Produção e eficiência de uso da radiação fotossinteticamente ativa pelo morangueiro em diferentes ambientes de cultivo.

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1 Produção e eficiência de uso da radiação fotossinteticamente ativa pelo morangueiro em diferentes ambientes de cultivo. Jaime Duarte Filho 1 ; Silvana C. S. Bueno 2 1 Fazenda Experimental de Caldas EPAMIG, C. Postal 33, Caldas-MG. CATI-DSMM-NPM, c. Postal 22, , São Bento do Sapucaí-SP. RESUMO Com o objetivo de avaliar a eficiência fotossintética e os parâmetros produtivos das cultivares de morangueiro (Fragaria x ananassa Duch.), em resposta aos diferentes ambientes de cultivo (Estufa, Sem proteção e Túnel baixo) foi desenvolvido experimento bifatorial com parcelas subdivididas com cinco repetições. Os tratamentos nas parcelas foram as cultivares de morangueiro: Campinas(T1) e Seascape(T2), e nas subparcelas os ambientes: estufa, sem proteção e túnel baixo. Avaliou-se a eficiência fotossintética das cultivares em resposta aos diferentes ambientes de cultivo, a quantidade de radiação fotossinteticamente ativa nos diferentes ambientes; o número de frutos totais/planta, o número de frutos comerciais/planta (com peso acima de 6g) e a produção comercial, em gramas/planta. Os resultados mostraram que não houve interação significativa entre os fatores ambientes de cultivo e cultivares na fotossíntese líquida, e, que a Seascape, material indiferente ao fotoperíodo, sob estufa, foi a melhor combinação. Palavras-chave: Fragaria x ananassa Duch, cultivo protegido, fotossíntese, entressafra ABSTRACT Production and efficiency of the photosynthetic active radiation by strawberry in different cultivation conditions. With the objective of evaluating the photosynthetic efficiency and production parameters of the strawberries cultivate (Fragaria x ananassa Duch.) in response to the different cultivation conditions (Greenhouse, Without protection and low Tunnel) it was carried out an experiment in a randomized block with five replications in spliplot. The treatments were strawberries cultivate (Campinas(T1) and Seascape(T2)) on different cultivations system (plastic-covered greenhouse, without protection and low tunnel). The photosynthetic efficiency of cultivate was in response to: different atmosphere conditions, the amount of photosynthetic active radiation in the different atmospheres; the total number of fruits by plant, the number of commercial fruits by plant (6g of minimal weigh) and the commercial production (g/plant). The results showed it was not relationship to cultivate and cultivation conditions for photosynthetic efficiency. The Seascape cultivation under greenhouse shows better production.

2 Keywords: Fragaria x ananassa, protected cultivation, photosynthesis, out of season INTRODUÇÃO A busca por tecnologia que proporcione a extensão do período de colheita tem-se constituído numa das principais metas de pesquisa com a cultura do morangueiro. Isso proporcionará ao produtor uma rentabilidade ainda maior, haja vista que durante esse período (verão-outono) os preços praticados são superiores, e, proporcionará a extensão da demanda de mão-de-obra para durante todo o ano. Entre as opções têm-se o uso do cultivo protegido, como as estufas climatizadas ou não e os túneis baixo, o qual permite a criação de ambientes favoráveis ao cultivo durante todo o ano, principalmente durante a entressafra, e a partir do uso de material genético indiferente ao fotoperíodo ou com baixa exigência em número de horas de frio época em que a atividade agrícola é melhor remunerada. Entretanto, para que esses objetivos sejam alcançados é imprescindível a compreensão de todos os fatores, e de suas interrelações, já que no interior destes ambientes protegidos diversos parâmetros climáticos são alterados, como a radiação, luz, concentração de CO 2, umidade e a temperatura do ar e do solo. O objetivo deste trabalho foi caracterizar os diferentes ambientes de cultivo e a influência destes nos parâmetros produtivos das cultivares Campinas e Seascape cultivados na entressafra. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi realizado em Caldas ( S; W; Alt m), na Fazenda Experimental de Caldas EPAMIG. O delineamento experimental foi de blocos casualizados, em parcelas subdivididas, com cinco repetições. Os ambientes de cultivo (estufa, céu aberto e túnel baixo), nas parcelas, enquanto que as cultivares nas subparcelas. Estas foram constituídas de 21 plantas, dispostas em três linhas, num espaçamento de 40X30cm, perfazendo uma área de 2,52m 2. Os ambientes de cultivo avaliados foram: A) Estufa (modelo arco) cobertas com filme de polietileno transparente, aditivado, com espessura de 100 micra, e fechadas na lateral com tela do tipo monofilamento 50% de sombra; B) Sem proteção; C) Túnel baixo coberto com filme de polietileno leitoso, com espessura de 100 micra (2,20 X 200 X 0,75 metros). Já as cultivares avaliadas foram: Campinas, cultivar de dia curto de baixa exigência em frio, e, a cultivar Seascape que é um material de dia neutro, ou seja, indiferente ao fotoperíodo.

