PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO SITUACIONAL: RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO PLANO OPERATIVO EM UMA FARMÁCIA DE REFERÊNCIA DO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS/SC.

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1 ISSN PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO SITUACIONAL: RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO PLANO OPERATIVO EM UMA FARMÁCIA DE REFERÊNCIA DO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS/SC. Daniela Matte Guardini (UFSC) Juliana Pereira (UFSC) Rogério da Silva Nunes (UFSC) Resumo O presente artigo trata da utilização de processos de planejamento na gestão dos serviços de saúde e tem como objetivo a apresentação de resultados alcançados com a construção de um Plano Operativo (PO) aos gestores, profissionais e usuárioos do serviço em questão. O PO foi elaborado para o enfrentamento de um problema priorizado utilizando-se como base o método do Planejamento Estratégico Situacional (PES) de Carlos Matus. O local foco definido foi uma farmácia de referência para medicamentos sujeitos a controle especial do município de Florianópolis. A estratégia metodológica utilizada foi o estudo de caso por ser este um método específico de pesquisa de campo, que tem como objetivo compreender o evento em estudo e paralelamente, desenvolver teorias mais genéricas a respeito das características do fenômeno observado. O método utilizado ampliou o conhecimento e a capacidade de gestão dos atores participantes, apresentando grande potencial para contribuir para a organização e estruturação dos serviços de saúde e de Assistência Farmacêutica (AF) a nível local. Pela alta capacidade de resolução dos problemas identificados, por seu caráter estratégico e situacional, pela ampla participação social e interdisciplinar, sugere-se a utilização do método do PES nas diferentes unidades de saúde do município, de forma a contribuir para a construção dos planos municipais. Palavras-chaves: Planejamento Estratégico Situacional; Gestão em Saúde

2 1. INTRODUÇÃO O uso de ferramentas de planejamento permite o melhor aproveitamento do tempo e dos recursos, aumentando a possibilidade de atingir objetivos determinados. O alcance de objetivos complexos pode ser facilitado quando o planejamento é realizado com a participação social, de forma interdisciplinar, intra e intersetorial (CAMPOS, FARIA, SANTOS, 2010). O planejamento foi uma das diretrizes estabelecidas no Pacto de Gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), componente do Pacto pela Saúde Dentre os objetivos do sistema de planejamento proposto destaca-se a formulação de metodologias e modelos básicos de instrumentos de planejamento, monitoramento e avaliação que expressem as diretrizes do SUS (universalidade de acesso, integralidade de atenção e descentralização políticoadministrativa com direção única em cada esfera de governo), adaptadas a cada esfera administrativa (BRASIL, 2006). De acordo com Savassi (2012), a determinação da necessidade de planejamento no Pacto de Gestão do SUS fortaleceu o nível municipal para a resolução de problemas de acordo com a capacidade de diagnóstico e decisão regional, possibilitando ações que diminuam a desigualdade no acesso às ações e serviços de saúde existentes no país. Do ponto de vista estratégico, o planejamento pode ser considerado como a arte de construir maior governabilidade aos objetivos de uma pessoa, organização ou país. Cabe ressaltar que não cabe ao planejamento predizer o futuro, e sim buscar a viabilidade para criar o futuro (TONI, 2004). Atualmente, existem diferentes métodos ou modelos de planejamento que possibilitam uma gestão eficaz e eficiente, sendo o melhor método aquele que melhor se ajustar a uma determinada situação, optando-se pelo que for mais adequado ao modelo de gestão adotado pela organização (ARTMANN, 2012). O método utilizado para o processo de planejamento apresentado neste artigo considerou a teoria do Planejamento Estratégico Situacional (PES), de Carlos Matus, e teve como foco uma farmácia de referência do município de Florianópolis/SC. Este método presume adaptações constantes às situações em que é aplicado. A partir do planejamento 2

