dia mundial do ambiente comemora-se há 38 anos editorial Associação Portuguesa de Educação Ambiental

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1 Nº 2/2010 Junho a Agosto de 2010 Associação Portuguesa de Educação Ambiental editorial anos, tantos que tivemos de ler de novo a escritura de constituição da ASPEA para sabermos ao certo que foi a 6 de Julho de 1990 que tudo começou, oficialmente, claro. Antes, foram desejos, conversas, reuniões, pesquisa, redacção dos estatutos, procura de outras pessoas com as mesmas motivações e o mesmo empenho que o desejo se concretizasse, e assim foi. No berço da portugalidade, em Guimarães, 5 de nós assinámos o documento que veio a traçar os destinos da ASPEA, a nossa associação, a Associação Portuguesa de Educação Ambiental. Perguntar-me-ão porque em Guimarães e a resposta é que, nessa altura, como hoje, a ASPEA pôde contar com gente boa, gente que acreditou no projecto e que o apoiou no que pode neste caso, acelerar uma escritura que de outro modo iria sofrer o atraso normal da burocracia dos papéis, numa época em que ainda nem se previa o simplex. dia mundial do ambiente comemora-se há 38 anos Comemorado desde o dia 5 de Junho de 1972, o Dia Mundial do Ambiente foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, marcando o início da Conferência de Estocolmo sobre o Meio Ambiente Humano. Este marco surgiu como uma forma privilegiada através da qual as Nações Unidas promovem a consciencialização e incentivam a acção mundial para as questões ambientais. Há 38 anos, este foi o primeiro grande passo para que em todo o mundo se passasse a ter uma maior atenção e preocupação para com o ambiente. O Dia Mundial do Ambiente realiza-se todos os anos numa cidade diferente, com um tema diferente e é comemorado em mais de 100 países. Sob o tema Muitas espécies. Um Planeta. Um Futuro, o Dia Mundial do Ambiente 2010 pretendeu evidenciar a importância da riqueza global de espécies e ecossistemas para a humanidade, realçando assim o Ano Internacional da Biodiversidade. Ruanda foi o país anfitrião global do Dia Mundial do Ambiente 2010, onde decorreu um conjunto de eventos, de 3 a 5 de Junho, culminando na cerimónia Kwita Izina onde foram atribuídos nomes a bebés gorilas. Em Portugal, a data foi assinalada de Norte a Sul do país, com a realização de actividades que apelaram à participação da sociedade civil e da comunidade científica para a protecção e valorização do meio ambiente. Márcia Moreno Não ter a vergonha de ser feliz, cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Não foi por acaso que ao ter pensado escrever estas palavras, ouvi outras na voz de Maria Betânia. Temos sido ao longo destes anos uns eternos aprendizes, na busca de soluções, tentando abrir portas, estimulando a criatividade e a vontade de todos para participarem na melhoria do nosso espaço comum e por uma maior equidade e justiça ambiental e social, quiçá, uma maior felicidade repartida por todos. Para isso, outros pensaram e nós subscrevemos um conjunto de valores e princípios universais que devem pautar as nossas acções e que dizem respeito a toda a comunidade de vida, à manutenção da diversidade da Terra, a uma maior equidade e justiça social e, finalmente, à democracia, não-violência e paz. Estes princípios e valores foram reunidos num documento essencial a Carta da Terra que, no mesmo ano em que a ASPEA completa 20 anos de existência, comemora os 10 anos da sua redacção final. Mais uma coincidência que nos alegra, ainda mais, sabendo que neste mesmo ano de 2010, por iniciativa do partido Os Verdes, foi aprovado este documento. Um bom ano para a ASPEA, um bom ano para a educação ambiental, um bom ano para a Carta da Terra. Fátima Matos Almeida (Presidente da ASPEA)

2 Página 2 projectos a destacar Aventuras no campo! A conjugação de vontades de duas entidades a ASPEA e a Herdade do Moinho Novo em realizarem actividades de tempos livres com uma vertente de educação ambiental num espaço agro-florestal, permitiu a concretização do projecto AVENTURAS NO CAMPO. Durante o Verão, os campos de férias AVENTURAS NO CAMPO, oferecem um espaço de lazer activo, onde crianças e jovens têm a oportunidade de experimentar viver num meio rural, com um ritmo diferente do ritmo urbano, e com oportunidade para desenvolver a sua imaginação e criatividade, formas de relação com o meio, ao mesmo tempo que são protagonistas do seu tempo livre. A realização de um campo de férias numa herdade agrícola permitirá aos participantes um contacto directo com os animais e práticas agrícolas. Terão oportunidade de diariamente participar nas actividades de alimentação dos animais, recolha de ovos, plantação da horta ou andar de pónei, mas também realizar passeios na Herdade do Moinho Novo, oficinas criativas, jogos e brincadeiras, com o objectivo de promover o espírito de grupo, exercitar técnicas de expressão e de comunicação e oferecer momentos de ócio criativos e divertidos. A 45 minutos de Lisboa, a Herdade do Moinho Novo oferece umas férias ambientalmente saudáveis e emocionantes. Participe neste projecto! Mais informações em: Maria João Correia projectos a destacar Projecto Rios une pessoas e rios! Cento e oitenta grupos de 58 municípios, de Norte a Sul do