3 O plantio foi realizado em 18/09/2002, com o início das avaliações em dezembro, em função dos problemas ocorrido na lavoura (morte de várias plantas), o que nos fez optar por eliminar a florada de outubro e novembro a fim de permitir um melhor desenvolvimento das mudas recém transplantadas. - Produção: A cada colheita, em número de três por semana, selecionaram-se os frutos em: comerciais (peso> 6g), não comerciais (peso< 6g) e danificado/parcela, os quais foram contados e pesados. A partir destes dados foram calculados os seguintes parâmetros: Número de frutos totais (comerciais + não comerciais + danificados) por planta (NFT); Número de frutos comerciais por planta (NFC) e a produção comercial por planta, em gramas (PFC). Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias foram comparadas pelo teste Tukey (5%). - Respostas fisiológicas das cultivares Campinas e Seascape aos diferentes ambientes de cultivo: A eficiência fotossintética das cultivares em resposta aos diferentes ambientes de cultivo, foram mensuradas através de um analisador de CO 2 (modelo 301PS) a infra-vermelho. Em conjunto com essas medições o aparelho também amostra à quantidade de radiação fotossinteticamente ativa (RFA) interceptada pelas plantas nos diferentes ambientes. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste Tukey (5%). RESULTADOS E DISCUSSÃO Não foi observada interação significativa entre os fatores ambientes de cultivo e cultivares na fotossíntese líquida e no total de radiação fotossinteticamente ativa interceptada ou absorvida. A RFA interceptada não variou entre as cultivares, nem entre os ambientes avaliados, com um valor médio de 1096,70 μmol.m -2 s -1 Já a eficiência fotossintética foi superior nos ambientes sem proteção e sob túnel baixo, com uma taxa de assimilação de CO 2 de 7,57 e 6,64 μmol.m -2 s -1, respectivamente, quando comparados à estufa que em função da presença da tela do tipo monofilamento 50% de sombra, colocada na lateral da estrutura que reduziu, ainda mais, a entrada da radiação (Tabela 1). Campbell & Young (1986), citados por Larson (1994), relatam que o ponto de saturação em plantas de morangueiro da cultivar Quinault ocorreu numa DFFFA entre 600 e 800 μmol.m -2 s -1, que foi similar ao verificado em plantas de Elsanta, que ocorreu por volta de 700 μmol.m -2 s -1, sob condições de estufa. Se considerarmos esses valores como limite para o trabalho fotossintético, poderíamos concluir, a partir dos valores observados no presente ensaio, que as plantas das duas cultivares avaliadas estariam sob condições de saturação de radiação, sem

4 nenhum ganho fotossintético. Entretanto, esses limites são variáveis e dependentes, segundo Larcher (2000), da época, da cultivar e da idade da folha. Nas condições do presente ensaio, e em função dos inúmeros problemas ocorridos (nutricionais e fitosssanitário) e, a partir dos resultados obtidos (Tabela 2), pode-se constatar que materiais indiferentes ao fotoperíodo, como a Seascape, apresentam um desempenho mais favorável, quando a mesma foi superior a cultivar Campinas em todos os parâmetros avaliados. Este comportamento se deve, também, à maior tolerância desse material, quando comparada à Campinas, aos problemas ocorridos durante o ensaio. Já entre os ambientes, de um modo geral e para as plantas de Seascape, a estufa proporcionou melhores condições, apesar da baixa radiação incidente e do forte ataque de ácaros, mais severo nesse tipo de ambiente, em função da proteção guarda-chuva, que reduziu os problemas com fungos do solo. A partir dos resultados observados podemos concluir que para o plantio fora de época, os materiais indiferentes ao fotoperíodo sob estufa mostra-se promissor. Entretanto, estudos relacionados a nutrição/adubação de forma a atender as demandas desses materiais durante esse período e testes com outros materiais com baixa exigência em frio e mais tolerantes à fungos do solo, se faz necessário. LITERATURA CITADA LARCHER, W. Ecofisiologia vegetal. São Carlos: RiMa, p. LARSON, K.D. Strawberry. In: SCHAFFER, B.; ANDERSEN, P.C. (Ed.). Handbook of environmental physiology of fruit crops: Temperate crops (vol.01). Flórida: CRC PRESS, p RADIN, B.; BERGAMASCHI, H.; REISSER JUNIOR, C.; BARNI, N.A.; MATZENAUER, R.; DIDONÉ, I.A. Eficiência de uso da radiação fotossinteticamente ativa pela cultura do tomateiro em diferentes ambientes. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.38, n.9, p , 2003 TABELA 1 Assimilação de CO 2, em μmol m -2 s -1, pelas cultivares de morangueiro no interior dos diferentes ambientes de cultivo. Caldas, Ambiente Fotossíntese Estufa 5,94 b Túnel baixo 6,64 ab Sem proteção 7,57 a Médias seguidas pelas mesma letra não diferem entre si, pelo teste de Tukey no nível de 5%. TABELA 1 Médias de número de frutos totais (NFT), número de frutos comerciais (NFC) e produção comercial, por planta, das cultivares nos diferentes ambientes de cultivo. Caldas, 2002/2003 Número de Frutos Totais/planta mpinas 1,91Ab 0,80Aa 1,13Ab 1,28b

5 ascape 9,13Aa 0,92Ca 6,17Ba 5,41a édia 5,52A 0,86C 3,65B V. (%) Ambiente 33,61 V. (%) cultivar Número de Frutos Comerciais/planta mpinas 0,60Ab 0,19Aa 0,56Ab 0,45b ascape 3,26Aa 0,15Ca 1,60Ba 1,67a édia 1,93A 0,17C 1,08B V. (%) Ambiente 23,11 V. (%) cultivar 36,24 Produção comercial/planta mpinas 7,07Ab 1,56Aa 4,72Ab 4,45b ascape 30,59Aa 1,68Ca 14,31Ba 15,53a édia 18,83A 1,62C 9,51B V. (%) Ambiente 29,91 V. (%) cultivar 41,40 Médias seguidas pelas letras maiúsculas nas linhas e pelas letras minúsculas nas colunas, não diferem entre si, pelo teste de Tukey no nível de 5%. AGRADECIMENTOS O presente trabalho foi realizado graças ao apoio do CNPq, processo /

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