A CONSTRUÇÃO DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO PPP COMO OPORTUNIDADE PARA O ENSINO DE ESTATÍSTICA

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1 Encontro Nacional de Educação Matemática A CONSTRUÇÃO DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO PPP COMO OPORTUNIDADE PARA O ENSINO DE ESTATÍSTICA Thiarla avier Dal-Cin Zanon Prefeitura Municipal de Castelo/ES Universidade Federal do Espírito Santo - UFES Isabel Cristina Rabelo Gomes Universidade Federal do Espírito Santo - UFES Resumo: Este relato de experiência apresenta uma atividade desenvolvida por uma das autoras em uma turma de 5 a série e em uma turma de 6 a série do ensino fundamental, na disciplina de matemática. A motivação para este projeto surgiu dos estudos realizados no Grupo de Estudos em Educação Matemática do Espírito Santo GEEM-ES onde fui orientada sobre como fazer matemática de forma diferente. A oportunidade surgiu durante o desenvolvimento do Projeto Político Pedagógico de uma escola em parceria com a comunidade escolar e, em especial, com a professora de matemática daquelas séries. A importância desse estudo encontra respaldo no Bloco de Tratamento da Informação apresentado no Parâmetro Curricular Nacional - PCN de matemática. No presente texto apontamos os pressupostos teóricos utilizados, a metodologia e o cronograma de atividades. Os alunos e suas famílias, a professora da disciplina e demais membros da comunidade escolar puderam perceber, de forma contextualizada, a utilidade do estudo da estatística nas séries finais do ensino fundamental. Os gráficos, instrumentos de coletas de dados, análise dos dados e relato das aprendizagens dos alunos, serão detalhados durante a apresentação oral. Palavras-chave: Projeto Político Pedagógico; Matemática; Tratamento da informação; Estatística; Terceiro ciclo do ensino fundamental. INTRODUÇÃO No ano de 2009, ao iniciar o mestrado em Educação na Universidade Federal do Espírito Santo UFES, na linha de Educação e Linguagens, sublinha de Educação e Linguagens: Matemática, necessitei de um horário de trabalho especial que me possibilitasse estudar e trabalhar simultaneamente. Esta é uma realidade que muitos estudantes enfrentam: aliar o desejo e a necessidade de estudar, de se qualificar, à prática do trabalho. Minha solicitação foi atendida e iniciei o ano letivo de 2009 na mesma escola, porém, desenvolvendo atividades de caráter administrativo. Minhas tarefas consistiam na elaboração do Regimento Interno, dos documentos a serem utilizados no Conselho de Classe e do Projeto Político Pedagógico P.P.P. O Projeto Político Pedagógico, segundo Anais do Encontro Nacional de Educação Matemática 1

2 Encontro Nacional de Educação Matemática Veiga (1995, p.11), é entendido como a própria organização da escola como um todo. Ainda de acordo com esta autora, percebemos que no sentido etimológico o termo projeto vem do latim projectu que significa lançar para diante. Veiga, destaca que O projeto busca um rumo, uma direção. É uma ação intencional, com sentido explícito, com um compromisso definido coletivamente. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é também, um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sociopolítico com os interesses reais e coletivos [...] É político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade [...] Político e pedagógico têm assim uma significação indissociável. Nesse sentido é que se deve considerar o projeto político-pedagógico como um processo permanente de reflexão e discussão dos problemas da escola, na busca de alternativas viáveis à efetivação de sua intencionalidade [...] Por outro lado, propicia a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania. (VEIGA, 1995, p. 13) A Escola em que eu atuava, embora existisse há 109 anos, ainda não possuía um documento onde estivesse formalizado seu Projeto Político Pedagógico. Após ter desenvolvido o Regimento Interno e os documentos do Conselho de Classe parti rumo ao início da elaboração do Projeto Político Pedagógico. Sentindo-me sozinha, resolvi escrever um Plano de Intervenção para implementação do Projeto Político Pedagógico. Tinha por objetivo mobilizar a comunidade escolar na busca de informações e na produção de atividades que integrassem alunos, professores, equipe técnico-administrativa e a comunidade em geral. Nosso intuito era possibilitar a construção de um P.P.P. participativo e democrático, adequado à realidade vivenciada pelos educandos. E foi assim que tudo começou... O Plano de Intervenção serviu de ferramenta para mobilizar a comunidade escolar e, em especial, a professora de matemática do terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental. Juntas, refletimos sobre as possibilidades de incluir no Plano de Intervenção uma proposta de trabalho com a 5ª e 6ª séries cujo escopo seria as noções de estatística apresentadas no PCN de matemática, no bloco de Tratamento da Informação. Caso ela aceitasse, a proposta deveria ser incluída, também, no plano de curso da disciplina. O presente texto relata de forma reflexiva uma experiência de ensino e aprendizagem em Educação Matemática aliada à construção colaborativa do Projeto Político Pedagógico P.P.P. de uma escola da rede pública municipal de Castelo/ES. Procuro compartilhar esta experiência de sala de aula com os educadores matemáticos para que acreditem nas possibilidades de estabelecer parcerias entre a comunidade escolar, um Anais do Encontro Nacional de Educação Matemática 2

