Propriedade Intelectual O que é/para que serve? Renata Reis Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual GTPI/ABIA/REBRIP

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1 Propriedade Intelectual O que é/para que serve? Renata Reis Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual GTPI/ABIA/REBRIP

2 Propriedade Intelectual É o conjunto de direitos que incidem sobre as criações humanas Sistema criado para garantir a propriedade ou exclusividade resultante da atividade intelectual nos campos industrial, científico, literário ou artístico.

3 A propriedade intelectual nasce da lei Mesmo após a criação das leis de propriedade intelectual, o que permanece fora do escopo específico da proteção fica no domínio comum da humanidade

4 Propriedade Intelectual Direito de Autor Propriedade Industrial

5 Propriedade Intelectual -OMPI soma dos direitos relativos às obras literárias, artísticas e científicas, às interpretações dos artistas intérpretes e às execuções dos artistas executantes, aos fonogramas e às emissões de radiodifusão, às invenções em todos os domínios da atividade humana, às descobertas científicas, aos desenhos e modelos industriais, às marcas industriais, comerciais e de serviço, bem como às firmas comerciais e denominações comerciais, à proteção contra a concorrência desleal e todos os outros direitos inerentes à atividade intelectual nos domínios industrial, científico, literário e artístico.

6 Propriedade Industrial Conjunto de direitos que compreende as patentes de invenção, os modelos de utilidade, os desenhos ou modelos industriais, as marcas de fábrica ou de comércio, as marcas de serviço, o nome comercial e as indicações de proveniência ou denominações de origem, bem como a repressão da concorrência desleal.

7 A propriedade industrial é a expressão genérica que se refere aos direitos legais relativos às atividades industriais e/ou comerciais de pessoas físicas ou jurídicas.

8 Industrial quer dizer... entende-se na mais ampla acepção e aplica-se não só à indústria e ao comércio propriamente ditos, mas também às indústrias agrícolas e extrativas e a todos os produtos manufaturados ou naturais, por exemplo: vinhos, cereais, tabaco, frutas, animais, minérios, águas minerais, cervejas, flores etc

9 Convenção da União de Paris (CUP) Princípios Básicos: Tratamento Nacional; Prioridade Unionista; Territorialidade; Independência das patentes. Última revisão Secretaria Internacional da União para Proteção da Propriedade Industrial; Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) 1967 administra 15 tratados relativos à matéria.

10 Constituição Federal Art. 5º 5 - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País s a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário rio para a sua utilização ão, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimentos tecnológico e econômico do País.

11 Outras Leis... Lei de Cultivares,, n o 9.456/97 - em vigor desde abril de Institui a proteção para plantas; Lei de Programa de Computador,, n o 9.609/98 - em vigor desde fevereiro de 1998; Lei de Direitos Autorais,, n o 9.610/98 - em vigor desde junho de 1998, substituiu a Lei 5.988/73; Decretos e Atos Normativos do INPI.

12 Lei da Propriedade Industrial LPI - Lei 9.279/96

13

14 Tornar público para o meio científico Conhecimento Depositar um pedido de patente Manter em segredo

15 DISPONIBILIZA INFORMAÇÃO SOBRE A INVENÇÃO PRIVADO PROTEÇÃO PÚBLICO CONFERE MONOPÓLIO TEMPORÁRIO RIO PARA EXPLORAÇÃO

16 Requisitos de patenteabilidade NOVIDADE - quando não estiver compreendida no estado da técnica, representado por tudo aquilo que já tiver se tornado público antes da data de depósito do pedido de patente ATIVIDADE INVENTIVA - quando não for considerada óbvia para um técnico no assunto APLICAÇÃO INDUSTRIAL quando puder ser utilizada ou produzida em qualquer tipo de indústria

17 A invenção tem que cumprir os requisitos de patenteabilidade NOVIDADE ATIVIDADE INVENTIVA APLICAÇÃO INDUSTRIAL Título de propriedade concedido pelo Estado Permite que o titular tenha o direito exclusivo de explorar a invenção Privilégio temporário

18 O que é uma patente? Título de propriedade concedido pelo Estado, que assegura ao seu titular exclusividade temporária para a exploração de uma determinada invenção (monopólio). depois que o tempo de proteção da patente se encerra, a invenção protegida cai em domínio público e todos passam a poder explorá-la.