país, estão a adoptar rios e ribeiras da sua localidade. Mais de dez mil pessoas retomaram o contacto com estes sistemas, participando activamente no conhecimento e monitorização de, actualmente, 90 km de linhas de água. O Projecto Rios visa a participação social na conservação dos espaços fluviais, procurando acompanhar os objectivos apresentados na Década da Educação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável e contribui para a implementação da Carta da terra e da Directiva-Quadro da Água. A implementação deste projecto pretende dar resposta à visível problemática, de âmbito nacional e global, referente à alteração e deterioração da qualidade dos rios e à falta de um envolvimento efectivo dos utilizadores e da população em geral. O Projecto Rios, pretende promover a curiosidade científica e implementar o método científico experimental, através da recolha e registo de informações e dados geográficos, físico-químicos, biológicos, eventos históricos, sociais e etnográficos, contribuindo assim para a melhoria do espaço estudado e da qualidade fluvial global. Márcia Moreno e Pedro Teiga (www.projectorios.org

3 Nº 2/2010 Página 3 projectos a destacar Fórum Infanto-Juvenil Nos dias 22 e 23 de Abril de 2010, realizou-se em Aveiro o VII Fórum Infanto-juvenil, sob o tema Terra um Mundo Vivo, reunindo durante os dois dias, no Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, cerca de 1400 crianças/jovens estudantes de 22 escolas/ji dos Concelhos de Aveiro, Águeda, Albergaria-a-Velha, Estarreja e Murtosa. Desde a sua primeira edição (em 2004) que o Fórum Infanto-Juvenil tem vindo a consolidar-se como um espaço de partilha, troca de experiências, de encontro/diálogos e de divulgação dos projectos curriculares/educativos de educadores/ professores/alunos, onde crianças/jovens são os protagonistas, enquanto actores sociais, procurando contribuir para o desenvolvimento de valores, atitudes que levem à formação de cidadãos mais participativos em prol de uma sociedade democrática, mais justa e mais sustentável. Desde então, o evento tem-se realizado anualmente em Aveiro, numa mostra colectiva de trabalhos realizados nas escolas e instituições educativas, com exposições, dança, apresentações e peças teatrais, onde foram focadas temáticas como A Água ; Ensino da Arte ; Biodiversidade ; Biodiversidade da Ria de Aveiro ; Conservação e recuperação de habitats dunares ; Carta da Terra ; Preservação das espécies ; Cidadania e Sustentabilidade ; Educação para a Sustentabilidade, como também outros temas associados ao estudo e à avaliação do estado de saúde da ria de Aveiro. Uma professora de Ensino Básico de São Bernardo releva a importância deste encontro e sublinha a importância do desenvolvimento do projecto no meio escolar, é junto dos mais novos que se deve agir, é um investimento seguro. Esta iniciativa é promovida em parceria entre a ASPEA Associação Portuguesa de Educação Ambiental e a Câmara Municipal de Aveiro, tendo obtido, este ano, apoio da Agência Portuguesa do Ambiente e da Rede Eléctrica Nacional. Adelina Pinto por onde andam os aspeanos Climântica Nos dias 8 e 9 de Maio, dois elementos da ASPEA foram a Pontevedra, ao 1º Congresso da Climântica, organização em rede sobre o clima. Deslocámo-nos a terras de Galiza, onde para variar, o clima estava péssimo: chovia a cântaros e a temperatura não nos aquecia; aqueceram-nos sim, as conferências que decorreram no auditório da Caixa de Ahorro, que apoiou a iniciativa, que congregou mais de 900 participantes, praticamente todos de Espanha, à excepção destas duas aspeanas Valeu muito a pena, pelo interesse e diversidade de comunicações. É óbvio que não vou relatar tudo, contudo tanto as intervenções do professor José António Caride e de Pablo Meira merecem ser referenciadas. Muda o clima e os sistemas terrestres sofrem, por exemplo no caso da Galiza, um incremento da temperatura em Junho, Julho e Agosto. Consequentemente as secas vão sendo mais frequentes. O nosso futuro vai ser afectado por factores térmicos: no mar a temperatura subirá 1 grau centígrado. Têm vindo a aparecer algas nocivas e o negócio para os pescadores de mexilhões pode desaparecer. Aparecem também espécies exóticas de peixes tropicais, que toleram temperaturas mais elevadas, o que poderá constituir um problema para as espécies de peixe autóctones. O porto de Vigo poderá ter de subir 1 metro e 20, por causa da subida do nível do mar. São dados que não devendo ser ignorados muitas vezes o são. Há pouco conhecimento das causas; a complexidade entre ciência e cultura é grande; falta cidadania em geral; o movimento do negacionismo é um movimento que ataca a ciência climática, colocando-a mesmo em questão. Verificam-se muito usos e abusos em nome da inovação nos cenários da economia, da ciência, da tecnologia, das artes, da política ou da ética. A educação e a cultura são circunstâncias coadjuvantes a qualquer criação. Grandes problemas afrontam a humanidade, tais como a segurança energética, a mudança climática, a deterioração do meio ambiente, a pobreza e a exclusão de grupos vulneráveis, o envelhecimento da população, as incapacidades, as ameaças à saúde e a evolução demográfica. Assim, é necessária uma educação para todos baseada se possível nos objectivos do milénio e na década da educação para o desenvolvimento sustentável. Sabemos que este termo gera muitas controvérsias, pois a que desenvolvimento nos referimos? Simultaneamente a crise está instalada em todo o mundo. Há que combatê-la e fugir dela se possível. Maria Eugénia Cochofel

