Portugueses já só querem o seguro mais barato

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1 SEGUROS DOSSIER MENSAL SOBRE O MERCADO SEGURADOR VidaEconómica ESTE SUPLEMENTO FAZ PARTE INTEGRANTE DA VIDA ECONÓMICA Nº 1418, DE 4 NOVEMBRO DE 2011, E NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE Portugueses já só querem o seguro mais barato económicas obrigam muitos portugueses a cortar custos, abdicando de coberturas complementares no seguro automóvel e restringindo a abrangência da apólice às coberturas obrigatórias, numa altura em que a venda de veículos novos também sofre uma quebra acentuada. Enquanto isso, as seguradoras estão a braços com os efeitos das sucessivas descidas do prémio médio do seguro automóvel e, apesar de reconhecerem a necessidade de inversão deste fenómeno, constatam que tal ainda não foi possível de concretizar. Páginas II a V FORMAÇÃO APROSE e AEP apostam ANÁLISE Seguro automóvel com subscrição negativa de 27 milhões em 2010 Pág. III Pág. VI CONSULTÓRIO JURÍDICO Resolução do contrato de agência de seguros Pág. VIII

2 II sexta-feira, 4 novembro de 2011 SEGUROS CONSUMIDORES ANULAM MAIS COBERTURAS DE DANOS PRÓPRIOS Portugueses já só querem o seguro mais barato As restrições nos orçamentos familiares estão a levar muitos portugueses a abdicar das coberturas de danos próprios nos seus seguros de automóvel e a subscrever apenas coberturas de responsabilidade civil contra terceiros. É a forma encontrada por muitos consumidores para manter o seguro obrigatório, mas reduzir encargos com o prémio anual do seguro ANA SANTOS GOMES Mais crise, menos automóveis vendidos, menos viaturas a circular, menos apólices de seguro automóvel subscritas. É assim a lógica que impera no mercado de seguro automóvel, que, naturalmente, sente diretamente os efeitos da crise económica e a necessidade de redução de custos que todos os dias é manifestada pelos consumidores. Se tivermos em consideração a quebra acentuada das vendas de veículos novos em Portugal, que já atinge cerca de 30% relativamente a 2010, essa realidade tem naturais consequências no número de apólices no mercado, que tem tendência a reduzir, confirma Paulo Jácome, diretor de Gestão de Produto do ramo Automóvel da Allianz. Em concreto estamos a falar de menos veículos novos a circular, em comparação com os vendidos em 2010, explicita. Com a atual conjuntura económica a condicionar negativamente a evolução do mercado de automóveis, novos e usados, a quebra na procura de soluções mais completas de seguros também se evidencia. A consequência do atual contexto de crise parece ser o aumento da procura por parte dos clientes de seguros de Responsabilidade Civil mais baratos, ficando para segundo lugar o critério da escolha pela qualidade, revelam Joaquim Aguiar e Rui Almeida, responsáveis técnicos da Generali, onde apenas 26,4% das apólices de seguro automóvel incluem coberturas de danos próprios. Também João Gama, diretor de Comunicação da MAPFRE, confirma que, como o rendimento disponível das famílias e empresas está a diminuir, afetando a sua capacidade de consumo e investimento, estamos a sentir uma pressão na procura de soluções mais económicas. Ainda assim, a MAPFRE é, entre as companhias contactadas pela Vida Económica, aquela que apresentava uma percentagem superior de coberturas de danos próprios (35%) na sua carteira automóvel. Alterar as coberturas da apólice, reduzindo a proteção inerente ao seguro, tem sido a estratégia de muitos portugueses para continuar a cumprir o requisito legal de circular com seguro automóvel válido, mas reduzindo o seu custo para valores mínimos. A decisão mais frequente passa por deixar de subscrever coberturas facultativas de danos próprios, limitando a abrangência da apólice às coberturas contra terceiros, beneficiando da consequente redução do prémio do seguro. Maurício Oliveira, administrador da Açoreana, reconhece que um seguro com cobertura de danos próprios tem um custo substancialmente superior ao de um seguro que tipicamente garante danos a terceiros, por isso o reflexo deste fenómeno no setor segurador é inevitável. A redução do peso dos seguros de danos próprios leva a uma óbvia redução do volume de prémios do ramo, constata o responsável da Açoreana, para quem o abrandamento da atividade no setor de venda de veículos automóveis, principalmente de veículos novos, com perspetivas ainda mais negativas para o ano 2012, também acaba por afetar negativamente o setor segurador, uma vez que começa a não existir um aumento do parque automóvel. À procura de Inovação É perante este cenário que as companhias de seguros começam a sentir necessidade de adequar a sua oferta ao contexto de redução de custos que abrange a generalidade dos orçamentos familiares dos portugueses. Este contexto lança-nos desafios muito interessantes do ponto de vista da criatividade e da inovação, no sentido de construirmos soluções e produtos a preços acessíveis, reconhece Rita Sambado, diretora de Marketing da Fidelidade Mundial e Império Bonança, onde um em cada seis veículos estão seguros contra o risco de choque, colisão ou capotamento. E é precisamente a ideia de recorrer a soluções inovadoras que está já a ser posta em prática na AXA, assegura Alexandra Catalão, diretora de Oferta e Segmentos Estratégicos, que defende que, neste contexto de crise, as seguradoras devem estar ao lado da economia e das famílias, proporcionando condições que permitam a melhor subscrição do seguro automóvel. É isso que estamos a fazer na AXA, redesenhando a nossa oferta através da introdução de um novo pack, designado Simply, que disponibiliza, para bons condutores, apenas as coberturas essenciais, a preço económico, para fazer face à obrigatoriedade do seguro automóvel. Nesta altura, a AXA dispõe de 20% da sua carteira automóvel com coberturas de danos próprios.

