento dos rios: definição das metas de qualidade da água para os rios 9

10 Integração a gestão ambiental e da bacia A gestão da água através da bacia hidrográfica é realizada a nível federal ou Estadual; A legislação ambiental estabelece a área de influência como a base da jurisdição; A legislação de recursos hídricos prevê a outorga dos efluentes de áreas urbanas, quando produzem alteração de quantidade e qualidade; Controle do impacto das ações na cidade na saída de seus efluentes ou escoamento pluvial urbana para a bacia. 10

11 Gestão da bacia e da cidade Espaço Domínio Gestores Instrumento Característica Bacia Hidrográfica Estado ou Governo Federal Comitê e Agências Plano de bacia Gestão da quantidade e qualidade da água no sistema de rios que formam a bacia hidrográfica, evitando a transferência de impactos Município 2 Município ou Região Metropolita na Município Plano Diretor urbano e Plano integrado de Esgotamento, Drenagem Urbana e Resíduo Sólido Minimizar os impactos de quantidade e qualidade dentro da cidade, nas pequenas bacias urbanas e não transferir impactos para o sistema de rios. 11

12 Escalas da Gestão das bacias hidrográficas Bacias de médio e grande porte e o espaço de desenvolvimento urbano; A gestão da bacia dos recursos hídricos intermunicipal é Estadual ou Federal As águas urbanas são condições de contorno internas A gestão das águas urbanas é municipal ou inter-municipal Gestão Estadual ou Federal A Gestão das Águas urbanas é uma condição de contorno interna Gestão municipal ou intermunicipal 12

13 Os espaços Externo a cidade: controle da bacia, estado ou governo federal Interno a cidade: gestão do município Integração entre as legislações ambientais, uso do solo e de recursos hídricos nos dois espaços 13

14 Integração a gestão ambiental e da bacia Na bacia Estadual ou Federal A gestão da água através da bacia hidrográfica é realizada a nível federal ou Estadual; Plano da Bacia hidrográfica : considerando as demandas e a poluição do conjunto da bacia e das cidades Na cidade: A legislação de recursos hídricos prevê a outorga dos efluentes de áreas urbanas que pode condicionar ao Plano de Saneamento ambiental das cidades Plano Integrado de Saneamento Ambiental da cidade: Água, esgoto sanitário, drenagem e resíduo sólido ou Planos setoriais como o Plano de Drenagem Urbana integrado aos demais Planos da cidade e subordinados ao Plano Diretor Urbao 14

15 Experiências USA: controle das cidades > 100 mil através das BMPs França gestão através dos comitês de bacias 15

16 Medidas não-estruturais para os municípios Comitê da bacia Agência: Câmara Técnica Bacia de RM Legislação do Uso do solo, drenagem, resíduos e meio ambiente a nível municipal Participação Pública Capacitação de técnicos, população e decisores Plano de macrodrenagem das sub-bacias Plano de Resíduos Sólidos Plano de Abastecimento e Saneamento básico Plano de controle dos impactos Ambiental: erosão, recuperação, etc Medidas Estruturais Fundo Estadual de Recursos Hídricos Fundo Estadual de Saneamento Ambiental 16

17 Mecanismos Legal: (a) outorga pela alteração da quantidade e qualidade para controle externo (b) Condicionante para a outorga a preparação e implementação do Plano pelo município (c) metas: enquadramento dos rios. Econômico: Fundo de investimento com bônus para que se antecipar Estratégia: cidades maiores, de acordo com a estrutura do país. 17

18 Situação A carga de esgoto não tratada diariamente é de 7 a 11 mil toneladas de DBO. Falta de tratamento de 81,8% da carga lançada. Para atingir as metas do milênio seriam necessários reduzir para 40,9%. PMSS estimou em R$ 178 bilhões (em 2004) para tratamento de esgoto e Tucci (2005) R$ 21 Bilhões para Águas Pluviais. Representam 0,6 e 0,2% do PIB anual = 0,8% do PIB anual. Investimentos foi de 1%, aumentando os deficits Exemplo de Milão 18

19 Qual o resultado para a sociedade e o ambiente? Exemplo do rio dos Sinos (um dos comitê de bacia mais antigo) no último verão; não existe integração no planejamento entre os gestores a nível Federal e Estado com as cidades O Plano de Recursos foi concebido dentro uma visão de diagnóstico, sem um planejamento com metas quantitativas. Falta uma estratégia nacional com metas quantitativas definidas para melhora dos rios com metas de enquadramento 19

20 Serviços de Água e Saneamento Serviços: 80 % de água e 77% de esgotos por empresas estaduais; 10% com empresas privadas Dificuldades: limitada eficiência; falta de capacidade de endividamento dos municípios e empresas estaduais; falta de metas e indicadores de fiscalização do setor Ações: Planos de Saneamento Ambiental com metas bem definidas e instrumentos (Plano de Ações) com indicadores de eficiência. 20

