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1 DOCUMENTO DE CONSULTA: COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO EUROPEIA SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA ( ) 1 Direitos da Criança Em conformidade com o artigo 3.º do Tratado da União Europeia, a União promoverá os direitos da criança. Estes fazem parte dos direitos fundamentais que a UE e os Estados-Membros são obrigados a respeitar. O artigo 24.º da Carta do Direitos Fundamentais da União Europeia estabelece que as crianças têm direito à protecção e aos cuidados necessários ao seu bem-estar. Podem exprimir livremente a sua opinião, que será tomada em consideração nos assuntos que lhes digam respeito, em função da sua idade e maturidade. Além disso, todos os actos relativos às crianças terão prioritariamente em conta o interesse superior da criança. A protecção internacional dos direitos da criança assenta nos valores e princípios da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança de 1989, que foi ratificada por todos os Estados-Membros da UE. Actividades da Comissão Europeia na área dos Direitos da Criança Em 2006, a Comissão adoptou uma comunicação intitulada «Rumo a uma estratégia da UE sobre os Direitos da Criança», a fim de desenvolver uma base comum para a protecção efectiva dos direitos das crianças nas políticas internas e externas da UE. Para mais informações sobre esta comunicação e as actividades da Comissão, consultar o seguinte endereço: Objectivo da presente consulta A Comissão tenciona adoptar uma Comunicação sobre os direitos da criança ( ) no final de 2010, a fim de fazer progredir a estratégia da UE em matéria de direitos da criança. A presente consulta confere às partes interessadas a possibilidade de exporem os seus pontos de vista à Comissão no que diz respeito às acções concretas que poderiam ser desenvolvidas a nível da UE para introduzir um verdadeiro valor acrescentado. Permite igualmente proporcionar à Comissão uma panorâmica das experiências concretas dos que trabalham com crianças, nomeadamente as dificuldades com que se confrontam quando promovem e protegem os direitos da criança. A Comissão procura, em especial, dispor de dados fiáveis, informações factuais e exemplos concretos sobre a situação no terreno, tanto no que se refere aos problemas como às soluções. As questões abrangidas pelo questionário A primeira parte diz respeito à avaliação das iniciativas anteriores realizadas pela Comissão em matéria de direitos da criança. A segunda centra-se nos domínios que foram identificados como exigindo de uma atenção especial. Quem pode responder ao questionário? O questionário destina-se tanto a pessoas como a organizações, associações, agências e instituições que garantem a protecção e a promoção dos direitos da criança a nível local, regional, nacional, europeu ou internacional. Não é necessário responder a todas as perguntas. Em função da sua experiência, pode responder apenas às perguntas relativas às suas actividades. 1 O presente documento foi preparado pelos serviços da Comissão para efeitos de consulta. Não prejudica em nada nem constitui um aviso de qualquer posição da Comissão sobre as questões em causa.

2 Questões essenciais I. Questões relativas às iniciativas anteriores realizadas pela Comissão 1. A Comunicação da Comissão de 2006 «Rumo a uma estratégia da UE sobre os direitos da criança» estabelece uma estratégia global da UE para promover e salvaguardar eficazmente os direitos da criança nas políticas internas e externas da União Europeia e para apoiar os esforços dos Estados-Membros nesta matéria. Qual é a vossa apreciação global da Comunicação? 2. A UE tem a obrigação de se abster de actos que violem os direitos da criança e de tomar em consideração estes direitos sempre que seja relevante na realização das suas próprias políticas (integração). A Comissão criou uma série de instrumentos, nomeadamente medidas legislativas, actos jurídicos não vinculativos, assistência financeira e intercâmbio de boas práticas, a fim de tomar medidas específicas para salvaguardar e promover os direitos da criança em conformidade com os Tratados e no respeito dos princípios da subsidiariedade e proporcionalidade. Qual é a vossa apreciação global destes resultados? II. Questões relativas à situação no terreno Com base na abordagem da Comunicação de 2006, o Conselho Europeu apelou ao desenvolvimento de uma ambiciosa estratégia europeia sobre os direitos da criança e convidou a Comissão a identificar as medidas, nas quais a União possa introduzir valor acrescentado, a fim de garantir a protecção e a promoção dos direitos da criança, dando uma atenção especial às necessidades das crianças que se encontram em situações de particular vulnerabilidade. Uma justiça adaptada às crianças 3. Quais são os principais obstáculos e problemas com que as crianças se confrontam em relação aos sistemas judiciários (direito civil, direito penal, direitos administrativos, etc.)? Em especial, quais os desafios e problemas que as crianças devem enfrentar quando têm de tomar parte, enquanto vítimas ou requeridos, num processo judicial, quer se trate de um processo civil, de um processo relativo a questões associadas à imigração e asilo ou um processo penal? 4. Que iniciativas concretas sugere para adaptar o sistema judiciário às crianças? Considera que a UE pode contribuir para estas iniciativas e, em caso afirmativo, de que forma? Como pode a UE contribuir para garantir que os direitos da criança, nomeadamente o respeito do interesse superior da criança, sejam eficazmente respeitados nas decisões judiciárias que lhes dizem respeito? 5. Tem conhecimento de boas práticas, iniciativas, programas (incluindo os programas de formação) ou instrumentos que contribuam para permitir que os sistemas judiciários tomem em consideração os direitos, os interesses e as necessidades específicas das crianças nos sistemas judiciários? Tem conhecimento de iniciativas transfronteiras no presente domínio (por exemplo, iniciativas de 2