3 SEGUROS Zurich estreia campanha publicitária ANA SANTOS GOMES O sorriso, a cadeira azul e o conceito de número 1 foram os três ingredientes combinados pela Zurich na campanha publicitária que arrancou esta semana e que estará no ar até dezembro na rádio, imprensa, outdoors e internet, além dos balcões da rede Zurich. Destacar a qualidade de serviço da companhia é um dos principais objetivos da campanha, que procura capitalizar a recente distinção no estudo ECSI Portugal, onde a Zurich alcançou Seguro Automóvel com subscrição negativa de 27 milhões em 2010 ANA SANTOS GOMES As seguradoras registaram um resultado de subscrição negativo de 27 milhões de euros no ramo Automóvel em 2010, conclui a análise anual do mercado de seguro automóvel da consultora Actuarial. Os resultados técnicos do ramo só foram positivos no final do ano passado (55 milhões de euros) graças ao contributo dos rendimentos financeiros, que chegaram aos 82 milhões de euros no final de 2010, revela também a análise da consultora, segundo a qual um resultado de subscrição tão acentuadamente negativo já não era registado em Portugal desde o ano Entre as causas identificadas pela Actuarial para justificar este fenómeno está a redução do prémio médio do seguro automóvel, que ficou 46% abaixo da inflação registada de 2001 a A este fator junta-se ainda o aumento da frequência de sinistros registado nos últimos anos em Portugal. Além de a frequência de sinistros com danos materiais ter subido entre 2007 e 2010, Portugal registou também um significativo incremento do número de sinistros com danos corporais em Perante estes resultados, a Actuarial estima que o capital em risco bruto das seguradoras no ramo Automóvel, antes de efeitos de diversificação com outros ramos e riscos, seja de 121 milhões de euros, o que representará 8,3% dos seus capitais próprios, traduzindo uma subida de 5% face ao ano anterior. Este resultado torna-se especialmente relevante com a proximidade da entrada em vigor da diretiva Solvência II, prevista para 2013, ano a partir do qual as seguradoras terão de satisfazer os seus capitais em risco através dos respetivos capitais próprios. o primeiro lugar no índice de satisfação de clientes. A campanha foi lançada em quatro países, mas em cada um deles a mensagem foi adaptada ao contexto nacional. Em Portugal, o fator que nos leva a concentrar esforços neste último trimestre é a atual situação económica e financeira, que tem estado no centro das atenções, explica Ana Quintela, diretora de Comunicação da Zurich Portugal. Hoje, mais do que nunca, os clientes têm de acreditar que a sua companhia de seguros está preparada para responder no futuro. Temos o desafio do mercado e da situação económica, mas temos também uma companhia com 93 anos de experiência e resiliência, sustenta Ana Quintela, que explica os restantes elementos-chave da campanha. O elemento sorriso assinala a dedicação aos clientes que estão no centro de tudo o que fazemos. Isto significa que antecipamos e compreendemos as suas necessidades e estamos orientados para responder a essas prioridades. E a cadeira azul representa a rede da Zurich, que presta um serviço próximo e de qualidade em mais de 800 pontos de contacto em Portugal. STUDO ECSI PORTUGAL PRÉMIO SATISFAÇÃO DO CLIENTE sexta-feira,4 novembro de zurich.com/onde_estamos III Como asseguro a protecção da minha família? É simples escolho o nº1. Contacte o seu Mediador Zurich e perceberá porque somos a companhia de seguros líder na satisfação do Cliente em Portugal.

