UMA REFLEXÃO DA IDENTIDADE E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DO ENSINO SUPERIOR

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1 1 UMA REFLEXÃO DA IDENTIDADE E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DO ENSINO SUPERIOR Cristiana Flores Kurschner i Janete Rosa da Fonseca ii EIXO TEMÁTICO: Práticas Pedagógicas: propostas de melhoria da qualidade do ensino e aprendizagem RESUMO O objetivo foi apresentar as características primordiais do professor do ensino superior. A metodologia utilizada foi a funcionalista que serviu para incluir reflexões sobre a prática pedagógica, apontar diferentes considerações em relação à identidade e a formação do professor do ensino superior, além de demonstrar os avanços e as perspectivas para o ensino superior no Brasil nas últimas décadas. Os avanços do ensino superior se voltam para a produção de novos conhecimentos a partir da pesquisa científica. A complexidade dos fenômenos deve ser compreendida para a busca de solução dos problemas e esta aprendizagem se dá através de uma dimensão multi e interdisciplinar, ou seja, envolve a participação de diferentes profissionais e essencialmente a figura do professor. Palavras-chave: Professor. Identidade e Formação. Docência. ABSTRACT The aim was to present the basic characteristics of the teacher in higher education. The methodology used was a functionalist who served to include reflections on teaching practice, pointing out various considerations concerning the identity and teacher education in higher education, and demonstrate the progress and prospects for higher education in Brazil in recent decades. Advances in higher education turn to the production of new knowledge from scientific research. The complexity of the phenomena must be understood to search for problem solving and learning that occurs through a multi and interdisciplinary dimension, ie, involves the participation of different professionals and essentially the figure of the teacher. Keywords: Teacher. Identity and Training. Teaching. INTRODUÇÃO Baseado na obra Professor do Ensino Superior: identidade, docência e formação de Marilia Costa Morosini (org.), uma análise reflexiva foi realizada com a finalidade de conhecer quem é o professor do ensino superior baseado nas

2 2 características primordiais tais como a identidade, a docência e a formação, além de sua contribuição no processo de ensino-aprendizagem no Brasil nas últimas décadas. A rápida expansão do Ensino Superior no Brasil nas ultimas décadas vem acontecendo em razão da tamanha busca por qualificação, as pessoas assumem a necessidade de competir por uma vaga no mercado de trabalho em suas áreas de atuação. O aumento do numero de matriculas do ensino superior duplicou devido à importância dada ao grau de escolaridade e sua utilização no espaço social e no mercado de trabalho na era globalizada. No Brasil, a formação do professor universitário se fundamenta na produção de conhecimento científico a partir da pesquisa, visando desenvolver o senso crítico. A Pós-graduação possibilita ao professor o aprimoramento de sua competência técnica - cientifica para lhe proporcionar o exercício mais qualificado da sua pratica docente. E a busca intensificada por novos cursos de pós-graduação, surge do propósito de investir na pesquisa que se fortalece desde as ultimas décadas decorrente da expansão do ensino superior no Brasil e o fortalecimento da hegemonia ocidental. A formação especialista do docente vem para atender a demanda esperada do modelo empresarial e ao mercado moderno. Ao final da década de 90, são múltiplos os interesses baseados no próprio sistema capitalista, para o investimento em pesquisas e até mesmo para a implantação instituições privadas de ensino para fomentar a produção de conhecimentos científicos em diferentes áreas de interesse publico. Atualmente a necessidade do mundo globalizado demonstrada pelo crescimento do diversificado mercado de trabalho, requer profissionais com habilidades e dispostos a se manter atualizado em quaisquer segmentos de atuação. E a comunidade do conhecimento universidade sempre será o foco central das mudanças sociais. Os integrantes dela precisam aderir às perspectivas de crescimento, desenvolvimento e ampliação do conhecimento científico. As habilidades do professor em sala de aula dependem de vários fatores sociais. O modelo tradicional de ensino na sala de aula ou no espaço de aprendizado, nem sempre permitem a reforma o inovação da metodologia de ensino. Mas o personagem professor juntamente com a instituição de ensino que podem transformar essa realidade da sala de aula, em um contexto inovador. São as metodologias utilizadas e a reflexão da própria pratica docente que facilitam a

