NUNCA É TARDE PARA COMEÇAR : A EXPERIÊNCIA DE UM GRUPO DE IDOSOS QUE PRATICA O ENVELHECIMENTO ATIVO E SAUDÁVEL

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1 NUNCA É TARDE PARA COMEÇAR : A EXPERIÊNCIA DE UM GRUPO DE IDOSOS QUE PRATICA O ENVELHECIMENTO ATIVO E SAUDÁVEL SANTOS, Leidyane Cristina 1, OLIVEIRA, Luma Laiane 2 ; PEREIRA, Geovanna Líscio 2 ; SINTRA, Jackeline Dias 3 ; ROCHA, Bárbara Souza 4 ; PAGOTTO, Valéria 4 ; NEVES, Heliny Carneiro Cunha 4. PALAVRAS-CHAVE: Idosos, Promoção da Saúde,Trabalho em grupo, Atividade física JUSTIFICATIVA /BASE TEÓRICA Atualmente, observa-se no Brasil um aumento da população idosa, fenômeno que implicará na necessidade de adequações das políticas sociais, particularmente daquelas voltadas a atender às crescentes demandas das áreas da saúde, previdência e assistência social (BRASIL, 2006). Além disso, frente a este processo de envelhecimento é fundamental que os profissionais da saúde, em especial os Enfermeiros, estejam capacitados para atender as especificidades desta etapa da vida, possibilitando o reconhecimento de limites e peculiaridades presentes nos idosos, e também as modificações físicas, emocionais e sociais desta faixa etária (OLIVERA;TAVARES, 2010). A implementação de programas específicos de intervenção, visando a eliminação de fatores de riscos relacionados com a incapacidade funcional é um dos passos para a manutenção da qualidade de vida dos idosos. Além disso, é imprescindível a elaboração de ações de promoção da saúde, prevenção de doenças, recuperação e reabilitação, que interfiram diretamente no sentido da manutenção da capacidade funcional dos idosos (FERREIRA; et al. 2010). Sendo assim, para garantir a qualidade de vida dos idosos, os profissionais de saúde devem propor ações cujo foco seja a promoção do envelhecimento ativo e 1 - Acadêmica de Enfermagem da Faculdade de Enfermagem/UFG, PROBEC, ;2 - Acadêmicas de Enfermagem da Faculdade de Enfermagem/UFG, bolsistas PROVEC, ; 3 Acadêmica da Faculdade de Educação Física/UFG - ; 4 - Professoras Assistentes da Faculdade de Enfermagem/UFG, Resumo revisado pela Coordenadora da Ação de Extensão Nunca é tarde para começar cadastrada sob o código nº FEN 161. Coordenadora: Profa Ms. Bárbara Souza Rocha.

2 saudável, ou seja, na manutenção da sua autonomia e independência funcional nas atividades cotidianas (CUPERTINO; ROSA; RIBEIRO; 2007). Neste contexto, o cuidado de enfermagem à pessoa idosa precisa ser desenvolvido através de estratégias que vão para além da dimensão individual, atingindo especialmente a dimensão coletiva situando os indivíduos no processo de vida e morte, vislumbrando um olhar que não permita o isolamento do individuo no seu meio e no seu grupo de inserção. (VICTOR; et al, 2007). O projeto Nunca é tarde para começar foi criado pela Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás com o intuito de suprir e responder a necessidade de promoção e prevenção da saúde de um grupo de caminhada de idosos, promovendo através da prática de atividades físicas regulares e saudáveis e do convívio em grupo, a melhoria na autonomia individual e coletiva estimulando o envelhecimento ativo e com qualidade. OBJETIVO GERAL Potencializar o envelhecimento ativo e a qualidade de vida de idosos participantes de um grupo de caminhada de um setor no município de Goiânia GO. Objetivos Específicos Proporcionar a convivência grupal através de técnicas de dinâmica de grupo; Monitorar pressão arterial, glicemia capilar, peso e altura; Orientar a prática de atividades físicas; Elaborar atividades de Educação em Saúde. METODOLOGIA O projeto foi desenvolvido com idosos que moram na área de abrangência da Unidade Básica de Saúde da Família Leste Universitário, em Goiânia GO, que participam do grupo de caminhada Nunca é tarde para começar composto por cerca de 100 integrantes.