4 IV sexta-feira, 4 novembro de 2011 SEGUROS COLECIONÁVEL SEGURO AUTOMÓVEL Seguro obrigatório Para circular com um veículo automóvel é obrigatório ter um seguro de responsabilidade civil, que cobre os danos causados a terceiros na sequência de um sinistro automóvel, sempre que o condutor do veículo seguro seja responsável pelo acidente. O seguro obrigatório, vulgarmente chamado de seguro contra terceiros, não cobre os danos causados no próprio veículo. Prémio Preço do seguro a pagar por cada apólice anual. Apesar de o contrato ter duração anual, pode solicitar o fracionamento trimestral ou semestral do pagamento, podendo a seguradora incrementar os preços fracionados para corresponder ao acréscimo de carga administrativa que tal representa Anulação do seguro O seguro tem duração anual e apenas é válido após o pagamento do respetivo prémio. Caso pretenda proceder à anulação da apólice, bastará ao segurado não efetuar o pagamento do prémio e o seguro será automaticamente anulado assim que expirar o prazo de pagamento. O segurado não é obrigado a contactar a seguradora para avisar da intenção de anular a apólice. Carta verde Quando o segurado concretiza o pagamento do seu seguro automóvel, a companhia seguradora procede à emissão da carta verde, documento que comprova que aquele seguro é internacionalmente reconhecido. Em Portugal, o Gabinete Português de Carta Verde é a entidade responsável pela emissão de cartas verdes. Condutor habitual Todas as apólices de seguro automóvel indicam o nome do condutor habitual do veículo seguro. São os dados referentes a esse condutor habitual que determinam o cálculo do prémio e não os dados do tomador de seguro. Pode ter influência no cálculo do prémio a idade e sexo do condutor habitual, a experiência de encartado, o historial de sinistros e o local onde reside, pois há diferentes níveis de risco nas várias regiões do país. Ocupantes e condutores Na apólice de seguro automóvel, mesmo com a cobertura mínima obrigatória, estão cobertos os danos corporais sofridos pelos ocupantes da viatura. Mas é possível adicionar à apólice uma cobertura opcional de acidentes pessoais, complementando a proteção dos ocupantes do veículo. Em caso de sinistro, esta cobertura garante uma indemnização pelos danos corporais sofridos pelos ocupantes da viatura. A cobertura de ocupantes não inclui o condutor do veículo, que poderá também ser coberto adicionalmente, se o tomador de seguro assim o solicitar. Geralmente, as seguradoras disponibilizam uma cobertura de acidentes pessoais especificamente para esse efeito. Danos próprios Além do seguro automóvel obrigatório, que cobre apenas a responsabilidade civil perante terceiros, é possível incluir na apólice a cobertura de danos próprios. Só assim estará a garantir que a seguradora suportará as despesas de reparação de danos provocados no seu próprio veículo, mesmo que a culpa do acidente seja sua. Declaração Europeia de Acidente Sempre que viajar para um Estado- Membro da União Europeia, o segurado deve certificar-se de que possui a carta verde do seu seguro automóvel e de que transporta também consigo uma Declaração Europeia de Acidente, documento normalizado para preencher em caso de acidente, tal como acontece em Portugal com a Declaração Amigável de Acidente Automóvel. Como proceder em caso de sinistro No local do acidente anote a matrícula do(s) veículo(s) interveniente(s) e os dados possíveis sobre a identificação do condutor e da sua seguradora. O dístico que contém os elementos de identificação da seguradora deve estar obrigatoriamente visível no vidro de todos os veículos. Se houver testemunhas oculares do acidente, procure anotar também alguns elementos de identificação. Não se esqueça de colocar o triângulo a pelo menos 30 metros do local do acidente e, se necessário, acender as luzes das viaturas. Deve também vestir o colete refletor antes de sair da viatura. Regularização de sinistros só com danos materiais Com a entrada em vigor do Decreto- Lei N.º 291/2007, a 21 de outubro desse ano, entraram em vigor os novos prazos de regularização de sinistro automóvel, que as companhias de seguros são obrigadas a cumprir a partir do momento em que recebem a participação de um sinistro. Independentemente da responsabilidade, a participação do sinistro tem de ser apresentada na seguradora no prazo máximo de 8 dias após o acidente ou conhecimento da sua ocorrência. A partir da data de receção da participa- PUB ção, a seguradora dispõe de 2 dias úteis para contactar o segurado ou o terceiro lesado e mais 8 dias úteis para concluir as peritagens aos veículos sinistrados. Este último prazo pode ser alargado para 12 dias úteis se houver necessidade de desmontagem de algum veículo sinistrado. Concluída essa operação, a seguradora dispõe de mais 4 dias úteis para apresentar o relatório de peritagem. Quando tiverem decorrido 30 dias a contar da data em que o segurado ou o terceiro lesado receberam o primeiro contacto da companhia seguradora, esta é obrigada a comunicar-lhe a assunção ou rejeição de responsabilidades na regularização do sinistro. O segurado ou lesado pode contestar essa posição no prazo de 5 dias úteis, tendo a seguradora mais 2 dias úteis para analisar a contestação e dar uma resposta definitiva. No caso de assumir o pagamento de uma indemnização, a seguradora deverá liquidar esse pagamento nos 8 dias úteis seguintes. Se tiver sido apresentada declaração amigável de acidente automóvel, todos estes prazos são reduzidos a metade. Os prazos previstos na lei podem também ser alargados para o dobro em caso de ocorrência de fatores climatéricos excecionais ou em caso de ocorrência de um número excecionalmente elevado de acidentes em simultâneo. Declaração Amigável de Acidente Automóvel (DAAA) Se houver acordo quanto à responsabilidade do acidente, os intervenientes podem preencher uma única declaração, que deverá ser assinada por ambos. Cada um dos intervenientes entrega uma das folhas da declaração à sua seguradora, para que esta proceda à regularização do sinistro. A declaração deve ser apresentada à seguradora ou ao mediador de seguros no prazo de oito dias após a ocorrência ou tomada de conhecimento da ocorrência. Se não houver acordo quanto à responsabilidade do acidente, cada interveniente preenche uma declaração amigável com a sua versão do sinistro e entrega na sua seguradora. Em caso de dúvida, não assuma a culpa do acidente nem atribua responsabilidades, deixando que sejam as companhias a averiguar a responsabilidade do sinistro. Pode solicitar a intervenção das autoridades policiais caso um dos intervenientes no sinistro se recuse a exibir o comprovativo do seguro automóvel obrigatório, manifeste intenção de abandonar o local do acidente ou ainda sempre que do sinistro resultarem danos corporais. Convenção IDS Se o sinistro envolver apenas duas viaturas e dele resultarem exclusivamente danos materiais inferiores a euros, o preenchimento da Declaração Amigável de Acidente Automóvel permite acionar o sistema de Indemnização Direta ao Segurado (IDS). Ao abrigo deste sistema, cada seguradora regulariza diretamente o sinistro do seu segurado num processo mais célere, para posteriormente as companhias acertarem contas entre si. Sinistro no estrangeiro Em caso de ocorrência de sinistro em país estrangeiro, contacte o Gabinete Nacional de Seguros do país onde ocorrer o acidente. Os contactos estão inscritos no verso da sua Carta Verde, que deverá acompanhá-lo sempre que viajar para o estrangeiro, bem com a documentação do veículo. Sinistro com veículo de matrícula estrangeira Em caso de sinistro ocorrido em território nacional com veículo de matrícula estrangeira anote o máximo número possível de dados relativos à identificação do proprietário e/ou do condutor do veículo e da sua apólice de seguro, caso esta exista. Identifique o país de circulação habitual do veículo e solicite, se possível, uma cópia da carta verde do condutor. Participe o sinistro no Gabinete Português da Carta Verde.

