O TERCEIRO NO CONTRATO DE SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL E SUAS CONSEQÜÊNCIAS NO AMBITO PROCESSUAL

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1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ UNIVALI CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS - CEJURPS CURSO DE DIREITO O TERCEIRO NO CONTRATO DE SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL E SUAS CONSEQÜÊNCIAS NO AMBITO PROCESSUAL JEISON DOS SANTOS Itajaí, Novembro de 2008

2 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ UNIVALI CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS - CEJURPS CURSO DE DIREITO O TERCEIRO NO CONTRATO DE SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL E SUAS CONSEQÜÊNCIAS NO AMBITO PROCESSUAL JEISON DOS SANTOS Monografia submetida à Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI, como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Direito. Orientador: Professor MSc. VANESSA CARLA BUENO Itajaí, Novembro de 2008

3 AGRADECIMENTO A orientadora MSc. Vanessa Carla Bueno pela ajuda na elaboração da presente Monografia.

4 DEDICATÓRIA À Deus, por tudo; À minha família, pelo apoio sem precedentes; À minha namorada pela compreensão durante este período de dedicação exclusiva.

5 iv TERMO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE Declaro, para todos os fins de direito, que assumo total responsabilidade pelo aporte ideológico conferido ao presente trabalho, isentando a Universidade do Vale do Itajaí, a coordenação do Curso de Direito, a Banca Examinadora e a Orientadora de toda e qualquer responsabilidade acerca do mesmo. Itajaí, Novembro de 2008 Jeison Dos Santos Graduando

6 v PÁGINA DE APROVAÇÃO A presente monografia de conclusão do Curso de Direito da Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI, elaborada pelo graduando Jeison Dos Santos, sob o título O Terceiro no Contrato de Seguro de Responsabilidade Civil e suas conseqüências no âmbito processual, foi submetida em novembro de 2008 à banca examinadora composta pelos seguintes professores: MSC. Vanessa Carla Bueno (Presidente e Orientadora), MSc. Arno Melo (Examinador) aprovada com a nota. Itajaí, Novembro de 2008 Professora MSc. Vanessa Carla Bueno Orientador e Presidente da Banca Prof. Antonio Augusto Lapa Coordenação da Monografia

7 vi ROL DE ABREVIATURAS E SIGLAS Ac. Acórdão a. C. Antes de Cristo Ac. Un. Acórdão Unânime ADCT Ato das Disposições Transitórias Ampl. Ampliada Art. Artigo Atual. Atualizada Cam. Câmara Cap. Capítulo CEJURPS Centro de Ciências Sociais e Jurídicas CC Código Civil CCB Comentário ao Código Civil Brasileiro CDC Código de Defesa do Consumidor CEE Comunidade Européia CF Constituição Federal CPC Código Penal Civil Des. Desembargador D.J.U. Diário de Justiça da União Ed. Edição FENASEG Fundação Escola Nacional de Seguros IRB Instituto de Resseguros do Brasil Min. Ministro nº, n. Número NCC Novo Código Civil p. Página Rev. Revisada Rel. Relator RESP Recurso Especial RJ Rio de Janeiro

8 vii RS R.O. RT SESEP STJ Tir. TJSC T UNIVALI Ver. Vol. Rio Grande do Sul Recurso Ordinário Revista dos Tribunais Superintendência de Seguros Privados Supremo Tribunal de Justiça Tiragem Tribunal de Justiça de Santa Catarina Turma Universidade do Vale do Itajaí Versão, verificada Volume