3 Encontro Nacional de Educação Matemática ato pedagógico, como pode ser considerado a construção do P.P.P. e o conteúdo específico de uma disciplina, neste caso, a matemática. Tal ação permite-nos pensar e testar novas formas para ensinar e para aprender matemática. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A sociedade pós-moderna está marcada por inúmeros avanços científicos e tecnológicos que garantem ao homem um grande volume de informações bem como a facilidade e a rapidez de acesso a elas. Nesse sentido, entendemos que a escola deve possibilitar aos alunos experiências concretas de aprendizagens que lhes permitam desenvolver o raciocínio estatístico para facilitar a compreensão e a interpretação dessa imensa massa de informações. Partindo desse princípio, entendemos que nossos alunos devem ser alfabetizados em matemática (Daniluk, 1991; Santos, 1997), pois, conforme afirma Santos (1997), O mundo do futuro exigirá que os indivíduos sejam alfabetizados matematicamente, isto é, que eles saibam: comunicar-se matematicamente; resolver problemas, utilizar várias estratégias, argumentar, formular hipóteses, testá-las e encontrar soluções; apreciar a matemática; buscar informações sobre assuntos matemáticos estudados ou não; sentir-se informados sobre a matemática e confiantes em explorar situações rotineiras e não-rotineiras. [...] haverá uma forte demanda de que os alunos saibam matemática e sejam hábeis para usá-la no mundo. (SANTOS, 1997, p. 4) Com o propósito de auxiliar na alfabetização matemática dos envolvidos, nosso projeto se respalda em alguns objetivos gerais apresentados no PCN Parâmetros Curriculares Nacionais de matemática para o terceiro e o quarto ciclos do ensino fundamental (BRASIL, 1998). São eles: Fazer observações sistemáticas de aspectos quantitativos e qualitativos da realidade, estabelecendo inter-relação entre eles, utilizando o conhecimento matemático (aritmético, geométrico, métrico, algébrico, estatístico, combinatório, probabilístico); selecionar, organizar e produzir informações relevantes, para interpretá-las e avaliá-las criticamente; resolver situções-problema, sabendo validar estratégias e resultados, desenvolvendo formas de raciocínio e processos, como intuição, indução, dedução, analogia, estimativa, e utilizando conceitos e procedimentos matemáticos, bem como instrumentos tecnológicos disponíveis; comunicar-se matematicamente, ou seja, descrever, representar e apresentar resultados com precisão e argumentar sobre suas conjecturas, fazendo o uso da linguagem oral e estabelecendo relações entre ela e diferentes representações matemáticas. (BRASIL, PCN, 1998, p.48) Anais do Encontro Nacional de Educação Matemática 3