4 Página 4 por onde andam os aspeanos Clean up the world Grupo de voluntários Resíduos resultantes da limpeza Conceição Afonso e Raquel Lopes De 28 a 30 de Maio decorreram por todo o mundo várias iniciativas integradas na campanha do Projecto Clean Up the World que inclui a limpeza, reabilitação e conservação do ambiente em áreas aquáticas. Em Aveiro, esta iniciativa foi realizada no dia 29 de Maio, pela ASPEA, e reuniu um conjunto de voluntários, destacando-se os jovens da Casa Alberto Souto. A área de limpeza intervencionada foi a envolvente do Ecomuseu da Marinha da Troncalhada. A actividade decorreu ao longo de três horas, tendo sido retiradas da berma da estrada, dos muros e molhes envolventes à ria de Aveiro, dezenas de quilos de resíduos, desde garrafas de vidro e plástico, redes de pesca, cartuchos de caçadeira, sacos de plástico, mantas, cabos e fitas de plástico, caixas de papel, entre outros. Estes resíduos encontram-se numa área nobre da cidade, integrada na Rede Natura Sendo este local visitado, diariamente, por dezenas de turistas, foram muitas as palavras de apoio e incentivo durante a sessão de limpeza por aqueles que por ali passeavam. Registámos o desabafo dos marnotos que trabalhavam nas suas marinhas, pelo facto de a área se encontrar bastante poluída. Segundo eles, esta situação é agravada durante a maré cheia, que traz e deposita por toda a zona resíduos que se encontram na água, obrigando-os a uma limpeza sistemática ao longo da safra do sal. Em conversa com os pescadores também presenciámos um sentimento de tristeza e revolta pelo facto de se encontrar imenso lixo nas rochas do molhe de defesa da ria, atribuindo a culpa a todos aqueles que frequentam esse espaço. Segundo o testemunho dos utilizadores daquelas áreas, esta situação pode ser minimizada através de um conjunto de acções de limpeza consertadas entre várias entidades, nomeadamente pela Administração do Porto de Aveiro e pela própria autarquia. Referiram, ainda, a necessidade de dotar o espaço de um conjunto de infra-estruturas de apoio aos pescadores, marnotos e mesmo turistas, como por exemplo a colocação de casas de banho públicas. Todos os participantes desta iniciativa sentiram tristeza pelo facto de a zona das marinhas da cidade de Aveiro se encontrar mal cuidada, sendo uma área referenciada, por excelência, para a cidade de Aveiro. informação aos sócios... Caros Associados, Uma associação vive do contributo dos seus associados, tanto em trabalho voluntário, como no cumprimento do pagamento da quota anual, que neste caso é de 25 Euros, uma pequena quantia para cada um, se dividida pelos 12 meses do ano pouco mais é que 2 euros/mês, mas ajuda a manter de pé o funcionamento da associação, bem como a continuidade das acções em desenvolvimento, e possibilita a planificação de novas actividades. Apelamos então a todos e todas que ajudem a ASPEA a dar continuidade de um trabalho iniciado há 20 anos. - Lembramos aos Associados que a quota de 2010 encontra-se em pagamento. - Os Associados com as quotas de 2009 e 2008 em atraso, devem regularizar a sua situação para que não percam a sua qualidade de Associados. - De acordo com o artigo 8º dos Estatutos da ASPEA aqueles que tenham perdido a qualidade de Associados (não pagamento da quota por um período superior a dois anos) e desejem refiliar-se deverão pagar jóia de inscrição (5 euros) e quota 2010 (25 euros). - Para aderir ao sistema de pagamento de quota por Débito Directo deverá preencher a ficha de autorização de Débito Directo e devolvê-la à ASPEA. Autorização de Débito Directo Identificação do credor Nº autorização Eu, associado nº,autorizo que por débito da minha conta abaixo procedam ao pagamento da importância da quota e/ou jóia que for apresentada pela Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA). Data / / NIB Assinatura

5 Nº 2/2010 Página 5 por onde andam os aspeanos Plataforma Convergir A ASPEA, aliada à sua matriz de ONG de educação, defesa e protecção do ambiente, respondeu ao convite da Plataforma Convergir para a presença no IV Encontro Convergir, que decorreu na Trofa a 29 de Maio. Esta Plataforma reúne associações, movimentos e iniciativas não-governamentais, que actuam na área do ambiente, da defesa da natureza, da sustentabilidade e do desenvolvimento local na região Norte, desde o rio Vouga ao Minho. A Plataforma Interassociativa Convergir, de carácter informal, surgiu da necessidade de responder de forma unida e cooperante ao avolumar de projectos de grandes obras públicas na região Norte de Portugal, os quais implicam um elevadíssimo custo ambiental e social associado à destruição de preciosos valores naturais e culturais. Neste Encontro, o debate deu início com a discussão do conceito de Desenvolvimento Sustentável e da forma como tem sido empregue pelos grandes grupos económicos, políticos e comunicação social. Sendo que, o caminho que nos é apresentado no dia-a-dia não