9 viii ROL DE CATEGORIAS Rol das categorias 1 que o autor considera estratégicas à compreensão deste trabalho, com seus respectivos conceitos 2 operacionais: Contrato de Seguros O contrato de seguro é aquele pelo qual uma das partes (segurador) se obriga para com outra (segurado), mediante o pagamento de um prêmio, a garantir-lhe interesse legitimo relativo a pessoa ou a coisa e a indeniza-la de prejuízo decorrente de riscos futuros, previstos no contrato (CC, art. 757). 3 Decadência É de decadência o prazo estabelecido pela lei, ou pela vontade unilateral ou bilateral, quando prefixado no exercício do direito pelo seu titular. E é de prescrição, quando fixado, não para o exercício do direito, mas para o exercício da ação que o protege. Quando, porém, o direito deve ser por meio de ação, originando-se ambos do mesmo fato, de modo que o exercício do direito, o prazo estabelecido para a ação deve ser tido como prefixado ao exercício do direito, sendo, portanto, de decadência, embora aparentemente se afigure de prescrição. 4 1 "Categoria é a palavra ou expressão estratégica à elaboração e/ou à expressão de uma idéia". PASOLD, César Luiz. Prática da pesquisa jurídica: idéias e ferramentas úteis para o pesquisador do direito. 6. ed. Florianópolis: OAB/SC, p Quando nós estabelecemos ou propomos uma definição para uma palavra ou expressão, com desejo de que tal definição seja aceita para os efeitos das idéias expomos, estamos fixando um Conceito Operacional. PASOLD, César Luiz. Prática da pesquisa jurídica: idéias e ferramentas úteis para o pesquisador do direito. p DINIZ, Maria Helena. Responsabilidade civil. 7º vol. 19ª ed. De acordo com Novo Código Civil (Lei nº , de 10/01/2002) e o Projeto de Lei nº 6.960/2002. São Paulo: Saraiva, p LEAL, Antônio Luís da Câmara. Da prescrição e da decadência. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense, p. 133/134.

10 ix Prêmio É o preço do risco que o segurador toma a seu cargo: prêmio de seguro. Pode ser chamado também de A contraprestação pecuniária. 5 Prescrição É o modo pelo qual um direito se extingue em virtude da inércia, durante certo lapso de tempo, do seu titular, que, em conseqüência, fica sem ação para assegurá-lo. 6 Risco É a potencialidade de ocorrência de evento futuro e incerto que enseja a contratação do seguro. 7 Segurado É o que tem direito interesse na conservação da coisa ou da pessoa. 8 Segurador É o que segura. O que recebe o prêmio e se responsabiliza pelo pagamento do risco num contrato de seguro. 9 Seguro de Responsabilidade Civil É o contrato em virtude do qual, mediante o prêmio ou prêmios estipulados, o segurador garante ao segurado o pagamento da indenização que porventura lhe seja imposta com base em fato que acarrete sua obrigação de reparar dano GOMES, Luiz Souza. Dicionário econômico, comercial e financeiro. 5. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Tupã, p GOMES, Orlando. Introdução do Direito Civil. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p BULGARELLI, Waldirio. Contratos mercantis, 2ª ed., São Paulo: Atlas, 1981,p LEVENHAGEN, Antônio José de Souza. Código Civil: direito das obrigações: comentários didáticos. São Paulo: Atlas, p GOMES, Luiz Souza. Dicionário econômico, comercial e financeiro.p. 281.

11 x SUMÁRIO RESUMO... XII INTRODUÇÃO... 1 CAPÍTULO CONTRATO DE SEGURO SURGIMENTO CONCEITO ELEMENTOS As partes do Contrato Objeto do Contrato Contraprestação Pecuniária CONTRATOS DE SEGURO NO BRASIL DISCIPLINA LEGAL DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO SEGURADO DIREITOS E DEVERES DO SEGURADOR PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DOS CONTRATOS DE SEGURO DISTINÇÃO ENTRE DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO CAPÍTULO SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL CONCEITO EXISTÊNCIA DE DOLO E OBRIGAÇÃO SECURITÁRIA ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIRO A PRESCRIÇÃO DE SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL DIAS, José de Aguiar. Da responsabilidade civil. 6ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1979, v. 2. p. 552.