4 Encontro Nacional de Educação Matemática No que se refere à estatística, o documento destaca que sua finalidade é fazer com que o aluno venha a construir procedimentos para coletar, organizar, comunicar dados, utilizando tabelas, gráficos e representações que aparecem frenquentemente em seu dia-adia (BRASIL, PCN, 1998, p. 52). Motivadas pelas leituras citadas, buscamos aliar a construção colaborativa do Projeto Político Pedagógico P.P.P. às noções de estatística descritas no bloco de Tratamento da Informação. METODOLOGIA Para realizar este trabalho tomamos como base o Plano de Intervenção que cujo objetivo central era o de mobilizar a comunidade escolar a fim de coletar informações que enriquecessem a construção do Projeto Político Pedagógico. Após traçarmos algumas metas, mobilizamos toda a comunidade e, de forma especial, a professora de matemática. Uma das metas principais sugeria que cada professor, dentro de sua disciplina e de acordo com o conteúdo em desenvolvimento, pensaria em um instrumento de coleta de dados para realização das pesquisas de campo e entrevistas. Após análise e revisão dos dados coletados eles seriam compartilhados com a comunidade escolar. A primeira ação que realizamos foi a organização de uma exposição de fotografias, textos narrativos e uma conferência de abertura do projeto com a presença de antigos moradores da comunidade local, ex-professores, ex-alunos da escola e pesquisadores que investigam a imigração italiana no município, a fim de motivar os alunos e os professores a participarem ativamente do projeto. Na disciplina de matemática, elaboramos instrumentos de coleta, análise e interpretação de dados visando mobilizar os múltiplos sentidos sobre um conceito ou noção matemática, neste caso a estatística. O foco se deu na construção de tabelas e gráficos o que despertou o interesse e a curiosidade dos alunos para o estudo da matemática. Realizamos essa experiência junto aos 21 alunos da turma de 5ª e aos 12 alunos da turma de 6 a série do Ensino Fundamental do turno vespertino da escola. A escolha das turmas se deu devido ao fato de a professora de matemática estar iniciando o trabalho com tabelas e gráficos. A única opção de turno era o vespertino uma vez que no matutino a escola recebe os alunos da Educação Infantil à 4 a série do Ensino Fundamental. A caracterização dos alunos envolvidos nesta proposta não é algo simples de ser feito, pois nesta etapa de escolaridade convivem alunos na faixa etária de 10 a 14 anos. Alguns Anais do Encontro Nacional de Educação Matemática 4

5 Encontro Nacional de Educação Matemática apresentam características infantis, outros são mais velhos, já passaram pela experiência da reprovação e às vezes, da interrupção dos estudos devido a fatores externos como a inserção precoce no mercado de trabalho ou o êxodo rural, que leva as famílias a se deslocarem pela região na época da colheita do café. Há, ainda, alunos que se encontram em plena fase da adolescência. Esta fase, a adolescência, é marcada por alterações físicas, emocionais, afetivas, cognitivas e sociais que inferem e intensificam sua capacidade questionadora. Professora, para quê tenho que aprender isso? Onde vou usar este conhecimento em minha vida cotidiana? são questões que aparecem constantemente durante as aulas. Cientes desse contexto social, tomamos conhecimento do plano de curso de matemática e, junto com a professora, elaboramos um cronograma de atividades a ser executado na disciplina. Para o desenvolvimento de nossa proposta utilizamos em ambas as turmas 11 aulas de 50 minutos cada, no período de 25/09/09 a 09/10/09. As atividades seriam trabalhadas na sala de aula e em pesquisas de campo. Antes da aplicação das atividades, compartilhamos nossas ideias com as turmas e apresentamos o seguinte conograma de atividades: Tabela 1: Cronograma de atividades DATA ATIVIDADE DESENVOLVIDA TEMPO TURNO GASTO 5 a 6 a M V 25/09/09 Apresentação do cronograma de atividades e breve explicação do assunto, focada na definição dos termos. Apresentação do cronograma de atividades e breve explicação do assunto, focada na definição dos termos. 28/09/09 Elaboração do instrumento de coleta de dados para identificação do número de alunos por série e sexo, bem como da escolaridade dos pais. Elaboração do instrumento de coleta de dados para identificação do número de alunos por série e sexo, bem como da escolaridade dos pais. Digitação, impressão e distribuição do instrumento aos alunos Digitação, impressão e distribuição do instrumento aos alunos Anais do Encontro Nacional de Educação Matemática 5