3 realizado foi construído um Plano Operativo (PO) para o enfrentamento do problema priorizado, utilizando quatro momentos: Explicativo, Normativo, Estratégico e Tático Operacional. Nesse sentido, este estudo tem como objetivo apresentar aos gestores, profissionais e usuários do SUS do município de Florianópolis, os principais resultados obtidos através da utilização deste método de planejamento. 2. Fundamentação teórica Para fundamentar o presente estudo buscou-se fazer uma breve introdução sobre o método de planejamento em saúde utilizado na década de 60 pela Organização Pan- Americana de Saúde (OPAS), para então descrever o método do Planejamento Estratégico Situacional (PES), de Matus (1994) Planejamento Estratégico Situacional Na década de 60, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e o Centro de Estudos do Desenvolvimento da Universidade Central da Venezuela (CENDES) elaboraram um método, intitulado CENDES/OPAS (1965) para ser utilizado no planejamento em saúde. O referido método, denominado Planejamento Normativo, tinha como objetivos otimizar os ganhos econômicos obtidos com saúde e/ou diminuir os custos da atenção. A escolha das prioridades era feita a partir da relação custo/benefício e a formulação do plano iniciava com um diagnóstico. A partir do diagnóstico era realizada uma seleção de prioridades, projetandose as ações e definindo-se os recursos, de forma a alcançar mais eficiência nas ações de saúde (GIOVANELLA, 1990). O referido método tem como característica preponderante o planejamento realizado por apenas um ator, que tem plenos poderes. Também é considerado economicista, por visar uma relação de custo-benefício, e tecnocrático, devido ao investigador estabelecer prioridades com base em seus próprios conhecimentos. Estas características foram essenciais para o fracasso do método na saúde (CAMPOS, FARIAS, SANTOS, 2010). A proposta metodológica do PES foi criada nos anos 70 pelo economista chileno Carlos Matus. Para Matus (1994), o PES pode ser uma forma de governo ou um método de 3

4 alta complexidade e alta potência, que se destaca por propor a construção de viabilidade para um problema estratégico, detectado por meio da construção de um plano com apoio de diferentes atores sociais (ARTMANN, 2012). O método do PES foi fundamentado por Carlos Matus enquanto atuou como Ministro do Planejamento no governo do Presidente Chileno Salvador Allende, entre 1970 e 1973; e também em seus estudos e críticas às metodologias tradicionais, principalmente os planejamentos normativos e estratégico empresariais (ADUM; COELHO, 2006). Para Matus (1993), o planejamento é um cálculo que antecede e preside a ação com o intuito de instituir um futuro, e não de predizê-lo. Nesse sentido, o PES acompanha permanentemente a realidade, avaliando as decisões e verificando se os resultados produzidos seguem a mesma direção dos resultados esperados. De forma a garantir a efetividade do processo de planejamento, as ações executadas devem observar a articulação de três variáveis interdependentes, consideradas fundamentais por Matus, pois habilitam para o ato de governar e viabilizam a concretização de projetos. Essas variáveis são conhecidas como Triângulo de Governo: Projeto de Governo, Capacidade de Governo e Governabilidade (ARTMANN, 2012; TANCREDI, BARRIOS, FERREIRA, 2002). A Capacidade de Governo revela a competência do gestor para compreender, elucidar e enfrentar os problemas, e compreende sua bagagem intelectual, experiência, expertise, capacidade pessoal e institucional de governo, que o tornam capaz de conduzir o processo social a objetivos declarados; o Projeto de Governo determina quais os problemas que o gestor se dispõe a enfrentar, bem como a estratégia para superá-los dentro do período de governo; e a Governabilidade revela a relação entre ações que o gestor controla com aquelas que não controla, bem como a capacidade de uma análise estratégica da seleção de problemas (TANCREDI, BARRIOS, FERREIRA, 2002). No que diz respeito ao uso deste método na gestão de organizações, aponta-se a necessidade de se considerar a missão da mesma, pois através dela é possível compreender a função básica da organização na sociedade, no que diz respeito aos produtos e serviços produzidos e/ou oferecidos a seus clientes e/ou usuários. Também é importante que se defina o território no qual o planejamento está inserido, não devendo ser compreendido apenas como o espaço geográfico, mas como o local de interação de diferentes atores sociais (VEBER, LACERDA E CALVO, 2011). 4