12 xi CAPÍTULO O TERCEIRO NO CONTRATO DE SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL DISPOSIÇÕES GERAIS DA AÇÃO DIRETA EM FACE DA SEGURADORA ENTENDIMENTO JURISPRUDÊNCIAL DA DIVERGÊNCIA DE VOTOS NO SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA CONSEQÜÊNCIAS NA ESFERA PROCESSUAL DA PRESCRIÇÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS... 73

13 RESUMO A presente monografia trata do Terceiro no Contrato de Seguro de Responsabilidade Civil e suas conseqüências na esfera Processual. O Contrato de Seguro surgiu por volta do ano de 1293 através do Rei Diniz de Portugal. Era, a princípio, um seguro voltado a área marítima. Com o passar dos anos foi evoluindo e acompanhando o desenvolvimento mundial. Assim, o seguro nada mais é que uma forma da pessoa resguardar seu bem, pessoal ou material. É aquele em que uma das partes paga um prêmio a outra e esta, por sua vez, paga a primeira uma indenização. Depende do acontecimento de fatos, ou de riscos previstos no contrato. Quando um dano acontece a terceiro o seguro garante a reparação dos danos causados, de acordo com a apólice de seguros. Assim é o Seguro de Responsabilidade Civil que tem características de um contrato aleatório e condicional sendo o seu objeto uma responsabilidade civil. Não é um contrato celebrado em favor de terceiro; aquele que paga o prêmio e recebe o seguro repassa ao terceiro. Com isso, o terceiro não tem contato direito com o segurador. Apesar de se prever a existência de um terceiro, as partes do contrato de seguro são apenas o segurado e o segurador. Assim, para o completo entendimento do tema proposto nesta monografia, trouxe-se à tona vários conceitos e concepções do que seja o contrato de seguro de responsabilidade civil, chegando a um ponto razoável e comum que servirá de base para a explanação do tema do presente Trabalho de Conclusão de Curso. Para a realização da pesquisa utilizou-se o método indutivo. Responsabilidade Civil. Terceiro. Palavras chave: Contratos de Seguro. Seguro de

14 INTRODUÇÃO A presente monografia tem como objeto abordar sobre o Terceiro no Contrato de Seguro de Responsabilidade Civil e suas conseqüências na esfera Processual. Seus objetivos são: institucional - produzir uma Monografia para obtenção do Título de Bacharel em Direito Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI; geral - estudar (pesquisar) sobre o Terceiro no Contrato de Seguro de Responsabilidade Civil e suas conseqüências na esfera Processual; e específicos - Investigar sobre o Terceiro no Contrato de Seguro de Responsabilidade Civil, verificar o que acerca sobre Terceiro no Contrato de Seguro de Responsabilidade Civil; analisar e pesquisar sobre Terceiro no Contrato de Seguro de Responsabilidade Civil. A priori, o tema para a presente monografia é o de aprofundar os conhecimentos sobre o Terceiro no Contrato de Seguro de Responsabilidade Civil e suas conseqüências na esfera Processual, visando um aprendizado mais abrangente sobre o terceiro no Contrato de Seguro de Responsabilidade Civil e suas conseqüências na esfera Processual. O terceiro no Contrato de Seguro, apesar de não fazer parte dos elementos que o compõem, é parte importante quando se fala em Contrato de Responsabilidade Civil. O tema é atual e relevante, pois o terceiro faz parte do sinistro em relação ao dano ocorrido e, por isso, tem que ter seus direitos respeitados pelo segurado.. Desta forma, cabe destacar os problemas para a pesquisa, que são os seguintes: securitária? a) No Contrato de Seguro há existência de dolo e obrigação

