INFRA-ESTRUTURA COMUM PARA PROVEDORES DE SERVIÇOS E EMPRESAS. Eduardo Mayer Fagundes

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1 INFRA-ESTRUTURA COMUM PARA PROVEDORES DE SERVIÇOS E EMPRESAS Eduardo Mayer Fagundes No passado, os provedores de serviços de telecomunicações projetavam, implementavam e operavam suas próprias redes físicas. Essas redes eram desenhadas dentro de altos padrões técnicos. No Brasil, eram conhecidas como as normas TELEBRAS. Os provedores desenhavam suas redes para atender a cinco características: disponibilidade, flexibilidade, escalabilidade e fatores importantes para os fornecedores como bilhetagem e contabilidade. Em contraste, as redes das empresas tendiam a serem mais baratas, utilização de produtos menos escaláveis e com menos confiabilidade. Era comum as empresas adquirem seus próprios equipamentos de roteamento e switching e contratar as facilidades de transporte de dados dos provedores de telecomunicações. Porém cada vez mais as diferenças entre as redes dos provedores e das empresas estão ficando menos proeminentes. Uma das maiores características encontradas nas redes é a tendência comunização de plataformas. Ambos os ambientes estão migrando para o uso da tecnologia IP, embora existam muitos outros fatores convergentes. Atualmente são poucos os provedores de telecomunicações que operam em plataformas totalmente de sua propriedade. E ao longo dos últimos anos, as empresas têm depositado mais confiança nas redes dos provedores, vide o exemplo do Banco Bradesco, Itaú e Unibanco que transferiram suas redes proprietárias para provedores especializados. Um outro fato importante é o aumento da confiabilidade na interface entre os provedores, viabilizando uma mudança de abordagem de operação, antes verticalizada passando para horizontalizada. Em outras palavras, os provedores estão fazendo outsourcing das redes de comunicação. Por exemplo, surgiram no Brasil vários provedores de fibras óticas que alugam sua infraestrutura para provedores de serviços, tais como a MetroRed, Pegasus, Impsat e outras. Nos acordos são estabelecidos acordos de nível de serviços - SLA (Service Level Agreements) - que são repassados para os contratos com as empresas. Isso também é válido para as comunicações internacionais onde, por exemplo, operam para os Estados Unidos entre outros provedores de fibra a GlobalCrossing, Americas e Emergia que alugam suas infra-estruturas para outros provedores. Essa tendência de vendas por atacado está levando muitos provedores a definir novas estratégias de atuação no mercado. Algumas empresas têm criado novos segmentos de negócios com o objetivo de crescer mais rápido ou para gerar dinheiro. Podemos observar isso em empresas como a AT&T e WorldCom. A AT&T criou a AT&T Latin America para atuar no mercado latino americano, onde a nova empresa utiliza a infra-estrutura de transporte internacional, em larga escala, da AT&T. A AT&T LA passa a ter uma operação regional utilizando a infra-estrutura local de outros provedores para as conexões locais e ser mais competitiva na região. A WorldCom, através da MCI, adquiriu a Embratel para atuar