é de Desenvolvimento Sustentável, mas sim, de contradesenvolvimento. Ao longo do Encontro, várias associações e movimentos locais apresentaram as suas experiências e lutas pela defesa do património ambiental e cultural. Algumas dessas intervenções sublinharam casos de sucesso, como os Movimentos pelo Parque da Cidade e do Palácio de Cristal, sobre a defesa dos espaços verdes urbanos na cidade do Porto, o Movimento Promindelo, sobre a reserva de paisagem protegida de âmbito regional de Mindelo e o Parque Biológico de Gaia, sobre as reservas de âmbito regional do Estuário do Douro e Serra de Valongo. Outras experiências não tiveram o êxito como as referidas anteriormente. A Plataforma Sabor Livre foi apresentada como um exemplo de um movimento que reúne cidadãos e investigadores de diversas áreas das Ciências e Letras que lutaram, e continuam a lutar, pela defesa do rio Sabor, o último rio selvagem de Portugal, que será destruído aquando da construção de uma barragem para fornecimento de energia eléctrica. Destaca-se o esforço e dedicação desta Plataforma junto de estâncias governamentais nacionais e europeias. Contudo, considera que foi uma derrota porque o objectivo principal foi derrubado com o avanço da construção da barragem, mas considera igualmente que foi uma vitória porque reuniu o trabalho incansável e a cooperação de diversas entidades e cidadãos na convergência de uma luta além-fronteiras. A ASPEA solidarizou-se com a APVC (Associação para a Protecção do Vale do Coronado) e a ADAPTA (Associação de Defesa do Ambiente e do Património da Trofa), assinando a Moção de Defesa do Vale Agrícola do Coronado (Trofa). Esta moção tem o propósito de se opor à construção de uma plataforma logística no vale agrícola do Coronado, ao abrigo do programa Portugal Logístico, embora não se oponha à sua construção noutro local do concelho da Trofa, onde não fossem provocados idênticos e elevados impactes negativos. A referida obra pública irá afectar, sem retorno, a paisagem, a biodiversidade e os solos férteis de elevadíssima qualidade para a agricultura, destruindo, deste modo, os empregos produtivos numa agricultura que se encontra em plena laboração e de subsistência de várias famílias, a quem, para cúmulo, se pressiona para que baixem o preço dos terrenos. A paisagem e os habitats serão fragmentados e retalhados, com as consequentes disfunções ecológicas, pelo que, o impacte associado a esta obra será irreversível para o ambiente e para as populações da região. As associações signatárias da moção apelam a um desenvolvimento alternativo, de base local, não destrutivo, que reafirme a protecção da biodiversidade, assente nos valores do meio rural em harmonia e cooperação com o espaço urbano, construindo um caminho para o desenvolvimento sustentável e não para o contradesenvolvimento. Em súmula, as ONG devem, sempre que possível, convergir as suas forças e conhecimentos na luta por um desenvolvimento verdadeiramente sustentado, estudado e avaliado previamente, protegendo as populações e o ambiente de agressões irreversíveis. David Silva

6 Página 6 por onde andam os aspeanos Parque das Conchas No passado dia 8 de Junho, a ASPEA foi convidada pela Divisão de Educação e Sensibilização Ambiental da Câmara Municipal de Lisboa, a realizar uma actividade no âmbito da celebração do Dia Mundial do Ambiente no Parque das Conchas. As actividades seriam relacionadas de forma mais ou menos directa com os Quatro Elementos, sendo diversas associações ligadas à educação e ao ambiente convidadas a abordar temas distintos para os vários elementos. Foi-nos atribuído o tema terra, a ser tratado de forma a que se enquadrasse no espaço disponível e a que permitisse que grupos de 10 a 20 crianças do pré-escolar ao primeiro ciclo pudessem realizar a actividade consecutivamente durante períodos de dez a vinte minutos. A nossa actividade veio a chamar-se Há Vida na Terra e o seu objectivo consistiu em transmitir às crianças a noção de que na terra elemento que elas podem considerar vulgarmente como desprovido de vida, interesse ou relevância - existe toda uma miríade de animais, fungos e plantas que desempenham importantes funções no ecossistema. Pesando a idade reduzida das crianças e o pouco tempo de que dispúnhamos pensámos ser mais interessante abordar o tema de forma não demasiado aprofundada, mas tentando que os participantes pudessem reter algumas informações básicas. O material, disposto em quatro mesas, era constituído por lupas, caixas de plástico, pinças, pincéis, lápis, folhas brancas e fichas de identificação dos vários organismos que sabíamos existirem nas amostras de terra que levámos. Em cada mesa estava colocada a caixa, contendo a terra (que recolhemos no Parque de Monsanto), neste caso na sua componente mais superficial, manta morta e um pouco do horizonte A. Após uma breve introdução teórica em que se salientou a importância da terra e se explicou que nesta existe vida, as crianças passaram à observação das amostras, bem como à identificação (apenas em grandes grupos artrópodes, líquenes, entre outros) dos organismos nela existentes. Foi muito interessante constatar que para grande parte destas crianças, citadinas e ainda muito novas é certo, não existe grande