AGRESSÃO IMPRESSA: OS DISCURSOS SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER NA MÍDIA PARAENSE 1

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1 AGRESSÃO IMPRESSA: OS DISCURSOS SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER NA MÍDIA PARAENSE 1 Rayza Sarmento 2 RESUMO: Partimos do pressuposto que a mídia pode desempenhar a função de agente préestruturadora da esfera pública, assim ao abordar determinados temas de forma responsável, por meio do discurso simbólico, pode fornecer insumos para politização das experiências pessoais e colaborar para o enfrentamento de problemas como a violência doméstica. Nossa proposta neste artigo é analisar quais discursos sobre violência doméstica contra mulher estão presentes nas páginas dos jornais paraenses antes e depois da promulgação da Lei Maria da Penha, especificamente nos anos de 1997 e 2007, a fim de investigar se houve mudanças na cobertura jornalística paraense a respeito do tema, quais os discursos permaneceram e quais emergiram após a lei. Palavras-chave: violência doméstica; mídia; esfera pública; O Liberal. Ingressar na pauta midiática tornou-se uma alternativa eficaz para a publicização de lutas dos mais diversos movimentos. Com o enfrentamento à violência doméstica contra a mulher não foi diferente. Conrado (2001) lembra que os primeiros passos dos movimentos que lutaram para a extinção da violência doméstica foram dados após a redemocratização do país, na década de 1980, quando o tema entrou na pauta junto com outras reivindicações, como melhores condições de trabalho e salário. A autora cita os jornais como porta vozes desse problema, com mostras de descaso das autoridades públicas sobre o tema. No Brasil, os crimes de violência cometidos no âmbito do lar, considerados anteriormente de âmbito privado conforme o dito popular, em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher, tornam-se públicos, através de notícias. (CONRADO, 2001, p.10, grifos da autora). Mesmo com a promulgação de uma legislação específica, conhecida como Lei Maria da Penha, é fato que nem todas as mulheres em situação de violência doméstica se veem protegidas pela lei ou reconhecem o sofrimento pelo qual passam no âmbito privado como violência. O que significa dizer que mesmo com um instrumento legal para a o enfrentamento das agressões, a falta de compreensão individual impede que o problema seja extinto. Defende-se aqui o posicionamento de que a mídia pode pré-estruturar a esfera pública (MAIA, 2004; 1 Artigo submetido ao IV Encontro Amazônico sobre Mulher e Gênero Mulheres Amazônidas, Imagens, Cenário, Histórias e I Encontro de Pesquisadoras/ ES Paraenses sobre Gênero, Mulheres e Cidadania, direcionado ao GT 5 - Gênero, Saúde e Violência, sob a coordenação da Prof. Dra. Mônica Conrado. O evento é uma realização do Grupo de Pesquisas Eneida de Moraes (Gepem), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Pará (UFPA). 2 Graduanda do 8º semestre de Comunicação Social (habilitação Jornalismo) da Universidade da Amazônia (Unama). Agradeço as valiosas contribuições da Ms. Danila Cal.

2 MENDONÇA, 2005), isto é, fornecer insumos dos quais os indivíduos se apropriam para formarem e revisarem suas opiniões acerca dos problemas políticos. Assim, pode funcionar como alerta para que a busca pelos direitos já previstos na Constituição Federal sejam efetivados, quando ao fabricar um acontecimento a partir de escolhas semânticas e técnicas, desperta um novo modo de percepção. Analisou-se a forma que a mídia pré-estruturou a esfera pública sobre a violência doméstica, a partir do mapeamento dos discursos presentes nas páginas do jornal paraense O Liberal. 1. Doméstica, não mais privada A Organização Mundial da Saúde (OMS) define violência como: O uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação. (KRUG ET. et. al., 2002, p. 27) Da mesma forma Zaluar (apud IZUMINO, 2003, p.65), entende violência como a quebra de acordos que regem a boa convivência em sociedade. Segunda a autora, a violência é o emprego da força física ou os recursos do corpo em exercer a sua força vital. Essa força torna-se violência quando ultrapassa um limite ou perturba acordos tácitos e regras que ordenam relações, adquirindo carga negativa ou maléfica. É tal perturbação, de acordo com a lógica cultural e histórica de cada grupo, que vai definir se um ato é ou não violento 3. Fazer tal distinção sobre o que ou não violência torna-se muito mais complicado quando os atos estão restritos as relações domésticas ou afetivas. Durante muito tempo convencionou-se a chamar de violência o que ocorria no âmbito da rua, no público, como assaltos, furtos, seqüestros, crimes bastante comuns nas grandes cidades, que logo ganharam o rótulo de cidades violentas. Quando praticadas por pessoas com vínculos íntimos, principalmente dentro dos lares, as agressões muitas das vezes não eram reconhecidas como violência. Historicamente, o que acontecia dentro dos lares era tido como problema exclusivo do autor da agressão e de quem a sofria. O conceito de violência doméstica adotado neste trabalho é o de cunho jurídico, presente na atual legislação / Lei Maria da Penha 5. É importante ressaltar que vários outros 3 Izumino (2003) faz uma importante distinção do conceito de violência para o de crime, que por vezes são utilizados como sinônimos. Sendo o primeiro mais abrangente que o segundo. A autora lembra que nem todo crime previsto na legislação é violento. Da mesma forma, alguns comportamentos socialmente percebidos como violência não são definidos como crime ou não encontram na legislação o correto enquadramento penal (IZUMINO, 2003, p.65) 4 BRASIL. Lei nº , de 7 de agosto de Dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/_ato2004-

