ENSAIO COMPARATIVO AVANÇADO DE ARROZ DE VÁRZEAS EM MINAS GERAIS: ANO AGRÍCOLA 2004/2005

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1 37 ENSAIO COMPARATIVO AVANÇADO DE ARROZ DE VÁRZEAS EM MINAS GERAIS: ANO AGRÍCOLA 2004/2005 Edilene Valente Alves (1), Joyce Cristina Costa (1), David Carlos Ferreira Baffa (2), Plínio César Soares (3), Vanda Maria Oliveira Cornélio (4), Antônio Alves Soares (5), Moizés de Sousa Reis (4), Veridiano dos Anjos Cutrim (6) (1) Bolsista PIBIC FAPEMIG/EPAMIG, (2) Bolsista BIC CNPq/EPAMIG, (3) Pesquisador EPAMIG-Viçosa, (4) Pesquisadores EPAMIG-Lavras, (5) Professor UFLA-Lavras, (6) Pesquisador Embrapa Arroz e Feijão, Introdução A fim de tornar a orizicultura irrigada uma atividade mais atrativa, a EPAMIG desenvolve, em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão, pesquisas de melhoramento genético de arroz de várzeas, visando obter cultivares superiores às já recomendadas, em produtividade e em aceitação comercial. No Programa de Melhoramento Genético de Arroz, conduzido em Minas Gerais pela EPAMIG, os Ensaios Comparativos Avançados (ECAs) têm por finalidade avaliar as cultivares e linhagens que se destacaram nos Ensaios Comparativos Preliminares (ECPs), visando à recomendação de novas cultivares. Material e Métodos O experimento ECA constituiu-se de 25 entradas em 2004/2005, incluindo cinco testemunhas: IRGA 409, Jequitibá, Rio Grande, Ourominas e Seleta. O ensaio foi conduzido em solos de várzeas da Fazenda Experimental de Leopoldina (FELP) da EPAMIG, com irrigação por inundação contínua. O delineamento experimental empregado foi o de blocos ao acaso, com três repetições. As parcelas

2 38 foram constituídas de seis fileiras de plantas de 5 m de comprimento, espaçadas de 0,3 m. Como área útil da parcela, consideraram-se os 4 m centrais das quatro fileiras internas. As características avaliadas, segundo EMBRAPA (1977), foram: altura de planta, perfilhamento, ciclo (floração), severidade de doenças, peso de 100 grãos, rendimento de grãos no beneficiamento, dimensões de grãos e produção de grãos. Resultados e Discussão As médias das características avaliadas constam nas Tabelas 1 e 2. Avaliações mais detalhadas encontram-se em EPAMIG (2005). Onze genótipos produziram mais que a média geral do ensaio (6.136 kg/ha), com produtividade oscilando entre e kg/ha, entre eles as duas cultivares testemunhas mais produtivas, Rio Grande e Seleta. A testemunha menos produtiva foi IRGA 409 (5.327 kg/ha), seguida de Jequitibá e Ourominas que renderam e kg/ha, respectivamente. Destacaram-se em produtividade as seguintes linhagens, cujas médias foram superiores a 6,8 t/ha de grãos: CNAi 9097, BRA 02706, CNA 8575, BRA 02697, CNAi 9088, e BRA Quanto ao ciclo houve diferença de 20 dias entre os materiais mais precoces (BRA e CNAi 8883) e os mais tardios (BRA 02718, CNAi 9088, CNAi 9091 e CNAi 9097). A média geral do ensaio foi de 106 dias. Foi observado ótimo desenvolvimento vegetativo das plantas, com médias de altura variando de 97 a 113 cm, índices adequados para o arroz irrigado em várzeas. Todos os genótipos tiveram excelente comportamento quanto ao perfilhamento, com notas 1 e 3. Com relação ao ataque de doenças, os genótipos, de modo geral, receberam notas mais altas na avaliação da severidade de escaldadura-foliar. Os ataques menos severos foram de brusone na panícula (nota média de 2,2). As demais doenças (manchaparda e mancha-de-grãos) apresentaram valores intermediários de severidade, com médias de 3,1 e 3,8, respectivamente (Tabela 1). Dezesseis materiais apresentaram médias de peso de 100 grãos superiores à média geral do ensaio, que foi de 2,69 g. Os destaques foram as linhagens BRA 01330, BRA 02691, BRA e a cultivar testemunha Jequitibá, cujas médias variaram de 3,01 a 3,62 g. O bom enchimento de grãos da maioria dos genótipos

3 39 refletiu nas elevadas médias de produtividades alcançadas. A maioria dos cultivares apresentou ótimos índices de rendimento de engenho e de grãos inteiros, com médias de 65,16% e 56,18%, respectivamente (Tabela 2). Os comprimentos de grãos variaram de 6,82 a 8,53 mm, evidenciando grande variabilidade para esse fator. A média geral do ensaio foi de 7,32 mm para comprimento de grãos, de 2,16 mm para largura e de 1,83 mm para espessura. Com a relação comprimento/largura oscilando de 2,94 a 3,97, associada ao comprimento de grãos extensos, a totalidade das linhagens enquadra na categoria de grãos longo-finos, os preferidos pelos consumidores. Conclusões Com base na produtividade e em outros caracteres de interesse, 16 linhagens permanecerão no ensaio do próximo ano agrícola. Quatro linhagens menos promissoras foram descartadas deste ensaio, dando lugar a outras que foram selecionadas no ensaio ECP de 2004/2005. Descartaram-se as seguintes linhagens: CNAi 8868, CNAi 8859, BRA e BRA Referências EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e Feijão. Manual de métodos de pesquisa em arroz: 1 a aproximação. Goiânia, p. EPAMIG. Melhoramento genético de arroz irrigado em Minas Gerais. Belo Horizonte, p. Relatório de pesquisa apresentado à FAPEMIG.