contacto com animais tão vulgares como centopeias, marias café, bichos-de-conta, aranhas, escaravelhos, etc., e que apenas os conhecem através dos manuais escolares. Convidadas a tocar nos bichos e noutros componentes orgânicos da terra, rapidamente substituíram o seu temor inicial pelo habitual entusiasmo infantil, pedindo mesmo, as mais ousadas, para que lhes colocássemos os animais nos braços ou nas mãos para que os pudessem sentir a caminhar. A nossa preocupação passou rapidamente a ser a de preservar os animais de tanto entusiasmo, uma vez que era indispensável que sobrevivessem a vários grupos de crianças! Foi depois fácil a identificação dos vários grupos de organismos nas fichas que tinham para preencher. Em jeito de recomendação para futuras actividades semelhantes, fica a constatação de que as lupas vulgares não se revelaram úteis para a observação, uma vez que as crianças são, como é natural, bastante irrequietas e que uma das nossas ideias, que consistia em fazer com que as crianças desenhassem alguns destes elementos do solo, não é compatível nem com o elevado número de crianças, nem com o pouco tempo disponível para a actividade. Ainda assim pudemos sair do Parque das Conchas com a convicção de que a missão foi cumprida e que com muito poucos recursos se consegue gerar muito entusiasmo nas crianças o que esperamos que as leve a querer conhecer, preservar e respeitar o ambiente ao longo da sua vida! André Pinheiro de Sousa

7 Nº 2/2010 Página 7 a ASPEA convida Reabilitação de rios e ribeiras e a EA A água foi desde sempre uma temática importante para os programas de educação ambiental. Após décadas de implementação de acções de educação ambiental nesta temática e de avultados investimentos em soluções estruturais, os rios continuam muito degradados a nível da qualidade da água e da destruição de ecossistemas com uma elevada biodiversidade. Os rios em Portugal são o reflexo de uma sociedade afastada e alheia às questões ambientais, onde mais de 50% dos rios se encontram com alterações significativas que põe em risco o cumprimento da Directiva Quadro da Água do bom estado das massas de água - no ano Os rios e ribeiras reflectem os problemas sociais e recursos naturais de uma bacia hidrográfica, por isso, podemos utilizar estes recursos como elementos de ligação entre o Homem e o espaço natural. A interacção de experiências e a reflexão das relações Homem-Ambiente leva à construção de propostas colectivas negociadas democraticamente e orientadas para uma nova racionalidade social. A reabilitação de rios e ribeiras tem como principal objectivo a reposição sustentada e integrada da situação de boa qualidade ambiental que já existiu nesse local, de acordo com os valores culturais vigentes, seguindo os princípios e técnicas de reabilitação, com recurso a medidas não estruturais e estruturais quando necessário. Para reabilitar um rio devem-se seguir os princípios de reabilitação, que são as linhas gerais de acção, para actuar de forma a cooperar na melhoria e sustentabilidade dos recursos hídricos, como sejam: 1. Promover a integridade ecológica, qualidade da água; 2. Conhecer a individualidade e unidade do troço ribeirinho; 3. Desenvolver a conectividade com a bacia hidrográfica, o regime de caudais e morfologia do corredor fluvial; 4. Promover a função de corredor ecológico e a biodiversidade dos rios e ribeiras; 5. Actuar a favor da Natureza numa concepção naturalista; 6. Realizar uma manutenção orientada; 7. Disponibilizar espaço e tempo para as diferentes actividades ribeirinhas; 8. Prevenir a degradação e determinar o grau de vulnerabilidade; 9. Estudar as alternativas em projectos, com competência técnica multidisciplinar e apoio da população ribeirinha; 10. Integrar as acções nos planos de ordenamento do território com a mitigação dos impactes do processo de reabilitação. Para implementar um processo de reabilitação, que em geral pode ser constituído por vários projectos de intervenção, devem-se seguir os seguintes passos: a definição de uma estratégica, realização do diagnóstico e caracterização, a priorização de problemas e mais-valias, a identificação dos objectivos, a identificação de soluções, a elaboração de projecto (s), implementação e gestão do(s) projecto(s); implementação de um programa de monitorização, programas de verificação e avaliação; implementação de medidas mitigadoras e correctoras; implementação de um processo de participação pública, o envolvimento com parcerias; avaliação de custos/ benefícios; delineação de um cronograma de intervenção (tempo/espaço) e a implementação de um procedimento de melhoria contínua de todo o processo. O envolvimento activo de todos os grupos sociais, numa perspectiva sustentável, quer da população em geral quer das autoridades, utilizando como metodologia o Projecto Rios (www.projectorios.org), permite contribuir para uma participação pública efectiva e uma sociedade responsável e activa para a melhoria das zonas ribeirinhas. Pedro Teiga Rio Leça Rio Peio