3 campos do conhecimento buscam conceituações para esse tipo de violência. De acordo com a legislação brasileira, violência doméstica e familiar contra a mulher é qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial, nos âmbitos domésticos, familiares ou de relações de afeto. A agressão não precisa assim ser praticada dentro do espaço residencial para ser enquadrada na Lei, mas por alguém com quem a agredida possua um desses vínculos. Vale lembrar que até sua promulgação, a luta dos movimentos de mulheres foi incessante. Entre as conquistas anteriores à Lei Maria da Penha, destaca-se que, na década de 1980, foi implementada aquela que seria de fato a principal política pública para o combate à violência doméstica: a criação das delegacias da mulher. De acordo com Izumino e Santos (2008, p.12) a primeira delegacia da mulher atendeu de imediato um grande número de mulheres em situação de violência, mostrando que este problema existia, era grave e carecia de um atendimento policial especializado. Três anos depois, o Brasil dá um importante passo para a garantia de direitos das mulheres, com a alteração na Constituição Federal de 1988, estabelecendo mulheres e homens com igualdade de direitos perante a lei, o que agora consta no 5º artigo da Carta Magna. Em 1994, novamente o Brasil foi um dos países que ratificaram a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, que ficou conhecida como Convenção de Belém do Pará, cidade onde o documento foi assinado. Os estados americanos se comprometeram a proteger a mulher da violência e reconheceram os prejuízos para o exercício da cidadania que a violência contra mulher, nos seus diversos âmbitos provoca. Não cabe no escopo deste trabalho fazer um apanhado minucioso sobre as inovações que a Lei Maria da Penha trouxe para compreender o fenômeno da violência doméstica, mas é necessário valorizar uma inovação demasiadamente importante trazida pela Lei: a definição dos tipos de violência ocorridos na esfera doméstica, que superam uma conceituação generalista. O artigo 7º da Lei Maria da Penha define os tipos de violência, a saber: violência física: ofensa a 2006/2006/Lei/L11340.htm>. Acesso em: 20 de jul A farmacêutica cearense Maria da Penha foi vítima de tentativa de homicídio enquanto dormia, em 1893, pelo seu então marido. Foi atingida por um tiro que acarretou a perda dos movimentos de suas pernas. No mesmo ano, ele tentou eletrocutá-la. Maria da Penha denunciou o caso em 1984 e depois de sete anos, Marco Antônio foi condenado a 15 anos de prisão, por tentativa de homicídio. Com recurso impetrado pela defesa, o julgamento foi anulado. Em 1996, ele sentou novamente no banco dos réus e recebeu uma condenação de 10 anos. Contudo, ficou preso apenas por dois anos em regime fechado. Ela denunciou a morosidade da justiça brasileira e a forma branda de punição a Organização dos Estados Americanos (OEA), que lançou, em 2001, um relatório culpando o Estado brasileiro pela violação dos direitos da mulher que dá nome à Lei.

4 integridade ou saúde corporal; violência psicológica: conduta que cause dano emocional e diminuição da auto-estima, como insulto, chantagem, ridicularização, ameaça ou vigilância constante; violência sexual: usar de força para presenciar, manter ou participar de relação sexual indesejada ou não consentida; violência patrimonial: retenção ou destruição de documentos, objetos, instrumentos de trabalho, além de utilizar sem consentimento os recursos financeiros da ofendida; violência moral: conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. A Lei por si só não consegue romper com uma ideia incorporada culturalmente. Por ter estado ligada ao plano privado, torná-la visível é alterar uma rotina familiar, que muitas vezes faz com que mulheres se sintam culpadas pela violência doméstica que sofreram. De acordo com Saffioti (1999, p.84), há um ideologia de defesa da família, que chega impedir a denúncia (...) para não mencionar a tolerância durante anos seguidos, de violências físicas e sexuais contra si mesmas. Saffioti (1999) argumenta que há várias ambigüidades que desestimulam a exposição da violência. A autora cita o fato de que em muitos casos, o homem é o único provedor do grupo familiar; o discurso de preservação da sagrada família estimulado pela família, amigos, Igreja e as ameaças de novas agressões. Conrado e Souza (2006, p.5) afirma que a separação carrega uma ideia de abandono e as mulheres que tentam romper com um relacionamento violento são vistas como àquelas que não conseguiram o que mais a sociedade as cobra: a de manter a família e de conciliar as atribuições a ela designada na esfera privada. Além destes aspectos, há ainda dificuldades em nomear as situações de sofrimento. Schraiber.et al. (2003) afirma que muito mais que não querer contar a violência, muitas mulheres não sabem a quem, nem como fazer. A conclusão dos estudos de Schraiber et.al. (2003) nos traz um dado importante para a nossa discussão sobre mídia e violência doméstica. Vejamos: Via de regra, violência parece ser um tema reservado à criminalidade e usado para expressar o que ocorre no espaço público como, por exemplo, a violência geral das grandes cidades, cometidas por desconhecidos, enquanto os problemas com vizinhos colegas de trabalho e escola não são reconhecidos como violência. O termo também indica situação grave, o que culturalmente, parece significar que a violência doméstica, embora concretamente severa não é representada como tal (SCHRAIBER; et al, 2003, p.51). Quem ajudou a construir a ideia de que violência é o que ocorre na rua? Ou ainda, há quem caba desmistificá-la? A presença engendradora da mídia na vida social fizeram com que o leque de opções das instituições para responder a essas perguntas família, Igreja, escola fosse ampliado. Acreditamos que nessa transformação a mídia passou a ser fundamental para apropriação de discussões por parte do público e tematização de problemas para o debate. Feitas tais conceituações, explicar-se-á a partir de agora quais as imbricações que estabelecemos neste trabalho entre o tema de estudo e o papel dos meios de comunicação.