5 O planejamento não deve ser confundido com o plano, pois o plano é passageiro e é apenas um dos produtos de todo o processo, enquanto o planejamento é permanente. O plano serve para detalhar o processo de mudança e a situação desejada, e documentar os objetivos gerais e específicos, as operações, ações e estratégias necessárias para o alcance das metas traçadas. Para que o plano se mantenha atual o mesmo deve ser constantemente revisado e sempre que necessário, deve ocorrer a proposição de estratégias que o tornem adequado às novas situações (TANCREDI, BARRIOS, FERREIRA, 2002). Para operacionalizar o plano torna-se necessário especificar as atividades previstas, através do detalhamento da estrutura necessária, das rotinas e tarefas, dos custos e do tempo para a realização das operações. Este processamento técnico-político dos problemas se dá através de quatro momentos repetitivos, que permitem abordar de forma metodológica e sistemática os instrumentos práticos de planejamento: Momento Explicativo, Normativo, Estratégico e Tático-Operacional. Cada momento representa uma visão dinâmica do processo de planejamento e se caracteriza pela permanente e constante interação e retomada de suas fases durante o processo de planejamento (MATUS, 1993). O Momento Explicativo é caracterizado pela análise da realidade feita pelo ator que planeja; pela identificação, descrição e priorização dos problemas estratégicos; pela explicação dos problemas; determinação de suas causas e consequências através da rede de causalidade simplificada; pela determinação dos nós críticos, sobre os quais serão definidas operações e ações; e pela construção da imagem-objetivo pelo grupo participante (ARTMANN, 2012). No Momento Normativo define-se como deve ser a situação ideal e o plano de intervenção para alcançar essa situação. As causas ou nós críticos darão origem aos objetivos gerais e específicos, bem como às operações e ações necessárias para alcançar o resultado final. Para cada nó crítico ou causa são elaboradas uma ou mais operações que representem propostas de intervenção sobre o problema. As operações são consideradas compromissos de ação ou meios de intervenção que utilizam recursos organizativos, políticos e econômicos que geram produtos ou resultados (ARTMANN, 2012). Cada operação será detalhada por meio de ações, que terão seus produtos e resultados determinados por meio da definição dos responsáveis pelas ações, dos recursos e do tempo de realização, representando o contexto do plano (VEBER, LACERDA E CALVO, 2011). O Momento Estratégico analisa e constrói a viabilidade do plano nas dimensões política, econômica, cognitiva e organizativa, bem como define estratégias quando são 5

6 identificadas interferências negativas que inviabilizam o processo. Esse é o momento de pensar como deve ser a articulação entre o deve ser (desejo) e o pode ser (realidade) (ARTMANN, 2012). No Momento Tático Operacional os momentos anteriores transformam-se em ações concretas e ocorre o monitoramento das ações e seus ajustes. É o ponto central na mediação entre o conhecimento e a ação (MIGLIATO, 2004). Esse momento tem a finalidade de criar um processo contínuo entre os momentos anteriores e a ação diária. De acordo com Toni (2004), a análise de problemas, a identificação do território, a visualização e participação de outros atores sociais, e a análise estratégica são elementos fundamentais e diferenciadores do PES em relação a outros métodos de planejamento. O PES apresenta-se como uma tecnologia simples por apoiar-se em uma permanente visualização, abranger ambientes normais e por não exigir trabalhos com tempos intensivos. A realização de uma oficina ou seminário tende a mobilizar possíveis tensões internas, deixando transparecer conflitos ocultos pela rotina burocrática. As desvantagens podem aparecer quando não são realizadas adaptações metodológicas e operacionais necessárias, que podem decorrer da pouca capacidade do facilitador em conduzir as técnicas necessárias; e da não participação de atores com alta governabilidade em todos os processos e atividades previstas (TONI, 2004). Tendo em vista que a realidade nos serviços de saúde é delimitada por questões complexas, que exigem o posicionamento de diferentes atores, incluindo nestes, os usuários, que buscam por seus direitos. Nesse sentido, o planejamento abrangente e participativo pode favorecer o enfrentamento dos problemas (ARTMANN, 2012). 3. ASPECTOS METODOLÓGICOS Este artigo utiliza como estratégia metodológica o estudo de caso dos resultados até então alcançados com o uso do método do PES realizado com foco na farmácia de referência do Distrito Sanitário Norte (DSN) do município de Florianópolis/SC. A documentação do processo de planejamento resultou na construção de um PO, que serviu como parâmetro para este estudo. O processo de planejamento foi iniciado pela descrição e análise estratégica situacional do local, sendo que o Momento Explicativo, que trata da identificação, priorização 6