2 focada no Brasil e iniciar sua expansão para a América do Sul, a Embratel está abrindo escritórios em outros países latino-americanos. A criação de uma plataforma comum entre provedores e empresas não está se limitando apenas ao transporte de dados. Os provedores estão instalando grandes e robustas infraestruturas para hospedar centros de processamento de dados das empresas, os chamados Web Hosting. Com isso, além das empresas utilizarem a mesma infra-estrutura de transporte de dados ela passam a utilizar também prédios seguros, com energia ininterrupta, sistemas de ar-condicionado eficiente e com grande capacidade de expansão, protegidos por firewalls, sistemas de comunicações em larga escala e computadores altamente escaláveis. No Brasil, vários provedores de telecomunicações construíram esses complexos, entre eles: Diveo, Impsat, Telemar, Telefônica e Embratel. Outras empresas surgiram especializadas em Web Hosting que estão conectadas a, praticamente, todos os provedores de telecomunicações, tais como: Optiglobe, EDS,.comDomínio, Dedalus.com e outras. Com a oferta de grandes infra-estruturas de comunicação ópticas, grandes empresas já começaram a contratar produtos e serviços, exclusivamente baseados na tecnologia óptica. Por exemplo, algumas empresas têm contratado uma fibra óptica exclusiva - dark fiber - para conectar duas localidades de sua empresa criando sua própria rede Gigabit Ethernet através de uma MAN - metro area network. Nos Estados Unidos, algumas empresas estão usando "dark lambdas", equivalente a contratação de linhas de transmissão OC-48 ou Gigabit Ethernet através de redes de longas distâncias (WAN). Novos multiplexadores estão sendo desenvolvidos para que essas empresas tirem o máximo proveito das "dark fiber". Com isso, a tecnologia óptica está se tornando cada vez mais comum entre as empresas e provedores de telecomunicações. Custos dos serviços de telecomunicações e tempo de implementação dos serviços são importantes tanto para as empresas quanto para os provedores de telecomunicações. Assim, algumas empresas estão desenvolvendo produtos e serviços que ajudam as empresas no gerenciamento, tarifação e agilidade de implementação para atender as expectativas de ambos lados, empresas e provedores de telecomunicações. Infra-estrutura Comum para WAN Um modelo de infra-estrutura comum de WAN compartilhando recursos entre empresas e provedores de telecomunicações podem apresentar, basicamente, três camadas, como é apresentado na figura 1. As empresas podem, gradativamente, agregando novos serviços utilizando a mesma plataforma instalada.

3 Figura 1: Infra-estrutura Comum para WAN O núcleo central da rede - o core - é uma rede óptica baseada em CWDM - tecnologia de multiplexação por ondas - circundada por uma rede baseada em MPLS. E envolvendo essas duas camadas uma rede IP que é utilizada para dados e voz. Na camada IP aparecem vários servidores com múltiplos propósitos: servidores de aplicação, servidores de bancos de dados, servidores de DNS, servidores Web. Aparecem, também, sistemas de voz baseados em IP. Esses servidores podem aparecer em qualquer lugar da nuvem, significando estarem em diferentes localidades da empresa ou estarem sendo hospedados em um Web hosting pertencendo ao provedor de telecomunicações ou de outro provedor de serviço de hospedagem. Na camada IP estão localizados servidores que gerenciam as políticas - policy servers - de segurança e controlam os parâmetros de qualidade da rede - QoS (Quality of Service) - normalmente, conectados a servidores de diretórios de rede. Alguns produtos que exercem essa função foram originalmente desenvolvidos para atuar no gerenciamento de redes empresariais, porém hoje já estão sendo utilizados pelos provedores de telecomunicações. Um exemplo é o software da Orchesream. Outros elementos que cada vez ganham importância na rede compartilhada de empresas e provedores de telecomunicações são os equipamentos de voz sobre IP e os "gateways" que permitem o interfaciamento entre a rede interna IP e a infra-estrutura tradicional de

4 telefonia das concessionárias de telecomunicações. Esses "gateways" podem estar localizados em qualquer lugar da nuvem, dentro das empresas ou nos provedores de telecomunicações. Infra-estrutura Comum para Web Hosting O compartilhamento de recursos para processamento de dados utilizando a infra-estrutura dos provedores de telecomunicações ou de empresas especializadas em hospedagem são cada vez mais freqüentes. A grande vantagem é a redução dos investimentos e custos operacionais nas empresas. Basicamente, as empresas criam dois ambientes nos Web Hosting: a zona militarizada é onde fica os servidores de banco de dados e os firewalls de back-end que conectam com a rede da empresa; e, uma zona desmilitarizada onde ficam os servidores de aplicações conectados ao firewall de front-end. Nos Web Hostings é possível criar infra-estruturas independentes para cada empresa e compartilhar alguns recursos, tais como firewalls front-end, servidores de balanceamento de carga (load balancing servers), gerenciamento de banda, filtros de pacotes, servidores para detecção de falhas, servidores de cache, Ethernet switchs, etc. Figura 2: Infra-estrutura comum para Web Hosting Os Desafios da Comunização Por pressões de custos e de infra-estruturas robustas para processamento de aplicações criticas as empresas estão migrando para ambientes compartilhados oferecidos pelos provedores de telecomunicações e empresas especializadas em Web Hosting. Isso cria um novo desafio para as empresas, pois cada vez fica mais difícil saber por onde passa as informações da empresa, principalmente, em redes de dados internacionais. Devido aos