15 2 terceiro? b) No Contrato de Seguro há estipulação em favor de c) Qual a ação direta em face da seguradora? Para as perguntas levantadas, apresentaram-se as seguintes hipóteses: a) O Seguro de Responsabilidade Civil somente terá cobertura para eventos onde haja a comprovação de que o segurado e ou terceiro portaram-se com certa culpa na produção do dano? b) O segurador poder ser responsabilizado perante terceiros em soma superior aquela que fora pactuado com o segurado? c) O terceiro pode pedir indenização e/ou ressarcimento dos danos direto na companhia seguradora, caso sentir-se prejudicado? O trabalho está dividido em Três capítulos. No primeiro capítulo faz-se uma assertiva geral do Contrato de Seguro, seu surgimento no cenário mundial, conceito, elementos que o compõem. Trata-se também dos Contratos de Seguro no Brasil. Faz-se uma abordagem geral sobre o tema, a disciplina legal, os direitos e obrigações/deveres do segurado e do segurador, a prescrição e decadência do Contrato de Seguro e a distinção destes. O Contrato de Seguro surgiu com a finalidade de assegurar que um bem estivesse salvo de possíveis danos de ordem natural ou não. No segundo capítulo explana-se sobre o Contrato de Responsabilidade Civil. Seu conceito, existência de dolo e obrigação Securitária, bem como a estipulação em favor de terceiro e a prescrição do Seguro de Responsabilidade Civil. O Contrato de Seguro de Responsabilidade Civil o segurado garante o pagamento de perdas e danos devidos pelo segurado à terceiro.

16 3 No capítulo terceiro explana-se sobre o Terceiro no contrato de Seguro de Responsabilidade Civil, onde são vistas as disposições gerais sobre o tema, a ação direta em face da seguradora, o entendimento jurisprudencial sobre o assunto, juntamente com as divergências de votos no STJ e as conseqüências na esfera processual da prescrição. O presente Relatório de Pesquisa tem por finalizar com as Considerações Finais, nas quais são mostrados os pontos principais, seguidos da estimulação à continuidade dos estudos e das reflexões sobre o terceiro no Contrato de Seguro. Quanto à Metodologia empregada, registra-se que, na Fase de Investigação 11 foi utilizado o Método Indutivo 12, na Fase de Tratamento de Dados o Método Cartesiano 13, e, o Relatório dos Resultados expresso na presente Monografia é composto na base lógica Indutiva. Nas diversas fases da Pesquisa, foram acionadas as Técnicas do Referente 14, da Categoria 15, do Conceito Operacional 16 e da Pesquisa Bibliográfica [...] momento no qual o Pesquisador busca e recolhe os dados, sob a moldura do Referente estabelecido[...]. PASOLD, Cesar Luis. Prática da Pesquisa jurídica e Metodologia da pesquisa jurídica. 10 ed. Florianópolis: OAB-SC editora, p [...] pesquisar e identificar as partes de um fenômeno e colecioná-las de modo a ter uma percepção ou conclusão geral [...]. PASOLD, Cesar Luis. Prática da Pesquisa jurídica e Metodologia da pesquisa jurídica. p Sobre as quatro regras do Método Cartesiano (evidência, dividir, ordenar e avaliar) veja LEITE, Eduardo de oliveira. A monografia jurídica. 5 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, p [...] explicitação prévia do(s) motivo(s), do(s) objetivo(s) e do produto desejado, delimitando o alcance temático e de abordagem para a atividade intelectual, especialmente para uma pesquisa. PASOLD, Cesar Luis. Prática da Pesquisa jurídica e Metodologia da pesquisa jurídica. p [...] palavra ou expressão estratégica à elaboração e/ou à expressão de uma idéia. PASOLD, Cesar Luis. Prática da Pesquisa jurídica e Metodologia da pesquisa jurídica. p [...] uma definição para uma palavra ou expressão, com o desejo de que tal definição seja aceita para os efeitos das idéias que expomos [...]. PASOLD, Cesar Luis. Prática da Pesquisa jurídica e Metodologia da pesquisa jurídica. p Técnica de investigação em livros, repertórios jurisprudenciais e coletâneas legais. PASOLD, Cesar Luis. Prática da Pesquisa jurídica e Metodologia da pesquisa jurídica. p. 239.