3 Este projeto foi iniciado em 2010 a partir do contato da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás (FEN/UFG) com a UABSF Leste Universitário que é campo de aulas práticas das disciplinas: Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva 7ºperíodo e Promoção da Saúde 2º período. O projeto de extensão também está vinculado ao NEPEGETS (Núcleo de pesquisa em Enfermagem na gestão, desenvolvimento de pessoas e da tecnologia de grupo no contexto do trabalho em saúde) Os encontros do grupo são realizados 3 vezes por semana: segunda, quarta e sexta-feira, entre sete e oito da manhã. Cada encontro é iniciado com a caminha seguida de exercícios físicos e alongamentos sob coordenação de alunos da Faculdade de Educação Física UFG. Durante os alongamentos e exercícios físicos os idosos utilizam materiais diversos como garrafas pet, cabo de vassoura, toalhas, tapetes entre outros, que possibilita trabalhar com os diversos músculos do corpo exercitando o equilíbrio, resistência e força. O grupo também utiliza a música como instrumento de agregação e diversão, ao longo dos encontros os idosos recordam músicas da infância e ao mesmo tempo dançam e se divertem. Após os exercícios, são desenvolvidas as atividades de dinâmicas em grupo pelos acadêmicos da Faculdade de Enfermagem UFG e acontece a finalização do dia sempre com uma oração realizada por um dos integrantes do grupo. Estas atividades têm como objetivo estimular a vivência em grupo, proporcionar a inclusão no grupo além de contribuir com a melhoria da qualidade de vida exercitando a memória, competição, vontade de viver, trabalho em grupo entre outros aspectos. A cada quinze dias são realizados aferição e registro dos níveis de pressão arterial, glicemia capilar, peso, altura e IMC (Índice de Massa Corporal). Para Vitor et al (2007) em grupo é mais fácil aprofundar e ampliar conhecimentos e principalmente conduzir processo de educação, por isso, esse grupo se mostra como uma importante ferramenta capaz de estimular aos membros na adoção de hábitos saudáveis, contribuir para mudança de comportamento, além de promover a socialização do conhecimento em saúde. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4 Durante a execução do projeto de extensão foi possível constatar que além da satisfação e dos relatos de melhora da qualidade de vida dos mesmos após a entrada no grupo, os valores de pressão arterial e glicemia capilar se mantiveram estáveis. Essa realidade pode ser atribuída às atividades desenvolvidas com o grupo que visam a prática regular de atividade física, a redução do isolamento e a adoção de hábitos de vida saudáveis. Além disso, a convivência em grupo, no caso principalmente de idosos, é importante para um perfeito equilíbrio biopsicossocial, reduzindo ou removendo conflitos pessoais e ambientais, facilitando a socialização e oferecendo suporte social para enfrentar as situação de solidão (VICTOR; et al, 2007). Como resultados desse projeto de extensão, destacam-se: a produção de dois vídeos sobre a história do grupo, sendo um deles vencedor na PAVESCO 2010; um livro de receitas que será editado e lançado pela Faculdade de Enfermagem UFG em 2012; a participação no evento denominado Ginástica para todos proporcionado pela Faculdade de Educação Física UFG em A partir dos valores referentes a sinais vitais, pode-se inferir que os exercícios de alongamento associados à caminhada constituem fatores de proteção para esses idosos e que as práticas de educação em saúde durante as aferições mensais, explicando de forma individual e coletiva sobre a necessidade de uma alimentação adequada, consultas médicas regulares e adesão ao tratamento refletem nos valores obtidos. Vale ressaltar que em relação à prática da enfermagem, torna-se essencial que haja maiores discussões sobre a saúde do idoso com vistas para a transição demográfica, como também para formação de um enfermeiro apto para cuidar diante do processo de envelhecimento (MEDEIROS; ARAUJO; BARBOSA, 2009). CONCLUSÕES As Universidades têm um papel de grande importância na saúde pública, pois através de suas práticas de extensão podem se tornar promotoras da saúde, tendo potencial de influenciar positivamente a vida e a saúde dos membros de sua comunidade. A atuação conjunta entre universidade e comunidade é benéfica também aos acadêmicos, que podem colocar em prática seus conhecimentos