3 3 reforma do processo de ensino. A sala de aula é o lugar mais rico de conhecimento empírico e a partir dela que o professor define as necessidades de produção de conhecimento e norteia as intenções de pesquisa de acordo com a área de atuação do professor. O ajuste teórico dar se a de acordo com a compreensão da dimensão humana e a necessidade de formação individual. Esse conjunto de praticas de pesquisa e formação de novos conhecimentos que surge a partir da universidade são peças chaves para a formação da identidade do professor. A identidade do professor pode ser mais bem definida baseada na sua formação pessoal, na busca por novos conhecimentos, de acordo com a instituição que pertence ou com a situação política da educação. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, tendo como base a obra de Morosini Professor do ensino superior: identidade, docência e formação. Esse estudo adotou a abordagem indutiva, utilizando o método funcionalista, em busca da interpretação da leitura realizada. REVISÃO E DISCUSSÃO DA LITERATURA Formação e Identidade do Professor do Ensino Superior Isaia (2000) contextualiza que a vida adulta ou o adulto é resultado de um entre jogo com quatro níveis desenvolvimentista: biológico-interno, psico - individual sociocultural e físico-externo. Essa correlação entre esses fatores possibilitam os confrontos e transformações no individuo e também na sociedade onde o individuo interage. Para a autora, as transformações e as mudanças que ocorrem na vida do ser humano em todas as etapas de sua vida envolvem desafios, crises e transtornos a partir do momento em que as necessidades e expectativas pessoais se combinam com as exigências sociais, assim como a capacidade de enfrentar e gerenciar dentro de um marco histórico e geracional. Ruegel (1979, p.139) (apud MOROSINI, 2000, p.23) apresenta os níveis e eventos da vida adulta, conforme o quadro 1.

4 4 Para Isaia (2000) a razão da existência do ser humano se dá pelo fator psicossocial que é capaz de explicar o transcurso existencial. Já a dinâmica do desenvolvimento depende de outros fatores biopsíquicos para definir em uma escala de amadurecimento o nível que o individuo se encontra e caso os saldos sejam negativos das crises, os resultados podem ser bastante destrutivos. Com isso a trajetória profissional do professor envolve uma multiplicidade de gerações que não só se sucedem, mas se entrelaçam na permanente tarefa de produzir o mundo. Pode ser entendido também de uma forma mais simples a vivencia de cada um no meio social estabelece inúmeras experiências e de diferentes pessoas que nos interessam. A trajetória profissional enquanto ativo no mercado de trabalho corresponde a diferentes gerações pedagógicas que objetivam produzir um mundo para diferentes pessoas e gerações e para que estas compreendam o processo de construção do conhecimento. Enquanto que a trajetória pessoal do professor se constrói de acordo com alguns parâmetros (tais como o estilo de vida, espaço e tempo) na medida em que ele se desenvolve ou convive em sociedade. A compreensão da trajetória pessoal e profissional permite que o professor seja inserido no contexto de professor universitário. E cada pessoa está sujeita a passar por inúmeras e diversificadas transformações em seu ciclo de vida ao longo do crescimento e desenvolvimento biológico. Estas transformações estão ilustradas no quadro 2, em acordo com Huberman (1998, p.23) (apud MOROSINI, 2000, p.28).

5 5 O entendimento da trajetória profissional como a necessidade da incorporação do eu profissional, quando o professor assume esse caráter individualizado e se coloca diante de suas obrigações certo do que quer fazer ou do que ele é. Mesmo que o eu profissional possa ser entendido de diferentes maneiras e depende necessariamente do individuo, este eu sofre o jogo de influências interhumanas, objetos amados ou odiados para melhor representar os aspectos da pessoa ou do grupo. É uma espécie de conectividade entre o professor e o mundo que o rodeia. Mas na base deste mundo interior, individual ou coletivo estão os mecanismos de defesa que asseguram a proteção do individuo contra a ansiedade. E caso a ansiedade se torne permanente, ira por si mesma impedir o contato do professor com a realidade. Para Isaia (2000) ao longo de sua carreira a busca por compreender o professor como pessoa ou como profissional envolve diversas tensões do dia a dia, tais como a centração na própria pessoa e a problemática dos alunos; a inventividade/inovação ou o conformismo; aspirações, necessidades, valores pessoais e estrutura institucional. Para Ariza e Toscano (2000) é importante à compreensão da relação cultural de quem se dispõe a aprender e as ideologias vivenciadas no espaço social, para que o professor associe-as no contexto da disciplina. Faz se necessário também o conhecimento dos procedimentos metodológicos para favorecer o aprendizado e a evolução desta perspectiva. A busca por um novo modelo de ensino, especialmente