5 2. Pré-estruturar a esfera pública sobre um problema privado: insumos para a compreensão de experiências pessoais Por ser agente socializadora de discursos, imagens, comportamentos, a mídia tornou-se grande responsável pela construção do que a sociedade percebe acerca do que é público e ainda fundamental para produzir o que deve ser considerado relevante para adquirir visibilidade. A partir das informações apropriadas através dos meios de comunicação de massa os cidadãos podem rever posicionamentos, identificar seus discursos, recontextualizar suas posições. Maia (2004) e Mendonça (2006) conceituam esse processo como pré-estruturação da esfera-pública, pelo fornecimento de informações que serão utilizadas em palcos diversos fora do debate midiático. A esfera pública não é um lugar institucionalizado, mas uma rede comunicativa que se desenrola em diferentes espaços, nos quais um mesmo tema está em debate. É na esfera pública, segundo Habermas (1997), que podem ocorrer as mudanças de opinião e de vontade, isto é, o espaço em que a troca de argumentos pode levar a um consenso ou ainda estimular novas indagações sobre o bem estar social. Ela é o lócus no qual os indivíduos expressam seus pontos de vistas e constroem ou ratificam seus posicionamentos e assim formam opiniões públicas - é um sistema de alarme dotado de sensores não especializados, porém sensíveis no âmbito de toda a sociedade (HABERMAS, 1997, p.91). Pré-estruturar a esfera pública, a partir da mídia, significa fornecer insumos para que os cidadãos acreditem, contestem, debatam, reproduzam ou ignorem a produção da realidade feita pela mídia ao relacionarem-na com suas vivências pessoais, estimulando o debate público. A troca de argumentos que ocorre na esfera pública é compreendida por Habermas como deliberação. Como deliberação entende-se uma situação na qual ocorrem trocas de argumentos sobre determinado assunto, em geral um problema coletivo, sem que haja a expectativa formal de um consenso, mas que haja alternativas em prol da melhoria do bem estar social. A deliberação pública acerca da violência doméstica durante mais de três décadas foi um mecanismo importante para a promulgação da Lei Maria da Penha, mas para além dos âmbitos formais de discussão, é necessário lembrar que um sistema democrático está repleto de teias comunicativas diferenciadas que contribuem para a construção de discursos dos indivíduos e elas nem sempre são detectadas com uma mudança de postura governamental, muitas das vezes de tão informais e inconscientes nem são levadas em consideração. Mesmo ainda em fase de implantação de mecanismos para que ela seja efetivamente aplicada, a proteção jurídica já está prevista. Cabe a sociedade conhecê-la e utilizá-la. Dryzek (2004, p.55) afirma que avanços discursivos não podem ser medidos apenas pela edição de leis,

6 mas também na prática do cotidiano, em contestações feitas e resistidas no âmbito dos lares. Mas ainda hoje, nem todas as mulheres em situação de violência doméstica reconhecem isso como um problema ou entendem as agressões sofridas como um tipo de violência. Daí, entendemos a importância da mídia em pré-estruturar a esfera pública, fazendo com que, ao entrarem em contato com uma informação responsável sobre a violência doméstica, mulheres vítimas e suas famílias possam compreender a complexidade do problema e serem estimuladas a romper com tal situação. Mendonça (2006, p.26), afirma que ao dar ampla visibilidade a certas questões e informações, tal material pode iniciar ou aquecer debates públicos e criar circunstâncias para que a sociedade se repense e se transforme Correia (1995) aponta que a mídia pode atuar desestabilizando ordens dominantes e contribuindo para mudanças ou ainda reproduzir discursos comuns e não fomentar a problematização. No caso da violência doméstica contra mulher, tratá-la como restrita a uma classe social, faixa etária, apresentar a vítima como culpada, abordá-la apenas sobre o aspecto físico e não enfocar os direitos da mulher é assentar essas bases estereotipadas. Por isso a necessidade da organização da realidade feita pela cobertura jornalística não apresentar uma versão generalista, seja dos tipos de violência, seja da postura da mulher frente a ela. 3. O discurso impresso: permanências e emergências sobre violência doméstica nas páginas de O Liberal Para a análise, definimos como espaço temporal para a catalogação das matérias veiculadas, os jornais de 1997e 2007, a fim de observar a cobertura jornalística ainda na década de 1990, antes da promulgação da Lei Maria da Penha, ocorrida em 2006, e dez anos depois, quando começou sua aplicabilidade efetiva. Optamos, portanto, por utilizar, no ano de 1997, um sistema de amostragem aleatória, com uma matéria de cada mês do ano. Em tal ano, não procuramos apenas matérias que citassem especificamente o termo violência doméstica, assim, coletamos no sorteio notícias e reportagem sobre agressões contra mulheres com as quais os agressores tinham vínculo doméstico, familiar ou afetivo, além de notícias sobre serviços. Já em 2007, optamos por usar o mecanismo de busca disponível no site do jornal O Liberal. A página eletrônica integra o Portal ORM, também um veículo de comunicação das Organizações Rômulo Maiorana (ORM). Na busca online do jornal, a partir das palavras chaves Lei Maria da Penha, violência doméstica e violência contra a mulher foram encontrada 485 matérias, apenas 71 delas abordavam diretamente ou faziam referência ao tema. No total foram analisadas, somados os dois anos, 83 matérias. Foram excluídos da análise artigos, notas e todos os textos publicados em colunas fixas, além de reportagens assinadas por agências de notícias, a fim de dar prioridade