8 Página 8 a ASPEA convida EB nº 2 de Cacia (Aveiro) Na sequência da participação no projecto internacional Working Together/ The Little Earth Charter no qual colaboram vários países, entre eles o Japão, dois alunos da Escola Básica nº2 de Cacia e a coordenadora do projecto foram convidados pelas Câmaras Municipais de Oita e de Aveiro a participar no Cities Student Forum on the Global Environment, que se realizará na Cidade de Oita, Japão, de 4 a 8 de Agosto de A participação neste fórum vai permitir divulgar as boas práticas ambientais que se têm desenvolvido nesta escola, no painel de discussão Pelo nosso Ambiente Global, actue connosco, bem como apresentar os aspectos mais significativos da cidade de Aveiro: localização, clima, cultura, costumes, pratos regionais, locais de interesse, desporto, etc.. Deste fórum sairá um documento de compromisso A Declaração de Oita, cujo conteúdo se baseará na protecção efectiva ao Ambiente, o qual será assinado por todos os alunos das cidades participantes Oita (Japão), Aveiro (Portugal), Austin (USA) e Wuhan (China), os quais se comprometem a implementar estes princípios nas suas escolas. Estamos muito felizes por podermos, ao vivo, divulgar a nossa cultura, a nossa cidade e o nosso país, e podermos mostrar o empenho que sempre pusemos nas questões ambientais, ao longo do nosso percurso escolar. As imagens abaixo representam os cartazes vencedores do 1º prémio do concurso cartazes ambientais, realizados o ano passado na cidade de Oita, e pertencem a dois alunos da nossa escola. São Monteiro Silva Nota: Por motivos pessoais, a coordenadora deste projecto não poderá deslocar-se ao Japão neste período, pelo que será substituída pela professora de Inglês, Manuela Sarmento.

9 Nº 2/2010 Página 9 a ASPEA convida Escola Secundária de Emídio Navarro (Viseu) Os alunos do 10º D, da Escola Secundária de Emídio Navarro Viseu, participaram no concurso Como Manter Portugal Limpo outra qualidade de vida Portugal. O concurso pretendia o desenvolvimento de filmes, com a duração máxima de 8 minutos, onde se abordassem um conjunto de soluções e acções que contribuíssem para a manutenção da qualidade de vida, com vista à sustentabilidade do planeta Terra. Os trabalhos a concurso incluíam ainda um texto que apresentasse o grupo e o trabalho desenvolvido, assim como, uma versão em português e outra em inglês do filme produzido. A elaboração dos trabalhos a concurso foi realizada ao longo do 3º período, tendo sido acolhida pela turma com grande interesse e entusiasmo, uma vez que o primeiro prémio era bastante aliciante. Consistia na participação dos vencedores na 24th Conference of the Caretakers of the Environment International - Biodiversity and Culture, Lawang, East Java, na Indonésia, de 4 a 10 de Julho de 2010 (http://www.cei2010.org/). Esta actividade foi promovida pela ASPEA e pela Rede dos Caretakers of the Environment International. Em resultado da participação da turma neste concurso, a mesma foi convidada pela organização para estar presente na cerimónia de entrega de prémios, no dia 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, no auditório da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Apesar da receptividade, por parte dos alunos, a sua participação não foi possível por questões logísticas (horários dos transportes). Dois grupos da turma foram premiados com o 2º e 3º prémios. Assim, passamos a descriminar os grupos vencedores e os prémios correspondentes: Classificação Tema do Trabalho Grupo Prémio 2º Prémio Um presente é possível 3º Prémio Terra, Lar Doce Lar 4 Anabela Santos 21 - Tamara Cruz 9 - Jéssica Lopes 1 Adriana Nunes 3 Ana Rute 11 José Silva Fim-de-semana no Badoka Parque MP4 Ao longo do ano lectivo, os alunos foram sensibilizados para a temática ambiental, tanto no desenvolvimento do programa curricular (Unidade - Intervenção do Homem nos subsistemas terrestres), como também através do olhar atento às notícias publicadas pelos órgãos de comunicação social. A par do envolvimento para a temática, os alunos contribuíam para a melhoria da qualidade ambiental do concelho de Viseu ao participarem na acção nacional Limpar Portugal, na óptica do agir local pensar global. Desta acção resultou a sua participação no concurso e no acolhimento, na escola, da Exposição Itinerante do Limpar Portugal. Feito o balanço da actividade podemos concluir que esta decorreu de uma forma muito satisfatória. A participação da turma permitiu o seu envolvimento na temática ambiental, numa perspectiva global da sua intervenção individual com o outro e com o ambiente, para além de permitir um contacto mais directo com a realidade. A motivação dos alunos foi elevada mas os resultados obtidos superaram todas as expectativas. Por se tratar de um concurso a nível nacional, a obtenção de não um mas dois prémios tornou-se muito gratificante para todos: alunos, professora, escola e também para a cidade de Viseu. É importante reconhecer e valorizar experiências deste tipo. São estas iniciativas que podem motivar os jovens a incrementar um espírito de cidadania ambiental para a adopção de comportamentos e atitudes para a construção de uma sociedade mais justa, íntegra e sustentável, tal como preconizam os princípios da CARTA DA TERRA. Um especial agradecimento a todos os alunos da turma do 10º D. Raquel Lopes Nota: Os resultados do concurso encontram-se divulgados no site da Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA) e no Portal da escola.