5 SEGUROS sexta-feira, 4 novembro de 2011 V COMPANHIAS QUEREM AUMENTAR TARIFÁRIOS MAS RECONHECEM DIFICULDADES EM CONCRETIZAR ESSA ASPIRAÇÃO Preço do seguro automóvel continua a descer As companhias de seguros ainda não conseguiram travar a fundo a descida do preço do seguro automóvel, embora alguns operadores reconheçam a necessidade e subir preços para não sacrificar mais a rentabilidade do ramo. A alternativa tem sido a redução do peso do ramo automóvel na carteira. ANA SANTOS GOMES Depois de anos de sucessiva redução do prémio médio do seguro automóvel, o mercado assistiu em 2009 e 2010 a uma desaceleração da intensidade decrescente do preço do seguro, mas não é certo que consiga já este ano registar uma inversão do fenómeno. Entre os 7 milhões de veículos seguros em Portugal no ano passado, o prémio médio de seguro automóvel era de 241 euros, menos 71 euros que o prémio médio de 312 euros praticado em 2006, segundo dados divulgados pela Associação Portuguesa de Seguradores Apesar de muitos operadores reconhecerem que algumas das condições que no passado fundamentaram a descida de preços, como a redução da sinistralidade e a otimização de recursos das companhias, já não servirem hoje para justificar totalmente o tarifário praticado genericamente no mercado, a realidade vem demonstrar que subir preços não tem sido tarefa fácil entre os operadores. Existe uma necessária tentativa de inversão por grande parte das seguradoras do mercado, no entanto coexiste com esta tentativa a prática de alguns operadores, com o objetivo de conquistarem novos negócios, de aplicarem prémios médios ainda inferiores, embora não tão acentuadamente como nos anos anteriores, admitem Joaquim Aguiar e Rui Almeida, responsáveis técnicos da Generali. A multinacional italiana garante que os seus prémios médios mantêm-se este ano a níveis idênticos aos de 2010 e reconhece que chegou a pensar em subir o seu tarifário, mas as práticas de mercado enunciadas e o contexto social não o permitem. Aposta na venda cruzada Outra multinacional a operar em Portugal, a Liberty, assume estar em contraciclo. Estamos a crescer acima do mercado, pelo que o cenário de crise ainda não foi sentido, afirma Cláudia Tabora, gestora de produto na multinacional norte-americana. A mesma responsável confirma que o fenómeno de redução do prémio médio continua a ser uma realidade em Portugal e na própria Liberty Seguros o prémio médio deste ramo desceu ligeiramente em O ramo automóvel tem vindo a conquistar um peso crescente na carteira Não Vida da seguradora e representa atualmente 65% dessa carteira. Mas esta não tem sido a postura predominante no mercado segurador. O ramo Automóvel era tradicionalmente o de maior peso na carteira da Generali, mas fruto da nossa política de diversificação e participação em negócios de grande dimensão e também em negócios internacionais, tem vindo a diminuir o seu peso, constatam Joaquim Aguiar e Rui Almeida. Hoje, o ramo Automóvel pesa 38,4% na carteira Não Vida da Generali e 53% da carteira Não Vida da MAPFRE, que tem adotado uma política semelhante. O peso deste ramo tem vindo a decrescer ligeiramente ao longo dos últimos anos, uma vez que temos vindo a adotar uma política que aposta muito em aumentar o nível de fidelização dos nossos clientes através do cross-selling. Esta estratégia permite-nos servir melhor os nossos clientes, otimizando os seus níveis de proteção e oferecendo condições mais vantajosas, explica João Gama, diretor de Comunicação da multinacional espanhola. Menos expressivo é já o peso do ramo Automóvel na certeira Não Vida da Fidelidade Mundial e Império Bonança, do grupo Caixa Geral de Depósitos, que ronda atualmente os 40%. Rita Sambado, diretora de Marketing das duas companhias, reconhece que o fenómeno de redução de prémios continua a ser uma realidade no grupo CGD e diz mesmo que esta redução só não é mais acentuada porque têm vindo a verificar uma maior adesão dos clientes a campanhas para sensibilização de determinados riscos, aumentando a subscrição de algumas coberturas facultativas que, naturalmente, incrementam o preço do seguro. A responsável das companhias de seguros do grupo CGD acredita também que o fenómeno de preços baixos no seguro automóvel deverá continuar a ser uma realidade mesmo que a principal razão para a redução do prémio médio possa não ser a mesma. Segundo Rita Sambado, à agressividade competitiva verificada nos últimos anos juntase agora a quebra na venda de veículos novos, o que implica o envelhecimento do parque automóvel. Este cenário faz reduzir a procura de soluções com coberturas mais abrangentes de danos próprios, resultando na reestruturação da composição das carteiras e o impacto desta realidade no prémio médio. Subida de preços para breve? Subir preços é a solução inevitável reconhecida por vários operadores, mas repetidamente adiada. Por quanto mais tempo, é uma incógnita. Uma gestão equilibrada e a própria sustentabilidade das operações obrigarão a uma paragem ou mesmo inversão deste caminho, antecipa João Gama, da MAFRE. Na AXA, Alexandra Catão, diretora de Oferta e Segmentos Estratégicos da AXA, também considera que a subida do prémio médio já deveria ser uma realidade hoje, promovendo um ajustamento progressivo e correto em termos de preço. A responsável da AXA alega que a crise económica que se instalou e a forte competitividade do mercado, em particular, das seguradoras de direto, levaram as seguradoras ditas tradicionais a reposicionarem-se quanto ao fator preço, pelo que os prémios médios continuam a ser baixos não correspondendo ao risco assumido pelas seguradoras. Também Maurício Oliveira, administrador da Açoreana, do grupo Banif, reconhece que existe uma necessidade clara de equilibrar os resultados de rentabilidade de um ramo que tem um peso muito significativo na atividade seguradora e que muitas vezes tem de ser alavancado com outros ramos que vão apresentando resultados mais positivos. No entanto, lembra o responsável da Açoreana, esta inversão ainda não é muito visível, mantendo-se os valores significativamente abaixo dos valores tecnicamente desejáveis para um ramo com esta magnitude.