7 ao conteúdo jornalístico produzido no estado. Mesmo sendo relevantes na produção jornalística, nesta análise não forma consideradas fotos, imagens, gráficos e demais itens textuais como manchetes. Elaborou-se uma ficha de análise, na qual constam a identificação da matéria, com título, caderno, página, data e gênero (notícia ou reportagem 6 ) e mais nove itens para mapear como se deu a cobertura sobre o tema, entre eles número de fontes, tipo de violência e relação com a agredida. Contudo, este artigo traz apenas as constatações sobre as formações discursivas mais comuns sobre violência doméstica nos dois anos pesquisados. Para a análise, utilizou-se o método qualitativo da análise do discurso, pelo qual, segundo Orlandi (2003), procura-se compreender a língua fazendo sentido, enquanto trabalho simbólico, constitutivo do homem e da sua história. De acordo com Benetti (2007), cujo trabalho dedica-se aplicar tal metodologia especificamente à produção jornalística, as formações discursivas são identificadas a partir de palavras ou trechos que representem uma determinada concepção acerca de um assunto. Orlandi (2003) aponta que a partir dessa identificação é possível tornar visível as palavras do texto que se agrupam para a formação de sentidos. Então, é necessário realizar três etapas para satisfazer os objetivos da análise do discurso: a primeira é passar da superfície lingüística, que é o texto bruto, para o objeto discursivo, a partir da identificação das formações discursivas, desta etapa seguir para analisar o processo discursivo, a partir das formações ideológicas contidas no objeto analisado. Metodologicamente, dividimos a análise a partir das formações discursivas. Em cada tópico que nomeia o determinado discurso, informa-se em quais anos ele foi encontrado, identificando assim, quais permaneceram durantes e de que forma eles passaram a ser abordados. 3.1) O discurso do amor demais A presunção da traição e o ciúme exagerado, também relatado como excesso de amor, é uma explicação recorrente que o jornal, baseado nas fontes (principalmente policiais), apresenta para justificar a violência doméstica, nos dois anos analisados. Em 1997, o jornal trata o agressor como o enciumado, inconformado com o rompimento e acaba por reduzir o problema ao sentimento de amor ou proteção exagerados. A redução poder induzir à interpretação de que a vítima está abrindo mão de um relacionamento e abandonando a família. O agressor torna-se a 6 Para efeitos de classificação, adotamos a diferenciação estabelecida por Lage (1987, p. 47) sobre notícia e reportagem. De acordo com este autor, a distância entre notícia e reportagem estabelece-se na prática a partir da pauta, isto é do projeto do texto. O imediatismo e o factual governam a notícia. A reportagem pressupõe maior produção e tempo. Esta é última é um texto mais planejado, interpretativo, profundo, e trata de um assunto, não da cobertura de um fato.

8 então a vítima de seu sentimento. Tal discurso acaba tornando-se perigoso, pois tende a sinalizar que o ciúme deve ser aceito, que a mulher deve se conformar com a situação que vive para não destruir a família. A causa do crime foi passional. (Delegada Valderez Silva. Dona de casa é assassinada pelo companheiro, O Liberal, 09/02/97, grifos nossos) Se na maioria das matérias, há uma fonte para sustentar as razões que o jornal atribui para o crime, há casos em que o texto assume uma posição, que concorda com a violência, a partir dos mecanismos de discurso, como verbos utilizados para narrar os fatos. Uma das matérias relata que um homem matou o outro e uma mulher teria sido a pivô do crime. A mulher, que já havia sido agredida pelo assassino, tinha outro relacionamento, mas continuava com ele. João (irmão da vítima) revelou que Domingos (acusado de assassinato) já havia tentado matar Elizabeth, aplicando-lhe várias facadas, mas ela conseguiu sobreviver e continuaram juntos. De dia, era a vez de Mauro de dividir a mesma cama com Elizabeth, que assim enganava os dois homens ao mesmo tempo. (Traição e morte na Cabanagem, O Liberal, 04/08/97, grifos nossos). No ano de 2007, as matérias também trazem o ciúme como motivo para as práticas agressivas, principalmente na voz das mulheres agredidas. Contudo, é possível constatar que, por meio de lances discursivos 7 permitidos pelo jornalismo, o jornal consegue mostrar os efeitos danosos que o sentimento com o qual se justifica a violência doméstica pode causar. O jornal relata a agressão sofrida pela mulher e o momento no qual ela resolve denunciar, quando o companheiro passa a agredi-la com fio elétrico. O relato da evolução da agressão até o momento da denúncia é importante para mostrar que se o problema não tiver uma intervenção em seu estágio inicial, isto é, quando ocorrem as primeiras agressões, as conseqüências do silêncio podem ser ainda mais danosas. 3.2) O discurso da obrigação pela posse José Quaresma e Suzana viviam juntos há oito anos. Com ciúme, desde o ano passado ele começou a suspeitar de estar sendo traído pela companheira (...) Segundo depoimento dela, motivado pelo ciúme, o marítimo a mantinha presa dentro de casa. A residência gradeada era trancada com cadeados. Depois, passou a ofendê-la moralmente e começou a espancá-la com um chicote improvisado de fio elétrico (...) As duas (a agredida e sua mãe) denunciaram José Quaresma à Polícia. (Juiz relaxa prisão de marítimo que espancava mulher com fio elétrico, O Liberal, 10/02/07) 7 Entendemos por lances discursivos (MAIA, 2008, p.87) o modelo pelo qual se desenrola o debate midiático a respeito de um assunto, já que não uma linha argumentativa contínua e ininterrupta, tal qual ocorre presencialmente são pequenos pontos apresentados ou trocados, ao invés de longos proferimentos sobre posições apresentados de forma fragmentada dentro do espaço de visibilidade midiática.