19 Esta segunda refere-se à proteção do caminho pelo qual se chega a um determinado produto.

20 Patentear pra que? Para o titular: Excluir terceiros do mercado; Controlar/limitar a concorrência.

21

22 Descoberta Revela algo já existente na natureza

23 Invenção Invenção resulta da criação do homem, represente uma solução para um problema técnico específico.

24 O Jogo muda...

25 PI na agenda de comércio internacional Principais fatores: - Indústrias dos países desenvolvidos reclamavam de proteção insuficiente nos países onde seus produtos eram comercializados - Harmonização das regras de proteção - Ausência de mecanismo de sanções efetivo

26 Papel da OMPI Organização das Nações Unidas Responsabilidade pela administração de acordos relativos à propriedade intelectual Papel enfraquecido quando o tema de propriedade intelectual entra na agenda do comércio internacional

27 PI na agenda do Comércio Internacional 1986 a Rodada Uruguai do GATT Assinatura do Acordo TRIPS Criação da Organização Mundial do Comércio (OMC)

28 Acordo TRIPS 1986 a Rodada Uruguai do GATT Assinatura do Acordo TRIPS Criação da Organização Mundial do Comércio (OMC) TRIPS - ACORDO SOBRE ASPECTOS DOS DIREITOS DE PROPRIEDADE INTELECTUAL RELACIONADOS AO COMÉRCIO

29 1994: OMC TRIPS ou ADIPC Padrões mínimos uniformiza as legislações Mínimo de 20 anos de proteção Proteção para todos os campos do conhecimento

30

31 São dispositivos que podem ser incorporados às legislações dos países e que minimizam os efeitos negativos das patentes Que flexibilidades são essas?

32 FLEXIBILIDADES Período de transição para o reconhecimento de patentes para o setor farmacêutico Flexibilidades ARTIGOS DO ACORDO Artigos 65 e 66 Uso Experimental Artigo 30 Exceção Bolar (Trabalho Antecipado) Artigo 30 Importação paralela Artigo 6 Licença compulsória Artigo 31 Participação do setor saúde no processo de análise de pedidos de patentes farmacêuticas Artigo 8 (implícito)

33 Período de transição - Países em desenvolvimento que não reconhecessem patentes para setor farmacêuticos Países menos desenvolvidos prorrogado até BRASIL: utilizou o período de transição por menos de 2 anos, tendo alterado sua lei em 1996, com aplicação a partir de maio de 1997.

34 Permite que fabricantes de medicamentos genéricos possam utilizar uma invenção patenteada para obter permissão para comercialização de autoridades de saúde, por exemplo sem a permissão do titular da patente e antes que a proteção patentária expire. Facilita a entrada de medicamentos genéricos imediatamente após a expiração da vigência da patente BRASIL: incorporada - artigo 43, VII, LPI

35 Uso experimental Permite que pesquisadores possam utilizar invenções patenteadas em suas pesquisas, com o objetivo de entender melhor a invenção. Representa uma das formas de se promover um equilíbrio entre os interesses do detentor da patente e os interesses nacionais, porque possibilita a utilização da informação revelada pela patente com o objetivo de promover o desenvolvimento científico e tecnológico do país. BRASIL: incorporada - artigo 43, II da LPI.

36 - Quando um produto fabricado legalmente no exterior é importado por outro país sem a autorização do titular dos direitos de propriedade intelectual. Permite importar o produto patentado de um país onde o mesmo esteja sendo comercializado a um menor preço pelo próprio titular da patente ou por terceiros autorizados BRASIL: incorporação restrita (apenas excepcionalmente em caso de licença compulsória)

37 Participação do setor saúde - Refere-se à atuação de profissionais do Ministério da Saúde nos processos de análise dos pedidos de patentes farmacêuticas. - BRASIL: incorporada - artigo, 229c, LPI Anuência prévia da ANVISA

38 Anuência prévia da ANVISA - está em consonância com o Acordo TRIPS, que em seu artigo 8º admite que cada membro, ao formular suas leis nacionais, pode adotar medidas que sejam necessárias para a proteção da saúde e promoção do interesse público em setores de vital importância para seu desenvolvimento sócio-econômico e tecnológico, como o é o setor de assistência farmacêutica.