17 CAPÍTULO 1 CONTRATO DE SEGURO 1.1 SURGIMENTO Muito embora os juristas tenham se empenhado na tarefa, inicia Loureiro 18, não se sabe ao certo qual o momento exato do surgimento do seguro propriamente dito. As primeiras notícias que se tem de se proteger contra riscos inerentes a atividade comercial surgiram na China Antiga, no período de a a.c. Esta civilização que utilizava o transporte fluvial, tinha o costume de fazer a distribuição das mercadorias em várias embarcações, a fim de minorar os prejuízos advindos de qualquer acidente. E complementa Loureiro 19 Na Crescente Fértil, em a.c. os pastores caldeus já se coletivizavam de maneira a reporem cabeças de gado perdidas por algum deles. Na mesma região, mais especificamente na Mesopotâmia, as informações gravadas em tábuas de argila, em escrita cuneiforme, relatam que em a.c. os mercadores babilônios já tinham suas formas de se proteger dos eventos que poderiam ocorrer às caravanas nas travessias dos desertos. Os mercadores uniam-se (através de uma convenção) nessas travessias de maneira a garantir o pagamento de camelos perdidos ao longo da viagem. Contudo, é com o desenvolvimento do comércio marítimo que as convenções, visando à proteção contra riscos futuros, vão se aperfeiçoando, salienta Loureiro 20. Assim 18 LOUREIRO, Carlos André Guedes. Contrato de seguro. Elaborado em Disponível em Acesso em set p LOUREIRO, Carlos André Guedes. Contrato de seguro. Acesso em set p LOUREIRO, Carlos André Guedes. Contrato de seguro. Acesso em set p. 01

18 5 Em a.c., os fenícios tinham convenções que garantiam a construção de novos barcos para os armadores em substituição aos que fossem perdidos. A construção seria paga pelos outros que participassem da viagem. Também se tem notícia de que na Fenícia foi criado um fundo de reserva formado de parte dos lucros de maneira a fazer frente a eventuais prejuízos de viagens futuras. Também se oneravam as mercadorias que chegavam a salvo a seu destino de forma a fazer face ao valor das que eram perdidas. Nessa assertiva, observa-se que o seguro recebeu outras contribuições para o seu desenvolvimento: A talassocracia grega também foi responsável por avanços nas formas embrionárias de seguro. Data de 900 a.c., na ilha de Rodes, o surgimento da Lex Rhodia de Jactu de proteção contra os perigos do mar, chamadas de Leis de Rodes. Estas leis formavam o Código Navale Rhodorium que se espalhou entre várias outras potências marítimas e perdurou por vários séculos. Adotavam-se regras como a de que no caso de ser indispensável atirar mercadorias no mar para o bem de todos, o prejuízo resultante deveria ser reparado pela contribuição de todos os envolvidos na empreitada. Em 600 a.c., as Leis de Atenas criavam caixas de auxílio mútuo, corporativas ou religiosas, visando à prevenção de gastos inesperados, configurando assim associações de caráter mutualista. No entanto, o Mutualismo teve seus fundamentos de fato lançados por volta de 500 a.c., quando gregos e fenícios passam a agrupar diversas pessoas de maneira a juntos formarem uma reserva de recursos, de maneira que, no caso de infortúnios (naufrágios, ataques de piratas, incêndios), ninguém arcaria sozinho com as despesas 21. De acordo com Glitz 22, porém, o contrato de seguro marítimo somente estabeleceu plenamente seus contornos no século XV [...] quando surgiram as Ordenanças: Barcelona (1435), Borgonha, (1458), Veneza (1468), Gênova (1498), Rouen (1556), de la Marine (1681 promulgada por Luís XIV por iniciativa de 21 LOUREIRO, Carlos André Guedes. Contrato de seguro. Acesso em set p GLITZ, Frederico Eduardo Zenedin. Aspectos do Seguro de Responsabilidade Civil. In TEIXEIRA, Antônio Carlos (coord.). Em Debate: Responsabilidade Civil, Garantia. Rio de Janeiro: FUNENSEG, 2001, p.08.