3 coordenação e de participação em projectos comuns, iniciativas com organizações noutros Estados-Membros e iniciativas de intercâmbio de boas práticas, etc.)? 6. As crianças podem participar em processos judiciais como testemunhas vulneráveis ou vítimas. Considera que nessas circunstâncias seria necessário tomar medidas suplementares que tomassem em consideração as necessidades e os direitos das crianças? Existem disposições jurídicas e práticas em vigor para evitar múltiplos interrogatórios e reduzir a experiência negativa de estar implicado no processo judicial? 7. Os meios tecnológicos (tais como videoconferência, registos vídeo, apresentação de queixas em linha, etc.) representam instrumentos importantes para garantir um melhor acesso das crianças aos sistemas de justiça ou uma melhor protecção aquando de um processo? Conhece exemplos de boas práticas relativamente a este aspecto? 8. Considera que as pessoas que trabalham no âmbito de sistemas de justiça nos Estados-Membros têm formação adequada para garantir os direitos e as necessidades das crianças nos processos judiciais e nas tomadas de decisões? Em caso negativo, pode identificar e descrever necessidades específicas? As políticas em matéria de justiça destinadas a salvaguardar os direitos da criança 9. Segundo a sua experiência, como toma em consideração a mediação familiar o interesse superior da criança? Na sua opinião, que tipo de iniciativas considera que a União deverá tomar para incentivar o recurso à mediação familiar entre os Estados-Membros? 10. A União tenciona abordar os problemas com que os cidadãos da UE se confrontam noutros Estados-Membros no que diz respeito ao seu estado civil (por exemplo, nascimento, nome, filiação, adopção, etc.). Quando os cidadãos necessitam de utilizar esses documentos noutro Estado-Membro enfrentam muitas vezes procedimentos morosos e onerosos devido às traduções ou na sequência das provas que devem apresentar para comprovar a autenticidade do documento em questão. Na sua opinião, de que forma pode esta situação ser melhorada? 11. A longo prazo, o reconhecimento mútuo dos efeitos das certidões de estado civil pode vir a ser equacionado. Tal significaria que, por exemplo, uma relação pai-filho, quer seja definida em função do nascimento ou na sequência de uma adopção, legal e válida num Estado-Membro, sê-lo-ia igualmente noutro Estado-Membro. Considera que a União devia tomar medidas neste sentido? 12. No quadro da futura revisão do Regulamento Bruxelas II-A (relativo à competência, ao reconhecimento e à execução de decisões em matéria matrimonial e em matéria de responsabilidade parental), a Comissão está a analisar a necessidade de instituir normas mínimas em relação às decisões relativas à responsabilidade parental. Se essas normas mínimas comuns fossem estabelecidas, os Estados-Membros poderiam reconhecer e executar as decisões sobre a guarda dos filhos tomadas noutros Estados-Membros, sem medidas suplementares, acelerando, por conseguinte, a tomada de soluções definitivas em matéria de litígios respeitantes à guarda dos filhos. Segundo a sua experiência, a União deveria 3

