POLÍTICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA DA ESCOLA DE APLICAÇÃO DA UFPA: REPERCUSSÕES OBSERVADAS NA ESTRUTURA CURRICULAR

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1 POLÍTICA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA DA ESCOLA DE APLICAÇÃO DA UFPA: REPERCUSSÕES OBSERVADAS NA ESTRUTURA CURRICULAR Denise Soares da Silva Alves- EAUFPA Deusa Priscila da Silva Resque- EAUFPA Renata Oliveira de Almeida- EAUFPA Suelen Tavares Godim de Assis- EAUFPA Vanessa Queiroz Ferreira- EAUFPA Palavras-chave: Implementação. Política de educação inclusiva. Currículo. EAUFPA. 1. Introdução O presente estudo propõe-se investigar as repercussões observadas na estrutura curricular da Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará EAUFPA, decorrentes da política de inclusão escolar de alunos público alvo da educação especial. A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008) imprimiu às instituições escolares o desafio de promover uma reestruturação de seu Projeto Político Pedagógico, no intuito de provocar, consequentemente, uma revisão de suas práticas educativas. Nesse sentido, o objetivo geral deste trabalho é analisar os impactos que a implementação desta política tem produzido na estrutura curricular da instituição. Há pelo menos três dimensões nos modelos de análise do processo de implementação de políticas educacionais. A primeira dimensão trata das relações entre o desenho ou a formulação da política de um lado, e, os formatos que os programas adquirem ao final do processo, de outro. A segunda, que será priorizada neste trabalho, diz respeito à dimensão temporal do processo e seus efeitos diferenciados no tempo sobre a organização em que se processam, sobre os atores que implementam e as modificações nas condições iniciais. A terceira dimensão refere-se às condições que propiciam ou entravam o processo de implementação. (RUS PEREZ, 2010). Para o desenvolvimento deste trabalho, optou-se pela pesquisa qualitativa como metodologia. Os referenciais bibliográficos disponíveis na literatura e a legislação educacional brasileira voltada para a modalidade em estudo também são levados em consideração. O projeto de pesquisa é desenvolvido por profissionais atuantes na Coordenação de Educação Inclusiva CEI-EAUFPA.

2 2. Método No âmbito metodológico, o projeto pretende se desenvolver sob a abordagem da pesquisa qualitativa, abordagem esta que se preocupa com o aprofundamento da compreensão de uma organização ou grupo. De acordo com Minayo (2008), compreender é o verbo da pesquisa qualitativa, ou seja, este tipo de pesquisa ocupa-se de compreender e interpretar uma determinada realidade. Partindo-se dessa compreensão, o direcionamento metodológico deste trabalho desenvolve-se em duas etapas: 1) realização de levantamento e revisão bibliográfica acerca da temática currículo e análise da legislação educacional brasileira e 2) observação, pesquisa de campo, coleta e análise de dados disponibilizados pelos gestores da instituição, questionários com perguntas estruturadas e semiestruturadas e estudo dos documentos oficiais da instituição. Os participantes deste estudo serão os gestores e professores da EAUFPA. 3. Resultados Este é um estudo recente, iniciou-se em fevereiro de 2016 e está em andamento. A primeira etapa está em pleno desenvolvimento. Por estar ainda em fase inicial, não se pode fazer neste momento, uma análise sobre a proposta curricular e as práticas de ensino da EAUFPA. Antes, é preciso avançar na análise dos dados que serão coletados posteriormente conforme explicitou-se no campo Método para só então trazer inferências acerca da temática. Preliminarmente, averiguou-se que o levantamento bibliográfico evidenciou a importância de discutir a temática no campo institucional da EAUFPA para servir como objeto de reflexão da práxis educativa da equipe gestora e docente, pois conforme o entendimento de Mittler (2001), para que a inclusão encontre espaço na escola, é preciso repensar inteiramente o currículo para alcançar as necessidades de todos os alunos. As considerações teóricas iniciais em torno do assunto pressupõem que a implementação da política de educação inclusiva demanda uma reelaboração curricular e, que esta por sua vez, deve resultar em um novo fazer pedagógico no qual a análise da prática pedagógica seja elemento constante.