7 e explicação do problema ocorreu com a participação de 21 atores em uma oficina. Os demais Momentos foram desenvolvidos pela autora, com auxílio dos demais profissionais farmacêuticos pertencentes ao Distrito Sanitário Norte deste município. De acordo com Jacobsen (2011), o procedimento técnico escolhido é pertinente quando se estuda eventos do presente e quando a possibilidade de controle sobre os comportamentos é diminuída; também é destacada a possibilidade de exploração de processos sociais conforme os mesmos acontecem nas organizações, contribuindo para a compreensão mais ampla através de uma investigação mais aprofundada. Segundo Mendes (2009), o estudo de caso tem o objetivo de compreender o evento em estudo e paralelamente, desenvolver teorias mais genéricas a respeito das características do fenômeno observado. Esse processo é feito através do relato e da descrição dos fatos/situações, de forma a gerar conhecimento acerca do fenômeno estudado, comprovando ou contrastando efeitos e relações presentes no caso. O estudo de caso trata de uma pesquisa de natureza aplicada (SILVA, MENEZES, 2001; APPOLINÁRIO, 2006), com forma de abordagem qualitativa (SILVA, MENEZES, 2001; JUNG, 2004). No que diz respeito aos objetivos da pesquisa, ela pode ser classificada como descritiva, por abordar dados e problemas que merecem ser estudados e que não apresentam registros documentados (JACOBSEN, 2011). A unidade de análise é definida pelo processo que resultou na construção do PO (Figura 01), sendo a observação direta da autora considerada como principal fonte de dados. 7

8 Figura 01: Os quatro momentos do PES. Fonte: adaptado de Rieg & Araujo Filho, Esta metodologia foi escolhida por facilitar a compreensão do processo de acordo com a complexidade social e por possibilitar a análise dos resultados do planejamento realizado a partir dos problemas diagnosticados por diferentes atores. 4. ANÁLISE SITUACIONAL DO TERRITÓRIO O Distrito Sanitário Norte (DSN) abrange uma população de habitantes (IBGE, 2010) e é referenciado por 11 Centros de Saúde (CS), formado por 23 Equipes de Saúde da Família (ESF) e 01 equipe de Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Além dos serviços de atenção básica, o DSN conta com uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e uma Policlínica que oferecem serviços de média complexidade. Nos 11 CS do DSN não há supervisão diária de profissionais farmacêuticos nas farmácias básicas, sendo que apenas as atividades técnico-gerenciais são supervisionadas pelo profissional do NASF. Na Policlínica Norte encontra-se inserida a farmácia de referência, responsável pela dispensação de medicamentos sujeitos a controle especial (Portaria MS 344, de 1998), medicamentos básicos para usuários atendidos no serviço de média complexidade (Policlínica) e medicamentos estratégicos (tabagismo) aos usuários desta regional. Apesar de 8

9 sua localização nesta unidade de saúde, a farmácia oferece serviços exclusivos de atenção básica. O atendimento é realizado no período da manhã, das 8 às 12 horas, e no período da tarde, das 13 às 17 horas. No que tange aos recursos humanos, a farmácia conta com uma farmacêutica para o período matutino e outra para o vespertino, ambas com carga horária semanal de 30 horas destinadas exclusivamente ao serviço de farmácia desta unidade de saúde. Além destas, para auxiliar na dispensação dos medicamentos em casos de ausência, de forma que o serviço não seja interrompido, a farmácia conta com apoio de uma farmacêutica integrante do NASF do DSN, cuja atribuição é apoiar as equipes saúde da família deste distrito com carga horária semanal de 40 horas. Conforme dados registrados pelo Infosaúde, em Agosto de 2012, o número de atendimentos, que geraram dispensação de algum medicamento, foi de 1943 usuários, correspondendo a uma média diária de 84 pessoas atendidas pelo serviço de dispensação. Além disso, estima-se que 20% dos atendimentos não geram dispensação de medicamentos e não são contabilizados pelo sistema informatizado. Considerando este acréscimo de 20%, cada farmacêutica atende, aproximadamente, 50 pessoas por período. Na farmácia são desenvolvidas atividades técnico-gerenciais de programação, aquisição, armazenamento e controle de estoque de medicamentos; e atividades técnicoassistenciais de dispensação de medicamentos, orientação e supervisão de estagiários do curso de Farmácia da UFSC. Tais atividades são realizadas exclusivamente pelo farmacêutico, visto que o serviço não possui apoio de outros profissionais. Quanto à estrutura física, a Policlínica destina uma área específica para o serviço de farmácia nas seguintes dimensões: área para atendimento de 4,5m 2, sendo os usuários atendidos em pé em frente ao guichê de atendimento, e área para armazenamento dos medicamentos de 7,5m DESCRIÇÃO DO PLANO OPERATIVO Para a documentação do PO, estabeleceu-se uma sequência dos quatro momentos propostos por Matus (1994): Explicativo, Normativo, Estratégico e Tático-Operacional. No Momento Explicativo ocorreu a identificação, priorização e explicação do problema, que foi realizada através de 01 oficina na qual participaram 21 diferentes atores. Foram identificados 19 problemas, os quais foram priorizados considerando parâmetros de 9