9 A integridade física, psíquica e patrimonial de um ser humano deveria ser inviolável, mas nos casos de violência doméstica este princípio constitucional não é obedecido. A mulher como subordinada e obrigada a satisfazer as vontades do companheiro é um discurso recorrente nas matérias de O Liberal para a justificativa das agressões ) A posse do relacionamento Mulher não tem o direito de pedir a separação. Este é um dos discursos presentes na cobertura, sem grandes diferenças nas abordagens durante os anos. Em 1997, ele aparece como justificativa de homicídio de mulheres por seus companheiros. Em 2007, ele aparece nas denúncias feitas pela mulher à polícia sobre as agressões. O jornal limita-se ao relato dos fatos e não questiona a autonomia a e a liberdade da mulher dentro do relacionamento. Não levantar o debate sobre o homem não ser dono da vontade da mulher pode gerar interpretações do tipo: Se a tivesse continuado com ele, teria evitado a tragédia? Osila veio morar em Belém, pois disse não querer mais viver com Helói, com quem o relacionamento não estava mais dando certo. Ele, porém não aceitou a separação e estava tentando a reconciliação. A mesma testemunha, uma mulher, disse à delegada Valderez, que supunha que o acusado estivesse desconfiando de estar sendo traído. (Testemunha não identificada. Dona de casa é assassinada pelo companheiro, O Liberal, 09/02/97, grifos nossos) ) A posse do corpo Eldilete revelou que vivia com Franciney há dez anos em regime de concubinato, sem filhos, e que nos últimos meses a relação não vinha mais dando certo, pois a vida íntima do casal havia se transformado num verdadeiro inferno. Mesmo assim, prossegue a dona-de-casa, o companheiro não admitia a separação, ao contrário dela (...) Franciney passou a ameaçá-la de morte dizendo que ele era o único homem com quem ela poderia viver. (Dona-de-casa agredida pelo ex-companheiro, O Liberal, 19/09/07, grifos nossos) Em 2007, outro claro exemplo do discurso de que o agressor se coloca na posição de proprietário do corpo da mulher. A esposa nega-se a manter relações sexuais com o marido foi agredida fisicamente. Apesar de citar que o agressor foi enquadrado na Lei Maria da Penha o jornal não discute o fato de que, mesmo em uma relação marital, se o homem força a companheira a manter relações sexuais, ele está praticando estupro. Ela acrescentou que Max ficou enfurecido quando ela disse que não queria transar com ele, passando a espancá-la. (Marcas do não, O Liberal, 20/10/07, grifos nossos) 3.3) O discurso da droga e da bebida O jornal também aponta o consumo de álcool e drogas como razões que explicariam a