5 teóricos adquiridos durante as aulas e ter contato com a realidade prática. (MUÑOZ; CABESES, 2008). Durante a realização do projeto podemos constatar que as atividades em grupo refletem de forma ativa na vida dos integrantes, que por sua vez, se sentem mais dispostos e em pleno bem estar. As dinâmicas realizadas proporcionaram momentos de descontração e de maior união do grupo. Mesmo assim, existe ainda a necessidade de implementar novas estratégias que promovam maior vivência social fora do campo atual de encontro do grupo. Espera-se implementar atividades culturais como os bailes de danças mensais direcionados a tal faixa etária e passeios ao cinema. Assim, fica claro que um atendimento mais holístico permite aos idosos enfrentarem a velhice de forma mais natural e saudável e permite que o profissional da saúde reflita sobre a necessidade de uma educação em saúde que promova o envelhecimento como um processo natural, onde se pode ter qualidade de vida. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL, Ministério da Saúde. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Cadernos de Atenção Básica, n. 19, 192p. Brasília: VICTOR, Janaína Fonseca; et al. Grupo Feliz Idade: cuidado de enfermagem para a promoção da saúde na terceira idade. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 41, n. 4, dez GUERRA, Ana Carolina Lima Cavaletti; CALDAS, Célia Pereira. Dificuldades e recompensas no processo de envelhecimento: a percepção do sujeito idoso. Ciências & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 15, n. 6, Set FERREIRA, Olívia Galvão Lucena; et al. O envelhecimento ativo sob o olhar de idosos funcionalmente independentes. Revista da escola de enfermagem USP, São Paulo, v. 44, n. 4, Dez CUPERTINO, Ana Paula Fabrino Bretas; ROSA, Fernanda Heringer Moreira; RIBEIRO, Pricila Cristina Correa. Definição de envelhecimento saudável na perspectiva de indivíduos idosos. Psicologia e Reflexões Criticas, Porto Alegre, v. 20, n. 1, MUÑOZ, M.; CABIESES, B. Universities and health promotion: how can the two come together? Revista Panamericana de Salud Publica, v.24, n.2, p , 2008 MEDEIROS, Fabíola de Araújo Leite; ARAÚJO, Daísy Vieira de; BARBOSA, Larissa Nogueira de Siqueira. PERCEPÇÃO DE ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM SOBRE O CUIDAR DE IDOSOS. Cogitare Enfermagem, v. 14(1), p , Jan/Mar BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à Saúde da Pessoa idosa e Envelhecimento. Série Pactos pela Saúde v. 12, 46p. Brasília, RIBEIRO, Liliane da Consolação Campos; ALVES, Pâmela Braga; MEIRA, Elda Patrícia de. Percepção dos idosos sobre as alterações fisiológicas do envelhecimento. Ciências e Cuidado em Saúde, vol. 8(2), p , Abr/Jun, OLIVEIRA, Juliana Costa Assis de; TAVARES, Darlene Mara dos Santos, Atenção ao idoso na estratégia de Saúde da Família: atuação do enfermeiro. Rev Esc Enferm USP. v.44, n.3p.:774-81, 2010;

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