10 magnitude, transcendência, vulnerabilidade, urgência e factibilidade. Após a priorização a relação de problemas ficou na seguinte ordem: 1. Falta de estrutura física adequada para armazenamento e atendimento humanizado (dificulta a interação com o usuário); 2. Falta de RH suficiente para o atendimento (NASF sem farmacêutico), sobrecarga profissional; 3. Falta frequente de medicações controladas; 4. Dificuldade de integração (distanciamento do serviço de farmácia da Atenção Primária); 5. Falta orientação ao paciente sobre o controle de datas de entrega; 6. Receitas pouco legível; 7. Falta de atenção farmacêutica (atenção integral e longitudinal); 8. Falta de comunicação sobre faltas para as unidades; 9. Falta de Farmacovigilância (acompanhamento de reações adversas); 10. Falta de divulgação sobre os serviços da Farmácia; 11. Falta de telefone para informações (ramal); 12. Não fornecimento do tratamento medicamentoso completo ao paciente; 13. Dificuldades de acesso (dispensação centralizada, horário de atendimento, plantão 24 horas); 14. Falta de confiabilidade do estoque no InfoSaude ; 15. Falta de comunicação sobre a demanda proveniente por unidade; 16. Validade das receitas (3 ou 6 meses); 17. Proibição do fornecimento á rede privada; 18. Falta de tolerância quanto ao vencimento da receita de 24 horas; 19. Mau humor das atendentes. A Oficina teve como condutoras do processo, duas facilitadoras, ambas profissionais farmacêuticas do serviço de farmácia em questão. Por isso, foram priorizados dois principais problemas, sendo que a problemática dos Recursos Humanos Insuficientes foi trabalhada por esta autora. A explicação deste problema ocorreu por meio de evidências/descritores, indicadores, causas e consequências, possibilitando a construção da espinha de peixe (Diagrama de Ishikawa Figura 02) e a definição da imagem-objetivo. 10

11 Figura 02: Diagrama de Ishikawa (espinha de peixe). Fonte: Guardini e Sartor (2012), pág. 55. Analisando o Momento Explicativo, identificou-se que a oficina conseguiu revelar uma realidade insatisfatória detectada por distintos atores, inclusive pelos usuários do serviço, e se mostrou como uma alternativa positiva para a resolução do problema priorizado, devido ao maior comprometimento com a busca de soluções para os problemas diagnosticados. Observou-se também, a não participação de convidados importantes, como a Gerência de AF municipal, e a falha em não convidar representantes com maior governabilidade, como por exemplo, a Diretoria de Atenção Primária (GUARDINI; SARTOR, 2012). O Momento Normativo destacou-se pela definição do objetivo-geral: Sugerir um modelo de organização dos serviços farmacêuticos na Farmácia de Referência do DSN, visando à qualificação da AF. A partir deste objetivo foram definidos 02 objetivos específicos e para cada um, 03 operações que resultaram em 21 ações necessárias para o alcance do objetivo-geral em longo prazo. No Momento Estratégico ocorreu a análise de viabilidade e factibilidade das 21 ações propostas. Nesta análise foram detectadas 04 ações consideradas inviáveis, no que diz respeito 11