10 Página 10 entre nós maria eugénia cochofel Maria Eugénia Maria Eugénia Dória Cochofel Quintela é natural de Coimbra, mas cedo se mudou para Lisboa com os seus pais e avó, onde permanece até hoje. Sessenta e seis anos, casada, reformada, dedica actualmente o seu tempo aos netos, à ASPEA, à leitura e a ouvir música clássica, mas também gosto da outra música, desde que seja boa (sorrisos). Mãe de três filhos, uma a residir em Lisboa, outra no Porto e um no Brasil. Avó babada de quatro netos, com idades compreendidas entre um ano e os 18 anos. Maria Eugénia é licenciada em Românicas, como se dizia antigamente, o equivalente à licenciatura em Francês, Português e Latim. Frequentou um curso de Ciências Pedagógicas, uma Pós-Graduação em Desenvolvimento Pessoal e Social e um Curso de Educação Ambiental, durante um ano, ministrado pela Direcção Geral do Ensino Secundário. O bichinho da Educação Ambiental já tinha surgido antes de frequentar o curso, este veio apenas reforçar a minha sensibilidade para o tema. Sempre deu aulas. E foi no papel de professora que sempre se sentiu bem. A par da carreira de docente foi orientadora de estágios, Presidente do Conselho Directivo e Presidente do N.A.D.A. Núcleo de Apoio à Deficiência Auditiva, na Escola Secundária José Gomes Ferreira. Durante cerca de 10 anos acompanhou e trabalhou com alunos surdos e mudos, que apesar de não a ouvirem, e alguns nem falarem, sempre ouviram o tanto que Eugénia tinha para ensinar. Foi com os alunos do ensino especial e com outras turmas do ensino regular que começou a explorar e a trabalhar as matérias curriculares com base na Educação Ambiental. Sempre partilhei a ideia de que as aulas deveriam ser motivadoras e contextualizadas com a realidade, e a Educação Ambiental surgiu como uma metodologia para integrar saberes, para motivar os alunos, sem o massacre da gramática, mas respeitando os programas curriculares. A possibilidade de frequentar o curso de Educação Ambiental surgiu mais tarde, após já fazer parte do N.A.D.A.. Durante a frequência neste curso, a formadora lançou o desafio de criarem uma Associação. Alguns formandos e a própria formadora juntaram-se com outras pessoas alheias à formação e foi assim que surgiu a ASPEA. Por isso, quando se pergunta qual a ligação da Eugénia à ASPEA a resposta é estou ligada à Associação desde o dia 6 de Julho de 1990, data da sua criação. Esta experiência foi vivida com muita intensidade e dedicação. Conheci pessoas que partilhavam o mesmo desejo de mudança e forma de dar as aulas. E foi esta dedicação que lhe trouxe o merecido reconhecimento. Manuel Patrício, na altura Director-Geral do Departamento do Ensino Superior do Ministério da Educação ( ), endereçou-lhe o convite para dirigir a Escola Cultural, da qual é sócio-fundador (1990). Eugénia recusou, pois privilegia o trabalho de campo com os alunos ao invés do trabalho de bastidores para mim era pouco motivador. Durante estes 20 anos na Associação, com presença maioritariamente na Direcção e Assembleia-Geral, sempre encarou os problemas ambientais como prementes e sentiu que tenho que fazer alguma coisa pelo ambiente. Recorda com carinho várias histórias. Sempre concorri com os meus alunos ao Congresso dos Caretakers, do qual a ASPEA faz parte. Anualmente, um ou dois dos meus alunos surdos eram seleccionados com os seus trabalhos de desenho fantásticos. Um dia, quando entrámos no avião e já andávamos acima das nuvens, um aluno perguntou-me se as nuvens que se viam eram feitas de algodão. Fiquei muito sensibilizada e foi-me difícil explicar, mas lá consegui. Uma outra história que recordo passou-se há cerca de 15 anos. Realizámos uma visita de estudo com turmas de deficientes auditivos ao Parque de Doñana, perto de Sevilha, durante uma semana. Esta estadia foi acompanhada por um grupo de monitores castelhanos, desde psicólogos a educadores ambientais. Foi inesquecível a interacção gerada entre os alunos e os monitores. Todos choraram quando se vieram