39 Quando o Estado autoriza a exploração do produto patenteado sem a autorização do titular da patente artigo 31, Acordo TRIPS - outro uso sem a autorização do titular

40 Emergencia nacional Interesse público Práticas anticompetitivas Não exploração da patente Patentes dependentes

41 Flexibilidades de saúde pública p na legislação brasileira Lei 9.279/96 Lei /01 Licença Compulsória Uso Experimental Decreto 3.201/99 Decreto 4.830/03 Exceção Bolar Anuência Prévia da Anvisa (Ministério da Saúde participando do processo de concessão ou não de patentes farmacêuticas)

42 DECLARAÇÃO DE DOHA IV Conferência Ministerial da OMC 2001 representou importante instrumento político para que os países em desenvolvimento e menos desenvolvidos pudessem implementar todas as flexibilidades e salvaguardas relacionadas à proteção da saúde pública previstas no Acordo

43 Países Sulamericanos FLEXIBILIDADES ARGENTINA BRASIL COMUNIDADE ANDINA* PARAGUAI URUGUAI Licença Compulsória Importação Paralela Exceção Bolar Uso Experimental Participação do Ministério da Saúde em processos de solicitação de patentes * Bolivia, Colombia, Equador, Peru e Venezuela Oliveira et al. 2004; Chaves, 2005

44 Mas...

45 Mas... Muito embora essas flexibilidades estejam incorporadas na legislação brasileira e sejam compatíveis com as regras internacionais, a utilização daquelas que visam à entrada de medicamentos a preços acessíveis no curto prazo tem sido bastante limitada, não apenas no Brasil, mas também em quase todos os países em desenvolvimento.

46 Recentemente, alguns países em desenvolvimento fizeram uso destas medidas, especialmente a licença compulsória, como forma de aumentar o acesso a tratamento, como foi o caso da Tailândia no final de 2006 e também do Brasil em maio de 2007.

47 Cláusulas TRIPS-plus São cláusulas que tornam a legislação mais restritiva do que o estabelecido pelo Acordo TRIPS. Estão previstas em Tratados de Livre Comércio Bilaterais e Regionais Linkage entre patentes e registro Proteção dos dados apresentados para obtenção dos registro sanitário para comercialização Vigência das patentes acima de 20 anos Restrição para o uso de licenças compulsórias

48

49 O que contém um pedido de patente? 1 - Requerimento 2 - Relatório Descritivo 3 - Reivindicações 4 - Desenhos, se for o caso 5 - Resumo 6 - Comprovante de Pagamento

50 50

51 Descrição da Invenção A invenção deve ser clara e completamente descrita de tal forma que um técnico com conhecimento médio no campo específico do conhecimento da invenção seja capaz de repetila.

52 Quadro Reivindicatório Parte do documento de patente que define a matéria para a qual a proteção é solicitada, estabelecendo os direitos do inventor. Devem evidenciar claramente as particularidades da invenção delimitando precisamente o objeto da proteção, utilizando-se a expressão caracterizado por.

53 53

54

55 Impedir a concessão indevida de patentes Apresentação de argumentos técnicos para subsidiar o exame dos pedidos de patentes pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) Evitar a concessão de patentes que nao cumpram os requisitos de patenteabilidade Evitar a extensão de monopólio por meio da obtenção de patentes de medicamentos já conhecidos

56 Subsídios ao Exame de medicamentos ARVs (GTPI, 2006) 1 Medicamento Tenofovir: GILEAD SCIENCES, INC. N.º DO PEDIDO: PI DATA DE DEPÓSITO: 23/07/1998 PRIORIDADE: Pais US N. : 08/900,752 Data: 25/07/1997 N. : 60/053,777 Data: 25/07/1997 DEPOSITANTE: GILEAD SCIENCES, INC. TÍTULO: COMPOSIÇÃO DE ANÁLOGO DE NUCLEOTÍDEO E PROCESSO DE SÍNTESE A obtenção do composto fumarato de tenofovir disoproxil não tem atividade inventiva (art. 8º, LPI) para um técnico no assunto.

57 PATENTES PIPELINE

58 1 - Mecanismo pipeline (art. 230 LPI)

59 Patentes Pipeline e Saúde Pública 1 AIDS: Abacavir Amprenavir Efavirenz Nelfinavir Lopinavir/Ritonavir Kit Diagnóstico medidor de carga viral 2 - Leucemia Mielóide Crônica: Imatinib (Glivec)

60 Obrigada!

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