12 ao poder de execução e à capacidade de mantê-las. Para cada uma dessas ações foram definidas novas ações estratégicas que envolvessem a sensibilização dos atores responsáveis por suas execuções, os quais detém maior governabilidade sobre o processo. Por fim, o Momento Tático Operacional, determinado pelo monitoramento das ações através da criação de indicadores de avaliação para cada operação definida, a necessidade de recursos financeiros e os atores responsáveis para cada ação. Nesse momento também foi definido o horizonte do PO, que está em execução e tem como previsão para término, Julho de 2013, podendo ser revisado e alterado conforme a necessidade. 6. RESULTADOS DO PROCESSO A partir da definição das operações e ações propostas para o enfrentamento da problemática da quantidade insuficiente de recursos humanos, algumas ações já apresentam resultados satisfatórios. Além dessas ações, no Momento Explicativo, onde ocorreu a construção da espinha de peixe, observou-se que muitos dos problemas apresentados pelos distintos atores, apresentavam-se como causas e/ou consequências dos problemas priorizados. Dessa forma, apresenta-se a seguir os resultados obtidos através do processo de planejamento: Sensibilização do Secretário Municipal de Saúde e da Diretoria de Atenção Primária (DAP) para a necessidade de inclusão das 02 farmacêuticas da Farmácia de Referência no NASF Norte, que resultará na ampliação da carga horária, na adequação do trabalho destas na lógica da ESF e na qualificação dos serviços farmacêuticos; Atividade educativa voltada aos trabalhadores da Policlínica Norte sobre os serviços da farmácia, realizada em dois turnos com duração de 4 horas, com o objetivo de oferecer suporte técnico aos serviços de farmácia enquanto não há a disponibilização de um profissional fixo para compor a equipe, bem como visando melhorar a qualidade das informações prestadas aos usuários; Elaboração de uma lista de medicamentos disponibilizados pelo SUS em ordem alfabética; esta demanda foi apresentada pelos trabalhadores no momento da atividade educativa de forma a facilitar e simplificar a busca pelos medicamentos, tendo em vista que a lista publicada era apresentada por classe farmacológica; 12

13 Elaboração de orientação anexada às segundas vias das receitas médicas sobre as próximas retiradas de medicamentos, bem como sobre a validade das receitas médicas sujeitas a controle especial; Sensibilização da Coordenação e da Direção do DSN para a necessidade de um espaço maior para a farmácia. No que diz respeito a essa questão, foi emprestada provisoriamente uma sala de apoio que fica ao lado da farmácia para o armazenamento de medicamentos e reuniões entre os farmacêuticos deste Distrito; Inclusão de uma técnica de enfermagem para atuar exclusivamente no serviço de farmácia, de forma a oferecer suporte técnico e administrativo às atividades desenvolvidas; A partir dos resultados apresentados, observa-se a importância do PES na resolução do problema priorizado Recursos Humanos Insuficientes. A execução do Plano Operativo elaborado para o enfrentamento do problema mostrou-se eficaz e eficiente, melhorando a organização do serviço e qualificando os serviços farmacêuticos até então disponibilizados, possibilitando ainda, a inclusão de outros serviços farmacêuticos aos usuários do serviço. Destaca-se ainda, a característica positiva desta ferramenta em relação à governabilidade, tendo em vista que em um primeiro momento houve questionamentos quanto ao poder da facilitadora do processo em relação à resolução do problema. Espera-se ainda que, com a resolução do problema priorizado, seja possível a resolução dos demais problemas relatados, visto que muitos destes foram considerados como causas e consequências da quantidade insuficiente de recursos humanos. 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS O método utilizado do PES que resultou na construção do PO mostrou-se adequado por ampliar o conhecimento e a capacidade de gestão dos atores participantes. Também apresentou com grande potencial para contribuir para a organização e estruturação dos serviços de saúde e de Assistência Farmacêutica a nível local. 13