10 violência doméstica. Ao recorrer a esse tipo de justificativa, o jornal limita um comportamento agressivo a eventuais situações, o que é corroborado pelas poucas vezes em que o veículo questiona a vítima ou o agressor o porquê da agressão. Uma consideração possível a partir de relatos deste tipo é minimizar o problema culpando a bebida e acreditando que isso não vai mais acontecer se o consumo dela cessar. Redução simplista que tende a não ser reconhecida por mulheres vítimas de violência cujo agressor não ingere bebida, nem usa drogas. Maria José disse que sempre era agredida pelo companheiro, quando ele chegava bêbado em casa. (Mulher se vinga com dois tiros de ex-marido violento, O Liberal, 29/07/97) Em 2007, o discurso se repete. De acordo com ela, ele recebe pagamentos semanais em seu trabalho, mas toda vez que recebe o ordenado gasta todo o dinheiro com bebidas alcoólicas, no bairro do Guamá. Quando chega em casa, agride a mulher. (Marido é preso depois de chegar bêbado em casa e agredir a mulher, O Liberal, 03/09/07) 3.4) O discurso do atendimento Nesta categoria agrupamos todas as matérias que relatam a prestação de serviços às mulheres em situação de violência, bem como a capacitação de profissionais para atuar junto ao problema. Não foi encontrada nenhuma referência desse tipo no ano de O discurso do atendimento em 2007 é bastante recorrente, principalmente por que neste ano o Pará ganhou dois serviços previstos na Lei Maria da Penha: o centro de referência e atendimento e as varas especializadas em violência doméstica, e por conseqüência, a promotoria específica. As notícias, mesmo informando da existência desses espaços e de suas atribuições, não conceituam, não definem, não explicam o que é a violência doméstica. Na notícia abaixo, o jornal não explica que o centro de referência é para atender a violência doméstica e não simplesmente de violência, portanto não caracteriza para o leitor quem deve procurar esse serviço. Afirma que o espaço irá colaborar para que as mulheres saiam da situação em que vivem. Mas que situação é essa? Trata também da recuperação da auto-estima, mas não amplia a discussão sobre quais os outros impactos da violência doméstica na vida da mulher. O Pará terá até o final do ano que vem um Centro de Referência para atendimento de mulheres vítimas de violência (...) A ideia do centro é garantir num só espaço serviços de psicologia, assistência sociais e todos os que forem necessários para que as vítimas saiam da situação em que vivem e recuperem sua auto-estima. (Mulheres terão Centro de Referência, O Liberal, 18/10/07)

11 A construção do centro de referência foi noticiada novamente quando o Pará assinou o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres 8. Novamente, não há o esclarecimento de que o espaço faz atendimento à violência doméstica e qual a diferença entre ela e os demais tipos de violação de direitos humanos. O jornal ainda aproveita a vinda da ministra Nilcea Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), para comentar no bojo da discussão sobre a violência doméstica o caso da menina que ficou presa com homens em uma cela no município de Abaetetuba, nordeste paraense, em novembro de O caso, contudo, trata-se de um violação aos direitos da criança e do adolescente e também não diz respeito a violência doméstica. Os centros oferecerão atendimento psicológico, social e jurídico e prestam serviços de orientação a mulheres em situação de violência (...) A adolescente foi vítima de violência desde que nasceu, por que nasceu mulher, não é branca, é pobre e vive na Amazônia, onde só muito recentemente o estado democrático de direito começou a se fazer presente. (Mulher: Pará ganhará centros de atendimento, O Liberal, 8/12/07) Outra matéria informa sobre a implantação das promotorias de violência doméstica e familiar contra a mulher, cujos trabalhos começaram no mês de março de 2007, sendo o Pará o segundo estado, depois de Minas Gerais, a contar com promotoria específica. A notícia retrata a importância do órgão para o combate a violência doméstica, mas, novamente, não conceitua que violência é essa. Afirma também que a punição prevista na legislação é relativa aos homens violentos. Vale lembrar que a Lei Maria da Penha esclarece que a aplicação de seus mecanismos independe da orientação sexual, abrangendo assim as relações homoafetivas femininas. O enfoque maior é no aspecto estrutural, e não nas ações da promotoria. O que cabe a elas? Quando procurá-las? De acordo com a promotora de Sumaya Morhy, o mais importante é que as duas promotorias passam a contar com um espaço amplo, podendo exercer autonomia para o exercício de todas as suas funções. Além da nova sede, a ser localizada próxima da nova vara de judicial de Violência Doméstica contra Mulher. (Promotorias de apoio às mulheres ganham sede e mais estrutura, O Liberal, 09/03/07) 3.5) O discurso do alerta 8 O Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres é um conjunto de ações com execução prevista para os anos de 2008 a 2011 como a ampliação das redes de proteção a mulher, e capacitação profissional de quem lida com a violência e exploração sexual. No primeiro ano de implementação do Pacto foi priorizada a atuação em onze estados, a partir de, entre outros fatores, tamanho da população feminina no estado e índices de violência ali verificados e ao número de serviços da Rede de Atendimento. O Pará integra esse conjunto. Mais informações: Acesso em: 30. ago. 09.