4 40 Tabela 1 - Médias obtidas de características avaliadas no ensaio ECA de Leopoldina-MG /2005 (2) Doença Genótipo Produção (kg/ha) Floração (dias) Altura (cm) (1) Perfilhamento BP MG ESC MP BRA a 107 c 105 c 1 2,33 3,66 3,66 3 CNAi a 116 a 102 d 3 2,33 4,33 3,66 1,66 BRA a 103 d 105 c 1 2,33 4,33 3 2,33 CNA a 111 b 100 e 1 1,66 4,33 4,33 2,33 BRA a 104 d 103 d 3 1,66 3, CNAi a 116 a 108 b 1 2,33 4,33 4,33 3 BRA a 107 c 110 b 3 3,66 3 4,33 3,66 CNAi a 116 a 105 c 1 1,66 4,33 3,66 3 CNAI a 114 a 113 a 1 2,33 4,33 4,33 3 Rio Grande a 102 d 100 e 1 1,66 3 3,66 3 BRA b 103 d 97 e 3 2,33 3 4,33 3 CNAi b 97f 100 e 3 2,33 4, CNAi b 100 e 99 e 3 2,33 3, Ourominas b 102 d 98 e 1 1,66 3 3,66 3 CNAi b 101 e 102 d 3 1,66 3,66 5,66 4,33 Jequitibá b 103 d 98 e 1 1,66 3 3,66 3 BRA b 107 c 103 d 3 2,33 3,66 4,33 3 BRA b 107 c 108 b 3 2,33 4, BRA b 103 d 108 b 3 2,33 3,66 4,33 3,66 CNAi b 100 e 99 e CNAi b 100 e 99 e 3 3 3,66 5 3,66 IRGA b 103 d 104 d 3 2,33 3,66 3,66 3 BRA b 116 a 111 a 3 1,66 3,66 4,33 3 BRA c 96f 110 b 3 2,33 4,33 6,33 4,33 Média ,2 2,2 3,8 4,47 3,1 C.V.(%) 9,66 1,00 1,41 NOTA: Médias seguidas pela mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste Scott-Knott, a 5% de probabilidade ECA - Ensaio Comparativo Avançado; C.V. - Coeficiente de variação; BP - Brusone na panícula; MG - Mancha-de-grãos; ESC - Escaldadura-foliar; MP - Mancha-parda. (1) Notas de 1 a 5; 1 = excelente; 5 = péssimo. (2) Notas de 1 a 9.

5 41 Tabela 2 - Médias obtidas de peso de 100 grãos, rendimento de grãos e dimensões de grãos no ensaio ECA de Leopoldina-MG /2005 Genótipo Peso Rendimento de grãos de 100 grãos Total Inteiro Comprimento (C) Dimensões de grãos Largura (L) Espessura (E) Relação C/L BRA ,12 60,75 48,61 8,43 2,14 1,95 3,95 CNAi9088 2,63 65,46 56,57 7,31 2,10 1,78 3,47 BRA ,08 65,13 48,57 7,97 2,16 1,84 3,70 CNA8575 2,71 67,17 60,19 7,49 2,15 1,81 3,49 BRA ,92 68,18 60,88 7,03 2,36 1,88 2,98 CNAi9097 2,57 62,65 54,44 7,32 2,07 1,76 3,55 Seleta 2,62 62,26 53,86 7,31 2,01 1,75 3,64 BRA ,83 69,10 63,56 6,85 2,33 1,91 2,94 CNAi9091 2,57 58,36 48,54 7,42 2,03 1,78 3,66 CNAi9092 2,59 65,07 56,46 7,54 2,07 1,82 3,65 Rio Grande 2,83 68,82 59,95 6,76 2,16 1,85 3,13 BRA ,93 69,60 64,54 6,82 2,25 1,77 3,04 CNAi8883 2,54 66,10 57,87 6,87 2,07 1,79 3,33 CNAi8874 2,71 59,22 51,17 6,96 2,17 1,84 3,21 Ourominas 2,93 67,82 57,13 7,14 2,22 1,82 3,22 CNAi8872 2,82 68,05 60,81 6,97 2,19 1,83 3,19 Jequitibá 3,01 67,98 61,30 7,21 2,13 1,89 3,40 BRA ,87 65,54 55,04 7,41 2,23 1,74 3,33 BRA ,91 60,09 52,91 7,97 2,21 1,82 3,60 BRA ,62 66,40 45,06 7,76 2,21 1,86 3,52 CNAi8868 2,69 68,07 62,39 7,26 2,11 1,84 3,45 CNAi8859 2,54 66,92 55,21 7,08 2,22 1,92 3,21 BR-IRGA409 2,81 67,75 60,44 6,92 2,18 1,91 3,18 BRA ,88 63,64 53,81 7,77 2,14 1,88 3,63 BRA ,37 58,95 55,08 7,13 2,07 1,81 3,47 Média 2,80 65,16 56,18 7,30 2,15 1,83 3,39 NOTA: ECA - Ensaio Comparativo Avançado.

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