3 4. Conclusões A promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei N.º 9.394/96) tornou necessária a discussão acerca do currículo para a escola inclusiva. É no artigo 59 da LDB que é expressa a necessidade de assegurar currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização, específicos para atender às particularidades dos alunos com necessidades educativas especiais. Moreira e Silva (2008) explicam que no Brasil, as pesquisas direcionadas ao currículo na escola inclusiva são pouquíssimas. Uma análise sobre o estado da arte dessa temática aponta que há pouco material disponível e, portanto, poucos subsídios para o aprofundamento da organização de um currículo que prime por uma escola inclusiva. Mais recentemente, em 2008, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva trouxe como um de seus objetivos a promoção do acesso, a participação e a aprendizagem do público alvo da educação especial na rede regular de ensino (BRASIL, 2008). Pressupõe-se que, para alcançar este objetivo, a escola não esteja presa a um currículo engessado e imutável, mas ao contrário, que o submeta a reflexões periódicas, garantindo outros caminhos possíveis à aprendizagem. Discute-se sobre a relevância do currículo, pois ele é a espinha dorsal do processo educativo. O currículo oferece as diretrizes para elaboração do planejamento, descreve a proposta metodológica e a forma como se dará a avaliação. É, portanto, ferramenta essencial para a organização didática do processo ensino e aprendizagem, servindo ainda como instrumento para a escola orientar-se na execução das práticas pedagógicas inclusivas. No entendimento de Mantoan: Não se adapta um currículo tendo como desculpa a incapacidade de alguns, mas a capacidade diversificada de cada um dos alunos, para enfrentar as exigências da escola, capacidade essa que não é medida por testes, ou definida por objetivos específicos para este ou aquele, individualmente, mas apreciada a posteriori, pelo produto da aprendizagem de cada um. Porque é o aluno que adapta os seus esquemas de ação e suas estruturas de conhecimento às tarefas de aprendizagem. E essas adaptações é que precisam ser aceitas pelo professor, como respostas ativas e particulares de cada aluno, às solicitações gerais do meio escolar (MANTOAN, 2003, p.120).

4 O currículo na educação inclusiva deve ser democrático e compreender as particularidades dos alunos, respondendo às necessidades de todos eles. Ao identificar e responder a essas necessidades a instituição constrói novas expectativas em relação a esses alunos. Atender a essas especificidades não significa, entretanto, oferecer pequenas e desconexas modificações no conteúdo ou metodologia empregada pelo professor, pois isso resultaria, ao contrário do que se deseja, em um planejamento segregado. Segundo Peixoto (2011) um currículo, para apresentar coerência com o momento histórico o da inclusão precisa conjugar valores éticos e morais como a alteridade, que tem como princípio básico o profundo respeito do homem pelo seu semelhante, demonstrando que não se depreda os valores e os bens materiais e espirituais, mas reflete, admira e constrói; que não se atira pedras, mas as retira por onde se deve passar; que não se agride, mas se coopera; que não se ridiculariza, mas se reconhece a estima. O que se espera quando se reorganiza o currículo primando pela educação inclusiva, é que o trabalho docente se desenvolva numa abordagem de apoio colaborativo, que a prática pedagógica seja instrumentalizada ao indicar recursos pedagógicos e formas de apoio que contribuam para a aprendizagem e para a participação de todos os alunos. Segundo Alves e Barbosa (2006), quando os sujeitos da ação educativa envolvem-se com a elaboração do currículo, estes passam a ter um novo olhar para os educandos. O professor torna-se mais sensível e sente-se capaz de enxergar e entender as diferenças individuais. A centralidade da escola muda seu foco: os alunos e não mais os conteúdos, passam a ser o centro de toda a organização escolar. 5. Conclusões A reflexão teórica conduzida até o momento indica que, há um caminho trabalhoso a ser percorrido nas instituições para que os alunos sejam, de fato, beneficiados por um currículo que prime pela inclusão e valorize a diversidade. A adoção de novas propostas educacionais é desafiadora, sobretudo, quando se trata do currículo que historicamente se caracterizou por uma natureza homogeneizadora e padronizadora. A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação

5 Inclusiva, por meio de seus objetivos busca encontrar caminhos para a consolidação da inclusão, ao prever a orientação aos sistemas de ensino para promover respostas às necessidades educacionais especiais dos alunos. No atendimento a essas respostas, a educação inclusiva pretende redesenhar os contornos educacionais das instituições demandando um novo fazer pedagógico em que a análise da prática pedagógica seja um elemento constante. Referências ALVES, D. O.; BARBOSA, K. A. M. Experiências Educacionais Inclusivas: refletindo sobre o cotidiano escolar in ROTH, B. W. (Org.) Experiências educacionais inclusivas: Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, p. BRASIL. Lei N.º 9.394, de 20 de dezembro de Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial - Secretaria de Educação Básica. Parâmetros curriculares nacionais: adaptações curriculares, Secretaria da Educação Especial. Política Nacional de Educação especial na perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: SEESP/MEC, Disponível em: Acesso em outubro de MANTOAN, M. T. E. Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio da pesquisa social. In: MINAYO, Maria Cecília de Souza; GOMES, Suely Ferreira Deslandes Romeu (orgs.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 27ª ed. Petrópolis: Vozes, 2008, p MITTLER, P. Educação de necessidades especiais: uma perspectiva internacional (sumário). Seminário Internacional Sociedade Inclusiva, 2001, Belo Horizonte, Anais... Belo Horizonte: PUC MINAS, p PEIXOTO, Z. A. O currículo escolar na perspectiva da Educação Inclusiva. Monografia. Brasília PEREZ, J. R. R. Por que pesquisar implementação de políticas educacionais atualmente? Educação e Sociedade, Campinas, v. 31, n. 113, p , out./dez

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