21 Drenagem e Resíduos Sólidos Gestão das cidades da drenagem e resíduos sólidos Serviços sujeitos a taxa de serviço com grande dificuldade de cobrança; gestão insustentável na drenagem, gerando um grande passivo legal pela transferência de impactos; Resíduos sólidos deve ser visto como uma riqueza e geração de receita, mas necessita de gestão eficiente. 21

22 O que está errado e o que pode ser feito? O desenvolvimento urbano não pode ocorrer sem a busca da sustentabilidade do espaço após a ocupação da população. Para isto devem ser definidas regras de uso e ocupação que preservem condicionantes da natureza e o sistema possa receber o transporte, abastecimento de água, esgotamento sanitário, tratamento, drenagem urbana e coleta, processamento e reciclagem dos resíduos; 22

23 Desenvolvimento Sustentável da cidade 1. Promover a conservação da biodiversidade e os habitats naturais; 2. Uso de transporte público eficientes e de baixa emissão de gases e redução uso de combustíveis fósseis em todos os veículos; 3. Estratégias para aumento do uso do transporte público; 4. Uso racional da energia, minimizando a demanda; 5. Uso de materiais ecologicamente adequados nas construções: madeiras de florestas certificadas, produtos de baixo uso de energia e de demolição; 6. Uso racional da água e tratamento de esgoto doméstico e industrial, priorizando a conservação e o reuso. 7. Redução dos sólidos finais pelo aumento da reciclagem, alterações de embalagens e reuso; 23

24 Desenvolvimento Sustentável da cidade 8. Implantação da infra-estrutura e de novas construções preservando os ravinamentos e Infiltração, conservar o solo para evitar a erosão, redução da poluição difusa rural e urbana e manutenção da vazão e velocidade das condições naturais; 9. Desenvolver zoneamento preventivo sobre áreas de risco urbano como as de inundação e escorregamento de encostas; 10. Promoção de regulação de regulação e incentivos econômicos como certificação ambiental para implementação dos princípios de sustentabilidade urbana; 11. Promover a capacitação de profissionais, população e decisores sobre as bases e desenvolvimento da sustentabilidade urbana; 12. Promover o aumento do conhecimento sobre os processos ambientais urbanos para a melhor gestão deste sistema. 24

25 Planejamento integrado Planejamento e Gestão do uso do solo: Trata da definição através do Plano Diretor Urbano como a cidade está prevista para ser ocupada e suas correções com relação ao cenário do passado e do presente. Infra-estrutura viária, água, energia, comunicação e transporte: planejamento e gestão destes componentes da infraestrutura que podem ser de atribuição de implantação pública ou privada, mas devem estar regulados pelo município Gestão e controle ambiental : A gestão do meio ambiente urbano é realizada por entidades municipais, estaduais ou federais de acordo com a estrutura institucional. 25

26 Plano Integrado de Saneamento Ambiental Controlar os impactos existentes através do cenário de ações corretivas estruturais que tratam da gestão por sub-bacias urbanas; Medidas não-estruturais que levem aos novos empreendimentos a utilizarem projetos com menor impacto e mais sustentável. 26

27 Planos Urbano Transporte Saúde Plano de Saneamento Ambiental Água Esgoto Drenagem Resíduos Legislação Recursos Hídricos Meio Ambiente Florestal Gestão Federal Estadual Municipal 27

28 Estratégias A. controlar os impactos existentes através do cenário de ações corretivas estruturais que tratam da gestão por sub-bacias urbanas; B. Medidas não-estruturais que levem aos novos desenvolvimentos a utilizarem um desenvolvimento com menor impacto e sustentável. 28

29 Dificuldades institucionais Empresas estaduais de saneamento: abastecimento de água, esgotamento sanitário. Gestão do uso do solo, drenagem urbana e resíduo sólido municipais. Gestão desintegrada para um sistema que necessita de legislação, Planos e Gestão Integrada 29

30 Gestão das águas urbanas Necessidade de gestão integrada Visão interdisciplinar Os principais componentes da água no meio urbano; A gerenciamento integrado das águas urbanas envolve o estabelecimento de interfaces de planejamento e gestão 30

31 Interface entre os Planos A interface entre os diferentes componentes externos ao Plano de Águas Pluviais é essencial; O ideal é um Plano único com cada um dos componentes Para cidades maiores provavelmente são necessários planos independentes, mas com o componente de interface; Nas cidades menores poderá ser elaborado um único plano 31

32 Plano Diretor de Águas Pluviais Gestão dentro da cidade das águas pluviais Gerenciamento do município Interfaces com os demais planos ou integrado Sub-bacias urbanas 32

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