6 6 aquele em sala de aula, pode estar diretamente relacionado com a quantidade de conhecimento adquirido e a habilidade do professor em transmiti-lo. O conhecimento, a capacidade adquirida, do professor especialista depende muito de qual disciplina ele ira lecionar na sala de aula e não se restringe apenas as habilidades didáticas, mas na disciplina que pode ser chata de estudar e vão alem das técnicas de ensino. A evolução histórica do conteúdo exige que o professor precise estar atualizado diante das inúmeras teorias escritas e as diferentes pesquisas que surgem. Um balanço realista da trajetória do professor universitário possibilitou que ele encontrasse as condições reais existentes que resultaram do trabalho ao longo da carreira profissional. Mas também não é absurdo se deparar/encontrar com um professor universitário que apresente um quadro de isolamento e intransigências diante das novidades e das mudanças que os tornam em um mundo vazio. Morosini (2000) demonstrou que na década de 60 e 70 ainda acompanhadas de um modelo desenvolvimentista a universidade ficou entendida como um espaço reservado para produzir conhecimento desenvolvimento e fortalecimento das políticas publica do Estado. Nesta época o Estado também viveu um período autoritário onde a estratégia era de anular ou diminuir a ideia clássica da universidade e possibilitar a liberdade e a contestação. A reflexão pode ser feita a partir da ideia de concepção reducionista da formação de professores investigadores especialistas, não se nega a importância da investigação como função do professor universitário. As práticas da docência eram muito voltadas à organização de cada instituição de ensino em razão das políticas publicas omitirem as determinações referentes ao processo de ensinar. A partir da década de 90, o Estado avaliativo marca presença efetiva no processo para orientar a qualidade e a excelência do ensino no Brasil. Nesta época surge o questionamento de quem é o professor universitário. E a resposta que se tinha era baseava no tipo de formação acadêmica, área de atuação e experiência em sala de aula, não era muito exigida para a formação didática do professor universitário. Cunha (2000) demonstra em seu texto que, com o passar dos anos as transformações vivenciadas no ensino superior permitiram metodologia da pesquisa e da didática se tornassem aliadas na formação do professor universitário. Não é possível se basear apenas na qualidade ou tipo de

7 7 formação do docente, sem basear-se nas suas experiências onde a teoria esta associada fortemente com a prática. E os avanços no Ensino Superior puderam ser visualizados ao longo das ultimas décadas, pois a maioria dos professores já domina o ensino contemporâneo e o incentivo para a busca de conhecimento vem sendo muito estimulado (seja acadêmico ou formação complementar). Por exigência do Estado para que novas instituições de ensino superior sejam credenciadas, a formação para a pesquisa é considerado um parâmetro de qualidade para o ensino. Com o entendimento de que a formação do professor de ensino superior de construiria com base na pesquisa é que nas ultimas décadas muito se tem investido em instituições de ensino superior. Para Morosini (2000) o professor universitário, na última década, sofre uma marcante pressão, advinda da legislação, imposta pela instituição e buscada por ele, para sua qualificação de desempenho, no qual o didático passa a ocupar um papel de destaque. Advinda do governo com o fito de avaliar a qualidade do ensino superior, imposta pela instituição com o objetivo de obter credenciamento da mesma junto ao Ministério da Educação (MEC) e para captar os alunos e buscada pelo professor para a manutenção de seu emprego e aumento de remuneração, entre outros requisitos. Como a base pedagogia universitária no Brasil é exercida por professores que não têm uma identidade única a exigência do desempenho didático pode ser muito mais criteriosa e dependerá do sistema educacional e este inclui a política institucional, tipo de instituição e suas particularidades podendo ser menos ou mais complexas. A Docência e a Prática Pedagógica O foco central de uma sociedade se baseia na educação, e esta, abrange a produção e a qualidade do conhecimento além de sua aplicação. Neste contexto, o professor é a figura de maior representatividade para a produção do conhecimento, pois na sua individualidade já possui um vasto conhecimento que deve ser associado à prática de investigar e produzir mais conhecimento (CUNHA, 2000). O professor exerce um papel essencial com capacidade exclusiva de intervir junto ao espaço social e junto dos seus alunos, para estruturar ou mesmo instalar bases solidas para a aquisição e produção de conhecimento científico. Com isso a