4 instituir normas mínimas para as decisões relativas à responsabilidade parental? Que normas mínimas deveriam ser incluídas? 13. Com que dificuldades e problemas se confronta (ou a sua organização) no terreno aquando de processos relativos à adopção internacional (entre Estados-Membros da UE e países terceiros)? Com que dificuldades e problemas se confronta (ou a sua organização) no terreno aquando de decisões relativas à adopção entre Estados-Membros da UE? Os grupos de crianças vulneráveis 14. Segundo a sua experiência, que grupos de crianças se encontram em situação de especial vulnerabilidade? Dispõe de dados e valores relativamente a estas situações? 15. Quais são as actividades da sua organização relacionadas com grupos de crianças vulneráveis? Quais são as dificuldades e os problemas com que se confronta no terreno quando desenvolve acções a favor de grupos de crianças vulneráveis? 16. Tem conhecimento de boas práticas, iniciativas ou programas que contribuam para uma melhor protecção dos grupos de crianças mais vulneráveis? Tem conhecimento de iniciativas transfronteiras neste domínio (por exemplo, cooperação ou participação em projectos comuns com organizações noutros Estados-Membros, intercâmbios de boas práticas, etc.)? 17. Que iniciativas concretas considera necessárias para melhorar a protecção dos direitos e promover o superior interesse de crianças vulneráveis? Considera que a UE pode contribuir para estas iniciativas e, em caso afirmativo, de que forma? Violência contra as crianças 18. Dispõe de dados e valores relativamente a situações de violência contra crianças? Dispõe de dados sobre decisões judiciais relacionadas com a violência contra crianças? 19. Quais as actividades da sua organização relacionadas com a protecção de crianças face à violência? Quais são as dificuldades e os problemas com que se confronta no terreno aquando da aplicação de medidas de luta contra a violência contra crianças? 20. Tem conhecimento de boas práticas, iniciativas ou programas que possam contribuir para uma melhor protecção de crianças contra a violência? Tem conhecimento de iniciativas transfronteiras neste domínio (por exemplo, cooperação ou participação em projectos comuns com organizações noutros Estados-Membros, intercâmbios de boas práticas, intercâmbios entre juízes responsáveis pela justiça de menores, etc.)? 21. Que iniciativas concretas sugere para proteger melhor as crianças da violência? Considera que a UE pode contribuir para estas iniciativas e, em caso afirmativo, de que forma? 4

5 22. Que iniciativas concretas sugere para proteger melhor as crianças de formas de violência infligida por outras crianças (como a intimidação física ou através do computador)? Considera que a UE pode contribuir e, em caso afirmativo, de que modo? 23. Considera que a UE deve envidar mais esforços para desenvolver o mecanismo «Alerta Crianças» e para garantir a sua interoperabilidade transfronteiras? Em caso afirmativo, de que forma? 24. De que modo considera que a Comissão pode apoiar a implementação efectiva das linhas de emergência para casos de crianças desaparecidas nos Estados-Membros? Considera que a UE pode dar o seu contributo? Pobreza infantil 25. Quais as dificuldades e problemas com que se confronta (ou a sua organização) no terreno na execução de acções de luta contra a pobreza infantil? 26. Tem conhecimento de boas práticas, iniciativas ou programas que contribuam para reduzir a pobreza infantil? Tem conhecimento de iniciativas transfronteiras neste domínio (por exemplo, cooperação ou participação em projectos comuns, com organizações noutros Estados-Membros, intercâmbios de boas práticas, etc.)? 27. Que iniciativas concretas sugere para reduzir a pobreza infantil? Considera que a UE pode contribuir para estas iniciativas e, em caso afirmativo, de que forma? III. Outras questões Comunicação 28. Que meios se podem utilizar para comunicar eficazmente com as crianças e os adultos em matéria de direitos da criança? Tem conhecimento de boas práticas ou iniciativas no que diz respeito à informação e sensibilização das crianças sobre os seus direitos? Tem conhecimento de iniciativas transfronteiras neste domínio (por exemplo, cooperação ou participação em projectos comuns, com organizações noutros Estados-Membros, intercâmbios de boas práticas, etc.)? Participação das crianças 29. Tem conhecimento de boas práticas ou iniciativas para a participação de crianças no desenvolvimento de políticas que as afectem? 30. De que modo melhoraria a participação das crianças em relação à estratégia da UE sobre os direitos da criança? Outros assuntos 31. Que outros assuntos considera que deviam ser abordadas no contexto da estratégia da UE sobre os direitos da criança e porquê? 5

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