5 vários acordos operacionais entre os provedores de telecomunicações fica, em alguns casos, a dúvida nas empresas da robustez da infra-estrutura completa e da qualidade das interfaces entre as redes. Torna-se complexa e difícil terminar problemas em redes envolvendo muitos provedores de telecomunicações. Na ocorrência de um problema a coordenação para a solução de problema assume um papel importante. Os provedores de telecomunicações detentores do contrato com deve assumir uma postura pró-ativa na coordenação para a solução do problema. Solicitação de análise de problemas e acompanhamento de problemas não são suficientes para garantir a rápida solução do problema. Infelizmente, não existe um sistema comum de incidentes entre os provedores de telecomunicações onde todos pudessem fazer um acompanhamento on-line do processo de investigação da falha. O processo atual é feito por telefone ou , o que resulta em informações fragmentadas e um processo ineficiente na determinação de problemas. As empresas no processo de contratação de provedores de telecomunicações devem conhecer em detalhes como funcionam os processos de determinação de problemas, incluindo o processo de comunicação com os outros provedores. Apesar de todas as vantagens do compartilhamento das redes dos provedores pelas empresas, existem alguns riscos. Alguns provedores de telecomunicações não projetaram suas redes para atender a demanda e requerimentos exigidos pelas empresas, tornando o quesito escalabilidade importante dentro do contexto de serviços. Os provedores deverão investir em roteadores com capacidade para rotear terabits e redes com multiplexação por largura de onda, DWDM (Dense Wave Division Multiplexing). A tarifação dos serviços de telecomunicações deve continuar sendo um dos maiores desafios para os provedores, que desenvolveram seus sistemas de tarifação internamente ao longo de anos e, muitos deles, não foram projetados para tarifação de redes IP. Porém, a pressão do mercado, principalmente, das grandes empresas tem forçado aos provedores de telecomunicações a repensarem suas estruturas de custos e preços e oferecer soluções mais aderentes às necessidades e custos das empresas. Com o tempo, à medida que os provedores de telecomunicações chegarem a plataformas que possam ser consideradas commodity a tarifação de serviços serão o diferencial no mercado.

6 DADOS DO AUTOR Eduardo Mayer Fagundes estuda os impactos da tecnologia da informação e modelos de gestão de TI nas organizações, focando em tecnologia, técnicas e gestão de pessoas. Seu livro "Como Ingressar nos Negócios Digitais" foi publicado em parceria com o SEBRAE Nacional com o objetivo de ampliar a visão empresarial no comércio eletrônico. Eduardo é graduado em engenharia elétrica, possui especialização em telecomunicações e é mestre em ciência da computação. Foi professor por mais de 20 anos em conceituadas instituições de ensino. Palestrante em vários seminários e congressos. Foi gerente de infra-estrutura e sistemas da Ford Brasil, responsável pelo desenho da infra-estrutura de TI da moderna fábrica da montadora em Camaçari-Bahia. Atualmente é diretor de TI (CIO) das empresas do grupo americano AES no Brasil. A AES atua nos mercados de geração e distribuição de energia e na área de telecomunicações. A AES Eletropaulo, maior distribuidora de energia da América do Sul, é uma das empresas do grupo. Escreve artigos no site

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