6 VI sexta-feira, 4 novembro de 2011 SEGUROS CALENDÁRIO DE EVENTOS DA ATIVIDADE SEGURADORA NOVEMBRO/2011 CONSULTE ONLINE EM Local Contactos e informações Data Evento Organização Cidade Endereço Telefone Fax Web page 7/11/11 Curso: Contrato de Seguro elearni ng elearning INETESE Curso: Seguros de 7 a 9/11/11 Lisboa R. Rodrigo Fonseca, 41 APS Acidentes de Trabalho 8/11/11 9/11/11 9/11/11 9/11/10 Curso: Seguro automóvel elearning elearning INETESE Curso: Seguros de Incêndio e Elementos da Natureza elearning elearning INETESE Curso: Análise de risco elearning elearning INETESE Conferência: Novas oportunidades no mercado segurador Porto Hotel Tiara Park Porto 10/11/11 Curso: Fraude em Seguros Lisboa Rua Viriato, 25, 5º 14/11/11 14/11/11 16/11/11 23/11/11 23/11/11 29/11/11 29 e 30/11/11 Curso: Seguros de Responsabilidade Civil Geral Curso: Agentes e corretores de seguros Curso: Negociação comercial Curso: Responsabilidade Ambiental e Seguro de Responsabilidade Ambiental Curso: Prospecção comercial Curso: Como melhorar o controlo de gestão Seminário: Coberturas e implicações dos seguros na aviação Koolsite- Soluções Informáticas IFA-Instituto de Formação Actuarial Lisboa R. Rodrigo Fonseca, 41 APS elearning elearning INETESE Leça da Palmeira & Lisboa Av. Dr. António Macedo & Av. D. João II,Lt º Dto Lisboa Rua Viriato, 25, 5º Leça da Palmeira & Lisboa Leça da Palmeira & Lisboa Av. Dr. António Macedo & Av. D. João II,Lt º Dto Av. Dr. António Macedo & Av. D. João II,Lt º Dto AEP & APROSE IFA-Instituto de Formação Actuarial AEP & APROSE AEP & APROSE Lisboa A designar IIR Portugal O particular momento que se vive na Europa, especialmente nos PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), com especial incidência na Grécia e Portugal, levam-nos a constatar com preocupação que momentos cada vez mais difíceis se estão aproximar. O surfista diria que estamos quase na crista da onda, mas a massa de água que aí vem, acompanhada da forte réplica que se sentirá, fará prever tempos de crime violento, seja ele ao nível do roubo e furto ou na sua componente de ações de vandalismo, maliciosas ou de sabotagem. Os canais de televisão e jornais sensacionalistas têm beneficiado com isso, pois as notícias começam a ser avassaladoras neste país à beira-mar plantado. O que fazem os empresários em geral e o público em particular para se acautelarem? Grosso modo, fazem como a avestruz, pondo a cabeça na areia a ver se a tempestade passa ou então pensando e desejando que o próximo ator principal da edição jornalística não seja ele com o comentário nada original de que a empresa não possui seguro ou tem, mas desatualizado. Esta inserção no texto torna-se recorrente, o que não sabemos é se o jornalista a insere no início, no meio ou no final da peça. Vem isto a propósito de, grosso modo, só uma ínfima parte dos novos contratos é que registam a inclusão das coberturas de Atos de Vandalismo, Maliciosos ou de Sabotagem. No que concerne aos antigos, como se costuma dizer, estão bem e recomendam-se, LUIZ FILIPE ACTASEGUROS-CORRETORES DE SEGUROS, SA Felizes os que nada esperam pois nunca serão defraudados pois, caso exista sinistro, são mais uns a engrossar o Clube EMC Estende a Mão à Caridade. Efetivamente, pensamos que tal facto não resultará do acréscimo de prémio, por o mesmo não ser significativo, mas antes pelo conceito subjacente da cobertura de Todos os Riscos, que não são mais do que aqueles que a seguradora tem para oferecer. Acautelemo-nos, porque, se houver qualquer dano nos nossos bens, sejam eles automóveis, habitações, escritórios, fábricas, etc., a seguradora pagará em função dos riscos cobertos e não da consequência. Isto é, por outras palavras, se houver um incêndio provocado por Ato de Vandalismo, ou a apólice possui esta última cobertura ou o cliente teve três azares: o primeiro, por ter tido o sinistro, o segundo, por não ter pedido a cobertura, o terceiro e principal, pelo facto de que quem o aconselhou a subscrever não perceber de seguros, como grande parte dos bancários a venderem seguros. Se ao menos entendessem da sua atividade, então a área económica ou financeira da Europa não estava como se encontra. Mas, afinal, o cliente feliz é aquele que nada espera pelo que nunca será defraudado. Aconselhamo-lo antes que a onda rebente a contactar um mediador profissional de seguros ou a visitar o site isto profissionalmente falando, porque para amadorismo ou conversa mole sempre tem o seu banco para tratar dos seguros, venda de publicações, anéis, máquinas de café, automóveis, casas e demais a que a venda de dinheiro os obriga.