8 8 identidade do professor universitário tem sua dimensão de atuação ampliada. A reflexão a respeito da pesquisa cientifica, permite que o professor compreenda a importância de conhecer os passos que levam o pesquisador a melhor desenvolver suas habilidades. Cunha (2000), afirma que a experiência pratica como um campo infinito de saber é um estímulo para a pesquisa. O conhecimento aplicado em uma sociedade possibilita a formação de ideias, costumes e tradições em que as pessoas vivenciam experiências culturais. Somente a partir de métodos, regras e planos que a pratica educativa ou a formação de conhecimento se estabelece. As mudanças sociais e a inclusão diversificada das tecnologias propõe que o campo de atuação do professor seja ampliado. A reflexão se volta para a importância da pratica da metodologia da pesquisa e da metodologia didática para a formação de novos pesquisadores, compreendida para explicar que não seja as disciplinas, o avanço do conhecimento que forma o professor, mas sua pratica pedagógica concreta. A formação do professor esta voltada para a investigação, assim o perfil do professor vem sendo aprimorado pouco a pouco. Franco (apud COSTA, 1998) menciona que o poder esta em quem sabe narrar e dizer como as coisas são feitas para quem produz as coisas. Nesse sentido, isso é para ser aplicado ao professor em sala de aula, pois quem conhece, pode governar/administrar o conhecimento. Em um momento de reflexão para a importância do ensino, os objetivos e sua aplicação na sociedade, à busca de outras formas de transmissão dos saberes científico passa a ser a preocupação da universidade para formação do professor. Assim as instituições de ensino adéquam suas realidades e podem articular entre demais instituições com a finalidade de atender as necessidade de cooperar para a produção de novos conhecimentos, também com o intuito de se juntar às diferentes habilidades dos profissionais e permitir que as instituições se tornem também mais abrangentes e inovadoras no espaço social. Essa integração possibilita e melhora a formação de todos os envolvidos. E a ideia de inovar os processos educativos passa a ser um desafio da contemporaneidade, pois o modelo tradicional do ensino pode se romper e a reconstrução do status do professor faz um exercício continuo para a reflexão da sala pratica docente, a representação social, as obrigações a serem cumpridas bem como seu poder de transformação.

9 9 A prática reflexiva pelos professores diante desta proposta inovar para produzir novos conhecimentos e a importância da docência no ensino-aprendizagem os leva ao entendimento e o reconhecimento de si próprio. A prática profissional estabelece a legitimidade do professor diante da produção de novos conhecimentos e melhor caracteriza o professor tanto na individualidade quanto na sua profissão. Se o pensamento reflexivo ocorrer, tornar se possível ocorrer o ensino reflexivo, mas este ensino requer que os professores tenham pelo menos essa três atitudes: abertura de espírito, para que o professor se adapte as diferentes situações e possa ser receptivo a novas ideias sem sofre qualquer tipo de prejuízo profissional; responsabilidade, para considerar as decisões tomadas, as consequências e as repercussões éticas para atender os objetivos da formação acadêmica e por fim o entusiasmo, este deve possibilitar a realização das tarefas do ensino com segurança e energia. O pensamento crítico orienta o professor nas ações para que ele compreenda e identifique as situações esperadas ou mesmo inesperadas e possa direciona-la da melhor forma para a tomada de decisões pedagógicas. Grillo (2000) aponta que a condição mais singular do professor, pode ser representada pelo estar em sala de aula onde exige que o professor seja um investigador nato, pois os alunos estão em constantes mudanças e adequações pessoais. E o espaço ocupado pelo professor em sala de aula, possibilita o avanço para a produção de conhecimentos. As decisões imediatas, o planejamento de atividades de atividades a longa data que o torna essencial na sala de aula ou em sua representação social. Compete ao professor a reflexão e o entendimento do seu papel na busca por adequações e mesmo construção do conhecimento através de um modelo inovador. Essa inovação deve facilitar a aplicação dos saberes já adquiridos para a formação e expansão de novos saberes e possibilitar o interesse em manter-se atualizado com questões novas. Grillo (2000) fundamentada em Bourdieu (1972) explana o habitus que traduz a relação do professor com a cultura e o mundo, pois sintetizam experiências, conhecimento implícitos e explícitos, valores alem de possibilitar a realização de tarefas diversificadas que podem ser chamadas em sala de aula de improvisação. Refletir sobre a ação é a capacidade de descrever a ação para as demais pessoas compreenderem em que há uma associação entre a teoria a pratica. E ao aprofundar a reflexão sobre o significado de suas decisões, o professor consegue olhar no contexto global o sentido, a dimensão, a compreensão e a importância da