19 6 Colbert), Código Comercial Francês (1808) e Código Comercial Brasileiro (1850) 23. Ensina Loureiro 24 que foi o rei D. Diniz de Portugal, em 1.293, que instituiu a primeira forma de seguro: voltada à atividade marítima. Diz que: [...] através de acordo entre mercadores, pagava-se certa quantia sobre as embarcações, prêmio, que era calculada de acordo com o porte da embarcação, bem como seu tráfego. O resultado da arrecadação servia para fazer face aos "sinistros" que ocasionassem a perda de mercadorias e navios. Desta maneira, foi em Portugal onde o seguro obteve seu mais desenvolvimento mais significativo por ser considerada uma potência marítima. ensina Loureiro 25 : Já o seguro contra incêndio surge em Londres, em 1660, Edward Lloyd abre um café, ponto de encontro de navegadores e de pessoas interessadas em negócios de seguros. Em 1.678, a partir deste café, surge a LLOYD S UNDERWRITERS (tomadores de riscos), corporação que se tornou uma bolsa de seguros existente até hoje. Em 1.666, antes de converter-se em corporação, houve o grande incêndio de Londres, que poupou o, então ainda café, Lloyd s, que logo em seguida passou a negociar também os primeiros seguros contra incêndios. Este fato marca o surgimento de um novo e vultoso filão para os seguros ao lado dos de comércio marítimo. Na mesma linha de entendimento prossegue Glitz 26 : O seguro contra incêndio surge na Inglaterra após o grande incêndio de Londres (1667) e o de vida, também na Inglaterra, em Já o de acidentes somente no século XIX. Com a criação da Colônia de Resseguros na Alemanha em 1.846, 23 O Código Comercial Brasileiro só regulava o seguro marítimo sobre a vida de pessoa livre (art. 686, II). 24 LOUREIRO, Carlos André Guedes. Contrato de Seguro. Acesso em set p LOUREIRO, Carlos André Guedes. Contrato de Seguro. Acesso em set p GLITZ, Frederico Eduardo Zenedin. Aspectos do Seguro de Responsabilidade Civil, p. 08.

20 7 passa-se a poder segurar os mais variados interesses, como por exemplo, colheitas, o gado e acidentes do trabalho. No século XX o seguro se desenvolve, ampliando a sua função e abrangendo, entre outros, o seguro de vida, o de responsabilidade civil, etc. Para outros, como Waldirio Bulgarelli e Arnoldo Wald, porém, o contrato de seguro, na forma atualmente concebida, tem origens mais recentes. Na visão de Bulgarelli 27 : De origem medieval, o seguro afirmou-se, na época moderna, tanto por causa das riquezas acumuladas como pela intensificação dos riscos a que estão sujeitas. Em contrapartida, as técnicas das companhias seguradoras foram apuradas a ponte de se poder dizer hoje, como alguns, que não há mais caráter aleatório, para elas, no contrato de seguro, dada a técnica do cálculo das probabilidades, com base na lei dos grandes números, e a mutualidade, que enseja a formação de bolo para ocorrer a indenização dos sinistros. Já na explanação de Wald 28 : Do mesmo modo que o mercado segurador, o contrato de seguro evoluiu muito rapidamente nos últimos anos. Concebido no passado, exclusivamente, como garantia dos riscos corridos pelas pessoas ou pelas coisas, passou a abranger numerosos outros campos, desde a responsabilidade civil até o seguro de crédito. De contrato comercial realizado eventualmente, ou até excepcionalmente, transformou-se em contrato polivalente, que encontramos nos vários outros ramos de direito (civil, administrativo). Enquanto no passado era facultativo, tornou-se, em determinados casos, obrigatório, como acontece em relação aos acidentes de trabalho e de automóvel. Ao mesmo tempo, virou um acessório necessário de determinados outros contratos, como por exemplo, o financiamento de imóveis a longo prazo. Surgiram, por outro lado, formas mais sofisticadas de contratos mistos, vinculando a determinadas obrigações a necessidade de contratação de seguro de vida ou de crédito, sendo a morte 27 BULGARELLI, Waldirio. Contratos mercantis, 2ª ed., São Paulo: Atlas, 1981, p WALD, Arnoldo. Novos aspectos do contrato de seguro. Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro. São Paulo: Malheiros, jan/mar., 1999, p. 55.