embora. Como sente a Educação Ambiental? Como um filho que é preciso cuidar, tratar, orientar e ajudar a crescer. Sinto que hoje em dia não há tanto apoio como naquele tempo, tanto ao nível do poder político como de outras instituições. Maria Eugénia não usa ar condicionado, faz a separação dos resíduos e tenho um carro pouco potente, diz entusiasmada. A sua enorme dificuldade em dizer não, o ser demasiado solidária e compreensível, entende como sendo os seus principais defeitos. Virtudes? Sou tolerante, não tenho preconceitos. Divide o seu tempo entre a praia, em Armação de Pêra, e o campo, numa casa no Ribatejo. Mas é na cidade que se sente bem. Gosto de acção, de sair, de pessoas, de ir ao cinema mas também gosto de ouvir os passarinhos às 6 horas da manhã durante alguns dias, pois preciso do meu movimento (sorrisos). [continua na página seguinte]

11 Página 11 agenda elegia à primavera* entre nós (cont.) Um filme? Os cavalos também se abatem, de 1969, do realizador Sydney Pollack. Marcou-me porque tocava em assuntos importantes da vida e da hipocrisia social. Eugénia gosta de partilhar. E partilha com os aspeanos um poema de Eugénio de Andrade chamado Poema Terra : Se um dia lhe tocares, O corpo adormecido, Põe folhas verdes onde pões silêncio, Sê leve para quem foi contigo. Sinto um arrepio e que a vida é efémera. Temos que amar a Terra, como um todo, incluindo a água, os animais, as pessoas, e não lhe fazer mal. Bengalas de discurso? Acho que não tenho. Oh André, tenho bengalas? (pausa) Ele diz que não se lembra (sorrisos). Márcia Moreno Entrega de Prémios do concurso Como Manter Portugal Limpo e atribuição do Prémio Nacional de Ambiente Fernando Pereira 28 de Julho, CPADA, + info: A Confederação Portuguesa de Associações de Defesa do Ambiente instituiu em 1999 o Prémio Nacional de Ambiente Fernando Pereira, em homenagem ao fotógrafo com o mesmo nome, morto a bordo do Rainbow Warrior, navio da Greenpeace que tentava impedir a realização dos testes nucleares franceses no atol de Murucoa no Pacífico. Este prémio destina-se a galardoar a pessoa, instituição ou empresa que em cada ano se distingue como amiga do ambiente. Chegaram as papoilas, mas em menor quantidade do que o habitual! Será porque os tempos não estão para papoilas ou porque os pesticidas e insecticidas as aniquilam. Mais um sinal negativo dos tempos O poeta do novo cancioneiro escreveu a letra para uma das canções heróicas de Fernando Lopes Graça (que por sinal a polícia política riscou com o seu famoso lápis azul), dizendo ó papoilas dos trigais em ondas de cor sangrentas como punhais do nosso suor; dá vontade de colhê-las, pô-las na lapela; outras papoilas um dia virão pela Terra inteira dar outra alegria Contudo elas vieram com centenas de plantas autóctones que embelezam as nossas paisagens. Eu e o meu neto um dia destes contámos no campo num espaço de cerca de 100 metros mais de cinquenta plantas espontâneas diferentes e de cores variadas. A biodiversidade ainda existe em terras do Ribatejo; a natureza, apesar de cada vez mais frágil, vai-nos ainda regalando o olhar. Mas felizmente não é preciso ir ao Ribatejo, mas simplesmente olharmos pelas janelas da ASPEA, nosso local mágico de trabalho. Mágico, porque se por vezes penamos, por outras basta olhar pelas janelas para desfrutar da beleza da estação primaveril. Maria Eugénia Cochofel * embora já estejamos no Verão Torne-se sócio da ASPEA Venha fazer parte da equipa de voluntários da ASPEA. Como tornar-se sócio? É fácil. Para tal basta aceder ao site clicar em Associação e depois em Ficha de sócio. Preencha os seus dados e envie para nós através do Faça parte desta associação amiga do ambiente. 20 anos é também tempo de reflexão e análise, muito gostaríamos que nos dirigissem os vossos comentários e sugestões para iniciarmos mais uma etapa juntos. Centro Associativo do Calhau Parque Florestal de Monsanto Apartado 4021, Lisboa Tel.: Fax:

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