10 10 construção de uma nova teoria. Essa pratica pode ser coletiva para chegar a uma produção de conhecimento em um espaço voltado para o dialogo sobre a prática da docência. A produção do conhecimento deve obedecer a normas de elaboração para que ele seja produzido e reconhecido como algo inovador para a comunidade do saber. As formas de aprender o conhecimento têm muito a ver com a inovação, um remodelar na forma de aplicar o ensino em sala de aula. A aplicação da inovação no ensino não tem que necessariamente modificar todo o sistema de ensino. Na busca de melhorar o processo de ensino, romper com os marcos tradicionais pode não ser fácil inovar já que esses docentes respondem a necessidade social onde estão inseridos para sustentar de modo geral toda a sociedade. A partir do conhecimento social a construção da cidadania fica facilitada, pois é capaz de emancipar e resgatar o indivíduo pela sua capacidade de compreensão. Dita como a racionalidade como base para direcionar o processo de construção que resulta na inovação. Leite (2000) afirma que é necessário e urgente que o docente integre o conhecimento social, compreenda a potencialidade que esse traz para sua autoformarão. Independente de quem é o professor, essa dinâmica permite que ele atenda as necessidades da sua sociedade, adequando ate mesmo a metodologia do seu ensino na sala de aula. Assim a produção de novos conhecimentos se intensifica e permite a ampliação da sua aplicação na pratica vivencia social. Perspectivas e Avanços no Ensino Superior Para Franco (2000) o mercado de trabalho é competitivo e a necessidade da reflexão referente a pratica do professor universitário possibilita que ocorra o entendimento para a adequação e sustentabilidade dos padrões de formação esperados. A adequação não se aplica tão somente ao professor, mas também a universidade, para planejar e melhor fazer o atendimento das expectativas sociais. Nesse sentido, o professor lidera na formação do conhecimento, pois a exigência de produzir conhecimento se intensifica e surge à necessidade do professor triar um caminho especifico para responder melhor a demanda exigida. Assim, os cursos de pós-graduação permitem essa busca para aprimorar o conhecimento a ser produzido.

11 11 Apesar da complexa relação do professor com a universidade, é nesse ambiente que ele deve ser estimulado para a prática investigativa e reflexiva do seu desenvolvimento profissional. Geralmente os interesses do professor se baseia na pratica pedagógica em que suas habilidades se desenvolvem melhor, por isso a importância da pós-graduação possibilitar a verdadeira pratica da reflexão. A pósgraduação é um tipo de formação complementar que visa à preparação e a diversificação das áreas de conhecimento, que possibilita o investimento pessoal e institucional com a finalidade de produzir conhecimentos específicos e científicos através de novas propostas de pesquisa e aplicabilidades destes na sociedade que sejam uteis. Não há possibilidade de preparar um professor para a pesquisa investigativa, argumentos fundamentados e entendimento crítico sem que as estruturas pedagógicas fomentem a necessidade da construção do espaço social e o comprometimento com a construção do conhecimento. Franco (2000) afirma que o professor do ensino superior pode atuar em diferentes instituições de ensino, desenvolver atividades que o qualifiquem em sua área de atuação ou outra que o interessa, com isso ele aprende a se relacionar com diferentes maneiras de produzir ou utilizar o conhecimento que será produzido. A partir deste entendimento em que a especialização do professor universitário é de grande valor e de grande necessidade é que o surgimento de cursos de mestrados surge para aprimorar ainda mais os conhecimento já adquiridos, mas com a finalidade de enfatizar que cada área especifica produza ou de volte para a ampliação da pesquisa e melhor ênfase para as necessidades de cada área temática estudada. Pode ser entendido como forma racional de produzir o conhecimento com intuito de nutrir as bases da formação do próprio professor. A comunidade do conhecimento precisa se basear na ciência para que as relações científicas se estabeleçam assim cada professor ira se dedicar a uma área especifica e cientifica existe para fundamentar seus conceitos de pesquisa e produção de conhecimento. Essa base cientifica possui duas dimensões distintas para que as pesquisas sejam norteadas no espaço da universidade. Uma delas representada pela autoridade, em que se responsabiliza pela avaliação/julgamento final dos trabalhos submetidos além de compor um banco de trabalhos (acumulo e recebimento de trabalhos científicos e posse) e a outra é a submissão do