21 8 considerada como causa para o pagamento da indenização, mas cobrindo esta o valor de determinado crédito feito ao de cujus, como ocorre no setor habitacional. Nesse sentido, graças ao seu processo evolutivo, os Contratos de Seguro são hoje importantes instrumentos ao alcance das pessoas, empresas, entre outras, tendo seu papel desenhado na sociedade de forma clara e ampla. 1.2 CONCEITO O Contrato de Seguro possui, na visão dos doutrinadores, conceitos distintos, mas que tem na sua essencialidade a mesma finalidade. Na conceituação de Diniz 29 O contrato de seguro é aquele pelo qual uma das partes (segurador) se obriga para com outra (segurado), mediante o pagamento de um prêmio, a garantir-lhe interesse legitimo relativo a pessoa ou a coisa e a indeniza-la de prejuízo decorrente de riscos futuros, previstos no contrato (CC, art. 757). Na visão de Gomes 30 O contrato de seguro, tal como se pratica na atualidade, pertence ao campo do Direito Comercial, pois somente empresas organizadas sob a forma de sociedade anônima podem celebrálo na qualidade de segurador. Essa imposição legal decorre da própria função econômico-social do contrato. Para cobrir os inúmeros riscos que podem ser objeto de seguro, mister se faz uma organização econômica que, utilizando técnica especial, possa atender ao pagamento das indenizações prováveis com o produto da arrecadação das contribuições pagas por grande número de seguradores. A natural exigência de que o segurador seja uma sociedade por ações desloca o contrato do Direito Civil para o Direito Comercial, tornando-o um contrato mercantil. 29 DINIZ, Maria Helena. Responsabilidade civil. 7º vol. 19ª ed. De acordo com Novo Código Civil (Lei nº , de 10/01/2002) e o Projeto de Lei nº 6.960/2002. São Paulo: Saraiva, p GOMES, Orlando. Contratos. p. 410.

22 9 Luz 31 define como um contrato mercantil, onde salienta que com exclusão dos seguros mútuos que permanecem como instituto do Direito Civil, os demais seguros são mercantis em decorrência de exigência legal que o segurador seja sociedade comercial, constituída por ações ( 1º, art. 27 da Lei 4.595/64). Já Rodrigues 32 defende um posicionamento de que o contrato de seguro é um contrato solene, em virtude da necessidade da forma escrita prevista no Código Civil. O CC de , então Código Civil vigente, trás no Título VI, Capítulo XV o amparo jurídico necessário para o Contrato de Seguro: Art Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados. Já o Código Civil de , no Título V, Capítulo XIV, art , trazia a seguinte definição para o contrato de seguro: Art Considera-se contrato de seguro aquele pelo qual uma das partes se obriga para com a outra, mediante a paga de um prêmio, a indenizá-la do prejuízo resultante de riscos futuros, previstos no contrato. Neste mesmo sentido, Levenhagen 35 define o seguro como um contrato, por meio do qual uma pessoa assume para com outra a obrigação de indenizá-la das perdas e danos resultantes de um acontecimento determinado, futuro e incerto. 31 LUZ, Aramy Dornelles da. Negócios jurídicos bancários. 1. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, p RODRIGUES, Silvio. Direito Civil, vol ed. São Paulo: Saraiva, p BRASIL. Novo Código Civil. Lei n , de 10 de janeiro de Institui o Código Civil. 34 BRASIL, Código Civil. Lei n , de 01 de janeiro de Regula os direitos e obrigações de ordem privada concernentes às pessoas, aos bens e às suas relações. 35 LEVENHAGEN, Antônio José de Souza. Código Civil: direito das obrigações: comentários didáticos. p. 179.