7 SEGUROS sexta-feira, 4 novembro de 2011 VII Associado em Destaque SÓCIOS-GERENTES DA WINSURANCE DESDRAMATIZAM CONSTRANGIMENTO COMERCIAL ENTRE BANCA E SEGUROS Vamos habituar-nos a conviver com a venda forçada de seguros na banca Merece a oposição inicial dos mediadores, mas é um fenómeno inevitável, reconhecem Nuno Muñoz Mendes e José Espírito Santo, sócios-gerentes da mediadora Winsurance. A crescente venda de seguros na banca, associada à concessão de crédito, é uma realidade incontornável e os responsáveis da Winsurance só esperam que a regulação desta atividade comercial esteja sujeita à mesma rigidez que o setor segurador. Vida Económica O que justifica que 70% dos seguros do ramo Não Vida sejam distribuídos por agentes e corretores de seguros? Nuno Muñoz Mendes e José Espírito Santo - Há várias razões para essa evidência, sendo que a primeira será a proximidade do cliente. Na maior parte das vezes entende-se essa proximidade como unicamente geográfica e não é assim. A proximidade social e cultural é também outra forma de proximidade que tem um peso significativo na hora da decisão de contratação. Por outro lado, não podemos ainda esquecer que uma boa parte dos hoje intervenientes na mediação foram profissionais das seguradoras que, por uma razão ou por outra, em determinado momento decidiram enveredar pela mediação. Por fim, há uma razão de peso que resulta dos seguros assentarem na promessa de retribuição pecuniária decorrente de determinada situação adversa e que só se comprovará precisamente pela ocorrência dessa situação. Deste modo é imperativo que essa promessa tenha crédito e a melhor forma de o alcançar é através das (boas) relações pessoais. O nome da entidade/seguradora ajuda, mas o crédito pessoal é muitas vezes determinante na concretização do negócio e esse está com o mediador. Por outro lado, pesa também como fator de decisão e escolha o facto de haver uma cara a quem recorrer em caso de sinistro. Não será melhor e mais económico para todos melhorar o nível de serviço em vez de pensarmos numa ilusória redução de custos?, questionam Nuno Muñoz Mendes e José Espírito Santo VE - Alguns responsáveis máximos de seguradores admitiram recentemente que o preço dos seguros ainda pode baixar. Considera haver espaço para tal? Porquê? NM/JES - Não podemos dar qualquer opinião a este respeito. Cada responsável saberá o que pode e deve fazer para otimizar os seus resultados. Se isso passa por reduzir os preços, então deverá fazê-lo. No entanto, essa tendência anunciada não está em consonância com as mensagens frequentemente transmitidas por alguns responsáveis, que se queixam da atual situação. Ao longo dos últimos anos temos vindo a assistir a um progressivo emagrecimento de alguns custos na área da gestão, quer administrativa, quer de sinistros, potenciando redução de prémios, mas a frequência e severidade de sinistros balanceiam em sentido contrário. Ao nível da redução de custos administrativos das seguradoras, é inquestionável que muitas das tarefas que tinham passaram para os mediadores profissionalizados, que deixaram de ser meros informadores para serem uma extensão da própria seguradora, emitindo contratos de seguro e regularizando sinistros, além da assistência comercial permanente aos clientes. Cumpre-nos também dizer que esse aumento de tarefas não está consonante com o aumento da retribuição, assistindo-se a uma redução do comissionamento. Estamos, de facto, numa época em que o dinheiro é tudo, mas todos nós, com maior ou menor nível de responsabilidades, deveremos equacionar se não será melhor e mais económico para todos melhorar o nível de serviço (seguradora, mediador, prestadores) em vez de pensarmos numa ilusória redução de custos. VE - O plano de assistência financeira a Portugal prevê a privatização da Caixa Seguros. Que alterações, na perspetiva da mediação de seguros, poderão resultar desta operação? NM/JES - Este fator, por si só, não deverá ser determinante, no entanto, a situação económica, as políticas das empresas e os interesses dos seus acionistas impelirão a alguma concentração do mercado, de que deverão ocorrer fusões e aquisições. A Caixa Seguros, por si só, é demasiadamente grande para ser alienada como um todo, pelo que a lógica económica deverá determinar a alienação de partes da empresa e a diferentes operadores. Como em tudo na vida, existirão vantagens e inconvenientes. Dependerá tudo da forma como essa operação for concretizada e fundamentalmente do comportamento dos novos players. Aguardemos, portanto, para ver como vai evoluir esta situação que forçosamente terá de nos preocupar, dada a representatividade da Caixa Seguros na atividade seguradora. VE - A crise de liquidez e a consequente dificuldade de acesso ao crédito bancário por parte dos consumidores tem acentuado a venda forçada de seguros por parte dos bancos como contrapartida da concessão de financiamento. Que leitura faz deste facto? NM/JES - A primeira reação de qualquer mediador é crítica, pois sente na pele, e na carteira, os seus efeitos. Porém, é algo inevitável e teremos que nos habituar a conviver com tal tipo de constrangimento. O