12 12 pesquisador para que seu trabalho tenha um seguimento pertinente e ao ser submetido à avaliação o mesmo seja aceito. Novas universidades ainda estão implantadas ou fase de implantação para atender as exigências de novas pesquisas. O objetivo ainda se volta para a formação de diferentes pessoas com necessidade de se qualificar para a permanência ou entrada no mercado de trabalho. Os professores precisam acompanhar essa cadeia produtiva e investir ainda mais no campo especifico de sua atuação, pois esse conhecimento se aplica a maior aceitação e aplicabilidade de suas produções cientifica. Para Franco (2000) em razão da existência dos cursos de pós-graduação que o professor constrói sua pratica de modo mais criterioso no âmbito da pesquisa. A ideia da universidade pode ser diferente do professor que esta como participante ativo da sociedade do conhecimento. Compete a todos uma pratica reflexiva e na totalidade para que se tenha uma resposta mais adequada dos propósitos da pesquisa como formação do professor. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em relação à identidade, a docência e a formação do professor de ensino superior tida como características essenciais sua constituição parece ser a mais complexa, pois se entrelaça com diferentes gerações sociais que contribuem para sua formação docente. Essas gerações podem significar a realização concreta do professor, bem como a realização não bem sucedida. É preciso que ele conheça si mesmo para construir a imagem real ou ideal de professor para sentir se como agente ativo e transformador do meio em que ele se encontra. É da própria necessidade humana de conviver em sociedade para que os indivíduos tornem se habilitados e se aprimorem na vivencia para contribuir e atender as necessidades sociais. Não há como negar que a falta de interação social dificulta essa habilidade em conhecer a si próprio e aos demais envolvidos. E são as experiências de sucesso ou de fracasso na trajetória pessoal que geralmente influenciam na vida profissional, especialmente do professor. Atualmente nossa realidade social se fundamenta no sistema é capitalista, o mercado de trabalho tornou-se mais competitivo e a corrida por cursos de aperfeiçoamento tornou - se um critério para o profissional se manter no competitivo

13 13 mercado de trabalho. Investir na formação possibilita melhores adequações do aprendizado e melhorar a formação profissional, mas não substituem necessariamente as ideologias que contrariam a trajetória pessoal do professor. A busca pela valorização do professor já esta sendo discutida, pois nem sempre as instituições de ensino compreendem as necessidades individuais do professor e a sobrecarga de trabalho o leva a desmotivação ou o não cumprimento de suas obrigações. Vale salientar que essa colocação é referente aos diferentes modelos institucionais - pois são inúmeros os limites da realidade educacional e as mudanças de ideológicas nesses espaços de ensino, seguem a passos moderados. Na educação o processo de inovação repercute na capacidade dos envolvidos em produzir o conhecimento cientifico. A metodologia do ensino abrange e influencia na capacidade de interação na sala de aula em que o estimulo do professor possibilita a transferência de valores culturais e científicos para transformar as ideologias empíricas de seus alunos em um campo rico de aprendizado. Os conhecimentos produzidos devem ser essenciais para atender as necessidades no espaço social. A ideia de inovar os processos educativos passa a ser um desafio da contemporaneidade, pois o modelo tradicional do ensino pode se romper e a reconstrução do status do professor tornar-se um exercício contínuo para a reflexão da sua pratica docente, a representação social, as obrigações a serem cumpridas bem como seu poder de transformação. O ganho econômico pela ampliação de novas instituições privadas para esse ensino são exemplos do sistema capitalista em que o lucro é o foco da sociedade. Para que pudesse manter a autonomia, o Estado precisou regular o credenciamento das instituições de ensino superior a partir do requisito pesquisa, para a formação da docência e as especializações. Mas na fase de hegemonia ocidental as intenções do ensino se voltam para atender as necessidades do mercado. Com isso, o professor passa a ser um elemento fundamental para auxiliar a produção de conhecimentos que atenda as demandas do mercado. Nas ultimas décadas são inúmeras as mudanças ocorridas especialmente o investimento em formação superior especializada para o entendimento da pesquisa cientifica. Faz se necessário uma nova reflexão de quem é esse profissional que esta na competitividade e seu valor para a sociedade já que a tecnologia avança em direção do ensino. Nessa evolução abrangente, o professor precisa ter em mente que sua capacidade não será substituída, mas disputa o espaço do ensino-aprendizagem de modo diferenciado.