12 Neste tópico, refere-se a uma cobertura em especial, realizada no ano de Mesmo estando também incluída na análise sobre o discurso do ciúme, o assassinato de Nirvana Evangelista pelo ex-namorado Mário Tasso Júnior, ocorrido em julho de 2007, trouxe um discurso não visto em nas demais matérias. O do alerta para evolução dos níveis de violência. O jornal não tratou nenhuma das 16 matérias sobre caso diretamente como violência doméstica 9. O termo só passou a ser citado quando o Ministério Público do Estado encaminhou a Vara de Violência Doméstica e Familiar a denúncia contra o assassino. È apenas nesta cobertura também que o jornal utiliza o termo criminoso, supomos que por se tratar de um homicídio, como se as demais agressões não fossem crimes. O que chama atenção na cobertura do caso Nirvana é a fala uníssona da família, que dá o alerta para que as autoridades e as próprias mulheres atentem para a situação que estão passando. 3.6) O discurso da conscientização Segundo Alberto (primo de Nirvana), a Lei Maria da Penha é importante para combater a violência contra a mulher. Mas também seria importante que houvesse mecanismos para detectar esses casos e tentar trabalhar o relacionamento de casais que vivem em conflitos e cuja relação, muitas vezes, vai terminar em tragédia. Ele observou que, quando chegam às delegacias, as mulheres têm escoriações físicas. Mas pergunta Alberto e aquelas violências que não deixam marcas? (...) O que a família espera é que sua morte represente uma oportunidade para que as mulheres que estão em silêncio, embora vítimas da violência de seus companheiros, abram o verbo e digam o perigo que está ao seu lado. (Família clama por justiça, O Liberal, 10/07/07) Campanhas, palestras, seminários e vários tipos de mobilizações para esclarecer a violência doméstica também ganharam as páginas do jornal O Liberal no ano de Pautados por essas demandas, o jornal noticiou essas estratégias de conscientização para a sociedade, contudo, em nenhuma das matérias consegue abarcar a complexidade do fenômeno, seja descrevendo suas manifestações ou explicando de fato em quais relações é possível ocorrer violência doméstica, conforme previsto na legislação. Algumas matérias são bastante ilustrativas dessas deficiências: Na matéria Violência exige o combate de todos, é noticiada a palestra promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pará (OAB/PA), que traz a Belém a Ministra do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon. O enfoque foi maior para a presença dela e pela homenagem que recebeu da OAB do que para as contribuições sobre o tema. Além disso, mesmo citando que 9 Não há estudos que comprovem por que exatamente o jornal acompanhou o caso Nirvana. Algumas das hipóteses possíveis é que a família da vítima estava em constante relação com jornalistas de O Liberal, informando as datas relevantes dentro do processo. Há ainda o fato do assassino ser, à época, servidor do Tribunal de Justiça do Estado do Pará.

13 foram passados esclarecimentos sobre a Lei Maria da Penha, o jornal trata o tema como violência contra a mulher. Não questiona-se, por exemplo, se os tribunais superiores estão preparados para lidar com processos da nova legislação. Outra matéria, iniciada com a descrição de uma cena comum vivida por mulheres em situação de violência, a conscientização é específica para combater a violência praticada por homens. Começa com um empurrão. Depois, um tapa. E, se você deixar, acaba refém de uma relação onde a submissão e a violência farão parte da rotina. Casos mais graves terminam com a morte dose vítimas por seus parceiros. Esse o principal alerta das campanhas pelo Fim da Violência contra as Mulheres e 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, lançadas ontem, Dia Internacional de Luta Contra a Violência à Mulher, na Praça da República. (Mulheres promovem campanhas contra a violência dos homens, O Liberal, 26/11/07) 3.7) O discurso do perdão Em 2007, foi possível identificar a presença de um discurso muito importante para compreensão das imbricações da violência doméstica. Algumas notícias e reportagens deste ano polemizaram a dependência afetiva da mulher em situação de violência em relação ao agressor (a). Colocamos aqui como o discurso do perdão, em função do resgate que o jornal fez de um caso ocorrido no Rio de Janeiro, no qual a mulher perdoou o agressor: A difícil decisão de Cristina de perdoar seu marido e voltar para casa reacendeu uma antiga discussão: que amor é esse, capaz de suportar a violência? E até quando o perdão pode ser saudável para a relação? (Perdôo-te por me agredires, O Liberal, 05/08/07) Uma das fontes ouvidas pela reportagem, a promotora de Justiça Leane Fiúza de Mello, explica que a punição prevista em lei não excluiu o fato de que a mulher possa voltar a se relacionar com o agressor, o que não pode é deixar a agressão impune. Para Leane, as mudanças trazidas pela nova legislação, que completa um ano este mês, é essencial para garantir o fim da impunidade. Ela pode até perdoar e reatar a relação, mas nossa missão é justamente dar uma resposta legal para o crime que foi cometido, afirmou (...) Leane ressalta, no entanto, que o perdão e a volta para casa não são recriminadas por psicólogos e especialistas. A mulher tem que ter a consciência de que ela pode e deve ser amparada pelo Estado. E que em briga de marido e mulher, a Justiça tem sim que meter a colher, afirmou. (Perdôo-te por me agredires, O Liberal, 05/08/07) Na matéria também é feito um contraponto sobre o discurso de que faz a mulher manter um relacionamento é a dependência financeira. Além do sentimento, há também o fato da mulher não querer ser vista como a responsável pelo desmanche do casamento. Com a experiência de quem lida todos os dias com casos como esse, a promotora conta que ao contrário do que muita gente imagina, a dependência econômica do agressor, não é o fator mais preponderante nesta relação de violência e perdão (...) O que