que é importantíssimo é que as autoridades competentes exerçam um controlo, fiscalização e penalização efetiva e dissuasora das más práticas e dos exageros que possam ser adotados pelas entidades bancárias, pois verifica-se um elevado grau de exigências por parte do Instituto de Seguros de Portugal para com a mediação profissional, e que concordamos, enquanto por parte das entidades bancárias, por norma, não há o conhecimento necessário para assegurar o mero acompanhamento comercial. VE - Fala-se muito na fidelização do cliente. Considera que as seguradoras se preocupam com a fidelização das redes de mediação? De que modo? NM/JES - Não podemos generalizar. Há seguradoras que o fazem de forma sistemática e outras nem por isso. Algumas, poucas, das seguradoras com quem trabalhamos, e que por uma questão de princípio não divulgamos, têm-nos honrado com um apoio efetivo. Honra lhes seja feita. O modo como se tem manifestado esse apoio é bem diverso e vai desde a disponibilização dos meios de comunicação e trabalho até ao nível de remuneração e, sobretudo, pela permanente disponibilidade para nos ouvir e tratar dos problemas que se nos apresentam. PME com projeção internacional A empresa surgiu por decisão de Nuno Muñoz Mendes, que tinha adquirido competências e conhecimentos específicos na licenciatura de Gestão de Banca e Seguros e feito já um percurso profissional na assessoria económica e financeira e na mediação de seguros. Apesar do pai se ter oposto inicialmente à escolha profissional do filho, rapidamente decidiu associar-se ao projeto. Sendo tão profundamente conhecedor do mercado, tanto a jusante quanto a montante, nacional e internacionalmente, aportou fatores de diferenciação e valor acrescentado em benefício claro da empresa e dos nossos clientes, reconhece os sócios-gerentes. Com instalações no centro de Lisboa e em Loures, a mediadora integra atualmente 5 profissionais. O nosso negócio é dual. Se, por um lado, estamos enfocados no negócio dito tradicional, dos segmentos de particulares e pequenas e médias empresas (PME), onde temos a nossa maior força de trabalho, por outro lado, e numa visão de futuro, estamos muito enfocados em segmentos de negócio de valor acrescentado, designados de riscos especiais, revelam os dois responsáveis da Winsurance. É precisamente para dar seguimento a este último projeto que a Winsurance recorre a parcerias de âmbito internacional. Temos parceria com a associação europeia de corretores especializados no setor Audiovisual, assumimo-nos líderes desse mesmo mercado ao nível europeu, tendo representação mundial nos EUA, América Latina, China, Índia e Austrália, confirmam Nuno Muñoz Mendes e José Espírito Santo.

8 VIII sexta-feira, 4 novembro de 2011 SEGUROS CONSULTÓRIO JURÍDICO Resolução do contrato de agência de seguros PUB CORVACEIRA GOMES Departamento jurídico/director Executivo APROSE Considera-se justa causa o comportamento da contraparte que, pela sua gravidade e consequências, torne imediata e praticamente impossível a subsistência da relação contratual Tendo celebrado contrato de agência de seguros com uma seguradora em 27/01/2007, foi-me retirado em outubro de 2010, sem aviso prévio, o poder de cobrança dos contratos. Do mesmo modo foi-me retirado o acesso ao portal da seguradora. Em 28/12/2009 também solicitei listagem das apólices à mesma seguradora, sendo que até esta data não só não me foi remetida como não me foi dado qualquer esclarecimento. Entretanto, a cobrança dos contratos foi entregue a outro mediador local, bem como a listagem dos contratos por mim mediados. No início do presente mês estive em reunião com o gerente de dependência, onde denunciei esta situação, contudo sem resultados. Poderei cessar o contrato invocando justa causa, dado que a companhia violou o estipulado na cláusula 1ª do Anexo II sem ter respeitado a cláusula 5ª do mesmo anexo, invocando má-fé quando entrega a terceiros sem meu conhecimento, cobrança, cobrança de indemnizações e listagem de contratos da minha carteira, não me facultando informação de carteira, bem como situações do estado de processos de sinistros e grandes demoras na obtenção de quaisquer outros elementos por mim solicitados junto daquela, para o desempenho e informação da atividade de mediação? Entendo que com a atual posição da companhia me é impossível proceder ao meu trabalho de mediação, dado que me é impossível cumprir o disposto no Decreto-Lei 72/2008, de 16/04, ou seja, a apólice somente é eficaz após boa cobrança. Face ao exposto, agradecia o especial favor se dignarem a dar o parecer de V. Exas., bem como quais os procedimentos a ter para solicitar a denúncia por justa causa (a haver lugar). Devemos informar, antes de mais, que a revogação dos poderes de cobrança, não obstante se encontrar, nos termos da lei civil, sujeita à disciplina contratual, ou seja, ao princípio da eficácia dos contratos nos termos do qual o contrato deve ser pontualmente cumprido, e só pode modificar-se ou extinguir-se por mútuo consentimento ou, por ato unilateral de uma das partes, apenas no casos em que tal é permitido, a alteração ou revogação