6 Encontro Nacional de Educação Matemática 29/09/09 participantes da pesquisa de campo. participantes da pesquisa de campo. 120min 29/09/09 Elaboração do quadro série/sexo. Elaboração do quadro idade/série (Anexo 2) e do quadro para registrar a escolaridade dos pais. 30/09/09 Devolução dos questionários pelos alunos e/ou pelos pais. Devolução dos questionários pelos alunos e/ou pelos pais. Análise e registro dos dados referentes a série e sexo. Análise e registro dos dados referentes a idade/série e a escolaridade dos pais. 01/10/09 Representação dos dados coletados em um gráfico de barras desenhado em um cartaz. Representação dos dados coletados através do gráfico de barras desenhado em um cartaz. 02/10/09 Elaboração do instrumento de coleta de dados para identificação da formação acadêmica dos professores, o turno em que atuam, a relação professor/série e a situação funcional dos mesmos. Elaboração do instrumento de coleta de dados para identificação da atuação das funcionárias com 8hs diárias de trabalho, o nível de escolaridade e a situação funcional das mesmas. 05/10/09 Revisão dos instrumentos elaborados. Digitação e impressão dos mesmos. Digitação e impressão do instrumento, pois na aula anterior já havíamos conseguido revisá-lo. 06/10/09 Pesquisa de campo com os professores da escola. Pesquisa de campo com as funcionárias da escola. Análise e registro dos dados coletados. Anais do Encontro Nacional de Educação Matemática 6

7 Encontro Nacional de Educação Matemática 07/10/09 Análise e registro dos dados coletados. Representação dos dados coletados através do gráfico de barras desenhado em um cartaz. 08/10/09 Representação dos dados coletados em um gráfico de barras desenhado em um cartaz. Organização e exposição dos gráficos. 09/10/09 Seminário apresentação informações. de das Seminário apresentação informações. de das Após a descrição das tarefas a serem realizadas, a professora organizou os grupos e partimos para a consecução da proposta. Fazia também parte de nossa proposta a coleta de depoimentos ao final da segunda semana. Esses depoimentos seriam elaborados pelos alunos que nele relatariam suas aprendizagens. Juntos, nós, professores e os alunos avaliaríamos o desenvolvimento da proposta de construção do P.P.P. da escola e a importância da utilização do estímulo proposto com a coleta e análise de dados. Avaliaríamos ainda o desenvolvimento do aluno no que se refere à sua capacidade de ouvir, discutir, escrever, ler e interpretar informação. RESULTADOS De um modo geral, os alunos participaram ativamente do desenvolvimento de toda a proposta desde a discussão e elaboração do instrumento de coleta até a realização dos cálculos advindos das informações coletadas. De posse dos valores, os alunos comparavam os mesmos e tomavam conhecimento de circunstâncias da vida, interessando-se pelas causas que levaram um pai a estudar ou não, as razões de haver alunos com 14 anos na 5 a série, a existência de professores com maior ou menor grau de escolaridade, as causas ambientais e/ou genéticas que permitem nascer mais meninos que meninas, além de conhecer a formação e a função de cada um no contexto escolar. Também estudavam que encaminhamentos podiam propor para melhorar tanto a escolaridade quanto a vida dos próprios membros da família. Apresentamos alguns relatos que descrevem as Anais do Encontro Nacional de Educação Matemática 7