14 14 Ele estará atendendo as expectativas que sua instituição pactuou e que poderá responder pela qualidade da formação no momento da avaliação (Estado). Ao analisar a carreira do docente, pode se fazer uma pausa para refletir: o que é mais útil para o docente o investimento na linha de pesquisas para produzir novos conhecimentos ou a busca por capacitação especializada para ajudar na formação de novos pesquisadores? Poderia ser oferecida uma melhor recompensa aos formadores de conhecimento, para que no decorrer de seu trabalho se sentisse mais realizado e valorizado financeiramente. A necessidade de investir mais na pesquisa para manter esse elo forte entre a formação do professor universitário e produção de conhecimento vem sendo mais bem trabalhada nas duas ultimas décadas. Existe um conjunto de variáveis quem interferem o direcionamento a essa pratica. São inúmeras situações préestabelecidas que prejudiquem a construção da identidade do docente. Não há como estabelecer uma condição mais favorável para estimular o professor em dedicar se a pratica da pesquisa. Entende-se que o professor ainda esta inserido em uma sociedade onde o conhecimento não tem a mesma repercussão das diferentes sociedades e comunidade de conhecimento e muitas vezes as ideologias não se cruzam para somar as forças. É muito eficaz a compreensão da importância de uma pratica de pesquisa para construção de novos conhecimentos, só que não se pode esperar muito de uma comunidade cultural, em que o próprio professor esta inserido, e que não corresponde às expectativas da comunidade que pretende produzir o conhecimento. Então não é o professor o culpado pela pouca busca de formação e produção de novos conhecimentos. Mas ele esta para representar e compartilhar o conhecimento que já possui até mesmo com a pouca formação acadêmica, caso ele não seja um especialista. Assim a proposta pedagógica precisa ser bem trabalhada para que venha a estimular o professor a participar, como agente ativo, da construção de novos conhecimentos e também acompanhar as transformações sociais e não manter apenas a pratica do ensino no modo tradicional. A comunidade de conhecimento representada pela universidade esta sendo muito abrangente e atuante no espaço social por integrar, renovar e disseminar novos conhecimentos na comunidade/sociedade de modo geral. REFERÊNCIA

15 15 ARIZA, Rafael Porlán e TOSCANO José Martín. O saber prático dos professores especialistas: contribuições a partir das didáticas específicas. In: MOROSINI, Marília Costa (Org.). Professor do Ensino Superior: identidade, docência e formação. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, CUNHA, Maria Isabel da. Ensino como mediação da Formação do Professor Universitário. In: MOROSINI, Marília Costa (Org.). Professor do Ensino Superior: identidade, docência e formação. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, FRANCO, Maria Estela Dal Pai. Comunidade de conhecimento, pesquisa e formação do professor do ensino superior. In: MOROSINI, Marília Costa (Org.). Professor do Ensino Superior: identidade, docência e formação. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, GRILLO, Marlene Correro. O lugar da reflexão na construção do conhecimento profissional. In: MOROSINI, Marília Costa (Org.). Professor do Ensino Superior: identidade, docência e formação. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, ISAIA, Silvia Maria de Aguiar. Professor universitário no contexto de suas trajetórias como pessoa e profissional. In: MOROSINI, Marília Costa (Org.). Professor do Ensino Superior: identidade, docência e formação. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, LEITE, Denise. Conhecimento social na sala de aula universitária e a autoformação docente. In: MOROSINI, Marília Costa (Org.). Professor do Ensino Superior: identidade, docência e formação. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, MOROSINI, Marília Costa (Org.). Professor do Ensino Superior: identidade, docência e formação. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, i Bacharel em Enfermagem pela Universidade Federal de Mato Grosso - Campus de Sinop em 2010; Pós graduanda em Docência para o Ensino Superior pela Faculdade de Sinop (FASIPE); ii Coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade La Salle de Lucas do Rio Verde; Doutoranda em Educação; Docente do Programa de Pós graudação Latu sensu da Faculdade de Sinop (FASIPE) ;Orientadora deste artigo.

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