14 3.2.9) O discurso dos números percebemos é que na maioria das vezes, o que prende a relação é a dependência afetivoemocional,a pressão dos filhos e da família do agressor, argumenta a promotora. (Perdôo-te por me agredires, O Liberal, 05/08/07) Apesar do jornal não citá-las com tanta freqüência, houve em 2007 coberturas específicas dos números sobre violência. Em tais coberturas percebe-se que é feita uma diferenciação ao ser apresentados os números de denúncias e atendimentos. O jornal fala em violência doméstica e violência sexual como duas categorias diferentes, como se no âmbito das relações domésticas não ocorresse tal violência, ou como se a violência doméstica fosse apenas a agressão física. Em outra matéria, separa a violência doméstica, como se esta fosse um crime específico, dos demais, como injúria e ameaça sem, no entanto, definir a primeira. 4. Permanências e novas abordagens De janeiro a outubro deste ano, a Divisão de Crimes Contra a Integridade da Mulher recebeu denúncias de mulheres vítimas de violência doméstica ou sexual somente em Belém. A estatística demonstra que, nesses dez meses, principalmente por conta da Lei Maria da Penha, que passou a vigorar em setembro do ano passado, já foram superados os números apresentados durante todo o ano passado, que não chegou a oito mil casos. (Mais de 8,8 mil mulheres são vítimas da violência, O Liberal, 25/11/07) Percebe-se que apesar da emergência de novos discursos, e citação da legislação atual, o jornal ainda não consegue dar conta da complexidade do fenômeno que é a violência doméstica e nem conseguiu incorporar as novas compreensões trazidas pela Lei Maria da Penha. Algumas mudanças são mais perceptíveis, principalmente quando o jornal passa a cobrir denúncias de agressões e não apenas casos de homicídio, mas ainda assim, reduz a violência doméstica ao aspecto físico. Foi possível notar que sempre é atribuída uma causa específica para violência, sem observá-la como um conjunto de fatores e ainda sem discutir essa causa. Em 1997, por exemplo, o jornal não discute o rompimento de relações pelo ciúme. Em 2007, relata a denúncia da mulher, mas não amplia o debate. Assim, conclui-se que a mudança de compreensão está ocorrendo, mas ainda de forma lenta e pontual em algumas coberturas. Em alguns casos, ao ler uma matéria sem identificação dos dois anos, o leitor possivelmente não saberia diferenciar de qual momento histórico está se falando. Contudo, vale reconhecer que a incorporação de discursos sobre a dependência afetiva, perdão e alerta são valiosos para dar início ao esclarecimento maior sobre o problema. Porém, sobretudo quando constatas-se a deficiência na cobertura sobre os serviços e caracterização da violência, percebe-se o quanto os jornais precisam

15 avançar. É necessário que os jornais consigam mostrar a diversidade de fatores que envolvem o problema da violência doméstica e não reproduzir visões generalistas, para que as mulheres em situação de violência e os demais atores da sociedade possam conhecer e reconhecer naquilo que é mostrado, para então enfrentar tal situação. - Referências bibliográficas: BENETTI, Marcia. Análise do Discurso em Jornalismo: estudo de vozes e sentidos. In: LAGO, Cláudia; BENETTI, Marcia. (Org.). Metodologia de Pesquisa em Jornalismo. 1 ed. Petrópolis: Vozes, 2007, v. 1, p BOHMAN, James. O que é a deliberação pública? Uma abordagem dialógica. In: BOHMAN, James. Public Deliberation: pluralism, complexity and democracy. Cambridge: Mit Press, 2000, p CONRADO, Monica Prates. A fala dos envolvidos sob a ótica da lei: um balanço da violência a partir da narrativa de vítimas e indiciados em uma delegacia da mulher f Tese (Doutorado em Sociologia) São Paulo: USP/Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, São Paulo, 2001, CONRADO, Mônica Prates; SOUZA, Luanna Tomaz. Vergonha ou intimidação? Um retrato da violência cometida contra a mulher em Belém do Pará. Simpósio Temático nº 5 Violência de gênero - Seminário Internacional Fazendo Gênero7: Gênero e Preconceitos. Santa Catarina, CORREIA, João Carlos.O poder do Jornalismo e a mediatização do espaço público, Disponível em:http://www.bocc.ubi.pt/_esp/autor.php?codautor=12. <Acesso em: 20/02/09> DRYZEK, John. Legitimidade e economia na democracia deliberativa. In: COELHO, V. S. & NOBRE, M. Participação e deliberação: teoria democrática e experiências institucionais no Brasil contemporâneo. São Paulo: Editora 34, HABERMAS, Jurgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade II. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997, p. 91 a 119. IZUMINO, Wânia Pasinato. Justiça para todos: os Juizados Especiais Criminais e a violência degênero. Tese (Doutorado em Sociologia). Programa de Pós-graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, IZUMINO, Wânia Pasinato; SANTOS, Cecília MacDowell. Mapeamento das delegacias da mulher no Brasil. Núcleo de Estudos de Gênero, Universidade Estadual de Campinas PAGU/UNICAMP, KRUG. Etienne et al [Ed.]. Relatório mundial sobre violência e saúde. Genebra: Organização Mundial de Saúde p. MAIA, Rousiley (orgs). Mídia e deliberação. Rio de Janeiro: FVG, MAIA, Rousiley C. M. Dos dilemas da visibilidade midiática para a deliberação pública. In: LEMOS, A. et al. Livro do XII Compós Mídia.br. Porto Alegre: Sulina, 2004a. p MENDONÇA, Ricardo Fabrino. Mídia e transformação da realidade. In: Comunicação e política, v. 24, n 2, 2005, p Disponível em: <http://www.cebela.org.br/imagens/materia/1art1ricardofabrino.pdf>. Acesso em 23/02/09. ORLANDI, Eni. Análise de discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, SAFFIOTI, Heleieth I. B. Já se mete a colher em briga de marido e mulher. In: São Paulo em perspectiva. 13(4): 82-91, out.-dez SCHRAIBER, L. et al. Violência vivida: a dor que não tem nome, Interface - Comunic, Saúde, Educ, v.7, n.12, p.41-54, Disponível em: <http://www.interface.org.br/revista12/ensaio3.pdf>.

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