23 10 Miranda 36 sustenta que é o contrato pelo qual o segurador se vincula, mediante pagamento de prêmio, a ressarcir o segurado, dentro do limite que se convencionou, os danos produzidos por sinistro, ou a prestar capital ou renda quando ocorra determinado fato, concernente a vida humana, ou ao patrimônio. Tanto o CC de 1916 quanto o CC de 2002 apresentam os mesmos elementos: partes e objetos. Contudo, a redação do novo Código utiliza uma técnica mais apurada, evitando o emprego do verbo indenizar, que no entendimento de Venosa 37, é imprópria, pois envolve a idéia de inadimplemento de obrigação e culpa, quando no contrato em questão, é a contraprestação contratual. Não obstante, na opinião de Glitz 38, a doutrina também elaborou a sua conceituação, criando divergências acerca de sua caracterização ou possibilidade de um conceito único para os diversos tipos de seguros. As definições apresentadas tanto pelo Código Civil de 1916, quanto pelo de 2002, apresentam contornos genéricos do Contrato de Seguro. Desta maneira, com o passar do tempo, a doutrina pátria foi incumbida de melhor conceituar o contrato de seguro, dando ênfase aos aspectos da imensa abrangência adaptados à realidade que o legislador considerou secundários. Segundo Bulgarelli 39, a conceituação feita pelo Código Civil de 1916 é insatisfatória. Criticas merecem tal conceituação, sobretudo de duas ordens: uma em relação à falta de precisão sobre o objeto de seguro, e a outra sobre o seu caráter inegavelmente indenizatório. Atualmente, com a nova redação dada pelo Código Civil de 2002, algumas destas divergências doutrinárias foram dirimidas. 36 MIRANDA, Francisco Pontes de. Tratado de direito privado. 2ª ed. Rio de Janeiro: Borsoi, Tomo XLV, p VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil Volume III, Contratos em Espécie. 2ª Ed. São Paulo: Atlas, 2001, p GLITZ, Frederico Eduardo Zenedin. Aspectos do Seguro de Responsabilidade Civil. p BULGARELLI, Waldirio. Contratos mercantis, p. 592.

24 11 Stoco 40 define o Contrato de Seguro como... uma garantia de recomposição de um dano ou perda futura e incerta. É uma convenção entre partes que permite, mediante pagamento de certa quantia (prêmio), a reparação futura de um dano apenas possível e hipotético, devidamente estipulado com antecedência na respectiva apólice. E complementa afirmando que o seguro é... a maneira mais eficaz de assegurar uma indenização que não resulte na ruína do agente causador do dano, minimizando o seu desembolso e, ao mesmo tempo, atendendo e satisfazendo a vítima, compondo o seu prejuízo, ainda que não tenha imediata condição econômica para fazê-lo. 41 Destarte, Dias 42 assim definiu: Contrato de seguro é aquele em que uma das partes, o chamado segurador, obriga-se, mediante o pagamento de uma ou várias somas fixas ou prêmios, a indenizar a outra, chamada segurado, do prejuízo resultante de riscos futuros, previstos no contrato (art do Código Civil [atual art. 757]). Na lição de Monteiro 43, trata-se o Contrato de Seguro de contrato bilateral, porque gera entre os contratantes recíprocas obrigações. É também aleatório, porque o ganho ou a perda das partes está na dependência de circunstâncias futuras e incertas, previstas no contrato e que constituem risco. É oneroso, porque o intuito especulativo impera em ambos os contratantes, visto como nenhum deles é movido pelo propósito de fazer liberalidade, asserva Levenhagem STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. 6ª ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil, p DIAS, Aguiar. Da responsabilidade civil. 6ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1979, v. 2, p MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil. 28ª ed. 5º v. São Paulo: Saraiva, 1989, p LEVENHAGEN, Antônio José de Souza. Código Civil: direito das obrigações. p. 179.

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