unilateral de tal faculdade não se encontra, à luz do contrato de mediação de seguros firmado em 27/01/2007 e em vigor até 31/12/2011, excluída, podendo a seguradora, nos termos da cláusula 5ª do anexo II, alterar a qualquer momento o próprio anexo respeitante ao poder de cobrança, no pressuposto de que proceda ao envio, para o agente, de um novo anexo, o que, conforme alegado, não sucedeu. Sem embargo de existir alguma doutrina que entende que a delegação de poderes de cobrança não assume caráter essencial quanto à existência do próprio contrato de mediação de seguros, atendendo a que este último poderá manter-se e sobreviver sem aquela faculdade, tendo valor meramente acessório, também entendemos pelas consequências óbvias no que diz respeito à celebração de seguros novos e, quanto aos continuados, pela importância de que se reveste, mas não só, no âmbito da fidelização do cliente e da imagem do mediador perante aquele que a sua revogação, alegadamente inopinada e sem motivo justificativo, deverá ser devidamente apreciada e ponderada numa perspetiva de manutenção do relacionamento com a seguradora e, se for caso disso, constituir eventualmente acompanhado de outros fatores justa causa de resolução contratual, por parte do mediador. Nos termos do n.º 7 do artigo 45º do Decreto-Lei n.º 144/2006, de 31 de julho, sem prejuízo de outras situações livremente previstas no contrato, considera-se justa causa o comportamento da contraparte que, pela sua gravidade e consequências, torne imediata e praticamente impossível a subsistência da relação contratual, sendo que, por força do n.º 1 do artigo 5º do contrato de mediação a que nos reportamos, o agente pode fazer cessar o contrato com justa causa no caso de incumprimento reiterado, por parte da seguradora, das obrigações legais e das contratualmente assumidas. Nos termos do n.º 3 da mesma disposição contratual, a cessação do contrato, por iniciativa do agente, com justa causa, confere-lhe o direito a uma indemnização de clientela, desde que tenha aumentado substancialmente o volume de negócios com a clientela já existente ou com novos clientes e a seguradora venha a beneficiar, após a cessação do contrato, da atividade desenvolvida pelo agente. Quer isto dizer que o direito à indemnização de clientela não é automático e encontra-se sujeito à verificação dos requisitos de que depende a sua atribuição, que, a não se verificarem, determinam o seu não pagamento. Obviamente que, prescreve o artigo 28º do diploma supracitado, constitui direito do mediador de seguros a obtenção atempada, por parte das seguradoras, de todos os elementos, informações e esclarecimentos necessários ao desempenho da sua atividade e à gestão eficiente da sua carteira, o que, conforme alegado, igualmente não se verificou, sendo este incumprimento legal também suscetível de consubstanciar justa causa de resolução contratual. Resta-nos, por último, informar que, em reforço do acabado de expor, o mediador poderá fazer cessar o contrato invocando para tal o incumprimento da contraparte, com justa causa que poderá ser feito por carta registada, a todo o momento, o que determinará, nos termos do n.º 1 do artigo 45º do Decreto-Lei n.º 144/2006, a passagem a direto, sem mediador, dos contratos que integram a sua carteira e que estão colocados na seguradora em apreço, contanto que, caso aquela entenda que o agente não tem razão ou que tem justificação para o incumprimento contratual que lhe é apontado, não pagará voluntariamente a indemnização de clientela, se a ela houver lugar, e outra alternativa não restará ao mediador senão a de procurar a satisfação do seu direito em contencioso judicial, onde, para além da morosidade inerente, será necessário e imprescindível provar tudo o que se alega. ASSOCIAÇÕES EMPRESARIAIS ESTABELECEM PARCERIA DE COLABORAÇÃO APROSE e AEP apostam na formação profissional A APROSE e a Associação Empresarial de Portugal (AEP) formalizaram a 6 de outubro o protocolo que prevê o acesso dos mediadores de seguros inscritos na APROSE ao centro de formação da AEP. O programa de formação elaborado pelas duas associações visa promover o reforço das competências estratégicas, operacionais e relacionais do universo de empresas e empresários associados, contribuindo para o desenvolvimento contínuo dos processos de gestão e abrange áreas como a Eficiência Comercial, Marketing e Vendas, Gestão e Finanças, Competências Pessoais e Tecnologias da Informação. O programa formativo detalhado pode ser consultado em A parceria entre a associação de mediadores de seguros e a AEP vem cumprir um dos objetivos previstos no programa de ação da atual Direcão da APROSE e que esteve na génese da candidatura dos atuais órgãos sociais, decorrendo do levantamento das necessidades específicas dos mediadores de seguros efetuado no inquérito associativo de junho. Fernando Rego, presidente da APROSE, e José António Barros, presidente da AEP, representaram as duas associações na cerimónia de formalização do protocolo, que se seguiu à palestra Os desafios da Economia Portuguesa, de Camilo Lourenço.

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