14 Em relação aos resultados alcançados, é possível verificar que o processo de planejamento incorporou-se ao serviço em questão, pois se mostrou positivo no enfrentamento e resolução dos problemas, contribuindo para uma melhor efetividade nos processos de trabalho, e consequentemente na qualificação dos serviços farmacêuticos ofertados aos usuários, antes consideradas inviáveis devido à falta de tempo e de espaço. A metodologia utilizada foi capaz de sensibilizar os participantes e demais profissionais pertencentes à unidade de saúde em que a farmácia está inserida, da importância da qualificação dos serviços farmacêuticos para os serviços de saúde, visto que a maior parte das intervenções em saúde envolvem o uso de medicamento e a qualidade do uso pode contribuir para o resultado positivo da intervenção realizada. No que diz respeito aos serviços desta farmácia de referência, espera-se que o processo de planejamento torna-se um processo permanente no serviço, contribuindo de forma eficaz e eficiente com a melhoria nos serviços de saúde, bem como na qualificação dos serviços farmacêuticos, tendo em vista a importância destes para o resultado final das intervenções em saúde, que normalmente envolvem o uso de medicamentos. Sugere-se a utilização do método do PES na construção de planos municipais, regionais e locais, em virtude de seu caráter estratégico e situacional e pela explicação de problemas detectados por distintos atores, capazes de contribuir para o alcance de objetivos determinados que melhorem a qualidade dos serviços de saúde. 8. REFERÊNCIAS ADUM, J.J.; COELHO, G. L. O Planejamento Estratégico Situacional - PES, na Gestão Pública: O Caso da Prefeitura da Cidade de Juiz de Fora. Revista Eletrônica de Economia. Disponível em: Acessado em: 30/09/2012. Juíz de Fora: APPOLINÁRIO, F. Dicionário de metodologia científica: um guia para a produção do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, ARTMANN, E. O Planejamento Estratégico Situacional no nível local: um instrumento a favor da visão multissetorial. Núcleo de Educação em Saúde Coletiva UFMG. Disponível em: < Acesso em: 10 Julho BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 399, de fevereiro de Divulga o Pacto pela Saúde Brasília:

15 CAMPOS, F. C. C.; FARIA, H. P.; SANTOS, M. A.; Planejamento e avaliação das ações em saúde. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - Núcleo de Educação em Saúde Coletiva; 2ª Ed., GIOVANELLA, L. Planejamento estratégico em saúde: uma discussão da abordagem de Mario Testa. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 6, n. 2, p , GUARDINI, D. M.; SARTOR, V. B. Plano Operativo em Foco: Análise do Momento Explicativo do Planejamento Estratégico Situacional Realizado em uma Farmácia de Referência Distrital de Florianópolis, SC. Dissertação (especialização em Gestão da Assistência Farmacêutica) Universidade Aberta do SUS/Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Disponível em: <http://www.censo2010.ibge.gov.br/>. Acesso em: 01 abr JACOBSEN, Alessandra de Linhares. Metodologia do Trabalho Científico. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração / CSE/UFSC : Fundação Boiteux, JUNG, Carlos Fernando. Metodologia para pesquisa & desenvolvimento: aplicada a novas tecnologias, produtos e processos. Rio de Janeiro: Axcel Books do Brasil, MATUS, C. Política, planejamento e governo. Brasília: Instituto de Economia Aplicada, MATUS, C., Guia de Análisis Teórico. Curso de Governo e Planificação. Caracas: Fundación Altadir, MENDES, E. V. Ministério da Saúde. Ciclo de Debates sobre Redes Regionalizadas de Atenção à Saúde: Desafios do SUS. Brasil, MIGLIATO, A.L.T. Planejamento estratégico situacional aplicado à pequena empresa: estudo comparativo de casos de empresas do setor de serviço (hoteleiro) da região de Brotas SP. Dissertação (mestrado em engenharia de produção) Universidade de São Paulo, São Paulo, RIEG, D.; FILHO, T. A. Planejamento Estratégico Situacional e Mapeamento Congnitivo em uma situação concreta: o caso da Pró-Reitoria de Extensão da UFSCar. Gestão & Produção; v. 9, n. 2, p , ago SAVASSI, L. C. M., DIAS, R. B. Planejamento de ações na Equipe. GESF Grupo de Estudos em Saúde da Família. Disponível em: > SILVA, E.L.; MENEZES, E.M. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. Florianópolis: Laboratório de ensino a distância da Universidade Federal de Santa Catarina, TANCREDI, F. B., BARRIOS, S.R.l., FERREIRA, J.H.G. Planejamento em saúde. São Paulo: FSP-USP,

16 TONI, J. O que é o Planejamento Estratégico Situacional? Revista espaço Acadêmico; nº 32; Disponível em: Acessado em: 30/09/2012; Janeiro, VEBER, A. P.; LACERDA, J. T.; CALVO, M. C. M. Planejamento em Saúde. Módulo Transversal 1: Gestão da Assistência Farmacêutica. Universidade Federal de Santa Catarina: VIEIRA, V.A. As tipologias, variações e características da pesquisa de marketing. Rev. FAE, Curitiba, v. 5, n. 1, p , jan./abr

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