8 Encontro Nacional de Educação Matemática aprendizagens dos alunos, pois na medida em que as descobertas começaram a surgir, a vibração se espalhou pela sala. Eu percebi que essa foi uma grande experiência, pois conheci coisas da escola e das famílias dos colegas que a gente nem sabia. (Narjara, 5 a série) Eu aprendi a fazer e ler gráficos, ao fazer esses gráficos fiquei por dentro de quantos alunos tem a escola e a idade de cada um. E para nós fazermos estes gráficos fizemos uma pesquisa sobre o assunto. (Laís, 5 a série) Eu entendi que o gráfico tem que ter fonte e a legenda... (Evandro, 5 a série) Entendi que tem que fazer uma pesquisa antes de fazer gráficos ou tabelas. E que todos os gráficos e tabelas tem que ter fonte e título. (Fabrício, 5 a série) No começo era muito chato, pois ficar fazendo tabelas e gráficos não é mole, mais depois foi ficando divertido, pois nós fazíamos pesquisas sobre as famílias dos nossos amigos, conhecíamos um pouco mais sobre a escolaridade dos pais deles, dos irmãos, das secretárias, das faxineiras, foi bastante interessante, pois eu ainda não havia estudado os gráficos. Estudando-os eu aprendi que com eles podemos ter mais facilidade em contar usando porcentagem. (Emilly, 6 a série) Com os gráficos tive a noção de quantos pais nem estudaram, fiquei muito triste. (Mayara, 6 a série) Eu aprendi que para fazer um gráfico tem que ter uma fonte, tem que pesquisar, separar e diferenciar uma coisa da outra para ter a quantidade. É um serviço muito trabalhoso que é bom fazer em grupo como nós fizemos na sala de aula. (Wallace, 6 a série) DIFICULDADES ENCONTRADAS Não foi fácil conquistar a parceria para fazer parte desse trabalho, pois a pessoas resistem a enfrentar o processo de reflexão sobre a prática em estatística que exige a Anais do Encontro Nacional de Educação Matemática 8

9 Encontro Nacional de Educação Matemática superação tanto de limites de conhecimento quanto de dificuldades provocadas pelos imprevistos do cotidiano. Há ainda a resistência ligada à construção do conhecimento; é mais fácil trabalhar o conteúdo pronto e acabado. Inicialmente, a própria professora de matemática não acreditava na potencialidade do grupo, nós, professoras nele incluídas. Havia dúvidas quanto à nossa capacidade de pensar, discutir e elaborar instrumentos de coleta de dados, análise e interpretação de tabelas e gráficos. A professora demonstrou insegurança quanto ao planejamento das atividades de estatística e dizia: não sei se vou dar conta disso tudo, não. Outro fator que influenciou no desenvolvimento de nossa proposta foi o forte movimento dos trabalhadores da educação (professores, secretários escolares, serventes, merendeiras, dentre outros) denominado operação tartaruga, seguido de paralisações e alguns dias de greve. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste relato de experiência, construído a partir do Plano de Intervenção e das aulas de matemática ministradas nas turmas de 5 a e 6 a série do Ensino Fundamental, discutiu-se a possibilidade de se oportunizar a reflexão sobre o ensino, a aprendizagem e a avaliação em matemática. A partir da análise dos depoimentos e dos registros feitos pela professora no decorrer das aulas, foi possível organizar as nossas próprias ideias acerca das potencialidades de nossos alunos e da necessidade de se pensar em formas alternativas de promover o ensino da matemática. Com essa proposta evidenciamos a importância da criação de um espaço de reflexão coletiva na sala de aula e a construção de saberes sistematizados da disciplina e da vida, que contribui tanto para a formação dos alunos em termos de conhecimentos escolares quanto para a análise de questões sociais reais. Para nós, professoras, esta proposta serviu para (re)pensarmos nossa prática pedagógica rotineira e a condição de acomodação que, muitas vezes, nos impede de ousar e de sermos conscientes de nossa missão como educadores. Entendemos, assim, que nossa missão é sermos professoras que desenvolvem práticas emancipatórias e que estimulam o conflito cognitivo para que, por meio dele, os alunos possam canalizar suas aprendizagens produzindo um conhecimento autônomo, tecido em rede e emancipatório. Anais do Encontro Nacional de Educação Matemática 9

10 Encontro Nacional de Educação Matemática REFERÊNCIAS BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC, DANYLUK, O. S. Alfabetização Matemática: o cotidiano da vida escolar. Caxias do Sul. 2 a edição. EDUCS, SANTOS, V. M. P. dos. (org.). Avaliação de aprendizagem e raciocínio em matemática: métodos alternativos. Rio de Janeiro: Projeto Fundão, Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro, VEIGA, I. P. A. (org.). Projeto político-pedagógico da escola: Uma construção possível. Campinas, SP: Papirus, (Coleção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico) Anais do Encontro Nacional de Educação Matemática 10

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